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terça-feira, 9 de julho de 2013

Álvaro Tukano, um dos pioneiros do movimento indígena, desabafa seu sofrimento

From: Alvaro Sampaio

Date: Tue, 9 Jul 2013 10:28:41 -0300
Subject: índio.
Estive em São Gabriel da Cachoeira, AM, rio Negro, várias vezes. Vi a situação dolorosa, muitas reclamações de pais e mães, de jovens e de viúvas. 

Depois que o Márcio Meira entrou na Funai, a única barreira segura para manter a paz nas comunidades indígenas - Os Postos de Fiscalizações, estavam abandonados. No Rio Negro estavam acontecendo a invasão de garimpeiros nos municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Nego. Além disso, invasões de empresas de turismo de pesca e deixando os pobres índios numa situação delicada, sem nenhuma proteção.
O custo de vida é caro. Os produtos regionais não tiveram aumento de preços. Os pescadores e piaçabeiros continuam pagando as despesas vitalícias e não há atuação do Ministério Público Federal de Ação Trabalhista para tirar os índios e caboclos da escravidão de patrões.
Me disseram que os meus parentes entraram em depressão - sem perceptivas de futuro. Resolveram fazer a batida de perfume, óleo diesel e pouco de álcool para matar a tristeza que não morre. Os índios morrerm, calados, sem nenhum assistência.
O povo está abandonado, não têm saúde, transporte, educação e nem carinho de ninguém de pessoas que têm DAS no Governo.
Em São Gabriel da Cachoeira, não é diferente. Em 1966 a cidade tinha menos de 500 pessoas. Hoje, são mais de 35 mil, 70% de índios. Certamente, toda a história de colonização do rio Negro foi violenta. Infelizmente, até agora essa violência continua.
Em 1912 chegaram os salesianos e acabaram com nossas casas sagradas, perseguiram os nossos curandeiros e líderes, construíram os colégios em todo o rio Negro. Tive a briga séria com a igreja em novembro de 1980. Por causa de minha denúncia nas instâncias internacionais é que fecharam os internatos e monopólio de comercio de artesanato, passarinhos, couros e outros produtos.
Os missionários nunca defenderam a demarcação da Terra. Mas, nós, índios, com muita garra conseguimos as demarcações das terras.
Muitos índios que tinham medo de ser índios, hoje, ficam na porta da Funai para tirar a Certidão de ìndio, porque quer ter os benefícios do governo. Hoje, até branco quer ser índio, em São Gabriel da Cachoeira.
O poderoso colégio salesiano se transformou num grande hotel. Corre muita grana e, nada de voto de castidade e de pobreza. A moda pegou. Todo mudo quer estudar, ser doutor, ter emprego e curtir a vida. Por isso, desde 1980 até hoje, muitas famílias vieram para São Gabriel da Cachoeira a procura de Ginásio, Segundo Grau e hoje, a Faculdade e, enfim, conseguir emprego.
São Gabriel se tornou violento. Os comerciantes de cachaça e de outras bugigangas estão matando os pobres índios. No porto de Camanaus, São Gabriel da Cachoeira, chegam as enormes balsas cheias de muita pinga. Não existe nenhum controle - muito menos nos Postos de Fiscalização. Assim, a bebida entra direto nas comunidades indígenas e chegam nos lugares mais distantes. Acontecem brigas, mortes e suicídios que nem não contados por ninguém.
Enfim, os meus parentes, também, estão abandonados. Sim, ocorreram muitos suicídios, muitas facadas, espancamentos, atropelamentos e muito comércio de álcool na cidade e no interior.
Nos últimos dez anos, segundo os informes do CIMI, mais de 400 suicídios aconteceram só nos Guarani Kaiowá. Sem contar os de rio Negro, Solimões e outras regiões do Brasil.
Saúde, ainda é pior. Não adianta nem falar. O mais certo é imaginar, chorar calado.
Educação, também, não andou mesmo.
Vergonhosamente, está aí a pobre Funai, desarticulada, abandonada pelo Governo e, se diz, articuladora política indigenista....É de arrepiar.
Tivemos mais confrontos nas selvas com os garimpeiros, madeiros e outros que ignoram as leis brasileiras.
Gostaria de ter o poder, ressuscitar o Marechal Rondon, Darcy Ribeiro,  Juruna e outros líderes para fazer o Tribunal Popular.
É assim que está a nossa realidade, triste. Estamos sem médicos, sem remédios e, sem curandeiros e ervateiros.
Estamos abandonados.
Quem tem o dever de proteger índios, infelizmente, só quer ocupar os DAS, fazer o controle ideológico e, perseguir índios que defendem a paz nas comunidades. É uma pena dizer essas tristezas.
Tudo é verdade.
Álvaro Tukano.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Funai se curva ao ISA

Esta semana, no Ministério da Justiça, longe da Funai, o presidente assinou um acordo em que entrega à Ong neoliberal ISA o direito de operar livremente nas terras indígenas do Alto Rio Negro, implantar políticas que queira e obter recursos no exterior em nome próprio para fazer projetos ao seu bel-prazer nas Terras Indígenas do Alto Rio Negro.

Envolucrado no manto do projeto governamental "Territórios da cidadania", o ISA terá poderes ilimitados para agir como quiser, sob o aval abúlico da Funai. Não era outra coisa que essa Ong vinha tentando obter há alguns anos. Eu mesmo, quando presidente da Funai, fui assediado para fazer um projeto equivalente e me recusei.

Não é que os povos indígenas não devam fazer projetos com membros da sociedade civil. A presença da FOIRN, que é a associação que agrega as associações das aldeias do Alto Rio Negro, parece indicar que eles terão um papel nessa entrega dos poderes assistenciais à Ong neoliberal. Qual papel ninguém sabe. O potencial de conflitos entre a Ong neoliberal ISA e a FOIRN vem se desenvolvendo há algum tempo, mas as coisas são dribladas por novos projetos.

Pode ser que a roda da história tenha se deslocado para o fim do papel do Estado na relação com os povos indígenas. Sei que muita gente vem trabalhando para isso. O que considero perigoso é o Estado brasileiro abrir mão de sua condição de responsabilidade sobre os povos indígenas e achar que isto é que o certo. A assinatura desse chamado convênio de cooperação parece que faz parte de uma política nova de indigenismo aplicada exorbitantemente pela atual gestão da Funai. Nas palavras do presidente da Funai, cheias de substantivos da moda burocrática, conforme o site do órgão, e em argumentação absolutamente sofística, onde declara que a presença de Ongs equivale à presença do Estado, diz:

"Os termos de cooperação que estamos assinando fazem parte de um processo maior de articulação, coordenação, monitoramento, acompanhamento e protagonismo da sociedade civil e, sobretudo, do Estado".

Mas onde está o protagonismo do Estado, senão na denegação de sua responsabilidade e na concessão de benefícios e direitos a uma Ong neoliberal?

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Menina Tukano é tratada por pajés e médico

O índio José Barreto (à esq.), pai de L., e o médico Monteiro, no Hospital Getúlio Vargas, em Manaus. A parceria salvou a menina de 12 anos

O Brasil é um país extraordinário por sua capacidade de improviso e de experimentação. O acontecimento abaixo prima pelo inusitado -- um conflito entre concepções indígenas e brasileiras sobre a cura -- e a solução encontrada é fruto da capacidade de experimentação e renovação das duas culturas que balizam essas concepções aparentemente antagônicas.

Eis um resumo do acontecimento:

No começo de janeiro uma menina Tukano, cujo povo vive na Terra Indígena Alto Rio Negro, no norte do estado do Amazonas, foi mordida em sua aldeia por uma cobra jararaca. O próprio pai a levou para a cidade de São Gabriel da Cachoeira para tomar soro antiofídico, mas, de lá foi transportada por avião para Manaus. Ao chegar ao hospital sua situação estava bastante comprometida e os médicos decidiram que teriam que amputar seu pé para salvá-la. Acontece que seu pai e alguns pajés Tukano acharam que a menina podia ser curada pelas rezas tradicionais e por ervas medicinais da cultural tukano. Aconteceu um impasse entre a cultura tradicional indígena e a cultura ocidental científica. O hospital a princípio se recusava a aceitar a presença de pajés nas dependências internas de tratamento intensivo. Os pais apelaram para o Ministério Público Federal, que entrou com uma ação contra o hospital favorecendo a decisão dos Tukano. Com isso a menina foi retirada do hospital e levada para uma casa de saúde indígena, em Manaus, onde continuou a ser tratada pelos pajés Tukano. Daí um médico do Hospital Universitário trouxe uma nova solução. Contatou o pai da menina e os pajés e propôs que ambos tratassem a menina, sem amputar seu pé. Para isso os pajés exigiram que as enfermeiras que fossem atender à menina seguissem uma série de regras de resguardo, como bem, não estivessem menstruadas nem fizessem sexo 24 horas antes de estarem em antendimento. Pois bem, parece que tudo foi acertado e a menina está sendo atendida assim e -- milagrosamente, ou cientificamente, ou etnicamente -- está melhorando!

Agora, perguntemo-nos: onde no mundo isso poderia acontecer senão no Brasil?

O encontro conceitual e emocional entre as duas culturas polares foi mediado pelo pajé e pelo médico e auxiliado pela procuradora. O diálogo foi possível graças ao respeito mútuo.

A cultura brasileira e a cultura indígena tukano estão de parabéns por seus representantes respectivos que souberam encontrar um modo auspicioso de diálogo e entendimento.

Vamos torcer para que a menina se recupere completamente e que uma lição seja tirada desse episódio extemporâneo, e que, por suas virtudes, creio que virá a ser repetido, com as devidas cautelas, muitas e muitas vezes no futuro.

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Juntos, médicos e pajé evitam amputação

Índios dividem com médicos o tratamento de uma menina num hospital do Amazonas internada depois de ter sido picada por uma jararaca

Revista ÉPOCA, por Mariana Sanches

Todos os dias, às 9 da manhã, um pajé da etnia tucano cruza os corredores do Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus, e entra em uma das enfermarias. Ali, faz um ritual com rezas e ervas selvagens em torno da índia L., de 12 anos, debilitada por causa da picada de uma cobra jararaca em seu pé direito. Quando o pajé sai do quarto, as enfermeiras retornam com seus curativos, analgésicos, anti-inflamatórios e o soro antiofídico. Mas não qualquer enfermeira. Por exigência dos tucanos, só têm contato com a índia as mulheres que não estão grávidas, que não tenham mantido relações sexuais nas últimas 24 horas e que estejam fora do período menstrual.

A mistura da medicina ocidental com as tradições indígenas no tratamento de L. é resultado de mais de um mês de negociações entre médicos e índios. Até a Procuradoria da República no Amazonas se envolveu na discussão. A história começou no início de janeiro, quando L. foi atacada pela cobra na região do Alto Rio Negro, na fronteira com a Colômbia. No local não há luz elétrica nem posto médico. A cidade mais próxima, São Gabriel da Cachoeira, fica a 14 horas de lancha. Os pais de L. enfrentaram a viagem. “Eu queria que ela recebesse o soro e depois fosse tratada em casa mesmo, como já fizemos com outras pessoas na tribo”, diz o pai, José Barreto. “Mas os médicos se desesperaram e quiseram mandá-la ao hospital em Manaus.” Era o início da confusão.

Internada no Pronto-Socorro Infantil João Lúcio, L. sofreu cirurgias para retirar os tecidos necrosados pelo veneno da jararaca. “Começaram a tirar pedaços dela, não explicaram nada e disseram que seria preciso amputar a perna”, diz o pai. “Eu pedia que deixassem o pajé entrar e fazer os rituais, mas não deixavam.” A direção do hospital diz que o uso de ervas poderia piorar o quadro de L. e que rituais naquela ala hospitalar seriam inviáveis. “A menina estava internada ao lado de uma UTI com 150 pessoas”, diz Joaquim Alves, diretor do hospital. “Como eu poderia permitir que eles fizessem rituais e perturbassem o silêncio recomendado nas UTIs?”

Os tucanos recorreram à Procuradoria da República. “Eu entendi o apelo do pai da criança. Se tivesse um filho com recomendação de amputação, gostaria de consultar outros médicos. Eles queriam consultar os seus sábios”, diz a procuradora Luciana Gadelha. O pai tirou L. do Pronto-Socorro João Lúcio e a levou para uma casa de saúde indígena, onde ela só recebia os cuidados dos pajés. Ficou nessa situação até que o diretor do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Raymisson Monteiro, propôs um acordo inusitado: aliar o tratamento indígena ao tratamento médico convencional. As enfermeiras aceitaram se submeter às restrições. Os índios ganharam tempo e espaço para os rituais e seus chás de ervas, mas abriram mão de colocar unguentos sobre os ferimentos. Em três dias de tratamento simultâneo, L. deixou de ter febre. A pele cresceu e cobriu os ossos do pé, antes expostos pela ferida. A amputação foi descartada.

A história de L. deixou o médico Joaquim Alves intrigado. “Sinceramente, não sei o que fazer se, como cirurgião, digo que um pé precisa ser amputado para evitar infecção generalizada e o pajé me diz que pode curá-lo com unguento. É fato que a menina está melhorando, mas como saber se isso é efeito dos rituais ou mera coincidência?” Entre as possíveis explicações para a melhora, uma é que algum dos remédios – os da milenar farmacopeia indígena, os da avançada medicina ocidental, ou ambos – tenha surtido efeito. Outra é que a crença nos feitiços compartilhada pela comunidade seja capaz de provocar mudanças benéficas no organismo do doente. De qualquer forma, o caso de L. é um exemplo de como a cooperação entre dois tipos de medicina pode funcionar.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Índio Tariana será candidato a prefeito em São Gabriel da Cachoeira


Pedro Garcia, um índio Tariana que recebeu sua educação formal pelos padres salesianos de São Gabriel da Cachoeira, será candidato, pela segunda vez, a prefeito no município de São Gabriel da Cachoeira.

São Gabriel da Cachoeira é um dos municípios mais interessantes do Brasil. Situa-se no norte do Amazonas e abrange um imenso território, o maior do Brasil. Compreende a maior parte dos territórios das diversas terras indígenas que compõem em conjunto o que poderíamos chamar de a grande terra indígena do Alto rio Negro, com mais de 10,5 milhões de hectares. A maioria de sua população é de indígenas, 95% dos 39.129 habitantes.

Além disso, os índios do Alto Rio Negro se organizaram numa confederação de associações locais, a FOIRN -- Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro -- talvez a mais bem organizada confederação de índios com o mínimo de ajuda de não-indígenas. Ao lado deles está o ISA -- o Instituto Socioambiental -- a maior e mais rica Ong indigenista do país, com influência em vários ministérios do governo federal e com recursos que sobram. Por exemplo, eles ganharam da Fundação Moore cerca de 2,8 milhões de dólares para ajudar os índios a cuidar do território já demarcado e a fazer ações que levem à demarcação de mais 1 milhão de hectares de terras indígenas no Alto Rio Negro. O ISA tem uma sede em São Gabriel da Cachoeira que é considerada o edifício mais bonito e chique da cidade, no alto de um morro que mira o rio Negro e, de longe, a cadeia de montanha denominada, A Bela Adormecida.

Por tudo isso, por que um indígena, com 95% da população sendo indígena, não se elege em São Gabriel da Cachoeira?

O que falta para que os parentes indígenas dêem apoio a alguém de sua gente, com educação formal e capacidade administrativa?

Bem, talvez em 2004 Pedro Garcia, o candidato indígena, ainda não tivesse experiência administrativa forte, embora já tivesse sido diretor da Coiab e da própria FOIRN.

Porém, em 2005 eu mesmo, enquanto presidente da Funai, o nomeei para ser administrador da Administração de Manaus, talvez a mais importante das administrações da Funai. Pedro ficou na Funai até maio de 2006 e fez uma boa administração. Porém, iludido pelo canto da sereia cantado por alguns índios espertos, Pedro saiu da Funai para se candidatar a deputado federal e não se elegeu.

É a sua vez agora, Pedro Garcia. Espero e torço para uma maioria esmagadora dos índios do Alto Rio Negro votem em você e apoeim sua administração futura. Não podem falhar com você.


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Indígenas disputam eleições em São Gabriel da Cachoeira

MANAUS - O município de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros a noroeste de Manaus) tem uma chapa indígena para prefeito e vice-prefeito. Pedro Garcia Tariano (PT) e André Baniwa (PV) se uniram para disputar a prefeitura nas eleições deste ano.

De acordo com a Fundação Estadual dos Povos Indígenas (Fepi), São Gabriel da Cachoeira tem a maior população indígena do Estado, correspondente a 95% dos 39.129 habitantes, segundo o censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2007. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) registrou 21.163 eleitores no município.

Tariano criticou o fato de o município ter a maior população indígena do Estado, mas nunca ter eleito um prefeito nativo. Segundo ele, a população vê com descrédito a candidatura de um índio. “O índio é visto como um bicho incapaz, sem caráter, sem compromisso e sem capacidade de administrar uma cidade“, disse o candidato que disputa pela segunda vez o cargo de prefeito no município.

Índio da etnia Tariano, Garcia tem 47 anos, é formado em técnico agropecuário e filiado ao PT desde 2003. Foi integrante do movimento sindical pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Manaus por oito meses. Já André pertence à etnia Baniwa, tem 37 anos, já foi filiado ao Partido da República (PR) e atua como líder indígena.

Também são candidatos em São Gabriel o atual prefeito Juscelino Gonçalves (PMDB), Raimundo Quirino Calixto (PRP), Hamilton Bezerra Gadelha (DEM) e René Coimbra (PCdoB).

quarta-feira, 9 de julho de 2008

ISA desmente demarcar terras indígenas

O Instituto Socioambiental (ISA) vem de esclarecer em nota à revista Carta Capital, em contraposição à minha entrevista, que seu programa de 2,8 milhões de dólares recebidos da Fundação Moore não se refere a demarcação de terras indígenas e sim a ações de sustentabilidade socioambiental.

E requesitou à Fundação Moore para corrigir esse engano.

Porém, o programa, como se pode ver logo abaixo, não fala nada em "sustentatibilidade socioambiental", e sim em ter como resultado o aumento em um milhão de hectares de terras protegidas, melhoria no gerenciamento de terras indígenas (10,6 milhões de hectares, isto é, as terras indígenas do Alto rio Negro), e em desenhar um corredor ecológico de 23 milhões de hectares (isto é, propor a ligação da T.I. Yanomami com a T.I. Alto Rio Negro através da demarcação da T.I. Cue-Cué Marabitanas).

Nenhuma dessas ações é atributo de Ongs neste país. Nenhuma aumenta áreas protegidas, nenhuma gerencia territórios indígenas, embora propor seja o direito de qualquer uma. Mas que o ISA ganhou um bom dinheiro com esse programa, isso ganhou.

Fundação Moore

Instituto Socioambiental
Rio Negro Basin Protection $2,852,000 May 2004

Purpose

This grant helps Instituto Socioambiental strengthen stewardship of the biodiversity and natural resources in the Amazon’s Rio Negro Basin—the largest drainage system on the planet, contributing 40% of the water in the Amazon Basin. Outcomes include the addition of one million hectares in new protected areas, improvement of management in indigenous territories (10.6 million hectares) in the Upper Rio Negro Basin, and design of a 23-million-hectare northern Amazon ecological corridor.

Embaixo segue o texto da carta do ISA, para conhecimento dos leitores.

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A afirmação do ex-presidente da FUNAI sobre o Instituto Socioambiental (ISA) em entrevista à Carta Capital, edição 502, está incorreta.

O projeto desenvolvido pelo ISA com apoio da Fundação Moore refere-se a ações de sustentabilidade socioambiental em terras indígenas e não à demarcação.

O ISA, enquanto sociedade civil organizada, sempre lutou pelo reconhecimento dos direitos territoriais indígenas por parte do Estado brasileiro e, consequentemente, sempre apoiou ativamente os procedimentos oficiais de demarcação de TIs.

Já solicitamos à Fundação Moore que altere a forma como a proposta vem sendo divulgada em seu site, de modo a não deixar margem a dúvidas sobre os objetivos do nosso projeto.

Sergio Mauro Santos Filho
Secretário-executivo do Instituto Socioambiental

sábado, 28 de julho de 2007

Índios do Noroeste discutem proteção territorial

Em reunião em São Gabriel da Cachoeira, promovida por Ongs que trabalham com os índios do Noroeste brasileiro, discutiu-se questões de proteção territorial e autonomia cultural.

Nessa matéria, publicada pelo ISA, os índios da Venezuela reconhecem que seus territórios não são reconhecidos pelo Estado venezuelano.

Quando era presidente da Funai, enviei um perito em demarcação de terras para ajudar os índios venezuelanos e o governo e estudar e demarcar as terras indígenas. Quando chegou na questão de retirar invasores, os venezuelanos pularam fora. Não querem mexer nesse vespeiro. Assim, as terras indígenas da Venezuela são compartilhadas por todos e não exclusivas aos índios. O Brasil está léguas à frente desse país vizinho, tão conservador e agora tão metido a radical.

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Canoa discute educação e autonomia dos territórios indígenas no Brasil, Venezuela e Colômbia

No terceiro dia de reunião, a Cooperação e Aliança no Noroeste Amazônico (Canoa) abordou a situação dos povos Yanomami que habitam em Roraima, fronteira com a Venezuela, apresentada pela organização brasileira CCPY- Comissão Pró-Yanomami e pela organização venezuelana Wataniba - Asociación para el Desarollo Humano Multiétnico de la Amazonia. Também estiveram em pauta questões de autonomia e demarcação de terras na Colômbia e Venezuela.


Reunida em São Gabriel da Cachoeira (AM), a Cooperação e Aliança do Noroeste Amazônico - Canoa - discutiu na quarta-feira, 25 de julho, a questão da educação entre os Yanomami, os povos do rio Orenoco (Venezuela) e do rio Miriti (Colômbia)e abordou questões de autonomia e demarcação de terras. Do lado brasileiro, a Terra Indígena Yanomami se localiza no norte do Amazonas e a noroeste de Roraima e faz fronteira com o sul da Venezuela. Os representantes da CCPY, Marcos Wesley e Clarisse Jabur, traçaram um quadro considerando diversas questões, sobretudo em relação ao território e à educação. Em relação ao território, os Yanomami vêm sofrendo com a invasão garimpeira. Estimativas recentes dão conta de que existem em torno de mil garimpeiros em terras Yanomami, invadindo lugares sagrados, degradando a floresta, trazendo doenças entre outros males. As ações que a Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai) tem feito eventualmente para retirada dos garimpeiros, não são eficazes, pois de acordo com Wesley, o que deve ser feito é implementar um serviço de inteligência em Boa Vista para coibir o abastecimento desses garimpos nas terras indígenas.

A coordenadora do projeto de educação da CCPY, Clarisse Jabur, explicou que a educação se baseia no "resguardo" da cultura Yanomami. Esses povos ainda mantém muito vivas suas tradições e língua. "Os Yanomami decidiram que a escola será um ambiente para adquirir conhecimento da sociedade envolvente de modo que esse conhecimento possa ser utilizado por eles para proteger os seus territórios".

No lado venezuelano, os Yanomami, tal como no Brasil, também vem sofrendo por causa da garimpagem ilegal nas suas terras. O agravante é que os territórios Yanomami na Venezuela não são reconhecidos oficialmente pelo governo. O antropólogo José Antônio Kelly, da Wataniba, explicou que as terras tradicionais desses povos estão em reservas de proteção permanente, que na Venezuela denominam-se “Reserva de Biosfera”, e em parques nacionais. Essas reservas foram criadas com intenção de proteção total daquelas paisagens, sem levar em consideração que eram habitadas tradicionalmente por povos yanomami. Kelly informou ainda que vários povos indígenas da Venezuela têm projetos de demarcação de suas terras, mas até o momento nenhuma delas foi reconhecida oficialmente. Ele acredita que o movimento indígena venezuelano deveria exercer maior pressão no governo, mas isso não ocorre porque a grande maioria das lideranças são funcionários do Estado e isso os impede de entrar em embates com as políticas estatais.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Mirian Leitão entrevista índios do Alto Rio Negro

Mirian Leitão, distinta jornalista de economia de O Globo, faz uma reportagem em que entrevista dois líderes do Alto rio Negro. Seu interesse pela questão indígena é marginal, só chamando sua atenção no caso de índios invadirem empresas de mineração e quejandas. A entrevista vale pela curiosidade, mas frustra pelo seu pouco interesse em melhorar seu conhecimento. De todo modo, vale dar uma olhada no URL acima.
 
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