domingo, 9 de setembro de 2007

Em Santarém, festa de 300 anos é de origem indígena

É evidente que uma festa popular de 300 anos, em Santarém, só pode ser de origem indígena. A ênfase aqui é dada porque há na região um movimento que quer criar uma identidade indígena em pessoas que vivem exatamene em Alter-do-Chão.

Essa busca de uma identidade indígena não precisa ir muito longe. É claro que a maioria da população é de origem indígena. O que resta saber é se há um desejo de volta à indianização. Algumas pessoas o querem e já criaram até nomes novos e vistosos para os povos que lá vivem. Araticum é um deles. Tem até frade franciscano radical, estudante de antropologia e outros que buscam essa identidade e impõem nos demais essa vontade. Acontece que a grande maioria da população que lá vive não quer esse tipo de imposição e tem feito um grande esforço de não se comprometer com o movimento pró-indigenista, ligado a Ongs ligadas à Igreja Católica.

O mundo colonizador foi drástico para a maioria dos povos indígenas do Baixo Amazonas. A guerra da Cabanagem foi devastador para as antigas aldeias jesuíticas que viram vilas luso-brasileiras, como Santarém, Óbidos, etc.

Essa Festa do Çairé, com ç mesmo, deve ser um estouro! A matéria valoriza mais a influência portuguesa e cristã do que devia...

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Festa do Çairé deve atrair 100 mil pessoas em Santarém

A Festa do Çairé, a mais antiga manifestação popular da Amazônia, deve reunir cerca de 100 mil pessoas, entre os dias 13 e 17 de setembro na Vila de Alter-do-Chão, em Santarém.

A Festa do Çairé é uma atividade cultural e religiosa de grandes proporções. Promovida há cerca de 300 anos pela comunidade da Alter-do-Chão. Sua programação inclui o levantamento de mastros enfeitados, procissão, ladainhas, exibições de diversas manifestações folclóricas, além de shows musicais.

No primeiro dia de festa, mastros decorados com flores e frutas são fincados na areia da ilha que se forma no período da seca, na principal praia de Alter-do-Chão, repetindo o que faziam os índios para saudar os portugueses. No último dia, sempre uma segunda-feira, ocorre a "varrição da festa", com a derrubada dos mastros.

Segundo a tradição, todo aquele que conseguir apoderar-se de uma das frutas com as quais foram decorados os mastros, terá muita sorte. Em seguida, ocorre a "cecuiara", um delicioso almoço de confraternização com pratos típicos da cozinha paraense, à base de peixes. A programação termina à noite, com a festa dos barraqueiros.

A Festa Festa do Çairé foi criada pelos índios como forma de agradecimento e homenagem aos portugueses, que colonizaram o Médio e Baixo Amazonas. Os índios teriam confeccionado o Çairé imitando os escudos usados pelos colonizadores, incluindo as cruzes que simbolizam o mistério da Santíssima Trindade. O caráter religioso teria originado, portanto, dessa referência dos indígenas para com os portugueses.

Contudo, a origem do Çairé também é atribuída aos frades Jesuítas, que teriam criado o símbolo para ajudar na catequese dos indígenas. É composta por dois elementos: o religioso, com cerimônias e rituais, e o profano, com atrações culturais e danças típicas, culminando com a tradicional competição dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, um espetáculo de fantasias e alegorias gigantescas, que encenam a morte e ressurreição dos botos, em uma arena chamada de Sairódromo.

Em meio à tradição, atrações como a banda Biquíni Cavadão, a cantora de axé Margareth Menezes e a banda de forró Magnificus farão apresentações. Bandas regionais também vão integrar o cardápio musical do Sairé.

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