domingo, 15 de março de 2009

Evo Morales inicia reforma agrária na Bolívia


Para quem duvidar de Evo Morales, eis um bom exemplo de suas ações. Evo iniciou o processo de distribuição de terras aos indígenas do oriente boliviano, precisamente do Departamento (estado) de Santa Cruz, onde prevalece o latifúndio.

Na reforma agrária em andamento, as terras serão redistribuídas não por algumas serem "improdutivas", como no Brasil, mas por possuírem mais de 5.000 hectares. A nova Constituição boliviana, referendada pela população com mais de 60% dos votos, proíbe terras com tamanho maior do que este.

Esta é uma posição bem mais radical, democratizante, igualitarista, e, para muitos, dificílima de ser levada a cabo, pelas reações negativas que provocam. O desafio do governo boliviano é imenso, mas Evo Morales está disposto a fazer história como um verdadeiro revolucionário.

Evo Morales não teme as consequências de suas ações. Propala-as a todos os ventos, em todas as ocasiões. Tem o apoio ideológico, embora incerto da esquerda internacional. Conta com o apoio de Lula, Chavez, Correa, Lugo e Kirchner, para falar nos mais expressivos dos presidentes de países latino-americanos.

O governo Evo é conflitual, sem dúvida, mas, internamente, conta com o apoio de uma maioria expressiva da população, 60% dela composta por indígenas Aymara e Quechua (mais de 90%) e depois por grupos menores, como Guarani.

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Evo Morales entrega as primeiras terras a indígenas


O Governo boliviano começou a distribuir os latifúndios ilegais face à nova Constituição a pequenos proprietários. A lei recentemente referendada proíbe extensões de superfície superior a 5 mil hectares.

A entrega foi inaugurada pelo próprio Presidente Evo Morales, que deu 34 títulos de propriedade a outros tantos agricultores, guaranis, num total de 38 mil hectares.

Milhares de indígenas assistiram à cerimónia, que decorreu na localidade boliviana de Santa Cruz. A concentração teve lugar a poucos metros de uma das grandes quintas expropriadas.

Os novos proprietários não poderão contudo e já ocupar os seus terrenos por os seus donos anteriores terem interposto acções na justiça contra o processo. Só depois de os casos passarem em julgado, e caso os percam, isso poderá acontecer.

Uma das coisas que a Constituição boliviana, aprovada em Janeiro, estipulou foi a proibição de latifúndios superiores a 5 mil hectares. A Bolívia era um dos países onde muito poucos tinham muitas terras e muitos milhares só podiam, e com sorte, trabalhar nelas. E os guaranis, uma das principais etnias do país, eram – e são – uma das comunidades mais abandonadas.

As terras distribuídas não o foram por estarem “improdutivas”, disse Morales, mas por serem palco de “violações dos direitos humanos”.

O Presidente, o primeiro índio a chegar a uma presidência na América Latina, é particularmente popular entre a população indígena aimara, quechua e guarani.

Um comentário:

guilherme disse...

Evo Morales está cumprindo a Constituição aprovada em seu país.
No Brasil a reforma agrária é ao contrário, Bancos e grandes empresas e empresários ruralistas se apropriam de centenas de milhares de hectares, por suas vantagens de acesso cartorial e, ainda, consideradas legais. Se apropriam também, muitas vezes ilicitamente dos cargos eletivos que favorecem a aquisição e a manutenção dos grandes latifúndios (governador, deputado, senador, presidente da república etc..).
O Brasil ainda retrógrado, com idéias de reinados medievais e populistas - avança com o aumento desenfreado da falsidade política, social e econômica da cesta básica, bolsa família etc...compram votos com a ignorância e fraquesa da miséria do povo brasileiro.

 
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