Ontem à noite, a Globo mostrou no seu programa de variedades O Fantástico uma matéria sobre o suposto caso de canibalismo perpetrado por índios Kulina, da região do rio Purus, no oeste do estado do Amazonas.
O programa foi narrado por uma repórter da Globo e contou com entrevistas de um ex-indigenista, do presidente da Funai e de um antropólogo acreano. A repórter filmou a aldeia, as casas e o ambiente ao redor e entrevistou alguns índios Kulina, na própria aldeia onde o suposto fato teria acontecido. O suposto fato do canibalismo foi negado por um índio entrevistado. Já os policiais civis que a acompanharam confirmaram ter ouvido de outros índios que o fato teria acontecido mesmo.
O que há de certo nessa história é que um rapaz da cidade de Envira foi convidado por alguns jovens indígenas Kulina para visitar a aldeia. Lá beberam muito álcool juntos e o rapaz foi assassinado cruelmente, com muitas facadas, seu corpo foi esquartejado e atirado em diferentes lugares e parte de suas vísceras foram achadas num panelão. Um policial local disse que o fígado teria sido assado. Dois índios teriam dito anteriormente que os índios que participaram do assassinato teriam comido parte do corpo do rapaz.
Na entrevista com a repórter, um índio adulto, muito constrangido, negou que os outros tivessem comido parte do morto. Foi uma negativa diplomática ou verdadeira?
Para os efeitos da repercussão da notícia, o modo como a matéria foi editada deixa poucas dúvidas de que houve alguma coisa estranha nesse assassinato. O ex-indigenista disse que duvidava do fato porque os índios já estavam em contato permanente com a sociedade brasileira, sugerindo nas entrelinhas que já sobre os índios isolados não se pode ter tanta certeza de que tais coisas não aconteçam.
Ora, é o cúmulo do sensacionalismo barato. Deixar no ar a ideia de que índios isolados possam estar praticando canibalismo é incoerência indigenista e falta de visão sobre o que consiste o canibalismo ritualístico que já foi praticado pelos índios Tupinambá no Brasil, pelos Carib, da região caribenha e por dezenas de outros povos mundo a fora.
Já esse caso de suposto canibalismo não passa de uma bizarrice individual, fruto de rivalidades e ódios incontidos entre pessoas. O abuso irrefreável do álcool, não só da cachaça como tal, mas do puro álcool etílico, consumido pelo grupo atacante, foi evidente instrumento desse ato. O assassinato aconteceu há mais de duas semanas e foi relatado nesse Blog. Estava restrito à mídia local e só tomou a mídia nacional depois que passou na TV CNN e nos jornais americanos e europeus.
Pesquisei no Google sobre casos desse tipo e vi que são muitos. Esquisitices, bizarrices, escabrosidades e perversões individuais e coletivas ocorrem pelo mundo a fora aos montes. São sensacionalisticamente chamados de canibalismo e frequentemente as matérias jornalísticas intencionam incutir nas pessoas a ideia de que existe um sentimento atávico de selvageria representada pela vontade de dominar o outro que leva o ser humano a perpetrar tais atos. A especulação sobre esses casos corre solta, desde explicações psicanalíticas até neurológicas.
O caso presente, por estar acontecendo nesse momento, tem outra dimensão. Esse acontecimento parece ter alcançado a mídia nacional pela proposição, inconsciente ou conscientemente, de disseminar a ideia de que os índios brasileiros estão saindo fora dos limites da aceitabilidade social. Isto é inaceitável.
Sobre isso devemos cuidar. Se houve consumo de partes do corpo humano do infeliz rapaz, tal se deu não por causa da cultura kulina, nem de nenhuma cultura indígena da atualidade, mas por distúrbio mental momentâneo daqueles que participaram do suposto ato. Tal ato não é perdoável e esses rapazes têm que ser ouvidos e trazidos a julgamento. Mas não se pode deixar que a sociedade brasileira seja contaminada por alusões de selvageria e bizarrices dos povos indígenas.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Alcoolismo: um problema a encarar com novas idéias
Desde que abri esse Blog, há um ano e meio (março de 2007), tenho encarado algumas polêmicas muito incisivas no indigenismo brasileiro.
A mais forte tem sido minha resistência a achar correto ou normal ou educacional uma Ong religiosa, evangélica, a JOCUM, propagandear através de um filme, feito por um profissional americano, a prática de infanticídio entre os índios Zuruahá. Considerei e considero que a prática de infanticídio é, do ponto de vista antropológico, uma questão interna do povo indígena, e, do ponto de vista humanista, uma questão universal. Porém, para que haja alguma mudança essencial, só através do diálogo sério e respeitoso é que podemos -- nós não indígenas concernentes -- buscar interferir. Nunca pela propaganda religiosa explícita e desrespeitosa. Escrevi também que esse diálogo tem sido possível em vários momentos da vida de determinados povos indígenas e que, em muitos casos, essa prática social tem sido abandonado por força desse diálogo.
Isso me tem custado uma carga de críticas que beira a histeria. Basta ver os comentários que estão nesse Blog. Essa semana houve um congresso de Ongs evangélicas na cidade de Águas de São Pedro, interior de São Paulo, e eu fui atacado como uma espécie de besta-fera dos missionários evangélicos. Os missionários evangélicos constituem um grupo de pressão política muito forte e determinado. Têm subvenções oficiais e recursos em dólares vindos das igrejas americanas. Têm deputados em quase todos os partidos e eles se unem em torno das idéias religiosas sem nenhum senso crítico. Não aceito essa espécie de crítica, mas também não dá para dialogar com um grupo de pessoas influentes que se recusam a fazer uma auto-crítica sobre o que fizeram. Se o fizerem, retirar o filme da Internet, aí podemos abrir um diálogo.
Aliás, cadê o Ministério Público e a FUNAI nessa questão desse filme?
Hoje o assunto é alcoolismo entre os povos indígenas. O que me chamou atenção foi uma matéria em que o Ministério Público Federal, em Minas Gerais, cobra das autoridades (FUNAI, Funasa, polícia?) a fiscalização da proibição de venda de bebidas alcoólicas aos índios Maxakali, da região leste de Minas.
Os Maxakali têm de fato um histórico deprimente no uso do álcool. Pelo álcool é que ficam mais valentes e cometem assassinatos entre as facções que compõem sua sociedade. Entretanto, a proibição de comprar cachaça não tem resultado em abstinência. Ao contrário, o resultado é que os Maxakali terminam se valendo de pessoas que os exploram e vendem cachaça a preços absolutamente aviltantes. Aliás, isso acontece em todas as partes do Brasil. Se um litro de cachaça local custa numa venda ou num bar 4 ou 5 reais, os índios terminam comprando por 20 ou 30 reais.
Quando eu era presidente da FUNAI assinei um convênio com a Secretaria Nacional de Prevenção às Drogas para estudar seletivamente alguns casos de povos indígenas que abusam do álcool. A idéia era descobrir meios de diminuir o consumo do álcool entre os povos indígenas, não necessariamente de coibir. Isso é impossível e ilusório. Porém, os resultados daquela pesquisa não trouxeram grandes novidades de informação ou de sugestão, se não de mais controle de fiscalização.
Esse Blog se abre a esse debate. Não teme dizer que uma das alternativas seria a liberalização seletiva do consumo de álcool por parte de povos indígenas que já o fazem em grande quantidade. A proibição pura e simples não condiz mais com a realidade social dos povos indígenas e constitui um ato discriminatório sem sentido na atualidade indígena brasileira.
_______________________________________
MPF recomenda medidas contra a venda de bebidas alcóolica a índios
O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação às polícias Militar e Federal para que aumentem a fiscalização e o número de efetivos, além de apurarem denúncias de venda de bebidas alcóolicas aos índios Maxakali, nos municípios de Santa Helena de Minas, Bertópolis e Ladainha, no Vale do Mucuri.
Segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI/MG-ES), o consumo de álcool é a terceira causa de morte entre os integrantes da etnia Maxakali. A Polícia Federal e a Polícia Militar terão 20 dias para informar se acataram ou não a recomendação.
Crime
A venda de bebida alcoólica aos índios é crime previsto na Lei nº 6.001/73 (artigo 58, III), com pena que pode chegar a dois anos de detenção. Esse fato, no entanto, não tem impedido o aumento do comércio ilegal de álcool aos indígenas, prática que vem sendo apontada, inclusive, como a mais importante atividade econômica dos municípios localizados próximos às aldeias.
A mais forte tem sido minha resistência a achar correto ou normal ou educacional uma Ong religiosa, evangélica, a JOCUM, propagandear através de um filme, feito por um profissional americano, a prática de infanticídio entre os índios Zuruahá. Considerei e considero que a prática de infanticídio é, do ponto de vista antropológico, uma questão interna do povo indígena, e, do ponto de vista humanista, uma questão universal. Porém, para que haja alguma mudança essencial, só através do diálogo sério e respeitoso é que podemos -- nós não indígenas concernentes -- buscar interferir. Nunca pela propaganda religiosa explícita e desrespeitosa. Escrevi também que esse diálogo tem sido possível em vários momentos da vida de determinados povos indígenas e que, em muitos casos, essa prática social tem sido abandonado por força desse diálogo.
Isso me tem custado uma carga de críticas que beira a histeria. Basta ver os comentários que estão nesse Blog. Essa semana houve um congresso de Ongs evangélicas na cidade de Águas de São Pedro, interior de São Paulo, e eu fui atacado como uma espécie de besta-fera dos missionários evangélicos. Os missionários evangélicos constituem um grupo de pressão política muito forte e determinado. Têm subvenções oficiais e recursos em dólares vindos das igrejas americanas. Têm deputados em quase todos os partidos e eles se unem em torno das idéias religiosas sem nenhum senso crítico. Não aceito essa espécie de crítica, mas também não dá para dialogar com um grupo de pessoas influentes que se recusam a fazer uma auto-crítica sobre o que fizeram. Se o fizerem, retirar o filme da Internet, aí podemos abrir um diálogo.
Aliás, cadê o Ministério Público e a FUNAI nessa questão desse filme?
Hoje o assunto é alcoolismo entre os povos indígenas. O que me chamou atenção foi uma matéria em que o Ministério Público Federal, em Minas Gerais, cobra das autoridades (FUNAI, Funasa, polícia?) a fiscalização da proibição de venda de bebidas alcoólicas aos índios Maxakali, da região leste de Minas.
Os Maxakali têm de fato um histórico deprimente no uso do álcool. Pelo álcool é que ficam mais valentes e cometem assassinatos entre as facções que compõem sua sociedade. Entretanto, a proibição de comprar cachaça não tem resultado em abstinência. Ao contrário, o resultado é que os Maxakali terminam se valendo de pessoas que os exploram e vendem cachaça a preços absolutamente aviltantes. Aliás, isso acontece em todas as partes do Brasil. Se um litro de cachaça local custa numa venda ou num bar 4 ou 5 reais, os índios terminam comprando por 20 ou 30 reais.
Quando eu era presidente da FUNAI assinei um convênio com a Secretaria Nacional de Prevenção às Drogas para estudar seletivamente alguns casos de povos indígenas que abusam do álcool. A idéia era descobrir meios de diminuir o consumo do álcool entre os povos indígenas, não necessariamente de coibir. Isso é impossível e ilusório. Porém, os resultados daquela pesquisa não trouxeram grandes novidades de informação ou de sugestão, se não de mais controle de fiscalização.
Esse Blog se abre a esse debate. Não teme dizer que uma das alternativas seria a liberalização seletiva do consumo de álcool por parte de povos indígenas que já o fazem em grande quantidade. A proibição pura e simples não condiz mais com a realidade social dos povos indígenas e constitui um ato discriminatório sem sentido na atualidade indígena brasileira.
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MPF recomenda medidas contra a venda de bebidas alcóolica a índios
O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação às polícias Militar e Federal para que aumentem a fiscalização e o número de efetivos, além de apurarem denúncias de venda de bebidas alcóolicas aos índios Maxakali, nos municípios de Santa Helena de Minas, Bertópolis e Ladainha, no Vale do Mucuri.
Segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI/MG-ES), o consumo de álcool é a terceira causa de morte entre os integrantes da etnia Maxakali. A Polícia Federal e a Polícia Militar terão 20 dias para informar se acataram ou não a recomendação.
Crime
A venda de bebida alcoólica aos índios é crime previsto na Lei nº 6.001/73 (artigo 58, III), com pena que pode chegar a dois anos de detenção. Esse fato, no entanto, não tem impedido o aumento do comércio ilegal de álcool aos indígenas, prática que vem sendo apontada, inclusive, como a mais importante atividade econômica dos municípios localizados próximos às aldeias.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Alcoolismo entre os índios brasileiros: primeiras pesquisas
Esta notícia precisa ser constada neste Blog. Ela traz impressões da parte de um indigenista de Rondônia, por um lado, e o resultado das pesquisas do SENAD, por outro. Tratam do consumo de bebidas alcóolicas por parte dos índios brasileiros.
Não tenho certeza se esses dados são válidos ou reais. Acho que precisamos pesquisar mais, e sempre visando encontrar soluções.
Cada caso pede uma "terapia" diferente. Os casos mais radicais, como o dos Guarani do MS, Kanamari e Kulina, do rio Purus, dos Maxakali de Minas Gerais, dos Bororo e Karajá do Mato Grosso são os mais conhecidos. Mas o hábito já se espalhou.
___________________________________________________
Consumo de álcool por índios preocupa Funai
O consumo de bebidas alcoólicas é considerado um grande problema nas tribos indígenas de Rondônia. Essa constatação foi dada ontem (23), pelo chefe do setor de assistência da Fundação Nacional do índio (Funai), Osmam Brasil, que confirma que os índios estão cada vez mais cedo entrando para o mundo do "alcoolismo".
Segundo ele, essa prática já é uma questão cultural. "Nas próprias aldeias, os indígenas fabricam suas bebidas. A xixa, por exemplo, quando fica muito tempo sendo curtida, adquire um alto teor de álcool, fora as outras bebidas que eles costumam produzir", afirma Brasil.
De acordo com Brasil, o que preocupa os profissionais que lidam com esses índios é a precocidade da ingestão de bebidas. "Os jovens estão se espelhando nos mais velhos", comenta.
Brasil afirma que vários trabalhos de conscientização estão sendo desenvolvidos dentro e fora das aldeias indígenas do estado. "Essa conscientização também tem que partir dos órgãos de saúde e educação do estado, pois não podemos trabalhar sozinhos", disse.
Cerveja é preferida na maioria das tribos
Segundo técnicos da Funai, apesar do alto índice de índios que consomem bebidas alcoólicas, nenhuma confusão por conta do álcool aconteceu dentro das dependências da Funai. "Eles bebem, e se arrumam confusão, ficam pelos bares mesmo", afirma.
Cerveja lidera
Dados de um estudo da Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad) apontam que na comparação entre gêneros, 50% dos homens indígenas consomem álcool, contra 21% das mulheres. A bebida mais consumida é a cerveja (67,6%), seguida da cachaça (41,9%) e do vinho (14,8%). O levantamento revela que os índios começam a beber aos 17 anos, enquanto para o restante da população brasileira a idade inicial é de 13 anos, em média.
Dos índios brasileiros, 38,4% consomem álcool e deste total, 49 7% gostariam de parar de beber, mas não conseguem 46% chegaram a pedir ajuda, sem sucesso, à família, ao médico, igreja ou a amigos.
Uma das constatações da pesquisa é que os índios consomem, em suas aldeias, bebidas alcoólicas compradas nas rodovias e nos centros urbanos de municípios vizinhos.
Não tenho certeza se esses dados são válidos ou reais. Acho que precisamos pesquisar mais, e sempre visando encontrar soluções.
Cada caso pede uma "terapia" diferente. Os casos mais radicais, como o dos Guarani do MS, Kanamari e Kulina, do rio Purus, dos Maxakali de Minas Gerais, dos Bororo e Karajá do Mato Grosso são os mais conhecidos. Mas o hábito já se espalhou.
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Consumo de álcool por índios preocupa Funai
O consumo de bebidas alcoólicas é considerado um grande problema nas tribos indígenas de Rondônia. Essa constatação foi dada ontem (23), pelo chefe do setor de assistência da Fundação Nacional do índio (Funai), Osmam Brasil, que confirma que os índios estão cada vez mais cedo entrando para o mundo do "alcoolismo".
Segundo ele, essa prática já é uma questão cultural. "Nas próprias aldeias, os indígenas fabricam suas bebidas. A xixa, por exemplo, quando fica muito tempo sendo curtida, adquire um alto teor de álcool, fora as outras bebidas que eles costumam produzir", afirma Brasil.
De acordo com Brasil, o que preocupa os profissionais que lidam com esses índios é a precocidade da ingestão de bebidas. "Os jovens estão se espelhando nos mais velhos", comenta.
Brasil afirma que vários trabalhos de conscientização estão sendo desenvolvidos dentro e fora das aldeias indígenas do estado. "Essa conscientização também tem que partir dos órgãos de saúde e educação do estado, pois não podemos trabalhar sozinhos", disse.
Cerveja é preferida na maioria das tribos
Segundo técnicos da Funai, apesar do alto índice de índios que consomem bebidas alcoólicas, nenhuma confusão por conta do álcool aconteceu dentro das dependências da Funai. "Eles bebem, e se arrumam confusão, ficam pelos bares mesmo", afirma.
Cerveja lidera
Dados de um estudo da Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad) apontam que na comparação entre gêneros, 50% dos homens indígenas consomem álcool, contra 21% das mulheres. A bebida mais consumida é a cerveja (67,6%), seguida da cachaça (41,9%) e do vinho (14,8%). O levantamento revela que os índios começam a beber aos 17 anos, enquanto para o restante da população brasileira a idade inicial é de 13 anos, em média.
Dos índios brasileiros, 38,4% consomem álcool e deste total, 49 7% gostariam de parar de beber, mas não conseguem 46% chegaram a pedir ajuda, sem sucesso, à família, ao médico, igreja ou a amigos.
Uma das constatações da pesquisa é que os índios consomem, em suas aldeias, bebidas alcoólicas compradas nas rodovias e nos centros urbanos de municípios vizinhos.
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