quinta-feira, 20 de março de 2008

Pankararu na TV Cultura, domingo dia 23


Atenção apreciadores da cultura dos povos indígenas! Não deixem de ver esse documentário inédito sobre os índios Pankararu, nesse próximo domingo dia 23, na TV Cultura.

Os Pankararu são um dos povos mais interessantes e dignos do Nordeste. Vivem numa terra demarcada há muitos anos, conheicda como Brejo dos Padres. A ela acrescentamos, quando eu era presidente da Funai, uma nova terra indígena, chamada Sete Serras.

Cerca de 1.500 Pankararu vivem em São Paulo. O documentário trata do povo Pankararu em sua terra natal e em sua vivência em São Paulo, para onde vieram no início da década de 1960. Muitos deles, à época, trabalharam na construção do Estádio Pacaembu.

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TV Cultura apresenta documentário inédito sobre índios

da Folha Online

A TV Cultura exibe no próximo domingo (23), às 18h, o documentário inédito "Do São Francisco ao Pinheiros". O filme foi rodado em 2007, com direção de Paula Morgado e João Cláudio de Sena.

Índios dançam no filme "Do São Francisco ao Pinheiros", que a Cultura exibe neste domingo

Ele conta a história de migração dos índios Pankararu, originários da aldeia Brejo dos Padres, próxima às margens do Rio São Francisco, no sertão pernambucano. Eles começaram a chegar a São Paulo em meados dos anos 50, fugidos da seca, da fome e dos conflitos com posseiros de terra.

Muitos se fixaram na favela do Real Parque, próximo ao rio Pinheiros, onde vivem cerca de 500 pessoas. No entanto, atualmente, cerca de 1.500 estão espalhados pela capital, em busca de sonhos e uma nova forma de vida. A maioria vive nas áreas periféricas, como Capão Redondo, Paraisópolis, Grajaú e Jardim Sônia Maria e na região metropolitana, como Guarulhos, Osasco, Francisco Morato e Mauá.

Segundo a realizadora, um dos principais objetivos do documentário é mostrar a luta dos Pankararu em preservar sua identidade tanto na terra natal, como longe dela, além de descobrir o porquê de escolherem São Paulo, que sonhos trouxeram, o que esperavam dessa viagem e o que mudou ao longo desses quase 60 anos.

O documentário tem produção do Lisa (Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da USP) e da ONG Ação Cultural Indígena Pankararu. O filme será reapresentado pela Cultura no dia 28, às 20h.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Um quinto de jovens Tikuna são considerados usuários de cocaína


A coisa está braba na questão indígena brasileira!! Não sei quanto tempo mais vai durar essa irresponsabilidade e desleixo!

Desta vez é a constatação, feita pelo administrador da AER de Tabatinga, Davi Felix Cecílio, índio Tikuna, de que um quinto dos jovens Tikuna da aldeia Umariaçu, cheira cocaína e está viciado nessa droga.

Umariaçu é uma das maiores aldeias Tikuna. Fica na beira do rio Solimões, ao lado da cidade de Tabatinga, que faz fronteira com Letícia, cidade da Colômbia, a pátria da pasta de cocaína.

Mas não é só por causa da fronteira que os jovens índios são acusados de serem usados como "mulas" pelos traficantes colombianos. Segundo Davi Felix, praticamente todas as aldeias sob sua jurisdição têm alguma forma de uso e tráfico de drogas. E vejam que algumas aldeias da AER de Tabatinga estão a mais de 300 km de Tabatinga.

Por sua vez, o coordenador da Funasa da região diz desconhecer a presença de cocaína nas aldeias. Ou ele vive no mundo das nuvens ou está fugindo de um assunto que é fundamentalmente de sua alçada. Diz o coordenador Plínio Souza da Cruz: "Até o momento, oficialmente, nós não temos conhecimento nenhum. Para mim causa até surpresa. No meu entendimento, não existe isso. A gente sabe que aqui é um corredor de passagem [da droga]. Mas não posso afirmar que nas aldeias todas há consumo de drogas. Eu nunca vi, nem ouvi falar. Até mim não chegou nenhuma informação dessa."

Já em Brasília, o problema é dado como real e inquestionável, e a questão que parece interessar à direção da Funai é o problema da punição aos índios. Segundo o diretor de assistência, Aloísio Guapindaia, "os índios da região de Tabatinga que trabalharam a serviço do tráfico podem responder a processo ou ser penalizados por seus atos, mas desde que seja dado a eles um tratamento diferenciado garantido por lei. Eles não podem ficar em celas comuns, pois sofrem processo de assédio, agressões e intimidações de outros presos por preconceito. A Funai sempre pede que a custódia do índio fique a cargo dela e não da polícia."

Pelo amor de Deus, não é a cadeia a primeira coisa a ser pensada!! Pelo menos o Davi Felix Cecílio clamava por alguma ajuda aos jovens!

A repercussão desse fato triste e dramático e das péssimas respostas dadas pela Funai e pela Funasa estão em muitos jornais brasileiros, e até em jornais portugueses. Todas as três matérias sobre esse assunto nasceram do trabalho da Agência Brasil, mas a reportagem abaixo foi difundida pelo Globo Online.

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Funai: cocaína chegou a aldeias indígenas de Tabatinga

Agência Brasil

TABATINGA (AM) - O administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Tabatinga, Davi Félix Cecílio, afirmou nesta segunda-feira que a cocaína está presente em praticamente todas as 230 comunidades indígenas sob sua jurisdição, que corresponde a um total de 54 mil índios.

Em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil, ele admitiu que em determinadas comunidades, como Umariaçu, um em cada cinco jovens indígenas está viciado em cocaína, e que os traficantes estão usando os índios como "mulas" para o transporte da droga.

O governo tem que criar mecanismos para a população indígena, senão eles vão se envolver nas drogas. O administrador da Funai afirmou já ter procurado a Polícia Federal para coibir o tráfico em Umariaçu. Segundo ele, A PF realizou uma rápida operação sem resultados efetivos.

Cecílio disse ainda que a Funai não tem tem conseguido combater esse tipo de problema, pois não tem competência legal para combater esse tipo de crime.

- O governo brasileiro, por meio da Funai, tem que criar mecanismos para a população indígena, senão eles vão se envolver nas drogas. Tem que oferecer alternativas como cursos profissionalizantes - disse o administrador da Funai.

terça-feira, 18 de março de 2008

Xukuru-Kariri continuam nas terras retomadas

Os índios Xukuru-Kariri, de Palmeira dos Índios, continuam firme no seu propósito de ficar nas terras das fazendas que invadiram há 15 dias atrás alegando estarem na área de terras que estão sendo reconhecidas pela Funai.

Tratei dessa matéria há alguns dias. Vale recordar pela determinação dos Xukuru-Kariri em continuarem nessas terras.

Em outra matéria, os índios entraram na fazenda de um vereador que tem dívidas por todos os lados. Acho que assim ficará mais fácil deles obterem essas terras. Veja reportagem em Gazeta de Alagoas

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Vara Agrária realiza inspeção em Palmeira dos Índios

O juiz da 21ª Vara Cível da Capital – Conflitos Agrários, Carlos Cavalcanti de Albuquerque Filho, e o juiz Federal da 8ª Vara de Alagoas, Rubens Canuto de Mendonça Neto, realizaram na última sexta-feira (14), uma inspeção judicial na propriedade “Paraíso das Águas”, em Palmeira dos Índios. O objetivo da visita era verificar “in loco” a situação do conflito que deu origem à ação de reintegração de posse do local.

Os indígenas da tribo xucuru cariri (Cafurna de Baixo) bloquearam, há cerca de quinze dias, as estradas que dão acesso à propriedade, alegando que estão sendo ameaçados por jagunços armados, que rondavam as terras. “Meu pai também era líder do meu povo e ao morrer, aos 101 anos, ele me deixou a atribuição de lutar por nossos direitos, e é isso que eu tenho feito até hoje”, explicou Cícero Francelino da Silva, cacique da tribo.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), cerca de 46 famílias vivem na região, totalizando cerca de 300 pessoas. Os indígenas afirmaram, durante a inspeção judicial, que invadiram o território por sentirem que sua privacidade estava sendo invadida, pois não podiam praticar seus rituais em seus locais sagrados, pois sempre havia a presença de empregados dos fazendeiros espionando o grupo. A propriedade faz limite com o local dos rituais.

Após ouvir as informações de ambas as partes, o juiz Carlos Cavalcanti concluiu que o conflito tratava-se de um litígio sobre terras indígenas e não agrário, deslocando a competência do processo para a Justiça Federal, que passou a conduzir a inspeção. O Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, através do capitão PM Casado, apelou para o bom senso das partes, no sentido de procurarem manter a paz e a boa convivência no local.

A inspeção foi encerrada, deixando agendada para o próximo dia 25 de março, no Fórum Federal de Arapiraca, a audiência de conciliação. A Polícia Militar se comprometeu a enviar uma guarnição ao local para fazer rondas nos horários de maior movimento, identificando as pessoas que passarem pela propriedade. Os indígenas desobstruíram a estrada após o acordo.O ministério Público Estadual, através do promotor Tácito Yuri, disse que o MP não irá tolerar qualquer ameaça ou violência por qualquer das partes.

Funai não responde à ONU

Um dos relatores da ONU para questões de habitação, Miloon Khotari, que esteve no Brasil há algum tempo, reclamou publicamente que o Brasil não responde às perguntas e demandas que ele vem fazendo sobre a questão indígena.

Na minha presidência na Funai a ONU costumava fazer longas cartas com questões específicas, as quais vinham de demandas dos índios ou das Ongs que se diziam representar os povos indígenas. Seja o caráter que essas perguntas tivessesm, nós da Funai nos sentíamos obrigados a responder, e o fazíamos, e mandávamos nossas respostas para o Itamaraty, que as enviavam para a ONU.

Parece que desta vez a Funai está em falta. O relator reclama que há um ano não tem resposta. A Funai alega, na matéria abaixo, que nunca recebeu tais perguntas. O resultado é que o Brasil fica por baixo, devedor de demandas da ONU. Por mais que não se concorde com as insistentes e impertinentes perguntas, tem-se que respondê-las.

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ONU pede respostas sobre direitos dos índios
Relator acusa País de não esclarecer pedidos há um ano; governo alega que enviou informações

O Estado de São Paulo
Jamil Chade

A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa o Brasil de ter ignorado nos últimos 12 meses todos os pedidos de esclarecimento feitos pela entidade sobre direitos dos indígenas. Segundo Miloon Khotari, relator para o direito à moradia, desde março de 2007 a ONU envia pedidos de explicação de violações de direitos humanos e nenhuma delas foi respondida. O governo contesta a acusação, alegando que enviou as informações.

"A atitude do governo está sendo muito negativa. Ignorar nossos pedidos de explicação não resolve nada", afirmou Khotari.

Um dos questionamentos se referia à situação dos índios caiuás em Mato Grosso do Sul. Em novembro, a ONU pediu explicações ao Brasil sobre informações de que estavam sendo expulsos de suas terras por fazendeiros locais. Essas terras teriam sido reconhecidas oficialmente pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2005, mas fazendeiros chegaram a contratar seguranças privados para tentar expulsar os índios. Em outubro de 2007, esses seguranças teriam tentado estuprar líderes da comunidade. Silvina Romero teria sido violentada diante do próprio filho, enquanto seu marido era atacado.

De acordo com a queixa da ONU, a própria polícia local também teria atacado membros da comunidade, alegando que estariam preparando invasões de terras de fazendeiros.

Outro questionamento da ONU é em relação à crise na reserva Raposa Serra do Sol, com a ocupação de terras indígenas por fazendeiros. O governo brasileiro garantiu à comunidade local que a desocupação da área de 1,7 milhão de hectares está sendo providenciada e a maior parte da população não-indígena já foi retirada do território destinado aos índios. Homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2005, a Raposa Serra do Sol foi festejada na época como a mais notável intervenção de seu governo a favor dos índios. O ato beneficiaria cerca de 18,7 mil índios, dos povos patamona, uapixana, taurepangue, macuxi e ingaricó.

O problema é que sete grandes empresas agropecuárias, dedicadas sobretudo à produção de arroz, insistem em permanecer no local e prometem resistir às pressões para sair.

Os representantes dessas empresas, apoiados por políticos de Roraima, entre os quais o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), querem a renegociação da demarcação da terra indígena. Propõem que seja destinada uma fatia dela aos arrozeiros. A reserva fica ao norte de Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. O debate sobre sua demarcação demorou cerca de 15 anos e até hoje persiste em algumas áreas.

Recentemente, o governador do Estado, Ottomar Pinto (PTB), contestou os laudos antropológicos feitos antes da homologação, afirmando que eles não servem para garantir o domínio das terras pelos indígenas.

"Não entendemos por que o Brasil ignora nossos pedidos de explicação sobre isso", reclamou Khotari.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Todos os índios são descendentes de seis mulheres


Cada vez mais a ciência vai se aperfeiçoando no conhecimento dos seres humanos.

A matéria abaixo fala da origem do homem nas Américas através da análise de DNA mitocondrial. O presente estudo postula a hipótese de que, não obstante a grande variedade de fenotipos, todos as pessoas indígenas da Américas são descendentes de apenas seis mulheres que atravessaram o Estreito de Behring há aproximadamente 19.000 anos.

Os estudos de DNA mitocondrial são complementados com os estudos do cromossomo Y. Ambos os casos são feitos com a retirada de sangue ou com células extraídas da parte interna da buchecha, com uma simples escovação. Por esse último método, diminuem os riscos de se querer comercializar sangue através de sua imortalização, tal como aconteceu com alguns laboratórios que participaram do Projeto Genoma. O caso da imortalização de soro sanguíneo dos índios Suruí e Karitiana, conforme denunciado pela mídia (ver estudo do bioantropólogo Ricardo Ventura) não se repetirá.

No Brasil, existem algumas propostas de pesquisa que buscam enfocar as populações indígenas e mostrar a sua aproximação genética umas com as outras, por um lado, e com suas origens asiáticas. Considero esses estudos importantes e necessários para que os índios conheçam melhor suas relações histórico-genéticas.

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Mães de todos

Agência FAPESP

Seis mulheres. Quase todos os indígenas atuais que vivem nas Américas do Norte, Central e do Sul deriva em parte de apenas meia dúzia de “mães fundadoras”, cujos descendentes se deslocaram pelo continente há cerca de 19 mil anos.

A afirmação vem de um estudo feito por um grupo internacional de pesquisadores e publicado no dia 12 na PloS One. De acordo com a pesquisa, as seis mulheres deixaram um legado genético que persiste até os dias de hoje em cerca de 95% dos indígenas americanos.

Os pesquisadores basearam o trabalho na análise de DNA mitocondrial, um tipo de DNA que não se localiza no núcleo da célula, mas na mitocôndria, organela que atua na respiração celular.

“Até recentemente, apenas um número limitado de seqüências genômicas mitocondriais completas que pertencem a haplogrupos de americanos nativos estava disponível, o que deixou a América como o continente com menos informação a respeito da variação nas seqüências de DNAs mitocondriais”, descreveram os autores no artigo.

Haplogrupos são grupos de haplótipos – séries de alelos (formas alternativas de um mesmo gene) em lugares específicos em um cromossomo – que compartilham um mesmo ancestral comum.

domingo, 16 de março de 2008

AGU paralisa reconhecimento de terras dos quilombolas. E as terras indígenas?

Os processos de reconhecimento de terras dos quilombolas estão completamente paralisados devido a uma Instrução Normativa lançada pela Advogacia Geral da União em novembro passado. O movimento quilombola e seus simpatizantes estão furiosos e desapontados.

As reclamações de fazendeiros e outros contra o reconhecimento como quilombos de bairros rurais com presença de negros, mestiços ou brancos indefinidos, ou de comunidades que nunca antes fora reconhecida como de ex-quilombolas, levaram a Casa Civil a pedir um parecer da AGU. O resultado é um passo atrás no reconhecimento de ex-quilombos e das terras tradicionalmente usadas pelos seus moradores.

Há uns quinze ou vinte anos atrás, quando diversos antropólogos começaram a estudar comunidades rurais com forte presença de negros, fez-se um levantamento das comunidades que teriam advindo de antigos quilombos ou de moradores que haviam herdado terras de antigos proprietários, até antigos donos de escravos, que lhes haviam doado tais terras em seus testamentos de morte. Pelo menos 230 tais comunidades foram reconhecidas e muitas foram estudadas. A maioria dessas comunidades estavam localizadas no Centro-Oeste e na Amazônia, mas havia delas até em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A partir do governo Lula esse número foi elevado para mais de 1.500, e alguns falam em mais de 3.000, depois que um decreto presidencial ampliou os conceitos de quilombo e de quilombolas para comunidades de afro-descendentes, mesmo que não tivessem resultado de ex-quilombos ou de doação de terras. Por sua vez, os primeiros relatórios de antropólogos sobre algumas dessas comunidades, com base nesse decreto presidencial e levando em conta o conceito de tradicionalidade tal qual referido a comunidades indígenas, reconheceram como terras quilombolas áreas de grande extensão sobrepondo-se sobre terras de proprietários de longa data e até de bairros urbanos e, por fim, terras usadas por militares, como a Aeronáutica, em Alcântara, no estado do Maranhão, e a Marinha, na restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro. Daí é que a Casa Civil foi acionada e acionou, por sua vez, a AGU.

O resultado é este que essa matéria do Estado de São Paulo publica hoje. Um atraso está à vista. Do exagero, vem um retrocesso. O mesmo está para acontecer com o reconhecimento de terras indígenas. Aliás, a AGU já preparou sua Instrução Normativa a respeito, mas sofre a resistência de todos nós, inclusive o Ministério Público. O problema é que, ao querer regulamentar um assunto que tem muita mistificação, a AGU deixa de lado a verdade histórica e termina criando novas ambiguidades que provocarão mais controvérsias.

O indigenismo rondoniano tem que estar atento para mais uma mistificação que pode resultar em perdas para os povos indígenas.

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AGU intervém e concessão de terras para quilombolas é suspensa
Advocacia da União quer reduzir poder do Incra, que considera excessivo, mas comunidades resistem a mudança

Roldão Arruda, O Estado de São Paulo


Por uma falha interna do governo, o processo de demarcação de terras de remanescentes de quilombos está sendo paralisado no País. O centro do problema está localizado no órgão encarregado de demarcar e titular as terras - o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). De acordo com análises internas, a autarquia concentrou poderes excessivos e criou atritos com outras instituições, como a Marinha e os Ministérios do Meio Ambiente e o da Defesa, entre outros.

Desde dezembro o governo tenta mudar a Instrução Normativa nº 20, com a qual o Incra definiu, em setembro de 2005, suas tarefas em relação aos quilombos. Mas não obtém sucesso por causa dos quilombolas: eles se recusam a discutir a nova instrução normativa e o governo não pode colocá-la em vigor sem ouvi-los.

Por causa do impasse, os órgãos oficiais continuam tocando os processos de demarcação em andamento, mas relutam em aceitar novos pedidos. Daí a paralisia que já se verifica.

A polêmica começou em setembro. Foi quando o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), vinculado à Presidência da República, depois de receber reclamações de diferentes órgãos do governo, encaminhou à Advocacia-Geral da União (AGU) um pedido para coordenar um grupo de trabalho interministerial - com a tarefa de aparar as arestas e aprimorar as demarcações.

Após dois meses e meio de debates, a AGU concluiu que o nó do problema estava na instrução do Incra, como explica o consultor-geral da União, Ronaldo Araújo Vieira Júnior: "Em 2003, quando o presidente Lula assinou o Decreto 4.887, que regulamenta o artigo 68 das Disposições Constitucionais, sobre a legalização de quilombos, ele transferiu para o Incra a tarefa de demarcar e titular as terras. Em 2005 o Incra publicou sua instrução, com orientações para o trabalho. Mas assim que foi posta em execução ela causou problemas."

Segundo o consultor, o maior problema foi o excesso de poderes dados aos funcionários da autarquia na solução de conflitos. "Hoje, quando surgem controvérsias jurídicas entre órgãos do governo sobre as áreas reivindicadas pelos quilombolas, quem resolve é o superintendente regional do Incra", diz, dando um exemplo. "Na minuta da instrução normativa que preparamos, e que está à espera de discussão, o órgão encarregado de dirimir as dúvidas jurídicas será a AGU. Ela decidirá, por exemplo, se é o Incra ou o Ibama que está com a razão numa disputa. Por outro lado, se a controvérsia for política, ela será dirimida pela Casa Civil."

BALIZAS

A nova instrução também detalha balizas técnicas para definição dos quilombos. "Do jeito que está, o texto parece carta de princípios. A proposta é usar como paradigma a portaria que trata do reconhecimento das terras indígenas e eliminar critérios subjetivos", conta Vieira.

A minuta trata até da contratação de antropólogos para o trabalho de certificação dos quilombos. "Tivemos que especificar que antropólogos que possuem contratos de trabalho com as comunidades quilombolas não podem ser usados nesta tarefa, para não haver contradição de interesses."

Para o consultor, o eixo norteador das mudanças é a sustentabilidade jurídica: "Não adianta fazer demarcações a toque de caixa, para mais tarde vê-las derrubadas no Judiciário."

A minuta está pronta desde dezembro. Mas para vigorar o governo precisa apresentá-la às comunidades quilombolas - uma vez que o País é signatário da Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela qual povos indígenas e tradicionais devem ser consultados sobre leis que afetem suas comunidades.

Os quilombolas não aprovam a minuta. Seus representantes estão se reunindo para discutir uma estratégia de ação, mas evitam falar sobre o assunto. Na opinião do deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Quilombolas, a retração dos quilombolas é justificável: "A demarcação de suas terras tem sofrido tantas pressões contrárias e tantos ataques da bancada ruralista do Congresso que é natural desconfiarem da mudança. Acho que o governo não deve recuar e deve manter a instrução do Incra."

No Incra, a assessoria de imprensa informa que a instituição apenas leva adiante pedidos de demarcação que recebe; e que a Instrução Normativa nº 20 permanece em vigor.

sexta-feira, 14 de março de 2008

ANTROPOLOGIA: Leia trechos iniciais do Capitulo 10

Capítulo 10

O FUTURO DA ANTROPOLOGIA

Sejamos otimistas: vamos acordar que o homem tem futuro. Assim, também poderá haver futuro para a Antropologia, como ciência e como discurso filosófico que pretendem dar conta desse homem. Como será esse futuro? Esta é uma pergunta que alguns poucos loucos e profetas tentaram responder pela intuição ou por receberem mensagens cifradas do além. Outros, com pretensões científicas, também ousaram fazer prognósticos com base em tendências da época, mas, ao final, quase todos terminam dando com os burros n´água. Alguns prognosticaram o computador, como instrumento de cálculo e banco de dados, mas não com os resultados práticos que hoje temos. Ninguém prognosticou a internet, a não ser depois que o computador já funcionava com as características atuais. Assim, seria muito fora-de-propósito, ainda mais nos tempos de hoje, com o reconhecimento de grandes e incalculáveis mudanças que surgirão para diminuir ou driblar os problemas ambientais no mundo, tentar projetar um futuro para o homem. Todavia, ao nos propormos que a Antropologia poderá continuar a existir, temos que enfrentar o desafio e ousar pensar alguma coisa acerca do futuro do homem para, assim, imaginar o futuro da nossa disciplina.

Nossa metodologia neste capítulo será tecer panoramas de possibilidades culturais a partir das tendências atuais, sem dúvida, mas também das características que sempre compuseram o homem: sua sociabilidade, sua competitividade, a ética, a busca da liberdade e da felicidade, a tolerância e seus limites. Tudo na medida do possível e abrindo-se para que cada leitor possa fazer o mesmo exercício, concordando, concordando com ressalvas, ou discordando do que aqui se expõe. O exercício vale em si mesmo, mas também como exposição do método e da teoria hiperdialética, que aqui ficarão mais claras ao término do livro.

10.1 O Futuro já chegou?

Muitos pais, vendo seus filhos se divertirem com tanta facilidade com brinquedos eletrônicos, com jogos cheios de desafios que eles mesmos não haviam experimentado em suas infâncias, afirmam, com muita convicção, que seus filhos, as crianças de hoje, são mais inteligentes do que eles o eram. Admiram-se de garotinhos e garotinhas de 5, 6 anos dedilhando o computador, comunicando-se em outras linguagens, desafiando e vencendo truques eletrônicos que necessitam de raciocínio rápido, absorvendo uma gama incalculável de informações -- e processando-a com soluções inesperadas. Como fazem isso, se nunca eles, os pais, puderam fazer? Parece tão evidente que as crianças de hoje em dia são mais “espertas” e inteligentes do que as de “antigamente”, que ninguém se lembra que também os pais desses pais atuais se orgulhavam dos seus filhos brilhantes e novidadeiros, na era pré-computador. Tampouco ninguém se preocupa em levar em conta quais seriam as possíveis conseqüências de uma nova geração de Homo sapiens pronta para dar um salto de qualidade na sua evolução mental. Alguns até duvidam se boa coisa virá desse salto, outros brincam de dizer que já estamos virando a subespécie Homo sapiens sapiens, como se fôssemos mais sábios do que os primeiros Homo que viraram sapiens, há uns 60.000 anos. Pois sim, agora estaríamos a virar Homo sapiens sapiens sapiens, ou Homo sapiens ao cubo !

Sem querer desmerecer os nossos filhinhos ou nossas netinhas, acho que é muito cedo para se pensar em grandes mudanças no arcabouço intelectual do nosso H.s., muito menos em mudanças genéticas que possam ser transmitidas para as gerações vindouras. Mas, deixemos para os geneticistas especularem sobre isso. Fiquemos com as mudanças culturais que são mais fáceis de perceber.

10.2 Os avanços culturais

Há algumas décadas vem se pensando que estamos entrando em novo patamar de formação cultural ou novo tipo de civilização. Os nomes mais comuns dados a essa interpretação são: civilização pós-industrial, globalização, cultura pós-moderna e outros derivados. Cada um desses termos enfatiza alguns aspectos dessa visão de mudanças essenciais. Por exemplo, civilização pós-industrial quer dizer que o modo do trabalho e da organização econômica não mais dependem tanto da indústria, da vida urbana dividida claramente entre patrões e empregados, e sim de um novo tipo organizacional caracterizado pela predominância do setor de serviços, que vão desde a oferta de alimentação pronta ou semi-pronta até o trabalho de consultoria que se realiza na sua própria casa, e se comunica desde lá, sem se apresentar a um local de trabalho. E se tal evento nasceu nos Estados Unidos ou na Inglaterra, o que importa é que hoje está disseminado por países tão antigos quanto a Índia e a China, ou tão diferentes quanto o Brasil e a Indonésia.

A globalização é entendida como um processo de aceleração das comunicações e dos meios de intercâmbio e cooperação entre países e entre setores econômicos e culturais, de modo que já não se distinguiria de onde viria uma idéia, como ela havia se formado e resultado em um produto. E o dinheiro não teria pátria. A internet seria o exemplo máximo da globalização.

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quinta-feira, 13 de março de 2008

Deputados querem saber da situação indígena. Para quê?

Os deputados estão alvoroçados para mostrar serviço. A Comissão da Amazônia resolveu dar uma checada na situação indígena na Amazônia.

Primeiro começam onde interessa aos deputados. A deputada Janete Capiberibe, que tem sido sempre sensível à causa indígena, quer investigar como anda a situação dos povos indígenas em seu estado, Amapá. Lá estão concluindo o asfaltamento da BR-156 que liga Macapá ao Oiapoque, cidade fronteira com a Guiana (Francesa), onde estiveram outro dia os presidente Lula e Sarkozy. Ao longo da BR vai se instalando o linhão da Eletronorte. Nos últimos anos os índios foram contatados para avaliarem esses dois projetos e verem e negociarem os termos de compensação. Quando estive na região, em outubro de 2006, os trabalhos estavam bastante adiantados. A deputada Capiberibe quer averiguar o quanto de pessoas estão se instalando pela região e o quanto está aumentando a carência de serviços públicos. Faz muito bem.

Os demais deputados querem avaliações diferentes. O deputado Asdrubal Bentes, um notório conservador e anti-indígena, está à procura de assunto para fazer parte de sua pauta de críticas à Funai e aos índios.

Sempre fico de cabelo em pé quando vejo deputados se movimentando na questão indígena. Quase sempre boa coisa não é. Nesse momento estão fazendo uma avaliação da questão da desnutrição de crianças indígenas, especialmente na região de Dourados, Mato Grosso do Sul. Anteontem falou a Funasa através de seu presidente e uma assessora e disseram que fizeram a mortalidade infantil indígena cair de 120/1000 em 2000 para 24/1000 em 2007. Quem acredita nesses números, se até o ano 2006 eles diziam que era de 54/1000? Daqui a pouco a saúde indígena fica igual à da Noruega! Os índios, em suas aldeias, sabem que o buraco é mais embaixo. E estão a toda hora se rebelando contra os ditames da Funasa.

A Funasa quer se orgulhar de ter feito muito pela saúde indígena, quando, dizem, no tempo da Funai, a coisa era mais precária. Ora, o orçamento da Funasa, desde 1999, quando a saúde foi retirada da Funai, tem sido 10 vezes maior do que o orçamento da Funai para a saúde indígena nos anos anteriores. Hoje beira os 300 milhões de reais, e o dinheiro escorre pelo ralo. Os resultados, comparados ao dinheiro empregado e gasto, são muito distantes do esperado. Falta à Funasa o espírito indigenista que a Funai tinha e ainda tem.

Os deputados que estão fazendo essa audiência sobre a desnutrição infantil estão ligados unicamente no escândalo, não nas soluções. Não têm a mínima idéia do que é indigenismo e nem querem saber. Daí porque é tão fácil para a Funasa se livrar de qualquer pecha de ineficiência. Basta mostrar números e números.

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Comissão da Amazônia debaterá situação indígena na região

Brasília, 12/03/2008 - A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (CAINDR) vai aprofundar o debate sobre a situação da população indígena na Amazônia. Para isso, serão realizadas durante este ano audiências públicas com diversos órgãos do governo federal para discutir questões como saúde, infra-estrutura e mineração em terras indígenas.

Requerimento de autoria da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), presidente da CAINDR, foi aprovado na reunião ordinária da comissão realizada nesta quarta (12). Serão convidados para os encontros ministros de diversas áreas, associações indígenas, representantes da Funai e das Forças Armadas.

Pela proposta inicial, o debate estava previsto para abranger somente o Amapá e Norte do Pará, porém, a parlamentar acatou as sugestões dos deputados Astrubal Bentes (PMDB-PA) e Iderlei Cordeiro (PPS-RO) para verificar a situação nos outros estados da região e ainda ampliar o número de audiências.

Situação no Norte do Amapá

A presidente da CAINDR, Janete Capiberibe, argumentou que a partir da década de 90, com o advento do mercado globalizado, a fronteira norte do Amapá (Oiapoque e terras indígenas), fronteira com a Guiana Francesa, passou a ser integrada a essa economia “por meio de projetos desenvolvimentistas de alcance colonizador e de integração econômica”.

Com isso, segundo a parlamentar, cresceu o fluxo migratório contribuindo com o inchaço populacional, sucateamento e degradação da saúde. Além disso, é cada vez maior os ilícitos ambientais (roubo de madeira, tráfico de animais, biopirataria, pesca e caça predatórias), prostituição, propagação de drogas, pressões sobre terras indígenas e acirramento das tensões.

Capiberibe afirmou que esse modelo econômico, junto a iniciativa do governo federal e estadual em asfaltar a rodovia Macapá-Oiapoque (BR-156), com seu traçado cortando a Terra Indígena Uaça, causou impactos negativos aos povos indígenas do Oiapoque que foram excluídos do processo de consulta “bem como às medidas de mitigação e de compensação”, o que provou indignação nas comunidades indígenas.

“Não bastasse esse problemas, tem ainda, não menos importante, a questão da saúde dos índios, das dez pistas de pouso que dão acesso ao Parque Tumucumaque e do garimpo clandestino”, afirmou a presidente da CAINDR. Como benefícia a população indígena, ela quer a regularização das pistas de pouso.

quarta-feira, 12 de março de 2008

História Indígena faz parte da grade escolar brasileira!

Grande notícia para os povos indígenas e para todos os brasileiros de boa fé que sabem da importância dos povos indígenas na história do Brasil.

O presidente Lula sancionou a Lei que torna obrigatório o ensino da história dos povos indígenas no Brasil. É uma vitória importantíssima para os povos indígenas e para seu relacionamento com a sociedade brasileira.

A partir de agora, antropólogos e historiadores, especialmente dos povos indígenas, serão responsáveis por criar o discurso e a visão corretos do que foi a história da formação brasileira e do papel dos povos indígenas nessa história. Os antropólogos serão responsáveis por transmitir a noção exata da história dos povos indígenas em geral e de cada povo indígena em si.

Não vai ser fácil. O desafio é imenso. Mas todos estão imbuídos da importância que isso vai ter para a nossa história e para a visão do futuro do Brasil.

É para comemorar com alegria. Parabéns ao pessoal da Educação da Funai por essa vitória espetacular.

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História dos índios será obrigatória em todas as escolas

Obrigatoriedade foi publicada em lei sancionada nesta terça-feira pelo presidente.

Grade curricular não será alterada; o que muda é a forma de abordagem.

FERNANDA BASSETTE
Do G1, em São Paulo


O estudo da história do povo indígena no Brasil será obrigatório em todas as escolas da rede oficial de ensino do país, tanto públicas como privadas. A lei que determina a obrigatoriedade do ensino do tema em sala de aula foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nesta terça-feira (11) no Diário Oficial da União.

Segundo André Lázaro, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), a medida vale para todas as escolas de ensino fundamental e médio e deverá fazer parte de todo o currículo escolar, sem a necessidade de mudança na grade curricular.

"A lei sancionada pelo presidente não cria novas disciplinas, por isso a grade curricular não será alterada. O que muda é que haverá uma preocupação maior na formação dos professores para deixá-los melhor preparados para lidar com o assunto em sala de aula. É uma medida saudável e tem como objetivo mudar a abordagem da questão indígena", afirmou o secretário.

Referência generalizada
Uma das críticas da Fundação Nacional do Índio (Funai) tinha com relação ao estudo da história indígena no país é que as escolas costumam tratar os índios de forma generalizada - sem especificar que existem mais de 200 povos e etnias no país - e geralmente referem aos índios no passado.

"As escolas dizem que os índios foram, que os índios fizeram. E eles estão aqui, falam cerca de 180 línguas diferentes, estão presentes e espalhados por todo o país", disse Neide Martins Siqueira, coordenadora de apoio pedagógico da Funai.

Segundo ela, o movimento indígena sempre lutou para mudar essa abordagem nas escolas. "Estamos felizes com a lei e o que a gente espera agora é que ela ajude na elaboração de um novo currículo e de uma nova abordagem sobre a história indígena nas escolas", disse.

Diversidade é riqueza
De acordo com o secretário, um dos objetivos da lei é fortalecer e estimular o estudo sobre o povo indígena em sala de aula. "A gente quer reconhecer a diversidade do nosso país como riqueza e não como entulho. Além disso, queremos valorizar essa riqueza de outras maneiras e não apenas dando destaque para a dimensão do sofrimento e violência que esses povos sofreram", afirmou o secretário.

Segundo Lázaro, o MEC já possui material de pesquisa sobre a história dos índios, o que servirá de apoio na discussão do material didático a ser usado em sala de aula.

Mudanças na LDB

A lei 11.465/08 altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e substitui a lei 10.639/03, que já previa a obrigatoriedade do ensino sobre história e cultura afro-brasileira em todas as escolas brasileiras. A partir de agora, confere-se o mesmo destaque ao ensino da história e cultura dos povos indígenas.

Índios são desalojados em Manaus


A Folha Online e o Estadão repercutiram matéria de Manaus onde houve uma reintegração de posse de um terreno onde moravam uma centena de índios de diversas etnias.

Parece que houve certa violência. O fotógrafo do Estadão flagrou essa foto bem expressiva. A matéria abaixo é da Folha Online. Veja também o Estadão

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Polícia entra em confronto com índios no Amazonas

JOSÉ EDUARDO RONDON
da Agência Folha

Policiais militares entraram em confronto com um grupo de índios ontem durante retirada de invasores de uma área às margens da rodovia AM-010, em Manaus (AM). A PM calcula que no local onde ocorreu o conflito havia cerca de 400 pessoas, entre brancas e índias.

O major Willer Abdala, da PM do Amazonas, disse que em fevereiro havia sido determinada a reintegração de posse da área. O mandado judicial foi cumprido, mas a área --particular e de proteção ambiental-- foi novamente invadida. Ontem, após determinação da Justiça, a PM retornou ao local.

"Vários indígenas receberam a polícia com pedradas e flechadas. A polícia teve de usar a força necessária para conter os índios. Fomos ao local para manter a determinação judicial de desocupação", disse Abdala.

Houve disparo de balas de borracha e bombas de efeito moral. Uma das índias que estavam no local se colocou em frente à tropa de choque durante o conflito com uma criança no colo. Outro índio foi imobilizado por um policial com uma "gravata".

Segundo a PM, um invasor e seis policiais militares ficaram feridos no confronto. Doze pessoas foram detidas e encaminhadas à delegacia. Nenhum integrante do grupo levado à delegacia era índio, de acordo com a PM.

Ainda na região do confronto, sete índios haviam sido retidos pela PM e liberados em seguida, informou a procuradora federal da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Manaus, Eliane Sefair.

Para o administrador da Funai de Manaus, Edgard Rodrigues, os índios que estavam na área "foram usados para proteger líderes de invasões de terras na zona urbana de Manaus".

Rodrigues confirmou a resistência dos índios à retirada pela polícia da área. "A Funai tomou todas as providências relacionadas à integridade física deles."

"Parentes"

Entre os índios, havia integrantes da etnia cocama. O líder indígena Sebastião Gomes disse à reportagem que foi para a região após "parentes" de outras etnias pedirem ajuda na mobilização. Ele relatou que sabia que a terra não era dos índios, mas afirmou que muitos deles vivem sem acesso à moradia em Manaus.
 
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