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sexta-feira, 6 de março de 2009

Aryon Rodrigues alerta para a extinção de línguas indígenas

Aryon Rodrigues, linguista e professor emérito da UnB, em palestra em João Pessoa, PB, alerta que muitas línguas indígenas estão em perigo de extinção, por desuso ou por falta de falantes.

O alerta foi feito no Congresso Internacional da Associação Brasileira de Linguística, que está acontecendo em João Pessoa. Nesse mesmo Congresso o índio Baniwa Edilson Melgueiros apresentou sua tese de doutorado sobre sua língua materna. Sua tese foi escrita em português e nheengatu e será traduzida para o baniwa em seguida.

Aryon Rodrigues estuda línguas indígenas desde 1945, é responsável pela classificação das línguas indígenas brasileiras e referência internacional nessa área.

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Professor alerta: as línguas indígenas estão desaparecendo
Paraíba.com. bra

Na palestra que proferiu durante a abertura do VI Congresso Internacional de Abralin (Associação Internacional de Lingüística), que está se realizando no campus da UFPB, em João Pessoa, o professor Aryon Rodrigues, alertou que as línguas indígenas estão desaparecendo. Os motivos são vários e passam até pelo extermínio de índios na região Norte do Pais.

Fundador da Associação Internacional de Lingüística, o professor Aryon Rodrigues fez a palestra para um auditório lotado, na Estação Cabo Branco, no Altiplano, na noite desta quarta-feira (4), apesar de o Brasil ser o terceiro pais com mais diversidade lingüística no mundo, aqui há pouco estudo da língua dos índios.

O professor disse também que as universidades brasileiras não estão preparadas para enfrentar o estudo das línguas indígenas. “Para o português, sim, para as línguas indígenas, não”, enfatizou.

Para combater o problema, segundo o professor Aryon, é preciso pensar em como melhorar os programas nas universidades, como criar áreas que atraiam estudantes para trabalhar com pesquisa científica de línguas indígenas, assim como na história natural se atrai para a pesquisa botânica, zoológica, a antropológica. Na área de lingüística isso não tem acontecido, quase.

Esses assuntos estão entre as várias questões abordadas pelo fundador da Abralin, em sua palestra, no sentido de promover o desenvolvimento da pesquisa científica das línguas no Brasil. “Por outro lado busquei mostrar como a pesquisa lingüística no Brasil, além de estudar a língua portuguesa, que é majoritária, também tem como objeto, enquanto ciência, as línguas indígenas, que são cerca de 180. E com essa variedade, o Brasil é o terceiro pais do mundo em diversidade lingüística”.

O professor Aryon Rodrigues destacou que, só no Brasil, a situação inerente à língua indígena, se agrava bastante, “porque essas línguas estão desaparecendo, caindo em desuso, seja porque as populações são exterminadas, ou porque não se busque preservá-la”. Nem mesmo as escolas municipais têm condições para saibam líder com as crianças indígenas, embora tenham um dever constitucional de fazê-lo.

Essa situação da linguistica na área indigena, segundo o professor, também se dá porque, em parte, há um problema de definição: “o que é a área em que se estuda lingüística na universidade? Letras. Linguística é uma área humana, mas na classificação do CNPq e das próprias universidades, ela não é ciência humana é letra. Letras se associam com artes. Arte não é pesquisa cientifica, como não é literatura, neste sentido. A produção da literatura e da poesia estão perto da arte. Olha se o pessoal que trabalha com música assiste aulas em letras e se letra estuda no departamento de música. Então, há uma confusão. E é uma tradição brasileira difícil de superar.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A vida de um casal de missionários-linguistas na Amazônia

Matéria da revista mensal PIAUÍ descreve com muita simpatia e sensibilidade a vida de um casal de missionários-linguistas do Summer Institute of Linguistics e a questão das línguas indígenas do Brasil e de outros países.

Vale a pena ler a matéria por completo e refletir sobre o papel dos missionários. A revista PIAUÍ está de parabéns.

O exemplo do casal aqui revelado em muitos detalhes demonstra a sua dedicação pessoal e o gesto extremamente humano de viver outra vida em benefício de um outro povo. Não trata de outras motivações para o ato de tornar-se missionário, se não o desejo de servir a Deus.

O fato dos índios Nadeb, também conhecidos como Maku, terem se tornado evangélicos é compreendido como um ato consciente e auto-determinado, não havendo nenhuma imposição, seja por recursos, seja por imposição social.

Entretanto, a jornalista revela uma certa relatividade nessa conversão.

Ao final, a jornalista se posiciona com respeito tanto aos missionários como à causa de aprender as línguas indígenas para o fim máximo de converter os índios. Sobre os índios, não ousa discorrer sobre o sentido do conhecimento e da vivência do cristianismo, apenas os compara com outro grupo Nadeb que vive em condições precárias e aparentemente já perdendo sua cultura e sua língua.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quantas línguas indígenas são faladas no Brasil?

Até ontem, eu achava que eram cerca de 170 a 180 as línguas indígenas ainda faladas no Brasil.

Matéria veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo, de hoje, apresenta o lingüista do Museu Goeldi, Denny Moore, dizendo que são só 150 línguas.

É importante que tenhamos esses dados corretos. É importante que saibamos quantos são os povos indígenas atuais (e tirar as ambigüidades sobre, por exemplo, se os Yanomami são um só povo ou quatro povos diferentes, falando quatro línguas diferentes) e qual sua verdadeira população.

O presidente da República sancionou como lei um projeto votado no Congresso Nacional que determina o ensino da história dos povos indígenas no currículo educacional brasileiro no nível médio.

Quem está se habilitando a escrever livros sobre história indígena brasileira? Serão escritos do ponto de vista da Igreja Católica, da teoria marxista da colonização, da visão gilbertofreyreana, do viés darcyribeirano, da visão onguista do mundo?

Os índios estão se preparando para escrever suas histórias?

Quanto à população indígena, é preciso que o IBGE -- já que a Associação Brasileira de Antropologia não se pronuncia, e a Funai espera a definição dos antropólogos -- defina quem são os índios e quantos há no Brasil. Será que uma pessoa que se declara índio, porque supõe ter tido uma avó ou bisavó (é sempre do lado feminino, nunca é um avô ou bisavô), pode ser considerado índio não só do ponto de vista de estatísticas, mas do reconhecimento do Estado? Poderá essa pessoa pedir reconhecimento para fins de cota em universidades?

Imagine a Funai reconhecendo como índio a pessoa que diz que teve uma bisavó indígena. Do ponto de vista genético, de acordo com as pesquisas do geneticista mineiro Sérgio Pena, são cerca de 30% da população brasileira, ou 56 milhões de pessoas!

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Com levantamento inédito de diversidade lingüística, Iphan pretende preservar patrimônio imaterial

Eduardo Kattah, Estado de São Paulo

Mapear centenas de línguas faladas no Brasil, à exceção do português, e retirá-las de uma espécie de "clandestinidade simbólica" é o objetivo de um inventário que começará a ser feito ainda este ano no País. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, em Belo Horizonte no último dia 15, a realização do levantamento, com base nas conclusões de um grupo de trabalho que se reuniu durante um ano e oito meses para discutir o assunto. O inventário deverá contemplar línguas indígenas, afro-brasileiras e de imigrantes, além das variedades do próprio português. Para iniciar o trabalho, o Iphan dispõe de um orçamento, em 2008, de R$ 450 mil.

"Embora sejamos vistos pelo exterior e por nós próprios como um país de uma língua só, na realidade não é isso que ocorre", destaca Márcia Sant'Anna, diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan.

"O interessante é que dentro dessa nossa unidade lingüística - que existe em torno do português - temos ainda um patrimônio importante até em termos mundiais." Parte desse patrimônio, porém, está sob ameaça de desaparecimento, pela falta de registro e de formas de transmissão. Não raro, observa Márcia, algumas línguas indígenas acabam restritas a grupos de poucas dezenas de pessoas. A estimativa é que existam cerca de 180 línguas indígenas que ainda são faladas no Brasil. "Em torno de 60 dessas línguas estão em risco de extinção", afirma a diretora do Iphan.

O lingüista Denny Moore, do Museu Paraense Emílio Goeldi - instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia -, porém, fez um levantamento mais recente e acredita que o número de línguas indígenas faladas no País não passa de 150. Do total, cerca de 25% estão ameaçados de desaparecimento "em curto prazo", afirma o pesquisador americano, radicado em Belém (PA) há mais de duas décadas. "Faltam informações sobre o número exato de línguas, de falantes dessas línguas", diz.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Aryon Rodrigues, o decano da lingüística brasileira solta o verbo contra convênio oportunista

Aryon Rodrigues, o decano da Lingüística brasileira soltou o verbo contra o convênio celebrado em junho deste ano entre o Museu do Índio, o Museu Nacional e o Instituo Max Planck de Psico-Lingüística de Nimega (Holanda).

Está indignado que tal convênio foi feito sem consultar os demais linguistas que vêm estudando línguas indígenas brasileiras há mais de 50 anos (no caso de Aryon) e que só dá oportunidade ao pessoal dos Museus e da Funai.

A Revista da Ciência da SBPC tem prestigiado esse debate, e Aryon não é de baixar a crista.

Leiam a matéria para ficar em dia. É importante e define muito bem os oportunistas que estão tomando conta da Funai.

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15. Ainda as línguas ameaçadas, artigo de Aryon D. Rodrigues

“Qual o benefício que os lingüistas e os antropólogos brasileiros têm podido tirar desse riquíssimo banco de dados lá em Dallas? Nenhum”

Aryon D. Rodrigues é diretor do Laboratório de Línguas Indígenas da UnB. Artigo enviado pelo autor:

O JC informou em 7/9/07 sobre o que vem sendo feito no Brasil nos últimos 25 anos na documentação das línguas indígenas e mais particularmente no que se refere às mais ameaçadas de desaparecimento, aquelas que hoje contam com menor número de falantes ou cujas comunidades enfrentam situações adversas mais fortes.

Na mesma página o JC noticiou sobre o Projeto Dobes, que foi objeto de acordo entre a Instituto Max Planck de Psicolingüística de Nimega (Holanda) e a Funai, com o objetivo de equipar o Museu do Índio, mantido por esta, para ser o depositário de cópias de dados de línguas brasileiras documentadas pelo Dobes.

Esta notícia ensejou observações críticas minhas e de outros lingüistas brasileiros. Facó Soares, da UFRJ (5/10), mostrou várias e graves impropriedades nos termos daquele acordo e D’Angelis, da Unicamp (18/10), criticou a precipitação da direção da Funai, órgão do Ministério da Justiça, em adotar um programa de documentação lingüística mesmo sem dispor de nenhum lingüista em seus quadros e fez outras observações sobre a impropriedade dessa adoção do Dobes sob patrocínio oficial.

Eu mesmo (JC 21/9) tinha salientado que, embora esse programa se defina como essencialmente voltado para línguas ameaçadas (Dokumentation Bedrohter Sprachen), suas aplicações no Brasil, até o momento (já são sete anos), não foram dirigidas para nenhuma das mais ameaçadas (e também sobre estas não foram consultados os pesquisadores das universidades brasileiras), o que parece pôr em questão ou o acerto das escolhas já feitas, ou o propósito do Dobes, que, como supõe D’Angelis, poderia ser o de uma ampla coleta de dados primários, de línguas ameaçadas ou não, para exploração futura.

Ainda nas páginas do JC fez restrições à aplicação do Dobes no Brasil o professor Chris Sinha da Universidade de Portsmouth, Inglaterra (JC 19/10), o qual tem colaborado com lingüistas da Universidade Federal de Rondônia.

Na edição de 10/9 do JC e-mail saiu um release da Assessoria de Comunicação do Museu Goeldi proclamando que esse museu tem “o maior e mais qualificado grupo de pesquisa em línguas indígenas do país”, o qual eu comentei brevemente, dizendo tratar-se de auto-avaliação que desconsidera tudo o que se tem feito e se faz, nesta área, nas universidades brasileiras e pouco diz com respeito às línguas mais ameaçadas da Amazônia.

Na edição impressa de 21/9 foi publicado escrito de Franchetto, do Museu Nacional/UFRJ, no qual esta pretende, por um lado, defender o Setor Lingüístico do Goeldi e, por outro lado, elogiar o Projeto Dobes, de que foi beneficiária. A esse artigo ofereci breve comentário no JC de 5/10, corrigindo-lhe um equívoco e mostrando a impertinência de outra observação.

Para minha surpresa, veio comentar minhas intervenções não outro lingüista, mas o antropólogo Carlos Fausto, do Museu Nacional (JC de 19/10), aliás esposo de Franchetto (que também é antropóloga), procurando defender o Dobes e também o Instituto Max Planck de Psicolingüística (que ainda não tinha sido objeto de crítica) e procurando desviar o foco da questão e confundir os leitores, chamando a atenção para sua própria importância de grande e reconhecido pesquisador em contraste com o meu “tom acrimonioso”, com o “desconhecimento de Facó” e com o “foco inusitado do Prof. Chris Sinha”, e insinuando tratar-se, em nossos casos, de meros “conflitos acadêmicas por espaço e por recursos”.

Pior ainda: insinuou que nós, que temos reservas quanto à adequação do Dobes para a pesquisa científica das línguas indígenas no Brasil ou para a documentação urgente das línguas mais ameaçadas, ou quanto à legitimidade da adoção do Dobes por uma instituição governamental que não tem nenhum conhecimento científico sobre as línguas, mas que tem o poder legal de autorizar ou negar o acesso de pesquisadores às áreas indígenas, que nós estaríamos associados a um “mix de lingüística e evangelismo que caracteriza o Summer Institute of Linguistics”.

A essa grave ofensa respondemos tanto eu (JC de 19/10), como Facó Soares (JC de 22/10). Eu lembrei que a responsabilidade pela introdução daquela organização missionária no Brasil, sob o pretexto de modernizar a pesquisa das línguas indígenas, foi inteira e exclusivamente de um antropólogo do Museu Nacional mediante acordo firmado em 1959.

Aí começou o “mix de evangelismo e lingüística” de que Fausto tem tanto conhecimento e com o qual maliciosamente quer confundir os lingüistas das Universidades brasileiras.

Leiam-se, a propósito, as palavras do guru dos antropólogos do Museu Nacional: “Em 1959 ocorreu um fato novo e de conseqüências tão significativas, que só ele daria para marcar profundamente esse decênio. Trata-se do convênio assinado com o Summer Institute of Linguistics, mediante o qual passou a operar no Brasil, associado ao Setor Lingüístico do Museu Nacional, uma equipe de pesquisadores altamente qualificados para o desempenho cabal da tarefa proposta, isto é, a coleta de materiais que permitem o estudo de todas as línguas faladas no Brasil, segundo os melhores padrões da Lingüística moderna”. (L. de Castro Faria, Antropologia – escritos exumados, Niterói: EDUFF, 1998, p. 41).

Veja-se, nesse texto de Castro Faria, que é salientada a coleta de materiais, tal como agora, no caso do Dobes, o objetivo é a documentação de dados primários, portanto a coleta de materiais. E Fausto está tão bem informado sobre isso, que acrescenta que a organização evangélica aqui introduzida há meio século pelo Museu Nacional “detém um dos maiores bancos de dados de línguas do mundo em Dallas, Texas”.

(Qual o benefício que os lingüistas e os antropólogos brasileiros têm podido tirar desse riquíssimo banco de dados lá em Dallas? Nenhum. Entenda-se, então, a inquietação de D’Angelis quanto à efetiva acessibilidade do novo banco de dados na Europa.)

Há 50 anos não só o Museu Nacional foi procurado pelo SIL, mas também o Museu Paulista, então dirigido pelo antropólogo Herbert Baldus, e o Serviço de Proteção aos Índios, cujo setor de estudos e pesquisas era dirigido pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Nenhum destes dois aceitou a proposta do SIL, só Castro Faria do Museu Nacional a aceitou.

(Que sirvam também as palavras de Castro Faria acima transcritas para desmentir a informação falsa propalada internacionalmente por Denny Moore, do Museu Goeldi, atribuindo a Darcy Ribeiro a introdução do SIL no Brasil – K. Brown, ed., Encyclopedia of Languages & Linguistics, 2nd ed., Oxford: Elsevier, 2006, p. 117).

Agora, em sua carta, Fausto revela o que até então ainda não sabíamos: o acordo Funai-Max Planck Institute “agora inclui também a UFRJ-Museu Nacional e o MCT-Museu Goeldi”!

Foram a UFRJ e o Ministério da Ciência e Tecnologia induzidos a entrar ou aderir ao acordo feito com a Funai? Ou foram feitos outros acordos de que não temos conhecimento? E é por isso que no texto do acordo com a Funai aparecem como consultores do diretor do Museu do Índio a dra. Bruna Franchetto do Museu Nacional e o dr. Sebastian Drude do Museu Paraense Emílio Goeldi?

É apenas nessa qualidade superficial de consultoria ao diretor do Museu do Índio que estão comprometidos a UFRJ e o MCT, ou, como dão a entender as palavras de Fausto, tanto aquela Universidade, como o Ministério da Ciência e Tecnologia também firmaram compromisso com o Instituto Max Planck de Psicolingüística?

Fausto informa também que ele próprio já participou do Dobes “como consultor de um dos projetos entre 2001 e 2006”. Terá, então, a Fundação Volkswagen, a financiadora do Dobes, aceito como consultor o esposo da pesquisadora principal e seu colega de departamento?

Terão sido procurados pela fundação outros consultores brasileiros e de que instituições (por exemplo, para a língua Sateré-Mawé a lingüista D. Franceschini, antes da Ufam, agora da UFU, que há cerca de dez anos pesquisa essa língua e dá assistência a programas educacionais dos seus falantes, ou para a língua Kaxinawá o lingüista Aldir de Paula da Ufal, que há mais de dez anos é o assessor da CPI-Acre para as línguas da família Pano)?

Quero deixar claro que durante os sete anos em que tem havido no Brasil projetos Dobes nenhum lingüista deste país questionou a legitimidade desses projetos, pois se entende que é direito de qualquer pesquisador tanto definir e justificar o modelo de pesquisa que se propõe desenvolver, como buscar fundos em instituições de fomento.

Embora muitos de nós observássemos a inadequação do Dobes para as situações de línguas indígenas realmente ameaçadas de extinção, considerávamos e consideramos legítima, em princípio, a decisão de pesquisadores que optavam dedicar-se a línguas em outras condições. Se agora levantamos a voz, certamente não foi por inveja, nem por disputa das verbas da Fundação Volkswagen, que é tudo o que insinua o escrito de Fausto.

Levantamos a voz e protestamos agora contra a decisão de um órgão da administração pública brasileira, do Ministério da Justiça, um órgão sem competência lingüística, de ter assinado um acordo internacional com uma instituição sediada na Holanda, o Max-Planck Institut für Psycholinguistik, adotando o Projeto Dobes para documentação das línguas indígenas ameaçadas em nosso país – justamente o órgão que tem a atribuição oficial de aprovar ou rejeitar as propostas de pesquisa em áreas indígenas.

Como resposta a mim, R. Guiradello-Damian, a lingüista do projeto Dobes para a língua Trumai do Alto Xingu, publicou no JC de 22/10 longo escrito procurando justificar o Dobes e também o inglês ELDP (Endangered Languages Documentation Project, que não foi objeto de minhas observações) e sua participação no primeiro.

Curiosamente, Guirardello confirma a inconsistência entre o nome desses programas e a atuação efetiva deles, ao dizer: “Ao contrário do que afirma Rodrigues, a proposta do Programa Dobes, assim como do Programa ELDP, nunca foi de documentar ‘as línguas mais imediatamente ameaçadas de extinção’.”

O mais recente avanço dos promotores do Programa Dobes no Brasil, à revelia dos lingüistas brasileiros atuantes nas nossas Universidades, terá sido a inclusão desse programa na agenda social do Governo Federal, como se vê pela seguinte nota agora publicada pelo órgão de divulgação do Museu do Índio (No Museu, ano II, nº 20): “O Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas Brasileiras, um dos destaques da Agenda Social do Governo Lula, pretende, sob a coordenação do Museu do Índio/Funai, documentar e fortalecer 20 línguas indígenas. Os trabalhos serão desenvolvidos, sob a coordenação da profª Bruna Franchetto, em conjunto com diversas instituições acadêmicas e científicas, entre elas: Museu Nacional/UFRJ, Museu Paraense Emílio Goeldi/MCT e o Instituto Max Planck para Psicolingüística, sediado em Nijmegen, Holanda.”

Portanto, o Projeto Dobes, representado pelo Instituto Max Planck para Psicolingüística de Nijmegen, Holanda, e agora incorporado ao Museu do Índio da Funai, já foi incluído na Agenda Social do Governo Lula, sob a coordenação da antropóloga Bruna Franchetto, do Museu Nacional!

E sem nenhuma consulta aos pesquisadores especializados em línguas indígenas em mais de dez Universidades brasileiras, que correm o risco de ver as prioridades da pesquisa científica e a formação de novos pesquisadores subordinada a critérios políticos e administrativos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Linguista traduz a Bíblia para a língua dos Guajajara

O jornal Valor Econômico, que de vez em quando traz matérias fora da sua especialidade, vem hoje com uma dupla matéria sobre a tradução da Bíblia para línguas indígenas. Desta vez é a tradução feita pelo linguista Carl Harrison para a língua guajajara-tenetehara.

A matéria tem uma parte com as opiniões de diversos especialistas em lingüística, como Denny Moore e Yonne Leite, e com o indigenista Carvalho. A segunda parte é uma longa entrevista com o próprio Carl Harrison.

O indigenista Carvalho acha que os Guajajara aceitam a presença do cristianismo e/ou dos seus variados sacerdotes enquanto lhes convém. Depois descartam-nos e prosseguem a sua vida cultural do modo que acham correto. Os linguistas acham que traduzir a Bíblia já é uma tentativa de impor uma nova visão do mundo que vai contra a cultura dos índios. Minha visão sobre tudo isto está no meu livro O Índio na História.

O debate está lançado. O que vocês acham?

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Especialistas criticam tradução

Lingüistas, antropólogos e indigenistas costumam ser críticos ferozes da atividade dos missionários em território indígena. Ainda mais quando esses missionários se dedicam a traduzir textos bíblicos.

"Ensinar a língua indígena a um povo é o único meio que temos de perpetuá-la e perpetuar o manancial de conhecimento expresso nessa língua", diz Yonne Leite, doutora em lingüística e professora aposentada do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

O problema, continua a especialista, é que os missionários usam o ensino da língua indígena como um mecanismo para que textos bíblicos sejam introduzidos na cultura de um povo, substituindo seus mitos, sua vida cerimonial, seus costumes.

De acordo com Yonne, os missionários não criam nos índios o interesse em pesquisar e registrar sua cultural tradicional. "E uma língua sem uma cultura por trás fica no ar. A língua escrita acaba ficando circunscrita à linguagem religiosa."

Outro especialista, o lingüista indígena Dennis Albert Moore, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, vê como um risco a penetração missionária, por causa da substituição do universo religioso por uma religião alheia. "Quando uma religião indígena é perdida, perdem-se também a arte, as cerimônias, as músicas. E esses elementos viram tabu."

Moore rebate a idéia defendida pelos missionários de que o que eles fazem é apenas oferecer uma opção positiva aos índios. "A opção aqui é considerar a cultura tradicional um erro, um pecado."

No entanto, Portírio de Carvalho, veterano sertanista aposentado da Funai, que conhece os guajajaras desde os anos 1970, não acredita que os missionários consigam de fato introduzir novos valores nesse povo. "Eu os considero uma sociedade anárquica. Aceitam os missionários, mas continuam a fazer feitiçarias nas barbas deles ou então rompem de uma vez quando julgam que a relação com eles não lhes interessa mais."

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Com a palavra, o tradutor

O tradutor da Bíblia guajajara, o americano Carl Harrison, Ph.D. em Linguística pela Universidade da Pensilvânia e membro do Summer Institute of Linguistic (SIL), viveu durante anos em uma casinha de barro na aldeia Zutíwa aprendendo a língua e traduzindo o Novo Testamento. O trabalho começou em 1969 e terminou em 1985. Em janeiro de 1996, deu início à tradução do Antigo Testamento. O texto chegou à editora em novembro de 2006. Desde jovem, Harrison pensava em fazer uma tradução da Bíblia para um povo ágrafo. A tradução da obra em guajajara é mais literal e menos aproximativa. Alguns termos sem paralelo foram traduzidos com a ajuda de um recurso tradicional dos guajajaras: o uso da expressão "parecido com" associada à palavra. É o caso de camelo, que virou "parecido-com-cavalo". Embora se diga primordialmente um homem da ciência, as respostas desse tradutor têm um tom de pastor um tanto intransigente. Ao 73 anos, Harrison, que sofre de hipertensão, diabete e já teve um derrame, preferiu não vir ao Brasil. Ele é casado com Carole Harrison, com quem vive em Waxhaw, na Carolina do Norte. Tem cinco filhos e 14 netos.

A seguir, leia os principais trechos de uma entrevista que ele concedeu por e-mail ao Valor.

Valor: Por que o sr. decidiu fazer uma versão integral da Bíblia em língua guajajara?

Carl Harrison: O Novo Testamento foi lançado em 1985. Teve boa aceitação e a tiragem esgotou-se em meados dos anos 1990. Missionários ligados ao grupo e líderes indígenas leigos associados à crescente igreja evangélica guajajara pediram que fizesse o Velho Testamento. A motivação principal era a mesma do Novo Testamento. Acreditamos que cada pessoa tem o direito de ter à sua disposição a palavra de Deus na língua que mais fala ao coração. Já que pediram, achei bom tentar fazer.

Valor: Muitos guajajaras estão procurando se afastar das rezas dos pajés e da "muquiada", por exemplo, preferindo orações a Deus ou cultos. O sr. acredita que essa substituição tende a se intensificar ao longo dos próximos anos com a introdução da Bíblia?

Harrison: Para muitos, sim. O máximo que a reza dos pajés oferece, além do sentido de "indigenidade" é, às vezes, um alívio de algum sofrimento. Deus oferece amor e vida eterna.

Valor: Se isso acontecer, como o sr. vê as aldeias guajajaras nos próximos anos ou nas próximas gerações? Elementos como o pajé, o caruara, a festa do milho e do mel e a "muquiada" vão desaparecer? Ou esses elementos vão ser transformados?

Harrison: Acredito que alguns já estão descobrindo que existem maneiras de celebrar os grandes momentos da vida e adorar a Deus ao mesmo tempo, sem se submeter a espíritos malignos e sem parar de ser guajajaras. A "muquiada" talvez não desapareça, mas se modifique para alguns, tornando-se uma cerimônia cristã.

Valor: Quais foram algumas de suas maiores dificuldades lingüísticas durante a tradução?

Harrison: Falta de termos como fariseu, glória, sacerdote, camelo; falta de voz passiva, presença da antipassiva, ergatividade [concordância com o objeto direto, que não existe nas línguas européias], pós-posições em vez de preposições, ordem verbo, sujeito e objeto em vez de sujeito, verbo e objeto. ["Matou a onça João", em vez de "A onça matou João"], entre dúzias de dificuldades.

Valor: Como tradutor da Bíblia para o guajajara, o sr. se sente mais um homem da ciência (um lingüista) ou um evangelizador?

Harrison: Uma combinação. Não ia de aldeia em aldeia "pregando". Sou lingüista-etnólogo primeiro. Evangelista no fim, porque o que levei para eles acabou sendo a boa notícia (Evangelho) contida na Bíblia.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Mais línguas indígenas brasileiras em extinção

Mais dois exemplos dramáticos de línguas indígenas com pouquíssimos falantes, conforme o professor Aryon Rodrigues.

No Pará, apenas dois últimos falantes das línguas xipaya e kuruaya, cujos territórios tive a honra de mandar demarcar. No Paraná, apenas um último falante de xetá.

Ver matéria sobre esse assunto feita ontem.

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Transmissão interrompida:

XETÁ E XIPAIA, NO BRASIL, TÊM UM FALANTE CADA

Algumas línguas indígenas estão literalmente à beira da extinção no Brasil porque as poucas pessoas que as falam simplesmente não têm para quem transmitir o conhecimento. No Paraná há só um falante da língua do povo xetá. "E ele é um solteirão, que dificilmente vai passar sua cultura para frente", conta Aryon Rodrigues, do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília. Segundo o pesquisador, o caso se repete na região de Altamira, no Pará, onde somente uma mulher xipaia fala a língua de seu povo. No mesmo local, entre os curuaia, vivem somente dois falantes. "A situação aqui é muito ruim", diz.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Línguas indígenas em extinção no Brasil e no mundo

Matéria publicada na BBC-Brasil traz uma notícia alarmante e muito triste: o desaparecimento de línguas do mundo.

A matéria cita diversos casos extremos no Brasil, nos Estados Unidos e na Austrália. No Brasil, são os casos dos índios Ofayé-Xavante, do leste do Mato Grosso do Sul, e os Wayoró, em Rondônia. Porém há muitos outros casos extremos.

Há o caso do "índio do buraco", de Rondônia, único representante de um povo extinto. Ninguém jamais falou com ele.

Há o caso dos dois irmãos que vivem no Maranhão, na Terra Indígena Caru, que são falantes únicos de uma língua tupi distinta de todas as línguas tupi conhecidas.

E há o caso da língua ava-canoeiro, falada por cerca de 12 pessoas, seis que moram numa terra indígena no rio Tocantins e seis que moram na Ilha do Bananal, no rio Araguaia.

Assim, o problema no Brasil é muito mais grave do que saiu na matéria e merece a atenção de todos nós.

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Línguas nativas do Brasil estão 'entre as mais ameaçadas'

Línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaças de extinção, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e o Instituto Living Tongues.

Elas estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, os Andes e a região do chaco, revelaram os pesquisadores.

Menos de 20 pessoas falam ofayé, e menos de 50 conseguem se expressar em guató, ambas faladas no Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai e à Bolívia, para citar um exemplo.

A área é considerada de "alto risco" para línguas em risco de extinção, alertaram os pesquisadores.

Em outra área de risco ainda maior – grau "severo" – apenas 80 pessoas conhecem o wayoró, língua indígena falada nas proximidades do rio Guaporé, em Rondônia.

Os cientistas descreveram esta parte do globo como "uma das mais críticas" para as línguas nativas: extremamente diversa, pouco documentada e oferecendo ameaças imediatas aos idiomas indígenas.

Entre estas ameaças, estão as línguas regionais mais fortes, como o português na Amazônia brasileira, o espanhol falado na Bolívia, e o quéchua e o aymara, difundidos no norte e no sul dos Andes bolivianos, respectivamente.

Risco

O mapeamento das línguas em extinção faz parte do projeto "Enduring Voices: Documenting the Planet’s Endangered Languages" (em tradução livre, "Vozes Resistentes: Documentando as Línguas Ameaças do Planeta"), que identificou as regiões do globo onde as línguas nativas estão mais fortemente ameaçadas.

Os pesquisadores alertaram que metade das cerca de 7 mil línguas faladas hoje no mundo – muitas nunca gravadas – desaparecerão ainda neste século. Uma língua morre a cada 14 dias, afirmaram.

"Com a extinção de uma língua, toda uma cultura se perde. Cada vez que uma língua morre, perdemos parte do quadro geral que nosso cérebro pode desenhar", diz um texto que apresenta as conclusões do projeto.

Fora da América do Sul, os pesquisadores identificaram outras áreas de risco para as línguas nativas.

A mais severa delas, o norte da Austrália, abriga algumas das línguas mais ameaçadas do planeta. Apenas três pessoas falam magati re e yawuru, e só existe um falante de amurdag.

Em parte do Canadá e nos Estados americanos de Washington e Oregon, cada uma das cerca de 50 línguas nativas estão ameaçadas, afirmaram os cientistas. O falante mais jovem de qualquer uma delas tem pelo menos 60 anos.

No leste da Rússia, Sibéria, China e Japão, políticas oficiais forçaram os nativos em línguas minoritárias a adotar idiomas nacionais.

Já nos centro dos Estados Unidos e Novo México, as línguas nativas caíram em desuso a um ponto em que, em 2005, apenas cinco idosos podiam se comunicar em yuchi - um idioma que não guarda relação com nenhum outro no mundo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Livro sobre línguas tupi é publicado

Saiu o livro que resultou de um seminário, ao qual participei como presidente da Funai, sobre línguas tupi. Vale a pena comprá-lo.

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Noticias da FAPESP

Língua da terra

05/07/2007

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Em outubro de 2004, em Brasília, o 1º Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas do Povo Tupi reuniu lingüistas e antropólogos de diversos países para ampliar o conhecimento científico sobre os povos indígenas do principal tronco lingüístico do Brasil. O resultado está consolidado no livro Línguas e Culturas Tupí, lançado nesta quarta-feira (4/7).

Organizado por Ana Suelly Câmara Cabral e Aryon Dall’Igna Rodrigues, professores do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB), o livro reúne mais de 40 estudos que formam um painel dos últimos avanços no conhecimento sobre os povos indígenas de filiação tupi.

“Tivemos a preocupação de considerar tanto estudos descritivos sobre línguas e culturas como estudos sobre a história e pré-história do tronco tupi”, disse Rodrigues à Agência FAPESP. O lançamento foi realizado no Laboratório de Línguas Indígenas (Lali) do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com Rodrigues, vários dos estudos levantam novos problemas de pesquisa e destacam áreas para serem exploradas em aspectos etnológicos, culturais, antropológicos e sociais.

“A importância da obra é atualizar a situação da pesquisa, permitindo levantar novas hipóteses sobre as dinâmicas dessas línguas. Isso dá à ciência elementos que podem contribuir com a meta comum dos nossos trabalhos: salvaguardar essas culturas”, afirmou.

De acordo com Rodrigues, a extinção de línguas continua ocorrendo de maneira acentuada. “Temos situações dramáticas, como a do povo xetá, que foi exterminado na época da abertura dos cafezais no norte do Paraná. Há um mês, morreu o penúltimo conhecedor da língua. Há muitos idiomas nessa situação”, destacou.

O professor ressaltou a importância de preservação dessas línguas. “A língua é o meio de expressão da cultura. Quando uma delas morre, perde-se a maior parte de suas idéias culturais. É uma maneira de pensar o mundo que se vai.”


Diversidade lingüística

O livro também conta com um artigo da professora Marília Facó Soares, do Museu da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Depois de recebermos todos os manuscritos, encomendamos a uma grande especialista essa leitura crítica, com o objetivo de orientar os leitores e demarcar uma linha de conexão entre os trabalhos”, explicou Rodrigues.

O pesquisador destacou que existem cerca de 180 línguas indígenas ainda em uso no mundo. A América do Sul concentra a maior diversidade linguística do planeta. No Brasil, de acordo com a classificação que considera a origem comum entre os idiomas, existem 30 diferentes troncos lingüísticos, entre os quais o tupi.

A região na qual se espalham os povos de cultura tupi vai da costa brasileira até a Bolívia, em latitudes que vão da Guiana Francesa até a região do Prata, na Argentina. “O tupi é um agregado de dez famílias lingüísticas. É o tronco de maior extensão no Brasil e um dos maiores do continente”, disse Rodrigues.

Antropologia, história, lexicografia, sintaxe, rituais indígenas e sistema de nomes estão entre os temas abordados. A coletânea inclui três trabalhos que traçam visões panorâmicas sobre etnologia tupi, línguas ameaçadas e estado de saúde atual das línguas tupi. Cinco estudos fazem abordagens gerais sobre determinada sociedade, tronco, família ou região lingüística.

Outros seis trabalhos são de antropologia (sobre kamaiurá, zo'é, sateré-mawé, avá-canoeiro, nhandewa e mbyá-guarani), dois em lingüística antropológica (sobre xetá, amondawa) e 20 ensaios abordam aspectos de línguas (ou grupos de línguas) específicas.

A publicação teve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, do governo francês.

Uma curiosidade: no nome do livro, tupi ganhou acento. O motivo é que na convenção de 1953 da Associação Brasileira de Antropologia, ficou estabelecido que, independentemente da norma culta do português, as línguas indígenas deveriam ser escritas em seu original.

Pedidos do livro Línguas e Culturas Tupí (468 páginas, R$ 57,50), publicado pela editora Curt Nimuendaju, poderão ser feitos, a partir de 15 de julho, pelo e-mail pedidos@curtnimuendaju.com.
 
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