quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Terena elegem um não indígena para administrador FUNAI em Campo Grande


Depois que a direção atual da FUNAI em Brasília demitiu Claudionor Miranda da chefia da AER de Campo Grande, MS, alegando descontrole financeiro, abriu-se um vácuo político naquela administração regional da FUNAI.

A AER de Campo Grande vem sendo administrada há uns 20 anos pelos índios Terena. Seus administradores são indicados por eleições entre os líderes das principais aldeias da região, cerca de 38 caciques, e a FUNAI tem acatado essa decisão.

Pois não é que, após a intervenção da FUNAI, deu-se nova eleição e os próprios índios elegeram por maioria um não indígena!

Trata-se de Jorge Neves, um conhecido indigenista da FUNAI que há anos trabalha naquela região. Jorge sempre trabalhou em postos indígenas e foi assessor de diversos administradores terena daquela AER. Quando entrei na FUNAI, em setembro de 2003, o então governador do PT, Zeca do PT, estava furioso com a FUNAI e queria porque queria tirar o então administrador Márcio Mariano e o próprio Jorge. O Jorge era um chefe de posto e ajudava muito o Márcio e os índios da região dos municípios de Dois Irmãos e Buritis que estavam lutando pela ampliação de sua terra. Na ocasião os Terena tinham terminado de fazer um protesto violento onde tinham invadido uma propriedade pretendida e até tinham feito prisioneiros policiais federais. Até hoje a Justiça não decidiu sobre essa questão, se a terra pertence aos índios ou não, apesar dos esforços feitos pelos advogados da FUNAI.

Jorge tem crédito entre os Terena. Resta saber se ele vai conseguir segurar a onda com o atual governador e os protestos dos fazendeiros.


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“Branco” é escolhido por caciques para chefiar Funai


Ângela Kempfer
Minamar Junior

No início da tarde de hoje, 38 caciques votaram e escolheram Jorge Antônio da Neves para assumir a regional da Funai em Campo Grande, que teve o ex-administrador exonerado há duas semanas.

Em uma lista de três pessoas, Jorge era o único não índio na disputa pelo cargo, em relação elaborada pelas próprias lideranças. O índio terena Miguel Jordão, da aldeia urbana Marçal de Souza, de Campo Grande, ficou em segundo lugar e o terena Joãozinho da Silva, de Aquidauana, foi o último colocado.

Jorge ganhou com 21 votos. Servidor da Funai há 28 anos, sertanista respeitado pelas comunidades, ele conquistou reconhecimento pela atuação, principalmente, na região de Dois Irmãos do Buriti. “Nunca esperei. Os outros são nomes fortes”, comenta Jorge.

O cacique terena Elisur Gabriel, da aldeia Córrego do Meio de Sidrolândia, defende Jorge por ter provado o comprometimento com os índios no município. “Quando ele esteve lá, a coisa aconteceu, principalmente na questão fundiária”, comentou.

O terena, Rodrigues Alcântara, da aldeia Buriti, votou no eleito após anos de trabalho juntos. “Conheço o trabalho de Jorge há 12 anos”.

A decisão dos índios agora será encaminhada para avaliação do presidente da Funai, Márcio Meira, que dará a palavra final sobre o administrador. Índios que participaram da eleição hoje reclamaram da tentativa de interferência do PT, que defendeu o nome de Miguel Jordão para a posição.

“Os cargos de confiança da Funai são do governo Lula, mas vamos encaminhar como reivindicação das lideranças do Estado”, esclareceu Petrônio Machado Cavalcante, que assumiu interinamente o órgão até a nomeação de novo responsável..

O grupo de caciques reunido hoje na Capital representa as etnias da região, Kadiwéu, terena e ofaié. Índios das 3 aldeias urbanas de Campo Grande não votaram, mas aproveitaram a oportunidade para cobrar direito ao voto na próxima escolha.

Há várias administrações, sempre são escolhidos índios para a chefia da Funai em Campo Grande. O último nomeado foi o terena Claudionor Miranda, exonerado no dia 21 de novembro por irregularidades detectadas, como compras sem licitação e falhas nas prestações de contas.

Um comentário:

Wanderley Terena disse...

É de doer. Sob a batuta não sei de quem, estão trocando 06 por meia dúzia, ao realizarem de surpresa mesmo para os caciques que participaram, nessa escolha para quem vai administrar a Funai de Campo Grande. Espero que dessa vez a Sede em BSB examine o histórico de quem vai ser nomeado para não ocorrer como no caso recente que, após nomearem, descobriram o histórico de quem chefiava o SEAD e tiveram que exonerar sem o consentimento do administrador e, este último, por sua vez, foi exonerado mesmo tendo dias antes enviado uma carta de apoio recebido de várias lideranças e que até agora não têm resposta exata do porque do ocorrido. A questão não é o fato de ser branco ou índio. A Funai precisa ser sincera com os índios e dizer quais são os elementos políticos e quais são os elementos administrativos que devem nortear uma administração pública.

 
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