terça-feira, 13 de janeiro de 2009

De volta das férias

Durante mais de 30 dias estive viajando pelo Nordeste, visitando amigos em diversas praias e cidades. Estou de volta ao Rio de Janeiro, olhando as notícias do mundo e da nossa terra. Parece que pouca coisa aconteceu nesse mês de dezembro e início de 2009.

Só na Faixa de Gaza é que as coisas acontecem de um modo terrível. Uma guerra sem fim, movido por ódios milenares, por desentendimentos desde que Moisés voltou do Egito e quis tomar as terras dos Filisteus, isto é, os Palestinos de hoje.

Nesse tempo fora, por alguns dias, olhando a lua jorrar sua luz no horizonte do mar, conversando com pescadores sobre peixes e assombrações, ajudando no arrastão de redes cheia de tainhas -- me esqueci de mim e das coisas que fazia.

Agora retomo minha vida corriqueira, minha busca pelo entendimento do Brasil, da origem das desigualdades que viciam a nossa sociedade, das possibilidades de superação e transcendência.

Retomo minha vida com esperanças por um ano melhor, mais firme e mais decisivo.

2008 foi um ano estranho, arrastado. Na questão indígena sobrou o voto do ministro Ayres Britto, mas ficaram as recomendações esdrúxulas do ministro Menezes Direito, cujos reflexos virão a ter influência a partir da finalização da decisão do STF sobre a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Os vacilos da política indigenista, as tomadas de decisão erradas e extemporâneas à tradição indigenista brasileira acabaram por reforçar as forças antiindígenas da sociedade brasileira.

Os fazendeiros e seus representantes políticos agora cantam de galo, querem desprezar a FUNAI, os antropólogos e os indigenistas visando a diminuição e o esquecimento público dos direitos indígenas.

Em breves notas farei um resumo logo acima, em outra postagem, dos momentos mais recentes no indigenismo brasileiro e do que poderá vir a acontecer no futuro próximo.

2 comentários:

Ubiratan disse...

Grande Mércio, é bom ter você de volta fazendo lúcidas ponderações acerca dos fatos que acontecem no Brasil no que toca aos Povos Indígenas.

Infelizmente na Faixa de Gaza o ódio prevalece, tenho saudades daquele tempo em que Yithzak Rabin e Yasser Arafat lograram êxito nas negociações pela paz.

Na Bolívia dia 25 desse mês a Constituição Boliviana deverá ser referendada pelos 85% da população indígena daquele país.

No Brasil é esperar pra ver, quem sabe em fevereiro o ministro Marco Aurélio piora ou melhora um pouco as condicionantes do ministro menezes direito.

Grande Abraço!

Ubiratan

Clodoeste Pereira da Silva disse...

Caro Mércio que bom telo de volta. Férias merecidas.

Aqui em Água Boa a saúde indígena dos Xavantes está um caos. Eu trabalhava na Funsaúde aquela que comprava canetas de ouro e fazia viagens internacionais com o dinheiro que Funasa repassava para tratar da saúde indígena. Somos 194 funcionários que foram despedidos em 20 de maio de 2008 e até hoje não recebemos os direitos trabalhistas e não sabemos o que vai acontecer. Muitos dos colegas estão trabalhando como voluntários para segurar o emprego. Já pensou 07 meses sem grana?

Caro Professor Mércio sabe que você tem muita influência. Escreve sobre nosso caso.

Quase 200 funcionários do DSEI Xavante de Barra de Garças sem emprego e sem rumo, enquanto índios estão morrendo sem assistência.

De Água Boa MT. Da redação da Ag. AGUA BOA NEWS de Notícias

Clodoeste Pereira “Kassu” da Silva

 
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