quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ministério da Justiça e Polícia Federal investigam Ongs indigenistas

O Ministério da Justiça preparou um grupo de trabalho para atuar na fiscalização de diversas Ongs que trabalham na Amazônia, seja com questão fundiária, seja com questão indígena. A Polícia Federal já abriu inquéritos contra várias Ongs.

Para começar, escolheu sete Ongs, entre brasileiras e estrangeiras. Uma delas é a JOCUM, que é acusada de introduzir "rituais estranhos à etnia suruaha, no Amazonas". E olha que o Ministério da Justiça nem teria visto ainda o vídeo que está em discussão abaixo.

A propósito da postagem sobre o vídeo divulgado pela JOCUM, abaixo, os seus defensores estão muito alvoroçados. Mais de 80 comentários foram postados até hoje de manhã, a grande maioria escondendo-se na anonimidade, com desaforos e ataques pessoais a mim; um ou outro querendo algum diálogo. A esses últimos, em algum momento futuro, responderei sobre os pontos importantes que suscitaram minha crítica ao vídeo.

Independendentemente do que a JOCUM queira ou tenha intencionado, o fato é que tanto o vídeo abaixo postado quanto o filme de 30 minutos que está postado no site hakani.org, são inaceitáveis dentro do espírito indigenista e antropológico do Brasil. Eles o fizeram para servir de propaganda internacional às suas atividades missioneiras. Os vídeos tocam americanos e europeus, sem dúvida, tocam brasileiros envolvidos na retórica da JOCUM, sem dúvida, mas também os deixam a todos meio assombrados pela estética de filme de horror e maldição da qual o diretor do filme parece ser usuário. Agora, sob a nossa legislação, constitui infração de direitos humanos e de direitos de imagem usar índios para reconstituir um ato contra a própria cultura indígena. Isto está no Estatuto do Índio, que é lei no Brasil.

O Ministério Público, através da 6ª Câmara de Minorias e Populações Indígenas, o Ministério da Justiça e a própria Funai foram contatados ontem pelo jornal Correio Braziliense para darem suas visões sobre esse vídeo. Certamente que eles tomarão uma atitude a respeito. A omissão, o fingir que não sabe de nada, seria uma acinte. De minha parte fica registrada minha indignação contra esse ato nefasto de caricaturar um povo indígena, de manipular pessoas indígenas para atuar em uma peça sobre a qual eles não sabem a intencionalidade, e contra uma propaganda capciosa de uma entidade que se diz cristã.


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ONGs são acusadas de roubar os índios

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

A Polícia Federal abriu vários inquéritos para investigar irregularidades apontadas no levantamento do Ministério da Justiça sobre a atuação de Organizações Não-Governamentais (ONGs) com atuação na Amazônia. De relação de 25 entidades encaminhadas à Secretaria Nacional de Justiça e à Polícia Federal, pelo menos sete constam como problemáticas e passíveis de investigação por suspeitas que vão de desvio de recursos públicos a introdução de rituais religiosos estranhos à cultura indígena.

As entidades relacionadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que passarão por uma triagem da Polícia Federal são a Amazon Conservation (ACT), Comissão Pró-Yanomami (CCPY), Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja), Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste do Mato Grosso e Sul do Amazonas (Cunpir), Jovens Com Uma Missão (Jocum), Movimento Novas Tribos do Brasil (MNTB) e a Cool Earth, ONG de origem inglesa, cujo co-fundador, o sueco Johan Eliasch é acusado de danos ao meio ambiente e suspeito de ter usado entidades de fachada para comprar terras no Amazonas. Eliasch inventou um conceito, áreas adotadas, para estimular empresários estrangeiros a comprar terras na região.

Cultura indígena

A ACT teria feito campanhas para compra de terras e se apropriado de conhecimentos tradicionais indígenas a serviço de laboratórios estrangeiros de cosméticos. A CCPY também teria se prestado a esse tipo de trabalho. A Jocum teria interferido na cosmovisão indígena, introduzindo rituais estranhos à etnia suruaha, no Amazonas. Uma das mais antigas seitas religiosas com atuação na Amazônia, a americana MNTB, é suspeita de ter feito prospecção de minério, contrabando e espionagem.

O grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Justiça recebeu, também, dezenas de denúncias listando outras entidades que estariam agindo à margem da lei, cujos nomes também foram repassados à Polícia Federal. Uma delas, a Associação Brasileira de Desenvolvimento Sócio-Econômico (Abradese), sediada em Colinas do Tocantins (TO), teria recebido, em 2004, R$ 2 milhões do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sem realizar os serviços prometidos em assentamentos rurais do município.

A denúncia foi retirada de um ofício encaminhado pela Prefeitura de Colinas com os nomes dos supostos beneficiados, os ex-prefeitos José Santana Neto e Gilson Pereira da Costa, ambos do PT.

– Parte do dinheiro foi desviado para a campanha eleitoral do PT – disse ao Jornal do Brasil a prefeita Maria Helena das Dores (PP).

– Não temos nada com esse assunto, não fazemos parte da entidade e nem sei porque fomos citados – defende-se Costa.

Segundo ele, a Abradese abriu estradas em assentamentos e ainda teria dinheiro a receber do Incra. A entidade, segundo afirma, é dirigida por um filiado do partido no Tocantins, Antônio Carlos Montandon, que mora em Palmas.

Comparado ao montante que o governo federal liberou nos últimos oito anos para ONGs em geral, o repasse do Incra à ONG de Colinas do Tocantins é irrisório. Dados da Controladoria Geral da União (GCU) aponta que nos últimos quatro anos do governo Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em valores atualizados, a montanha de dinheiro alcançou a espetacular cifra de R$ 48,02 bilhões – uma média de R$ 6 bilhões por ano – sem que as entidades tenham prestado conta sobre a execução dos convênios.

– O paradoxo é que todas as que recebem dinheiro do governo se apresentam como entidades sem fins lucrativos – diz o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.

No levantamento feito pelo grupo de trabalho criado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, para diagnosticar a atuação das ONGs na Amazônia há fartura de denúncias: desvio de dinheiro público, entidades que servem de fachada para estrangeiros na compra de terras, espionagem, apropriação de conhecimentos tradicionais das etnias, evangelização e aculturação forçadas e exploração de recursos minerais.

19 comentários:

T.P.Edwards disse...

Dear Mr Gomes, after having read more about this article, I can understand why you are upset by this vídeo, it's obvious why it upsets anthropologists and members of the FUNAI. However, upon closer inspection of the video, I have come to the conclusion that it does not seem to be an advertisment for this NGO, JOCUM.

As far as I can tell, it seems to be rather impartial. Yes, I see that the young girl Hakani was adopted as she had been rejected by her own tribe due to some sort of mental condition. However, to leave her to die would be against the consitution of just about every country, including the international rights as stipulated by the UN.

Having seen some of the statistics of the Zuruwaha people, it would appear that the amount of deaths per year has dropped quite a lot since the contact with the outside world, I don't know about you, but less death is something that should be heralded and not rejected.

Having read about the NGO on their site (hakani.org), it seems that it was an incentive started by the own members of the Zuruwaha tribe themselves, to protect their own children, and not by this NGO.

I admit that some of the images are disturbing, but if this is what really is happening, the Brazilian people need to put an end to it.


I don't think it was a case of the "white man" forcing the Indians to do things that they didn't want to do, afterall, they are just as human as you or I, they have their own minds and I'm sure that if it were something that was really against their own wishes and desires, that they would have refused to participate.

In any case, I hope the Brazilian government is looking seriously into this case on both sides, and isn't just replicating communistic govenmental policies such as in China (removal of street dwellers in order to avoid "bad media").

If you have any sorto of mailing list or further reading, I'm keen to find out more about this subject and would like to be updated on the situation.

From a concerned European citizen,

T.P.Edwards
wordit@hotmail.com

Anônimo disse...

Sr.Mércio, como pode ter certeza, de que só os jocumeiros postaram em seu blog, contra a sua opinião, está dizendo que o povo é a favor do infanticídio?Está dizendo que não existe nem uma parte do povo que fisacliza, que opina, que se enganja em causa humanitária?
O que aparece no filme não é nem um terço do que realmente acontece nas aldeias!

Gediel Ribeiro de Araújo Junior disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gediel Ribeiro de Araújo Junior disse...

Olá Mércio.
Conheço um pouco a discussão que a Atini se propõe a fazer.
Particularmente sou contra a intervenção na cultura indígena, o que na prática seria dizer, a partir de nossa cultura, o que pode ser aceito ou não da cultura de outrem.
Mas o caso em questão me coloca no seguinte dilema: no caso de infanticídio, podemos fazer algo? Sabendo que, se há infanticídio, o mesmo ocorre como decorrência da cosmovisão dos índigenas; e partindo do princípio que a cultura não é algo estanque, uma pedra, sendo sempre reelaborada pela sociedade concernida; e sabendo que já há vozes indígenas questionando a prática; é possível fazer algo? Como?
No caso de extirpação de clitóris, infanticídio, escravidão, antropofagia podemos fazer algo? Em que termos? Intervenção, diálogo?
Gostaria de receber além de sua resposta, indicação de bibliografia sobre este dilema.
Estou aberto para qualquer discussão. o meu e-mail é gedieljr@gmail.com

Cristina disse...

´´Agora, sob a nossa legislação, constitui infração de direitos humanos e de direitos de imagem usar índios para reconstituir um ato contra a própria cultura indígena´´.

crei que há uma infração, mas acredito que a infração maior é o desrespeito ao direito a vida.

Desrespeito a declaração dos direitos humanos universais. O Brasil enquanto signatário da ONU permite o infanticídio indígena. Desrespeito ao ECA!

Será que as pessoas contrárias ao filme nõ conseguem ver o índio como agente ativo, não apenas um mero agente passivo! Ele é sujeito, dono de sua história. Seres pensantes e não meros fantoches. Quem acusa a outros de o verem assim, talvez tenha essa imagem como cosmovisão!

No filme há várias etnias reunidas, cada uma falando seu próprio idioma! Todos juntos numa única causa, contra oinfanticidio!

Será que os índios não merecem créditos pelo filme.

Ticiany disse...

Sr. Mércio, este espaço é magnífico, tenho que confessar.
Graças a ele toda essa discussão tem vindo à tona.
Desconheço sua real intenção ao tratar do filme e do fato de ONGs internacionais estarem 'invadindo' o território e a cultura indígena. Seria proteger a cultura e o povo indígena certo?
Mas ainda não sei qual seria sua posição pois defendes vários direitos dos índios, menos um: o direito à vida.
"A omissão, o fingir que não sabe de nada, seria uma acinte."
O senhor então, durante seus 3 anos de árduo trabalho como presidente da Funai não sabia que os infanticídios aconteciam, não podendo assim ser acusado de se omitir, certo?
Sendo assim, realmente muitos têm te acusado falsamente de omissão, certo?
"De minha parte fica registrada minha indignação contra esse ato nefasto de caricaturar um povo indígena, de manipular pessoas indígenas para atuar em uma peça sobre a qual eles não sabem a intencionalidade"
Por que os índios não sabem a intencionalidade? Eles são algum tipo de seres menos providos do que cada um de nós no que diz respeito à capacidade de raciocinar, expressão de sua vontade, são seres incapazes de pensar e sentir?
Nesse caso deveríamos sim intervir para que estes fossem protegidos daqueles que tentam abusar deles (como a Funasa interviu tão bem no caso da jovem índia com necessidades especiais que foi violentada e assassinada
dentro da sua sede na semana passada, diga-se de passagem)se estou errada, me corrija.
Mas, se, por outro lado, eles são pessoas, seres humanos, portadores, portanto, dos mesmos direitos que a ONU defende, por que, então, não paramos pra ouvir o que eles têm a dizer?
E precisamos sim, de alguém que traduza, seja nacional, religioso, antropólogo, o que seja, porque ao contrário do inglês, espanhol, francês, ou português, as línguas indígenas não são muito populares hoje em dia, se é que é necessário lembrar isso.
Aliás, seria muito interessante se, com todo seu conhecimento sobre antropologia e valorização do homem como ser integral e capaz de decidir sua história que o senhor falasse mais sobre essa prática de enterrar filhos vivos, a repercussão emocional e social dentro de uma tribo dessa prática, e do posicionamento pessoal dos indígenas. Seria muito interessante podermos saber mais sobre isso e talvez seria espantoso para muitos descobrir que índios são humanos, pensam, sentem, choram, amam, desejam, lutam, como cada um de nós...
Mas quem se importa? Desde que fiquem lá em suas tribos, os índios são a coisa mais importante pra se ver e se estudar... e nada mais!
Ao ler essas matérias fico a imaginar que direitos eles têm? O de permanecerem calados em suas tribos? Por que os índios devem ser mantidos lá? E se eles não querem isso? Quem tem o direito de limitar-lhes os direitos de ir e vir e de expressar sua vontade?
Quem está caricaturando os índios afinal de contas?

Beate disse...

Sr Mercio, queria fazer mas um comentario sobre seu novo "post". Agora escrevo em ingles, para poder- me expressar melhor:

In your new post today, you are saying that the movie was made as a propaganda for missionary activities. When I saw the movie, and visited the site, I could find no such indications. Could you tell me if that is a proved fact or if it is only an opinion/ suspicion?

Another questions that I have after reading your post, is that from what I saw in the end of the movie,(after the re -enactment it self), there are a lot of testimonies from indigenous people from different tribes who are telling about their experienced with infanticide.
One of them even says that she is making this movie to tell about what is happeing and that the goal is for this practice to stop.
I have studied cultural anthropology and as I mentioned in my comment yesterday, I really support the work to protect cultural diversity.
But acording to what I have learned through studying anthropology, all cultures are dynamic, and when the change is coming from the "insiders" in the culture, it is very different than if someone from the outside is just telling the "insiders" what is right and wrong from an outsiders point of view.

So, if the indigenous people them selves are wanting to end the practice, isn't this a very good oportunity to support them?
Or are you saying that all the people giving testifying like that had been manipulated into doing so, and are not telling the truth?

And, if someone from an indigenous tribe wants to present their opinion through participating in a movie like this, why are they not allowed to? Do they not have the freedom of speach as other Brazilian citizens?
I have heard that several of the participants are highly educated Indian leaders, in education and anthropology them selves.
Would they not know what they where doing by participating in the movie?

I'm sorry that I only posted my name and nationality in my comment yesterday. I have no need to try to appear as anonymous.
This is my e - mail adress: beatekl@hotmail.com

I really hope that all this discussion will have a postive result; that all Indians of Brazil will be granted the basic human rights, from the new born children to the old people.

Beate
Norway

Anônimo disse...

A ONU está sendo invocada como defensora e promulgadora de direitos humanos,porque então não promove a intervenção nos Estados Unidos que são os maiores desrespeitadores dos direitos humanos, exemplos não faltam: Iraque, Afaganistão, Vietnã...
e são os maiores poluidores do mundo...

Anônimo disse...

Essa estratégia missionária é antiga, tem mais de 30 anos, foi utilizada pelos Protestantes para convocar voluntários para atuarem na Amazônia.
Esse recurso disponibilizado para ONGs, volumoso assim, foi estratégia do FMI, ONU ou Banco Mundial, contra a possibilidade de política pública ?

Anônimo disse...

Ah, o cyberspace. Onde orbitam os blogs... Esta dimensão onde qualquer coisa pode ser escrita por quem quer que seja...

Conseguistes Mércio! Com um punhado de absurdos, suposições conspiratórias, inclusive uma PÉROLA SIMPLESMENTE INACREDITÁVEL ("a encenação criminosa" de pobres indígenas persuadidos, sempre eles): NUNCA este blog teve tanta audiência (visitas e comentários)!

Chega de acessos. Que volte ao anonimato, de onde nem deveria ter saído.

Será que agora a "VERDADE POR TRÁS DOS FATOS AGORA FLUIU COM MAIS CLAREZA"?

Anônimo disse...

Sr. Mércio, entendi bem, ou o alvo de sua revolta é a "encenação" de indígenas contra sua própria cultura? Vale dizer: seu posicionamento, Sr. Mércio, é pela perpetuação das práticas infanticidas entre as tribos brasileiras?

A propósito, vai longe o tempo em que neste país uma batuta autoritária levantava acusações contra tudo e contra todos que se opusessem ao regime ditatorial vigente. Infelizmente, vemos tal ranço nefasto impregnando sua argumentação, dada a forma como V.Sa. vocifera contra um documentário. A ponto inclusive de confundir o leitor quanto ao intento do blog, em que pese a verve do autor (digamos assim, neologista - como se vê em anonimidade, missioneiros, entre outras pérolas) em muito contribuir para tal confusão.

Seria então indigna a realização de um filme por parte das próprias etnias envolvidas em tão grave discussão? É isto o que pensam sobreviventes Bakairi, Kamaiurá, Kuikuru, Suruwahá, para mencionar apenas algumas etnias? Agora, ante sua virulenta reação, Sr. Mércio, vê-se que qualquer iniciativa por parte delas que fosse contrária a esta verdadeira maldição era impossível de ser realizada com sua colaboração, enquanto autoridade governamental. Felizmente para todos nós, e especialmente para os índios, isto é passado.

Estarrece-nos sua afirmação de que o vídeo é "inaceitável dentro do espírito indigenista e antropológico do Brasil". Desde quando? Quero acreditar que isto só pode ser fruto de sua fértil imaginação. Não é possível que indigenistas sérios estejam alinhados à sua posição. Acho que se assim fosse, estaríamos ainda tolerando a prática do canibalismo sob a égide da não interferência nos "usos e costumes" das tribos brasileiras, em pleno século XXI.

Causa estranheza esta sua verdadeira cruzada contra os realizadores do filme Hakani, a qual leva-nos a concluir tratar-se de puro rancor religioso, ainda que em nenhum momento no documentário os índios participem de missas, cultos ou qualquer outra celebração. Simplesmente encenam o que já não mais aceitam como natural. Seu pressuposto, Sr. Mércio, evidenciado em seu blog, está no credo dos envolvidos na produção cinematográfica - o que caracteriza o mais claro preconceito. Para estes, inclusive, há o seu conclame para que sejam condenados, punidos por "usar índios para reconstituir um ato contra a própria cultura indígena". E até sua advertência ao Ministério Público, ao Ministério da Justiça e à própria Funai, contra os quais, no caso de deixarem de opinar sobre o vídeo, pesará a pecha de omissão (???). E QUANTO ÀS CRIANÇAS ENTERRADAS VIVAS? Quem de fato é acintosamente omisso? Diga-nos claramente qual é a sua posição, de uma vez por todas.

A Jocum já fez a parte dela, numa postura verdadeiramente digna de ser chamada "CRISTÃ".

Agora permita-me permanecer na "anonimidade". Esta causa é muito maior do que nós.

Soli Deo Gloria.

Anônimo disse...

A divulgação da JOCUM, da maneira que está apresentada, já foi utilizada por outros missionários a mais de 30 anos atrás.
E aqueles missionários estavam envolvidos com reconhecimento de campos minerais na Amazônia, e utilizavam filme semelhante para angariar mais recursos, tentando justificar suas ações junto aos povos indígenas.

Wilson Bonfim disse...

Entendemos que a saúde é um bem precioso e se encontra dentre os direitos humanos mais básicos defendidos na nossa carta magna.
Art. 6o São direitos sociais a educação,A SAÚDE , o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
A questão do infanticídio no Brasil representa um agravo aviltante a saúde indígena, além de representar um atentado a dignidade a vida humana conforme se encontra descrita na constituição brasileira. O decreto presidencial que regulamenta a saúde indígena reza:
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso das atribuições que lhe confere o art.84, incisos IV e VI, da Constituição, e tendo em vista nos arts. 14,inciso XVII, alinea " c ", 18, inciso X e 28-b da Lei nº 9.649, de 27 de maio de 1998, DECRETA: “Art 1º A atenção à SAÚDE INDÍGENA É DEVER da UNIÃO e será prestada de acordo com a Constituição e com a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, objetivando a universidade, a integralidade e a equanimidade dos serviços de saúde.”

Trabalhamos há vários anos em vários projetos de saúde na Amazônia, e verificamos in loci que os povos ribeirinhos e nações indígenas não tem tido os seus direitos assegurados à saúde conforme configurado na lei. Com certeza que a violência e o infanticídio indígena, se configura um agravo a saúde do indígena dentre outras considerações.

O estatuto do indígena reza “Art.1ºParágrafo único . AOS ÍNDIOS e às comunidades indígenas se estende a PROTEÇÃO DAS LEIS DO PAÍS , nos MESMOS TERMOS em que se aplicam os DEMAIS BRASILEIROS, resguardados os usos, costumes e tradições indígenas, bem como as condições peculiares reconhecidas nesta Lei.”

“Art.2º I – ESTENDER aos ÍNDIOS os BENEFÍCIOS da legislação comum, sempre que possível a sua aplicação;VIII - utilizar a COOPERAÇÃO de iniciativa e as QUALIDADES PESSOAIS do índio, tendo em vista a melhoria de suas condições de vida e a sua INTEGRAÇÃO no processo de desenvolvimento; ““X - garantir aos índios o PLENO exercício dos DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS que em fase da legislação lhes couberem.” “Art.6º Serão RESPEITADOS os usos, TRADIÇÕES costumes das comunidades indígenas e seus efeitos, nas relações de família, na ordem de sucessão, no regime de propriedade nos atos ou negócios realizados entre índios, SALVO SE OPTAREM PELA APLICAÇÃO DO DIREITO COMUM.” “Art.5º Aplicam-se aos índios ou silvícolas as normas dos artigos 145 e 146, da Constituição Federal, relativas à NACIONALIDADE E À CIDADANIA. “

“Parágrafo único. O exercício dos direitos civis e políticos pelo índio depende da verificação das condições especiais estabelecidas nesta Lei e na legislação pertinente. “

Se os índios têm amparo da constituição que diz

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:”
“IV - promover o bem de TODOS, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e QUAISQUER OUTRAS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO.”

E ainda

“Art. 5º Todos são IGUAIS PERANTE A LEI, SEM DISTINÇÃO de qualquer natureza, GARANTINDO-SE aos brasileiros e aos ESTRANGEIROS RESIDENTES no País a INVIOLABILIDADE DO DIREITO À VIDA, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II – NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FAZER OU DEIXAR DE fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém SERÁ SUBMETIDO A TORTURA nem a tratamento DESUMANO ou DEGRADANTE;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”


E AINDA
“Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:” (…)
“V – DEFENDER judicialmente os DIREITOS e interesses das populações indígenas;”

Requisitamos que seja cumprida a lei magna da constituição em nosso país e seja estabelecido plenamente o sistema único de saúde para os índios e que seja apreciada e votada a LEI MUWAJI em regime de urgência.

Atenciosamente Dr Wilson Bonfim Secretario Executivo Nacional de Médicos de Cristo
www.medicosdecristo.org

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm http://www.funai.gov.br/quem/legislacao/estatuto_indio.html http://www.funai.gov.br/quem/legislacao/prestacao_assistencia.htm

Anônimo disse...

..."de manipular pessoas indígenas para atuar em uma peça sobre a qual eles não sabem a intencionalidade"
Comentário típico e esperado. Como muitos antropólogos ateus darwinistas acreditam na animalidade do ser humano. E como o indio seria um bicho menos evoluído, é incapaz de pensar e entender como o antropólogo, superior, evoluido e instruído. Além disso, deve ser enjaulado em reservas e mantido estanque, para ser utilizado de ratinho-cobaia em experimentos e estudos antropológicos. "Preservar" a cultura e sonegar a integração ademais, garante um bom e saudável emprego como funcionário público.
Então, é claro, qualquer interferencia e sinal de mudança deve ser insanamente combatida, sob qualquer abestalhado pretexto, para que a fonte das benesses não seque. Nada fora do esperado dessa gente.

Anônimo disse...

Shuyshuyshuahsuauhsyahsuahsyah Conheço Rondonia e as tetas em que algumas figurinhas da Funai daqui mamam: ouro e diamante das reservas, desviados, além de madeireiros... o esquema cesta básica por caminhão de mogno é muito bom, funcion que é uma maravilha e é justíssimo shyahsusyhayshyahays... Queria ter um desses pra mim. E dpois vemdizer que as ongs é que exploram shuayhsyahayhyhayahsy Tá certo, tem que proteger o monopólio sjhuayhyahayy nada de dividir a mamata.
senhor merrequércio, já ouviu sobre carro da funasa (fundação nacional do saque)carregando diamante em vez de indio doente?
Tadinhos dos diamantes, tavam tão doentinhos e solitários lá na reseva shuayhsyahsyuayhsyahsya

Cavalleiro disse...

Os cristãos humanitários da Jocum poderiam se preocupar com nossas crianças "civilizadas" abandonadas pelas ruas das grandes cidades, usando drogas, matando e morrendo. Isso que, de forma preconceituosa e simplista, é chamado de infanticídio, é uma prática que não pode ser generalizada e nem julgada sob a perspectiva de nossa pseudo moral ocidental. E cabe novamente a pergunta ao tal de shuayhsuyahsyahay: vossa senhoria por acaso sofre de alguma doença mental? Ou é pago pelos missionários da Jocum para escrever tanta besteira?

Anônimo disse...

merrequércio Cavallinho
(sei q é vc shuayhsuahsyahuyahsyaha)

Acaso vai responder ou vai apenas ficar fuugindo com tergiversações?

Que tal eu, com minha moral relativa entrar nata casinha humilde(shuayhsuahsyahsyha) e quebar tudo ? Matar algum parentinho teu e dizer que é atua hipócrita pseudo moral que te leva a se indignar?
"Isso que, de forma preconceituosa e simplista, é chamado de infanticídio, é uma prática que não pode ser generalizada e nem julgada sob a perspectiva de nossa pseudo moral ocidental." depois sou eu que sou insano shuayhsuyashyahsy tá certo, matar criança não é infanticídio shuayhsuauyhsyay tem toda razão, é besteira acreditar que matar um indinho seja mais errado que matar um macaquinho.

que tal, podemos também restabelecer o sacrifício humano, como forma de resgate cultural, ou quem sabe cruscificações em praça pública shuayhsyahsyahyayshya afinal ,nossa pseudo moral ocidental não serve pra nada shuauyhsuauyhayh
voce me convenceu, esse negócio de direitos humanos é idiotice, posso estuprar e matar a vontade , aliás podíamos começar legalizando a pedofilia também shuayhsyahyaha afinal, tuda moral oidental é relativa e pseudonímica shuayhsuyaysyahsyahsyahya
te cria moleque.

Anônimo disse...

Parabén ao professor Mércio
Aprendi com ele a deixar de ser simplista e exergar pela ótica da pesudo-moral. Aprendi também que matar criança indígena não é infanticídio, mas manifestação da pluriculturalidade que nós não podemos entender. Obrigado pela aula, professor

Anônimo disse...

Não podemos ser levados por nossas paixões pessoais e nem julgar culturas diferentes a partir da nossa,pq já temos muitos exemplos de catastrófes etnocêntricas no mundo devido a esse nosso hábito de julgar o certo e o errado a partir de nossa cultura. Para nós ocidentais,que vivemos em uma sociedade de regras,leis,etiquetas é estranho e triste ver cenas assim e julgar sem saber o por que,a história dessa tribo,a cultura,porque eles fazem esse ritual e nós posicionarmos contra pq nossa cultura diz que é contra,nossa legislação diz que é contra.É mais fácil e cômodo se posicionar contra do que estudar e pesquisar a cultura indígena.É mais fácil julgar os indíos chama-los de protegidos pela lei, do que realmente pesquisar sua cultura.E bom lembrar que tudo o que os indios fazem de errado foram nós,povos "civilizados",que estamos cientes das regras e que nem por isso as cumprimos, que ensinamos,através do nosso processo "contínuo de colonização",seja esse processo institucionalizado,Funai, ou não. E devemos lembrar que como individuos,formados por uma cultura capitalista,estamos sujeitos a essa vontade incontrolavél de lucro,poder e dominação: indios ,amazônia,novos conhecimentos,medicamentos,patentes,tudo isso deve ser levado em conta.
E só lembrando:Cultura é o resultado da transformação da natureza pelo homem,envolvendo tanto os aspectos simbólicos/imateriais quanto os aspectos concretos/materiais e os padrões de certo ou errado são RELATIVOS A CADA CULTURA.

 
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