domingo, 2 de março de 2008

ANTROPOLOGIA: Leia trechos iniciais do Cap. 9 e aguarde lançamento do livro dia 26/03/08

Capítulo 9

O PENSAR ANTROPOLÓGICO SOBRE O BRASIL

9.1 A Antropologia brasileira em formação

Não se pode afirmar que existe todavia uma Antropologia brasileira como uma tradição de pensamento, com escolas ou correntes que se reportam a princípios ou teorias fundadores, com objetos claramente delineados, com metodologia, ou, simplesmente, com estilo próprio. Temos, na verdade, antropólogos que, individualmente ou em grupos, se pautam por orientações teóricas de diversos matizes e procedências, onde alguns têm linhas de pesquisa orientadas para problemáticas brasileiras, com antecedentes brasileiros, outros que tratam de temas acadêmicos, próprios de escolas antropológicas advindas de outros países, de outras circunstâncias históricas.

Porquanto, efetivamente, não se pode dizer que aquilo que temos e acumulamos ao longo de mais de 100 anos de estudos e pesquisas pode ser chamado de tradição. Muito mais característico desse tempo de estudos foram as mudanças de rumo, as passagens de uma curta tradição para outras, por força de alterações nas instituições de pesquisa e de influências político-intelectuais exógenas.

Entretanto, embora não pareça haver, com toda legitimidade histórica e intelectual, correntes ou grupos de antropólogos a pautar a Antropologia brasileira, sempre tivemos instituições e personalidades de grande peso na formulação de orientações gerais de pesquisa e de tendências temáticas e teóricas. Como em outras épocas, existe na atualidade uma certa predominância de alguns centros universitários e de pesquisa que ganharam uma amplitude político-intelectual no campo antropológico, o que inclui, no presente, uma conquistada facilidade de acesso aos órgãos nacionais e internacionais de fomento à pesquisa. Porém isto não precluiu tanto a continuidade de interesses de pesquisa que antecederam a essa predominância -- como os centros de estudos folclóricos espalhados pelo país, que já deram substancial contribuição ao acervo etnográfico brasileiro – quanto a permanência de etnógrafos amadores e de linhas de pesquisa que não se orientam pelo viés de carreira condicionado pelas correntes universitárias dominantes. O que quer dizer que a Antropologia brasileira é maior do que aquilo que é ensinado nos departamentos de ciências sociais das nossas universidades.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA – que é o órgão aglutinador dos antropólogos, criado em 1953, tem tido uma atitude de abertura e de posicionamento político-cultural, que tem ajudado na continuidade da identidade de antropólogos, como profissionais e como intelectuais em geral.

9.2 Primórdios da Antropologia brasileira


9.4 “Pais” da Antropologia brasileira

9.5 Gilberto Freyre e a democracia racial brasileira

9.8 A consolidação da Antropologia acadêmica no Brasil

2 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Mércio: parabéns pelo lançamento de mais um livro. Na última vez que nos vimos, em 2002, você tinha vindo a São Luís fazer uma conferência e lançar o seu "Os Índios na História" e nos encontramos e tomamos umas geladas na Litorânea, com Beta, Luciano e Walter Rodrigues. Eu tinha apresentado dissertação de mestrado na UNICAMP e até levei um exemplar prá tí olhar. Em dezembro de 2006 defendí tese de doutorado em Políticas Publicas sobre Messianismo Canela, Indigenismo e Desenvolvimento. Gostaria de te passar esse trabalho em algum momento prá vc dar uma lida, quando puder. Do mais estamos ainda em São Luís dando aulas na UFMA, mas em busca de algo mais interessante. Se puder, me mande uma resposta. Grande Abraço,

Adalberto Rizzo (Guido)

Mercio Gomes disse...

Adalberto, Bom saber que você está aí em São Luís, dando aulas, que terminou seu doutorado. Fico feliz por seu esforço e dedicação. Sim, gostaria de poder ler sua tese. Se tiver um resumo de umas cinco-dez páginas, posso publicar no Blog. Se der para lançar o livro em São Luís, ficaria muito feliz. Abraço, Mercio

 
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