terça-feira, 17 de novembro de 2009

Índios Tikuna, na fronteira com Colômbia, criam polícia/milícia indígena

Está muito estranha e ainda muito mal contada essa história de que índios Tikuna, que vivem em uma terra indígena, Umairi, perto de Letícia, quase como um arrabalde da cidade, tenham criado uma espécie de polícia própria para proteger suas aldeias de seus próprios patrícios.

A reportagem de Kátia Brasil, da Folha de São Paulo, traz novas informações. Alguns dias atrás, houve uma entrevista com o secretário de assuntos indígenas do Amazonas, Jecinaldo Barbosa, que declarou ser a favor dessa polícia. Por sua vez, o secretário de segurança rebateu que era ilegal.

Uma questão que ninguém investigou: Quem está financiando os índios como policiais? Será mesmo a FARC colombiana, junto com seu braço traficante? Aí a coisa fica perigosa. Se não forem eles, quem poderia ser?

Até agora, como sempre, a Funai não diz se é a favor ou tolera esse tipo de autonomia, muito pelo contrário. E a confusão rola sem intervenção do órgão indigenista.

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Milícia indígena quer armas e patentes
Ticunas pedem à Procuradoria aval para que seus "policiais" se tornem servidores públicos e possam usar armas de fogo

Procurador negou permissão para uso de armas, mas disse que as outras reivindicações devem ser discutidas pela Procuradoria em Brasília 


Alberto César Araújo - 12.nov.09/Folha Imagem
"Policiais" indígenas revistam homem em Tabatinga (AM)

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS 

Índios ticunas que montaram milícias no Amazonas enviaram ao Ministério Público Federal no Estado pedido de aval para que os "policiais indígenas" se tornem servidores públicos, recebam salários e possam usar armas de fogo.


Folha revelou anteontem que a Polícia Federal investiga dois assassinatos e abusos atribuídos às milícias e o suposto treinamento delas por membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Os índios criaram as milícias neste ano, sob a alegação de que combatem o consumo de álcool e o tráfico de drogas nas aldeias do oeste do Amazonas.

No documento enviado à Procuradoria, intitulado "Estatuto Único da Polícia Indígena do Alto Solimões", os ticunas pedem aval para que a organização seja oficializada, com criação de cargos públicos e remuneração para os "policiais" custeada pelo governo federal.

Querem ainda utilizar patentes militares como soldados, cabos e sargentos.

Em resposta já enviada aos índios, o procurador da República em Tabatinga (AM), Juliano Gasperin, negou a autorização para uso de armas de fogo. Mas disse que as outras reivindicações devem ser discutidas pela 6ª Câmara do Ministério Público Federal (que trata de povos indígenas e minorias), em Brasília.

Gasperin disse à Folha que a Procuradoria vai enviar um antropólogo à fronteira com a Colômbia e o Peru para ouvir índios brasileiros sobre a "polícia indígena". Ele afirmou que é prematuro chamar a organização de milícia armada, como faz a Polícia Federal.

"Não vejo assim, é prematuro nesse momento. Essa questão da polícia indígena deverá ser objeto de complexo estudo pericial na área de antropologia, mas ainda não temos prazo para conclusão do estudo."

Em relação ao inquérito da PF para investigar os supostos crimes e o treinamento pelas Farc, Gasperin afirmou que a possível ligação com os guerrilheiros, "se realmente existir, será averiguada pelo Ministério Público Federal".

Os índios alegam que criaram as "polícias" porque a Polícia Federal e a Funai não impediam a alta incidência de crimes na região.

PF e Funai negam e dizem que as milícias são ilegais.

Um comentário:

Thiago disse...

Em uma parte a sem fiscalização da Funai às terras indigenas ticunas na região do Alto Solimões principalmente nas cidades de Tabatinga, Benjamin Constant e São paulo de Olivença leva com que os proprios indigenas cuidam de suas terras, pois houvem muitas invasões nos lagos, invasões de peruanos nas comunidades e até os nãos-indigenas invadem as comunidades. Isso leva que os ticunas fundarem os seus policiais para se protegerem. Vejam só: Um cara de pau que elabora um documento sobre os povos indigenas sem saber a realidade do povo o que adianta? E os povos estão sofrendo com invasão de terras, mortes por pistoleiros. Quem que vai resolver? Na semana passada (dia 10 de maio de 2011) três indigenas ticunas foram mortos no meio da viagem pelos bandidos. Os indigenas vieram da comunidade Campo Alegre no municipio de São Paulo de Olivença foram fazer compras e resolver a necessidade da comunidade no municipio de Tabatinga que é o centro regional do Alto Solimões foram alvo dos bandidos, e foram mortos duas pessoas e sobreviveu uma pois se jogou na água. Os bandidos sacaram o motor rabeta, canoa, dinheiro para fazer compras e documentos. E as autoridades estão nem aí com essa tragédia. Mas mesmo assim só querem criticar o que é para o bm...

 
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