sexta-feira, 18 de abril de 2008

Funcionários da Funai lançam carta aberta contra presidente da Funai

Os servidores da Funai vieram a campo aberto exigir do Governo o seu Plano de Carreira e melhoria nas condições de trabalho. Há alguns meses o Ministério do Planejamento vinha enrolando os funcionários do órgão, mas no mês passado falou claramente que não haveria mais Plano de Carreira e que os servidores seriam incorporados no Plano Geral do Executivo.

A frustração dos funcionários da Funai é imensa, não somente por esse motivo, mas pela própria paralisia do órgão e pelo desrespeito com que são tratados pela gestão atual.

Por sua vez, os índios estão estrilando. Querem mudanças no órgão e estão se unindo aos servidores. O movimento começou essa semana e tem tudo para se espalhar Brasil afora.

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Índios querem "cabeça" da Funai
Notibrás, Brasília

Os índios brasileiros bem que tentaram resistir bravamente à invasão de portugueses, francesses e holandeses. Mataram (e mais morreram) em guerras sangrentas. Com o apoio de servidores da Funai eles ameaçam, de tacape em punho, exigir seus direitos. O governo Lula é responsabilizado pelo quadro de desalento. Pior: a cabeça de Márcio Meira, presidente da Funai, está a prêmio.

Os índios Kayapó, tradicionalmente pacíficos, encabeçam a rebelião. Muitos deles estão em Brasília e a Funai pode entrar em greve.

Indignados com o atual quadro, funcionários do órgão divulgaram carta aberta à sociedade brasileira, onde apontam os horrores existentes e cobram - com justiça - melhoria salarial.

Veja a carta aberta:

Nós servidores da Funai viemos a público denunciar o descaso do Governo Brasileiro e da Direção do órgão para com os servidores a própria Funai, simbolizando a ausência total da política indigenista.

Antes, o Governo Lula e a Gestão Marcio Meira estão pondo em prática uma política de desestabilização e desestruturação do órgão, com o fechamento arbitrário de unidades regionais e o descaso total e o preconceito contra os servidores de carreira da Fundação, que se revela, por exemplo, na medíocre política salarial praticada e nas precárias condições de trabalho verificada na própria sede do órgão. Verifica-se, no entanto, a terceirização massiva das várias atividades do órgão, a contratação temporária de consultores com remunerações que chegam a ser cinco ou seis vezes superior aos salários dos profissionais da casa, e a nomeação via DAS de diversos técnicos sem o mínimo de compromisso ou atuação anterior junto aos povos indígenas, antes comprometidos com as organizações de interesse que representam, principalmente devido ao grande aporte de recursos destinado à implantação do PAC nas terras indígenas. Este cenário não deixa dúvidas, portanto, da inexistência de uma política de Recursos Humanos.

Pelos motivos expostos, e considerando o estratégico papel de nosso órgão – a única instituição no Brasil cujas atribuições indigenistas são atribuídas pela Constituição – nós servidores de carreira da Funai, convocamos a sociedade e os povos indígenas a exigir o respeito e a valorização deste órgão a partir de seus servidores, por uma política realmente indigenista, conduzida por profissionais comprometidos com a causa indígena e com a sociedade brasileira.

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