Os índios de Mato Grosso do Sul são considerados os mais sofridos do Brasil. Somam cerca de 68.000 indivíduos e vivem em 74 aldeias espalhadas entre 28 municípios do estado.
Apenas os Kadiwéu, cuja terra indígena tem cerca de 530.000 hectares, vivem relativamente bem. Mesmo estes passam por dificuldades. 130.000 hectares de suas terras estão invadidas por fazendeiros desde a década de 1960 e o processo de retirada está no STF desde 1983. Parado. Nas mãos do ministro Celso de Mello, sem querer dar seu voto.
Já os Terena e os Guarani vivem em pequenos lotes de terras que foram demarcadas entre 1915 e 1938, e depois nas décadas de 1970 para cá. Quando era presidente da Funai conseguimos demarcar algumas delas, as últimas desde então.
A desastrada campanha feita pela atual gestão da Funai inviabilizou completamente a demarcação das terras guarani que estavam sendo cogitadas há alguns anos. Com um furor sensacionalista, alguns antropólogos e missionários propuseram a demarcação de cerca de 600.000 a 1.000.000 de hectares, naquele estado, quando há tão somente 60.000 hectares demarcados até agora.
A resposta dos fazendeiros e políticos veio com a mesma arrogância. Hoje está tudo parado. Há três dias a bancada ruralista do Mato Grosso do Sul foi levada pelo seu governador para falar com os ministros Tarso Genro e José Múcio. O processo está paralisado. Tarso Genro sugeriu uma câmara de reconciliação, com a direção do Ministério Público. Sugeriu o impossível.
Por sua vez, o mesmo ministro Tarso Genro assinou uma portaria demarcatória que aumentaria a Terra Indígena Cachoeirinha, de 2.870 hectares para 36.700 hectares. Não sei se sabia o quê estava fazendo. O resultado era esperado. Os fazendeiros se levantaram e pararam tudo. A justiça federal embargou a portaria.
Os índios Terena e Guarani sofrem pela falta de terras e pela falta de estratégia da atual gestão da Funai.
Em Miranda, cidade do oeste matogrossense, reuniram-se para protesto e demonstrar que o Dia do Índio é um dia de luta e de desespero. Querem o apoio da sociedade matogrossense e brasileira na sua busca por um espaço (literalmente) na sociedade brasileira. Mas com os "muy amigos" que lhe dão suporte a coisa não vai para frente. Vão continuar a sofrer até encontrarem um novo caminho de conquistas.
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Índios de MS pedem solidariedade na luta por demarcação
Jefferson da Luz, para o Campo Grande News
Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul pediram solidariedade a membros de outras comunidades do país na luta pela demarcação de terras no Estado. Para Eliseu Lopez e Elda Vasquez, representantes Kaiowa-Guarani, os índios estão ameaçados de extinção pela expansão do agronegócio, que os confina a reservas “espremidas entre plantações de soja e cana-de-açúcar”.
Ontem, foi realizada, na Aldeia Mãe Terra, em Miranda, o encontro de povo Terena e da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). O evento teve como objetivo fazer uma reflexão sobre a situação dessas populações no Estado e no Brasil.
Na ocasião, Lindomar Ferreira e Sacarias Rodriguez, lideres da aldeia, disseram que a comunidade não vai abrir mão de reivindicar 33 mil hectares pelos quais vêm lutando há 26 anos, e que aguardam com esperança a homologação de suas terras pelo governo Lula.
O encontro reuniu movimentos indígenas de várias regiões do país que além de perceberem os problemas enfrentados pelos índios aqui em Mato Grosso do Sul, manifestaram suas posições quanto à recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a demarcação continua da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Algumas lideranças criticaram a decisão e disseram que para a maioria dos povos indígenas do Brasil foi "uma vitória com sabor a derrota".
O momento mais importante do evento foi marcado pela apresentação, da "dança da guerra", cujo significado abrangia por um lado à valorização da cultura indígena como uma manifestação viva dos ancestrais na luta pela terra.
Falando em nome da Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal, Ramon Vieira, lembrou da importância da articulação que está acontecendo entre os povos indígenas do Brasil para garantir os direitos dos índios.
“Sobre tudo, em Mato Grosso do Sul, onde os desafios são muito grandes e as necessidades são urgentes, especialmente a demarcação das terras dos povos Guarani e Terena”.
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sábado, 18 de abril de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Governador do Mato Grosso do Sul mostra a que veio

Impressionante o destempero verbal e a virulência do ataque que o governador do Mato Grosso do Sul, André Pulcinelli, fez à FUNAI, em reunião ontem com 42 lideranças e na presença do administrador da FUNAI em Campo Grande.
A matéria abaixo dá detalhes do diálogo enervado com os índios e do discurso autoritário e desproporcional que o governador usou. Menciona muitas vezes o modo oprimido e humilhado com que os índios reivindicaram ações do governo daquele estado.
Uma vergonha para os matogrossenses do sul.
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André xinga a Funai em evento com os índios
Celso Bejarano Jr.
Alessandra Carvalho
O governador André Puccinelli, do PMDB, disse nesta manhã durante audiência com lideranças indígenas que a Funai, entidade nacional cuja missão é só cuidar dos interesses dos índios, “não serve para p... nenhuma”.
Ao menos 42 lideranças e outros 40 índios ligados a elas ouviram os insultos durante a reunião que encheu o auditório no prédio da governadoria, em Campo Grande. E ninguém se manifestou contra o discurso, nem o administrador do órgão em Campo Grande, o recém-empossado Jorge das Neves.
Os índios que participaram da audiência marcada para que eles reivindicassem melhorias em suas aldeias não se vestiram como índios ou puseram no corpo alguma peça que caracterizava etnias, prática comum entre eles em eventos públicos.
Os índios que lá estavam habitam aldeias da região noroeste de Mato Grosso do Sul, como os guatós, kadwéus e terenas.
Nos discursos que fizeram eles pediram apoio para tocar lavoura nas aldeias e elogiaram a gestão de Puccinelli.
No final do evento, que durou cerca de duas horas, pelo menos 80 índios foram almoçar numa churrascaria da cidade e a conta seria paga pelo governo de Puccinelli.
O ataque
O governador atacou a Funai por seguidas vezes: disse que o órgão pouco contribui com as comunidades indígenas e que o seu governo é quem tem dado apoio a elas, citando entre os feitos a construção de casas e a liberação de cestas básicas.
Cálculos de Puccinelli indicam que o governo dele construiu em dois anos 918 casas nas aldeias, aumentou de 84 para 120 o número de vagas destinadas aos índios nas universidades e que hoje distribui algo em torno de 14.200 cestas básicas nas aldeias.
“E durante a campanha eleitoral, diziam que o André aqui ó [encostando a mão no peito] é quem não gostava de índios, queria matar os índios. Meu governo trabalha pelo índio, enquanto isso a Funai não faz p... nenhuma. P... nenhuma”, disse repetidas vezes.
Das 42 lideranças indígenas, 12 fizeram discursos que duraram de três a cinco minutos cada. Alguns deles:
Ademir, cacique dos kadwéus, pediu que o governo cedesse maquinário para a sua aldeia. Elisor, representante dos terenas de Sidrolândia, elogiou Puccinelli pela construção de casas e pediu para que o governo mande para aldeia um técnico agrícola.
Alceri, cacique em Aquidauana, após elogiar o governador pediu que a aldeia dele fosse asfaltada.
Juarez, da aldeia Babaçu, em Miranda, elogiou o governador e pediu mais programas ligados a educação e agricultura.
Roque, cacique da comunidade Brejão, em Nioaque, brincou com Puccinelli ao dizer que sua aldeia sempre vai manter as “portas abertas” ao governador.
O governador arrancou sorrisos de outros líderes ao dizer que “Roque estava catequizado”, isto é, agindo como político.
Edmilson George, cacique da aldeia Lagoinha, em Aquidauana, que disse ter sido chefe da campanha eleitoral de Carlos Marum, secretário estadual da Habitação, gastou seu tempo de discurso para elogiar o governador.
Após a audiência, Puccinelli conversou com os líderes e prometeu ajuda.
Nenhum líder indígena mencionou na reunião o atual programa tocado pela Funai que prevê a demarcação de terras indígenas no Estado.
Nem sobre os casos de suicídios ocorridos nas aldeias da região Sul do Estado, as mais afetadas pela pobreza
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Lembrando amigos indigenistas: Darcy Ribeiro, Carlos Moreira, Xará, Apoena Meirelles e Florindo Diniz
Darcy Ribeiro, o antropólogo genial em ação
Quero começar o Ano Novo lembrando alguns dos meus grandes amigos que foram indigenistas, pessoas que trabalharam com povos indígenas no Brasil e em outros países, que sentiram o prazer desse ofício e a dureza e determinação que dele são exigidas.
Começo com Darcy Ribeiro, de quem fui amigo e companheiro de trabalho em várias ocasiões. Fui seu secretário de Planejamento na Secretaria de Projetos Especiais no segundo governo Brizola, no Rio de Janeiro.
Ajudei-o na reconstrução dos CIEPs, as escolas de turno integral criadas no primeiro governo Brizola e depois destruídas no governo Moreira Franco, de quem era secretário de educação o atual ministro do STF Carlos Alberto Direito.
Ajudei-o na conceituação e programa da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a Uenf, localizada em diversas cidades do norte fluminense, como Campos, Macaé e Itaocara.
Organizei com ele o Terceiro Encontro de Barbados, no Rio de Janeiro, com os mesmos antropólogos e outros para discutir a questão indígena na América Latina.
Escrevemos um artigo juntos, “Etnia e Civilização”, publicado em italiano, espanhol e inglês, mas não em português, engraçado, não é?
Ajudei-o no trabalho intelectual de diversos de seus livros, desde “Testemunho”, passando por “Diários Índios” até “O Povo Brasileiro”.
Darcy começou a trabalhar com povos indígenas em 1948, ao fazer sua primeira visita aos Kadiwéu, do Pantanal, e visitar os Guarani e Terena do Mato Grosso do Sul. Criou um grande sentimento de afeto e respeito pelos Kadiwéu, e deixou amigos que foi reencontrar em 1991, quando era senador da República.
Nessa viagem conheceu Marçal de Souza, o grande líder Guarani, assassinado na Aldeia Campestre, e manteve com ele uma correspondência por muitos anos. Sobre os Kadiweu publicou diversos artigos clássicos e um livro com os desenhos e figuras que os Kadiwéu fazem em couros de boi. Darcy considerava que este livro ficaria na literatura etnológico para sempre, como testemunho de uma arte extraordinária.
Em 1949 e 1951 Darcy esteve com os Urubu-Kaapor, na região do rio Gurupi, fronteira entre Maranhão e Pará. Dos Kaapor escreveu alguns artigos, fez um lindo filme sobre o dia-a-dia dos Kaapor, presenciou um surto de sarampo e gripe que dizimou mais de uma centena de índios em três meses e, já no final de sua vida, publicou seu diário de campo, que merece ser lido como testemunho de uma época.
Em 1953, Darcy criou o Museu do Índio, que ainda hoje permanece na Funai, apesar da vontade que alguns têm de retirá-lo de lá e passá-lo para o MINC, e da péssima administração por que vem passando nos últimos 12 anos, desvirtuada do sentido que Darcy quis dar ao Museu. Mas, um dia voltará a ser retomado.
Nesse mesmo ano, Darcy, levado pelo velho marechal Rondon, e junto com o grande antropólogo carioca Eduardo Galvão, autor de artigos seminais sobre os índios xinguanos e do Alto Rio Negro, e Orlando Villas-Boas, tiveram várias entrevistas com o presidente Getúlio Vargas para criar o Parque Nacional do Xingu. Getúlio Vargas, dizia Orlando Villas-Boas, chamava Darcy de “o encouraçado Potemkim de bolso”, por sua baixa estatura junto com seu espírito guerreiro.
Bem, a obra de Darcy Ribeiro é muito extensa para descrevê-la aqui. Além de antropólogo, criador, educador, escritor e político, foi amigo divertido e leal aos índios. Nunca parou de reconhecer que toda sua fama se deve ao seu trabalho inicial com os povos indígenas.
Escrevi um livro sobre ele, chamado “Darcy Ribeiro”, Pensamento e Obra, da Editora Ícone, e os convido a consultá-lo para maiores detalhes. Darcy Ribeiro morreu em fevereiro de 1997, dois meses depois da promulgação da Lei Darcy Ribeiro de Educação.
Quero começar o Ano Novo lembrando alguns dos meus grandes amigos que foram indigenistas, pessoas que trabalharam com povos indígenas no Brasil e em outros países, que sentiram o prazer desse ofício e a dureza e determinação que dele são exigidas.
Começo com Darcy Ribeiro, de quem fui amigo e companheiro de trabalho em várias ocasiões. Fui seu secretário de Planejamento na Secretaria de Projetos Especiais no segundo governo Brizola, no Rio de Janeiro.
Ajudei-o na reconstrução dos CIEPs, as escolas de turno integral criadas no primeiro governo Brizola e depois destruídas no governo Moreira Franco, de quem era secretário de educação o atual ministro do STF Carlos Alberto Direito.
Ajudei-o na conceituação e programa da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a Uenf, localizada em diversas cidades do norte fluminense, como Campos, Macaé e Itaocara.
Organizei com ele o Terceiro Encontro de Barbados, no Rio de Janeiro, com os mesmos antropólogos e outros para discutir a questão indígena na América Latina.
Escrevemos um artigo juntos, “Etnia e Civilização”, publicado em italiano, espanhol e inglês, mas não em português, engraçado, não é?
Ajudei-o no trabalho intelectual de diversos de seus livros, desde “Testemunho”, passando por “Diários Índios” até “O Povo Brasileiro”.
Darcy começou a trabalhar com povos indígenas em 1948, ao fazer sua primeira visita aos Kadiwéu, do Pantanal, e visitar os Guarani e Terena do Mato Grosso do Sul. Criou um grande sentimento de afeto e respeito pelos Kadiwéu, e deixou amigos que foi reencontrar em 1991, quando era senador da República.
Nessa viagem conheceu Marçal de Souza, o grande líder Guarani, assassinado na Aldeia Campestre, e manteve com ele uma correspondência por muitos anos. Sobre os Kadiweu publicou diversos artigos clássicos e um livro com os desenhos e figuras que os Kadiwéu fazem em couros de boi. Darcy considerava que este livro ficaria na literatura etnológico para sempre, como testemunho de uma arte extraordinária.
Em 1949 e 1951 Darcy esteve com os Urubu-Kaapor, na região do rio Gurupi, fronteira entre Maranhão e Pará. Dos Kaapor escreveu alguns artigos, fez um lindo filme sobre o dia-a-dia dos Kaapor, presenciou um surto de sarampo e gripe que dizimou mais de uma centena de índios em três meses e, já no final de sua vida, publicou seu diário de campo, que merece ser lido como testemunho de uma época.
Em 1953, Darcy criou o Museu do Índio, que ainda hoje permanece na Funai, apesar da vontade que alguns têm de retirá-lo de lá e passá-lo para o MINC, e da péssima administração por que vem passando nos últimos 12 anos, desvirtuada do sentido que Darcy quis dar ao Museu. Mas, um dia voltará a ser retomado.
Nesse mesmo ano, Darcy, levado pelo velho marechal Rondon, e junto com o grande antropólogo carioca Eduardo Galvão, autor de artigos seminais sobre os índios xinguanos e do Alto Rio Negro, e Orlando Villas-Boas, tiveram várias entrevistas com o presidente Getúlio Vargas para criar o Parque Nacional do Xingu. Getúlio Vargas, dizia Orlando Villas-Boas, chamava Darcy de “o encouraçado Potemkim de bolso”, por sua baixa estatura junto com seu espírito guerreiro.
Bem, a obra de Darcy Ribeiro é muito extensa para descrevê-la aqui. Além de antropólogo, criador, educador, escritor e político, foi amigo divertido e leal aos índios. Nunca parou de reconhecer que toda sua fama se deve ao seu trabalho inicial com os povos indígenas.
Escrevi um livro sobre ele, chamado “Darcy Ribeiro”, Pensamento e Obra, da Editora Ícone, e os convido a consultá-lo para maiores detalhes. Darcy Ribeiro morreu em fevereiro de 1997, dois meses depois da promulgação da Lei Darcy Ribeiro de Educação.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Kadiwéu pegam fazendeiros derrubando madeira para fazer carvão no Pantanal
Os índios Kadiweu pegaram uns fazendeiros com a mão na botija, derrubando madeira do Pantanal para fazer carvão. Denunciaram ao Ibama e ficou comprovado o estrago que fizeram. A notícia, no entando, coloca como se fosse descoberta do Ibama.
Agora vamos ver quais providências serão tomadas!
_________________________________________________
Fiscais do Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama) e da Fundação Nacional do Índios (Funai) localizaram áreas de desmatamento no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo os fiscais, parte da madeira estava virando carvão.
Em menos de 15 minutos de vôo, técnicos do Ibama flagraram uma série de crimes ambientais: carvoarias no meio do Pantanal, áreas imensas de mata nativa derrubadas.
Os fiscais do Ibama e da Funai desceram numa região que fica entre os municípios de Porto Mutinho e Corumbá. Foram índios da tribo cadiuéu que denunciaram a derrubada da madeira que está sendo usada como carvão vegetal.
Por terra, a fiscalização foi ver de perto o estrago. Só numa fazenda mais de 400 hectares de árvores foram para o chão. Por lei, as árvores, que daqui a alguns dias vão virar carvão, não deveriam ter sido cortadas. Elas ficam dentro de uma área em disputa na justiça há mais de 22 anos entre índios e fazendeiros da região.
As autorizações para o corte da madeira são concedidas pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado, mas no Pantanal o desmatamento está proibido desde dezembro do ano passado. "Isso não é ruim só para a comunidade indígena, mas também para toda a população. A gente tem de lutar pela preservação do meio ambiente", afirma o chefe de Meio Ambiente da Funai, Ricardo Araújo.
Os fazendeiros foram notificados. Eles têm até quarta-feira desta semana para apresentar documentos que comprovem a licença para o corte das árvores. Se as autorizações não forem entregues, os três fazendeiros notificados serão multados em R$ 1,5 mil por hectare desmatado.
Agora vamos ver quais providências serão tomadas!
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Fiscais do Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama) e da Fundação Nacional do Índios (Funai) localizaram áreas de desmatamento no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo os fiscais, parte da madeira estava virando carvão.
Em menos de 15 minutos de vôo, técnicos do Ibama flagraram uma série de crimes ambientais: carvoarias no meio do Pantanal, áreas imensas de mata nativa derrubadas.
Os fiscais do Ibama e da Funai desceram numa região que fica entre os municípios de Porto Mutinho e Corumbá. Foram índios da tribo cadiuéu que denunciaram a derrubada da madeira que está sendo usada como carvão vegetal.
Por terra, a fiscalização foi ver de perto o estrago. Só numa fazenda mais de 400 hectares de árvores foram para o chão. Por lei, as árvores, que daqui a alguns dias vão virar carvão, não deveriam ter sido cortadas. Elas ficam dentro de uma área em disputa na justiça há mais de 22 anos entre índios e fazendeiros da região.
As autorizações para o corte da madeira são concedidas pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado, mas no Pantanal o desmatamento está proibido desde dezembro do ano passado. "Isso não é ruim só para a comunidade indígena, mas também para toda a população. A gente tem de lutar pela preservação do meio ambiente", afirma o chefe de Meio Ambiente da Funai, Ricardo Araújo.
Os fazendeiros foram notificados. Eles têm até quarta-feira desta semana para apresentar documentos que comprovem a licença para o corte das árvores. Se as autorizações não forem entregues, os três fazendeiros notificados serão multados em R$ 1,5 mil por hectare desmatado.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Ministério Público abre processo contra Funai em Bonito
A acusação que se segue tem fundo de verdade e tem aspectos de denúncia por briga interna. É ler para julgar melhor.
Os índios vêm arrendando terras meio disfarçadamente. Dois anos atrás tentamos parar isto. Refizemos os contratos para que as fazendas fossem ocupadas pelas famílias indígenas e não deixadas para os fazendeiros administrar. Estava tudo certo quando deixei a Funai em março. Mas parece que a coisa vem se degringolando. É preciso tomar as rédeas desse processo!
De todo modo, a questão da Terra Indígena Kadiwéu é um desses casos que está no STF há mais de 20 anos e eles não decidem. Está no gabinete do Ministro Celso de Melo. Estive com ele umas três vezes, inclusive com os representantes indígenas, e sempre procrastinando. Eis a vergonha do nosso Judiciário.
____________________________________________________
Funai de MS acusada de negociata com terras indígenas
Correio do Estado
O núcleo da Funai existente em Bonito foi denunciado no Ministério Público Federal, de ter transformado-se em local de negociata criminosa em forma de arrendamento de fazendas no interior da reserva indígena de Bodoquena, onde vivem cerca de 1,2 mil indígenas.
A acusação é do servidor Antonio Beserra da Silva, técnico em indigenismo, lotado no posto indígena Kadiweu, em Porto Murtinho. A denúncia foi oficializada na última segunda-feira ao Ministério Público Federal. Entre os que ocupam a área, existem pessoas que exercem forte influência política e econômica no Estado.
Segundo Antonio Beserra, a ação criminosa é "promovida por cartel formado por alguns servidores da Funai e por pessoas ligadas à entidade que representa os pecuaristas". Na denúncia ele não citou o nome da referida entidade.
O servidor da Funai afirma que no ato da negociação entre as partes é estabelecida cobrança em forma de "jóia", envolvendo alta quantia em dinheiro. O valor seria rateado entre três partes. Uma parte iria para o índio e seus familiares que residem na área indígena. A outra vai para o representante da entidade dos pecuaristas e a última para o servidor da Funai, encarregado de conduzir o acerto.
O denunciante afirma que o servidor José Resina, chefe do posto indígena de Bonito, tem conhecimento do crime, mas não fez nada para coibir a prática ilegal.
Na reserva indígena de Bodoquena, que envolve uma área de aproximadamente 538 mil hectares, Antonio Beserra afirma que nos últimos meses vem sendo feito trabalhos de agrimensura promovidos por fazendeiros, em áreas que estão sob litígio. Há aproximadamente 20 anos, os fazendeiros entraram na Justiça alegando que a demarcação realizada pelo Exército não valia. Os índios residem numa área de 370 mil hectares e brigam para ter direito a outros 170 mil hectares. Até hoje a questão não foi julgada.
Os índios vêm arrendando terras meio disfarçadamente. Dois anos atrás tentamos parar isto. Refizemos os contratos para que as fazendas fossem ocupadas pelas famílias indígenas e não deixadas para os fazendeiros administrar. Estava tudo certo quando deixei a Funai em março. Mas parece que a coisa vem se degringolando. É preciso tomar as rédeas desse processo!
De todo modo, a questão da Terra Indígena Kadiwéu é um desses casos que está no STF há mais de 20 anos e eles não decidem. Está no gabinete do Ministro Celso de Melo. Estive com ele umas três vezes, inclusive com os representantes indígenas, e sempre procrastinando. Eis a vergonha do nosso Judiciário.
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Funai de MS acusada de negociata com terras indígenas
Correio do Estado
O núcleo da Funai existente em Bonito foi denunciado no Ministério Público Federal, de ter transformado-se em local de negociata criminosa em forma de arrendamento de fazendas no interior da reserva indígena de Bodoquena, onde vivem cerca de 1,2 mil indígenas.
A acusação é do servidor Antonio Beserra da Silva, técnico em indigenismo, lotado no posto indígena Kadiweu, em Porto Murtinho. A denúncia foi oficializada na última segunda-feira ao Ministério Público Federal. Entre os que ocupam a área, existem pessoas que exercem forte influência política e econômica no Estado.
Segundo Antonio Beserra, a ação criminosa é "promovida por cartel formado por alguns servidores da Funai e por pessoas ligadas à entidade que representa os pecuaristas". Na denúncia ele não citou o nome da referida entidade.
O servidor da Funai afirma que no ato da negociação entre as partes é estabelecida cobrança em forma de "jóia", envolvendo alta quantia em dinheiro. O valor seria rateado entre três partes. Uma parte iria para o índio e seus familiares que residem na área indígena. A outra vai para o representante da entidade dos pecuaristas e a última para o servidor da Funai, encarregado de conduzir o acerto.
O denunciante afirma que o servidor José Resina, chefe do posto indígena de Bonito, tem conhecimento do crime, mas não fez nada para coibir a prática ilegal.
Na reserva indígena de Bodoquena, que envolve uma área de aproximadamente 538 mil hectares, Antonio Beserra afirma que nos últimos meses vem sendo feito trabalhos de agrimensura promovidos por fazendeiros, em áreas que estão sob litígio. Há aproximadamente 20 anos, os fazendeiros entraram na Justiça alegando que a demarcação realizada pelo Exército não valia. Os índios residem numa área de 370 mil hectares e brigam para ter direito a outros 170 mil hectares. Até hoje a questão não foi julgada.
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