terça-feira, 11 de novembro de 2008

Governador Blairo Maggi recebe índios Enawenê-Nawê


Podemos dizer, pelas evidências gerais, que o governador Blairo Maggi tem imensas ambições econômicas e políticas. É o maior empresário do Mato Grosso, com fazendas de gado, de soja e de algodão espalhadas em muitos municípios, controla a mercantilização da soja e de outros produtos agrícolas de seu estado, tem capitais investidos em diversas indústrias locais, investe agora na construção de PCHs por vários rios do Mato Grosso e abraça a ideologia de que a classe que ele representa é que tem a legitimidade para dirigir o país. E ele é seu legítimo representante.

Por tudo isso, e pelo trabalho competente que exerce, Blairo Maggi é figura a ser vista com respeito.

Ontem mesmo ele demonstrou isso. Convocou os índios Enawenê-Nawê para uma conversa em seu gabinete, na presença de representantes não indígenas, como a OPAN, que serviram de intérpretes para os Enawenê que falam português com dificuldades, e disse-lhes que não iria parar as construções das hidrelétricas que estão planejadas. O lamentável é que não tinha nenhum representante da direção da FUNAI em Brasília, tão alheia que está ao destino dos povos indígenas.

Há que nos recordarmos que não mais que um mês atrás os Enawenê-Nawê atacaram o acampamento de uma dessas PCHs e o destruíram. O governador Maggi engoliu o prejuízo e abriu-se para o diálogo.

Nessa empreitada, os Enawenê-Nawê não foram acompanhados dos demais índios que irão sofrer consequências por essas barragens, como os Pareci, Nambiquara, Rikbatsa e Mynky.

Agora a bola voltou para os Enawenê-Nawê e para o Ministério Público naquele estado, na pessoa do procurador-federal Mário Lúcio Avelar. Vão continuar a resistir? Vão aceitar os planos? Vão negociar alguma coisa?

A questão é difícil de resolver. Por mais que tentem, há um limite à resistência se novas ações não forem criadas.

Por outro lado, aceitar os planos de transformar o rio Juruena num rio europeu, com tantas barragens e interrupções, é possível? Que oferta os planejadores dessas PCHs podem fazer? Talvez só fazer umas poucas, duas ou três, não mais.

Essa questão vai durar um pouco mais.

2 comentários:

Anônimo disse...

O pragmatismo tem limites, Mércio. A postura das pessoas do governador Maggi e do seu assessor (pouca gente para debater assunto tão grave) é informadora do que pensam. Braços cruzados nunca me pareceram muito convidativos ao real diálogo. Quanto ao valor dos homens de negócios, e sua legitimidade para falar em nome dos seus, não tenho dúvida. Mas também para a economia e lucratividade há limites, e sabemos quais são (o meio ambiente é um deles). A mistura de interesses públicos, do Estado de MT, e de privados, do próprio governador enquanto capitalista, igualmente não me aparenta tão louvável. Onde começa um e termina o outro? Abraço, Adriana.

Guilherme Carrano disse...

Qualquer licenciamento ambiental de empreendimentos que possam vir afetar Comunidades Indígenas não pode ficar a mercê e responsabilidade dos estados, pois esfacelarão os direitos indígenas.
torna-se inconstitucional por sua própria natureza prática: inimigos e invasores dos Territórios Indígenas.
Rondon conhecia isso na prática, desde 1910, e expressou essa preocupação em carta já publicada no Correio Brasiliense e que consta nos arquivos da FUNAI.
O IBAMA está conivente com esse etnocídio e, o pior de tudo, constata-se no caso Enawene Nawe que a atual direção da FUNAI - com consultores DAS 4 oferecidos para atenderem o PAC e com as influências das ONGs também estão.
Completa ausência de proteção aos povos indígenas...atitudes que relembram o tempo dos reinados portugueses no período da invasão européia.

 
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