quinta-feira, 21 de junho de 2007

Festa do Mel, dos índios Guajajara

Os jornais do Maranhão só costumam fazer matérias negativas sobre os índios que lá vivem. Desta vez, o Jornal Pequeno traz uma matéria sobre o mais emocionante dos rituais guajajara, a Festa do Mel.

Vale a pena conferir essa pequena matéria pelo teor dado pelo jornal, inclusive com detalhes de proibição de uso de bebidas alcoólicas.

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Ritual sob sol a pino deixa índios em êxtase

Por volta das 15h de quarta-feira, com o sol a pino, atendendo ao chamados do cacique Vicente Guajajara, devidamente pintado com tintas de urucum e jenipapo, os índios se juntaram na entrada da aldeia, de onde, com ramos de árvores, começaram a se movimentar freneticamente de um lado para outro, como um verdadeiro enxame.

Essa parte do ritual, que levantou uma imensa nuvem de poeira, durou cerca de 20 minutos. Em seguida, os índios entraram na casa, onde por mais de um mês o mel da festa foi armazenado.

“Essa festa tem um significado muito grande para o nosso povo; é um momento mágico, resume o índio e servidor da Funai, Antônio Guajajara. Com cerca de 65 anos de idade, ele disse que havia anos não participava desse ritual.

No interior da “casa do mel”, com pouco espaço para se movimentar, devido à grande quantidade de participantes, os mais velhos da tribo (liderados pelo cacique Vicente Hamu) começaram a dançar em círculo, a entoar as “cantigas” da festa e a beber o mel, misturado com água. Alguns, embalados pela cantoria, uma espécie de mantra, entravam em êxtase. “É o espírito dono da festa chegando”, disse o índio Antônio Guajajara.

Além de beber o mel, os participantes tinham a cabeça molhada com a mesma mistura, seguros pelas orelhas e pelos cabelos, numa espécie de batismo. Em seguida, eram “benzidos” com um ramo de árvore e seguiam com a dança e os cânticos.

“Já disse que aqui não pode entrar bebida alcoólica”, gritou o cacique Vicente Guajajara, ao perceber que um jovem índio dançava com uma garrafa de cachaça. Por um instante, a cerimônia foi interrompida até que “o profanador” daquele espaço fosse retirado do local.

“É emocionante e estou muito feliz”, disse a professora Sônia Guajajara, 33 (formada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão), que nunca havia participado da “Festa do Mel”. “É mais do que importante se resgatar a cultura do nosso povo”, completou.

Imagem e meio ambiente – Não é somente com o resgate das antigas tradições que os líderes guajajaras estão preocupados. Entre eles há um sentimento muito forte pela preservação do meio ambiente e contra a imagem negativa que setores da sociedade ainda têm das comunidades indígenas.

“É muito bom que vocês estejam aqui para documentar esse momento, para mostrar à sociedade maranhense algo positivo do nosso povo. O que costuma ser divulgado, geralmente, é notícia ruim, coisa má. E, como você vê, temos muita coisa bonita para mostrar”, disse o cacique Tomás Guajajara, da Aldeia Tarumã, participante da “Festa do Mel”.

O ritual da festa foi precedido de uma festa profana, animada por pelo menos sete pequenas bandas. Uma delas, o “Som das Tribos”, formada por índios e mestiços guajajaras, é especializada em forró.

A lenda da 'Festa do Mel'

Há muitas lendas sobre a origem da “Festa do Mel”. A história varia muito, mas a essência é a mesma: o sobrenatural, o encantado, como os índios costumam falar.

Uma das versões é que a dança e as cantigas entoadas na festa foram ensinadas por uma onça encantada a um cacique chamado Aruwê.

Conta-se que Aruwê foi parar numa aldeia onde moravam onças que catavam mel na floresta. Lá, o índio se casou. Um dia, depois de muito tempo, Aruwê sentiu saudades de casa e decidiu voltar para sua aldeia, sendo recebido com festa por seu povo.

Quando quis retornar para a aldeia das onças, não conseguiu encontrar mais o caminho. Por isso, ele passou a ensinar a seus irmãos o que aprendeu no período em que viveu na aldeia encantada.

Os guajajaras são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil, sendo que a história deles tem cerca de 380 anos. Estão distribuídos em 11 áreas, todas no Maranhão. Grande parte das aldeias está na Reserva Araribóia, que vem sendo submetida a intensa devastação. Essa etnia integra, ao lado dos Guajá e Kaapor, o grupo Tupi dos índios maranhenses. No outro grupo, Timbira, estão os krikatis, gaviões e kanelas.

2 comentários:

Anônimo disse...

olá, faço parte de um projeto de iniciação sobre povos indiginas guajajaras, essa é a primeira vez que estou em seu blogger, mas notei o quanto ele traz informações importantes sobre os índios guajajara, queria saber como faço para ter contato com suas obras relacionadas aos indios guajajaras? desde de já lhe agradeço.

Naymara Ricarte disse...

Existem povos Guajajaras no Estado do Pará, no município de Itupiranga. Não são todos do estado do Maranhão!

 
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