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domingo, 25 de maio de 2008

Parque do Javari: beleza pura e saúde precária


Os acontecimentos desta semana que passou, principalmente o ataque ritual dos Kayapó ao engenheiro da Eletrobrás, levaram os jornais principais do país a mirar de novo a questão indígena.

Hoje os jornais O Globo, a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo vêm com matérias longas sobre o Parque Indígena do Javari. São matérias parecidas. Levados pela Funasa, o órgão que cuida (mal) da saúde indígena, os repórteres acompanharam o diretor de saúde indígena, Wanderley Guenka, na visita de inspeção e de vacinação que a Funasa está desenvolvendo na região. Segundo o Estado de São Paulo, os custos dessa expedição foram de R$ 4.500.000,00, o que surpreende. Seria muito vôo de helicóptero e muitos convidados jornalistas para chegar a tanto.

O Parque Indígena do Javari fica na região sudoeste do estado do Amazonas. Seu nome vem do rio Javari que constitui uma bacia com muitos rios o alimentando. Tem 8,5 milhões de hectares, sendo a quarta grande área indígena do Brasil, atrás das terras dos Kayapó (14,5 milhões de hectares), do Alto Rio Negro (10,5 milhões) e dos Yanomami (9,6 milhões). É uma região belíssima, com rios claros e piscosos onde vivem cerca de 3.700 indígenas. O povo Marubo constitui a maior população, com cerca de 1.700 pessoas. Os Matis vêm em seguida, com quase 1.000. Há ainda os povos Matses, Kunamari, Kulinas e Korubo. Existe um número que varia entre 4 e 10 povos indígenas (na matéria do Estadão consta que são 26) que vivem autonomamente, isto é, em situação de auto-isolamento, sem relação com os demais povos indígenas, nem tampouco com funcionários da Funai.

Os índios que vivem em relacionamento com a Funai vêm passando por grandes dificuldades de saúde. A hepatite B atinge 7% da população. A hepatite C devasta jovens e velhos ano após ano. A malária infesta todas as aldeias. Num desabafo, o diretor da Funasa disse que só se derrubasse a floresta é que a malária acabaria. Não chega a tanto. Em algumas terras indígenas, como na T.I. Waimiri-Atroari, o cuidado é tão grande que a malária virou uma raridade. Quando aparece é imediatamente controlada. E a saúde dos Waimiri-Atroari não está nas mãos da Funasa.

Veja a matéria no Globo Online, com fotos muito lindas das aldeias e dos índios. No Estado de São Paulo também tem informações que complementam o outro jornal.

Por fim, a Folha de São Paulo também veio com três matérias, entrevistando alguns antropólogos e indigenistas sobre a situação indígena no Brasil. Uma delas é sobre terras indígenas que têm intrusos ainda dentro delas, como o caso da Terra Indígena Marãiwatsede, dos índios Xavante, no Mato Grosso. Fala também da presença de garimpeiros na T. I. Yanomami e de boiadeiros na T.I. Araguaia, dos índios Karajá e Javaé. As outras duas são mais opinativas, sem informações novas.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Funasa, mais uma vez, em falta com os índios

Toda semana tem pelo menos três notícias negativas sobre o trabalho da Funasa nas populações indígenas. O assunto é repetitivo, não dá para acompanhar e comentar nem metade do que acontece por aí. E olha que não é por falta de verbas, e sim, por falta de indigenismo e honestidade.

Hoje as notícias vêm de dois extremos do Brasil. Uma vem da Amazônia, onde a Ong indígena Civaja denuncia mortes de índios no Vale do Javari por conta de uma forma mortal de hepatite que se tornou endêmica, alto índice de mortalidade infantil, descaso e corrupção.

A outra vem do sul do Mato Grosso do Sul, na Terra Indígena Potrero Guaçu. A denúncia é do CIMI, que relata a falta de água potável nas aldeias dessa terra indígena.

É tudo uma tristeza só. Enquanto a Funasa não for incorporada pela Funai, seja como instituição agregada, seja na formação de um novo órgão conjunto, não haverá saída para essa questão. A Funasa é incapaz de criar um espírito indigenista. O que mais temo é a gestão atual da Funai a desmoralizar tanto que ela não seja mais capaz de dar a volta por cima. Ao final, como sempre, só os índios a salvarão.

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Índios de municípios do Amazonas sofrem com doenças e mortalidade infantil

MANAUS – Um relatório do Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja) aponta que quatro indígenas já morreram e quase 60% dos quatro mil índios do Vale do Javari, em Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros a oeste de Manaus), estão contaminados com Hepatite, Malária, Tuberculose e Dengue, desde o início de 2008.

De acordo com o prefeito do município, Rosário Conte Galate Neto, em 2007 39 índios do Vale do Javari morreram contaminados por hepatite. O prefeito afirmou ainda que em oito anos a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) não realizou nenhuma ação efetiva que resultasse na redução dos índices das doenças.

Segundo Rosário Conte, o governo federal repassa, por mês, R$ 211 mil para a prefeitura. Ele disse ainda que decretará estado de calamidade pública por causa da situação dos índios. Rosário Conte afirmou que o problema já afeta a sede do município, onde moram cerca de 600 índios, que saíram do Vale do Javari, um dos locais de maior concentração indígena no Amazonas. Ao todo são mais de quatro mil índios das etnias Kulina, Marubo, Mayuruna, Matis e Canamari.

Mortalidade Infantil

Índios da etnia Culina, no município de Eirunepé (a 1.245 quilômetros de Manaus) apresentam alto índice de mortalidade infantil. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), somente em 2008, sete crianças da aldeia já morreram vítimas de diarréia, desnutrição e infecções respiratórias.

Fonte: Portal Amazônia - TM

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Entidade afirma que índios do MS vivem sem água potável

Germano Oliveira - O Globo

SÃO PAULO - O Conselho Missionário Indigenista (Cimi), órgão ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), denunciou nesta quinta-feira que índios da nação Potrero Guasu, no município de Paranhos, no Mato Grosso do Sul, estão sem água potável há cinco anos. Segundo o Cimi, esta situação agrava a mortalidade de crianças indígenas por subnutrição e doenças.

De acordo com relato do Cimi, há 5 anos, a comunidade reclama da quase total falta de água no lugar. De acordo com suas lideranças, em maio do ano passado, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) furou dois poços artesianos no local para resolver o problema, mas até agora os poços não funcionam, estão vazios.

Os professores denunciam que a água que saía dos bebedouros da escola tinha forte cheiro e coloração marrom e que faltava água na cozinha para preparação dos alimentos e, nos banheiros, para a higiene. Relatam ainda que a falta de água tem resultado em inúmeros casos de doença de pele entre os alunos e que tem agravado o problema de desnutrição, sobretudo entre as crianças. A Funasa argumenta que as bombas de água não foram instaladas por falta de dinheiro que deveria chegar via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Funasa reconhece gravidade da saúde indígena no Vale do Javari

Finalmente, alguém da Funasa vem a público para reconhecer a gravidade do problema da saúde indígena no Vale do Javari. E não é menos que o diretor do Departamente de Saúde Indígena do órgão, Wanderley Guenka, nomeada há poucos meses.

A declaração de Wanderley tem que ser seguida por providências urgentes. Ali a situação é complicada e difícil. São 8 milhões de hectares de terras, cortadas só por rios, com comunidades indígenas espalhadas por todos os lados, e com alguns de seus membros vivendo na cidade de Atalaia de Norte. De lá levam doenças para os parentes e a transmissão é muito rápida.

A Funasa precisa se estruturar e se ligar à Funai para ter capacidade de ação. É dar murro em ponta de faca querer inventar uma nova forma de indigenismo que não o que a Funai herdou de Rondon.

O governo federal podia se sensibilizar quanto a isso. Será que é preciso chorar mais, experimentar mais mortes, para um dia fazer-se essa reintegração dos órgãos?

Ministro Temporão, dá um tempo, olha com carinho essa questão! A sua reputação e seu bom nome estão em jogo!


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Saúde de índios no Vale do Javari é gravíssima, diz Funasa


O diretor do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Wanderley Guenka, afirmou que a situação de saúde dos povos que vivem na Terra Indígena do Vale do Javari, no Amazonas, é gravíssima. Segundo ele, a Funasa, sozinha, não é capaz de realizar as medidas necessárias para o atendimento da população.

Com os índices mais altos do País de contaminação pelo vírus do tipo B da hepatite, a região vem sofrendo ainda com uma epidemia de malária. Tanto a hepatite quanto a malária atacam diretamente o fígado, e a associação dos dois problemas tem enfraquecido a população e levado a um alto índice de mortes.

"É gravíssimo, gravíssimo", avaliou Wanderlei Guenka, em entrevista ao programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia. "Nós não podemos ficar com medidas paliativas, foi levado isso ao presidente, nós estamos organizando uma reunião com todas as entidades, porque só a Funasa não vai dar conta de dar uma assistência de qualidade no Vale do Javari. Nós temos que reconhecer que, isoladamente, não."

"Nós estamos buscando todos os parceiros para uma solução no Vale do Javari", disse o diretor da Funasa. Como parceiros indispensáveis, ele citou a Fundação Nacional do Índio (Funai), a prefeitura de Atalaia do Norte, a Secretaria de Saúde do Amazonas, a Secretaria de Vigilância de Saúde do Ministério da Saúde e o Instituto de Medicina Tropical. "Um segundo passo, é fazer essa parceria agora, inclusive com as Forças Armadas, Marinha e Exército, no sentido de realmente fazer um trabalho de impacto no Javari, nós estamos devendo a esse povo. Nós vamos fazer esse trabalho de impacto, de investimento na parte estruturante do Vale do Javari", afirmou.

Há anos a população pede medidas urgentes para conter o avanço da presença dos vírus das hepatites nas aldeias. Entre aqueles que já foram testados os índices de contaminação são extremamente altos: mais de 80% para o tipo A e acima de 20% para o vírus B. Esse vírus proporciona a sobrevivência no organismo de outro tipo ainda mais perigoso, conhecido como delta (D). Também os resultados para o vírus D entre os testados estão muito acima da média nacional e dos números considerados aceitáveis segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Uma das grandes preocupações dos indígenas é a transmissão vertical do vírus tipo B. Eles temem que a transmissão direta de mãe para filho condene essa população ao desaparecimento. Nos últimos anos têm ocorrido mais mortes de jovens e crianças do que de pessoas idosas nas aldeias. Uma das medidas para impedir a transmissão é o exame sorológico (que detecta a presença de anticorpos), em que a população é testada para os vírus, o que até hoje não ocorreu, embora a Funasa já tenha assinado dois termos de ajustamento de conduta (TACs) com o Ministério Público comprometendo-se a concluir o inquérito sorológico em caráter de urgência. (Agência Brasil)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Índios do Vale do Javari continuam a sofrer

A notícia de que índios do Vale do Javari, no oeste do Amazonas, cruzam a fronteira para serem medicados no Peru é estarrecedora. Só posso crer que não é verdade.

Os serviços médicos na Amazônia peruana não são conhecidos como de primeira linha, assim, me parece um exagero. Pode ser que o Civaja, que era a Ong indígena que tinha contrato com a Funasa, e que faz essa acusação, esteja esticando a verdade como forma de pressionar a Funasa.

De qualquer modo, é o estrompido falando do arrebentado.

A saúde dos índios do Vale do Javari tem sido muito mal atendida. Considero que é muito difícil, mas as lutas internas entre Funasa e Civaja só têm piorado.

A Funasa também alega que o pessoal médico é escasso e não se dispõe a enfrentar sacrifícios para subir os rios do Vale do Javary e tentar cuidar da saúde indígena.

É a pior situação de saúde do Brasil. Só uma intervenção forte é que pode melhorar.

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Índios do Vale do Javari cruzam fronteira com Peru em busca de atendimento médico


Até domingo, 500 índios residentes no Vale do Javari, no oeste do Amazonas, poderão atravessar o Rio Javari, que delimita a fronteira do estado com o Peru, para buscar atendimento médico contra a malária no país vizinho.

Desde 3 de dezembro, sete indígenas morreram (cinco crianças). A causa principal foi a reincidência de malária. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Distrito Sanitário Espacial Indígena do Vale do Javari registrou no ano passado 39 mortes provocadas pela malária, tuberculose, meningite e hepatite tipo B e D (delta).

Segundo o coordenador do Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja), Clóvis Marubo, os índios estão recorrendo a autoridades estrangeiras para pedirem assistência por causa da precariedade da saúde na região. "Se o governo brasileiro não faz nada, é bom que alguém faça alguma coisa por nós. Estamos pedindo socorro, estamos lidando com vida, com ser humano. Ninguém está fazendo nada", reclamou.

A situação no Vale do Javari é de conhecimento das autoridades públicas brasileiras. Em 15 de agosto, representantes da Funasa, da Fundação Nacional do Índio (Funai), da prefeitura de Atalaia do Norte (município próximo à região), do Ministério Público Federal e dos indígenas assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

O TAC continha 18 cláusulas onde são listadas providências de curto e médio prazo para reverter os problemas de saúde e de ensino na região. O documento também estabelecia que a Funasa deveria concluir, até 31 de dezembro, a construção de quatro pólos-base para assistência à saúde no Vale do Javari.

Em nota de esclarecimento, a Funasa afirma que apenas "um pólo já está em fase de construção e as outras obras serão iniciadas no final deste mês". Além do atraso na construção dos pólos-base, a Funasa não terminou a investigação sobre a saúde dos indígenas. Conforme o TAC, a coleta de amostras deveria ser concluída até 15 de setembro.
 
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