
Para quem duvidar de Evo Morales, eis um bom exemplo de suas ações. Evo iniciou o processo de distribuição de terras aos indígenas do oriente boliviano, precisamente do Departamento (estado) de Santa Cruz, onde prevalece o latifúndio.
Na reforma agrária em andamento, as terras serão redistribuídas não por algumas serem "improdutivas", como no Brasil, mas por possuírem mais de 5.000 hectares. A nova Constituição boliviana, referendada pela população com mais de 60% dos votos, proíbe terras com tamanho maior do que este.
Esta é uma posição bem mais radical, democratizante, igualitarista, e, para muitos, dificílima de ser levada a cabo, pelas reações negativas que provocam. O desafio do governo boliviano é imenso, mas Evo Morales está disposto a fazer história como um verdadeiro revolucionário.
Evo Morales não teme as consequências de suas ações. Propala-as a todos os ventos, em todas as ocasiões. Tem o apoio ideológico, embora incerto da esquerda internacional. Conta com o apoio de Lula, Chavez, Correa, Lugo e Kirchner, para falar nos mais expressivos dos presidentes de países latino-americanos.
O governo Evo é conflitual, sem dúvida, mas, internamente, conta com o apoio de uma maioria expressiva da população, 60% dela composta por indígenas Aymara e Quechua (mais de 90%) e depois por grupos menores, como Guarani.
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Evo Morales entrega as primeiras terras a indígenas
O Governo boliviano começou a distribuir os latifúndios ilegais face à nova Constituição a pequenos proprietários. A lei recentemente referendada proíbe extensões de superfície superior a 5 mil hectares.
A entrega foi inaugurada pelo próprio Presidente Evo Morales, que deu 34 títulos de propriedade a outros tantos agricultores, guaranis, num total de 38 mil hectares.
Milhares de indígenas assistiram à cerimónia, que decorreu na localidade boliviana de Santa Cruz. A concentração teve lugar a poucos metros de uma das grandes quintas expropriadas.
Os novos proprietários não poderão contudo e já ocupar os seus terrenos por os seus donos anteriores terem interposto acções na justiça contra o processo. Só depois de os casos passarem em julgado, e caso os percam, isso poderá acontecer.
Uma das coisas que a Constituição boliviana, aprovada em Janeiro, estipulou foi a proibição de latifúndios superiores a 5 mil hectares. A Bolívia era um dos países onde muito poucos tinham muitas terras e muitos milhares só podiam, e com sorte, trabalhar nelas. E os guaranis, uma das principais etnias do país, eram – e são – uma das comunidades mais abandonadas.
As terras distribuídas não o foram por estarem “improdutivas”, disse Morales, mas por serem palco de “violações dos direitos humanos”.
O Presidente, o primeiro índio a chegar a uma presidência na América Latina, é particularmente popular entre a população indígena aimara, quechua e guarani.
