segunda-feira, 9 de junho de 2008

Índios Guarani pedem novas terras indígenas

Neste final de semana cerca de 300 índios Guarani Kaiowá e Ñandeva se reuniram na aldeia Jaguapiré, município de Tacuru, Mato Grosso do Sul, para discutir seus problemas e analisar as opções que têm diante do quadro em que vivem.

Tais reuniões, quando grandes, chamam-se "aty guaçu". Nesta, produziram um documento em que pedem que o Ministro da Justiça não aceite as pressões do governador do Mato Grosso do Sul para destituir a administradora da Funai de Dourados, ou ao menos não aceite os nomes que ele indicar para substitui-la. Este aty guaçu repudiou os atos praticados por um grupo de índios de Dourados ao tentar destituir a dita administradora, apoiando-a.

Sexta-feira passada a Funai manteve a atual administradora na AER Dourados, um dia depois de ter garantido aos índios que lhe são contrários que ela seria substituída. Certamente que a situação está em suspenso. Os índios contrários não lhe vão dar as boas vindas. O que temos aqui são grupos indígenas que estão brigando entre si por conta de interesses específicos, mas muitos têm apoio de Ongs, de antropólogos e até de políticos locais.

Os índios reunidos no aty guaçu afirmam que querem que a Funai cumpra o acordo feito com o Ministério Público local, em novembro de ano passado, no sentido de criar grupos de trabalho para reconhecer 36 terras indígenas que eles propõem à Funai como sendo tekohá, isto é, lugares de convivência de seus antepassados. Querem que esses tekohá sejam reconhecidos, demarcados, e seus atuais moradores, seja lá quem forem, sejam retirados.

Já o governador do estado e seus correligionários fazendeiros e políticos estão totalmente contra. Vai ser mais uma arena de embates entre índios e fazendeiros.

A Funai estará no meio e será vilmente responsabilizada por incitar índios a criar novas áreas de conflito. Como ela entrou nessa arapuca nesse momento em que sofre críticas de todos os lados e não tem forças para resolver nada?


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Documento pede que Funai não aceite indicações de André

Jacqueline Lopes com assessoria para MidiaMax News

Lideranças indígenas Guarani e Kaiowá de 38 aldeias e 18 acampamentos participaram neste fim de semana do Aty Guassu (Grande Reunião) realizada na Aldeia indígena Jaguapiré, no município de Tacuru, em Mato Grosso do sul. O encontro tradicional que reuniu quase 300 pessoas foi para discutir os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas do Cone Sul e definir estratégias para a recuperação das terras indígenas entre elas, registrada numa carta a ser entregue à presidência da Funai, que o órgão não aceite as indicações do governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, para os cargos.

A justificativa, conforme nota à imprensa, o fato dele ter ido até Brasília junto com outros políticos contrários aos diretos indígenas pedir ao Ministro da Justiça paralisasse a execução do TAC para que ocorra a demarcação das terras indígenas. No final do documento, os índios pedem a valorização da Funai com mais recursos e mais funcionários que respeitam os direitos dos povos indígenas

No final do encontro, que encerrou neste domingo, foram elaborados três documentos para serem enviados para a presidência da Funai (Fundação Nacional do Índio). O primeiro deles é a indicação de dois nomes que irão representar as etnias Kaiowá e Guarani no Conselho Nacional de Política Indigenista, que terá reunião no próximo dia 19 e vai contar com a participação do presidente Luis Ignácio Lula da Silva.

De acordo com as lideranças os nomes de Anastácio peralta, da Aldeia Tey Kue, do município de Caárapo e de Roberto Carlos Martins, da Aldeia porto Lindo, do município de Japorã, serão os representantes das etnias.

No segundo documento, segundo informações da assessoria da Funai em Mato Grosso do Sul, os indígenas denunciam à presidência do órgão, as manifestações de alguns indígenas que pedem a saída da administradora Margarida Nicoletti, em Dourados. De acordo com a nota à imprensa da Funai, as lideranças os indígenas que invadiram o prédio da Funai na semana anterior, não representam à maioria do povo Kaiowá e Guarani.

As lideranças indígenas pedem ainda a permanência no cargo da administradora Margarida Nicoletti, para que ela possa dar continuidade aos trabalhos que estão sendo realizados pela Administração Executiva Regional do Cone Sul. Eles pedem mais empenho da Funai para acelerar os início dos trabalhos do TAC que já estão atrasados desde 31 de marco e forneça a estrutura necessária para que não sejam paralisados ou prejudicados.

2 comentários:

MARISCO disse...

Discuti-se muito a causa indígena. Quem menos é ouvido é o índio. No entanto, me parece que a elite, em algum momento, produziu algo de interessante: o Projeto Calha Norte. Realmente vale apena?
Por onde anda esse projeto? Precisamos iniciar a discussão e aprofundar o debate.
Espero que este blog se pronuncie.

Mércio Gomes disse...

Prezado Sr. Marisco, O Projeto Calha Norte foi planejado no final do período militar, por volta de 1983-85, e foi realizado durante do governo Sarney. Definiu as áreas de segurança da Amazônia, determinou a demarcação de algumas terras em "ilhas", criou alguns pelotões de fronteira. Depois foi expandido com o Projeto Sivan-Sipam, com gastos imensos em radares, satélites, antenas parabólicas em milhares de pontos da Amazônia. Continua esse projeto, capegando. Mal executados, horrível desperdício. É claro que os índios não foram escutados em nenhum dos dois projetos. A proteção da Amazônia precisa de algo melhor. Hoje, os ministérios da Defesa e de Assuntos Estratégicos estão trabalhando em novo plano. Ainda não o temos. Vamos esperá-lo. Abraço, Mércio

 
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