1. Em Serra Talhada, PE, terra de Lampião, um juiz federal condenou os irmãos Pankararu Jurandi e Manuel Freire por falsidade ideológica. Os dois foram flagrados vendendo carteiras de identidade indígena falsas a pessoas não indígenas da região do município de Jatobá, onde está situada a Terra Indígena Pankararu. Paga-se bem por tais carteiras na região porque elas abrem facilidades nos serviços de saúde regionais.
Para aqueles funcionários da Funai que trabalharam no órgão em 2003, Jurandi Freire é o próprio e famoso "Zé Índio", que, paramentado com um grande cocar de penas de gavião carcará, arrasava a Funai liderando um grupo de uns 15 índios que viviam pressionando a Funai por mais recursos.
Zé Índio cometou o grave erro de achar que poderia fazer as coisas só, sem o auxílio e o apoio de organizações indígenas. Nem se incomodou em ter o apoio dos Pankararu e foi até contra a ampliação da terra indígena, através da demarcação da terra indígena Sete Serras. Seu isolamento numa invasão do prédio da AER da Funai, em Recife, em janeiro de 2004, ficou evidente. O drama meio trágico de Zé Índio é de que ele, que, por méritos próprios, se educou, trabalhou e virou bancário, aí voltou-se a fundo para assumir sua identidade indígena achando que iria não somente liderar seu povo como alcançar glórias políticas maiores. Só e por si mesmo.
Manuel Freire, seu irmão, foi chefe de vários postos indígenas em Pernambuco, mas não se contentou com o árduo trabalho de funcionário público. Foi condenado a prestrar serviços por dois anos. Porém, Zé Índio foi condenado a dois anos de cadeia, por ser reincidente. Lamento muito.
2. Os índios Enawene-Nawe, que vivem no vale do rio Juruena e que eram contrários à construção de hidrelétricas em seus rios, e por isso tinham invadido um canteiro de obras que fazia uma Pequena Central Hidrelétrica no seu rio e destruído 11 caminhões-caçamba e todo o acampamento, acabaram sucumbindo. Nesta sexta-feira passada, entraram em acordo com a empresa construtora. Juntos com eles assinaram os índios Rikbatsa, Nambiquara, Mynky e Pareci, que já tinham acertado sua participação.
No todo esses cinco povos indígenas vão receber 6 milhões de reais para que oito PCHs sejam feitas em seus rios, porém não dentro de seus territórios. Acho que se convenceram de que nada de ruim vai afetar seus rios. Os peixes vão continuar a subir os rios para desovar e eles continuarão pescando à vontade.
Difícil é dizer como eles fizeram esse acordo e com que intermediação. Difícil é pensar que o Ministério Público estava contra e tinha bons argumentos para ajudar os Enawene-Nawe a protestar contra essas construções.
Será que é a vitória da cooptação ou a vitória da racionalidade capitalista?
3. Na reunião chamada KATOOMBA 2009, realizada em Cuiabá, com a presença dos governadores da Amazônia e do ministro Carlos Minc, algumas lideranças indígenas também estiveram presentes. Inclusive Almir Suruí, do povo Suruí, de Rondônia.
Almir, que está com um pé atrás a respeito da intermediação de Ongs ambientalistas que estão buscando as empresas poluidores para entrar nos programas de Prestação de Serviços Ambientais, exigiu participação direta dos índios.
Almir Suruí, assim como as demais Ongs ambientalistas, se intitulam "guardiões da floresta" e querem compensação por isso.
A questão de compensação por serviços ambientais está na ordem do dia. Estão todos alvoroçados em conseguir que os índios assinem papeis favoráveis a negociações. O MMA e a Funai se comprometeram por acordo a entrar nesse negócio.
4. Em São Gabriel da Cachoeira, o ISA promoveu uma reunião com a participação de diversos representantes indígenas e alguns antropólogos para tratar do uso que os índios podem fazer das novas tecnologias, especialmente da internet.
Segundo a matéria publicada, índios Juruna, do rio Xingu, estiveram presentes junto com Yanomami, de Roraima, e muitas das etnias do Alto Rio Negro. Para as Ongs indigenistas, a participação efetiva dos índios no mundo moderno se dará inclusive pelo uso de novas tecnologias. Eles acham que o uso que os índios delas fizerem não deverá afetar negativamente suas culturas, pois eles serão capazes de distinguir o joio do trigo, o "veneno da mandioca brava", que é retirado, do valor nutritivo da massa da mandioca, conforme a metáfora apresentada por um antropólogo participante.
De fato, os povos indígenas estão no mundo. Não há como não os fazer conhecer essas tecnologias e os envolver no conhecimento do mundo. Melhor para eles se souberem da tecnologia e da ciência do homem branco através do conhecimento científico. Assim, saberão mais de si mesmos e poderão transitar entre os dois mundos, mantendo sua autonomia cultural.
5. O Projeto Genográfico, que trata de traçar, através de amostras genéticas de quase todos os povos autóctones do mundo, a ancestralidade do Homem e suas conexões genéticas, desde o surgimento do Homo sapiens, foi apresentado à Comissão Nacional de Ética na Pesquisa (CONEP), do Ministério da Saúde, esta semana que se passou.
No mundo inteiro, cerca de 100.000 indivíduos autóctones da África, Europa, Oriente Médio, Índia, Indonésia, Austrália, Sibéria, Ásia em geral e das Américas participarão do Projeto Genográfico. Na Europa serão portugueses, espanhois, ingleses, sérvios, russos, finlandeses, suecos, enfim, todos que são nativos da Europa há muitos milhares de anos. No Brasil contar-se-á com a participação de cerca de 80 a 100 povos indígenas, de acordo com a aceitação de cada um. A participação é absolutamente voluntária. É possível que alguns povos indígenas não queiram participar do projeto e a eles não interesse saber de suas ancestralidades. Mas muitos certamente quererão saber.
O ideal do Projeto Genográfico-Brasil é traçar as rotas e os momentos em que as populações indígenas se instalaram nos diversos meios-ambientes do Brasil e das Américas; será importante também formular hipóteses sobre como essas populações, enquanto grupos genéticos, se comunicaram entre si, e com que proximidade temporal eles estão relacionados entre si.
O Projeto Genográfico não diz respeito às culturas e sociedades atuais. Não fala de nações ou etnias, e sim de grupos geneticamente próximos ou longínquos.
O Projeto Genográfico trará uma grande contribuição para a história do povoamento do Brasil, para o conhecimento das migrações dos povos indígenas em eras passadas e para ajudar no conhecimento das relações linguisticas, especialmente aquelas que não são bem conhecidas.
Para os índios, o Projeto Genográfico será mais uma ferramenta da ciência e da tecnologia para eles se apropriarem e conhecerem, do ponto de vista da ciência genética, parte de sua história que remota a milhares de anos atrás.
Alguns membros da CONEP e o representante indígena fizeram algumas objeções ao Projeto Genográfico e exigiram mudanças em alguns pontos para que pudesse vir a ser discutido em mais detalhes em nova reunião.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A experiência do Século: O fim do mundo ainda não aconteceu



Deixando de lado os problemas antropológicos e indigenistas de Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima, a grande notícia do dia é o acionamento feito hoje de manhã do Grande Colisor de Hádrons (LHC), no Laboratório de Acelerador de Partículas Físicas, na França.
O LHC é um imenso tubo circular de uns 5 metros de diâmetor por 27 km de extensão, vazio de todo, em vácuo, dentro do qual foi lançado um único feixe puro de prótons de hidrogênio (próton é a matéria que compõe o núcleo de um átomo) que irá circular em aceleração constante até alcançar quase a velocidade da luz (pouco menos de 300.000 km/s). Esse feixe será monitorado por quatro detectores que estudarão seu comportamento pelos próximos meses. O feixe de próton faz 12 voltas no tubo circular a cada segundo, de modo que os detectores devem ser extremamente rápidos para acompanharem o comportamento desse feixe. Mais ou menos o que acontece com os elétrons em volta dos núcleos dos átomos, do qual um observador jamais consegue detectar sua posição em dado momento. Não consegue e não pode, e isto é o que se chama de "princípio da indeterminação", algo que distingue a Física Quântica da Física Macrocósmica.
O auge dessa experiência acontecerá quando, algumas semanas mais adiante, lançarem nesse tubo circular um outro feixe de prótons na direção oposta. Por meio de grandes ímas, os dois feixes irão sendo aproximados até entrarem na mesma linha de rotação e assim se colidirem em altíssima velocidade. Isto provocará uma grande explosão, à semelhança da Grande Explosão (Big Bang) que deu origem ao Universo. Semelhantemente, os prótons colididos se destruirão, se arrebentarão, e deles pipocarão as partículas mínimas que os compõem, quais sejam, férmions e bósons e suas minímissimas partículas, os gravitons, taus, neutrons, pions e quarks.
Além de observar as partículares elementares formadoras do próton atômico, também se observarão as respectivas forças que as controlam, ou que dessas partículares são conseqüências: a força gravitacional, a força eletromagnética, a força forte de Yukawa e a força fraca de Yukawa, conforme conhecidas pela Física atual.
A maior de todas as expectativas é de se evidenciar a famosa e nunca vista "Partícula ou o Bóson de Higgs", a qual teoricamente teria produzido a massa para as demais partículas que a têm.
Há um grande debate no meio físico se o bóson de Higgs existe ou não. Parece que o físico inglês Stephen Hawkins acha que esse bóson não existe. O físico e filósofo brasileiro Luiz Sérgio Sampaio, criador do sistema lógico hiperdialético, em seu livro Física Moderna (Rio de Janeiro, Editora Ágora, 2004), não somente considera que o bóson de Higgs existe como também que ele produz uma força própria, a força de Higgs, que deveria ser adicionada à teoria das forças do Universo. A hipótese de Sampaio é extremamente ousada e pouco conhecida entre físicos especialmente porque, se for provada verdadeira, todo o sistema atual de Física teria que ser reformulado, inclusive o relacionamento que se quer criar entre a Teoria Geral da Relatividade e a Teoria Quântica. Alguns físicos brasileiros que leram seu livro, como Sérgio Costa Leite e Luiz Pinguelli Rosa ficaram pasmos, sem argumentos para contrapor a ele, mas não quiseram se comprometer com o sistema criado por Sampaio.
Em relação ao início dessa grande experiência, alguns cientistas ficaram preocupados com a hipótese dessa colisão gerar a formação de pequenos "buracos negros" que poderão sugar a matéria para o seu interior, comprimindo-a a uma força descomunal. Em tese, um buraco negro pode sugar toda a matéria que circula e assim poderia haver uma destruição da Terra. Um desses cientistas, da Universidade de Tubingen, na Alemanha, até entrou com uma ação judicial contra esse Laboratório e essa experiência. Mas a maioria dos cientistas acha que a colisão não resultará em buracos negros, conforme a matéria abaixo.
Na verdade, alguns cientistas e filósofos, como o citado brasileiro Luiz Sérgio Sampaio, acham que buraco negro é uma hipótese inconsistente, que se transformou numa coisa midiática. Quase sempre quando algum astrônomo diz que viu um buraco negro no Universo, a mídia repercute a notícia com sensacionalismo. Invariavelmente o feito é desmentido e explicado como o colapso de galáxias ou estrelas. Porém, o desmentido nunca saí com o mesmo alarde. Em outras palavras, buraco negro não existe. Vamos constatar isso nos próximos meses.
É uma grande lástima para mim pessoalmente e para muitos amigos de Luiz Sérgio Sampaio que ele não esteja vivo para ver comprovar suas hipóteses, ou vê-las sendo modificadas.
Os gastos com a construção desse Laboratório de Acelerador de Partículas Físicas chegaram a 8 bilhões de dólares e foram repartidos pela Comunidade Européia e Estados Unidos. Algumas pessoas reclamam do gasto excessivo. Os cientistas, como Stephen Hawkins, acham que vale a pena.
Cerca de 7.000 físicos estão envolvidos no projeto, inclusive uns 70 brasileiros, ou 1% dos físicos mundiais.
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Para Hawking, projeto que 'recria Big Bang' não ameaça a Terra
BBC Brasil
O físico britânico Stephen Hawking afirma que não há perigo de que, ao ser acionado nesta quarta-feira, um gigantesco acelerador de partículas construído sob os Alpes suíços possa criar um buraco negro capaz de engolir o planeta (e o resto do sistema solar) em questão de minutos - como temem alguns cientistas.
O acelerador, construído pela Organização Européia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês) em um laboratório subterrâneo na fronteira franco-suíça, perto de Genebra, foi batizado de LHC (sigla em inglês de Large Hadron Collider - Grande Colisor de Hádrons).
O equipamento é o maior e mais complexo instrumento científico já construído, e também o mais caro - com um custo estimado em US$ 8 bilhões.
O LHC foi projetado para atirar partículas de prótons umas contra as outras quase à velocidade da luz. Os cientistas esperam que a liberação maciça de energia causada pelo choque das partículas seja capaz de recriar as condições que existiam no universo imediatamente após o Big Bang.
Buraco negro
Temerosos, grupos de cientistas foram duas vezes a tribunais europeus tentar impedir o acionamento do aparelho.
Mas, em entrevista à BBC, Hawking - um dos físicos mais respeitados do mundo - afirma que o experimento não representa perigo.
"Se as colisões no LHC criarem um micro buraco negro, e isso é pouco provável, ele apenas evaporará novamente, produzindo padrões característicos de partículas", disse o físico.
"Colisões com essas, e ainda maiores, quantidades de energia ocorrem milhões de vezes por dia na atmosfera da Terra e nada terrível acontece", acrescentou.
Físicos esperam que o LHC ajude a resolver algumas das questões mais fundamentais sobre a natureza do mundo, revelando os segredos da chamada matéria escura.
Partícula 'Deus'
Uma das questões que despertam maior expectativa diz respeito à partícula de Higgs, também conhecida como "partícula Deus", a mais procurada pelos físicos.
Cientistas acreditam que ela dê massa a tudo o que existe, e encontrá-la seria crucial para a nossa compreensão do universo. Hawking, no entanto, diz ter apostado cem libras (cerca de US$ 170) que o acelerador não vai encontrá-la.
"Acho que vai ser muito mais interessante se não encontrarmos (a partícula de) Higgs. Isso vai mostrar que algo está errado, e que precisamos pensar de novo", afirmou. "Fiz uma aposta de cem libras que não vamos encontrar a Higgs."
Na opinião de Hawking, o LHC também pode ajudar na identificação de partículas que os físicos chamam de "super-parceiros", ou "parceiros supersimétricos" para as partículas que conhecemos hoje.
"Sua existência seria uma confirmação importante da Teoria da Corda, e elas podem compor a misteriosa matéria escura que mantém as galáxias juntas", afirma o físico britânico.
"O que quer que o LHC encontre, ou não encontre, os resultados vão nos dizer muito sobre a estrutura do universo", acrescentou. "O LHC vai aumentar quatro vezes a energia com que podemos estudar interações entre partículas."
Altos custos
Na entrevista à BBC, Stephen Hawking também rebateu as críticas dos que reclamam dos altos custos do projeto.
"Ao longo da história, as pessoas têm estudado ciência pura por causa de um desejo de conhecer o universo, mais do que por aplicações práticas, ou ganhos comerciais", afirma o físico. "Mas suas descobertas mais tarde trouxeram grandes benefícios práticos."
"É difícil ver um retorno econômico na pesquisa do LHC, mas isso não significa que não haverá algum", acrescentou.
Quando perguntado se seria capaz de escolher entre o LHC ou o programa espacial, Hawking disse que seria o mesmo que "escolher um filho para o sacrifício".
"Tanto o LHC como o programa espacial são vitais para que a raça humana não se embruteça e, finalmente, morra", afirma o físico. "Juntos, eles custam menos do que 0,1% do PIB mundial."
"Se a raça humana não puder sustentar isso, não merece o epíteto 'humana'", comparou Hawking.
Universos paralelos
Cientistas tem comentado, embora com cautela, que os experimentos da CERN estão se aventurando pelo terreno da ficção científica especulativa: universos múltiplos, mundos paralelos e buracos negros no espaço funcionando como elos entre esferas diferentes de existência.
Hawking afirma que um universo paralelo pode ser muito diferente do que o que conhecemos.
"De acordo com a idéia da soma de histórias, de Richard Feynman, o universo não apenas tem uma única história, como poderíamos pensar, mas tem todas as histórias possíveis, cada uma com seu proprio peso", diz o físico.
"Algumas dessas histórias conterão criaturas como eu, fazendo coisas diferentes, mas a vasta maioria das histórias será muito diferente."
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Genoma do Homo neanderthalensis é reconstituído

A ciência antropológica abriu uma nova avenida de conhecimento a respeito da evolução do homem.
Antropólogos-biólogos do Instituto Max-Planck de Antropologia Evolutiva acabaram de reconstituir o genoma do Homo neanderthalensis a partir de material genético obtido de um osso encontrado há alguns anos na Croácia.
O Homo neanderthalensis era visto como uma variação do genêro Homo, diferente do Homo sapiens. Mas alguns tinham dúvidas e achavam que talvez ele fosse uma variação da nossa espécie. Isto por dois motivos: primeiro porque eles foram contemporâneos durante muitos anos, isto é, desde que se tem notícias de que a espécie Homo sapiens apareceu há quase 200.000 anos. Sabia-se que os Neanderthalensis estiveram pela Terra há mais tempo e tenham sobrevivido até cerca de 30.000 anos atrás. Segundo porque as evidências de ossatura indicavam que, embora bem mais robustos que o Homo sapiens, o Homo neanderthalensis parecia ter todas as condições humanas, como enterrar os mortos, por exemplo. Talvez até condições de linguagem desenvolvida.
A reconstrução do genoma do Homo neanderthalensis a partir do DNA encontrado na mitocôndria da célula indica que esta espécie hominídea era realmente distinta do Homo sapiens e que o ancestral comum a ambos teria existido há cerca de 660.000 anos. Como o Homo sapiens só aparece, pelo que se sabe até agora, só por volta de 200.000 anos atrás, então haveria uma espécie intermediária entre esse ancestral comum e o Homo sapiens. Talvez tenha sido o Homo heidelberghensis, com o qual, portanto, o Homo neanderthalensis teria mais coisas em comum.
Bem, isto são hipóteses e teorias da Antropologia Biológica. Com novas descobertas sempre surgem mudanças no quadro. Entretanto, a reconstrução do genoma é um passo importante e confirmador de teorias anteriores. Talvez as mudanças não venham a alterar tanto essa teoria atual.
De todo modo, dado o fato de que a reconstrução da face do Homo neanderthalensis se assemelha a essas imagens postadas, como será que sua nova cara vai ficar? Talvez mais bonitinha que estas. Aliás, acho que já vi essas figuras andando por aí.
Reconstruir o genoma de um ser significa, em tese, que um dia ele pode ser clonado. Eis uma aporia científica a ser discutida nos próximos anos.
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Grupo seqüencia genoma dos neandertais
Evidências genéticas reforçam teorias de que eles formavam espécie distinta, com população pequena
O Estado de São Paulo
Cientistas europeus e americanos apresentam hoje o primeiro genoma de uma outra espécie do gênero humano: o Homo neanderthalensis, ou neandertal, um parente extinto do Homo sapiens - mais baixinho e troncudo - que viveu entre 200 mil e 30 mil anos atrás.
As evidências genéticas reforçam as teorias do modelo fóssil de que os neandertais formavam uma espécie distinta, que tinham uma população relativamente pequena e provavelmente não se miscigenaram com o Homo sapiens, apesar de terem convivido com seres humanos modernos por milhares de anos, principalmente na Europa.
O DNA seqüenciado não foi o do genoma nuclear, contido no núcleo das células, mas o do genoma mitocondrial, de dentro das mitocôndrias, as organelas produtoras de energia celular.
O material foi colhido de um fragmento ósseo de 5 centímetros, descoberto em 1980 na Caverna de Vindija, na Croácia. Os pesquisadores não sabem de que parte do esqueleto ele veio (talvez um fêmur), mas sabem que o neandertal que o "usava" morreu 38 mil anos atrás, "pouco" antes da espécie desaparecer por completo.
O osso foi perfurado com uma broca e o pó (0,3 grama), usado como fonte de material genético. Várias amostras de DNA neandertalense já foram seqüenciadas no passado, mas nunca na forma de um genoma inteiro. "Finalmente temos uma seqüência completa", afirma Ed Green, do Instituto Max-Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.
O genoma mitocondrial é só uma amostra do DNA de um organismo, mas traz informações importantes - e práticas - sobre a evolução. Foi com base nele que cientistas desenvolveram o conceito da "Eva mitocondrial", segundo o qual todos os seres humanos modernos descendem de uma mesma mãe que viveu na África, 150 mil anos atrás.
O diferencial do DNA mitocondrial é que ele é passado só de mãe para filho - porque o espermatozóide não contribui com mitocôndrias para o embrião, apenas o óvulo. Além disso, o genoma mitocondrial é menor, mais abundante e carrega menos genes do que o DNA nuclear (13, em vez de 20 mil), o que torna o estudo de variações individuais e populacionais muito mais simples.
DIFERENÇAS
A seqüência produzida pelos cientistas tem 16.565 nucleotídeos (bases A, T, C e G), número quase idêntico ao do genoma mitocondrial humano, que tem 16.658. O mais interessante, porém, está nas diferenças.
Assumindo que as duas espécies evoluíram de um ancestral comum, o acúmulo de variações genéticas funciona como um "relógio molecular", que mostra há quanto tempo elas se separaram. Os cientistas encontraram 206 diferenças entre o DNA mitocondrial do neandertal e do homem. Isso indica que o último ancestral comum das duas espécies viveu 660 mil anos atrás. "O que significa que as primeiras populações de humanos e neandertais se separaram algum tempo depois disso", explica Green.
Hoje, o relógio molecular é calibrado com base nas diferenças entre homem e chimpanzé - espécies separadas há 6 milhões de anos. "O genoma do neandertal vai ajudar bastante a acertar melhor esse relógio", diz o pesquisador Sandro Bonatto, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, que usa a genética para estudar a ocupação das Américas. "Vamos aproveitar esses dados, certamente."
Segundo o estudo, a diferença entre o DNA mitocondrial das duas espécies é bem maior do que a variação natural que pode ser encontrada entre dois Homo sapiens, o que confirma o Homo neanderthalensis como uma espécie distinta. Também não há evidências de que tenha havido miscigenação significativa entre as duas populações.
A extinção dos neandertais é tema polêmico. Uma das hipóteses é que eles tenham sido exterminados pela competição com o homem moderno. Um acúmulo de pequenas mutações no DNA mitocondrial indica que a população do Homo neanderthalensis era pequena, talvez mantida em xeque por sucessivas glaciações no Hemisfério Norte. O trabalho foi publicado na revista Cell.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Lembrando amigos indigenistas: Darcy Ribeiro, Carlos Moreira, Xará, Apoena Meirelles e Florindo Diniz
Darcy Ribeiro, o antropólogo genial em ação
Quero começar o Ano Novo lembrando alguns dos meus grandes amigos que foram indigenistas, pessoas que trabalharam com povos indígenas no Brasil e em outros países, que sentiram o prazer desse ofício e a dureza e determinação que dele são exigidas.
Começo com Darcy Ribeiro, de quem fui amigo e companheiro de trabalho em várias ocasiões. Fui seu secretário de Planejamento na Secretaria de Projetos Especiais no segundo governo Brizola, no Rio de Janeiro.
Ajudei-o na reconstrução dos CIEPs, as escolas de turno integral criadas no primeiro governo Brizola e depois destruídas no governo Moreira Franco, de quem era secretário de educação o atual ministro do STF Carlos Alberto Direito.
Ajudei-o na conceituação e programa da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a Uenf, localizada em diversas cidades do norte fluminense, como Campos, Macaé e Itaocara.
Organizei com ele o Terceiro Encontro de Barbados, no Rio de Janeiro, com os mesmos antropólogos e outros para discutir a questão indígena na América Latina.
Escrevemos um artigo juntos, “Etnia e Civilização”, publicado em italiano, espanhol e inglês, mas não em português, engraçado, não é?
Ajudei-o no trabalho intelectual de diversos de seus livros, desde “Testemunho”, passando por “Diários Índios” até “O Povo Brasileiro”.
Darcy começou a trabalhar com povos indígenas em 1948, ao fazer sua primeira visita aos Kadiwéu, do Pantanal, e visitar os Guarani e Terena do Mato Grosso do Sul. Criou um grande sentimento de afeto e respeito pelos Kadiwéu, e deixou amigos que foi reencontrar em 1991, quando era senador da República.
Nessa viagem conheceu Marçal de Souza, o grande líder Guarani, assassinado na Aldeia Campestre, e manteve com ele uma correspondência por muitos anos. Sobre os Kadiweu publicou diversos artigos clássicos e um livro com os desenhos e figuras que os Kadiwéu fazem em couros de boi. Darcy considerava que este livro ficaria na literatura etnológico para sempre, como testemunho de uma arte extraordinária.
Em 1949 e 1951 Darcy esteve com os Urubu-Kaapor, na região do rio Gurupi, fronteira entre Maranhão e Pará. Dos Kaapor escreveu alguns artigos, fez um lindo filme sobre o dia-a-dia dos Kaapor, presenciou um surto de sarampo e gripe que dizimou mais de uma centena de índios em três meses e, já no final de sua vida, publicou seu diário de campo, que merece ser lido como testemunho de uma época.
Em 1953, Darcy criou o Museu do Índio, que ainda hoje permanece na Funai, apesar da vontade que alguns têm de retirá-lo de lá e passá-lo para o MINC, e da péssima administração por que vem passando nos últimos 12 anos, desvirtuada do sentido que Darcy quis dar ao Museu. Mas, um dia voltará a ser retomado.
Nesse mesmo ano, Darcy, levado pelo velho marechal Rondon, e junto com o grande antropólogo carioca Eduardo Galvão, autor de artigos seminais sobre os índios xinguanos e do Alto Rio Negro, e Orlando Villas-Boas, tiveram várias entrevistas com o presidente Getúlio Vargas para criar o Parque Nacional do Xingu. Getúlio Vargas, dizia Orlando Villas-Boas, chamava Darcy de “o encouraçado Potemkim de bolso”, por sua baixa estatura junto com seu espírito guerreiro.
Bem, a obra de Darcy Ribeiro é muito extensa para descrevê-la aqui. Além de antropólogo, criador, educador, escritor e político, foi amigo divertido e leal aos índios. Nunca parou de reconhecer que toda sua fama se deve ao seu trabalho inicial com os povos indígenas.
Escrevi um livro sobre ele, chamado “Darcy Ribeiro”, Pensamento e Obra, da Editora Ícone, e os convido a consultá-lo para maiores detalhes. Darcy Ribeiro morreu em fevereiro de 1997, dois meses depois da promulgação da Lei Darcy Ribeiro de Educação.
Quero começar o Ano Novo lembrando alguns dos meus grandes amigos que foram indigenistas, pessoas que trabalharam com povos indígenas no Brasil e em outros países, que sentiram o prazer desse ofício e a dureza e determinação que dele são exigidas.
Começo com Darcy Ribeiro, de quem fui amigo e companheiro de trabalho em várias ocasiões. Fui seu secretário de Planejamento na Secretaria de Projetos Especiais no segundo governo Brizola, no Rio de Janeiro.
Ajudei-o na reconstrução dos CIEPs, as escolas de turno integral criadas no primeiro governo Brizola e depois destruídas no governo Moreira Franco, de quem era secretário de educação o atual ministro do STF Carlos Alberto Direito.
Ajudei-o na conceituação e programa da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a Uenf, localizada em diversas cidades do norte fluminense, como Campos, Macaé e Itaocara.
Organizei com ele o Terceiro Encontro de Barbados, no Rio de Janeiro, com os mesmos antropólogos e outros para discutir a questão indígena na América Latina.
Escrevemos um artigo juntos, “Etnia e Civilização”, publicado em italiano, espanhol e inglês, mas não em português, engraçado, não é?
Ajudei-o no trabalho intelectual de diversos de seus livros, desde “Testemunho”, passando por “Diários Índios” até “O Povo Brasileiro”.
Darcy começou a trabalhar com povos indígenas em 1948, ao fazer sua primeira visita aos Kadiwéu, do Pantanal, e visitar os Guarani e Terena do Mato Grosso do Sul. Criou um grande sentimento de afeto e respeito pelos Kadiwéu, e deixou amigos que foi reencontrar em 1991, quando era senador da República.
Nessa viagem conheceu Marçal de Souza, o grande líder Guarani, assassinado na Aldeia Campestre, e manteve com ele uma correspondência por muitos anos. Sobre os Kadiweu publicou diversos artigos clássicos e um livro com os desenhos e figuras que os Kadiwéu fazem em couros de boi. Darcy considerava que este livro ficaria na literatura etnológico para sempre, como testemunho de uma arte extraordinária.
Em 1949 e 1951 Darcy esteve com os Urubu-Kaapor, na região do rio Gurupi, fronteira entre Maranhão e Pará. Dos Kaapor escreveu alguns artigos, fez um lindo filme sobre o dia-a-dia dos Kaapor, presenciou um surto de sarampo e gripe que dizimou mais de uma centena de índios em três meses e, já no final de sua vida, publicou seu diário de campo, que merece ser lido como testemunho de uma época.
Em 1953, Darcy criou o Museu do Índio, que ainda hoje permanece na Funai, apesar da vontade que alguns têm de retirá-lo de lá e passá-lo para o MINC, e da péssima administração por que vem passando nos últimos 12 anos, desvirtuada do sentido que Darcy quis dar ao Museu. Mas, um dia voltará a ser retomado.
Nesse mesmo ano, Darcy, levado pelo velho marechal Rondon, e junto com o grande antropólogo carioca Eduardo Galvão, autor de artigos seminais sobre os índios xinguanos e do Alto Rio Negro, e Orlando Villas-Boas, tiveram várias entrevistas com o presidente Getúlio Vargas para criar o Parque Nacional do Xingu. Getúlio Vargas, dizia Orlando Villas-Boas, chamava Darcy de “o encouraçado Potemkim de bolso”, por sua baixa estatura junto com seu espírito guerreiro.
Bem, a obra de Darcy Ribeiro é muito extensa para descrevê-la aqui. Além de antropólogo, criador, educador, escritor e político, foi amigo divertido e leal aos índios. Nunca parou de reconhecer que toda sua fama se deve ao seu trabalho inicial com os povos indígenas.
Escrevi um livro sobre ele, chamado “Darcy Ribeiro”, Pensamento e Obra, da Editora Ícone, e os convido a consultá-lo para maiores detalhes. Darcy Ribeiro morreu em fevereiro de 1997, dois meses depois da promulgação da Lei Darcy Ribeiro de Educação.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Macacos quase empatam com jovens na matemática
Aí, pessoal, o macaco parece ter habilidades matemáticas, quando induzido por pesquisa de laboratório. Fazem somas. Acertam quase tanto quanto os jovens universitários.
Quem vai encarar?
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Estudo revela que macacos podem fazer contas de cabeça
Os macacos podem fazer contas de adição mentalmente, com resultados semelhantes aos de estudantes universitários, revelou um estudo divulgado, na segunda-feira (17), pela revista americana "PloS Biology".
Segundo os cientistas do Centro de Neurociências Cognitivas da Universidade de Duke (Carolina do Norte, EUA), os resultados ajudam a compreender as origens evolutivas compartilhadas de seres humanos e animais no que se refere à capacidade aritmética.
Outras pesquisas tinham determinado que animais e seres humanos são capazes de representar e comparar números. Os animais, as crianças e os adultos podem diferenciar entre quatro e oito objetos, por exemplo. No entanto, até agora não estava claro se os animais podiam realizar operações aritméticas de cabeça.
"Sabíamos que os animais podem reconhecer quantidades, mas não havia provas de sua capacidade para realizar tarefas matemáticas, como a soma. Nosso estudo demonstrou que sim", explicou Jessica Cantion, uma estudante de pós-graduação que participou da pesquisa.
Os cientistas observaram macacos instalados em frente a uma tela com um número variável de manchas.
As manchas foram apagadas da tela, que foi substituída por outra, na qual aparecia um número diferente de manchas.
Depois, aparecia uma terceira tela onde havia uma caixa com a soma das primeiras duas telas, e outra com um número diferente.
Os macacos eram recompensados cada vez que tocavam a tela que continha a soma correta.
Versão humana - Um grupo de estudantes universitários foi submetido a um teste semelhante, no qual tinham que escolher a soma correta sem contar as manchas.
O nível de acertos entre os estudantes foi de 94%, e o dos macacos, 76%. A média de tempo de resposta nos dois grupos foi de um segundo.
O mais interessante, segundo os cientistas, é que nos dois grupos os resultados não foram tão bons quando as caixas mostravam números muito próximos.
"Se a soma correta era 11 e a resposta errada era 12, tanto os macacos quanto os estudantes demoravam mais a responder e tinham mais erros", disse Elizabeth Branion, professora auxiliar do Centro de Neurociências Cognitivas.
A diferença é que os seres humanos usam a linguagem e a escrita, o que muda a forma como representamos os números, segundo os cientistas. "Grande parte da capacidade matemática dos adultos humanos está no fato de poder representar conceitos numéricos utilizando para isso a linguagem simbólica", disse Branion. Assim, um macaco não tem a capacidade de determinar a diferença entre 2.000 e 2.001 objetos, por exemplo. (Globo Online)
Quem vai encarar?
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Estudo revela que macacos podem fazer contas de cabeça
Os macacos podem fazer contas de adição mentalmente, com resultados semelhantes aos de estudantes universitários, revelou um estudo divulgado, na segunda-feira (17), pela revista americana "PloS Biology".
Segundo os cientistas do Centro de Neurociências Cognitivas da Universidade de Duke (Carolina do Norte, EUA), os resultados ajudam a compreender as origens evolutivas compartilhadas de seres humanos e animais no que se refere à capacidade aritmética.
Outras pesquisas tinham determinado que animais e seres humanos são capazes de representar e comparar números. Os animais, as crianças e os adultos podem diferenciar entre quatro e oito objetos, por exemplo. No entanto, até agora não estava claro se os animais podiam realizar operações aritméticas de cabeça.
"Sabíamos que os animais podem reconhecer quantidades, mas não havia provas de sua capacidade para realizar tarefas matemáticas, como a soma. Nosso estudo demonstrou que sim", explicou Jessica Cantion, uma estudante de pós-graduação que participou da pesquisa.
Os cientistas observaram macacos instalados em frente a uma tela com um número variável de manchas.
As manchas foram apagadas da tela, que foi substituída por outra, na qual aparecia um número diferente de manchas.
Depois, aparecia uma terceira tela onde havia uma caixa com a soma das primeiras duas telas, e outra com um número diferente.
Os macacos eram recompensados cada vez que tocavam a tela que continha a soma correta.
Versão humana - Um grupo de estudantes universitários foi submetido a um teste semelhante, no qual tinham que escolher a soma correta sem contar as manchas.
O nível de acertos entre os estudantes foi de 94%, e o dos macacos, 76%. A média de tempo de resposta nos dois grupos foi de um segundo.
O mais interessante, segundo os cientistas, é que nos dois grupos os resultados não foram tão bons quando as caixas mostravam números muito próximos.
"Se a soma correta era 11 e a resposta errada era 12, tanto os macacos quanto os estudantes demoravam mais a responder e tinham mais erros", disse Elizabeth Branion, professora auxiliar do Centro de Neurociências Cognitivas.
A diferença é que os seres humanos usam a linguagem e a escrita, o que muda a forma como representamos os números, segundo os cientistas. "Grande parte da capacidade matemática dos adultos humanos está no fato de poder representar conceitos numéricos utilizando para isso a linguagem simbólica", disse Branion. Assim, um macaco não tem a capacidade de determinar a diferença entre 2.000 e 2.001 objetos, por exemplo. (Globo Online)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Cientista diz que Bali não vai dar certo
Lembrando que está havendo uma grande reunião de diplomatas, cientistas e ambientalistas na cidade de Bali, Indonésia, trago a matéria abaixo sobre essa reunião.
A fala que chama a atenção da matéria foi dita por um cientista americano, William Pizer, da Universidade de Harvard. Ele considera que não adianta os países se comprometerem com metas ambiciosas, em convênios como o de Kioto, e o que se quer fazer em Bali, porque cada país tem suas próprias agendas.
Pizer sugere uma metodologia mais simples, tão simples que, se alguém a sugeriu antes, ninguém prestou atenção.
__________________________________________
'Bali é uma perda de tempo', diz integrante do IPCC
O economista americano William A. Pizer, da Universidade de Harvard e um dos autores do 4º relatório do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), afirmou em Bali, na Indonésia, que a conferência da ONU "é uma perda de tempo".
Pizer veio a Bali para apresentar as propostas da universidade para futuros acordos sobre mudanças climáticas e disse à BBC Brasil que existem maneiras mais eficientes de combater o problema.
"A questão é: estamos negociando um acordo que vai conseguir a maior ação possível no curto prazo? Para mim, as metas do Protocolo de Kyoto não alimentam as políticas domésticas. Então, é como negociar compromissos de governos para maximizar as reações internas", disse o estudioso.
Para ele, é preciso investir menos tempo de discussões para tentar chegar a um acordo sobre metas numéricas, e mais para garantir o funcionamento de instituições dedicadas à compensação por emissões de carbono (os chamados "offsets") e às que revisam e avaliam os compromissos e ações.
Pizer criticou também a insistência de alguns países para que nações em desenvolvimento também assumam metas de redução de emissões de carbono, o que vem custando tempo de negociações em Bali.
"Por que não descobrimos simplesmente com o que eles aceitam se comprometer agora, e sobre o que eles vão poder ser responsabilizados dentro de alguns anos?", propõe o americano. "Não acho que nada que esteja sendo negociado aqui vá mudar fundamentalmente o que vamos conseguir em vários países nos próximos cinco anos."
Ele defende uma ação mais concentrada entre dez países que mais poluem no mundo, que poderiam manter acordos bilaterais e multilaterais para maximizar o impacto das ações internas.
Para Pizer, o importante é reconhecer que a mudança do clima atualmente "não dita as políticas dos governos", como deveria acontecer, porque é um entre vários assuntos importantes domesticamente.
"Só os governos nacionais podem equilibrar esses assuntos para descobrir o que se pode fazer. Negociar 8% abaixo dos níveis de 1990, 7% abaixo dos níveis de 1990... Não acho que isso seja utilizar bem o tempo."
Pizer defende que os governos assumam compromissos mais gerais, sem a necessidade de protocolos que estipulem metas obrigatórias fixas.
"Vamos simplesmente dizer que cada um vai fazer o melhor que puder - e voltamos a nos encontrar dentro de cinco anos para ver como as nossas políticas domésticas caminharam nessa direção."
Embora discorde sobre metas e estrutura, o especialista americano vê dois grandes méritos no Protocolo de Kyoto: o estabelecimento do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, o instrumento que possibilita a compra de créditos de carbono por países ricos conquistados por projetos "limpos" em países em desenvolvimento) e do mercado de carbono.
Pizer acredita que ambos devem ficar como legado de Kyoto para serem aplicados e explorados pelas políticas públicas nacionais.
Defensor de uma política "de baixo para cima" e não imposta por esferas superiores, o economista de Harvard diz que a ONU não tem o poder necessário para implementar políticas de clima urgentemente necessárias atualmente.
"Ninguém pode fazer a ONU ter mais poder além dos seus próprios países-membros. Ou seja, os países precisam estar suficientemente comprometidos internamente com a questão para conferir mais poder à entidade", diz Pizer.
Por isso, o estudioso afirma que o problema de falta de autoridade da ONU só poderia ser resolvido se os Estados Unidos fossem convencidos a dar mais soberania à instituição.
"Aí sim, poderíamos ter uma política eficiente implementada de cima para baixo. Mas isso não acontece hoje em dia."
A fala que chama a atenção da matéria foi dita por um cientista americano, William Pizer, da Universidade de Harvard. Ele considera que não adianta os países se comprometerem com metas ambiciosas, em convênios como o de Kioto, e o que se quer fazer em Bali, porque cada país tem suas próprias agendas.
Pizer sugere uma metodologia mais simples, tão simples que, se alguém a sugeriu antes, ninguém prestou atenção.
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'Bali é uma perda de tempo', diz integrante do IPCC
O economista americano William A. Pizer, da Universidade de Harvard e um dos autores do 4º relatório do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), afirmou em Bali, na Indonésia, que a conferência da ONU "é uma perda de tempo".
Pizer veio a Bali para apresentar as propostas da universidade para futuros acordos sobre mudanças climáticas e disse à BBC Brasil que existem maneiras mais eficientes de combater o problema.
"A questão é: estamos negociando um acordo que vai conseguir a maior ação possível no curto prazo? Para mim, as metas do Protocolo de Kyoto não alimentam as políticas domésticas. Então, é como negociar compromissos de governos para maximizar as reações internas", disse o estudioso.
Para ele, é preciso investir menos tempo de discussões para tentar chegar a um acordo sobre metas numéricas, e mais para garantir o funcionamento de instituições dedicadas à compensação por emissões de carbono (os chamados "offsets") e às que revisam e avaliam os compromissos e ações.
Pizer criticou também a insistência de alguns países para que nações em desenvolvimento também assumam metas de redução de emissões de carbono, o que vem custando tempo de negociações em Bali.
"Por que não descobrimos simplesmente com o que eles aceitam se comprometer agora, e sobre o que eles vão poder ser responsabilizados dentro de alguns anos?", propõe o americano. "Não acho que nada que esteja sendo negociado aqui vá mudar fundamentalmente o que vamos conseguir em vários países nos próximos cinco anos."
Ele defende uma ação mais concentrada entre dez países que mais poluem no mundo, que poderiam manter acordos bilaterais e multilaterais para maximizar o impacto das ações internas.
Para Pizer, o importante é reconhecer que a mudança do clima atualmente "não dita as políticas dos governos", como deveria acontecer, porque é um entre vários assuntos importantes domesticamente.
"Só os governos nacionais podem equilibrar esses assuntos para descobrir o que se pode fazer. Negociar 8% abaixo dos níveis de 1990, 7% abaixo dos níveis de 1990... Não acho que isso seja utilizar bem o tempo."
Pizer defende que os governos assumam compromissos mais gerais, sem a necessidade de protocolos que estipulem metas obrigatórias fixas.
"Vamos simplesmente dizer que cada um vai fazer o melhor que puder - e voltamos a nos encontrar dentro de cinco anos para ver como as nossas políticas domésticas caminharam nessa direção."
Embora discorde sobre metas e estrutura, o especialista americano vê dois grandes méritos no Protocolo de Kyoto: o estabelecimento do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, o instrumento que possibilita a compra de créditos de carbono por países ricos conquistados por projetos "limpos" em países em desenvolvimento) e do mercado de carbono.
Pizer acredita que ambos devem ficar como legado de Kyoto para serem aplicados e explorados pelas políticas públicas nacionais.
Defensor de uma política "de baixo para cima" e não imposta por esferas superiores, o economista de Harvard diz que a ONU não tem o poder necessário para implementar políticas de clima urgentemente necessárias atualmente.
"Ninguém pode fazer a ONU ter mais poder além dos seus próprios países-membros. Ou seja, os países precisam estar suficientemente comprometidos internamente com a questão para conferir mais poder à entidade", diz Pizer.
Por isso, o estudioso afirma que o problema de falta de autoridade da ONU só poderia ser resolvido se os Estados Unidos fossem convencidos a dar mais soberania à instituição.
"Aí sim, poderíamos ter uma política eficiente implementada de cima para baixo. Mas isso não acontece hoje em dia."
Evolução humana acelerou nos últimos 10 mil anos
Os desenvolvimentos da genética vêm trazendo tantas novidades ao conhecimento do homem que é de tirar o fôlego. Às vezes as pesquisas descobrem apenas o quanto precisam ser feitas novas pesquisas para dar algumas respostas a novas perguntas.
A pesquisa abaixo sugere que a evolução do ser humano foi muito rápida nos últimos 10 mil anos, inclusive nos aspectos de diferenciação de características raciais. Sugere, inclusive, que tenha havido mudanças no cérebro, o que deixa uma brecha para os racistas de plantão.
É bom, como antropólogo e cidadão, acompanhar os resultados dessas pesquisas. Resultados parciais e sujeitos a novas indagações.
________________________________________________
Estudo descobre aceleração na evolução humana
Povos de continentes diferentes tornaram-se mais distintos nos últimos dois mil anos
Os seres humanos estão evoluindo a uma velocidade inédita, e isto significa que pessoas em continentes diferentes estão se tornando cada vez mais distintas, afirma um novo estudo publicado hoje no Proceedings of the National Academy of Sciences. Pesquisadores da Universidade de Utah descobriram que o ritmo da evolução sofreu uma aceleração nos últimos 40 mil anos, especialmente desde o final da era glacial, há 10 mil anos, diz a CBC. As raças humanas são muito diversas do que eram há mil ou dois mil anos atrás, de acordo com Henry Harpending, um professor de antropologia da universidade. Isto explicaria, em parte, o temperamento dos invasores vikings e seus pacíficos descendentes suecos. “O dogma sobre a mudança falava de flutuações culturais, mas qualquer traço de temperamento que se examina tem forte influência genética”, afirma ele. Foram estudadas 3.9 milhões de mutações de cromossomas em 270 pessoas de quatro populações: chineses, japoneses, iorubás da África e europeus do norte. Outro dado: uma mutação que permite que o corpo digira lactose ganhou força na Europa, enquanto a resistência à malária se espalhou pela África, relata The Globe and Mail. Entre os genes que sofreram mutações mais rápidas estão aqueles ligados ao desenvolvimento do cérebro, mas os pesquisadores não estão certos de porque isso ocorreu. Da mesma forma que não se sabe porque, há dez mil anos, não existiam pessoas de olhos azuis, conta o Los Angeles Times.
A pesquisa abaixo sugere que a evolução do ser humano foi muito rápida nos últimos 10 mil anos, inclusive nos aspectos de diferenciação de características raciais. Sugere, inclusive, que tenha havido mudanças no cérebro, o que deixa uma brecha para os racistas de plantão.
É bom, como antropólogo e cidadão, acompanhar os resultados dessas pesquisas. Resultados parciais e sujeitos a novas indagações.
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Estudo descobre aceleração na evolução humana
Povos de continentes diferentes tornaram-se mais distintos nos últimos dois mil anos
Os seres humanos estão evoluindo a uma velocidade inédita, e isto significa que pessoas em continentes diferentes estão se tornando cada vez mais distintas, afirma um novo estudo publicado hoje no Proceedings of the National Academy of Sciences. Pesquisadores da Universidade de Utah descobriram que o ritmo da evolução sofreu uma aceleração nos últimos 40 mil anos, especialmente desde o final da era glacial, há 10 mil anos, diz a CBC. As raças humanas são muito diversas do que eram há mil ou dois mil anos atrás, de acordo com Henry Harpending, um professor de antropologia da universidade. Isto explicaria, em parte, o temperamento dos invasores vikings e seus pacíficos descendentes suecos. “O dogma sobre a mudança falava de flutuações culturais, mas qualquer traço de temperamento que se examina tem forte influência genética”, afirma ele. Foram estudadas 3.9 milhões de mutações de cromossomas em 270 pessoas de quatro populações: chineses, japoneses, iorubás da África e europeus do norte. Outro dado: uma mutação que permite que o corpo digira lactose ganhou força na Europa, enquanto a resistência à malária se espalhou pela África, relata The Globe and Mail. Entre os genes que sofreram mutações mais rápidas estão aqueles ligados ao desenvolvimento do cérebro, mas os pesquisadores não estão certos de porque isso ocorreu. Da mesma forma que não se sabe porque, há dez mil anos, não existiam pessoas de olhos azuis, conta o Los Angeles Times.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Elo perdido entre hominídeos e pongidae é descoberto na África
A descoberta abaixo vai funcionar como o último elo a partir do qual se dispersaram as linhagens do homem (ainda como australopitecus) e dos pongidae (gorilas, chimpanzés e orangutangos).
Vale a pena conhecer a matéria.
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Fóssil de 10 milhões de anos encontrado no Quênia teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas
Primo distante é descoberto
Agência FAPESP
Uma nova página na história da evolução acaba de ser aberta com uma rara e importante descoberta feita no Quênia. Com idade estimada em 10 milhões de anos, uma mandíbula encontrada pode representar um novo tipo de primata.
Segundo os paleontólogos responsáveis pelo estudo do fóssil descoberto em depósitos vulcânicos na região de Nakali, a mandíbula, com 11 dentes, teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas.
A última vez que um fóssil humanóide com essa idade foi descoberto havia sido em 1982. Peças do período são tão raras que alguns cientistas propuseram que o último ancestral comum teria retornado da Europa ou da Ásia, mas o novo estudo indica que a espécie teria evoluído mesmo no continente africano.
A pesquisa foi feita por um grupo de pesquisadores do Japão, Quênia e França. Coordenada por Yutaka Kunimatsu, do Instituto de Pesquisa em Primatas da Universidade de Kyoto, terá resultados publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
“Estudos moleculares recentes sugerem que a divergência entre humanos e chimpanzés teria ocorrido entre 7 milhões e 5 milhões de anos atrás e a divergência com gorilas de 9 milhões a 8 milhões de anos. Conseqüentemente, o Mioceno Superior (de 11 milhões a 5 milhões de anos) é o período crucial para compreender as origens dos humanos e dos grandes primatas africanos, mas, infelizmente, os registros são extremamente pobres após 13 milhões de anos”, destacaram os autores.
A nova espécie, denominada Nakalipithecus nakayamai, reúne diversas semelhanças com o atual candidato a mais recente ancestral comum entre os grandes primatas, o Ouranopithecus macedoniensis, descoberto na Grécia.
Mas, de acordo com o estudo, alguns detalhes na dentição do N. nakayamai, que indicam uma dieta menos especializada do que do O. macedoniensis, colocam o fóssil agora analisado em um novo gênero.
O artigo A new Late Miocene great ape from Kenya and its implications for the origins of African great apes and humans, de Yutaka Kunimatsu e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em www.pnas.org.
Vale a pena conhecer a matéria.
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Fóssil de 10 milhões de anos encontrado no Quênia teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas
Primo distante é descoberto
Agência FAPESP
Uma nova página na história da evolução acaba de ser aberta com uma rara e importante descoberta feita no Quênia. Com idade estimada em 10 milhões de anos, uma mandíbula encontrada pode representar um novo tipo de primata.
Segundo os paleontólogos responsáveis pelo estudo do fóssil descoberto em depósitos vulcânicos na região de Nakali, a mandíbula, com 11 dentes, teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas.
A última vez que um fóssil humanóide com essa idade foi descoberto havia sido em 1982. Peças do período são tão raras que alguns cientistas propuseram que o último ancestral comum teria retornado da Europa ou da Ásia, mas o novo estudo indica que a espécie teria evoluído mesmo no continente africano.
A pesquisa foi feita por um grupo de pesquisadores do Japão, Quênia e França. Coordenada por Yutaka Kunimatsu, do Instituto de Pesquisa em Primatas da Universidade de Kyoto, terá resultados publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
“Estudos moleculares recentes sugerem que a divergência entre humanos e chimpanzés teria ocorrido entre 7 milhões e 5 milhões de anos atrás e a divergência com gorilas de 9 milhões a 8 milhões de anos. Conseqüentemente, o Mioceno Superior (de 11 milhões a 5 milhões de anos) é o período crucial para compreender as origens dos humanos e dos grandes primatas africanos, mas, infelizmente, os registros são extremamente pobres após 13 milhões de anos”, destacaram os autores.
A nova espécie, denominada Nakalipithecus nakayamai, reúne diversas semelhanças com o atual candidato a mais recente ancestral comum entre os grandes primatas, o Ouranopithecus macedoniensis, descoberto na Grécia.
Mas, de acordo com o estudo, alguns detalhes na dentição do N. nakayamai, que indicam uma dieta menos especializada do que do O. macedoniensis, colocam o fóssil agora analisado em um novo gênero.
O artigo A new Late Miocene great ape from Kenya and its implications for the origins of African great apes and humans, de Yutaka Kunimatsu e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em www.pnas.org.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Cientistas contra as Ongs ambientalistas
Finalmente uma luz no fim do túnel em relação à arrogância das Ongs ambientalistas. Mais de cem cientistas reunidos em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, fizeram uma avaliação da proposta das nove grandes Ongs para parar com o desmatamento da Amazônia e chegaram a conclusão que é uma proposta inaceitável e temerária.
Todos assinaram uma declaração contra a proposta das Ongs. É uma primeira reação à hegemonia das Ongs em dizerem o que querem em relação ao meio ambiente.
Lembrem-se que a proposta referida foi lançada com estardalhaço no Congresso Nacional, contando com o apoio de alguns deputados que fazem parte desse grupo. Das nove Ongs, seis eram estrangeiras e elas estão a cada dia mais manda-chuvas. A principal objeção dos cientistas era de que gastar 1 bilhão de reais pagando os fazendeiros para eles não desmatarem significa premiar por premiar. Eram as Ongs cumprimentando os fazendeiros com chapéu alheio, o do governo.
A declaração é uma reação saudável. Agora as Ongs vão correr atrás dos cientistas para eles recuarem ou dizerem que não estavam tão mal assim suas propostas.
__________________________________________________________________
Cientistas rejeitam proposta de ONGs para a Amazônia
Petrópolis - Cientistas criticaram ontem uma proposta de organizações não-governamentais para acabar com o desmatamento na Amazônia nos próximos sete anos. A iniciativa, apresentada no início de outubro com o nome 'Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento', tem como princípio o uso de recursos públicos (R$ 7 bilhões no total) para premiar financeiramente fazendeiros, Estados e comunidades que deixarem de desmatar. Na prática, dizem os pesquisadores, isso significaria pagar as pessoas para cumprirem a lei, além de não garantir a conservação da floresta.
"É uma proposta extremamente temerária", disse o economista Francisco de Assis Costa, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). "Vão dar dinheiro para quem sempre desmatou: fazendeiro, madeireiro, grileiro", ressaltou a diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ima Vieira. Ambos participaram ontem do seminário da Rede Temática de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amazônia (Rede Geoma), em Petrópolis (RJ). No encerramento do evento, os mais de cem pesquisadores presentes aprovaram uma carta de repúdio ao pacto da ONGs.
A idéia é valorizar a floresta em pé de forma a torná-la economicamente mais competitiva na comparação com a pecuária e a agricultura. A proposta das ONGs usa o conceito de pagamento por serviços ambientais que hoje são prestados "gratuitamente" pela floresta, como retenção de carbono e produção de chuvas. Assim, proprietários que deixassem de desmatar seriam pagos pela preservação dos serviços. O custo anual estimado é de R$ 1 bilhão. A proposta é assinada por nove grandes organizações: ISA, Greenpeace, Ipam, ICV, Conservação Internacional, TNC, Imazon, Amigos da Terra e WWF.
Para pesquisadores do Geoma, o mais lógico seria penalizar quem desmata ilegalmente, em vez de premiar aqueles que cumprem a lei. Para Ima Vieira, o pagamento por serviços ambientais só faria sentido em situação de legalidade. Não é o caso da Amazônia, onde quase todo o desmatamento é ilegal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
Todos assinaram uma declaração contra a proposta das Ongs. É uma primeira reação à hegemonia das Ongs em dizerem o que querem em relação ao meio ambiente.
Lembrem-se que a proposta referida foi lançada com estardalhaço no Congresso Nacional, contando com o apoio de alguns deputados que fazem parte desse grupo. Das nove Ongs, seis eram estrangeiras e elas estão a cada dia mais manda-chuvas. A principal objeção dos cientistas era de que gastar 1 bilhão de reais pagando os fazendeiros para eles não desmatarem significa premiar por premiar. Eram as Ongs cumprimentando os fazendeiros com chapéu alheio, o do governo.
A declaração é uma reação saudável. Agora as Ongs vão correr atrás dos cientistas para eles recuarem ou dizerem que não estavam tão mal assim suas propostas.
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Cientistas rejeitam proposta de ONGs para a Amazônia
Petrópolis - Cientistas criticaram ontem uma proposta de organizações não-governamentais para acabar com o desmatamento na Amazônia nos próximos sete anos. A iniciativa, apresentada no início de outubro com o nome 'Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento', tem como princípio o uso de recursos públicos (R$ 7 bilhões no total) para premiar financeiramente fazendeiros, Estados e comunidades que deixarem de desmatar. Na prática, dizem os pesquisadores, isso significaria pagar as pessoas para cumprirem a lei, além de não garantir a conservação da floresta.
"É uma proposta extremamente temerária", disse o economista Francisco de Assis Costa, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). "Vão dar dinheiro para quem sempre desmatou: fazendeiro, madeireiro, grileiro", ressaltou a diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, Ima Vieira. Ambos participaram ontem do seminário da Rede Temática de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amazônia (Rede Geoma), em Petrópolis (RJ). No encerramento do evento, os mais de cem pesquisadores presentes aprovaram uma carta de repúdio ao pacto da ONGs.
A idéia é valorizar a floresta em pé de forma a torná-la economicamente mais competitiva na comparação com a pecuária e a agricultura. A proposta das ONGs usa o conceito de pagamento por serviços ambientais que hoje são prestados "gratuitamente" pela floresta, como retenção de carbono e produção de chuvas. Assim, proprietários que deixassem de desmatar seriam pagos pela preservação dos serviços. O custo anual estimado é de R$ 1 bilhão. A proposta é assinada por nove grandes organizações: ISA, Greenpeace, Ipam, ICV, Conservação Internacional, TNC, Imazon, Amigos da Terra e WWF.
Para pesquisadores do Geoma, o mais lógico seria penalizar quem desmata ilegalmente, em vez de premiar aqueles que cumprem a lei. Para Ima Vieira, o pagamento por serviços ambientais só faria sentido em situação de legalidade. Não é o caso da Amazônia, onde quase todo o desmatamento é ilegal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Genética Pataxó é indígena!!!!
Para os que não queriam acreditar que os Pataxó eram índios verdadeiros, apesar de se vestirem de "bahianos", eis a prova conclusiva, pela genética.
É claro que, para nós antropólogos, não havia dúvidas de que os Pataxó são índios em sua integralidade. Viveramo como índios mesmo depois do desastre cultural e político que se lhes acometeu no século XIX e também no século XX. Aguentaram toda a onda assimilacionista, adaptaram-se a mudanças, perderam sua língua materna. Mas resistiram. E merecem nosso respeito e apoio.
Curioso é que a matéria diz que eles são próximos dos Kaiapó e Jê-Timbira do cerrado brasileiro. Se compararem com os Maxakali, vão ver que são da mesma família.
___________________________________________________
Eles podem usar roupas iguais às de outros brasileiros pobres e não falar mais a língua de seus ancestrais, mas os genes dos índios pataxós ainda são, em sua maioria, o de uma gente que pisou o chão da América dezenas de milhares de anos antes de Cabral. Essa é a principal conclusão de um estudo feito por geneticistas paulistas e baianos: a tribo pataxó, que ainda habita a região do Nordeste onde ocorreram os primeiros contatos entre europeus e índios brasileiros, continua a ter DNA majoritariamente indígena.
A nova pesquisa foi apresentada durante o 53. Congresso Brasileiro de Genética, que aconteceu nesta semana em Águas de Lindóia (SP). Uma equipe da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia analisou cerca de 180 indivíduos da etnia pataxó, distribuídos em seis aldeias da região sul baiana, perto de Porto Seguro. Os pesquisadores estudaram tanto a transmissão de genes pelo lado materno quanto pelo lado paterno dessa população, comparando-a com outros índios brasileiros e com pessoas de origem européia e africana.
Traçar o perfil genético dos pataxós não é só uma questão de curiosidade acadêmica. Aguinaldo Luis Simões, pesquisador da USP que orientou os trabalhos, explica que algumas pessoas chegaram a considerar que os membros da tribo não seriam mais indígenas, por causa dos traços de mistura cultural com a sociedade brasileira. O exemplo mais trágico desse tipo de avaliação é o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, em 1997. Ele pertencia a um grupo aparentado aos pataxós, os pataxós hãhãhães, e foi morto por adolescentes de Brasília que atearam fogo a seu corpo, achando que se tratasse de um mendigo.
Além disso, "é um grupo cuja história não está bem contada", afirma Simões. Sabe-se apenas que o grupo, junto com outras tribos do sul da Bahia, foi fortemente afetado pelos conflitos entre índios e portugueses nos primeiros séculos da colonização. Em meados do século 19, uma tentativa desastrada de juntar todos os índios da área numa aldeia "unificada", independente da etnia a que pertenciam, acelerou ainda mais o processo de descaracterização cultural que fez os pataxós esquecerem o próprio idioma que falavam originalmente.
Hipótese solapada
Apesar de tudo isso, a tribo conta hoje com cerca de 5.000 representantes em solo baiano. "Eles ficaram contentes ao saber que queríamos estudar a história deles. A nossa hipótese era de que eles seriam caracterizados por um alto grau de mistura interétnica [ou seja, da tribo indígena com outras etnias]", diz Simões.
Para testar a idéia, o grupo, que contava também com Sandra Bispo Souza, da Universidade Estadual do Oeste da Bahia, analisou uma série de "impressões digitais" genéticas. Além de alguns elementos específicos espalhados pelas partes mais comuns do genoma, eles também usaram o DNA mitocondrial. Presente nas mitocôndrias, as geradoras de energia das células, esse tipo de DNA só é passado de mãe para filho ou filha, sendo útil, portanto, para investigar a linhagem materna de alguém.
Para ver o outro lado da equação, os cientistas usaram também o cromossomo Y, a marca genética da masculinidade, que funciona exatamente como contraparte do DNA mitocondrial: só é transmitido de pai para filho homem.
Os resultados revelam um perfil genético não muito diferente de outros tribos do Brasil que estão em contato com os europeus há muito tempo. Em cinco das seis aldeias, cerca de 80% dos pataxós têm DNA tipicamente indígena. Já o DNA autossômico (o genoma "comum", sem ligação específica com os sexos), assim como o cromossomo Y, carregam assinatura indígena em mais de 50% dos indivíduos, mas há uma contribuição expressiva de material genético europeu ou africano.
"Vistos como um todo, os pataxós em sua maioria estão muito mais próximos dos exemplos indígenas do que dos europeus e africanos. Fica claro o altíssimo componente indígena", afirma Simões, para quem os resultados são favoráveis às reivindicações dos pataxós por direitos de nação nativa. O trabalho também pode ajudar a apontar uma origem para os pataxós dentro do território brasileiro: seus parentes mais próximos parecem ser tribos do Brasil Central, como os craôs e os caiapós.
É claro que, para nós antropólogos, não havia dúvidas de que os Pataxó são índios em sua integralidade. Viveramo como índios mesmo depois do desastre cultural e político que se lhes acometeu no século XIX e também no século XX. Aguentaram toda a onda assimilacionista, adaptaram-se a mudanças, perderam sua língua materna. Mas resistiram. E merecem nosso respeito e apoio.
Curioso é que a matéria diz que eles são próximos dos Kaiapó e Jê-Timbira do cerrado brasileiro. Se compararem com os Maxakali, vão ver que são da mesma família.
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Eles podem usar roupas iguais às de outros brasileiros pobres e não falar mais a língua de seus ancestrais, mas os genes dos índios pataxós ainda são, em sua maioria, o de uma gente que pisou o chão da América dezenas de milhares de anos antes de Cabral. Essa é a principal conclusão de um estudo feito por geneticistas paulistas e baianos: a tribo pataxó, que ainda habita a região do Nordeste onde ocorreram os primeiros contatos entre europeus e índios brasileiros, continua a ter DNA majoritariamente indígena.
A nova pesquisa foi apresentada durante o 53. Congresso Brasileiro de Genética, que aconteceu nesta semana em Águas de Lindóia (SP). Uma equipe da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia analisou cerca de 180 indivíduos da etnia pataxó, distribuídos em seis aldeias da região sul baiana, perto de Porto Seguro. Os pesquisadores estudaram tanto a transmissão de genes pelo lado materno quanto pelo lado paterno dessa população, comparando-a com outros índios brasileiros e com pessoas de origem européia e africana.
Traçar o perfil genético dos pataxós não é só uma questão de curiosidade acadêmica. Aguinaldo Luis Simões, pesquisador da USP que orientou os trabalhos, explica que algumas pessoas chegaram a considerar que os membros da tribo não seriam mais indígenas, por causa dos traços de mistura cultural com a sociedade brasileira. O exemplo mais trágico desse tipo de avaliação é o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, em 1997. Ele pertencia a um grupo aparentado aos pataxós, os pataxós hãhãhães, e foi morto por adolescentes de Brasília que atearam fogo a seu corpo, achando que se tratasse de um mendigo.
Além disso, "é um grupo cuja história não está bem contada", afirma Simões. Sabe-se apenas que o grupo, junto com outras tribos do sul da Bahia, foi fortemente afetado pelos conflitos entre índios e portugueses nos primeiros séculos da colonização. Em meados do século 19, uma tentativa desastrada de juntar todos os índios da área numa aldeia "unificada", independente da etnia a que pertenciam, acelerou ainda mais o processo de descaracterização cultural que fez os pataxós esquecerem o próprio idioma que falavam originalmente.
Hipótese solapada
Apesar de tudo isso, a tribo conta hoje com cerca de 5.000 representantes em solo baiano. "Eles ficaram contentes ao saber que queríamos estudar a história deles. A nossa hipótese era de que eles seriam caracterizados por um alto grau de mistura interétnica [ou seja, da tribo indígena com outras etnias]", diz Simões.
Para testar a idéia, o grupo, que contava também com Sandra Bispo Souza, da Universidade Estadual do Oeste da Bahia, analisou uma série de "impressões digitais" genéticas. Além de alguns elementos específicos espalhados pelas partes mais comuns do genoma, eles também usaram o DNA mitocondrial. Presente nas mitocôndrias, as geradoras de energia das células, esse tipo de DNA só é passado de mãe para filho ou filha, sendo útil, portanto, para investigar a linhagem materna de alguém.
Para ver o outro lado da equação, os cientistas usaram também o cromossomo Y, a marca genética da masculinidade, que funciona exatamente como contraparte do DNA mitocondrial: só é transmitido de pai para filho homem.
Os resultados revelam um perfil genético não muito diferente de outros tribos do Brasil que estão em contato com os europeus há muito tempo. Em cinco das seis aldeias, cerca de 80% dos pataxós têm DNA tipicamente indígena. Já o DNA autossômico (o genoma "comum", sem ligação específica com os sexos), assim como o cromossomo Y, carregam assinatura indígena em mais de 50% dos indivíduos, mas há uma contribuição expressiva de material genético europeu ou africano.
"Vistos como um todo, os pataxós em sua maioria estão muito mais próximos dos exemplos indígenas do que dos europeus e africanos. Fica claro o altíssimo componente indígena", afirma Simões, para quem os resultados são favoráveis às reivindicações dos pataxós por direitos de nação nativa. O trabalho também pode ajudar a apontar uma origem para os pataxós dentro do território brasileiro: seus parentes mais próximos parecem ser tribos do Brasil Central, como os craôs e os caiapós.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Em busca do Mapa Genético dos Índios Brasileiros
Está aí no panorama indígena o projeto do National Geographic junto com a Universidade Federal de Minas Gerais de fazer o mapa genético das populações indígenas brasileiras. Na verdade, o projeto é internacional e visa fazer o mapa genético de todas as populações mundiais. Assim, saberíamos com certeza como surgiram e de onde vieram as primeiras populações humanas e como se espalharam ou se expandiram pelo mundo inteiro.
Esse projeto vai ter defensores e críticos. Já está no CONEP (Conselho Nacional de Ética na Pesquisa) há dois ou três anos e não parece ter avançado muito. Os conselheiros teimam em boicotá-lo, ninguém sabe porquê. Será que acham que vai se contrabandear uma gota de saliva das pessoas?
Quando era presidente da Funai, recebi o cientista Pedro Paulo Vieira, da Universidade Federal do Amazonas, que é um dos coordenadores do projeto. Da minha parte, não tive objeções, mas o CONEP barrou.
Veja a repercussão das entrevistas de Pedro Paulo Vieira e Fabrício Santos, no site da BBC Brasil, com repercussão em diversos jornais.
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Projeto usa DNA para mapear expansão humana
Brasil poderá ser um dos centros para estudos com povos indígenas.
Carolina Glycerio - BBC
- Usar pesquisas de DNA para rastrear a história expansão humana. Esse é o objetivo do Projeto Genográfico da National Geographic: mapear as migrações pré-históricas humanas que saíram da África, dezenas de milhares de anos atrás, a partir do estudo do DNA de cem mil pessoas de populações indígenas.
Para o projeto, a sociedade científica montou dez centros ao redor do mundo, incluindo um em Belo Horizonte, Minas Gerais, sob a coordenação do biólogo e professor Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A participação brasileira, no entanto, ainda depende de uma aprovação da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), que está pendente desde 2005.
O centro brasileiro deverá servir de base para trabalhos em toda a América do Sul. "Este projeto pretende colocar em evidência os povos indígenas na história do Brasil e da América pré-colombiana, da qual temos pouquíssimos registros já que os indígenas não conheciam a escrita", afirmou Santos.
"Queremos contar a história da ocupação da América do Sul: como a gente chegou aqui e ocupou isso tudo", acrescentou Pedro Paulo Vieira, que trabalha com Santos no projeto como coordenador das atividades de campo.
Mas os pesquisadores ainda esperam a aprovação da Conep para dar início aos trabalhos de amostragem de indígenas no Brasil. Enquanto não sai a autorização, os pesquisadores darão início em breve à análise de amostras de DNA colhidas em outros países.
No Peru, por exemplo, o projeto já começou, com uma expedição de campo em julho, na qual já foi estabelecido o contato - e colhidas algumas amostras de DNA - de indígenas Quechua e Aimará.
Pedro Paulo Vieira diz que a aprovação é complexa porque tem de levar em conta "um histórico pregresso de falta de respeito no contato com esses povos", mas reconhece que estão no limite do prazo para concluir os trabalhos até 2010, quando termina o projeto.
Além do centro mineiro, haverá outros nove espalhados pelo planeta. O objetivo é que cada um deles processe de 5 mil a 10 mil amostras de DNA de indígenas de cada continente. Cerca de 30 mil pessoas já foram testadas e a idéia é chegar a 100 mil até 2010.No caso do Brasil, todo o contato com as lideranças indígenas será feito, se o projeto for aprovado, por intermédio da Funai (Fundação Nacional do Índio). Populações completamente isoladas - estima-se que haja 46 delas na Amazônia - não serão abordadas.O objetivo do diretor-geral do projeto, o americano Spencer Wells, é usar as informações sobre os antepassados dessas pessoas, que ficaram "gravadas" em seus DNAs, para reconstituir os movimentos humanos milhares de anos atrás.
A National Geographic chama as populações que terão seu DNA testado de "populações chave". Na definição da sociedade científica, são populações estáveis que vivem nas suas respectivas regiões geográficas e preservam a sua cultura há diversas gerações.
"Os indígenas brasileiros podem contar um pouco da história pré-colônia através de seus DNAs", exemplifica Santos.
Ele ressalta ainda que não se trata de um projeto "de geneticista para geneticista" e, sim, de um trabalho conjunto que envolve áreas como arqueologia e linguística e que pretende trazer respostas de como esse continente foi ocupado.
"Quando estudamos história do Brasil, pouco se fala da história dos indígenas antes da chegada dos europeus. É com ciências como a genética, arqueologia, linguística e antropologia que é possível resgatar a história dos povos indígenas e levá-las para conhecimento da sociedade, incluindo os próprios indígenas."
Entre outras perguntas que os pesquisadores pretendem responder estão como se deu a expansão dos Tupi no Brasil? É verdade que os vikings chegaram à América do Norte antes de Colombo? Os índios Botocudos são descendentes de Luzia, como foi batizado o esqueleto mais antigo encontrado nas Américas?
O biólogo Walter Neves, Professor Associado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP, explica que as teses atualmente vigentes usadas para explicar o que ele prefere chamar de "expansões humanas" - já que o termo migrações implicaria um destino conhecido, que não existia - são baseadas, sobretudo, em descobertas da arqueologia a da paleontologia.
Neves, que também é antropólogo e arqueólogo, explica que há um certo consenso na comunidade científica de que o homo sapiens surgiu na África por volta de 200 mil anos atrás e de lá "tentou sair" três vezes.
Na primeira, explica Neves, há 120 mil anos, o homem só conseguiu chegar até o Oriente Médio. A segunda expansão, 70 mil anos atrás, levou o homem até o litoral sul da Ásia, de onde ele foi para o Sudeste Asiático e para a Austrália. Na terceira, ocorrida entre 45 mil e 50 mil anos atrás, já provido de uma tecnologia mais avançada, o homem teria conseguido se expandir para todos os lados.
Segundo Neves, a genética pode não só pôr essas teses à prova como revelar mais detalhes sobre os primórdios da humanidade.
"Para ter uma compreensão mais detalhada das expansões humanas, mas sobretudo da última, que foi mais retumbante, precisamos necessariamente estudar a diversidade genética que existe hoje", afirmou Neves, responsável pelo estudo de "Luzia", o esqueleto humano mais antigo das Américas.
Além de testar as populações tradicionais, a National Geographic abriu ao público geral a possibilidade de participar do projeto como voluntário, comprando um "kit de genealogia" no site da entidade.
Cerca de 220 mil kits já foram vendidos. Os exames estão sendo feitos pelo Laboratório Family Tree DNA, que tem entre seus sócios o brasileiro radicado nos Estados Unidos Max Blankfeld. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Esse projeto vai ter defensores e críticos. Já está no CONEP (Conselho Nacional de Ética na Pesquisa) há dois ou três anos e não parece ter avançado muito. Os conselheiros teimam em boicotá-lo, ninguém sabe porquê. Será que acham que vai se contrabandear uma gota de saliva das pessoas?
Quando era presidente da Funai, recebi o cientista Pedro Paulo Vieira, da Universidade Federal do Amazonas, que é um dos coordenadores do projeto. Da minha parte, não tive objeções, mas o CONEP barrou.
Veja a repercussão das entrevistas de Pedro Paulo Vieira e Fabrício Santos, no site da BBC Brasil, com repercussão em diversos jornais.
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Projeto usa DNA para mapear expansão humana
Brasil poderá ser um dos centros para estudos com povos indígenas.
Carolina Glycerio - BBC
- Usar pesquisas de DNA para rastrear a história expansão humana. Esse é o objetivo do Projeto Genográfico da National Geographic: mapear as migrações pré-históricas humanas que saíram da África, dezenas de milhares de anos atrás, a partir do estudo do DNA de cem mil pessoas de populações indígenas.
Para o projeto, a sociedade científica montou dez centros ao redor do mundo, incluindo um em Belo Horizonte, Minas Gerais, sob a coordenação do biólogo e professor Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A participação brasileira, no entanto, ainda depende de uma aprovação da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), que está pendente desde 2005.
O centro brasileiro deverá servir de base para trabalhos em toda a América do Sul. "Este projeto pretende colocar em evidência os povos indígenas na história do Brasil e da América pré-colombiana, da qual temos pouquíssimos registros já que os indígenas não conheciam a escrita", afirmou Santos.
"Queremos contar a história da ocupação da América do Sul: como a gente chegou aqui e ocupou isso tudo", acrescentou Pedro Paulo Vieira, que trabalha com Santos no projeto como coordenador das atividades de campo.
Mas os pesquisadores ainda esperam a aprovação da Conep para dar início aos trabalhos de amostragem de indígenas no Brasil. Enquanto não sai a autorização, os pesquisadores darão início em breve à análise de amostras de DNA colhidas em outros países.
No Peru, por exemplo, o projeto já começou, com uma expedição de campo em julho, na qual já foi estabelecido o contato - e colhidas algumas amostras de DNA - de indígenas Quechua e Aimará.
Pedro Paulo Vieira diz que a aprovação é complexa porque tem de levar em conta "um histórico pregresso de falta de respeito no contato com esses povos", mas reconhece que estão no limite do prazo para concluir os trabalhos até 2010, quando termina o projeto.
Além do centro mineiro, haverá outros nove espalhados pelo planeta. O objetivo é que cada um deles processe de 5 mil a 10 mil amostras de DNA de indígenas de cada continente. Cerca de 30 mil pessoas já foram testadas e a idéia é chegar a 100 mil até 2010.No caso do Brasil, todo o contato com as lideranças indígenas será feito, se o projeto for aprovado, por intermédio da Funai (Fundação Nacional do Índio). Populações completamente isoladas - estima-se que haja 46 delas na Amazônia - não serão abordadas.O objetivo do diretor-geral do projeto, o americano Spencer Wells, é usar as informações sobre os antepassados dessas pessoas, que ficaram "gravadas" em seus DNAs, para reconstituir os movimentos humanos milhares de anos atrás.
A National Geographic chama as populações que terão seu DNA testado de "populações chave". Na definição da sociedade científica, são populações estáveis que vivem nas suas respectivas regiões geográficas e preservam a sua cultura há diversas gerações.
"Os indígenas brasileiros podem contar um pouco da história pré-colônia através de seus DNAs", exemplifica Santos.
Ele ressalta ainda que não se trata de um projeto "de geneticista para geneticista" e, sim, de um trabalho conjunto que envolve áreas como arqueologia e linguística e que pretende trazer respostas de como esse continente foi ocupado.
"Quando estudamos história do Brasil, pouco se fala da história dos indígenas antes da chegada dos europeus. É com ciências como a genética, arqueologia, linguística e antropologia que é possível resgatar a história dos povos indígenas e levá-las para conhecimento da sociedade, incluindo os próprios indígenas."
Entre outras perguntas que os pesquisadores pretendem responder estão como se deu a expansão dos Tupi no Brasil? É verdade que os vikings chegaram à América do Norte antes de Colombo? Os índios Botocudos são descendentes de Luzia, como foi batizado o esqueleto mais antigo encontrado nas Américas?
O biólogo Walter Neves, Professor Associado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP, explica que as teses atualmente vigentes usadas para explicar o que ele prefere chamar de "expansões humanas" - já que o termo migrações implicaria um destino conhecido, que não existia - são baseadas, sobretudo, em descobertas da arqueologia a da paleontologia.
Neves, que também é antropólogo e arqueólogo, explica que há um certo consenso na comunidade científica de que o homo sapiens surgiu na África por volta de 200 mil anos atrás e de lá "tentou sair" três vezes.
Na primeira, explica Neves, há 120 mil anos, o homem só conseguiu chegar até o Oriente Médio. A segunda expansão, 70 mil anos atrás, levou o homem até o litoral sul da Ásia, de onde ele foi para o Sudeste Asiático e para a Austrália. Na terceira, ocorrida entre 45 mil e 50 mil anos atrás, já provido de uma tecnologia mais avançada, o homem teria conseguido se expandir para todos os lados.
Segundo Neves, a genética pode não só pôr essas teses à prova como revelar mais detalhes sobre os primórdios da humanidade.
"Para ter uma compreensão mais detalhada das expansões humanas, mas sobretudo da última, que foi mais retumbante, precisamos necessariamente estudar a diversidade genética que existe hoje", afirmou Neves, responsável pelo estudo de "Luzia", o esqueleto humano mais antigo das Américas.
Além de testar as populações tradicionais, a National Geographic abriu ao público geral a possibilidade de participar do projeto como voluntário, comprando um "kit de genealogia" no site da entidade.
Cerca de 220 mil kits já foram vendidos. Os exames estão sendo feitos pelo Laboratório Family Tree DNA, que tem entre seus sócios o brasileiro radicado nos Estados Unidos Max Blankfeld. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Todos viemos da África
Matéria divulgada pela Fapesp e outros jornais de hoje demonstra cabalmente que o berço do Homo sapiens é mesmo a África. A principal argumentação deste artigo é de que há menos diversidade genética na medida em que os grupos humanos se afastam da África. Vide os asiáticos, os povos indígenas e os australianos.
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Mais africano do que nunca
Agência FAPESP – Estudando variações genéticas globais e medidas cranianas de diferentes regiões do mundo, pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Escola Médica Saga, no Japão, demonstraram que o Homo sapiens teve origem única: na África.
Os resultados da pesquisa, publicados na edição desta quinta-feira (19/7) da revista Nature, podem encerrar uma longa polêmica entre as teorias evolutivas antagônicas que tentam explicar a origem do homem moderno.
A teoria, conhecida como out of Africa (“saída da África”), defende que todos os habitantes do planeta descendem de um único grupo de Homo sapiens que teria deixado o continente africano há cerca de 2 mil gerações.
Por outro lado, a teoria multirregional, refutada pelo novo estudo, defende que diferentes populações de Homo sapiens teriam evoluído independentemente, em diversas regiões, a partir do Homo erectus, que deixou a África há 2 milhões de anos.
Os autores do artigo agora publicado afirmam que os resultados do estudo representam o golpe de misericórdia na teoria multirregional. Os pesquisadores estudaram a diversidade genética de populações humanas e mediram cerca de 4,6 mil crânios de coleções acadêmicas ao redor do mundo. A pesquisa mostrou que, à medida em que as populações se afastaram da África, houve uma perda da diversidade genética e das variações em atributos físicos.
Até agora, análises genéticas têm apoiado a teoria da origem única na África. Enquanto isso, mensurações anatômicas produziram resultados mistos. A nova pesquisa procurou cruzar os dois métodos. De acordo com o coordenador do grupo, Andrea Manica, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, um dos principais argumentos da teoria multirregional foi refutado quando se verificou que houve perda de diversidade genética nas populações à medida em que os humanos modernos se afastaram da África.
“Alguns cientistas haviam usado dados de medidas cranianas para argumentar que os humanos modernos se originaram em locais múltiplos do mundo. Nós combinamos dados genéticos com novas medidas de uma amostra mais ampla para mostrar definitivamente que os humanos modernos são originários de uma única área da África subsaariana”, disse Manica.
Segundo os pesquisadores, a redução da diversidade genética conforme as populações se afastavam da África foi resultado de “gargalos” ou de eventos que temporariamente reduziram as populações durante a migração.
As mensurações dos 4,6 mil crânios provenientes de 105 populações mostraram que as variações não apenas eram maiores entre as amostras do sudoeste africano como decresciam na mesma proporção dos dados genéticos, à medida em que se afastavam do continente.
Para garantir a validade da evidência de origem única, os cientistas usaram seus dados de modo a buscar origens não-africanas em humanos modernos. “Tentamos encontrar uma origem adicional não-africana, mas isso simplesmente não foi possível. Nossos achados confirmaram que os humanos vieram mesmo de uma única área da África subsaariana”, destacou Manica.
O artigo The effect of ancient population bottlenecks on human phenotypic variation, de Andrea Manica e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
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Mais africano do que nunca
Agência FAPESP – Estudando variações genéticas globais e medidas cranianas de diferentes regiões do mundo, pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Escola Médica Saga, no Japão, demonstraram que o Homo sapiens teve origem única: na África.
Os resultados da pesquisa, publicados na edição desta quinta-feira (19/7) da revista Nature, podem encerrar uma longa polêmica entre as teorias evolutivas antagônicas que tentam explicar a origem do homem moderno.
A teoria, conhecida como out of Africa (“saída da África”), defende que todos os habitantes do planeta descendem de um único grupo de Homo sapiens que teria deixado o continente africano há cerca de 2 mil gerações.
Por outro lado, a teoria multirregional, refutada pelo novo estudo, defende que diferentes populações de Homo sapiens teriam evoluído independentemente, em diversas regiões, a partir do Homo erectus, que deixou a África há 2 milhões de anos.
Os autores do artigo agora publicado afirmam que os resultados do estudo representam o golpe de misericórdia na teoria multirregional. Os pesquisadores estudaram a diversidade genética de populações humanas e mediram cerca de 4,6 mil crânios de coleções acadêmicas ao redor do mundo. A pesquisa mostrou que, à medida em que as populações se afastaram da África, houve uma perda da diversidade genética e das variações em atributos físicos.
Até agora, análises genéticas têm apoiado a teoria da origem única na África. Enquanto isso, mensurações anatômicas produziram resultados mistos. A nova pesquisa procurou cruzar os dois métodos. De acordo com o coordenador do grupo, Andrea Manica, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, um dos principais argumentos da teoria multirregional foi refutado quando se verificou que houve perda de diversidade genética nas populações à medida em que os humanos modernos se afastaram da África.
“Alguns cientistas haviam usado dados de medidas cranianas para argumentar que os humanos modernos se originaram em locais múltiplos do mundo. Nós combinamos dados genéticos com novas medidas de uma amostra mais ampla para mostrar definitivamente que os humanos modernos são originários de uma única área da África subsaariana”, disse Manica.
Segundo os pesquisadores, a redução da diversidade genética conforme as populações se afastavam da África foi resultado de “gargalos” ou de eventos que temporariamente reduziram as populações durante a migração.
As mensurações dos 4,6 mil crânios provenientes de 105 populações mostraram que as variações não apenas eram maiores entre as amostras do sudoeste africano como decresciam na mesma proporção dos dados genéticos, à medida em que se afastavam do continente.
Para garantir a validade da evidência de origem única, os cientistas usaram seus dados de modo a buscar origens não-africanas em humanos modernos. “Tentamos encontrar uma origem adicional não-africana, mas isso simplesmente não foi possível. Nossos achados confirmaram que os humanos vieram mesmo de uma única área da África subsaariana”, destacou Manica.
O artigo The effect of ancient population bottlenecks on human phenotypic variation, de Andrea Manica e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
domingo, 15 de julho de 2007
Cientista é contra outorga de terras para madeireiros.
O Jornal do Brasil de hoje traz três matérias sobre o tema da outorga de terras da União para madeireiros fazerem manejo florestal.
Esta aqui contém uma entrevista com o cientista petista Aziz Ab´Saber, que condena o projeto de privatizar a Amazônia. Seus argumentos são poderosos, mas não se contrapõem aos do presidente do Serviço Florestal Brasileiro, do MMA, que diz que regulamentar a retirada de madeira é melhor e mais seguro do que deixar os madeireiros ilegalmente fazerem o bacanal que vêm fazendo.
Quem dá mais crédito?
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"Existe terrorismo sobre florestas"
Leandro Mazzini
Brasília. Mal o governo anunciou o lançamento de um edital para licitação de florestas públicas à iniciativa privada, com o objetivo de evitar a devastação da mata amazônica, e já chovem críticas sobre o plano. A principal delas vem de um dos maiores defensores da região, que vê falhas na estratégia. Para Aziz Nacib Ab'Saber, 82 anos, um dos mais respeitáveis geólogos do mundo e estudioso da flora amazônica, o Ministério do Meio Ambiente está "politizado" e não tem consciência de suas ações.
- Existe, no momento, um terrorismo cultural que propala o fim das florestas - critica o especialista, professor da USP.
É notória a preocupação popular com o futuro do eco-sistema da região amazônica, lembra Ab'Saber. Mas há, segundo o professor, um estrondoso movimento político a fim de entregar ao poder privado o que é da União - e isso começa com as concessões. Ontem, o Jornal do Brasil publicou que o interesse do governo é oferecer a exploração sustentável a empresas brasileiras que tenham projetos consistentes para as áreas, mas Aziz vê com ressalvas a idéia da possível participação de bancos, fundos de investimentos e empreiteiras no processo.
- Já fui a Brasília para protestar contra essa idéia de que a concessão vai limitar a devastação - reforça o especialista.
O cadastro nacional do Meio Ambiente tem 1.391 florestas públicas registradas, em 825 cidades do país. O Plano Anual de Outorga Florestal (PAOF), divulgado semana passada, cadastrou 193 milhões de hectares de reservas, sendo 94% na região amazônica - 43 milhões de hectares passíveis de concessão. No edital de outubro serão oferecidos, a priori, 1 milhão de hectares. O desmatamento será feito em áreas pequenas, sem impacto ambiental.
- Sei como isso vai acontecer: primeiro fazem uma pequena clareira, e depois abrem espaço para as moto-serras. Parece que o pessoal do Meio Ambiente nunca assistiu a esse processo - critica Ab'Saber. - Sou totalmente contra. Se o governo não tiver condições de fazer, ele próprio, a defesa, vai deixar um rastro ruim pela sua História.
Ab'Saber não esconde uma insatisfação com a conduta da ministra Marina Silva à frente do ministério, tampouco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na questão ecológica.
- Quando o presidente disse que a Amazônia não era intocável, fiquei desesperado, porque foi uma frase capaz de liberar tudo o que fosse possível sobre exploração. As concessões, por menores que sejam, representam áreas imensas - alerta o geógrafo. - O governo tem que engendrar estratégias bem rápidas. O ministério está muito politizado. A Marina faz o que o Lula determinar.
De acordo com Tasso Azevedo, chefe do Serviço Florestal Brasileiro e responsável pelo PAOF, o governo trata com cuidado das concessões justamente para não repetir os erros de outros países, que erraram na fiscalização. Está nesse assunto, inclusive, a maior preocupação. Tasso explica que o ministério terá como acompanhar a exploração permitida nas concessões via satélite. Ab'Saber não acredita.
- Não há monitoramento por satélite capaz de ter essa fiscalização que divulgam. Os caminhões (que carregam a madeira) não vão aparecer nas telas. E como serão muitas concessões, não há pessoal para fiscalizar.
O especialista não se limita aos ataques. Estudioso da floresta amazônica e conhecedor dos problemas da região há mais de 40 anos, indica caminhos alternativos.
- A melhor forma é transformar em reserva o que hoje já sofre devastações. Em 20 anos, nas terras dos fazendeiros e madeireiros, tivemos áreas destruídas que equivalem a duas vezes o Estado de São Paulo.
Esta aqui contém uma entrevista com o cientista petista Aziz Ab´Saber, que condena o projeto de privatizar a Amazônia. Seus argumentos são poderosos, mas não se contrapõem aos do presidente do Serviço Florestal Brasileiro, do MMA, que diz que regulamentar a retirada de madeira é melhor e mais seguro do que deixar os madeireiros ilegalmente fazerem o bacanal que vêm fazendo.
Quem dá mais crédito?
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"Existe terrorismo sobre florestas"
Leandro Mazzini
Brasília. Mal o governo anunciou o lançamento de um edital para licitação de florestas públicas à iniciativa privada, com o objetivo de evitar a devastação da mata amazônica, e já chovem críticas sobre o plano. A principal delas vem de um dos maiores defensores da região, que vê falhas na estratégia. Para Aziz Nacib Ab'Saber, 82 anos, um dos mais respeitáveis geólogos do mundo e estudioso da flora amazônica, o Ministério do Meio Ambiente está "politizado" e não tem consciência de suas ações.
- Existe, no momento, um terrorismo cultural que propala o fim das florestas - critica o especialista, professor da USP.
É notória a preocupação popular com o futuro do eco-sistema da região amazônica, lembra Ab'Saber. Mas há, segundo o professor, um estrondoso movimento político a fim de entregar ao poder privado o que é da União - e isso começa com as concessões. Ontem, o Jornal do Brasil publicou que o interesse do governo é oferecer a exploração sustentável a empresas brasileiras que tenham projetos consistentes para as áreas, mas Aziz vê com ressalvas a idéia da possível participação de bancos, fundos de investimentos e empreiteiras no processo.
- Já fui a Brasília para protestar contra essa idéia de que a concessão vai limitar a devastação - reforça o especialista.
O cadastro nacional do Meio Ambiente tem 1.391 florestas públicas registradas, em 825 cidades do país. O Plano Anual de Outorga Florestal (PAOF), divulgado semana passada, cadastrou 193 milhões de hectares de reservas, sendo 94% na região amazônica - 43 milhões de hectares passíveis de concessão. No edital de outubro serão oferecidos, a priori, 1 milhão de hectares. O desmatamento será feito em áreas pequenas, sem impacto ambiental.
- Sei como isso vai acontecer: primeiro fazem uma pequena clareira, e depois abrem espaço para as moto-serras. Parece que o pessoal do Meio Ambiente nunca assistiu a esse processo - critica Ab'Saber. - Sou totalmente contra. Se o governo não tiver condições de fazer, ele próprio, a defesa, vai deixar um rastro ruim pela sua História.
Ab'Saber não esconde uma insatisfação com a conduta da ministra Marina Silva à frente do ministério, tampouco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na questão ecológica.
- Quando o presidente disse que a Amazônia não era intocável, fiquei desesperado, porque foi uma frase capaz de liberar tudo o que fosse possível sobre exploração. As concessões, por menores que sejam, representam áreas imensas - alerta o geógrafo. - O governo tem que engendrar estratégias bem rápidas. O ministério está muito politizado. A Marina faz o que o Lula determinar.
De acordo com Tasso Azevedo, chefe do Serviço Florestal Brasileiro e responsável pelo PAOF, o governo trata com cuidado das concessões justamente para não repetir os erros de outros países, que erraram na fiscalização. Está nesse assunto, inclusive, a maior preocupação. Tasso explica que o ministério terá como acompanhar a exploração permitida nas concessões via satélite. Ab'Saber não acredita.
- Não há monitoramento por satélite capaz de ter essa fiscalização que divulgam. Os caminhões (que carregam a madeira) não vão aparecer nas telas. E como serão muitas concessões, não há pessoal para fiscalizar.
O especialista não se limita aos ataques. Estudioso da floresta amazônica e conhecedor dos problemas da região há mais de 40 anos, indica caminhos alternativos.
- A melhor forma é transformar em reserva o que hoje já sofre devastações. Em 20 anos, nas terras dos fazendeiros e madeireiros, tivemos áreas destruídas que equivalem a duas vezes o Estado de São Paulo.
Cientistas decidiram licença de hidrelétricas no rio Madeira.
Vale a pena saber que, ao decidir sobre a licença das hidrelétricas no rio Madeira, o presidente Lula convocou alguns importantes cientistas para definir os impactos que poderiam acontecer com a construção dessas hidrelétricas e como remediá-los.
Essa matéria, do jornal Estado de São Paulo, esclarece isso. Parabéns ao Presidente.
Hoje sairam diversas matérias fazendo um balanço dos prós e contras das hidrelétricas, e das dificuldades que poderão ainda existir. Mas acho que a parada está ganha para o presidente Lula e para os que acham que aproveitar o potencial hidrelétrico da Amazônia é imprescindível para o crescimento do Brasil.
É interessante notar que a reclamação da Bolívia está sendo interpretada como um meio desse país impor ao Brasil a idéia de que essas hidrelétricas são binacionais. Esperto, o Morales, mas nem tanto.
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Grupo de notáveis discutiu projeto
A pedido de Lula, ministra Dilma Rousseff convocou cientistas para debater viabilidade das usinas no Rio Madeira
Agnaldo Brito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou um grupo de renomados cientistas brasileiros especializados em reservatórios, doenças tropicais e na região amazônica para demonstrar ao núcleo ambiental do governo que a concessão da licença prévia para as usinas de Jirau e Santo Antônio, no Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, era viável.
A reunião foi realizada no dia 25 de maio no Palácio do Planalto. Segundo uma fonte ouvida pelo Estado, o encontro foi fundamental para mostrar ao Ibama a sustentabilidade do projeto a partir de uma lista de exigências para a mudança do projeto original. A licença foi dada sob a imposição de 33 medidas para mitigar o impacto das obras.
Além do presidente e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (encarregada de organizar o encontro), participaram o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e técnicos do Ibama.
Entre os convocados pelo Planalto estavam o especialista em zootecnia Claudio Ângelo Agostinho; o técnico do Banco Mundial Sultam Alam; o membro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Ronaldo Barthem; o especialista em reservatórios José Galizia Tundisi; e o médico especialista em doenças tropicais (como a malária) Luiz Hildebrando Pereira Silva. Todos defenderam o projeto e apontaram as mudanças necessárias para torná-lo sustentável.
'Senti que, a partir daquela reunião, a situação começou a mudar', disse um participante do encontro. A decisão de trazer cientistas conseguiu reaproximar as duas frentes do governo: uma que considera o projeto estratégico do ponto de vista energético e de desenvolvimento da região amazônica e outra preocupada com o impacto ambiental de uma área muito sensível como é essa região.
'O que ficou claro depois do encontro foi que era possível licenciar o projeto, com alterações, e criar um sistema de gestão ambiental na região. Ficou mais caro, mas era o único jeito', disse o participante. A previsão é que o custo imposto pelas alterações indicadas pelos especialistas - e admitida pelo Ibama ao conceder a licença - elevem o valor do empreendimento em pelo menos 10%, ou cerca de R$ 2,8 bilhões. 'É muito dinheiro, sem dúvida. Mas é um valor que deve se pagar ao longo do tempo.'
Entre as mudanças incorporadas estão a gestão dos peixes (principalmente com a construção de uma escada para permitir o deslocamento dos chamados grandes bagres), monitoramento da água e dos sedimentos que correm pelo Rio Madeira e o alargamento da faixa de preservação permanente ao longo do reservatório, que passou de 100 metros para 500 metros nas margens.
Os especialistas sustentaram que o reservatório da Hidrelétrica de Jirau não provocará danos ambientais à Bolívia. O grupo orientou Lula a negociar com os bolivianos um sistema de monitoramento permanente na região e o desenvolvimento de um projeto binacional. Há uma plano boliviano e brasileiro para a construção de uma hidrelétrica na fronteira, nos moldes de Itaipu.
Essa matéria, do jornal Estado de São Paulo, esclarece isso. Parabéns ao Presidente.
Hoje sairam diversas matérias fazendo um balanço dos prós e contras das hidrelétricas, e das dificuldades que poderão ainda existir. Mas acho que a parada está ganha para o presidente Lula e para os que acham que aproveitar o potencial hidrelétrico da Amazônia é imprescindível para o crescimento do Brasil.
É interessante notar que a reclamação da Bolívia está sendo interpretada como um meio desse país impor ao Brasil a idéia de que essas hidrelétricas são binacionais. Esperto, o Morales, mas nem tanto.
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Grupo de notáveis discutiu projeto
A pedido de Lula, ministra Dilma Rousseff convocou cientistas para debater viabilidade das usinas no Rio Madeira
Agnaldo Brito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou um grupo de renomados cientistas brasileiros especializados em reservatórios, doenças tropicais e na região amazônica para demonstrar ao núcleo ambiental do governo que a concessão da licença prévia para as usinas de Jirau e Santo Antônio, no Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, era viável.
A reunião foi realizada no dia 25 de maio no Palácio do Planalto. Segundo uma fonte ouvida pelo Estado, o encontro foi fundamental para mostrar ao Ibama a sustentabilidade do projeto a partir de uma lista de exigências para a mudança do projeto original. A licença foi dada sob a imposição de 33 medidas para mitigar o impacto das obras.
Além do presidente e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (encarregada de organizar o encontro), participaram o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e técnicos do Ibama.
Entre os convocados pelo Planalto estavam o especialista em zootecnia Claudio Ângelo Agostinho; o técnico do Banco Mundial Sultam Alam; o membro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Ronaldo Barthem; o especialista em reservatórios José Galizia Tundisi; e o médico especialista em doenças tropicais (como a malária) Luiz Hildebrando Pereira Silva. Todos defenderam o projeto e apontaram as mudanças necessárias para torná-lo sustentável.
'Senti que, a partir daquela reunião, a situação começou a mudar', disse um participante do encontro. A decisão de trazer cientistas conseguiu reaproximar as duas frentes do governo: uma que considera o projeto estratégico do ponto de vista energético e de desenvolvimento da região amazônica e outra preocupada com o impacto ambiental de uma área muito sensível como é essa região.
'O que ficou claro depois do encontro foi que era possível licenciar o projeto, com alterações, e criar um sistema de gestão ambiental na região. Ficou mais caro, mas era o único jeito', disse o participante. A previsão é que o custo imposto pelas alterações indicadas pelos especialistas - e admitida pelo Ibama ao conceder a licença - elevem o valor do empreendimento em pelo menos 10%, ou cerca de R$ 2,8 bilhões. 'É muito dinheiro, sem dúvida. Mas é um valor que deve se pagar ao longo do tempo.'
Entre as mudanças incorporadas estão a gestão dos peixes (principalmente com a construção de uma escada para permitir o deslocamento dos chamados grandes bagres), monitoramento da água e dos sedimentos que correm pelo Rio Madeira e o alargamento da faixa de preservação permanente ao longo do reservatório, que passou de 100 metros para 500 metros nas margens.
Os especialistas sustentaram que o reservatório da Hidrelétrica de Jirau não provocará danos ambientais à Bolívia. O grupo orientou Lula a negociar com os bolivianos um sistema de monitoramento permanente na região e o desenvolvimento de um projeto binacional. Há uma plano boliviano e brasileiro para a construção de uma hidrelétrica na fronteira, nos moldes de Itaipu.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Índios divergem sobre papel da ciência
Interessante a discussão realizada na corrente reunião da SBPC entre dois líderes indígenas, um Yanomami e outro Baniwa.
Um é contra abrir o conhecimento de seu povo à ciência, o outro acha que pode haver um bom intercâmbio entre a ciência do branco e a ciência do índio.
Um é David Kopenawa, Yanomami, cujo povo já sofreu muito por causa de doenças trazidas pela sociedade brasileia e pela venezuelana, e vem radicalizando seu pensamento contrário à presença de brancos.
O outro é um jovem Baniwa, cuja organização, a Foirn, do alto rio Negro, tem muito contato com Ongs nacionais, como o ISA, e internacionais, que a financiam.
Fica para cada leitor apreciar as argumentações e tomar posição, se quiser.
_________________________________________________
Caminhos do saber tradicional
Por Thiago Romero, de Belém
Agência FAPESP – Ciência interessa às sociedades indígenas? A pergunta serviu de título para uma mesa-redonda na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém, em que foram apresentadas opiniões opostas de representantes de etnias da região amazônica.
“O conhecimento indígena não é coletivo e nem público, por isso deve ter regras claras para ser acessado”, defendeu André Fernando Baniwa, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), que destacou ser a favor do avanço do conhecimento tradicional por meio de parcerias com pesquisadores “brancos”, desde que regras de conduta sejam discutidas antes dos estudos.
“Antigamente, os pesquisadores nos faziam questionamentos e, inocentemente, falávamos o que não devíamos. Então, começamos a analisar os benefícios que as pesquisas poderiam trazer para nossas comunidades e também quais os caminhos possíveis de seus resultados na sociedade, para entender que essa aliança é importante”, disse.
A Foirn, associação civil sem fins lucrativos fundada em 1987, representa cerca de 750 aldeias com mais de 35 mil pessoas, nos municípios de Barcelos, Santa Isabel e São Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico.
Em parceria com o Instituto Socioambiental, a Foirn elaborou em 2000 uma série de regras de conduta para que os povos do rio Negro pudessem aprender a compartilhar experiências com cientistas, com procedimentos como, por exemplo, a exigência da justificativa, objetivos e procedimentos do estudo.
Segundo Baniwa, tais critérios foram estabelecidos para permitir a repartição dos benefícios das pesquisas de acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica e demais leis que regulamentam os trabalhos e metodologias científicas, além de garantir a publicação de artigos científicos em co-autoria de pesquisadores indígenas e não-indígenas.
“A atividade de pesquisa é importante para nossas comunidades e ajuda a valorizar as tradições culturais, auxiliando na gestão do território e em novas aplicações de saúde. Mas aprendemos a identificar o que é bom para nós e não mais aceitar tudo o que vem de fora das tribos”, afirmou Baniwa.
O pajé Davi Kopenawa Yanomami, da Comissão Pró-Yanomami (CCPY), apresentou um ponto de vista diferente: “Nosso criador é um só e deixou a ciência guardada debaixo da terra. Esse conhecimento, que é sagrado e por isso deve ser respeitado, não pode ser arrancado e nem destruído”.
Ele atribuiu boa parte das doenças que chegaram às aldeias ianomâmi nas últimas décadas aos “homens brancos” que ali estiveram. “Hoje, temos sérios problemas com malária, gripe e tuberculose que provavelmente foram transmitidas por missionários, garimpeiros e militares que freqüentaram nossas terras. Eu, como pajé, não posso mais permitir que isso aconteça”, disse.
“Muitos cientistas destruíram os recursos naturais de nossas terras sem nos pedir permissão. O pensamento do povo ianomâmi é diferente. Não estamos preocupados somente com nossos povos, mas com toda a população brasileira, que também precisa nos ajudar a preservar a Amazônia”, disse.
Os ianomâmis, conhecidos pela relevância em termos de proteção da biodiversidade amazônica, formam uma sociedade de caçadores-agricultores no norte da Amazônia, cujo território cobre aproximadamente 192 mil quilômetros quadrados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela. A população total é estimada em cerca de 26 mil indivíduos.
Um é contra abrir o conhecimento de seu povo à ciência, o outro acha que pode haver um bom intercâmbio entre a ciência do branco e a ciência do índio.
Um é David Kopenawa, Yanomami, cujo povo já sofreu muito por causa de doenças trazidas pela sociedade brasileia e pela venezuelana, e vem radicalizando seu pensamento contrário à presença de brancos.
O outro é um jovem Baniwa, cuja organização, a Foirn, do alto rio Negro, tem muito contato com Ongs nacionais, como o ISA, e internacionais, que a financiam.
Fica para cada leitor apreciar as argumentações e tomar posição, se quiser.
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Caminhos do saber tradicional
Por Thiago Romero, de Belém
Agência FAPESP – Ciência interessa às sociedades indígenas? A pergunta serviu de título para uma mesa-redonda na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém, em que foram apresentadas opiniões opostas de representantes de etnias da região amazônica.
“O conhecimento indígena não é coletivo e nem público, por isso deve ter regras claras para ser acessado”, defendeu André Fernando Baniwa, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), que destacou ser a favor do avanço do conhecimento tradicional por meio de parcerias com pesquisadores “brancos”, desde que regras de conduta sejam discutidas antes dos estudos.
“Antigamente, os pesquisadores nos faziam questionamentos e, inocentemente, falávamos o que não devíamos. Então, começamos a analisar os benefícios que as pesquisas poderiam trazer para nossas comunidades e também quais os caminhos possíveis de seus resultados na sociedade, para entender que essa aliança é importante”, disse.
A Foirn, associação civil sem fins lucrativos fundada em 1987, representa cerca de 750 aldeias com mais de 35 mil pessoas, nos municípios de Barcelos, Santa Isabel e São Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico.
Em parceria com o Instituto Socioambiental, a Foirn elaborou em 2000 uma série de regras de conduta para que os povos do rio Negro pudessem aprender a compartilhar experiências com cientistas, com procedimentos como, por exemplo, a exigência da justificativa, objetivos e procedimentos do estudo.
Segundo Baniwa, tais critérios foram estabelecidos para permitir a repartição dos benefícios das pesquisas de acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica e demais leis que regulamentam os trabalhos e metodologias científicas, além de garantir a publicação de artigos científicos em co-autoria de pesquisadores indígenas e não-indígenas.
“A atividade de pesquisa é importante para nossas comunidades e ajuda a valorizar as tradições culturais, auxiliando na gestão do território e em novas aplicações de saúde. Mas aprendemos a identificar o que é bom para nós e não mais aceitar tudo o que vem de fora das tribos”, afirmou Baniwa.
O pajé Davi Kopenawa Yanomami, da Comissão Pró-Yanomami (CCPY), apresentou um ponto de vista diferente: “Nosso criador é um só e deixou a ciência guardada debaixo da terra. Esse conhecimento, que é sagrado e por isso deve ser respeitado, não pode ser arrancado e nem destruído”.
Ele atribuiu boa parte das doenças que chegaram às aldeias ianomâmi nas últimas décadas aos “homens brancos” que ali estiveram. “Hoje, temos sérios problemas com malária, gripe e tuberculose que provavelmente foram transmitidas por missionários, garimpeiros e militares que freqüentaram nossas terras. Eu, como pajé, não posso mais permitir que isso aconteça”, disse.
“Muitos cientistas destruíram os recursos naturais de nossas terras sem nos pedir permissão. O pensamento do povo ianomâmi é diferente. Não estamos preocupados somente com nossos povos, mas com toda a população brasileira, que também precisa nos ajudar a preservar a Amazônia”, disse.
Os ianomâmis, conhecidos pela relevância em termos de proteção da biodiversidade amazônica, formam uma sociedade de caçadores-agricultores no norte da Amazônia, cujo território cobre aproximadamente 192 mil quilômetros quadrados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela. A população total é estimada em cerca de 26 mil indivíduos.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Jornalista paraense quer Amazônia na ciência
Vejam o que diz o grande jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto sobre as agruras da Amazônia, por ocasião da reunião da SBPC.
Sua visão é ambiciosa, quer que a Amazônia vire um celeiro de produção científica e aplicação tecnológica moderna para obter sua nova vocação no mundo da hecatombe ambiental.
Lúcio Flávio tem sido um crítico ácido e corajoso de quantos planos mirabolantes já houve para a Amazônia. Tem sido um dos maiores inimigos das estradas que cortam esse território. Quer a volta da via de acesso pelos rios.
Respeitêmo-lo!
_____________________________________________
Chance histórica
Por Fábio de Castro, de Belém
Agência FAPESP – Para impedir os progressos da devastação ambiental e encontrar sua identidade a Amazônia precisa de cientistas pesquisando na região. A afirmação é do jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Pinto, professor aposentado da Universidade Federal do Pará (UFPA), na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Belém.
Visto como um dos principais conhecedores das questões relativas a meio ambiente e conflitos de terra na Amazônia, Pinto, que recebeu uma homenagem especial da SBPC na reunião deste ano, apresentou nesta terça-feira (10/7) a palestra “Qual é o lugar da Amazônia no século 21?”.
“A Amazônia nunca encontrou sua vocação. Ela já foi usada por seringueiros, madeireiros, mineiros, grileiros e fazendeiros. O resultado é que a região nunca saiu de sua dependência. O pioneirismo que nos resta é a ciência. Se a Amazônia abrigar pólos científicos poderá, finalmente, aproveitar uma oportunidade histórica de adquirir uma identidade”, disse.
Para Pinto, no entanto, não basta trazer cientistas para estudar a região com um olhar externo. “Nós não conhecemos a Amazônia, mas ela muda rapidamente e seus problemas exigem respostas rápidas, que a pesquisa científica não consegue acompanhar por não ser feita localmente. Precisamos transformar a Amazônia em uma Antártica, em termos de foco de pesquisa científica. Mas a região não precisa da ciência pronta, ela precisa de ciência feita aqui, ou continuará à margem”, afirmou.
De acordo com o jornalista, que recebeu quatro prêmios Esso e edita há 14 anos o Jornal Pessoal, a região tem especificidades que não permitem seu estudo a partir de teorias gerais. “O que a história nos ensina é que perdemos todas as oportunidades para iniciar uma trajetória regional independente. Desde o início o problema esteve na incorporação da Amazônia ao território nacional.”
A dificuldade de incorporação da Amazônia aconteceu e continua acontecendo, de acordo com Pinto, porque nunca houve um propósito específico para a região. A Amazônia sempre foi impenetrável, em termos de conhecimento, tanto para grupos internacionais como para o governo federal. Nos dois casos, os interesses eram provenientes sempre de expectativas genéricas de quem não sabia muito sobre a região. “Nós aceitamos isso porque também não sabemos o que somos. Falta ciência produzida localmente para descobrirmos nossa identidade”, disse.
Quando se tinha um projeto que vinha de fora, de acordo com Pinto, a reação brasileira era contrária por puro nacionalismo, embora também não se oferecessem alternativas melhores. Um exemplo, segundo ele, foi o caso do projeto elaborado em 1967 por Hermann Kahn, do Instituto Hudson, de Nova York, a serviço do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Previa-se barrar o rio Amazonas, na altura de Óbidos, para construir uma hidrelétrica.
“Havia o argumento de que o projeto iria desenvolver a região, mas sabia-se também que havia intenção de facilitar o acesso às terras altas em que se encontravam os minérios e a floresta. O projeto foi mal interpretado e divulgou-se que havia um perigo iminente de os estrangeiros tomarem conta da Amazônia. A alternativa a isso, escolhida pelo governo federal, foi a construção das estradas. Nada foi tão traumático na história da Amazônia”, destacou.
Segundo o jornalista, em uma região que foi uma civilização fluvial durante toda sua história, o processo de construção de rodovias teve como resultado a maior destruição florestal de todos os tempos. “Tudo por medo do ‘perigo iminente’ estrangeiro. Essa argumentação se repete até hoje. E a reação nacional – sem o auxílio da ciência – sempre foi pior do que a suposta ameaça estrangeira.”
O jornalista propõe um novo zoneamento com foco na ciência, trazendo pesquisadores – da graduação até os mais altos níveis – para estudar não nas capitais, mas no interior. “São Félix do Xingu é o maior produtor de gado do Pará, o que é um monumento à irracionalidade. Lugares como esse deveriam ser pólos científicos, mas é preciso que o cientista venha e fique e não que diga o que fazer e vá embora – esse é o problema do extensionista”, destacou.
Para tal projeto, de acordo com Pinto, seria preciso apoio governamental, de modo que o cientista pudesse ter bons recursos financeiros para se instalar na região. “O zoneamento tem que trazer cientistas, não fazendeiros. Se o fazendeiro quiser vir, que venha com recursos privados. Não se trata de ciência para aprender e ensinar, mas para criar e fazer”, disse.
Sua visão é ambiciosa, quer que a Amazônia vire um celeiro de produção científica e aplicação tecnológica moderna para obter sua nova vocação no mundo da hecatombe ambiental.
Lúcio Flávio tem sido um crítico ácido e corajoso de quantos planos mirabolantes já houve para a Amazônia. Tem sido um dos maiores inimigos das estradas que cortam esse território. Quer a volta da via de acesso pelos rios.
Respeitêmo-lo!
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Chance histórica
Por Fábio de Castro, de Belém
Agência FAPESP – Para impedir os progressos da devastação ambiental e encontrar sua identidade a Amazônia precisa de cientistas pesquisando na região. A afirmação é do jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Pinto, professor aposentado da Universidade Federal do Pará (UFPA), na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Belém.
Visto como um dos principais conhecedores das questões relativas a meio ambiente e conflitos de terra na Amazônia, Pinto, que recebeu uma homenagem especial da SBPC na reunião deste ano, apresentou nesta terça-feira (10/7) a palestra “Qual é o lugar da Amazônia no século 21?”.
“A Amazônia nunca encontrou sua vocação. Ela já foi usada por seringueiros, madeireiros, mineiros, grileiros e fazendeiros. O resultado é que a região nunca saiu de sua dependência. O pioneirismo que nos resta é a ciência. Se a Amazônia abrigar pólos científicos poderá, finalmente, aproveitar uma oportunidade histórica de adquirir uma identidade”, disse.
Para Pinto, no entanto, não basta trazer cientistas para estudar a região com um olhar externo. “Nós não conhecemos a Amazônia, mas ela muda rapidamente e seus problemas exigem respostas rápidas, que a pesquisa científica não consegue acompanhar por não ser feita localmente. Precisamos transformar a Amazônia em uma Antártica, em termos de foco de pesquisa científica. Mas a região não precisa da ciência pronta, ela precisa de ciência feita aqui, ou continuará à margem”, afirmou.
De acordo com o jornalista, que recebeu quatro prêmios Esso e edita há 14 anos o Jornal Pessoal, a região tem especificidades que não permitem seu estudo a partir de teorias gerais. “O que a história nos ensina é que perdemos todas as oportunidades para iniciar uma trajetória regional independente. Desde o início o problema esteve na incorporação da Amazônia ao território nacional.”
A dificuldade de incorporação da Amazônia aconteceu e continua acontecendo, de acordo com Pinto, porque nunca houve um propósito específico para a região. A Amazônia sempre foi impenetrável, em termos de conhecimento, tanto para grupos internacionais como para o governo federal. Nos dois casos, os interesses eram provenientes sempre de expectativas genéricas de quem não sabia muito sobre a região. “Nós aceitamos isso porque também não sabemos o que somos. Falta ciência produzida localmente para descobrirmos nossa identidade”, disse.
Quando se tinha um projeto que vinha de fora, de acordo com Pinto, a reação brasileira era contrária por puro nacionalismo, embora também não se oferecessem alternativas melhores. Um exemplo, segundo ele, foi o caso do projeto elaborado em 1967 por Hermann Kahn, do Instituto Hudson, de Nova York, a serviço do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Previa-se barrar o rio Amazonas, na altura de Óbidos, para construir uma hidrelétrica.
“Havia o argumento de que o projeto iria desenvolver a região, mas sabia-se também que havia intenção de facilitar o acesso às terras altas em que se encontravam os minérios e a floresta. O projeto foi mal interpretado e divulgou-se que havia um perigo iminente de os estrangeiros tomarem conta da Amazônia. A alternativa a isso, escolhida pelo governo federal, foi a construção das estradas. Nada foi tão traumático na história da Amazônia”, destacou.
Segundo o jornalista, em uma região que foi uma civilização fluvial durante toda sua história, o processo de construção de rodovias teve como resultado a maior destruição florestal de todos os tempos. “Tudo por medo do ‘perigo iminente’ estrangeiro. Essa argumentação se repete até hoje. E a reação nacional – sem o auxílio da ciência – sempre foi pior do que a suposta ameaça estrangeira.”
O jornalista propõe um novo zoneamento com foco na ciência, trazendo pesquisadores – da graduação até os mais altos níveis – para estudar não nas capitais, mas no interior. “São Félix do Xingu é o maior produtor de gado do Pará, o que é um monumento à irracionalidade. Lugares como esse deveriam ser pólos científicos, mas é preciso que o cientista venha e fique e não que diga o que fazer e vá embora – esse é o problema do extensionista”, destacou.
Para tal projeto, de acordo com Pinto, seria preciso apoio governamental, de modo que o cientista pudesse ter bons recursos financeiros para se instalar na região. “O zoneamento tem que trazer cientistas, não fazendeiros. Se o fazendeiro quiser vir, que venha com recursos privados. Não se trata de ciência para aprender e ensinar, mas para criar e fazer”, disse.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
As abelhas estão sumindo
Eis uma notícia ruim de se dar, mas que todos têm que saber. Os cientistas estão preocupados com as informações vindas do mundo rural de que as abelhas melíferas estão sumindo, desparecendo.
A matéria vem do jornal Estado de São Paulo e repercute matérias dos Estados Unidos e Europa. No Brasil também as abelhas de colmeias domésticas estão diminuindo. Será que as nossas abelhas nativas também estão sumindo?
Vamos perguntar aos índios.
________________________________________________________
Sumiço de abelhas no mundo intriga cientistas
Sem fazer alarde nem deixar pistas, abelhas de diversas regiões do planeta estão desaparecendo. Elas saem em busca de néctar e pólen e não retornam mais às suas colméias. Esse misterioso sumiço tem sido notado, nos últimos anos, nos Estados Unidos, no Canadá, em países da Europa e até no Brasil.
O problema é grave. Em termos ambientais, as abelhas são importantes polinizadores naturais. Ao levar o pólen de uma flor a outra, elas induzem a formação de frutos e sementes. Ou seja, são protagonistas na reprodução das plantas.
Em termos econômicos, esses insetos são os mais tarimbados produtores de mel na natureza. Além disso, são cada vez mais empregados na agricultura, polinizando lavouras de abacate, maçã, laranja, amêndoa e cenoura, por exemplo.
O sumiço das abelhas veio à tona no ano passado, nos EUA e no Canadá. No último outono do Hemisfério Norte, criadores que alugam enxames para agricultores se assustaram com um desaparecimento acima da média. Em poucos meses, o problema dizimou abelhas em metade dos 50 Estados americanos e em três províncias canadenses. Apicultores chegaram a perder 90% de suas colméias.
Para uma melhor dimensão do estrago, o biólogo americano Edward O. Wilson amplia o mundo dos insetos à escala humana. “De certa maneira, é o Katrina da entomologia”, comparou ele, que é professor da Universidade Harvard, ao jornal Washington Post, citando o furacão que há dois anos matou pelo menos 1,5 mil pessoas nos EUA.
Os americanos batizaram o esvaziamento das colméias de desordem do colapso das colônias (CCD, na sigla em inglês). As razões da alta mortalidade, porém, continuam desconhecidas. Os cientistas estão correndo atrás de uma resposta, mas ainda não conseguiram passar das hipóteses. Talvez seja a intoxicação por inseticidas - cada vez mais usados na agricultura -, talvez a infecção por vírus e ácaros. Diante do mistério, não se descarta nem mesmo a radiação dos telefones celulares.
“Quando uma abelha melífera encontra algo interessante, o grupo inteiro vai junto. É por isso que é tão vulnerável, mais que uma abelha nativa”, explica o biólogo americano David De Jong, doutor em entomologia pela Universidade Cornell e professor de genética na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.
Uma das dificuldades para apontar a origem da CCD é o fato de as abelhas sem vida serem encontradas dispersas, bem longe das colméias.
Abelhas no Senado
Nos EUA, o mundo dos insetos foi alçado a assunto de política pública. Em abril, o FDA (a agência responsável pelo controle de remédios e alimentos) realizou um congresso em Washington para discutir o tema. De Jong foi convidado para expor a situação brasileira.
Até a senadora Hillary Clinton, aspirante à presidência, vestiu a camisa dos apicultores. “Precisamos tomar as ações necessárias para ajudar nossos produtores de mel e agricultores e evitar que a situação fique pior”, disse ela, que propôs mais verbas para investigações.
A preocupação governamental não é à toa. Por ano, a agricultura que depende da polinização das abelhas - são mais de 90 tipos de alimento - injeta na economia americana a considerável cifra de US$ 14 bilhões (cerca de R$ 26,8 bilhões) por ano.
Os cientistas, porém, não acreditam que o sumiço possa levar à extinção. As abelhas já voavam muito antes do aparecimento do homem. O fóssil mais antigo desse inseto tem 100 milhões de anos. O homem moderno surgiu há cerca de 100 mil anos.
A matéria vem do jornal Estado de São Paulo e repercute matérias dos Estados Unidos e Europa. No Brasil também as abelhas de colmeias domésticas estão diminuindo. Será que as nossas abelhas nativas também estão sumindo?
Vamos perguntar aos índios.
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Sumiço de abelhas no mundo intriga cientistas
Sem fazer alarde nem deixar pistas, abelhas de diversas regiões do planeta estão desaparecendo. Elas saem em busca de néctar e pólen e não retornam mais às suas colméias. Esse misterioso sumiço tem sido notado, nos últimos anos, nos Estados Unidos, no Canadá, em países da Europa e até no Brasil.
O problema é grave. Em termos ambientais, as abelhas são importantes polinizadores naturais. Ao levar o pólen de uma flor a outra, elas induzem a formação de frutos e sementes. Ou seja, são protagonistas na reprodução das plantas.
Em termos econômicos, esses insetos são os mais tarimbados produtores de mel na natureza. Além disso, são cada vez mais empregados na agricultura, polinizando lavouras de abacate, maçã, laranja, amêndoa e cenoura, por exemplo.
O sumiço das abelhas veio à tona no ano passado, nos EUA e no Canadá. No último outono do Hemisfério Norte, criadores que alugam enxames para agricultores se assustaram com um desaparecimento acima da média. Em poucos meses, o problema dizimou abelhas em metade dos 50 Estados americanos e em três províncias canadenses. Apicultores chegaram a perder 90% de suas colméias.
Para uma melhor dimensão do estrago, o biólogo americano Edward O. Wilson amplia o mundo dos insetos à escala humana. “De certa maneira, é o Katrina da entomologia”, comparou ele, que é professor da Universidade Harvard, ao jornal Washington Post, citando o furacão que há dois anos matou pelo menos 1,5 mil pessoas nos EUA.
Os americanos batizaram o esvaziamento das colméias de desordem do colapso das colônias (CCD, na sigla em inglês). As razões da alta mortalidade, porém, continuam desconhecidas. Os cientistas estão correndo atrás de uma resposta, mas ainda não conseguiram passar das hipóteses. Talvez seja a intoxicação por inseticidas - cada vez mais usados na agricultura -, talvez a infecção por vírus e ácaros. Diante do mistério, não se descarta nem mesmo a radiação dos telefones celulares.
“Quando uma abelha melífera encontra algo interessante, o grupo inteiro vai junto. É por isso que é tão vulnerável, mais que uma abelha nativa”, explica o biólogo americano David De Jong, doutor em entomologia pela Universidade Cornell e professor de genética na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.
Uma das dificuldades para apontar a origem da CCD é o fato de as abelhas sem vida serem encontradas dispersas, bem longe das colméias.
Abelhas no Senado
Nos EUA, o mundo dos insetos foi alçado a assunto de política pública. Em abril, o FDA (a agência responsável pelo controle de remédios e alimentos) realizou um congresso em Washington para discutir o tema. De Jong foi convidado para expor a situação brasileira.
Até a senadora Hillary Clinton, aspirante à presidência, vestiu a camisa dos apicultores. “Precisamos tomar as ações necessárias para ajudar nossos produtores de mel e agricultores e evitar que a situação fique pior”, disse ela, que propôs mais verbas para investigações.
A preocupação governamental não é à toa. Por ano, a agricultura que depende da polinização das abelhas - são mais de 90 tipos de alimento - injeta na economia americana a considerável cifra de US$ 14 bilhões (cerca de R$ 26,8 bilhões) por ano.
Os cientistas, porém, não acreditam que o sumiço possa levar à extinção. As abelhas já voavam muito antes do aparecimento do homem. O fóssil mais antigo desse inseto tem 100 milhões de anos. O homem moderno surgiu há cerca de 100 mil anos.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Abóbora vem do Peru. E abobrinhas?
Começamos a semana com uma notícia, vinda da Folha Online, muito interessante sobre o processo de domesticação das plantas nas Américas. Precisamente no Peru, a domesticação da abóbora.
No correr da matéria diversas informações e análises mostram o quão antigo foi o processo de domesticação de plantas por nosso continente.
A nova técnica usada para reconhecer a qual planta pertence tal semente, ou resto de semente, é verificar seu amido, ou seu carbohidrato. Cada qual é cada qual.
Vale a pena ler.
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Estudo mostra que abóbora era cultivada no Peru há quase 10 mil anos
O tomate que faz a fama da culinária italiana é mexicano da gema. O milho, que forma a base da dieta da zona rural da África, também. O amendoim, consumido às toneladas na China, vem do cerrado de Mato Grosso.
A páprica, tão estimada por húngaros e alemães, bem como a pimenta vermelha que torna a cozinha tailandesa famosa no mundo todo, surgiram na Bolívia. Isso para não falar na batata-doce, provavelmente brasileira, sem a qual hoje não se vive na distante Nova Guiné.
A colonização européia, a partir do século 16, espalhou pelo globo uma miríade de plantas domesticadas no continente americano. Mas, ao que tudo indica, o cardápio agrícola dos índios tem sua idade contada em milênios, não em séculos. Ao longo dos últimos anos, um número cada vez maior de evidências científicas tem apontado para origens antigas da agricultura nas Américas.
A mais recente delas, publicada na última sexta-feira (29) na revista "Science", dá conta de que assentamentos agrícolas já estavam a todo vapor nos Andes peruanos há pelo menos 9.240 anos, cultivando abóbora (Cucurbita moschata). O amendoim (Arachis sp.) e o algodão (Gossypium barbadense) estavam presentes pelo menos no norte do Peru há 7.600 e há 5.500 anos, respectivamente.
Como nenhuma dessas plantas tem seu centro de origem naquele local, os arqueólogos supõem que elas tenham sido domesticadas muito antes.
Vestígios fósseis dessas plantas foram escavados em restos de casas pré-colombianas pela equipe do arqueólogo americano Tom Dillehay, da Universidade Vanderbilt.
Se Dillehay e seus colegas estiverem certos, o cultivo de plantas teria começado no Novo Mundo assim que terminou a Era do Gelo -ao mesmo tempo em que tribos do Oriente Médio começaram a cultivar trigo e cevada, naquilo que se pensava ter sido o início da agricultura no mundo.
Como tudo o mais que se refere à pré-história americana, em especial sul-americana, a narrativa tradicional construída pelos cientistas sobre a domesticação de plantas pelos índios era baseada em registros escassos -e precisa ser revista.
A agricultura, que possibilitou um aumento populacional e uma centralização política que viria a culminar nos impérios inca e asteca e em sociedades avançadas como a mochica, a maia e a olmeca, tem sido tradicionalmente associada à cerâmica. Essa tecnologia, por sua vez, não tem registros superiores a 5.000 anos nos Andes.
A data recente não chega a surpreender: afinal, até pouco tempo atrás, a arqueologia tradicional também não aceitava que a chegada do homem ao continente tivesse mais de 11.500 anos --isso na América do Norte, a porta de entrada das populações que vieram da Ásia. O próprio Dillehay foi um dos que mais contribuíram para a quebra desse paradigma, ao escavar e datar em 12 mil anos um sítio no sul do Chile.
A história gastronômica americana começou a mudar em duas ocasiões: primeiro nos anos 1980, quando pesquisas na Amazônia encontraram cerâmicas de 8.000 anos. Se havia humanos fazendo potes de barro, é porque provavelmente havia plantas sendo cultivadas na vizinhança -afinal, uma atividade tão trabalhosa quanto a cerâmica requer algum grau de sedentarismo.
O segundo momento foi em meados dos anos 1990, quando começaram a pipocar vestígios de agricultura bem anteriores à própria cerâmica. O primeiro foram sementes de abobrinha (Cucurbita pepo) descobertas pelo arqueólogo Bruce Smith numa caverna em Oaxaca, México, e datadas em 10 mil anos.
Depois disso, Dolores Piperno, do Instituto Smithsonian (EUA), encontrou pedras de moinho no Panamá com vestígios de mandioca, araruta e milho de 7.800 anos. E abóbora no Equador há 10.000 anos.
Amido amigo - O trabalho de Piperno abriu uma nova perspectiva para os arqueólogos, graças a uma técnica usada por ela para contornar a limitação do registro material nos trópicos úmidos: a análise de grãos de amido microscópicos. Cada espécie de planta tem um formato diferente de grãos de amido, como numa impressão digital. Os botânicos já se aproveitavam disso havia muito para identificar plantas, mas a arqueologia acordou tarde para a aplicação dessa análise.
Desde então, a identificação de grãos de amido já foi usada para recuar o início do cultivo da pimenta (6.100 anos atrás, no Equador) e vem sendo aplicada na identificação de amostras de milho na Amazônia central, numa parceria entre Piperno e o grupo do arqueólogo Eduardo Neves, da USP.
A pesquisadora americana diz que o estudo de Dillehay ajuda a iluminar um período ainda obscuro da pré-história, o fim da Era do Gelo. Naquela época, mudanças ambientais devem ter mudado a distribuição das plantas hoje domesticadas, colocando-as à vista dos primeiros americanos.
"O contexto das lavouras também é importante: os agricultores eram comunidades organizadas e assentadas já naquela época", conclui.
No correr da matéria diversas informações e análises mostram o quão antigo foi o processo de domesticação de plantas por nosso continente.
A nova técnica usada para reconhecer a qual planta pertence tal semente, ou resto de semente, é verificar seu amido, ou seu carbohidrato. Cada qual é cada qual.
Vale a pena ler.
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Estudo mostra que abóbora era cultivada no Peru há quase 10 mil anos
O tomate que faz a fama da culinária italiana é mexicano da gema. O milho, que forma a base da dieta da zona rural da África, também. O amendoim, consumido às toneladas na China, vem do cerrado de Mato Grosso.
A páprica, tão estimada por húngaros e alemães, bem como a pimenta vermelha que torna a cozinha tailandesa famosa no mundo todo, surgiram na Bolívia. Isso para não falar na batata-doce, provavelmente brasileira, sem a qual hoje não se vive na distante Nova Guiné.
A colonização européia, a partir do século 16, espalhou pelo globo uma miríade de plantas domesticadas no continente americano. Mas, ao que tudo indica, o cardápio agrícola dos índios tem sua idade contada em milênios, não em séculos. Ao longo dos últimos anos, um número cada vez maior de evidências científicas tem apontado para origens antigas da agricultura nas Américas.
A mais recente delas, publicada na última sexta-feira (29) na revista "Science", dá conta de que assentamentos agrícolas já estavam a todo vapor nos Andes peruanos há pelo menos 9.240 anos, cultivando abóbora (Cucurbita moschata). O amendoim (Arachis sp.) e o algodão (Gossypium barbadense) estavam presentes pelo menos no norte do Peru há 7.600 e há 5.500 anos, respectivamente.
Como nenhuma dessas plantas tem seu centro de origem naquele local, os arqueólogos supõem que elas tenham sido domesticadas muito antes.
Vestígios fósseis dessas plantas foram escavados em restos de casas pré-colombianas pela equipe do arqueólogo americano Tom Dillehay, da Universidade Vanderbilt.
Se Dillehay e seus colegas estiverem certos, o cultivo de plantas teria começado no Novo Mundo assim que terminou a Era do Gelo -ao mesmo tempo em que tribos do Oriente Médio começaram a cultivar trigo e cevada, naquilo que se pensava ter sido o início da agricultura no mundo.
Como tudo o mais que se refere à pré-história americana, em especial sul-americana, a narrativa tradicional construída pelos cientistas sobre a domesticação de plantas pelos índios era baseada em registros escassos -e precisa ser revista.
A agricultura, que possibilitou um aumento populacional e uma centralização política que viria a culminar nos impérios inca e asteca e em sociedades avançadas como a mochica, a maia e a olmeca, tem sido tradicionalmente associada à cerâmica. Essa tecnologia, por sua vez, não tem registros superiores a 5.000 anos nos Andes.
A data recente não chega a surpreender: afinal, até pouco tempo atrás, a arqueologia tradicional também não aceitava que a chegada do homem ao continente tivesse mais de 11.500 anos --isso na América do Norte, a porta de entrada das populações que vieram da Ásia. O próprio Dillehay foi um dos que mais contribuíram para a quebra desse paradigma, ao escavar e datar em 12 mil anos um sítio no sul do Chile.
A história gastronômica americana começou a mudar em duas ocasiões: primeiro nos anos 1980, quando pesquisas na Amazônia encontraram cerâmicas de 8.000 anos. Se havia humanos fazendo potes de barro, é porque provavelmente havia plantas sendo cultivadas na vizinhança -afinal, uma atividade tão trabalhosa quanto a cerâmica requer algum grau de sedentarismo.
O segundo momento foi em meados dos anos 1990, quando começaram a pipocar vestígios de agricultura bem anteriores à própria cerâmica. O primeiro foram sementes de abobrinha (Cucurbita pepo) descobertas pelo arqueólogo Bruce Smith numa caverna em Oaxaca, México, e datadas em 10 mil anos.
Depois disso, Dolores Piperno, do Instituto Smithsonian (EUA), encontrou pedras de moinho no Panamá com vestígios de mandioca, araruta e milho de 7.800 anos. E abóbora no Equador há 10.000 anos.
Amido amigo - O trabalho de Piperno abriu uma nova perspectiva para os arqueólogos, graças a uma técnica usada por ela para contornar a limitação do registro material nos trópicos úmidos: a análise de grãos de amido microscópicos. Cada espécie de planta tem um formato diferente de grãos de amido, como numa impressão digital. Os botânicos já se aproveitavam disso havia muito para identificar plantas, mas a arqueologia acordou tarde para a aplicação dessa análise.
Desde então, a identificação de grãos de amido já foi usada para recuar o início do cultivo da pimenta (6.100 anos atrás, no Equador) e vem sendo aplicada na identificação de amostras de milho na Amazônia central, numa parceria entre Piperno e o grupo do arqueólogo Eduardo Neves, da USP.
A pesquisadora americana diz que o estudo de Dillehay ajuda a iluminar um período ainda obscuro da pré-história, o fim da Era do Gelo. Naquela época, mudanças ambientais devem ter mudado a distribuição das plantas hoje domesticadas, colocando-as à vista dos primeiros americanos.
"O contexto das lavouras também é importante: os agricultores eram comunidades organizadas e assentadas já naquela época", conclui.
terça-feira, 19 de junho de 2007
Não gosto dessa notícia!!!
Notícias cada vez mais assustadoras sobre o perigo de cataclismos climáticos nos deixam apavorados. Desta vez são uns cientistas da NASA que advertem que o Painel Internacional do Clima (IPCC) subestima o nível de degelo da calota polar e do consequente aumento dos oceanos.
Ainda estou naquela de que é difícil acreditar em tudo que dizem. Mas estou começando a ficar com a orelha em pé.
De todo modo, a proteção do meio ambiente, a diminuição do uso dos recursos naturais, a diminuição da emissão de CO2 e outras providências que qualquer pode tomar -- devem estar na agenda de todos nós.
_____________________________________________________
Civilização ameaçada
Cientistas alertam para risco de cataclismo ambiental
Steve Connor Do Independent
ATerra está em perigo iminente e só um plano de resgate planetário a salvaria do cataclismo ambiental imposto pelas mudanças climáticas. As palavras não são de ecoterroristas fazendo proselitismo panfletário, mas sim de importantes cientistas escrevendo numa prestigiada revista acadêmica.
Seis especialistas de algumas das principais instituições dos EUA, entre elas a Nasa, publicaram um alerta nada ambíguo: a civilização está sendo ameaçada pelo aquecimento global.
Eles também criticam implicitamente o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU por subestimar o grau de elevação do nível do mar neste século decorrente do derretimento de geleiras e das coberturas de gelo dos pólos.
Em vez de um aumento de 40 centímetros, como previsto pelo IPCC, a real elevação do nível dos mares em 2100 poderia chegar a vários metros.
Por isso, eles dizem, a Terra está em "perigo iminente". No estudo de 29 páginas publicado na "Philosophical Transactions of the Royal Society", alguns dos principais estudiosos do clima descrevem por que acreditam que a Humanidade não pode mais se dar ao luxo de ignorar "a grave ameaça" das mudanças climáticas.
"As recentes emissões de gases do efeito estufa colocam a Terra perigosamente próxima de uma dramática mudança climática que pode sair do controle com grandes riscos para os seres humanos e outras criaturas", escreveram os cientistas. Somente esforços intensos para reduzir as emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa podem manter o clima terrestre similar ao registrado no último milhão de anos, acrescentaram.
Humanidade teria dez anos para impedir caos Os pesquisadores foram coordenados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa, o primeiro cientista a alertar o congresso americano sobre o aquecimento global. Os outros cientistas são Makiko Sato, Pushker Kharecha, e Gary Russell, também do Instituto Goddard, David Lea, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e Mark Siddall, do Observatório Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.
Segundo eles, a pressão nada natural que vem sendo exercida sobre o clima pelas atividades humanas ameaçam gerar uma alteração climática drástica que poderia "dar início a um cataclismo" nas maciças coberturas de gelo da Antártica e da Groenlândia.
Drásticas alterações do clima ocorreram no passado, mas nenhuma foi registrada desde o desenvolvimento de sociedades humanas mais complexas e civilizações, que provavelmente não sobreviveriam a tais mudanças se elas ocorressem agora. "A civilização se desenvolveu, e criou extensa infraestrutura, durante um período de incomum estabilidade climática, o holoceno, que já dura 12 mil anos. Este período está prestes a acabar", alertaram os cientistas. Segundo Hansen, a Humanidade tem cerca de dez anos para efetivas medidas draconianas de redução das emissões de CO2 e impedir tal catástrofe.
Ainda estou naquela de que é difícil acreditar em tudo que dizem. Mas estou começando a ficar com a orelha em pé.
De todo modo, a proteção do meio ambiente, a diminuição do uso dos recursos naturais, a diminuição da emissão de CO2 e outras providências que qualquer pode tomar -- devem estar na agenda de todos nós.
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Civilização ameaçada
Cientistas alertam para risco de cataclismo ambiental
Steve Connor Do Independent
ATerra está em perigo iminente e só um plano de resgate planetário a salvaria do cataclismo ambiental imposto pelas mudanças climáticas. As palavras não são de ecoterroristas fazendo proselitismo panfletário, mas sim de importantes cientistas escrevendo numa prestigiada revista acadêmica.
Seis especialistas de algumas das principais instituições dos EUA, entre elas a Nasa, publicaram um alerta nada ambíguo: a civilização está sendo ameaçada pelo aquecimento global.
Eles também criticam implicitamente o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU por subestimar o grau de elevação do nível do mar neste século decorrente do derretimento de geleiras e das coberturas de gelo dos pólos.
Em vez de um aumento de 40 centímetros, como previsto pelo IPCC, a real elevação do nível dos mares em 2100 poderia chegar a vários metros.
Por isso, eles dizem, a Terra está em "perigo iminente". No estudo de 29 páginas publicado na "Philosophical Transactions of the Royal Society", alguns dos principais estudiosos do clima descrevem por que acreditam que a Humanidade não pode mais se dar ao luxo de ignorar "a grave ameaça" das mudanças climáticas.
"As recentes emissões de gases do efeito estufa colocam a Terra perigosamente próxima de uma dramática mudança climática que pode sair do controle com grandes riscos para os seres humanos e outras criaturas", escreveram os cientistas. Somente esforços intensos para reduzir as emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa podem manter o clima terrestre similar ao registrado no último milhão de anos, acrescentaram.
Humanidade teria dez anos para impedir caos Os pesquisadores foram coordenados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa, o primeiro cientista a alertar o congresso americano sobre o aquecimento global. Os outros cientistas são Makiko Sato, Pushker Kharecha, e Gary Russell, também do Instituto Goddard, David Lea, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e Mark Siddall, do Observatório Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.
Segundo eles, a pressão nada natural que vem sendo exercida sobre o clima pelas atividades humanas ameaçam gerar uma alteração climática drástica que poderia "dar início a um cataclismo" nas maciças coberturas de gelo da Antártica e da Groenlândia.
Drásticas alterações do clima ocorreram no passado, mas nenhuma foi registrada desde o desenvolvimento de sociedades humanas mais complexas e civilizações, que provavelmente não sobreviveriam a tais mudanças se elas ocorressem agora. "A civilização se desenvolveu, e criou extensa infraestrutura, durante um período de incomum estabilidade climática, o holoceno, que já dura 12 mil anos. Este período está prestes a acabar", alertaram os cientistas. Segundo Hansen, a Humanidade tem cerca de dez anos para efetivas medidas draconianas de redução das emissões de CO2 e impedir tal catástrofe.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Índios Korubo não querem fazer exame sorológico
Veja matéria do Estado online que fala da recusa dos índios do vale do Javari em dar sangue para exame sorológico.
É uma questão muito grave essa da saúde dos índios do vale do Javari. A Funasa diz que tenta de tudo e que a culpa é das organizações indígenas da região, especialmente a SIVAJI. Já estes culpam a Funasa por negligência e irresponsabilidade.
O Ministério Público já tentou intervir diversas vezes, sem conseguir nada. Inclusive numa ocasião em que a Coordenação de Índios Isolados havia levado um grande barco médico, com aparelhos de última geração, patrocinado pela Coca-Cola, para fazer uma avaliação da saúde dos índios de recém-contato. Foi interditado pelo Ministério Público local a pedido da Funasa, que alega, com toda razão, que a saúde indígena é da sua alçada exclusiva. Sim, mas por que não resolve de uma vez?
Só uma intervenção federal por parte do Ministério da Saúde, junto com a Funai e a Casa Civil é que darão um basta a essa calamidade.
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14 de junho de 2007 - 17:39
Índios não participam de exames para inquérito sorológico
Pesquisa, que começou em fevereiro, já investigou o estado de saúde de 2,7 mil indígenas e tem a meta, segundo a Funasa, de examinar mais de 3,5 mil índios
Liège Albuquerque
MANAUS - Pelo menos 800 índios da etnia marubo, na região do Vale do Javari, às margens do Rio Curuçá, no município de Atalaia do Norte , a 1.138 quilômetros de Manaus, se recusaram a participar de exames para um inquérito sorológico, segundo o coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Aires.
A pesquisa, que começou em fevereiro, já investigou o estado de saúde de 2,7 mil indígenas e tem a meta, segundo a Funasa, de examinar 3,5 mil índios, o equivalente à população indígena do Javari, formada pelas etnias kanamary, marubo, mayuruna, korubo, matis e kulina.
O resultado da pesquisa deve ser divulgado em agosto, mas uma prévia em fevereiro, mostrou que 283 dos indígenas investigados já tiveram hepatite A e que havia 44 contaminados com o tipo B da doença. O índice aceitável pela Organização Mundial de Saúde para a hepatite B é de até 2%.
De acordo com o coordenador da Funasa, os indígenas se negaram a fazer o exame alegando que querem ter acesso ao resultado dos textos. Para Aires, no entanto, essa informação não pode ser divulgada aos indígenas pelo receio que haja "segregação" dos índios doentes. Na região, as doenças que mais ocorrem são vários tipos de hepatite e malária.
Já de acordo com o líder indígena marubo da Coordenação Indígena do Vale do Javari (Civaja) Manoel Choimpa os indígenas não aceitam a vacinação ou o exame sorológico pelo algo número de mortalidade nas aldeias mesmo em indivíduos vacinados. "Há muitas dessas vacinas que precisam mais de uma dose, daí eles (os técnicos de saúde da Funasa) não voltam para essa dose de reforço. E a gente sabe que assim, sem o reforço, a doença vem ainda mais forte", contou.
A enfermeira do Centro Indigenista Missionário (Cimi), Raimunda Paixão Braga, que trabalha com as etnias marubo e kanamari há dez anos, confirma a versão de Choimpa. "Também acontece de estarem morrendo com câncer no fígado em conseqüência de hepatite medicamentosa, por causa das altas doses de quinino que tomam para combater a malária", destaca Raimunda.
Segundo a enfermeira, em uma visita há três meses a uma das aldeias marubo, três indígenas adultos estavam em estado terminal com sintomas de hepatite. "O que acontece é que esses indígenas aceitam sim a vacina, mas como não voltam para a primeira dose e não há nenhum acompanhamento do remédio que ganham para o combate à malária, eles ficam cada vez mais vulneráveis às doenças".
É uma questão muito grave essa da saúde dos índios do vale do Javari. A Funasa diz que tenta de tudo e que a culpa é das organizações indígenas da região, especialmente a SIVAJI. Já estes culpam a Funasa por negligência e irresponsabilidade.
O Ministério Público já tentou intervir diversas vezes, sem conseguir nada. Inclusive numa ocasião em que a Coordenação de Índios Isolados havia levado um grande barco médico, com aparelhos de última geração, patrocinado pela Coca-Cola, para fazer uma avaliação da saúde dos índios de recém-contato. Foi interditado pelo Ministério Público local a pedido da Funasa, que alega, com toda razão, que a saúde indígena é da sua alçada exclusiva. Sim, mas por que não resolve de uma vez?
Só uma intervenção federal por parte do Ministério da Saúde, junto com a Funai e a Casa Civil é que darão um basta a essa calamidade.
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14 de junho de 2007 - 17:39
Índios não participam de exames para inquérito sorológico
Pesquisa, que começou em fevereiro, já investigou o estado de saúde de 2,7 mil indígenas e tem a meta, segundo a Funasa, de examinar mais de 3,5 mil índios
Liège Albuquerque
MANAUS - Pelo menos 800 índios da etnia marubo, na região do Vale do Javari, às margens do Rio Curuçá, no município de Atalaia do Norte , a 1.138 quilômetros de Manaus, se recusaram a participar de exames para um inquérito sorológico, segundo o coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Aires.
A pesquisa, que começou em fevereiro, já investigou o estado de saúde de 2,7 mil indígenas e tem a meta, segundo a Funasa, de examinar 3,5 mil índios, o equivalente à população indígena do Javari, formada pelas etnias kanamary, marubo, mayuruna, korubo, matis e kulina.
O resultado da pesquisa deve ser divulgado em agosto, mas uma prévia em fevereiro, mostrou que 283 dos indígenas investigados já tiveram hepatite A e que havia 44 contaminados com o tipo B da doença. O índice aceitável pela Organização Mundial de Saúde para a hepatite B é de até 2%.
De acordo com o coordenador da Funasa, os indígenas se negaram a fazer o exame alegando que querem ter acesso ao resultado dos textos. Para Aires, no entanto, essa informação não pode ser divulgada aos indígenas pelo receio que haja "segregação" dos índios doentes. Na região, as doenças que mais ocorrem são vários tipos de hepatite e malária.
Já de acordo com o líder indígena marubo da Coordenação Indígena do Vale do Javari (Civaja) Manoel Choimpa os indígenas não aceitam a vacinação ou o exame sorológico pelo algo número de mortalidade nas aldeias mesmo em indivíduos vacinados. "Há muitas dessas vacinas que precisam mais de uma dose, daí eles (os técnicos de saúde da Funasa) não voltam para essa dose de reforço. E a gente sabe que assim, sem o reforço, a doença vem ainda mais forte", contou.
A enfermeira do Centro Indigenista Missionário (Cimi), Raimunda Paixão Braga, que trabalha com as etnias marubo e kanamari há dez anos, confirma a versão de Choimpa. "Também acontece de estarem morrendo com câncer no fígado em conseqüência de hepatite medicamentosa, por causa das altas doses de quinino que tomam para combater a malária", destaca Raimunda.
Segundo a enfermeira, em uma visita há três meses a uma das aldeias marubo, três indígenas adultos estavam em estado terminal com sintomas de hepatite. "O que acontece é que esses indígenas aceitam sim a vacina, mas como não voltam para a primeira dose e não há nenhum acompanhamento do remédio que ganham para o combate à malária, eles ficam cada vez mais vulneráveis às doenças".
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