quarta-feira, 14 de abril de 2010

Indigenista Wagner Tramm protesta contra Força Nacional na Funai


Polícia para quem precisa de Polícia


Na porta da FUNAI. Um órgão público de assistência aos povos indígenas. “Há soldados armados, amados ou não! Quase todos perdidos de armas na mão”, desviados de suas reais funções. Portam escudos, cassetetes e armas de fogo para conter o ingresso de pessoas do povo, dos índios que deveriam ser assistidos pelo órgão indigenista e dos servidores das Administrações Regionais extintas pelo Decreto 7056/09 elaborado de cima para baixo, sem a participação dos povos indígenas, simplesmente  para reduzir a presença do Estado brasileiro nas seiscentas e poucas terras indígenas que perfazem quase 13% do território nacional. 

Terras essas de Patrimônio da União para usufruto exclusivo dos povos indígenas. Realmente preservadas pelos índios sem pagamento dos serviços ambientais prestados ao país.

Os soldados da Força Nacional ficam na porta da sede da FUNAI., em Brasília, enquanto as Terras Indígenas sofrem terríveis ameaças de invasão, bioprospecção, retirada ilegal de madeiras e de outros recursos naturais.

Os soldados não sabem a quem servem. Se são seguranças privadas de um presidente e de sua diretoria que há meses exilados no Ministério da Justiça despacham documentos em uma sala reservada, quando não em suas próprias residências. Justamente porque não recebem os índios, tampouco conseguem manter diálogo com os diversos grupos étnicos que vêm a Brasília e não dão conta do recado por falta de conhecimento de causa e alijamento dos funcionários (indigenistas) mais antigos. Ou se servem a nação, na proteção as terras fronteiriças ou no combate ao crime organizado e a insegurança que reina  no interior dos Estados e no entorno das grandes capitais.

Na verdade, paradoxalmente, violam o Estado Democrático de Direito impedido o direito de ir e vir. Recebem há meses diárias corridas para passar o dia manuseando computadores portáteis, lendo livros, estudando e intimidando os índios que na maioria das vezes não possuem carteiras de identidades e muitas outras têm dificuldades de falar a língua portuguesa de entrar na sua própria casa.

Ainda não tínhamos visto a Força Nacional atuando no interior de prédios públicos, essa é uma novidade imposta pelo presidente da Funai, Marcio Meira, que figura em inúmeros pedidos de substituição encaminhados pelos índios a diversos parlamentares, ao MPF, ao Ministro da Justiça e ao presidente Lula.

Inúmeras também são as denúncias de nepotismo, assédio moral, tráfico de influência e estabelecimento de convênios com ONG’s de parentes dos detentores de cargos comissionados e membros da diretoria da fundação.

Continuamos acreditando que as flores podem vencer os canhões. Mas, “afunai” de contas, estamos ou não estamos em uma Democracia?  

Wagner Tramm
Indigenista, geógrafo (UFPA), servidor da Funai há 28 anos

16 comentários:

Anônimo disse...

Meu, estamos em um Paiz democratico e vc pode falar o que quizer, mas suas forças estão cortadas e todo o movimento indigenista na FUNAI esta acabado.
pps

Anônimo disse...

Alguém que escreve PAÍS com Z não tem a mínima noção do que está escrevendo!

Anônimo disse...

Obrigado e corrigindo

Meu, estamos em um País democratico e vc pode falar o que quizer, mas suas forças estão cortadas e todo o movimento indigenista na FUNAI esta acabado.
pps

Anônimo disse...

Nossão tem. Onde está o movimento indigenista? Nos tempos de Ditadura não se tinha o direito de falar ou melhor de expressar livremente de acordo com sua consciência, cultura e o direito de contra argumentar, acredito que vc não tenha vivido este momento como muitos aqui.
Muitos esqueceram quando o Romero Juca - Ao longo dos anos 1980, particularmente durante a transição para a democracia (governo Sarney), quando a FUNAI passa a ser dirigida por quadros políticos - e seus novos funcionários agenciados e contratados sob este critério - uma outra política se impõe, com a abertura das áreas indígenas. Tal abertura, conduzida inicialmente por Romero Jucá (hoje senador) foi executada em dois níveis: na exploração por terceiros dos recursos naturais (madeira e minérios principalmente – e sob o argumento de que os índios devem pagar sua assistência); e no acesso das áreas a políticas públicas municipais e estaduais. Sob impacto desta política, muitas terras indígenas viraram verdadeiras terras de ninguém (ou de todos, na verdade), com os índios vendendo a preço de banana seus recursos florestais, expulsando funcionários da FUNAI resistentes e tendo acesso a bens cada vez mais supérfluos – numa orgia consumista de uns poucos líderes. Prefeitos e governadores inescrupulosos aproveitaram – e muito – deste relaxamento para lucrar com o novo boom econômico nas áreas indígenas.

Anônimo disse...

http://www.trabalhoindigenista.org.br/marandu/01/editorial.htm

Linda disse...

Wagner Tramm,

gosto demais de suas postagens, comentários que você faz no blog do Mércio. São firmes e reflexivas.

De repente, não mais que de repente, aparece um anônimo, escrevendo país com "Z" e afirmando que o movimento indigenista está acabado...
Quem será essa figura?
Servidor da FUNAI?
Gostaria muito de conhecê-lo(a)!
Parabéns colega!
Linda

Anônimo disse...

Será que um dia estaremos livres deste pesadelo? Será que iremos mudar todos os demandos ocasionado por este pesadelo que esta instalado da FUNAI? Não adianta Ansef tentar interceder. Mas o Sindicato teria força para interceder e buscar meios de modificar todos os maleficios ocasionados.
O sábio não se senta para lamentar-se, mas se põe alegremente em sua tarefa de consertar o dano feito.
Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência.
Que a luta continue.
abraços....
Paulo

Anônimo disse...

Todos tem o direito de errar, ate voce Linda erra. ninguem neste mudo é perfeito, mas é uma pura verdade, hoje vejo apenas algumas pessoas protestando.
Essas pessoas não acordaram ainda, pois os indios estão satisfeito com esse posicionamento que fora tomado pelo Decreto, se não estão já teriam tomado as medidas necessarias.
Cometer erros é humano e não burrice............

Anônimo disse...

http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/04/13/tribo-na-amazonia-quer-garantir-futuro-com-projeto-de-carbono.jhtm

Uma etnia indígena da Amazônia brasileira quer ser pioneira na elaboração de um projeto de redução de carbono para financiar o seu desenvolvimento de forma sustentável.

Anônimo disse...

Essa proposta de carbono quem ganha são os "consultores". E mais, provavelmente a empresa(ongs) que está cuidando disso está relacionada a retirada de madeira ou à biopirataria. Pode acreditar nisso. é somente a oportunidade de se investigar.
Ganham os consultores e essas ongs...

Anônimo disse...

Enquanto a presença da Força Nacional na FUNAI oprime servidores e reprime o Movimento Indígena, o Deputado Valverde fica as voltas com o Relatório da proposta de mineração em Terras Indígenas, provavelmente a ser pautado para maio 2010.
Os pareceresda FUNAI sobre obras do PAC sob suspeitas de não cumprir a necessária defesa dos Povos Indígenas atingidos.
O Centro de Trabalho Indigenista ganha mais grana com suas consultorias, acordos nternacionais e favores da FUNAI.
E alguns Povos Indígenas estão, consequência do Decreto 7056, em desarmonia e eminência de conflito étnico.
Este tem sido o pior Governo para a Política Indigenista brasileira, dos tantos piores que o antecederam.

Anônimo disse...

CONVITE

O SINDSEP/PE, SERVIDORES DA EXTINTA ADMINISTRAÇÃO EAXECUTIVA REGIONAL DA FUNAI EM RECIFE E OS ÍNDIOS DE PE, TEM O A HONRA DE CONVIDAR A TODOS PARA UM CAFÉ DA MANHÃ, A REALIZAR-SE NO DIA 19.04.2010, SEGUNDA FEIRA, NA FRENTE DA SEDE DA EXTINTA ADMINISTRAÇÃO COM O OBJETIVO DE PROTESTAR CONTRA A EXTINÇÃO DA FUNAI EM RECIFE.
APÓS O CAFÉ DA MANHA E AS MANIFESTAÇÕES PROGRAMADAS IREMOS EM PASSEATA ATÉ A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, ONDE SERÁ REALIZADA AS 14.30 UMA AUDIENCIA PÚBLICA PROMOVIDA PELA DEPUTADA ESTADUAL ELIANA CARNEIRO, COM A PRESENÇA DOS PARLAMENTARES DE PERNAMBUCO, ÍNDIOS, SERVIDORES E DEMAIS CONVIDADOS.

Linda disse...

Olá amigos,

muita boa a iniciativa de um café da manhã para comemorar o Dia do Índio e depois a Audiência Pública na Assembléia Legislativa.

Somente não entendo porque a pessoa que acima fez o convite, não se identificou. Afinal está falando em nome de uma entidade representativa - o SINDSEP/PE - que é autônoma, independente e representa os servidores públicos federais no estado de Pernambuco.

O blog do Mércio Gomes é sério, de bom nível, preocupado, desde o início, com a publicação do Decreto de reestruturação da FUNAI, fazendo críticas construtivas e denunciando os abusos contra os povos indígenas e seus servidores.

Fica aqui registrado o meu protesto pela ausência da identificação da pessoa que faz o convite em nome do SINDSEP/PE.

estela disse...

LINDA!

O CONVITE FOI ENVIADO PARA O BLOG POR MIM. ESTELA

Waldira disse...

Oi Linda,

Gostaria de contar com voce no café
no café e na audiência pública, convidamos aqui nossos amigos e parceiros de Pernambuco. Gostaria de contar com sua presença também Mércio, ao menos em pensamento. A Mércio que crueldade, tanta luta e voce publica no comentário. Assim não chama atenção de nossos
"amiguinhos" de Brasília. Brincadeira meu querido amigo. Beijos
Waldira

Anônimo disse...

Ministério da Justiça vigia, com armas, indígenas acampados em Brasília


http://www.gentedeopiniao.com/hotsite/conteudo.php?news=59815

 
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