domingo, 1 de junho de 2008

581 índios estão presos e encarcerados. O que está acontecendo?

A Folha de São Paulo traz uma matéria sobre o número de índios presos em penitenciárias Brasil afora. São 581 índios, cinco vezes mais do que eram em 2006, quando o coordenador-geral de Direitos Indígenas da Funai, Vilmar Guarany, fez um levantamento em todo o Brasil.

Anos atrás era raro que existisse índio encarcerado. Não é que não houvesse crimes ou dolos nas aldeias indígenas, mas é que o Serviço de Proteção aos Índios -- SPI -- e a Funai até recentemente cuidavam para que índios que cometessem crime fossem punidos na própria terra indígena, como ainda hoje acontece na Terra Indígena Oiapoque.

O que está acontecendo que tantos índios estão sendo presos? São crimes internos ou externos? Os índios estão ficando mais violentos, ou simplesmente, a polícia é chamada por ocasião de um crime interno? Será que os procuradores da Funai estão sabendo desse número tão exagerado?

Por que aumentou tanto o número de prisioneiros índios de 2006 para cá? Alguma coisa está errada. É necessário que a Funai faça um estudo desse fato e traga alguma resposta para os demais índios, se não para a sociedade brasileira como um todo.


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Penitenciárias do país abrigam 581 índios; MS lidera o ranking
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os últimos três relatórios do Ministério da Justiça sobre a população penitenciária do país apontaram um contingente, em média, de 581 índios vivendo atrás das grades. Mato Grosso do Sul tem a maior população carcerária indígena.

Em dezembro de 2007 -último relatório disponível- eram 133 índios presos no Estado, seguido por 88 no Rio Grande do Sul, 49 em Roraima e a mesma quantidade em Santa Catarina.

"Nós partimos do pressuposto, à medida que Estados informam que têm indígenas condenados, que se trata de um indígena aculturado. Está sintonizado com a civilização", disse o diretor-geral do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), Maurício Kuehne.

"Mas, a preocupação com índios [presos] existe. Teve um representante do Depen que participou de um encontro, em Mato Grosso do Sul, específico para delimitar os problemas", declarou Kuehne. O diretor se referiu a um evento, do início de maio, promovido pela ONG CTI (Centro de Trabalho Indigenista), em Campo Grande (MS), para discutir a situação dos presos.

No caso de Mato Grosso do Sul, a maioria dos índios está detida por homicídios, cujas vítimas quase sempre são indígenas, e até tráfico de drogas.

Relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) aponta que 53 índios foram assassinados em 2007 em Mato Grosso do Sul, contra 27 em 2006.

Na semana passada, a Justiça Federal de Ji-Paraná (RO) enviou de volta o inquérito à Polícia Federal na qual 23 índios cintas-largas foram indiciados pelos assassinatos de 29 garimpeiros em 2004. O Ministério Público Federal em Rondônia quer um laudo antropológico "para que se saiba se os índios podem ser considerados imputáveis para a nossa legislação penal. É considerado imputável aquela pessoa que tem consciência para entender o caráter ilícito de sua conduta".

A dificuldade, porém, reside em conseguir um antropólogo que se disponha a fazer o laudo.

Consultada pela Folha sobre a prisão de indígenas no país, a procuradora da República Ela Wiecko de Castilho, da Câmara de Índios e Minorias, disse que "um índio pode ser acusado de crime nas mesmas situações em que um não-índio".

Na avaliação da procuradora, "antigamente era comum ouvir o entendimento de que os índios ditos não "aculturados" eram inimputáveis devido a um desenvolvimento mental incompleto. Essa afirmação é etnocêntrica, preconceituosa e sem amparo científico".

Segundo ela, "não há na lei processual penal uma regra" que imponha a obrigação de um laudo antropológico. "O fato de um índio falar português, usar celular e computador não significa que deixe de pensar como índio", afirma a procuradora da República.
(HUDSON CORRÊA)

Um comentário:

Heitor Bonfim disse...

Como venho dizendo, o índio precisa decidir-se, se quer viver do que a natureza dá — evidentemente a natureza não dá celular, internet ou computador —; ou viver de algum bolsa-índio-na-rede; ou viver como todos os outros seres humanos normais. Evidentemente, dar facadas culturais ou antropológicas não vale em nenhum dos casos pois é crime, invadir propriedades é crime. A lei manda dividir o território indígena em ilhas, portanto, o resto é choradeira e esperneios, devaneios, como quiserem. Eu gostaria de esfaquear muita gente, mas não é por isso que vou fazê-lo, muito menos com justificativa de algum antropólogo.

 
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