segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Drops Indigenistas -- 6

Enquanto o Fórum Social Mundial se desenvolvia, semana passada, diversos protestos indígenas aconteciam pelo Brasil a fora. Alguns deles resultado de inoperância funcional da FUNAI, outros motivados por terceiros interessados em causar conflitos.

1. Em Dourados, diversos grupos Guarani se agregaram ao grupo Terena e dos antigos capitães (que já vinha protestando há algum tempo) e juntos querem a saída da administradora daquela AER, rebatisada, nessa gestão da FUNAI, de Administração do Cone Sul. Essa administração foi concebida para servir de exemplo às demais administrações da FUNAI, pelo tanto de recursos financeiros e de pessoal que recebeu entre 2007 e 2008.

Porém, administrar uma seção da FUNAI não requer só recursos. Requer sensibilidade e diálogo correto com os índios. Um grupo de 70 índios invadiu o prédio da administração na segunda-feira passada e lá ficou até ser retirado por ordem judicial. Depois, resolveu acampar em frente. Essa semana, a partir de hoje, promete fechar diversas rodovias que se conectam com a cidade de Dourados. Difícil prever se vão ou não realizar essa façanha. O governo do Mato Grosso do Sul está com X9s em todo o movimento indígena do estado.

Parece que a situação ficou muito difícil para Margarida Nicoletti, que teima em ficar. Tem o apoio de algumas pessoas ligadas ao Ministério do Desenvolvimento Social e à presidência da FUNAI, mas não será por muito tempo. O movimento contrário cresceu demais e não há como revertê-lo. É só uma questão de tempo. Melhor não desgastar uma pessoa por muito tempo.

2. Em Boa Vista, capital de Roraima, um grupo de 200 índios Makuxi invadiu a sede da AER da FUNAI e fez o administrador-substituto refém. Depois o soltou e liberou a sede. Esses índios fazem parte da associação SODIURR, que está do lado dos arrozeiros na polêmica sobre sua retirada da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Querem por querem que a FUNAI lhes conceda 60 passagens a Brasília para virem conversar com os ministros do STF sobre a retirada dos arrozeiros. Acontece que 8 ministros já decidiram pela retirada dos arrozeiros, e não tem volta nessa decisão. É uma causa de desespero. Os tais arrozeiros serão retirados, mais cedo, mais tarde. Os Makuxi da SODIURR apostaram errado, insistiram no erro, e continuam a ser envolvidos pelos argumentos dos arrozeiros e políticos de Roraima.

3. As análises já publicadas sobre os resultados do Fórum Social Mundial não se apresentaram muito animadoras. Em primeiro lugar, os participantes reclamaram muito da falta de organização, do caos com que o Fórum foi realizado. Depois, reclamaram da falta de foco nas discussões. Por fim, na falta de alternativas a serem apresentadas. O sociólogo português Boaventura dos Santos, um dos ícones intelectuais do FSM, disse que seria preciso apresentar alternativas. Emir Sader, um sociólogo ligado, mas com desavenças, ao PT, disse que havia muita Ong e pouco movimento social. Enfim, muita reclamação, como é de praxe.

Da parte dos índios, sua presença foi impressionante, suas ações estonteantes, mas os debates deixaram a desejar. Reclamações ao governo, pedidos de ajuda às Ongs internacionais, declamações dos direitos indígenas, afirmações retóricas de defesa do meio ambiente. O que ficou claro foi uma divisão entre a Coiab e os índios independentes, que dependem mais de suas visões culturais do que do discurso sociológico que as Ongs enfiam na Coiab e em algumas outras organizações indígenas. No final, parece que toda a movimentação se resumiu a pedir mais assistência ao governo.

Um comentário:

Cavalleiro disse...

"Tem o apoio de algumas pessoas do MDS"... a carapuça me serviu, rsrsrs. Ruim com, pior sem.... Nada é tão mal que não possa piorar. Vamos ver.

 
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