quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Jovens caçadores Xavante se queimam em caçada

Os índios Xavante que habitam a região de Barra do Garças, rio das Mortes, Araguaia, caracterizada por cerrados e matas de galeria, têm por costume fazer caçadas coletivas nos meses de estio, de junho a setembro. Nessas caçadas usam o fogo como ferramenta para espantar e conduzir animais como porcos queixadas, antas e veados para lugares onde podem ser mortos por bordunadas ou flechadas. São grandes caçadas que exigem muita velocidade, força e destreza.

Recentemente, numa dessas caçadas, alguns caçadores foram surpreendidos pelo fogaréu e dois deles, mais jovens, terminaram se queimando seriamente. Um deles foi resgatado por seus companheiros em condições difíceis. Foram levados para Goiânia e parece que estão bem.

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Índios têm parte dos corpos queimados

Alecy Alves, JB Online

Continuam internados em estado grave no Hospital de Queimados de Goiânia (GO) os dois índios xavantes que sofreram queimaduras em grande parte do corpo durante uma caçada na Reserva Pimentel Barbosa, no município de Canarana (830 quilômetros de Cuiabá).

José Fábio Xavante, 29 anos, teve 75% do corpo queimado e chegou a ser dado como morto pelos colegas da aldeia. Já o adolescente Wilton Xavante, 14 anos, apresenta queimaduras de terceiro grau em pelo menos 50% do corpo. Wilton e José Fábio caçavam na tarde de sábado, na companhia de outros índios, numa área de terras da reserva onde moram. Como fazem há várias gerações, eles usaram o fogo para encurralar e capturar os animais.

O tempo seco e o vento forte acabaram acelerando a queima e mudando a direção das labaredas. Conforme relato dos indígenas ao administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região, Euvaldo Gomes da Silva Filho, José e Wilton não conseguiram fugir e acabam presos entre as chamas. Resgatados pelos próprios índios, ambos foram levados até o distrito de Serra Dourada, que fica às margens da BR-158, a 45 quilômetros de Canarana. De lá, foram transportados para a sede da aldeia e, em seguida, socorridos por uma equipe da unidade da Funai.

Silva Filho disse que a chamada “Caçada do Fogo” é um hábito quase que diário nas aldeias nessa época do ano. O que são raros, assegurou, são acidentes como esse que deixou dois índios queimados.

Apesar de terem sofrido lesões, o administrador da Funai disse ao Diário, por telefone, que conversou com médicos do hospital goiano e foi informado que nenhum dos índios corre risco de morte. Entretanto, Silva Filho não soube informar as proporções do incêndio, ou seja, se o fogo se prolongou por mais tempo e a extensão da área destruída.

Um comentário:

Guilherme Carrano disse...

Os Xavante praticam essa estratégia de caça no cerrado há centenas de anos.
Quando estive lá, com pensamento ambientalista que considerava a caçada com fogo um absurdo, em conversa no Warã (reunião no centro da aldeia) os velhos me disseram: - quem está destruindo a natureza e os animais são os fazendeiros, nós fazemos isso porque nossos avós nos ensinaram e rápido o cerrado fica todo verde outra vez e os animais voltam a andar por aí.
- os fazendeiros não, os plantadores de soja não, derrubam tudo, acabam com tudo não fica nenhum pé de pequi nem de frutas do cerrado , plantam capim ou soja e não sobra nenhum animal silvestre.

 
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