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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Índios Kayapó chamam a COIAB à responsabilidade

O líder indígena Kayapó, Megaron Txukarramãe, à frente do movimento de paralisação da Balsa que faz o transbordo de caminhões no rio Xingu, convoca a COIAB para se posicionar claramente sobre o movimento que os Kayapó vêm fazendo no Xingu e outros líderes indígenas estão fazendo em Brasília.

Parece que os Kayapó ouviram dizer que a direção da COIAB tem feito corpo mole em relação a essa intensa movimentação indígena, e agora são chamados à decisão.

Nas duas postagens que se seguem, Megaron convoca Aritana a ser mais duro com o presidente Lula, e Raoni, pelo que diz um jornal francês, ameaça de ataques aqueles que se posicionarem para a construção da Usina Belo Monte.

Mais uma vez conclamo o governo Lula, através da Casa Civil e do Ministério da Justiça, a intervir nessa questão e enviando emissários de valor e de peso político para negociar com os índios. Caso contrário, a situação pode chegar a uma situação alarmante e sem retorno tranquilo.

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Do: Movimento de paralização da Balsa (travessia do  Rio Xingu)
Ao: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)

COMUNICADO

Nós do movimento de paralização da Balsa travessia do Rio Xingu, BR-080-Mt, que iniciamos este movimento as 18-horas do dia  22 de  Abril de 2010, queremos saber se vocês da Coordenação das Organizações Indígenas da  Amazônia Brasileira, tem conhecimento deste movimento que  estamos  realizando aqui na Aldeia Piaraçu.

Não queremos informações de manifesto por parte dai da COIAB se vocês estão contra ou a favor do nosso movimento.

Este movimento que estamos realizando é contra a construção da barragem de Belo Monte que Luiz Inácio Lula da  Silva quer fazer de  qualquer jeito.

Se Lula construir esta Barragem, vai inundar grande parte das terras indígenas, prejudicando assim Indios e Brancos.

Aqui na travessia da Balsa na Aldeia Piaraçu, o movimento de paralização da Balsa vai continuar por tempo indeterminado, até que os orgãos do Governo  Federal venham aqui pra  falar  conosco, para  tratarmos da não construção de Belo Monte.

Nós deste movimento queremos saber, se vocês tem conhecimento e se estão participando:
Do movimento de Brasilia que quer a saída do atual presidente da Funai (Márcio Meira) e é contra a reestruturação da Fundação Nacional do Indio.

Pois em todos os sentidos o governo de Luiz Inácio Lula da  Silva quer nos prejudicar, esta reestruturação da Funai é somente para dificultar as coisas para os Indígenas.

A construção de  Barragens é para a destruição da natureza e do meio  ambiente. O governo de Lula tem projetos para construir várias barragens em diversos rios importantes, que também somos contra;

Neste governo não temos demarcação de terras indigenas e a reestruturação que Lula quer fazer autoriza:

A Força Nacional atirar  com armas de  fogo contra os Indígenas;

Permite a exploração e  estração de Minerios  em terras  Indígenas;

Permite  que madereiros e  garimpeiros permaneçam em terras  Indigenas;

Luiz Inácio Lula da Silva juntamente com Marcio Meira tem demonstrado  que não gostam dos indigenas, não gostam da Natureza, são  contra o meio ambiente.

Nós líderes Indigenas não podemos aceitar que uma  pessoa como Luiz  Inácio Lula da  Silva, que tem atitude de Demônio, possa fazer atos de Monstro contra a Natureza, os Indios e o Meio Ambiente.

Assim pedimos o vosso contato para nos informar sobre o que solicitamos.

Líder Indígena: Megaron Txucarramae

terça-feira, 10 de novembro de 2009

COIAB exige retirada da anuência da Funai a Usina Belo Monte

Finalmente a Coiab vem de público tomar posição a favor do movimento dos Kayapó e outros povos indígenas do Xingu contra o licenciamento dado de mão beijada pela atual direção da Funai a favor da Usina Belo Monte.

Na nota abaixo a Coiab cita a Convenção 169, que fala explicitamente sobre a necessidade de consultar previamente povos indígenas sobre qualquer empreendimento que afete sua vida, sua cultura ou suas terras. Poderia falar também da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas e até do Estatuto do Índio, que também não permite desleixo da autoridade indigenista em relação a interesses fundamentais dos índios. Fala também da visão contrária a Belo Monte da parte de um número expressivo de cientistas que vêm estudando esse projeto energético. Por fim, conclama o presidente da Funai a retirar sua anuência ao projeto. Deixa-o de saia justa, já que deu essa anuência sem consultar nem os índios diretamente afetados, nem o movimento indígena.

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NOTA DA COIAB CONTRA A CONSTRUÇÃO DA USINA HIDRÉLETRICA DE BELO MONTE




NOTA DE REPUDIO CONTRA A CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE


A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), organização representativa e articuladora dos povos indígenas desta região, criada para defender e promover os seus direitos, vem a público manifestar veementemente sua indignação contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que o Governo do Presidente Lula quer implantar a qualquer custo, violando integralmente as normas ambientais do país, os direitos dos povos indígenas garantidos na Constituição Federal vigente e na legislação internacional (Convenção 169 OIT e Declaração da ONU) da qual o Brasil é signatário. O empreendimento, segundo especialistas, é inviável do ponto de vista econômico, ambiental, social e cultural, pois poderá gerar impactos irreversíveis na flora, na fauna, na biodiversidade, e, sobretudo, na vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem na área de abrangência da usina.


Em razão desses fatos, a COIAB assume os termos da “Carta de Repúdio à Construção da Hidrelétrica de Belo Monte”, apresentada na manifestação ocorrida nos dias 29 de outubro a 03 de novembro na Aldeia Piaraçu, da terra indígena Kapot/Jarina, no norte de Mato Grosso, com a participação de 212 lideranças indígenas e de dirigentes da nossa organização.


A COIAB reafirma o seu posicionamento contrário a construção desse empreendimento e de outros, como a pavimentação das rodovias BR-317 e BR-319, e a implantação do Complexo Hidroelétrico do Madeira, pois todas essas obras agridem e violam os direitos dos povos indígenas, direitos esses conquistados ao longo dos anos, com muita luta, muitas vezes com o sangue derramado de nossas lideranças.


Repudiamos a intenção do Governo de nos considerar “forças demoníacas” que impedem o desenvolvimento do país, quando tudo o que queremos é continuar preservando os ecossistemas e a biodiversidade, e sobretudo, condições de vida digna e de qualidade para os nossos povos e suas futuras gerações, bem como o bem-estar do planeta e da humanidade.
Repudiamos ainda a prática autoritária com que o Governo, através do Ministério de Minas e Energia, da Casa Civil e da Fundação Nacional do Índio, pretendem “empurrar este projeto goela abaixo”, contrariando o compromisso em contrário do chefe do Executivo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Exigimos que o Sr. Presidente da Funai, Márcio Meira, cumpra rigorosamente o seu papel de zelar pelos direitos indígenas, suspendendo qualquer decisão voltada a autorizar licenciamentos de obras que impactarão direta ou indiretamente as terras indígenas. A Funai não pode se achar no direito de falar pelos povos indígenas nem alegar que os está ouvindo, porque isso realmente não tem acontecido, conforme o estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que já é lei no país, e que nos assegura o direito à consulta prévia, livre e informada.


Por tudo isso, reivindicamos que o governo brasileiro respeite a vontade dos nossos povos e organizações, e desista de construir a Hidrelétrica de Belo Monte, e muitos outros projetos que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltando-se a assegurar os nossos direitos, o respeito à diversidade étnica e cultural do nosso país, criando condições para que este seja efetivamente um país democrático, justo e igualitário.



Coordenação Executiva da COIAB

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Amazonas cria Secretaria do Índio

O estado do Amazonas criou, depois de muitos meses de negociações com os índios e com o movimento indígena, uma Secretaria Estadual dos Índios. Não é a primeira no país, pois Roraima já tem sua secretaria, cujo titular é Jonas Marcolino, índio Makuxi que defendeu os fazendeiros, e o estado do Acre tinha criado uma há uns cinco anos, só que foi rebaixada para uma simples assessoria o ano passado.

O titular da nova secretaria é Jecinaldo Barbosa, que ficou conhecido como coordenador da Coiab por dois mandatos. Jecinaldo é índio Sateré-Mawé e teve uma atuação muito intensa e controversa como militante indígena. Em sua gestão a Coiab foi acusada diversas vezes por desvio de verbas. Membros do movimento indígena fizeram circular um email em que demonstra essas acusações. O ano passado, membros de uma associação indígena do povo Sateré-Mawé se manifestaram contra posições que ele estava tomando no movimento indígena e até acusaram-no de não ser propriamente um Sateré-Mawé. Depois a coisa foi deixada de lado. Na Conferência Nacional dos Povos Indígenas, realizada em abril de 2006, com mais de 800 lideranças indígenas, Jecinaldo saiu de lá para criticá-la no jornal Correio Braziliense, para a surpresa e a revolta de muitos participantes, inclusive o cacique Raoni que publicamente rasgou a entrevista.

Por tudo isso, é de esperar que Jecinaldo Barbosa terá uma atuação muito controversa em Manaus. Mas ele tem ambições bastante amplas. Já prevendo a possibilidade de vir a ser secretário, e com intenções de se tornar um político, Jecinaldo deixou o PT e se filiou ao PMN, um partido ligado ao governador Eduardo Braga.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Coiab elege nova coordenação executiva

A Coiab elegeu ontem sua nova coordenação executiva, mudando quase todos que estavam na última gestão. Marcos Apurinã, o vice-coordenador-geral da gestão passada, foi eleito o coordenardor-geral desta vez.

Eis como ficou o resultado:

Com 148 votos a favor e 18 contra, Antônio Marcos Alcântara de Oliveira Apurinã – Rondônia foi eleito o novo coordenador geral da COIAB.

Para vice-coordenadora foi eleita Sonia Bone Guajajara – Maranhão com 106 votos a favor e 63 contra.

Para o cargo de secretario da COIAB foi eleito Cleiton Javaé – Tocantins, com 84 votos a favor e 74 contra.

Para o cargo de tesoureiro da COIAB foi eleito Kleber Luiz Santo dos Santos Karipuna – Amapá, com 99 votos a favor e 63 votos contra.

A eleição foi conduzida pelo coordenador executivo da APOINME, Zé de Santa; a advogada indígena Fernanda Kaingang e o representante da COICA, Diego Escobar.

Momentos antes da eleição, foi aprovado pela Plenária e todos os delegados presentes que a nova coordenação executiva da COIAB e o CONDEF terão mandato de 4 anos, ao invés dos atuais 3 anos.

Nesta quinta-feira, a Assembléia avalia a proposta de novo Estatuto que não deve afetar a decisão, uma vez que a Plenária é suprema.


Tudo indica que essa nova coordenação executiva vem com mais capacidade de negociação e com mais serenidade para tocar os problemas indígenas que estão se ampliando pelo Brasil.

Boa sorte ao coordenador-geral, Marcos Apurinã, e seus companheiros.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Coiab critica Funai por liberar BR-319

A COIAB está reunida em Assembleia Geral na aldeia Krikati, em Montes Altos, sudoeste do Maranhão, para deliberar sobre os novos rumos a tomar diante das mudanças drásticas que vêm ocorrendo na política indigenista brasileira. Cerca de 800 representantes são esperados. Planejam debater questões como o PAC e suas consequências sobre os povos indígenas, a falta de consulta prévia e consentida para projetos de desenvolvimento que afetam terras indígenas, mudança do Estatuto do Índio e coisas afins. Também tratarão de mudanças em sua diretoria, com vistas a ter posicionamentos mais corretos que ajudem os povos indígenas a transpor as dificuldades em vista.

A Assembleia começou nesta segunda-feira e terminará depois de amanhã, sexta-feira, com a eleição da nova diretoria. Os assuntos discutidos até agora foram de cunho político. Muitas novas lideranças trouxeram aportes novos que deverão mudar os rumos da COIAB. Há também um movimento das lideranças de raiz que vieram a essa Assembleia, inclusive de diversas personalidades indígenas que foram pioneiras na criação da COIAB. Em especial o prefeito de São Gabriel da Cachoeira, Pedro Garcia Tariano.

Um dos temas discutidos e aprovados na Assembleia foi um censura à presidência da Funai por ter liberado a pavimentação da BR-139 que liga Porto Velho a Manaus, uma estrada de mais de 1.500 km, cujo resultado mais evidente será abrir uma porção imensa da Amazônia à entrada de madeireiros, posseiros e grileiros, com resultados desastrosos.

A COIAB protesta porque a anuência dada em ofício do presidente da Funai não levou em consideração nem a voz dos índios que habitam essa região, nem os pareceres dos técnicos da própria Funai, através da Coordenação-Geral de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente (CGPIMA), que alertaram para os perigos iminentes.

Os índios que habitam a região mais próxima da cidade de Humaitá estão cobrando pedágio de automóveis e caminhões que transitam entre aquela cidade e Porto Velho. Os moradores estão muito zangados com isso, não menos o bispo daquela diocese. A situação está a ponto de estourar em conflito, inclusive porque também há garimpos ilegais na terra indígena dos Tenharim, e eles estão pagando percentual pela extração de cassiterita.

Ignorando tudo isso, o presidente da Funai simplesmente liberou o DNIT por vontade própria, mesmo contra os pareceres dos técnicos da Funai, sem falar que o IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente já se declararam contrários àquela estrada, pelos menos sem planos de proteção e manejo.

A COIAB tem razão em protestar. Veremos se será ouvida.

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Coiab pede explicações à Funai sobre parecer que autoriza licença à BR-319

Rondon News

Irregularidades e deficiências no estudo de impacto ambiental da BR-319 são motivos suficientes para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) não autorize a concessão da licença ambiental prévia para a obra. É o que dizem integrantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) em carta enviada à Funai, na última sexta-feira (17), para pedir explicações do presidente do órgão, Márcio Meira, sobre um parecer dado por ele, em favor da construção da rodovia que ligará Manaus (AM) e Porto Velho (RO).

Em ofício encaminhado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) no dia 10 de julho, Meira diz que "a Fundação Nacional do Índio não vê óbices para a liberação da Licença- Prévia da BR-319". Os indígenas questionam esta posição e querem saber se o presidente consultou previamente a equipe técnica da Coordenação Geral de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente (CGPIMA) para que tivesse argumentos favoráveis à BR-319.

De acordo com o documento enviado à fundação, a Coiab discorda do parecer de Meira diante das evidências de riscos da construção da rodovia a populações indígenas, inclusive grupos isolados, conforme informações já divulgadas por organizações da sociedade civil, instituições científicas e Ministério Público Federal.

"Não poderia a Funai ser conivente com a concessão da licença prévia nesse processo de licenciamento, cedendo a pressões políticas do Ministério dos Transportes e outros interessados", acusa a carta encaminhada pela Coiab à fundação.

O documento pede uma resposta da Funai no prazo de dez dias, com explicações sobre os fundamentos da decisão do presidente do órgão e indicação dos estudos e avaliações que motivaram seu parecer.

"A gente quer uma informação dele sobre por que já foi a favor da licença prévia. O ato deveria ter sido feito a partir do parecer técnico", disse o representante da Coiab, Chico Apurinã.

Ele também diz que o parecer favorável à licença não tem legitimidade por ter sido enviado ao DNIT antes da validação das consultas às populações interessadas, realizadas de 06 a 10 de julho, nos municípios de Tapauá, Humaitá, Manicoré e Borba.

O ofício foi enviado por Meira ao diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, sem que as comunidades indígenas tivessem tomado conhecimento dessa decisão. "Lembramos que a Coiab sequer foi informada da existência desse oficio antes da realização das consultas na semana passada", diz trecho da carta.

Chico Apurinã afirma que o parecer do presidente da Funai não leva em conta os direitos constitucionais dos povos indígenas e abre pretexto para que outras obras com impactos a essas populações sejam liberadas sem respeito às determinações legais.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Drops Indigenistas -- 10

1. Prossegue a insensatez das Ongs neoliberais e do CIMI em empurrar goela abaixo dos índios que fazem parte do CNPI o projeto de mudança do Estatuto do Índio, a ser chamado "Estatuto dos povos indígenas".

Segundo o CIMI, o projeto está pronto, será discutido hoje e amanhã, em Brasília, e teria sido resultado de diversas reuniões regionais onde os índios teriam discutido o texto e aprovado. Ora, ora, em Belém quase bateram nos proponentes; em Cuiabá a resistência foi quase absoluta.

As Ongs neoliberais e o CIMI acham que o momento é propício, que nada de estranho está acontecendo no movimento indígena brasileiro e no ambiente político-cultural da Nação. Acham que, se os índios que estão no CNPI aceitarem o projeto, eles convencerão os que vierem à reunião convocada pelas Ongs em Abril a acatar essa ideia. Daí vão aclamá-lo como o projeto dos índios e é só levar o projeto ao Congresso que o Congresso acatará tal como está.

Será que esse pessoal não vê que o momento atual é totalmente contrário a qualquer mudança que se queira fazer no Estatuto do Índio, que, em si mesmo, tanto tem favorecido aos povos indígenas e a partir do qual a grande maioria das terras indígenas foi demarcada e se firmou uma respeitabilidade nacional pelos povos indígenas?

Por que essa vontade louca e insciente de mudar uma coisa que tem dado certo desde que foi criado? Só porque o Estatuto fala que a política indigenista tem como propósito "preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmoniosamente, à comunhão nacional".

O que tem de errado nisso, se até o ministro Ayres Britto fala que o propósito da Constituição federal é integrar o índio e que integrar não quer dizer assimilar o índio à cultura nacional e sim adicionar elementos positivos da cultura nacional às sociedades indígenas?

Ou será que querem mudar o Estatuto porque os índios são categorizados como isolados, ou em contato permanente, ou integrados (embora essa classificação tenha sido abandonada totalmente e não faça nenhuma diferença no modo como a Funai ou a sociedade brasileira os tratam)?

Ou será simplesmente porque os índios que não são integrados são considerados tutelados mas podem requerer o fim de sua tutela, quando o Código Civil de 2000 não fala mais em tutela e a Constituição dá todas as mostras de que esse assunto está superado completamente?

Será que eles não vêm que o Congresso Nacional vai aproveitar a oportunidade para retalhar os direitos adquiridos pelos índios ao longo de quase 100 anos e que estão firmados no Estatuto do Índio?

Será que eles não estão vendo o que está acontecendo mundo a fora, onde diversas nações têm se apresentado contrárias aos direitos indígenas e inclusive regredindo em relação a direitos adquiridos dos indígenas, como na Colômbia e no Chile?

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2. O Congresso do Chile, especificamente o Senado Federal, vem discutindo desde 2007 uma nova conceituação para mudar a Constituição chilena sobre os povos indígena, que lá somam cerca de 1,000,000 de pessoas, sendo 87% de Mapuches. Isso compreende cerca de 6,6% da população total do Chile, bem mais do que os 0,3% da população indígena brasileira.

O Chile tem uma situação indígena muito especial. Após conquistar os Incas, os espanhóis tentaram de todo jeito dominar os Araucanos, como os chamavam, que são os Mapuches de hoje. Logo desistiram e aceitaram que, ao sul do rio Bio-Bio, era território mapuche. Por mais de 300 anos a situação ficou assim. Os Mapuches se encontravam com chilenos-espanhóis e trocavam mercadorias, mas cada qual em seu território. Só por volta de 1860 é que os chilenos, já independentes, começaram a se aproximar dos Mapuches com mais presença e com mais negociação. A negociação foi ficando cada vez mais fácil e persuasiva. Ao final, os Mapuches estavam dominados não pela força da arma, mas pelo poder do envolvimento político-econômico.

Hoje os Mapuches, com uma grande população relativa, vivem majoritariamente nas cidades, em especial em Santiago, e carecem das terras que possuíam na parte central do Chile. Algumas comunidades retêm terras pequenas como se fossem "egidos", terras comunitárias para agricultura e gado. Os grandes lotes de terras hoje em diante fazem parte das grandes fazendas de reflorestamento de pinus e eucaliptos que são exportados e alimentam a indústria madeireira dos Estados Unidos.

Os demais povos indígenas que vivem no Chile têm pequenas populações. Há Aymara e Quecha ao norte, há comunidades no deserto do Atacama e há os sobreviventes dos povos que viviam no sul do Chile, os antigos Alacaluf.

Pois bem, a proposta que os senadores chilenos acordaram no final do ano passado para apresentar em Assembleia ontem, dia 10 de março, vem sendo veementemente contestada pelos Mapuches. Eles consideram que os senadores não ouviram as populações indígenas e não levaram em consideração a Convenção 169, da OIT, e a Declaração Universal dos Direitos Indígenas. Escreveram uma carta à presidente Bachelet pedindo para ela não deixar que seja votada e promulgada, que precisa ser reconsiderada.

Os Mapuches alertam que sob o disfarce de uma linguagem que fala em respeito aos povos indígenas (assim chamados) e suas culturas, o projeto constitucional trata de direitos efetivos não para os povos mas para as "comunidades". Também não fala em reconhecimento de territórios indígenas e assevera que o Chile é um estado uno e indivisível, porém multicultural. Multiculturalismo é a concessão preciosa que os senadores chilenos fazem aos índios do Chile e eles não querem saber disso. Acham isso balela pura.

Mas será que o Chile está pronto para acatar os termos da Declaração Universal, que fala em auto-determinação dos povos, para um povo que foi auto-determinado efetivamente até o século XIX?

Recentemente o governo democrata e socialistas de Michelle Bachelet utilizou a lei de terrorismo vigente no regime de Pinochet exatamente contra uma família Mapuche, a qual a polícia considerou terrorista!

Será que isso não serve de lição aos mal-iluminados advogados do CIMI e das Ongs neoliberais brasileiras? Será que os povos indígenas brasileiros e suas lideranças mais lúcidas não poderiam ler o que está acontecendo nos países onde há populações indígenas e dar uma pausa nessa loucura de mudanças do Estatuto do Índio que as Ongs neoliberais querem mudar?

Aliás, o CIMI está repercutindo a reclamação dos Mapuches, sua carta à presidenta chilena e seu pedido de solidariedade contra essa proposta do senado chileno.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Escândalo Indigenista II: índios denunciam corrupção na COIAB

A QUEM INTERESSAR POSSA

Corrupção na COIAB

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira -- COIAB -- fundada em 1989 por organizações indígenas, na esteira do artigo 231 da Constituição de 1988, que tem batalhado incansavelmente para organizar os povos indígenas brasileiros, está na sua pior hora. Eivada de corrupção, nos últimos seis anos, a COIAB está sendo alvo de denúncias gravíssimas vindas dos próprios índios que a consideravam como sua legítima representante política.

A COIAB tem tido uma história irregular. No começo visava servir de ponto de encontro e de articulação das novas organizações indígenas que estavam se formando pela Amazônia, na ideia de que, seguindo o Art. 232 da Constituição brasileira, os povos indígenas agora tinham o direito de se organizar em associações para defender seus interesses, com capacidade de entrar em juízo como pessoa jurídica coletiva.

A representatividade funcionou durante os primeiros dez anos, com altos e baixos, devido aos problemas de administração e experiência de organização. Grandes líderes indígenas foram dirigentes da COIAB, como Pedro Garcia, atual prefeito de São Gabriel da Cachoeira, e Gilberto Makuxi, de Roraima, que já foi um dos maiores líderes indígenas, mas que terminou sendo escanteado pelos seus antigos companheiros, especialmente pelo CIMI. Nos últimos 10 anos a COIAB foi tomada pela influência direta do CIMI e de Ongs neoliberais, especialmente do ISA, que vêm nela um meio para se legitimar como instituições para-indigenistas diante dos doadores internacionais.

No governo Lula a COIAB se transformou na principal instituição de representatividade indígena nos vários conselhos criados pelo governo e nas dezenas de comissões instituídas ad hoc para legitimar alguma doação de recursos. Ela é que indicou os membros indígenas da Comissão Nacional de Política Indígena, cujos rasputins pertencem às Ongs indigenistas neoliberais.

A COIAB tem sido generosamente recepcionada pelo Ministério Público, em Brasília e, por extensão, em outras partes do Brasil, como a legítima representante dos índios da Amazônia e, por extensão, dos demais povos indígenas brasileiros. O próprio Ministério Público, de um modo inusitado, e creio que impróprio para um poder da União, se fez parte de uma organização para-indigenista, o Forum de Defesa dos Direitos Indígenas, criada em Brasília, em 2004, com o intuito imediato de centralizar as ações contra a Funai, e secundariamente, de controlar as indicações de representantes indígenas nas comissões e aparalhemento político do estado. Fazem parte desse Forum as diversas Ongs indigenistas neoliberais, como ISA, CTI, o Senec, o próprio CIMI, da Igreja Católica, e as associações indígenas regionais.

A COIAB tem se arvorado representar os povos indígenas perante a Comunidade Europeia e órgãos doadores de recursos, como o Conselho Mundial de Igrejas, a própria Comunidade Europeia e tantas instituições doadoras dos governos da Noruega, Dinamarca, Holanda, e Estados Unidos, inclusive a USAID. O governo alemão, através do seu banco GTZ e de outras instituições, como a KFW, tem sido um dos esteios de financiamento da COIAB. Essas instituições consideram que os índios são representados pela COIAB, APOINME e outras, mesmo que à revelia das organizações localizadas de cada povo indígena.

A COIAB tem méritos e tem defeitos. O principal defeito da COIAB é que se tornou o porta-voz exclusivamente dos índios que vivem nas cidades e mantém pouquíssimo contato direito com seus povos nas aldeias. De um modo geral, mas com grandes exceções, os índios urbanos não são representantes dos povos a que pertencem. Alguns vivem em uma atitude de alienação perante os povos indígenas, que, morando em suas terras, nas condições étnicas e culturais mais ou menos tradicionais, sabem onde lhes doem os calos, onde lhes falta apoio, e sabem que não é pelo discurso agressivo, próprio das Ongs e das instituições internacionais, que vão encontrar seu caminho no panorama político-cultural brasileiro. Isto não quer dizer que os índios que moram nas cidades são necessariamente alienados. Ao contrário, muitos sabem que suas personalidades e seus destinos foram forjados nas condições étnicas de seus povos e por isso mantêm um alto nível de lealdade aos seus povos. Esses índios urbanos procuram desesperadamente encontrar um meio termo entre as condições da vida étnica e as condições da vida urbana brasileira. Muitos sabem escutar os velhos, as mulheres e os jovens que vivem nas aldeias e que querem continuar a viver nas aldeias, e procuram ajudá-los de todas as formas possíveis. Eles é que devem liderar o movimento indígena brasileiro.

Na direção atual da COIAB quase todos os representantes indígenas compartilham a visão quimérica e ilusionista que as Ongs neoliberais têm incutido no movimento indígena brasileiro. O seu discurso é de denúncia estigmatizante contra a Nação brasileira, como se ela fosse incuravelmente anti-indígena, e contra o descaso do Estado brasileiro, como se nunca houvesse existido uma política favorável aos povos indígenas. Muitos vivem de clichês sociológicos e políticos, sem nenhum relação com a vida que vivem.

Nos últimos seis anos a COIAB tem sido dirigida por um índio Sateré-Mawé, chamado Jecinaldo Cabral Barbosa, que é, segundo a denúncia apresentada pelos próprios índios, o principal protagonista das falcatruas desse órgão, bem como de suas ações políticas desastrosas.

A denúncia apresentada logo abaixo, que circula em forma de email, visa aparentemente a mudança na direção da COIAB, mas também algo mais profundo. Visa animar um movimento de reorientação dessa instituição, de busca de liberdade diante da influência que tem recebido das Ongs neoliberais, das atitudes desastrosas que têm tomado conta das ações políticas da instituição. É evidente o descontentamento dos índios com as atitudes e os rumos da COIAB.

Será que esse novo movimento será vitorioso na próxima eleição? Será que essa dissensão que está se forjando terá forças para dar uma chacoalhada na COIAB e transformá-la?

Essa postagem nesse Blog foi feita para que todas as representações indígenas reflitam sobre suas posições políticas e lutem por sua autonomia político-cultural. Livrar-se da tutela das Ongs neoliberais é o primeiro passo. Criar um novo discurso de autonomia é outro. Iniciar novas práticas de ação, com a presença de lideranças das aldeias será um terceiro passo importantíssimo. As denúncias a seguir foram feitas por representantes indígenas que decidiram partir para a luta, após muita reflexão e esgotados em sua paciência.


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> Para Presidente do CONDEF e demais

> Denúncia


> Aproxima-se a eleição da COIAB conforme o estatuto, mas
> vai aciontecer reunião da CONDEF para adiar a eleição da
> COIAB. Está na hora de mudar, e ver a atuação do
> jecinaldo sateré-mawé neste período de 6 anos. Coisa boa
> está difícil de encontra, pois a COIAB está assim:
> politicamente está queimada e enfraquecido ninguém
> acredita mais na coiab, que diga os financiadores. todas as
> contas bancárias da coiab estão bloqueadas pela justiça;
> o prédio da coiab e equipamentos da coiab estão penhoradas
> pela justiça; duas vezes já recebeu ação de despejo pela
> justiça; está com uma dívida 600 mil reais; o
> departamento de educação acabou; departamento de
> etnodesenvolvimento está para acabar, funcionava quando
> estava ainda joão neves, e está acabando porque tiraram
> joão e jorge morreu, único que dava cobertura;
> departamento de mulheres ninguém fala mais, pois todas as
> mulheres eleitas viraram funcionarias, ninguém sabe mais
> por que, departamento de juventude não funciona,
> departamento de comunicação não funciona; um projeto foi
> aprovado para compra de um micro-ônibus, em vez disso
> gecinaldo vendeu o gol branco e comprou outro gol de segunda
> mão, resto da grana ninguém sabe onde foi parar; a reforma
> da COIAB, bancada pelo SDS, custou 230 mil, que dava para
> comprar outro prédio de três andares, mas a grana foi
> torrada para fazer aquela reformazinha e pinturinha e
> prestado conta com notas frias e superfaturadas; policia
> federal investiga o sumiço de carro toyota, motores de
> rabeta e notas frias do antigo convenio da saúde, existe
> quatros processos na justiça federal: 200532000020023-3,
> 20053200008259-2, 20063200002850-9, 20083200008431-2. e
> processos resultados de invasões na justiça federal:
>
> Proces: 2007.32.00.007689-4
> Objeto: Atentado contra a segurança de serviãos de
> utilidade pública (art. 265) – Crimes Contra a
> Incolumidade Pública – Penal.
> Autor: Ministério Público federal
> Órgão: COIAB
> Réu: Jecinaldo Barbosa Cabral
>
> Proces: 2007.32.00.004990-7
> Objeto: Dano (art. 163) – Crimes contra o Patrimônio -
> Penal
> Autor: Ministério Público federal
> Órgão: COIAB
> Réu: Jecinaldo Barbosa Cabral
> Isso é resultado de invasões de prédios públicos.

> A COIAB é reduto de articulação para invasões dos
> prédios públicos de Manaus, já invadiram uma vez na
> FUNAI, 4 vezes na FUNASA, uma vez na FEPI. kokamas da
> cidade, mundurukus da cidade e alguns muras e alguns saterés
> da cidade são usados para ser testa de ferro, com promessa
> de emprego com serviços gerais de faxineiros, porteiros,
> vigias eles invadem. Os manipuladores desses são: José
> Mario Mura-responde processo na controladoria geral do
> estado por desviou de 40 mil reais na FEPI, como diretor,
> Aldenor Tikuna-responde por processo de invasão de prédios
> públicos e estupro de uma funcionária dentro da FEPI,
> Israel Munduruku-responde processo na Policia Federal por
> falsidade ideologica, Eliézio Marubo-é outro testa de
> ferro, usam eles para pedir cargos nos órgãos públicos.
> Jecinaldo foi preso pela Policia Federal na sede da COIAB
> quando planejava invasão da Funai com estes indios. A CONDEF
> nunca fez nada, não toma medidas, assim não dá para
> continuar. Ainda esta semana os índios que foram participar
> do Fórum Social Mundial, em Belém, ficaram abandonados em Manaus, sem transporte e
> sem alimentação e cadê o dinheiro recebido do governo e das Ongs para irem ao Fórum?
>
> Daniel

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Termina o Fórum Social Mundial e o ministro Tarso Genro diz que se demite se for coibido nas questões indígenas


Hoje é o último dia do Fórum Social Mundial. Jornalistas, cientistas sociais e analistas em geral vêm apresentando suas visões do que ocorreu esse ano, em Belém, nessa 9ª edição do FSM.

No início do Fórum, muitos achavam que os temas propostos para discussão iriam ser desviados pela crise econômica mundial, que está a exigir de todos um posicionamento que levará a graves contradições com a ideia de um novo mundo. Até o deputado Fernando Gabeira, em artigo na Folha de São Paulo desta semana duvidou dos propósitos desse fórum, especialmente da ideia de criar um mundo alternativo ao que temos. Segundo Gabeira, ele já ouvira isso antes, nos tempos de luta contra a ditadura e antes do fim do comunismo soviético, e hoje acredita que aquilo pelo qual podemos lutar é tão-somente "um mundo melhor", não "um mundo alternativo".

O FSM carrega em si a ideia de um mundo alternativo. Diz que é contra o sistema capitalista e contra as nações dominantes. Entretanto, considerando as discussões, o que verdadeiramente há de alternativo nesse FSM é a cultura indígena. Mas aí, só eles mesmos podem viver suas culturas. Os demais participantes do Fórum podem apenas admirar esse mundo e tentar emular alguns dos seus aspectos. A questão, porém, é que muitos indígenas querem viver o mundo da cultura ocidental, e aí vêm os problemas. Como contemporizar as duas culturas? Eis o nosso maior desafio.

O FSM atraiu este ano um número muito grande de indígenas brasileiros. Talvez uns 1.000. Diversas organizações financiaram a vinda desses representantes indígenas. Vieram desde o Rio Grande do Sul até o Acre. Muitos da região amazônica vieram de barco descendo o grande rio, numa viagem promovida pela Coiab e por Ongs internacionais; outros vieram de avião e de ônibus.

A presença indígena no FSM foi maciça e impressionante. Os participantes estrangeiros não deixaram de se admirar com suas danças e cânticos, suas indumentárias, seus cocares e suas pinturas corporais. Os Kayapó levaram uma delegação de mais de 100 índios, e 100 índios Kayapó fazem uma performance que se destaca no meio de outras performances.

A organização das atividades dos índios neste FSM ficou a cargo da Coiab. O discurso que pretendia fazer e o tom que planejava dar era de protestos contra o capitalismo, o desmatamento, a construção de hidrelétricas e estradas, mas sem atingir o governo. Porém, pressionada pela presença dos Kayapó e de outras lideranças que não se submetem ao discurso de contemporização da Coiab, esta teve que agitar as reuniões com autoridades e com outros participantes do FSM. Em certo momento, um dos líderes da Coiab, Marcos Apurinã, o mais visível no FSM, disse que o presidente Lula havia abandonado os índios e que tinha se recusado a recebê-los na sua passagem de dois dias em Belém. Aí foram convocados o ministro do Meio Ambiente e depois o Ministro da Justiça para assegurar aos índios o apoio do governo. Depois disso Apurinã contemporizou e disse que segue apoiando o governo Lula.

Aliás, a imprensa notou que o governo enviou uma enorme delegação de funcionários de alto e médio escalões. Mais de 200. Parece que a ideia era mostrar que o governo Lula continua a merecer o apoio dos movimentos sociais, contrariamente ao que vem falando o MST, por exemplo, que diz que o governo Lula não está fazendo a reforma agrária.

Além das passeatas e manifestações de danças e cânticos, os índios participaram de diversas reuniões e debates. Um dos mais caóticos foi com o pessoal do Ministério de Minas e Energia, que estava defendendo a construção das hidrelétricas no rio Tocantins, no rio Xingu e no rio São Francisco. O Kayapó Yreô se exasperou tanto com os argumentos apresentados que foi à mesa de discussão e quebrou os slides que o pessoal das hidrelétricas estava apresentando. Por sua vez, os índios do Vale do Javari fizeram uma grave denúncia de que estão sofrendo de hepatite crônica e muitos morreram sem que a Funasa tivesse encontrado uma solução.

Em determinado a situação ficou muito tensa no meio dos índios. Eles estavam muito aborrecidos com algumas autoridades do governo e até se recusaram a receber o presidente da FUNAI. Na quinta-feira, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esteve num debate e prometeu a liberação de uma verba de 9 milhões de reais, este ano, para projetos econômicos sustentáveis para os povos indígenas. Esta verba, variando de valor de ano a ano, vem sendo aplicada desde o início do governo Lula. Passa ao largo da FUNAI e é gerenciada no MMA, junto com a comissão de índios, para doar a povos indígenas que fazem projetos que, ao final, não produzem nenhum resultado consistente em suas comunidades. Muito menos sustentáveis.

Ontem, sábado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, em fala marcada por pleonasmos e promessas, chegou ao extremo de dizer que se demitiria do cargo se as ações que ele declarou estar promovendo não fossem acatadas pelo governo do presidente Lula. Disse isso depois de ouvir por duas horas as falas dos representantes indígenas que insistiam em mostrar que o governo Lula tem sido negligente para com eles. Em suas próprias palavras, Genro declarou, segundo o jornal eletrônico da UOL:

"Se não pudermos continuar defendendo as questões indígenas, se formos coibidos de alguma forma, eu saio do ministério", diz Tarso Genro. "Não é bravata".

Tarso Genro tem dado declarações esdrúxulas por aí afora. Esta vai de barato para sua coleção de bravatas desmentidas como não bravatas. No mesmo tom, ao fazer uma avaliação dos últimos 23 meses em que é ministro da Justiça, Genro disse:

"Nos últimos dois anos, elaboramos 271 portarias declaratórias [de demarcação de terras], fizemos 10 homologações [de reservas] e temos hoje 90 processos [de demarcação] em curso".

Só posso acreditar que essa aspas tenham sido engano da jornalista Karina Yamamoto, da revista eletrônica UOL. Realmente, a única informação verdadeira nelas é que foram homologadas 10 terras indígenas (não "reservas"), e mesmo estas foram todas frutos do trabalho do ministro anterior, Márcio Thomas Bastos, e do ex-presidente da FUNAI, este que vos escreve. Por sua vez, as 271 portarias declaratórias do atual ministro da Justiça não chegam a 20, das quais 16 delas foram embargadas pelos terceiros interessados e pelos governos dos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina e Rondônia, e não tiveram prosseguimento. Na verdade, quase nenhuma terra está sendo demarcada. Já dizer que há 90 processos de demarcação é espantoso.

Por sua vez, o presidente atual da FUNAI falou que este ano o Estatuto do Índio iria ser mudado por um novo que estaria sendo discutido através da CNPI. Segundo ele, “Todo o movimento indígena reivindica essa atualização depois de tantos anos” (Agência Pará). Ora, pode ser que esse movimento indígena esteja a favor, mas não os índios que vivem em suas terras e conhecem as consequências que poderão advir da mudança do Estatuto do Índio. Aliás, essa foi uma das maiores reivindicações que os índios tiveram em sua passagem pelo Fórum Social Mundial: a não mudança do Estatuto do Índio.

Por tudo isso, sinto um certo constrangimento pelo que o ministro Tarso Genro está passando no Ministério da Justiça. Ele não merece.

Assim, o FSM termina com o sentido de déjà-vu. Há uma crise de liderança que se repete a cada encontro. A saída é sempre a busca de outro ambiente para a reunião do próximo ano.

Deste encontro em Belém fica a lembrança da presença dos índios, suas vozes determinadas em meio ao caos incompreensível das outras reivindicações.

domingo, 28 de setembro de 2008

Índios do Acre reclamam do trabalho das Ongs

O relacionamento entre Ongs indigenistas e os próprios povos indígenas está chegando a tal ponto de desconforto que os índios começaram a denunciá-lo.

Vejam essa matéria retirada de um jornal de Cruzeiro do Sul, estado do Acre, e repercutida pela Coiab, a principal instituição indígena do Amazonas.

Parece aos índios que as Ongs foram criadas para ajudá-los a assumir seu potencial político, econômico e social na sociedade brasileira. Mas, ao longo de mais de vinte anos de atuação, a maioria das Ongs só tem deixado os índios mais dependentes, seja delas próprias, seja da FUNAI. Às vezes essa dependência é financeira, pois as Ongs neoliberais saem à frente e conseguem recursos para as organizações indígenas. Às vezes a dependência é ideológica, quando as Ongs neoliberais ditam o modo das organizações indígenas pensarem e atuaram.

Autonomia econômica, autodeterminação política estão longe de serem alcançados pelos povos indígenas e suas organizações.

O problema é sério, haja visto a repercussão dessa matéria entre as organizações propriamente indígenas.

Porém não é totalmente culpa das Ongs. Elas não são capazes de atender o que pretendem os índios porque lhes falta aquilo que também falta ao órgão indigenista brasileiro. Uma visão de futuro, de relacionamento paritário, equilibrado e digno entre os povos indígenas e a sociedade brasileira. Elas, as Ongs, se distinguem da FUNAI e do Estado brasileiro porque se pretendem mais importantes, mais sábias e mais corretas. Não são uma coisa nem outra.

Mais humildade nessa relação por parte de todos: das Ongs, das instituições indígenas e do Estado, dos antropólogos, dos indigenistas e dos índios.

O mundo está em mudança e pode mudar de um modo muito ruim para os povos indígenas. A cobrança está vindo aí, primeiro pelos fazendeiros e políticos locais que estão a exigir participação nos destinos políticos dos povos indígenas e determinar políticas públicas; depois pela exigência do Estado. Aí ficará muito difícil para os índios.

Uma nova visão do relacionamento interétnico brasileiro é o que precisamos. Um novo indigenismo está na ordem do dia. Um novo papel do Estado brasileiro tem que ser construído.

Por isso é que é necessário convocar uma nova Conferência Nacional dos Povos Indígenas.

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Indígenas denunciam ONGs oportunistas

Em Cruzeiro do Sul, os catuquinas que moram próximos à Estrada BR-364 não conseguem mais acreditar em ninguém. Uns chegam e dizem que o bom é isso, que tal coisa é ruim, outros chegam dizendo o contrário.

São oito instituições que trabalham com eles, mas, mesmo assim, eles vivem em condições precárias. Os grupos se aproximam deles para por interesse no sapo campô. Eles levam o conhecimento e não deixam nada em troca. Esse foi um exemplo dado pelo líder indígena Sabá Manchiner, para mostrar oportunismo de algumas organizações não-governamentais (ONG)

Esse tipo de organização tornou-se um lucrativo meio de vida. São inúmeros projetos destinados aos povos indígenas. Essas entidades recebem recursos do mundo inteiro apenas levantando, mesmo que na teoria, a bandeira “pró-índio”.

Segundo o líder, não há transparências na gestão desses grupos. Ele disse que os índios não sabem sequer quais os projetos em que estão envolvidos. “Falta transparência. Não há nenhum tipo de prestação de contas com os indígenas”, declarou.

Os pesquisadores ligados a essas intuições, quando não visam ao lucro diretamente, têm interesses nos conhecimentos dos povos indígenas. A contribuição deles é mínima. Eles são os mais beneficiados com essa relação desequilibrada – aprendem muito, ensinam pouco.

Parte das aldeias não recebe nenhum benefício, mas, sem muito medo de errar, deve existir algum projeto quem empenhe suas etnias. Os índios sabem dos recursos, mas não têm acesso aos programas desenvolvidos”, detalhou Sabá.

Dois caminhos

Os índios acreanos estão no meio de uma bifurcação: se optarem por permanecer em suas aldeias, conservando suas tradições, como os tão noticiados “índios isolados”, o risco é virarem seres folclóricos, preservados num museu natural.

“Todo o mundo tem opinião sobre a vida dos índios, menos eles mesmos. Essa é a situação em que se encontram os tão famosos ‘povos da floresta’”, desabafou o líder.

Caso queiram trilhar pelo segundo caminho, deixando suas terras para viverem na cidade, imersos numa cultura alheia, os problemas serão ainda maiores, como o alcoolismo e a miséria. “Se um índio busca melhoria de vida para ele e para os outros, logo é taxado como autoritário e contra o sistema”.

“Acredito que é possível permanecer sendo um povo, obtendo outros conhecimentos, sem se apropriar do conhecimento alheio, tendo respeito e equilíbrio entre as culturas. O que não pode acontecer são os indígenas serem obrigados a ficar isolados só como propaganda.

Quando tudo começou

Sabá Manchineri lembrou que, na década de 1980, quando surgiram as primeiras ONGs, o discurso deles era capacitar os índios para terem autonomia e condições de executarem seus próprios projetos. Mas o que acabou acontecendo foi o contrário, os pesquisadores se especializaram na cultura indígena nos conhecimentos tradicionais, ganharam dinheiro e foram embora. “Os índios não ficaram conhecimento sequer para relatar seus problemas”, salientou.

A saída proposta pela liderança é o incentivo a políticas mais claras e a líderes indígenas que possam gerir seus próprios recursos e lutar pelo diretor dos grupos indígenas. “Precisamos de preocupações verdadeiras”, finalizou.

Survival International arrecada euros em nome de índios isolados

Um exemplo da ação da ONGs ligadas às causas indígenas é esta matéria de Altino Machado.

“A pretexto de proteger os índios isolados da fronteira Brasil-Peru, vítimas dos madeireiros peruanos que invadem e destroem suas terras, a Survival International lançou uma nova campanha mundial para obter a doação de euros para a organização e o envio de cartas ao presidente peruano Alan Garcia em apoio aos indígenas”.

“Survival, cuja sede funciona em Londres, não explica como o dinheiro da arrecadação será transformado em ações de proteção de etnias que vivem isoladas e se defendem das ameaças basicamente com arco e flecha. A organização sugere doações que variam de 6 a 100 euros. Mas o contribuinte tem a opção de fazer doação mensal, trimestral e anual de valores maiores, optando por tornar-se sócio ou não”.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Funasa rebate críticas de índios e apresenta novo programa

Atacada por todos, de antropólogos a missionários, de índios que vivem em suas terras a índios ongueiros, a Funasa, através de seu coordenador-geral de saúde indígena, Wanderley Guenka, vem a público para rebater algumas acusações contra o seu desmantelo estrutural. Desta vez as críticas rebatidas vêm da parte de um dirigente da Coiab.

Ao rebater as críticas, Guenka lembra ironicamente que a Coiab já foi Ong terceirizante da saúde indígena, pelo período de 1999 a 2003, e foi descredenciada pela falta de prestação de contas. Sugere um oportunismo da parte do dirigente da Coiab, que, pouco tempo atrás, defendia as ações da Funasa em comparação com as críticas que fazia à Funai.

O interessante da entrevista abaixo, concedida à Agência Brasil, é de que a Funasa está tentando sobreviver no comando da saúde indígena, tão atacada por todos, trazendo um novo modelo. Esse modelo será o fortalecimento dos DSEI, isto é, dos Distritos Especiais de Saúde Indígena. Ao todo, são 34 DSEI espalhados pelo Brasil, criados por critérios supostamente antropológicos, mas claramente políticos, no início da transferência a saúde indígena para a Funasa, em 1999, pelo atual coordenador-geral do ISA. O modelo Funasa/Ongs neoliberais é intrínseco à sua incepção. Mudá-lo é que são elas.

O temeroso é que supostamente esse novo programa da Funasa será apresentado pelo presidente Lula em sua reunião com a Comissão Nacional de Política Indígena. Alguém tem que alertar o presidente Lula de que isto pode ser uma bola murcha a qual os índios Brasil afora não estarão convencidos do seu sucesso.

O principal problema da Funasa continua sendo sua incapacidade indigenista. Diante disso, a imensa drenagem de recursos públicos empalidece. A saída é juntá-la à Funai, agregá-la à Funai, único órgão indigenista que ainda tem força para renovar o diálogo com os índios. Para isso há que se fortalecer a Funai, criar a Carreira Indigenista, fazer concurso público, criar o Instituto de Indigenismo. Só então a saúde indígena poderá melhorar.

A nova notícia do dia é que os índios Guarani e Kaingang do Paraná acabam de invadir, mais uma vez, a sede da Funasa em Curitiba para protestar pela falta de pagamento da Funasa aos seus fornecedores e Ongs. Os índios haviam invadido a mesma sede uma semana atrás e foram convencidos a sair mediante a promessa de pagamento. Ora, ora, assim caminha a humanidade. Digo, a Funasa.


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Funasa rebate críticas, mas reconhece deficiências

Agência Brasil

Alvo de uma série de críticas de má-gestão no atendimento aos índios, feitas pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a direção da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) reconhece deficiências no sistema, mas reage à acusação de que o órgão esteja aparelhado por indicados políticos que não têm compromisso com as questões indígenas. “A palavra do Jecinaldo [coordenador-geral da Coiab] é uma opinião pessoal dele, que não reflete o pensamento de todas as comunidades. A Coiab teve convênio com a Funasa de 1999 a 2003 e foi descredenciada por falta de prestação de contas”, afirmou à Agência Brasil o diretor de Saúde Indígena da fundação, Vanderlei Guenka.

A denúncia de resistência da atual direção ao diálogo com as comunidades também é falsa, conforme Guenka: “Representantes dos conselhos distritais de saúde, compostos por indígenas e trabalhadores, se reúnem quatro vezes por ano em Brasília com patrocínio da Funasa”. O diretor ressaltou que apesar da atual estrutura de atendimento não ser a ideal, alguns indicadores como a redução da mortalidade infantil nas comunidades e o aumento da população indígena são positivos.

O modelo de atendimento à saúde indígena no Brasil é baseado em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei) espalhados pelo país, com responsabilidades por uma base territorial e populacional específica. As equipes médicas, entretanto, não têm vínculo permanente com a Funasa.

Segundo Guenka, 13 mil profissionais atuam hoje na atenção à saúde da população indígena, contratados por entidades conveniadas do terceiro setor. A intenção da Funasa é substituir todos eles até 2012 por funcionários ligados diretamente ao órgão estatal, por meio da realização de concurso público. O diretor admite a carência, apontada pela Coiab, de melhor preparo de médicos e assistentes para a função: “Estamos reorganizando o departamento e os distritos [de saúde indígena] para melhor capacitar esse profissionais”.

Uma das principais reivindicações das comunidades, a autonomia financeira e administrativa para os distritos, a fim de desburocratizar o atendimento, também deve ser atendida. Segundo Guenka, a medida pode ser anunciada no próximo dia 19 de junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ongs indígenas querem a exoneração do presidente da Funasa

Apesar dos defensores da Funasa, tais como o ISA (cujo coordenador foi quem conceituou e convenceu Dona Ruth Cardoso a ordenar a saída da saúde indígena da Funai para a Funasa), as Ongs indígenas, algumas das quais tendo convênios de terceirização com o órgão, vão levar ao presidente Lula o pedido de demissão do presidente do órgão, o advogado cearense Danilo Fortes.

É tirar o sofá da sala. O problema não é exatamente este. O problema é que falta à Funasa o espírito indigenista necessário para que a saúde indígena funcione. Tal como falta no Brasil o bom relacionamento médico-paciente.

A matéria abaixo, da Folha de São Paulo, saiu hoje, coincidentemente algumas horas após a defesa da Funasa feita na entrevista comentada em postagem logo abaixo.

Diz também que as Ongs indígenas vêm com o pedido de demarcação de 270 novas terras indígenas e da revisão do PAC. Acham que a Usina de Belo Monte é birra da ministra Dilma Roussef. Se o presidente Lula for à reunião do CNPI, conforme garantiu o presidente da Funai, vai dizer o quê? Só esperamos que o representante dos Kayapó não leve um facão.


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Indígenas vão pedir saída de presidente da Funasa a Lula

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
da Folha de S.Paulo

Lideranças indígenas prepararam lista de demandas para apresentar ao presidente Lula na reunião da CNPI (Comissão Nacional de Política Indigenista), no dia 19. Dentre os principais pedidos está a demissão do presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Francisco Danilo Bastos Forte.

Na semana passada, índios invadiram prédios da fundação em Cuiabá (MT), Curitiba (PR) e Porto Velho (RO). E mantiveram funcionários reféns em Ubatuba (SP) e Capitão Poço (PA). Indígenas criticam a suspensão no repasse de verbas, enquanto a Funasa argumenta que reforçou a fiscalização.

"Danilo não tem nenhuma competência. Está no lugar errado", disse Jecinaldo Barbosa, chefe da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

Barbosa foi quem jogou um copo d'água no deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) em recente audiência na Câmara, sobre a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol (RR). O indígena acha que, se a "pasta continuar na mão do PMDB, não vai mudar muita coisa".

Para o vice-presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Saulo Feitosa, a situação é crítica. "O caos está se espalhando." Ele rejeita o modelo de gestão da Funasa. "Não há coordenação. Isso é conseqüência da terceirização."

Na reunião com Lula, as lideranças do CNPI vão pedir homologação de 270 terras, criação de agentes ambientais indígenas e revisão do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a Amazônia. "A hidrelétrica de Belo Monte [PA] é imposição da Dilma Rousseff [ministra da Casa Civil], que quer desenvolvimento a qualquer custo", disse Barbosa.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Coiab se defende de acusações de desvios de verbas

A Coiab soltou ontem uma Nota Pública em que busca rebater acusações de desvios de dinheiro público que lhe são imputadas por acusadores anônimos na internet. As acusações não saíram em jornais escritos, nem se sabe em que sites elas estão e quais os dados usados. Mas a Coiab parece nervosa a ponto de já estar procurando saber quem seriam os acusadores para processá-los.

Por outro lado, veja também as denúnicas do presidente da Funasa contra o coordenador da Coiab por falta de lisura com o dinheiro público.

A matéria completa da Coiab está em seu site com o título Nota Pública. Vale notar nesta Nota que a Coiab considera como vitória sua a presença maciça de membros da organização no Conselho Nacional de Política Indigenista, em detrimento à presença de lideranças comprometidas com as bases de seus povos. Preocupante é saber que a aprovação de um GEF Indígena, que vai favorecer o poder do ISA sobre o movimento indígena, deve-se também à Coiab.

Também o programa PPTAL, financiado pelo governo alemão, e ligado à Funai, agora se baseia no que a Coiab considera apropriado para demarcar e para fazer programas de desenvolvimento étnico. É um poder de influência que é subtraído das verdadeiras lideranças indígenas.

A Coiab tinha que se defender porque as evidências de desvios e falcatruas, conhecidas há anos, estão crescendo a olhos vistos. Ela vai ter que vender sua sede para pagar as dívidas trabalhistas e outras. Fala-se que algumas Ongs e a própria Funai (será que o programa PPTAL também) estão procurando meios financeiros para vir em socorro do principal responsável pela administração corrupta atualmente instalada na Coiab. É preciso que as lideranças indígenas renovem o espírito da Coiab e não a deixem estiolar na corrupção.

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04.03.2008

NOTA PÚBLICA SOBRE DENÚNCIAS CONTRA A COIAB

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), em respeito às suas lideranças, ao Conselho Deliberativo e Fiscal da COIAB (CONDEF) e às organizações de base nele representadas, às entidades parceiras e às instituições públicas, vem a público manifestar a sua indignação e o seu repúdio às informações distorcidas que vêm circulando na internet por meio de mensagens anônimas e certamente por advindas de pessoas descomprometidas com os nobres ideais do movimento indígena e que buscam desestabilizar o trabalho da atual coordenação.

Esta não é a primeira vez que anônimos tentam atingir dirigentes da COIAB denegrindo de forma irresponsável a imagem da Instituição, cuja credibilidade é sustentada por mais de 18 anos de luta na defesa dos direitos dos povos indígenas da Amazônia Brasileira.

Como é de conhecimento das organizações de base e das lideranças, em 2002 a Coordenação Executiva composta por Jecinaldo Saterê-Mawé (Coordenador Geral), Crisanto Xavante (Vice-Coordenador), Miquelina Barreto Machado (Secretária Geral) e Genival Mayoruna (Tesoureiro), assumiu a COIAB num momento de intervenção e com muitas dificuldades financeiras e administrativas advindas dos convênios com a FUNASA, mas desde o início do mandato, esta coordenação vem procurando desenvolver um processo transparente de gestão, seja na busca de soluções para seus problemas acumulados, seja para construir e estabelecer procedimentos e instrumentos permanentes de administração capazes de superar os desafios e evitar a continuidade de erros e fragilidades no futuro, necessários para seu desenvolvimento e fortalecimento institucional. Em maio de 2006, na VIII Assembléia Geral da COIAB, realizada na aldeia Maturuca, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, num ato de aprovação da Coordenação Executiva, dois dos seus membros, Jecinaldo Sateré-Mawé, foi reconduzido à Coordenação da COIAB praticamente por aclamação, pelo consenso da maioria absoluta dos delegados e Genival Mayoruna foi reconduzido ao cargo de coordenador tesoureiro para o mandato 2006 a 2009.

Nessa perspectiva de trabalho a COIAB traçou estratégias de fortalecimento institucional e político que resultaram em importantes avanços e conquistas para o movimento indígena amazônico e nacional como destacamos a seguir:

• Fortalecimento das bases do Movimento Indígena, com destaque para a Amazônia Oriental e a Representação da COIAB em Brasília.

• Abril Indígena como instância de discussão do movimento indígena,

• Fórum Permanente dos Povos Indígenas da Amazônia com três edições realizadas em diferentes Estados da Amazônia (Amazonas, Mato Grosso e Rondônia)

• articulação com as organizações indígenas do Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil;

• conquista da Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI;

• rearticulação da COICA;

• Participação da COIAB na Organização das Nações Unidas – ONU. (inclusive em 2008 levaremos casos emblemáticos como Raposa Serra do Sol, Cinta Larga, Vale do Javari, Hidrovia do Madeira)

• retomada da Aliança dos Povos da Floresta;

• aprovação do Projeto GEF Indígena para proteção dos territórios indígenas;

• início do processo de regionalização do PDPI.

• Reconquista da credibilidade da COIAB junto aos parceiros financiadores.

• Instalação do Fórum Nacional de Defesa dos Povos Indígenas.

...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Índios Ikpeng liberam reféns

Finalmente os índios Ikpeng libertaram os 12 reféns, incluindo o chefe da Administração do Parque do Xingu, Tamaluí Mehinacu, a antropóloga Edir Pina de Barros, os demais membros de sua equipe de trabalho e os funcionários da Funai. Ao que tudo indica, o antropólogo Cláudio Romero nem chegou a ir à aldeia. A negociação foi feita entre outras pessoas.

Aos índios ficou garantida a ida de 50 deles a Brasília para tratar do seu objetivo, que é o fechamento da usina que está sendo construida no rio Culuene, a 90 km do Parque do Xingu. É possível que essa usina provoque alguma interferência no fluxo de peixes do rio Xingu, o que prejudicaria enormemente a vida dos Xinguanos, já que eles dependem de peixe como fonte quase absoluta de proteína animal.

Como será que serão recebidos em Brasília? O ministério da Justiça, o do Meio Ambiente, a Funai terão vontade de ir contra essa pequena central hidrelétrica? Os índios voltarão com a vitória na mão? Se não, o que receberão de volta?

A única coisa que resta desse episódio é o desgaste da relação dos Ikpeng com a Funai. E, acho, com outros índios xinguanos. Sem serem persuadidos de que a Hidrelétrica Paranatinga II não vai afetar suas vidas, vão continuar a protestar contra essa empresa. Ao seu lado estão pessoas que querem ver o circo pegar fogo. Inclusive que estão relacionadas com as Ongs que hoje dominam a Funai.

Por outro lado, a matéria abaixo mostra o quanto de desgaste sobrou para as famílias dos seqüestrados. A filha da antropóloga Edir de Pina Barros, a jornalista Maíra Barros Sardinha, divulgou um carta comovente em que retrata o pouco caso dado pelo presidente da Funai a esse seqüestro. Sobretudo em comparação com o caso semelhante dos Cintas-Largas que seqüestraram um enviado da ONU e um procurador da República, para o qual ele se prontificou a resolver com presteza e foi à aldeia regastar os reféns. É que, no caso cinta-larga, as coisas estavam combinadas com a direção da Coiab. No caso Ikpeng a coisa era de verdade.

Ver também Folha Online

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Filha de refém repudia atitude da Funai em carta

Diário de Cuiabá

Sem muitas notícias sobre as condições das pessoas que estavam presas na aldeia Moygu, sentimentos como apreensão e nervosismo tomaram os dias dos seus familiares. A jornalista Maíra de Barros Sardinha, filha da antropóloga Edir Pina de Barros, divulgou ontem uma carta de protesto contra as atitudes da Funai, que segundo ela, não se manifestava em mandar um representante para resolver o impasse na aldeia.

Maíra explicou na carta que recebeu informações de que a mãe havia passado muito mal por causa da pressão arterial, mas que ainda não foi liberada. Edir, conforme a filha, é hipertensa e não pode ficar sem medicamentos. Maíra contou que vinha sendo mal informada e atendida pelo órgão responsável (Funai).

A jornalista questionou a postura “irredutível” do presidente da Funai, Márcio Meira, em não se deslocar à aldeia para conversar com os índios. Maíra colocou que vinha se questionando se o pedido não deveria ser atendido, já que esta é a função de Meira e ele está lá para cumpri-la.

“Agora, o que tenho a dizer é que estou revoltada. Nenhuma autoridade toma atitude porque é fácil ficar esperando usufruindo o conforto que a energia elétrica que uma Usina proporciona, como: ar-condicionado, água gelada, comida requinta, etc.”, consta na carta, enviada antes da notícia da liberação dos reféns.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Coiab não leva a Funasa, ainda

Os índios ganharam mas não levaram. Parece que a Funasa e o secretário de saúde do Amazonas cozinharam o galo e deixaram os índios da Coiab com a impressão de que iriam levar a Funasa. Mas a Funasa tem muito dinheiro para distribuir e aí a coisa é mais complicada.

A notícia abaixo, vindo da Agência Brasil, tenta pôr os pratos a limpo. Os índios da Coiab continuam dentro do prédio da Funasa, a juíza não acatou o pedido para retirar os índios, mas a Funasa desfez a promessa de entregar a coordenação do Amazonas para o índio indicado pelo Jecinaldo Barbosa.

É uma confusão do tamanho do amazonas!

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Secretário propõe mandato tampão para coordenação da Funasa no Amazonas

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Manaus - O secretário de Saúde do Amazonas, Wilson Alecrim, apresentou hoje (23) durante audiência na Justiça Federal do Amazonas com lideranças indígenas e representantes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a proposta de um mandato tampão para a coordenação do órgão no estado.

“Os indígenas saíram daqui com essa proposta, vão refletir e possivelmente depois disso o impasse seja solucionado”, disse a juíza responsável pelo processo, Jaiza Fraxe.

Os líderes indígenas de diversas etnias ocupam a sede da Funasa em Manaus há dez dias. Eles reivindicam a substituição das direções da coordenação regional do órgão federal no estado e a revogação da Portaria nº 2.656, que regulamenta a prestação dos serviços de atenção à saúde dos povos indígenas.

A proposta do mandato tampão surgiu da constatação da Justiça Federal quanto a impossibilidade dos indígenas Sílvio Tukano e Isael Mundurucu assumirem a coordenação da Funasa e a chefia do Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus, respectivamente, como havia sido anunciado na primeira audiência, ocorrida na última quarta-feira (21).

"Apesar de existir uma portaria assinada por um representante da direção da Funasa de Brasília encaminhando o nome do indígena para assumir a coordenação da Funasa no Amazonas e do Distrito Sanitário Especial, foi pedida a declaração de insubsistências desse documento, que ainda não está de todo formalizado. Há uma discussão nos autos se eles [atuais dirigentes] continuam ou não. Isso será apreciado pela Justiça e definido ao longo do processo", informou a juíza Jaiza.

De acordo com o advogado das lideranças indígenas, Carlos Pantoja, o nome proposto para assumir o mandato tampão é o de Narciso Cardoso, que é servidor da Funasa, mas atualmente está trabalhando no Ministério da Saúde.

Quanto à ocupação do prédio, a juíza disse que “a Funasa tem um pedido de liminar porque considera que a ocupação é um ato de invasão, mas o Ministério Público deu o parecer pelo indeferimento desse pedido e vai ser analisado se a presença dos indígenas é uma invasão ou não. Isso a Justiça ainda irá decidir".
O secretário Wilson Alecrim informou que está conversando com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para ajudar a resolver a situação, responsável pela paralisação das atividades da Funasa no estado.

Segundo Alecrim, o ministro se mostrou surpreso quanto as reações à Portaria 2.656, mas se dispôs a fazer a divisão e a reformulação do documento para melhorar a portaria e a atenção à saúde indígena.

O secretário ressaltou que seria uma reformulação e não uma revogação, como pedem os indígenas.

"Seria reformular e não revogar. Revogar a portaria não seria interessante nem para o Amazonas, porque a portaria aumenta recursos para o estado da ordem de R$ 10,5 milhões ao ano. A revogação nos levaria a um estágio anterior com menos R$ 10 milhões para a saúde indígena. Nós estamos agendando uma reunião para a próxima semana entre as lideranças indígenas do Amazonas e de todas as pessoas envolvidas nessa problemática com o ministro Temporão, e certamente vamos chegar a um desfecho favorável para que nós possamos melhorar a atenção à saúde indígena", disse.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Funasa de Manaus passa para a Coiab

Fiquei surpreso com esta. A ação dos indígenas em Manaus de invadir a sede da Funasa em protesto contra a municipalização da saúde indígena tinha outro objetivo, só agora tornado evidente.

Foi orquestrado pela Coiab e o objetivo principal não era protestar contra a municipalização da saúde indígena e sim obter a demissão da coordenadora de saúde da Funasa para ser substituída por um índio. Tal como fizeram em janeiro de 2005 com a Funai.

Aliás, usaram a mesma estratégia de invadir o órgão e levar mulheres e crianças para dentro, exatamente para que a PF não os pudesse retirar. Não sei se cuspiram em algum agente da PF, como fizeram no caso da Funai.

A Coiab não é mais uma simples Ong indígena. Sua função não é mais simplesmente protestar ou mostrar caminhos diferentes. É política, no sentido de busca pelo poder. Acha-se preparada para tomar as rédeas da política indigenista brasileira, e na marra. Daqui por diante, com mais ousadia, e com o beneplácito de autoridades em Brasília, vai aumentar sua pressão sobre as instituições de política indigenista.

Qual será o próximo órgão a ser invadido pela Coiab?

Aliás, já há um briga surda entre lideranças indígenas para ver quem pode ser o novo presidente da Funai. Só espero que não seja na marra.

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Indígena substituirá coordenadora da Funasa no Amazonas

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Manaus - Nos próximos dias, a coordenadora da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Amazonas, Margareth Menezes, será substituída pelo indígena Sílvio Machado, da etnia Tukano. No mesmo período, a chefia do Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus será assumida por Isael Mundurucu, no lugar de Maurazina Sabóia.

As decisões foram anunciadas hoje (21), após audiência de conciliação promovida pela Justiça Federal entre representantes da Funasa e as lideranças indígenas responsáveis pela ocupação da sede do órgão federal no estado. Foi marcado um novo encontro para sexta-feira, quando poderá ser anunciada a decisão sobre o pedido de reintegração de posse do prédio, protocolado na segunda-feira (19), na 1ª Vara da Justiça Federal.

"Os indígenas vão continuar no prédio, mas com uma observação, que trata do início de uma negociação com a presidência da Funasa e com o Ministério Público. Creio que na sexta-feira vamos fechar essa história de forma satisfatória, no sentido de avançar e melhorar a saúde indígena na região", disse o presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Jecinaldo Sateré, que acompanhou a audiência.

O diretor de secretaria da 1ª Vara da Justiça Federal do Amazonas, Ronaldo Souza, informou que somente hoje foi concluído o processo para a juíza Jaiza Fraxe, responsável pela ação. "Ainda não há nenhuma decisão, apesar de alguns veículos de comunicação terem divulgado que a juíza havia mandado retirar os indígenas do local", afirmou.

O delegado da Polícia Federal, Scarpellini Vieira, explicou que desde o início a ocupação é acompanhada por policiais federais. E destacou que uma ação de retirada dos indígenas dependeria de decisão judicial. Neste caso, ressaltou, a Fundação Nacional do Índio (Funai) será convidada a acompanhar a atividade.

"A reintegração não é feita de uma hora para outra. Depois que a gente receber a decisão judicial, os indígenas serão intimados pelos oficiais de Justiça e notificados para desocupar o prédio, com prazo para uma saída pacífica. Caso não seja feita a desocupação, os oficiais vão solicitar à Polícia Federal que promova a desocupação. Os funcionários da Funai têm que estar no local, acompanhando o processo que pode ser muito difícil, já que há mulheres e crianças no prédio", avaliou.

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Índio apitará na Funasa/AM

Mário Adolfo Filho
Especial para A CRÍTICA


Depois de oito dias de ocupação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), os índios conseguiram parte das reivindicações que vinham exigindo da direção nacional do órgão, que volta a funcionar parcialmente hoje, em Manaus, mas ainda ocupado, pois a juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe negou o pedido de reintegração do prédio. Na sexta-feira, os índios terão uma audiência com o secretário de Estado da Saúde, Wilson Alecrim, e Wanderlei Cuenca, diretor-geral de saúde indígena da Funasa.

Agora, além da FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO (FUNAI), eles também "controlam" a própria Funasa e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus . Na Funasa assume o ticuna Sílvio Rogério e no DSEI/Manaus, Isael Franklin, que é mundurucu. Esse posto antes era ocupado por Maurazina Sabóia.

Acordo

O acordo só foi possível depois que o chefe do gabinete da presidência da Funasa, Pedro Paulo Siqueira, veio a Manaus negociar com os índios. Na tarde de ontem, ele e as lideranças indígenas estiveram na Justiça Federal, no Aleixo, homologando o repasse dos recursos da Funasa para o Governo do Estado. Porém, os índios querem a criação de uma secretaria específica para a causa. Durante a manhã, eles queimaram pneus e bandeiras em forma de protesto.

Negociação

A reunião foi chefiada por várias lideranças indígenas, entre eles Jecinaldo Sataré e Adail Mundurucu. No início, os ânimos se acirraram, pois Paulo disse que o encontro serviria apenas para definir as principais reivindicações que seriam levadas por ele a Brasília. Os índios não aceitaram. Depois disso, a conversa foi amena.

Controle

Com o impasse, o chefe de gabinete precisou ceder e aceitar as nomeações dos índios Sílvio Rogério e Isael Franklin para a Funasa e o DSEI respectivamente. Na FUNAI, Edgard Fernandes, dessana, já controla as ações desde a última manifestação, quando os indígenas também ocuparam o prédio por vários dias.

"Apesar das conquistas, continuaremos no prédio, pois nossa maior luta é para revogar a portaria 2656, que municipaliza as responsabilidades que hoje são da Funasa", disse Aldenor Ticuna ao final da reunião.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Coiab diz que jovens indígenas estão traficando drogas

O coordenador da Coiab, Jecinaldo Barbosa, disse que há mais de 200 jovens indígenas do Amazonas fazendo tráfico de drogas com a Colômbia. Disse também que muitos deles estão viciados em drogas. Parece que a intenção da Coiab é fazer convênio com a Unicef para avaliar essa situação. Já nem contam mais com a Funasa e a Funai.

Por outro lado, há alguns meses, uma pesquisa da Senad tinha constatado um alto índice de uso de álcool entre vários povos indígenas.

Tudo isso é muito complicado. O uso de álcool é uma realidade intransponível para os povos indígenas que convivem com a sociedade nacional há muitos anos. A proibição resulta em escamoteamento da bebida, em custos altíssimos para os usuários e em falta de programas para administrar essa realidade.

Acho que os índios merecem uma rediscussão de toda essa questão. Não dá para ficar tapando o sol com a peneira.

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Mais de 200 índios podem estar ligados ao tráfico no AM

Agencia Estado

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) está investigando o crescimento do envolvimento de jovens indígenas com o narcotráfico nas fronteiras do Amazonas. Segundo o presidente da Coiab, Jecinaldo Cabral, há estimativa de que há mais de 200 adolescentes entre 12 e 18 anos, de 43 etnias do Amazonas, moradores de comunidades em São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, municípios a 858 e 1.105 quilômetros de Manaus, envolvidos com o tráfico de drogas da Colômbia e Venezuela, seja como usuários, ou como "mulas".

A Coiab iniciou um levantamento para identificar quantos jovens indígenas trabalham para traficantes, quantos são usuários de drogas e onde está a maior incidência para fazer, com auxílio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), políticas para combater o problema. "Hoje, quando falta cola, os indígenas viciados cheiram até gasolina", contou.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Morre Jorge Terena

Lamentamos profundamente a morte de Jorge Terena, o primeiro indígena brasileiro a se formar em sociologia nos Estados Unidos, na Universidade de Maryland. Jorge foi educado por pastores protestantes em Campo Grande, que o levaram aos Estados Unidos para estudar lá. Mas sua vocação não era a religião.

Jorge era um homem sensível, inteligente e discreto. Tinha se especializado em questões ambientais. Durante os trabalhos da Constituinte de 1987-88 ele teve um papel importante junto a deputados e senadores.

Ultimamente trabalhava junto à Coiab, em Manaus, onde era o principal assessor para questões ambientais. A elevada inteligência de Jorge fazia dele um excelente assessor, pois não tinha vocação para a polêmica e a política de bastidores. Vai deixar um vazio no movimento indígena inteligente.

Diversos jornais nacionais divulgaram o falecimento de Jorge Terena.

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Caciques velam Jorge Terena

CAMPO GRANDE - Caciques das oito etnias indígenas que vivem no Mato Grosso do Sul, velaram durante todo o dia de ontem, o corpo do líder Jorge Terena, 53 anos. Considerado o único índio sul-mato-grossense com mestrado em sociologia e formado nos Estados Unidos, era um dos signatários da resolução 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que deu aos índios cortadores de cana-de-açúcar do MS, os direitos trabalhistas da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Ele morreu sexta-feira em Manaus (AM), onde trabalhou durante 9 anos como Coordenador das Nações Indígenas do Amazônia para o Meio Ambiente. Foi vítima de uma AVC, (Acidente Vascular Cardíaco).

O sepultamento será realizado hoje no Cemitério Municipal de Anastácio, a 260 quilômetros de Campo Grande.

Segundo o índio terena Sebastião de Souza Coelho, da Coordenadoria de Defesa e Direitos dos Índios em Brasília, Jorge nasceu na chamada Aldeinha, que atualmente foi invadida pela área urbana de Anastácio. "Nossa aldeia tinha 44 hectares e estamos apenas com quatro. O cemitério está dentro da área indígena, onde nosso líder máximo vai descansar".

sábado, 3 de novembro de 2007

Domingo, dia da sáude indígena ser contestada

A matéria abaixo traz a Funasa, mais uma vez, na defensiva. Desta vez é a Coiab, através de Jecinaldo Barbosa, que põe em dúvida as palavras e os planos do coordenador da atenção à saúde indígena da Funasa.

Quem lê essa matéria sai com a nítida sensação de farsas em ambos os casos, o propugnador e o contestador. Mas também por parte da própria mídia, que ataca por atacar, bota matéria dentro do espírito de destruição do órgão. Em conseqüência há cada vez mais deputados propondo o fim da Funasa.

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SAÚDE: Aumentam os casos de tuberculose entre índios

Correio Braziliense

A saúde da população indígena agoniza. Enquanto trabalhos pontuais de assistência médica tentam brecar o avanço da tuberculose, problemas crônicos como diabetes começam a despontar entre os índios e somam-se às causas de morbidade nas estatísticas desse grupo populacional. Segundo dados do Sistema de Informações de Atenção à Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Siasi/Funasa), a tuberculose sofreu um salto de 76,4 para 101,1 casos em cada grupo de 100 mil índios, de 2005 para 2006. O registro de diabetes entre índios também cresceu. No período de 2003 a 2006, aumentou o número de casos: de 1.646 para 1.864 registros.

A mutação no perfil epidemiológico indígena convive em descompasso com os tímidos recursos destinados para as ações estratégicas do governo federal. Dos R$ 43 bilhões do orçamento do Ministério da Saúde, o Departamento de Saúde Indígena da Funasa dispõe de R$ 173,3 milhões. O dinheiro é repassado aos 34 distritos sanitários especiais indígenas espalhados pelo país, além de ser utilizado para compra direta de medicamentos e equipamentos. "Temos mais R$ 128,9 milhões destinados a convênios (de saúde indígena). E, associado a isso, R$ 163,7 milhões repassados do Fundo Nacional de Saúde aos municípios que têm população indígena, como incentivo para implementação da atenção básica nas comunidades", pondera o médico Flávio Pereira Nunes, coordenador de Atenção à Saúde Indígena da Funasa.

Para o indígena Jecinaldo Saterê-Mawê, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), os valores são "insignificantes", comparado à população de 482 mil índios que vivem no país. "A Funasa não tem correspondido à nossa necessidade. Os últimos levantamentos de tuberculose e diabetes são a prova do descaso", lamenta.

Nunes admite que o valor destinado à saúde indígena é parco e que a ampliação dos recursos é motivo de uma queda de braço na pasta. Mas considera um avanço o fato de o Ministério da Saúde colocar como uma das metas pactuadas para o Sistema Único de Saúde (SUS) em 2008 a redução da mortalidade infantil indígena. "Tendo como linha de base o ano de 2005, que teve coeficiente de 53,1 mortes para cada grupo de mil nascidos vivos, espera-se uma redução de 5%. É o reconhecimento do SUS que a saúde indígena precisa ser focada", explica.

Modelo

Apesar dos entraves, um trabalho da Funasa de combate à tuberculose em populações indígenas brasileiras é tido como modelo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O projeto-piloto com 600 índios xavantes, em Mato Grosso, e com 11 mil guaranis-caiouás, no Mato Grosso do Sul, feito entre 2001 e 2007, conseguiu reduzir em 80% o aparecimento de casos da doença na região. Mês passado, a organização recomendou à Funasa a publicação de um guia prático sobre as ações de controle da doença para a implementação da estratégia nos países da América Latina.

Durante os seis anos, a Funasa levou às reservas dos xavantes e guaranis-caiouás uma equipe de saúde com aparelhos de raio-x portátil, microscópios e kits de teste de sensibilidade para saber quem teve contato com o bacilo. "Com esses equipamentos foi possível fazer a confirmação e tratamento dos casos, além da quimioprofilaxia dos índios que tiveram contato com um doente", informa Nunes.

A Coiab diz que o trabalho é pontual. "Seria importante estender a atividade, principalmente para a Região Norte", afirma Jecinaldo. A Funasa destaca que um projeto será desenvolvido em 10 distritos indígenas onde a tuberculose apresenta patamares elevados. "Nove estão na Região Amazônica e um no Mato Grosso do Sul, onde os índios têm de ser transportados de aeronave", destaca Nunes. Ele diz que no Norte o projeto terá um desafio maior porque é complexa a vigilância contínua da doença. "Não tenho condições de colocar geladeira em tribos de difícil acesso e algumas etnias são nômades", explica.
 
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