terça-feira, 10 de julho de 2007

IBAMA licencia hidrelétricas no rio Madeira

Os principais jornais do país saem hoje com a notícia do licenciamento das hidrelétricas do rio Madeira, concedido pelo IBAMA, ontem à tarde. Tratam de vários aspectos, com opiniões de cientistas e tudo mais. A matéria do jornal Folha de São Paulo é uma das mais completas. O Globo e o Estado de São Paulo também abordam alguns aspectos da celeuma.

O fato é que o IBAMA abriu, embora cobrando providências e, aparentemente, modificando o projeto original. Vamos ver qual será a reação dos que estavam contrários.

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Especialistas aprovam as hidrelétricas com ressalvas
Dois cientistas vêem vitória de Marina Silva, outro aponta riscos de desequilíbrios

Os defensores também dizem que fiscalização deve continuar e que não se tem total certeza se propostas resolverão os problemas

FERNANDO BARROS DE MELLO
EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

A autorização prévia para que o projeto das duas hidrelétricas do rio Madeira possa continuar não deve ser encarada como uma derrota para a área ambiental, disserem especialistas ouvidos pela Folha.

"Eu defendo a hidrelétrica, mas com condições ambientais impostas", afirmou Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás e coordenador da Coppe. Para ele, as alternativas a essas hidrelétricas seriam piores. "A carvão, óleo diesel é um absurdo, e nuclear, além dos problemas, é caríssima."

Pinguelli defende que o Brasil precisa crescer e que "não é possível evitar a energia elétrica". "Acho que a vitoriosa nesse caso é a ministra Marina [Silva], que impôs as regras."

Tese similar é defendida pelo pesquisador Ronaldo Barthem, do Museu Paraense Emilio Goeldi, que esteve ontem na reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Belém.

"Foi a área ambiental [do governo] que segurou o projeto anterior. Ele teve que ser revisto. Essas coisas tem que ser na pressão mesmo, não tem jeito".

Bagres

Especialista em peixes, Barthem assinou o documento inicial feito a pedido do Ministério Público de Rondônia que apontava falhas no projeto.

Um dos pontos criticados era o de que as usinas podem afetar espécies de bagre da região. Segundo Barthem, não há certeza sobre o sucesso da construção dos corredores para os peixes contornarem a barragem, compromisso assumido pelo consórcio que construirá as usinas.

Essa exigência é uma das 33 condicionantes apresentadas ontem. "Nós temos mais incertezas do que certezas. Precisa de mais pesquisa. Não é certeza que esses corredores vão resolver, mas eles podem resolver."

O mais importante agora, para o pesquisador, é manter a vigilância, até que o projeto seja totalmente instalado. "O empreendedor só vai ter a licença de operação se forem feitas todas as condicionantes. Precisamos prestar atenção se isso vai realmente ser feito", disse.

Segundo o cientista, se as alterações forem levadas a sério, o impacto das usinas sobre o rio Madeira será minimizado.

"Veja o caso dos sedimentos. O projeto anterior previa que os mais grossos deveriam ficar presos na barragem. Isso mudou, e agora tudo vai passar", disse Barthem. A conseqüência prática é que será preciso gastar mais. "As hélices [das turbinas] terão que ser mais reforçadas", diz o pesquisador.

Sedimentos

Philip Fearnside, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), continua sendo crítico do projeto, mesmo após as mudanças. Segundo ele, não está claro como resolver problemas que podem afetar a própria vida útil da usina.

"O rio madeira é um dos que tem mais carga de sedimento do mundo, e isso envolve atrito nas turbinas, problemas para manutenção etc.", diz. "Outro problema grave de sedimentação é na parte superior do lago, onde o rio "entra", e eles nunca responderam nada sobre isso."

Segundo Fearnside, os sedimentos podem comprometer a vazão rio acima. "A água sobe e inunda a área, podendo atingir até mesmo um lado da Bolívia."

O governo pretende licitar a usina hidrelétrica de Santo Antônio no final de setembro ou começo de outubro.

Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, a usina deverá começar a entrar em funcionamento em meados de 2012, mas levará aproximadamente três anos para conseguir gerar todos os 3.168 MW previstos.

Hubner reforçou que o governo não vê risco de falta de energia. "Não vejo risco de apagão. A situação hoje é completamente diferente da do final dos anos 90, quando o Brasil havia abandonado o planejamento do setor", afirmou.

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