quinta-feira, 5 de julho de 2007

Antropóloga propõe não demarcar terras em Porto Seguro

Eis uma notícia estranha. Uma antropóloga, de quem nunca ouvi falar, escreveu uma tese contrária à presença dos Pataxó na região de Coroa Vermelha. Critica duramente a Funai por estar querendo demarcar terras para os índios, que seriam "viajantes", nômades, portanto, comerciantes, e não agricultores.

Parece que ela vem da Faculdade do Descobrimento, localizada em Porto Seguro.

É ver para crer.

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Facdesco vai debater invasões indígenas
Os conflitos envolvendo terras na Costa do Descobrimento serão discutidos durante um encontro que acontecerá Facdesco

As invasões evidenciam que a disputa pelas terras ainda persiste

A polêmica dos conflitos de terras na Costa do Descobrimento será o tema principal de um encontro que acontecerá na Facdesco no dia 12 de julho, às 20 horas, quando será apresentado o Relatório Esmeralda, um estudo sobre a política indigenista na região onde começou o Brasil. O documento, resultado de estudos realizados pela antropóloga Célia Gimenez, traz um diagnóstico completo sobre a cultura e o modo de vida da comunidade pataxó, especialmente na Reserva Indígena da Coroa Vermelha, homologada pelo Governo Federal no ano 2000.

A grande questão levantada pela antropóloga é que a desapropriação das terras que compõem as reservas da Coroa Vermelha, Jaqueira e Monte Pascoal não resolveram os problemas dos índios. "Os brancos continuam dentro da Coroa Vermelha e os índios continuam vendendo ou arrendando suas propriedades. Lá dentro estão sendo feitas obras de alvenaria e vendidas bebidas alcoólicas, à revelia das leis. Não podemos fechar os olhos para o consumo de drogas, a prostituição e a degradação do local. O Parque do Descobrimento, criado no ano 2000, encontra-se totalmente poluído visualmente. Isso é uma aldeia indígena?", questiona a antropóloga.

Outra polêmica que envolve índios, produtores rurais e autoridades são as novas invasões de terras, incluindo uma área pertencente à Facdesco (Faculdades do Descobrimento), às margens da BR-367. Apesar da Justiça ter determinado a reintegração de posse da área, os índios continuam marcando posição no local, como forma de pressionar as autoridades para a demarcação de novas terras. Eles reivindicam agora a aquisição de cerca de 10 mil hectares de terras, envolvendo 31 propriedades, numa área de abrangência que vai do Barramares ao rio Mutary.

Tradição

"Tradicionalmente os índios da tribo Pataxó são comerciantes, desde os tempos antigos, então porque a Funai agora quer impor uma cultura agrária? Porque a necessidade de mais terras? Pataxó significa povo caminhante e eles sempre viveram da venda de mercadorias, levando de um lugar para outro", explica a antropóloga. Em relação à invasão das terras da Facdesco, ela destaca a importância de acelerar a solução do conflito, já que o local está totalmente favelizado, sem as mínimas condições de sobrevivência, sem água, nem rede de esgoto e com energia elétrica conseguida através de gatos das redes da Coelba. "Qual é o projeto para essa invasão?", questiona a antropóloga.

Estão sendo esperados para o encontro do dia 12 representantes dos índios, produtores rurais, imprensa, prefeituras de Porto Seguro e Cabrália, Polícia Federal e demais órgãos governamentais ligados à questão. "Precisamos dialogar. Essa mentira de que os Pataxós estavam aqui quando Cabral chegou, continua valendo para muita gente. Mas a história verdadeira pode ajudá-los a encontrar sua verdadeira identidade", declara Gimenez, propondo soluções conjuntas que atendam às necessidades dos índios, produtores rurais, estudantes e de toda a comunidade da Costa do Descobrimento.

4 comentários:

Luís Caetano disse...

Caro Mércio
Esse relatório Esmeralda eu tenho procurado, afinal um texto que "...traz um diagnóstico COMPLETO sobre a cultura e o modo de vida da comunidade pataxó" teria que estar na minha tese sobre esse povo indígena. Dois laudos vêem sendo conduzidos há anos por experientes antropólogas e não chegaram a um diagnóstico completo, só a simplificação absurda de análise poderia chegar a tal em relação às hiperdiferenciadas comunidades Pataxó meridionais. Assim que localizá-lo farei uma resenha que divulgarei , em especial no Sul e Extremo Sul baianos.
Forte abraço
Luís Caetano

Mércio disse...

Luís Caetano, quando descobrir esse relatório e quiser fazer uma resenha nesse Blog, fique à vontade. Abraço,
Mercio

Anônimo disse...

Dr. Mércio

Estava pesquisando o assunto e acabei chegando aqui na página do senhor.
Sou Estudante da Facdesco, e faco das palavras da antropóloga as minhas "Os brancos continuam dentro da Coroa Vermelha e os índios continuam vendendo ou arrendando suas propriedades. Lá dentro estão sendo feitas obras de alvenaria e vendidas bebidas alcoólicas, à revelia das leis. Não podemos fechar os olhos para o consumo de drogas, a prostituição e a degradação do local.
conheco produtores rurais que vivem com medo de invasoes, propriedades essas produtivas E NAO TERRAS SEM DOCUMENTO OU LATIFÚNDIOS.
O ultimo epsodio foi a invasao pela Polícia federal a uma boca de fumo la situada, e a noite nao pude estudar porque a pista foi fechada por indigenas, me pergunto qual o direito que alguém tem de fechar a pista para reclamar o aprisionamento de armas de fogo e prisao de traficantes?
qual seria a sencasao do senhor, de ter sua casa, seu sitio invadido???
pergunto a qualquer brasileiro é muito facil quando é o outro que corre risco, quero ver até onde a nacao disponibiliza de coracao, se perguntando oque sentiria sendo invadido, perdendo o que é seu por direito nao podemos culpar apenas alguns e subtrair suas propriedades, sendo que responsabilizariamos eles indiretamente por um acontecimento irreversível e que todo brasileiro é responsável.
pelo senhor ser Antropólogo (Ph.D. University of Florida, EUA, 1977), Professor da Universidade Federal Fluminense, ex-Presidente da Funai, gostaria de aprender um pouco.
comente meu pegueno parecer, que transmite o meu sentir, de nativo de porto-seguro, com o seu imenso conhecimento
Desde já agradeco
Leonardo vieira

Anônimo disse...

ainda eu, leonardo
quero fazer uma denúncia pro senhor de que na gleba b na reserva da jaqueira esta ocorrendo a derrubada de mata nativa para ser convertido em carvao
desde ja agradeco

 
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