quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Último dia do ano: a Funai resiste

Neste último dia do ano de 2009, talvez o pior ano para o indigenismo brasileiro desde o tempo dos militares, inicia-se a resistência dos povos indígenas e dos indigenistas brasileiros aos desmandos e despautérios criados pela atual administração da Funai.

O decreto 7.056, assinado pelo presidente da República no dia 28, pelo visto sem que o presidente soubesse o que estava fazendo, está sendo visto por muitos povos indígenas como um desrespeito às suas visões políticas e um retrocesso inominável ao movimento político que vinham criando dentro do panorama político brasileiro. Muitos se sentem traídos por terem acreditado nas palavras fáceis da atual gestão da Funai.

Por sua vez, os indigenistas brasileiros, de início, pasmos e inermes diante do inacreditável que viram com a extinção de postos indígenas e 24 administrações regionais, estão analisando esse decreto e o interpretando como o auge de uma política irresponsável e desmiolada, fruto de amadorismo canhestro e de interesses inconfessáveis.

Agora todos estão se unindo para preparar a resistência. Que virá na forma de protestos em Brasília e em pressão política na Casa Civil e com o presidente da República. Os políticos de Pernambuco, Goiás, Paraná, Bahia e Rondônia já foram contatados. Tanto os do governo como os da oposição. Os do Pará ainda não, mas, se os políticos não quiserem ajudar, os próprios índios de Altamira e REdenção certamente vão fazer algo muito sério.

A matéria abaixo, vinda do jornal Diário de Pernambuco, é a primeira que saiu com clareza sobre esse assunto e a resistência que se prepara. Outras virão mais adiante. De Mato Grosso e de Goiás, do Paraná e do Pará, da Paraíba e do Maranhão. Não importa que esse decreto tenha sido assinado no final do ano para esvaziar a resistência. Ela se fará efetiva de qualquer jeito a partir da próxima semana.

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Funai  Silêncio continua após extinção da regional



Dirigentes e servidores da administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Pernambuco viveram ontem mais um dia angústia com o silêncio da direção do órgão em Brasília. Dois dias depois da publicação do decreto em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) extinguiu a representação estadual, nenhuma informação foi repassada pela presidência da fundação. "Nem mesmo um contato telefônico foi feito. Não conseguimos localizar o presidente (Márcio Meira)", observou a administradora regional, Estela Parnes. Ela acrescentou que, pelo modo como os acontecimentos vêm se desenrolando, tudo indica que a decisão pelo fechamento foi premeditada para evitar reações.

"Parece que estudaram a data. Escolheram uma época de festas em que a mobilização é difícil de ser feita. Os deputados estão em recesso, não conseguimos localizar lideranças indígenas. Tudo isso colabora para que a repercussão seja a menor possível", disse. "Mas estamos reagindo. Recebemos apoio dos deputados (federais) Fernando Ferro (PT)e Paulo Rubem (PDT)", completou Estela Parnes. De acordo com ela, pelos contatos feitos ontem com o interior do estado, a revolta e a indignação entre as comunidades indígenas é grande.

Ontem também foram enviadas aos líderes indígenas cópias do decreto. A estratégia é que cada etnia reflita sobre a decisão do governo federal e traga sugestões para a reunião que ocorrerá no Recife na próxima terça-feira (5 de janeiro) para tratar da questão. Estão sendo esperadas mais de 40 lideranças indígenas. "Vamos reunir organizações não governamentais, parlamentares, sindicatos. Faremos encaminhamentos sobre como vamos agir. Pensamos em ir a Brasília pressionar para que esse decreto seja revisto".

A decisão foi publicada terça-feira no Diario Oficial da União, no mesmo decreto em que Lula da Silva determinou a criação de 3,1 mil cargos nos próximos três anos para a Funai. Além da falta de informação nessa fase pós-extinção da regional, os integrantes da fundação em Pernambuco se queixam da inexistência de diálogo do período que antecedeu o decreto. Índios, deputados e servidores foram ignorados no processo, mesmo o estado possuindo a maior população indígena do Nordeste e a terceira maior do país, com cerca de 40 mil índios de 11 etnias. Todo esse contigente continua a desconhecer as razões que motivaram a extinção da Funai do Recife. 

7 comentários:

Austerio disse...

Deixo minha indignação por esta decisão do proprio presidente da FUNAI e pelo Presidente da Republica, que deveria rever esta decisão, ja que é uma pessoa do nordeste e que deveria conhecer mas os indigenas do seu proprio estado, todas as etnias estão atentas e vamos reagir juntos.

Anônimo disse...

SENHOR AUSTERIO, A INDIGNAÇÃO E REPULSA NÃO É SOMENTE DO SR. E SIM DE TODOS AQUELES QUE TRABALHAM E AMAM A CAUSA INDÍGENA DESTE PAÍS.
É TRISTE VER TODO ESTE RETROCESSO NO INDIGENISMO, PRINCIPALMENRE NO NORDESTE, QUE ALIÁS, TERRA DO PRESIDENTE LULA, MAS COM GARRA E PERSEVERANÇA, TEMOS A CERTEZA QUE
VCS INDÍGENAS, VÃO FAZER VALER TODOS OS SEUS DIREITOS. E NÃO SE ENGANEM, "UNIDOS" VCS VÃO SER MAIS FORTES DO QUE ESTES QUE ESTÃO NA DIREÇÃO DA FUNAI.
DIREÇÃO ESTA QUE PODEMOS DIZER QUE, SÃO UNS INCOMPETENTES, DESAVISADOS E SEM CONHECIMENTO DAS CAUSAS INDÍGENAS, MAS VALE RESSALTAR SR. AUSTERIO, TEM OS "ONGUEIROS' QUE QUEREM DESTRUIR TODA ESTA ESTÓRIA, PARA ENTREGAR A SEUS FILHOS E SEUS PROTEGIDOS TODO ESSE TRABALHO DE DÉCADAS. ABRAM OS OLHOS, ESTES QUE AÍ ESTÃO, NÃO ESTÃO PREOCUPADOS COM OS INDÍGENAS E SIM COM OS SEUS ITERESSES PRÓPRIOS.
QUE DEUS OS AJUDE!! VAI DAR TUDO CERTO. LUTEM ATÉ O FINAL!
ABRAÇOS.
MARIA TEIXEIRA

Anônimo disse...

márcio meira:

capacho das ongs, surrupiador de índios, isa (índio sendo assaltado), cti (covardes, trapaceiros, interesseiros); cimi: massacre da cruz contra os índios.
cnpi( índios cínicos e traídores)

Ass: Paulo Guarani

Anônimo disse...

O CINISMO DO SR. PRESIDENTE MARCIO MEIRA É IMPRESSIONANTE. VEJAM A QUE PONTO O SEU CINISMO CHEGOU:
Prezados (as) servidores (as), companheiros (as), amigos (as), parceiros (as),
lideranças e comunidades indígenas. Com muita satisfação, estamos
encerrando o ano de 2009, vencemos mais uma etapa fundamental da
qualificação institucional, iniciada em 2007, para proteger e promover os
direitos dos povos indígenas. Em 2010, estaremos comemorando 100 anos do
indigenismo no Brasil e não poderia haver melhor presente, que o
estabelecimento de uma nova estrutura que fortalece e moderniza a arquitetura
institucional da Funai. Parabenizo com respeito, os que acumularam essa
história e agradeço a todos (as), servidores (as) de carreira, temporários (as),
colaboradores (as), terceirizados (as), ocupantes de cargos e funções
comissionadas, que em suas diferentes funções, acreditam e empenham-se,
alguns a mais tempo, outros a menos, mas todos com a coragem dos povos
indígenas e de todo o povo brasileiro, para construir uma política indigenista de
reconhecimento de Direitos.
Pela oportunidade de liderar esse momento, renovo aqui os votos de um feliz
2010, que nos ofereça novas conquistas e muito sucesso.
Fraternalmente,
Márcio Meira
Presidente da FUNAI

ALÉM DE CÍNICO, SARCÁSTICO. NÃO TEMOS O QUE COMEMORAR E SIM ENTRISTECER.
DE QUE INDIGENISMO O PRESIDENTE ESTÁ FALANDO?
DE ONDE ESSE SR. MÁRCIO MEIRA SURGIU? SERÁ QUE ELE LEU A ESTÓRIA DO INDIGENISMO?

Anônimo disse...

Agradecemos pela sua interferência em favor da população indigena de Pernambuco e dos servidores.

Em Pernambuco existe 40 mil índios decepcionados com este decreto, servidores tristes com toda esta situação.

Como uma reestrutaração pode ser elaborada por 4 servidores da FUNAI, 3 detentores de cargos em comissão e apenas 1 do quadro efetivo?

Algo foi premeditado, a FUNAI possui servidores de alto nível que poderiam ter participado, mas, o que é feito as escondidas fica a critério apenas de alguns.

Dia 05/01 estaremos nos reunindo com lideranças indígenas, servidores, políticos, jornalistas e outros, no intuito de que algo seja feita contra este ato irresponsável.

Agradecemos a Defensoria Pública da União de Pernambuco que se prontificou em nos ajudar neste momento tão difícil para nós.

E não parou por aí, iremos fazer tudo que estiver ao nosso alcance.

Não estamos dormindo, pelo contrário, perdemos o sono, e entramos no ano de 2010 aflitos, não sabemos o que será de nossa situação funcional nos próximos trinta dias.

Continue lutando por nós, sei que alguém irá nos ouvir, porque esta causa não é só nossa.

Grata,

Ivany Souza
FUNAI/RECIFE

Anônimo disse...

IVANY, 
NÓS SERVIDORES DA AER DE JOÃO PESSOA/PB E OS ÍNDIOS POTIGUARA TAMBÉM FOMOS TRAÍDOS DA MESMA FORMA. OUVÍAMOS O TEMPO TODO QUE A AER/JPA ERA MODELO DE ADMINISTRAÇÃO E SOUBEMOS, ATRAVÉS DOS NOSSOS REPRESENTANTES NA CNPI, QUE O SR. PRESIDENTE DA FUNAI JAMAIS OS TRAIRIAM, OU SEJA, QUE ESTA ADMINISTRAÇÃO REGIONAL PERMANECERIA. ACHO QUE, NESTA GESTÃO,É PROIBIDO DAR CERTO.
O QUE PENSAR? SERÁ QUE A PALAVRA DADA SÓ VALE PARA PESSOAS DISTINTAS E DE CARÁTER?

ESTAMOS PERPLEXOS E MUITO TRISTES.

FOMOS RELEGADOS A NADA!

SERÁ QUE NÃO VALE À PENA REFLETIR EM QUEM E QUAL PARTIDO VAMOS VOTAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES? É, PODEMOS ATÉ SER MINORIA, MAS SE QUISERMOS MINHA AMIGA, PODEMOS NOS TORNAR GIGANTES PORQUE TEMOS FAMÍLIAS, AMIGOS, PARENTES E CONHECIDOS E PALAVRA.
NÃO PODEMOS PERDER AS ESPERANÇAS, NUNCA. 
E PARA MIM IVANY A DECEPÇÃO ESTÁ SENDO MAIOR PQ FAÇO PARTE DO TIME DOS FIÉIS AO PARTIDO DOS TRABALHADORES DESDE 1982/BRASILIA. SER PERSEGUIDA PELO PARTIDO É MUITO CRUEL. QUANTAS LUTAS NA PRAÇA DOS TRES PODERES PARA ELEGER NOSSO COMPANHEIRO LULA, QUANTAS PERSEGUIÇÕES EM NOME DE UM IDEALISMO. QUANTAS LÁGRIMAS!!!
QUERO AINDA CRER QUE O MEU COMPANHEIRO "LULA" NÃO LEU ESTE DECRETO TÃO ODIOSO, ONDE JOGA NA LATA DO LIXO TODA UMA HISTÓRIA DO INDIGENISMO NO NORDESTE. VAMOS REVERTER TUDO ISSO. VAMOS A LUTA, VAMOS GRITAR E PEDIR AJUDA.
ABRAÇOS A TODOS.
MARCIA MOURA CAVALCANTI
SERVIDORA COM MUITA HONRA, DA ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE -JOÃO PESSOA/PB

Anônimo disse...

Que indigenista, em sã consciencia, pensaria em extinguir os postos indigenas da funai? A medida é própria de quem desconhece o cotidiano de uma comunidade indigena, as reais ameaças e pressões que sofrem as terra indigena, os descasos de autoridades municipais, as barreiras impostas aos indigenas aldeados no trato com a sociedade local, os entraves enfrentados no trato de questões corriqueiras, tao comuns ao homem do campo, mas que, no caso dos indios, assumem proporções inimagináveis para quem não conhece como as coisas funcionam nos grotões desse imenso país. É o comerciante que retem o cartão de recebimento da pensão ou aposentadoria; é a autoridade policial que desdenha da agressão verbal ou física, sofrida pelo índio, mesmo se lesionado tenta apresentar a queixa sozinho; é o madeireiro ou garimpeiro que explora sua terra ou uma mulher da aldeia, em troca de um quilo de gênero alimenticio, quando não de uma garrafa de cachaça; é o cadastramento nos programas sociais cujas quotas são sempre insuficientes para alcançar a população indigena do município, e por ai vai. Como braço do estado dentro da terra indígena, ou único elo de ligação entre a comunidade indígena e a sociedade nacional, notadamente no que se refere aos indigenas menos esclarecidos, o servidor ocupante do cargo de Chefe do Posto Indígena, no que pese a a muito reconhecida desestruturação desse chamado "célula mater" da FUNAI, sempre serviu de primeira referência para os indígenas no trato com o Estado e a sociedade. Basta perguntar a qualquer indígena aldeado , e, em muitos casos, mesmo inúmeros deles moradores da cidade. Peço vênia para lembrar do tempo em que havia respeito pelos povos indígenas, consubstaciado na oferta de um curso de formação específica, via concurso público, para Técnico Indígenista, profissional habilitado para assumir a chefia do Posto Indígena e laborar com os índios nos mais diferentes rincões do Brasil.É triste constatar que, ja que não se resgata a prática de capacitar servidores para exercer tal mister, a saída inteligente é acabar com os postos indígenas. Pobres indios do Brasil, em que mãos se encontram. Tenho que reconhecer que esse decreto é a justa medida da competência daqueles que o formularam.
Paulo Fernando/Técnico Indigenista/FUNAI/Recife

 
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