quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CIMI malha com ferocidade o governo Lula

O CIMI não se emenda. Não dá trégua ao governo Lula.

Em entrevista ao Estado de São Paulo, que se aproveita da crise da retenção do comissário da ONU para exagerar nos conflitos com povos indígenas, seu vice-presidente, o missionário Liebgott, faz as mesmas críticas que o CIMI fazia durante minha gestão. Que o governo Lula está mancomunado com o capital, que favorece os fazendeiros, que não liga para a questão indígena.

Poderia ser uma simples cópia de outras entrevistas. E olha que agora o CIMI está com a faca e o queijo na mão. Dominam pelo discurso e pela manipulação, junto com as Ongs neoliberais, a Comissão Nacional de Política Indigenista, tendo a maioria dos representantes indígenas fazendo o mesmo discurso que eles. Por sua vez, a Funai está completamente nas mãos das Ongs neoliberais, suas aliadas, que prometeram mundos e fundos aos índios e agora estão vendo que não vão cumprir nada.

O engraçado é ouvir esse missionário dizer que o governo não tem preparo para tratar da questão indígena. Será que eles têm? Será que o CIMI teria coragem de expor o quê seus membros fizeram com os Mynky e em que situação os deixaram?

As grandes bandeiras político-indigenistas do CIMI são a transformação da CNPI (comissão) em Conselho, através do qual eles acham que o governo e eles vão estabelecer a nova política indigenista; e a votação no Congresso Nacional de um novo estatuto dos povos indígenas.

Essa suposta ingenuidade esconde o interesse maior dessas instituições que se criaram no discurso do quanto pior, melhor, para eles.

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Governo e Funai estão desestruturados

Para Liebgott, falta de preparo do poder público para lidar com o problema tem levado comunidades indígenas ao desespero
Moacir Assunção

Nas últimas semanas, o seqüestro de um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) por índios cintas-largas em Rondônia e de três policiais em Mato Grosso e a ocupação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) por 350 indígenas krenak e pataxós ajudaram a mostrar que essa é uma questão cada vez mais explosiva no País. Militante da área, o vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Liebgott, vê uma completa desestruturação do governo e da Fundação Nacional do Índio (Funai) para lidar com a questão.

Isso, em sua visão, tem levado as comunidades indígenas ao desespero. "A despeito de ter sido apoiado por todos os setores sociais, o presidente Lula optou pelas grandes obras, sem nenhum diálogo com os índios ou outros setores. Só há imposição e, no caso das comunidades indígenas, medidas paliativas que não chegam a lugar algum", critica.

O que tem ocorrido com os índios? Os ânimos estão exaltados?

O governo está desestruturado, assim como seu principal órgão, a Funai, para atender às demandas das comunidades indígenas em torno de temas como a demarcação e a proteção das terras indígenas. A questão não é prioridade dentro do governo. A Funai não dispõe de pessoal qualificado nem de recursos para conseguir atender as comunidades. Os ânimos ficam exaltados quando os índios, que têm direto à terra e a um atendimento adequado, não vêem esse direito atendido.

No que o governo tem apostado?

A prioridade são as grandes obras, como a construção de barragens, a transposição do Rio São Francisco e as estradas que cortam territórios indígenas, sempre sem nenhuma preocupação com a questão ambiental. Essas obras têm impacto direto na vida das populações tradicionais, mas não há negociação ou diálogo por parte do governo, só imposição. Como o governo não conversa e o órgão estatal não tem condições de mediar o diálogo, fica somente o vazio, que gera uma série de problemas.

Há regiões mais complicadas no que tange à questão indígena?

Em Mato Grosso do Sul, temos problemas seriíssimos de falta de demarcação de terras e perseguições aos líderes das comunidades. Já houve assassinatos de líderes indígenas nessa região. Em Mato Grosso, o problema é o desmatamento de vastas áreas para o plantio de soja. Na Amazônia, as ameaças vêm de plantações gigantescas de produtos como a soja e a cana-de-açúcar. Há casos de índios escravizados em plantações de cana. Em outras regiões avança a plantação de eucaliptos por empresas papeleiras, criando verdadeiros desertos verdes.

Que avaliação os movimentos indígenas fazem do governo?

A avaliação é extremamente negativa. Apesar de ter sido apoiado por todos os segmentos sociais, o presidente Lula fez a opção de criar uma aliança com setores mais conservadores em termos políticos e econômicos. Nas questões sociais, só se tem feito políticas compensatórias, sem nenhum aprofundamento. No que diz respeito aos índios, não há política oficial. Só temos medidas paliativas, que não chegam a lugar algum nem têm resultados práticos.

O que poderia ser feito para, ao menos, garantir algum equilíbrio nessa questão?

O Cimi defende a criação de um conselho nacional de política indígena. Esse órgão, que reuniria todas as entidades do setor nas diferentes esferas, poderia viabilizar a criação de uma verdadeira política para o setor. Caso contrário, a situação tende a ficar sempre complicada.

Quem é:Roberto Liebgott
Vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), atua na área há 18 anos.
Formado em Filosofia pela Faculdade de Teologia de Viamão (RS) e graduando em Direito na PUC-RS.

2 comentários:

Anônimo disse...

ai meu cotovelo, hein, sr. mércio gomes?...

Mercio disse...

Já que você acompanha esse Blog, seria bom se identificar para trocarmos umas idéias. Não acha? com todo respeito, Mercio

 
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