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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Governador do Mato Grosso do Sul mostra a que veio


Impressionante o destempero verbal e a virulência do ataque que o governador do Mato Grosso do Sul, André Pulcinelli, fez à FUNAI, em reunião ontem com 42 lideranças e na presença do administrador da FUNAI em Campo Grande.

A matéria abaixo dá detalhes do diálogo enervado com os índios e do discurso autoritário e desproporcional que o governador usou. Menciona muitas vezes o modo oprimido e humilhado com que os índios reivindicaram ações do governo daquele estado.

Uma vergonha para os matogrossenses do sul.

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André xinga a Funai em evento com os índios

Celso Bejarano Jr.
Alessandra Carvalho


O governador André Puccinelli, do PMDB, disse nesta manhã durante audiência com lideranças indígenas que a Funai, entidade nacional cuja missão é só cuidar dos interesses dos índios, “não serve para p... nenhuma”.

Ao menos 42 lideranças e outros 40 índios ligados a elas ouviram os insultos durante a reunião que encheu o auditório no prédio da governadoria, em Campo Grande. E ninguém se manifestou contra o discurso, nem o administrador do órgão em Campo Grande, o recém-empossado Jorge das Neves.

Os índios que participaram da audiência marcada para que eles reivindicassem melhorias em suas aldeias não se vestiram como índios ou puseram no corpo alguma peça que caracterizava etnias, prática comum entre eles em eventos públicos.

Os índios que lá estavam habitam aldeias da região noroeste de Mato Grosso do Sul, como os guatós, kadwéus e terenas.

Nos discursos que fizeram eles pediram apoio para tocar lavoura nas aldeias e elogiaram a gestão de Puccinelli.

No final do evento, que durou cerca de duas horas, pelo menos 80 índios foram almoçar numa churrascaria da cidade e a conta seria paga pelo governo de Puccinelli.

O ataque

O governador atacou a Funai por seguidas vezes: disse que o órgão pouco contribui com as comunidades indígenas e que o seu governo é quem tem dado apoio a elas, citando entre os feitos a construção de casas e a liberação de cestas básicas.

Cálculos de Puccinelli indicam que o governo dele construiu em dois anos 918 casas nas aldeias, aumentou de 84 para 120 o número de vagas destinadas aos índios nas universidades e que hoje distribui algo em torno de 14.200 cestas básicas nas aldeias.

“E durante a campanha eleitoral, diziam que o André aqui ó [encostando a mão no peito] é quem não gostava de índios, queria matar os índios. Meu governo trabalha pelo índio, enquanto isso a Funai não faz p... nenhuma. P... nenhuma”, disse repetidas vezes.

Das 42 lideranças indígenas, 12 fizeram discursos que duraram de três a cinco minutos cada. Alguns deles:

Ademir, cacique dos kadwéus, pediu que o governo cedesse maquinário para a sua aldeia. Elisor, representante dos terenas de Sidrolândia, elogiou Puccinelli pela construção de casas e pediu para que o governo mande para aldeia um técnico agrícola.

Alceri, cacique em Aquidauana, após elogiar o governador pediu que a aldeia dele fosse asfaltada.

Juarez, da aldeia Babaçu, em Miranda, elogiou o governador e pediu mais programas ligados a educação e agricultura.

Roque, cacique da comunidade Brejão, em Nioaque, brincou com Puccinelli ao dizer que sua aldeia sempre vai manter as “portas abertas” ao governador.

O governador arrancou sorrisos de outros líderes ao dizer que “Roque estava catequizado”, isto é, agindo como político.

Edmilson George, cacique da aldeia Lagoinha, em Aquidauana, que disse ter sido chefe da campanha eleitoral de Carlos Marum, secretário estadual da Habitação, gastou seu tempo de discurso para elogiar o governador.

Após a audiência, Puccinelli conversou com os líderes e prometeu ajuda.

Nenhum líder indígena mencionou na reunião o atual programa tocado pela Funai que prevê a demarcação de terras indígenas no Estado.

Nem sobre os casos de suicídios ocorridos nas aldeias da região Sul do Estado, as mais afetadas pela pobreza

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Índios Gaviões-Pykobye mantêm reféns em sua aldeia

Há cinco dias os índios Gaviões-Pykobye, da aldeia Riachinho, Terra Indígena Gavião, no centro-oeste maranhense, estão retendo pessoas da Secretaria de Educação do estado.

Dizem que não as deixarão sair até que se inicie alguma ação de construção de uma escola na aldeia. Ontem trocaram duas das quatro reféns por uma que viera fazer as pazes e negociar a liberação de todos. Deu azar.

Os índios Gaviões do Maranhão não são do tipo de fazer reféns. O fato é que perderam a paciência com a Secretaria de Educação do Maranhão e partiram para um gesto inusitado e agressivo. Agora a liberação vai dar trabalho.

Na Semana do Índio deste ano estive em São Luís e dei uma palestra à qual compareceram o governador do Estado, Jackson Lago, e o secretário de Educação, Luís Vieira. Conheço o governador há muitos anos e sei do quanto ele está aberto aos povos indígenas. Mostrei ao governador o quanto a questão de educação é sensível aos povos indígenas do Maranhão, já que muitos querem concluir o curso médio e seguir para a universidade. Há pelos menos oito índios Guajajara que já têm diploma universitário, obtidos a muito custo, e graças ao programa de educação bilingue instalado na década de 1970.

O governador e seu secretário de Educação ficaram de olhar a educação indígena com atenção, mas alguma coisa ficou descuidada. Esta de prometer uma escola indígena e não construi-la só pode dar em encrenca. Parece, segundo os jornais maranhenses, que alguém dessa secretaria tinha feito um relatório dizendo que as obras tinham começado.

Os índios sabem melhor e infelizmente perderam a paciência e partiram para uma atitude agressiva.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Índia Xavante paralítica é estuprada dentro da Casa do Índio


Uma jovem índia Xavante foi levada ao Hospital Universitário de Brasília na terça-feira, dia 24, com sangramento e fortes dores abdominais. Lá descobriu-se que havia sido estuprada e empalada com um instrumento de perfuração.

A menina Xavante tinha 16 anos e era paralítica desde que sofrera uma meningite na infância. Também tinha problemas neurológicos e não falava. Estava na Casa do Índio em Brasília desde fins de maio para tratamento. A Casa do Índio é responsabilidade da Funasa, para onde vêm os índios da região centro-oeste que precisam de tratamento especial.

A menina Xavante morreu quando os médicos tentavam sanar o estrago. Sofreu duas paradas cardíacas e não suportou.

Que dizer de tudo isso? A Funasa desconversa, diz que havia 56 pessoas na Casa do Índio naquela ocasião. Como, e ninguém viu nada?

Já a direção da Funai declarou no primeiro momento que, como a violência foi individual e não coletiva, contra a "etnia" Xavante, não vai fazer nada. Ora, está esperando que o caso seja considerado etnocídio para agir? É uma simples vida humana, mas é uma vida humana! Depois, quando os jornais e a opinião pública reagiram contra essa falta de humanidade, a direção disse que fora uma "fatalidade" e que a Polícia Federal fora convocado pelo ministro da Justiça para investigar o caso.

Não sei o que o presidente Lula está esperando para agir. A Funasa vai continuar falhando nos aspectos humanistas e indigenistas, os índios vão continuar sofrendo e sendo joguetes de interesses. Será que o presidente está esperando o advento de uma catástofre para mudar a Funasa?


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Jovem indígena foi vítima de violência sexual, afirma delegado

Karina Cardoso
Repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Valter Campanato/ABr

Brasília - O delegado-chefe da 2ª delegacia de polícia do Distrito Federal, Antônio José Romeiro, responsável pelas investigações do caso da jovem indígena que morreu ontem (25) no Hospital Universitário de Brasília (HUB), afirmou hoje (26) que a adolescente foi vítima de violência sexual.

“Ela realmente sofreu violência sexual que causou sua morte. Nós temos um caso de homicídio qualificado, além do estupro e do atentado violento”, afirmou Romeiro. A indígena Xavante, de 16 anos, morreu ao meio-dia de ontem (25) no HUB, após uma cirurgia. A adolescente teve duas paradas cardíacas e não resistiu.

Segundo o delegado, a jovem sofreu perfuração no órgão genital e a cirurgia foi uma tentativa de reverter a situação.

O delegado garante, ainda, que o crime aconteceu dentro da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) do Distrito Federal, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A garota tinha lesão neurológica - não falava e se locomovia por meio de cadeira de rodas – e estava em Brasília para tratamento médico desde o dia 28 de maio. De acordo com o delegado, a Casai também será investigada. “Os exames indicam que o caso ocorreu entre 24 e 48 horas [antes da morte], período no qual ela se encontrava na Casa de Apoio", afirmou.

"Nós não temos nenhuma dúvida de que a violência ocorreu na Casa de Apoio, e é lá que vamos investigar”, completou. A Funasa informou, por meio de nota, que “na Casai, a Funasa mantém serviço de vigilância 24 horas. No dia que a indígena passou mal, haviam 56 pessoas entre pacientes e acompanhantes”.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Policial mata líder indígena em Mato Grosso do Sul

O clima de violência e tensão entre índios e policiais no Mato Grosso do Sul segue a toda.

Desta vez o resultado foi a morte de Ramão Machado, conhecido líder Terena na Terra Indígena Dourados. Segundo as informações dos jornais Campo Grande News e Midiamax, ele estava numa festa em Naviraí e entrou numa confusão com os policiais ao tentar libertar alguém que estava sendo levado à prisão pela Polícia Militar. Saiu da confusão mas foi seguido por policiais que lhe deram voz de prisão. Aí a confusão foi maior e resultou em tiros. Três outros índios foram baleados.

Veja notícia abaixo e também no mídiamax

Ramão Machado era um dos líderes mais expressivos da Terra Indígena Dourados. Tinha fama de controlador de muitas das atividades da região. Não era bem quisto pelas Ongs e pelo CIMI. O advogado indígena Wilson Matos acompanhou a liberação do corpo e expressou sua revolta pela morte de seu parente, acusando os policiais de violência e discriminação.

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PM diz que conflito começou após agressão de índios

Nadyenka Castro

Em nota oficial divulgada à imprensa, a PM (Polícia Militar) de Naviraí, cidade que fica a 352 quilômetros de Campo Grande, disse que o conflito que resultou na morte do líder indígena Ramão Machado da Silva, 62, começou após agressões de índios.

Os policiais faziam patrulhamento nas proximidades de uma danceteria, quando detiveram Edson Ramos Velasques, 38 anos, que segundo a PM, estava fazendo desordem nas proximidades de uma danceteria.

Edson foi colocado no camburão e então várias pessoas interviram para que ele fosse solto, inclusive agredindo o policial responsável. Um outro policial tentou intermediar a situação e foi agredido por Ramão, que ainda tentou tomar a arma do militar.

Foi dada voz de prisão a ele, que desobedeceu, causando um tumulto ainda maior no local e em seguida fugiu. Ele acabou sendo localizado na Rua Júlio Soares e agrediu novamente o policial.

Conforme a nota, com a ajuda de colegas e familiares, Ramão conseguiu pegar o cacetete do policial e arrasta-lo para dentro de um veículo, onde foi agredido. Os índios teriam ainda tentado pegar a arma.

O policial então atirou, mas Ramão continuou. A nota diz ainda que o policial conseguiu sair do carro e o indígena passou a agredir outro militar. Foi quando levou outro tiro e acabou sendo encaminhado pelo Corpo de Bombeiros para o hospital municipal, onde morreu horas depois. Ramão era liderança indígena em Dourados.

Na confusão, outros três índios ficaram feridos a tiros: Alexandre ferreira, 19 anos, Ronildo Gonçalves, 21 anos e um adolescente de 16 anos.

Segundo a nota, um dos policiais agredidos está com ferimentos pelo corpo, cabeça, olho direito e boca. A PM vai abrir inquérito administrativo para apurar o caso.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Kohokrehnum, o grande líder dos Gaviões


Os Gaviões do Pará são um dos povos mais capazes do panorama indígena brasileiro. Foram contatados em 1957 quando a região de Marabá estava recebendo um novo surto de desenvolvimento econômico, o qual, ao longo dos anos, veio a culminar com a passagem da rodovia Belém-Brasília, a chegada de milhares de imigrantes pobres e de gente esperta para explorar os demais, e, enfim, com a descoberta das maiores jazidas minerais do Brasil, o complexo da Serra dos Carajás.

Os Gaviões são um dos povos timbira que vivem no cerrado tocantinense e maranhense. Por força das movimentações econõmicas e demográficas da região, foram se adaptando à floresta (daí terem sido chamados de Gaviões da Floresta) e desenvolveram novas estratégias de vida. Após o contato, sofreram grandes baixas populacionais. Quando os antropólogos Roberto da Matta e Roque Laraia estiveram com eles em 1965, achavam que estavam para serem extintos, tal o sentimento de desesperança que deles se apossou.

Entretanto, os Gaviões aguentaram o tranco e foram sobrevivendo. Dois grupos timbira a eles se juntaram, por volta de 1973, vindos de outras partes do Pará, onde terminaram perdendo suas terras. Aos poucos os Gaviões foram crescendo. Por esse tempo surgiu a liderança de Kohokrehnum, falando um português imperfeito, mas com uma determinação e uma força de argumentação muito grandes. Por volta de 1975 suas terras estavam demarcadas, uma gleba de mais de 63.000 hectares onde encontravam-se grandes concentrações de castanha do pará.

Quando o linhão de Tucuruí foi passar por suas terras, por volta de 1978, os Gaviões exigiram compensações, e a Eletronorte fez um dos primeiros acordos de compensação diretamente com os índios, com a intermediação da Funai. O diretor da Eletronorte naquela ocasião era José Antonio Muniz, o indigenista que intermediou foi Porfírio Carvalho e a antropóloga que lhes deu assessoria foi Yara Ferraz. Depois, quando a Vale do Rio Doce foi passar a Estrada de Ferro Carajás por dentro de suas terras, os Gaviões conseguiram obter uma verba de 1 milhão de dólares, os quais foram depositados em conta poupança para serem retirados só os juros. Em tempos de alta inflação, dava para sustentar os 200 e poucos Gaviões daquela época.

Hoje os Gaviões são mais de 600. Kohokrenhum é o seu líder principal, o grande negociador do relacionamento dos Gaviões com o mundo dos brancos.

Nesta foto, tirada em 2006 pelo antropólogo Artur Mendes, estávamos conversando sobre a melhor estratégia para negociar a compensação anual da Vale do Rio Doce, que, aliás, continua a negar a sua responsabilidade de compensar os povos indígenas pela utilização de 411.000 hectares onde estão as maiores minas de ferro, cobre e ouro do Brasil. Os Xikrin e os Suruí também estão em luta por seus direitos perante a Vale.

Os Gaviões fizeram história no indigenismo brasileiro. Espero que continuem a fazer história com a sabedoria que angariaram ao longo de suas vidas de muito sofrimento e de recuperação demográfica e cultural.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Os Guarani amargam a violência

A matéria abaixo deixa qualquer um acabrunhado e sem forças para reagir. A situação de violência interna entre os índios Guarani chegou a limites intoleráveis. E isto porque o governo federal criou uma comissão interministerial com poderes de estar acima da Funai e que está investindo um bom dinheiro nessa comissão.

Faltam amor e caridade para se assistir aos Guarani. As Ongs que trabalham com eles os insuflam a um espírito de revolta e isto termina sendo internalizado. A Funai está inerte, inclusive porque diminuiram-lhe as prerrogativas de ação. A extinção da Administração de Amambai foi um péssimo sinal de uma tentativa de reestruturação feita por amadores na gestão pública e no conhecimento indigenista dos Guarani.

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Correio do Estado, Mato Grosso do Sul

Por mais convincentes e realistas que sejam os números, eles nunca conseguem traduzir uma realidade de forma tão real quanto as histórias humanas. Mesmo assim, os números são necessários. Pois bem. Entre janeiro e agosto deste ano a Funai registrou 27 mortes por agressão entre indígenas do Estado, o que supera, em muito, os registros de anos anteriores. Só na reserva de Dourados foram dez casos, o que a coloca entre os locais mais violentos do País.

Segundo pesquisa do Ipea, a cidade mais violenta do Brasil é Serra, no Espírito Santo, com 97,6 homicídios por 100 mil habitantes ao ano.

Nas reservas de Dourados este índice já está superado e ainda faltam três meses para acabar o ano, pois uma simples conta mostra que já houve o equivalente a 100 homicídios por 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro, cidade famosa por conta da ação do narcotráfico, este percentual está em 47,6. E, se fossem computados os assassinatos entre todos os indígenas, o índice também fica entre os 127 municípios mais perigosos do Brasil, com mais de 50 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Ou seja, a probabilidade de alguém ser assassinado na reserva de Dourados, onde vivem em torno de dez mil guaranis, é maior que em qualquer canto do Brasil. A média nacional é de 27 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes.

Por mais assustadores que sejam estes dados, a história de Everton Garcete, publicada ontem em reportagem do Correio do Estado, é que consegue traduzir de fato como é a vida nas reservas Bororo e Jaguapiru, assim como nas outras do sul do Estado. Aos 19 anos, ele é pai de três filhos e agora também responsável pelos cuidados de quatro irmãos pequenos, pois sua mãe morreu depois de ter uma mão decepada e um olho praticamente arrancado a golpes de facão. O ataque aconteceu em agosto deste ano e a mulher morreu no mês seguinte. O próprio Everton só não foi morto também porque conseguiu fugir de um dos supostos assassinos da mãe, um garoto de 13 anos. Everton está desempregado e seu pai está entre a vida e a morte por conta da bebedeira. Não bastasse isto tudo, as ameaças de morte não acabaram.

Numa situação dessas, existe alguma perspectiva de futuro para Everton, as sete crianças e os filhos que ele ainda terá? Se depender dos atuais governantes, nem precisa responder. Pois, enquanto a violência está restrita aos limites das reservas, o restante da sociedade dorme tranquila e acompanha o discurso e a prática adotados pelo governador no começo do ano: índio é problema da Funai e da Funasa. Por coincidência ou não, é justamente a partir daí que explodiram os índices de violência, pois a falta de estrutura dos órgãos federais para cuidar dos grupos indígenas é crônica.

E, também neste período, o Governo estadual está fazendo caixa com o dinheiro que passou a cobrar de toda a população para, supostamente, combater a pobreza de todos os cidadãos sul-mato-grossenses.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Brasil: país da violência

Essa matéria não é nem de índios, nem de antropologia, nem de cultura. Mas é tão estarrecedora que precisa ser colocada à vista de todos.

Mostra porque o Brasil é o país em que os habitantes vivem com mais medo da violência. E não há governo que melhore. Será preciso uma verdadeira revolução em costumes para que o Brasil volte a ser um país vivìvel.

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Sensação de insegurança no Brasil é a maior do mundo, diz ONU

O Globo Online
Reuters

RIO - A sensação de insegurança atinge 70% dos brasileiros e é a maior do mundo, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU). A estatística faz parte do Relatório Global sobre Assentamentos Humanos, do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Urbanos (UN-Habitat), que este ano aborda o tema da segurança em várias cidades do planeta. O relatório também mostra que a cidade de São Paulo responde por 1% de todos os homicídios do planeta - apesar de ter apenas 0,17% da população mundial. De acordo com o coordenador de análise e planejamento da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Túlio Khan, a violência no estado está diretamente relacionada com o uso de bebidas alcoólicas e o porte de arma de fogo .

Segundo o relatório, no Rio de Janeiro os índices de homicídios triplicaram desde a década de 70, enquanto que em São Paulo o número quadruplicou. No Brasil, mais de 100 pessoas são mortas por armas de fogo todos os dias, sendo que no Rio de Janeiro a taxa de mortes por armas é maior que o dobro da média nacional. De acordo com a ONU, a guerra entre traficantes, a invasão policial e a alta densidade populacional pioram a qualidade de vida nas favelas. Rio e São Paulo registram mais da metade dos crimes violentos no país.

O estudo da ONU também mosta que crime está crescendo assustadoramente em grandes aglomerados urbanos na América Latina - onde 80% das população vive em cidades - e na África - onde 40% da população não está nos campos.

Sobre o Brasil, o levantamento também aponta que existem 35 mil automóveis blindados no país, e que entre 40% e 70% da população das principais cidades vivem em assentamentos irregulares.

O relatório mostra que as taxas de crime em nível global e regional cresceram constantemente entre 1980 e 2000, aumentando cerca de 30%, ou seja, de 2.300 para mais de 3.000 por 100 mil pessoas. Crimes violentos, em particular, estão aumentando.

Enquanto as taxas de crime pessoal variam significativamente entre regiões e países, foi estimado que 60% do total de moradores de locais urbanos dos países em desenvolvimento foram vítimas de crimes. Na América Latina e na África, essas taxas chegam a até 70%.

A estatística confirma que a cultura do medo do crime e da violência está enraizada na maioria dos países. A pesquisa foi feita em cidades de 35 países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os entrevistados responderam à pergunta: sentem-se seguros quando voltam para casa à noite? Os índices mais elevados de medo vieram do Brasil (70%) e o menor índice foi da Índia (13%). Os dez primeiros lugares estão divididos entre países da África (4%) e da América Latina (6%).

O documento ressaltou que o rápido processo de urbanização da cidade resultou no aumento de criminalidade, destacando que em 1999 São Paulo registrou 11.455 assassinatos, 17 vezes mais que Nova York, com 667.

Os números do medo do crime (que é diferente da percepção e reconhecimento da iminência do crime) estão associados à violência da polícia, à sensação de insegurança e aos registros oficiais de violência e mortes, assuntos freqüentes nos jornais e noticiários.
 
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