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sábado, 22 de março de 2008

Paulo Vanzolini, autor de "Ronda" não perdoa as Ongs


O jornal Folha de São Paulo de vem em quando traz umas matérias interessantes com gente interessante. Desta vez é uma entrevista com Paulo Vanzolini, que, não só é um grande cientista, que bolou a teoria que hoje se chama "teoria dos refúgios", para explicar como a biodiversidade foi preservada e regenerada nos períodos em que a Amazônia oscilou entre tempo seco e tempo húmido, mas é também um grande sambista paulista, o autor de Ronda.

Quem não conhece e ama Ronda?

Pois bem, Vanzolini abre o verbo sobre a Amazônia. Começa falando muito mal do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, depois mete o pau nas Ongs que posam de boazinhas. Coragem e conhecimento de causa não lhe faltam.

Imaginem o que ele diria se soubesse como a Funai está tomada pelas Ongs!

É ler para crer!

A matéria completa, com alguns pontos sobre sua vida, está em Folha de São Paulo, para assinantes

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Amazônia Insustentável

"Vejo a situação da Amazônia com grande desgosto. A equipe dessa ministra [Marina Silva] é muito ruim. Você conhece o [João Paulo] Capobianco [secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente]? É o pior que tem. Agora ele inventou essa história de gestão do patrimônio genético", dispara.

Do governo, Vanzo parte para criticar os próprios moradores da floresta e as ONGs.

"A Amazônia inteira quer derrubar a floresta. Principalmente o pessoal que vive lá mesmo. O único jeito seria diminuir a população. Não existe desenvolvimento sustentável. É uma besteira completa. Enquanto a população crescer, você não vai negar comida". A única solução é: "Tranca a porta e perde a chave. Enquanto tiver gente e gente fazendo mais gente, como você vai comer sem plantar, sem matar os bichos que estão por lá?"

Em seguida, muda de bioma, mas mantém o alvo. "O grande mal são as ONGs. Elas são ignorantes e muito militantes. Fico feliz que agora liberaram a usina de Tijuco Alto." O projeto da hidrelétrica, que poderá ser erguida sul do Estado de São Paulo pelo Grupo Votorantim, se arrasta há 20 anos na Justiça.

"Eu e algumas alunas tínhamos uma firma de impactos ecológicos. Fizemos estudos naquela área. Lá não tem um metro de mata atlântica. Tem só capoeira, o que é pior."

Mas as boas lembranças amazônicas do autor de "Volta por Cima" -expressão que virou verbete em dicionário e o único samba, segundo Vanzolini, que rendeu algum dinheiro ("Comprei muitos livros com ele")- voltam logo.

"Uma das maiores emoções que eu tive na vida foi na Amazônia, ao lado do Márcio Ayres [primatólogo morto em 2003], que eu conheci no berço."

Os dois cientistas estavam atrás de uma espécie nova de macaco e pararam seu barco em uma ilha, na região de Mamirauá.

"Logo quando chegamos pensaram que nós éramos regatões e foram logo perguntando o que vendíamos. Dissemos que estávamos trabalhando nessa coisa do mico-de-cheiro. "Qual o senhor quer?" -perguntaram. "O da cabecinha ruiva ou o outro?" Quase desmaiei na hora. Eles já sabiam que eram dois [tipos]."

Quando um exemplar da espécie nova foi encontrado, o próprio Vanzolini matou o animal. Ayres afirmou que não sabia fazer aquilo. "Eu fui lá e matei. Depois taxidermizei e o Márcio descreveu (e fez uma homenagem ao então orientador, dando o nome ao macaco de Saimiri vanzolinii).

Apesar de ter ficado de fora dessa descrição, a obra de Vanzolini não se resume ao estudo que acabou gerando a teoria dos refúgios. Nas coletas de campo ou no Museu de Zoologia da USP, ele não tem conta do número de espécies que descreveu e batizou, principalmente de répteis e anfíbios ("Quem é sério tem perfil baixo", disse uma vez).

Matar bicho para fins científicos é cada vez mais importante, segundo Vanzolini. "As ONGs acham isso besteira porque elas não entendem de nada", generaliza o zoólogo.
 
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