1. Estudantes da Universidade Federal do Grande Dourados fizeram uma bela e inusitada manifestação de solidariedade e desagravo pela morte do índio Guarani Genivaldo Verá. Há muito tempo que não vejo o movimento estudantil fazendo algo mais humano do que manifestações por causas próprias.
O corpo de Verá foi achado boiando num rio já em estado de deterioração, mas os parentes logo reconheceram de quem era. No laudo cadavérico viu-se que tinha uma perfuração no tórax. A Polícia agora tem o problema de descobrir como ele morreu.
Para os índios Guarani, que tinham invadido uma fazenda e dela foram expulsos por seguranças e pela Polícia Militar, não há dúvidas da origem do assassinato de Verá. Resta mais um sofrimento para os Guarani do Mato Grosso do Sul.
2. Enquanto isso, o governador André Puccinelli, preocupado com as repercussões, declara que tinha avisado que as coisas estavam tensas entre fazendeiros e índios. Será que ele está tentando justificar o assassinato de Verá pelo seu aviso?
O governador fica dizendo que os Guarani necessitam de terras para viver e plantar, mas o que ele faz? Por acaso já conseguiu alguma terra para os Guarani?
3. O desespero dos Guarani é tal que, na sexta-feira p.p. recorreu a uma benção ao ex-governador Zeca do PT para que este intercedesse junto ao Ministério da Justiça para demitir a administradora da AER da Funai de Dourados. Há anos que um grupo de Guarani se incompatibilizou com essa senhora. Agora, a situação é quase unânime. Um grupo de mais de 300 índios fazem vigília na Praça em frente à sede da Funai para ela sair. Já invadiram várias vezes a sede, são retirados e voltam a invadir.
Por que tanto sofrimento de parte a parte? A administradora Margarida já disse que entregou o cargo, mas a atual gestão da Funai não a libera. Quanto agonia a mais.
4. No Ceará, uma notícia boa. O Tribunal Regional Federal, 5ª Região, liberou a Funai para proceder aos estudos de identificação de uma terra indígena para os índios Tremembé. Os estudos tinham sido iniciado há alguns anos, quando eu era presidente da Funai, mas estavam embargados desde 2006.
A disputa dos Tremembé é por uma faixa de terra litorânea, num distrito de Itapicoca chamado Marinheiros, no litoral norte do Ceará. Um grupo de espanhois e o ex-governador Tasso Jereissati alegam que compraram essa terra e pretendem aí construir um grande hotel-resort. Acho que os Tremembé vão ganhar a parada.
5. Em acordo com a Funai, o Ministério Público e os índios Tapeba, foi liberado o licenciamento de construção uma larga e potente rodovia, junto com um trecho de uma ferrovia, em uma faixa de terra que atravessa a terra indígena dos Tapeba. A rodovia ligará o Porto do Pecém a Fortaleza, enquanto a ferrovia sairá rumo a Pernambuco e Alagoas, a chamada Transnordestina.
Parece que os Tapeba ficaram satisfeitos com o acordo. Não sei se os Anacé foram incluídos no acordo, já que, de certo modo, a rodovia e a ferrovia passam também por uma faixa de terras que eles estão pretendendo que a Funai reconheça como indígena.. Talvez este acordo propicie aos Tapeba a renovação do processo de demarcação de sua terra indígena, que está trancada, como tantas outras, no TRF, 5ª Turma.
6. Na próxima semana, os Kayapó estão chegando a Brasília para fazer seu protesto contra a construção da Usina de Belo Monte. Já fizeram um protesto em sua aldeia Piaraçu, no rio Xingu, onde ameaçaram interromper a travessia de carros e caminhões no rio Xingu. A barcaça que faz a travessia é administrada e controlada pelos próprios Kayapó, que auferem lucro razoável. O protesto surtiu efeito no meio ambientalista e indigenista, mas a imprensa não deu muita bola. Parece que considera que o licenciamento de Belo Monte são favas já contadas.
7. O MEC está patrocinando uma grande conferência de educação indígena na cidade de Luiziânia, perto de Brasília. Mais de 500 delegados indígenas estão presentes. Porém, ao contrário do planejado, os protestos internos são muito grandes. Poucos estão satisfeitos com o que se desenrola nessa conferência. Na quarta-feira, um grupo de índios do Nordeste lançou um manifesto contestando o estabelecimento dos tais "territórios etno-educacionais", por não terem supostamente sido discutidos a fundo com todos os grupos. Porém há muitas outras dúvidas de concepção.
A nota mais estranha em relação a educação indígena é que a atual gestão da Funai, que ajudou a patrocinar essa conferência, pretende fazer uma reestruturação em que acaba com os últimos resquícios de educadores no órgão. Toda a educação que ainda há na Funai, todos os anos de experiência e experimentações, de convívio e conhecimento com a pedagogia indígena, seriam apagados ou, supostamente, passariam para o MEC e para as secretarias estaduais e municipais. A Funai ficaria mais capenga do que está.
Acho que as lideranças indígenas de raiz ainda não entubaram esse plano. Muitos ainda querem que a educação indígena seja federalizada. Eu também. Mas o MEC não quer nem ouvir falar nisso.
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sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Surgem novos povos indígenas no Ceará

Eis uma excelente matéria sobre a determinação de algumas comunidades do Ceará que querem ser reconhecidas como indígenas. São atualmente oito novos agrupamentos que vivem por vários municípios do Ceará que querem ser identificados como indígenas.
Até agora a FUNAI reconheceu como indígenas quatro etnias, Tapeba, Tremembé, Jenipapo-Canindé e Pitaguary, cujas terras estão em processo de delimitação e demarcação. Algumas são dificílimas, como a dos Tapeba e dos Tremembé. Já a dos Jenipapo-Canindé e dos Pitaguary foram demarcadas na minha presidência da FUNAI.
O reconhecimento da identidade étnica de comunidades ou agrupamentos que estão entrando no processo de etnogênese é sempre difícil.
Em muitos casos, a auto-identificação não é suficiente para determinar esse reconhecimento, pois são apenas algumas pessoas que se persuadem desse propósito. Isto está acontecendo em várias partes do Nordeste e também do Norte do país. Em alguns casos, é evidente que querem esse reconhecimento para se constituir em comunidade com direito à tenência de terras. Muitas comunidades caboclas dos rios amazônidas se sentem assim. Portanto, se houvesse uma entidade pública que prestasse assistência diferenciadas a tais comunidades a sua tendência atual a quererem ser reconhecidas como indígenas não prevaleceria.
Já propus, anos atrás, que o governo federal criasse um órgão especificamente para tratar de comunidades de ribeirinhos, caiçaras e caboclos que querem viver em comunidades e manter as terras que ocupam e delas vivem em comunidade e não como loteamentos, como faz o INCRA.
Por outro lado, a persistência desses agrupamentos no Ceará e seu desejo por reconhecimento chama a atenção do meio antropológico e da FUNAI.
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Etnias indígenas ainda lutam pelo reconhecimento
Índios de diferentes etnias estão reunidos até sábado em assembléia estadual na Aldeia Cajueiro, município de Poranga
Atualmente são 12 etnias do Ceará, em diferentes estágios de identificação e de organização
Reportagem especial sobre índios no Ceará revela que as etnias ainda lutam por questões elementares à cidadania
Poranga. A velha e única explicação plausível para dizer que não existe índio no Ceará é o fato de que os nativos que aqui habitavam quando da invasão dos portugueses só passaram a se chamar índios porque, pensando estar na Índia, Cabral e seus subordinados assim chamavam esses povos. Jenipapo-Kanindé, Anacé, Kariri, Pitaguary, Potiguara, Tabajara, Tapeba, Tupiba/ Tapuia e Tremembé. Todas essas etnias estão espalhadas pelo Ceará, mas habituadas à expressão índio, apesar do nome ter sido dado pelo branco colonizador.
Mais fortes que no passado (não o passado distante em que viviam livremente, antes dos colonizadores), as etnias indígenas do Ceará lutam pelo reconhecimento cultural, pela reafirmação da autenticidade e a demarcação de suas terras, conquistas lentamente obtidas nas últimas décadas. Como o primeiro jornal a acompanhar os dias da Assembléia dos Povos Indígenas do Ceará, evento único no Nordeste, o Diário do Nordeste traz, a partir de hoje, uma série de reportagens sobre os índios do Ceará, brasileiros que ainda buscam reconhecimento de direitos.
Enquanto o leitor confere esta matéria, centenas de representantes de etnias indígenas no Ceará estão reunidas debaixo de um frondoso cajueiro. Cocá na cabeça, maracá na mão, rosto pintado ou nada disso adornando o corpo, mas “é índio do mesmo jeito”, afirmou a Cacique Pequena, dos Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), orgulhosa de dizer que é a primeira mulher cacique do Brasil. Os índios estão na Aldeia Cajueiro, em Poranga, município cearense na divisa com o Piauí. De Fortaleza até lá são 382 quilômetros de estrada e outros 38 quilômetros subindo e descendo serra por entre pedras nas estradas carroçáveis. Leva-se até duas horas e meia para percorrer o último “pequeno” trecho.
Os índios retornam, 14 anos depois, para o lugar onde ocorreu o primeiro grande encontro indígena no Ceará, em 1994. Nesse ínterim, muitos nasceram, outros morreram, algumas terras foram reconhecidas, demarcadas, e uma pequena leva de poderosos inimigos foi encontrada pelo caminho — aqueles que, para não perderem as terras que já foram adquiridas de forma duvidosa, negam a existência do índio, para, daí, renegar seus direitos constitucionais. A principal pedra no caminho dos índios chama-se dinheiro e poder. Antes, as “pedrinhas” são medo e morte ao assumir a identidade. “A gente sabia o que era, mas num podia dizer, pra não sofrer, aí chamavam a gente de ‘os cabeludos da Encantada’”, explica Cacique Pequena, dos índios jenipapo-kanindé que vivem no entorno da Lagoa Encantada, município de Aquiraz.
Oportunidade
“Mas o que me deixa feliz é que aqui a gente pode andar à vontade. Lá na minha comunidade seu eu aparecer pintada é arriscado jogarem uma pedra em mim. O preconceito ainda é muito grande”, esclarece a professora Andréa Rufino, 26 anos, presidente da Associação Indígena Tapuia Kariri, de São Benedito. Andréa e outra professora, Luana Gomes, representam a aldeia (300 famílias, das quais apenas 39 admitem ser índios) no encontro dos povos indígenas. Como em raras vezes podem fazer, pintaram-se com a tinta extraída do jenipapo e, com os outros, dançou o toré, a dança sagrada dos índios. Com alegria, e sem medo de que pedra fosse jogada, nem mesmo a do preconceito.
O medo de dizer que é índio ainda cala muitos povos, “mas tem aumentado o engajamento, a gente percebe que algumas pessoas vêm pela primeira vez, vêem os índios falando de direito, de reconhecimento, e passam a fazer parte do movimento”, comenta a antropóloga Joceny Pinheiro, há mais de 10 anos acompanhando o movimento dos índios no Ceará e doutoranda em Antropologia Social com Mídia Visual, pela Universidade de Manchester, Inglaterra. Os pesquisadores acadêmicos — notadamente antropólogos — são importantes aliados da causa indígena. Identificados com a luta desses povos (a primeira começa entre estes próprios, pela superação do medo e o auto-reconhecimento), militam no Ceará antropólogos como Joceny, também Max Maranhão, Gerson Oliveira, Isabelle Braz, Sérgio Brissac e Kleber Saraiva, dentre outros, a maioria discente na Universidade Federal do Ceará (UFC) ou na Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Vem dos anos 80 o período de mais crescente discussão e mobilização sobre etnicidade no Ceará, no campo acadêmico, mas principalmente nas terras indígenas, muitas ainda hoje cobiçadas por grandes grupos empresariais.
Com os Tapeba (Caucaia), Tremembé (Itarema), Pitaguary (Pacatuba) e Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), a luta indígena ganha corpo, e o que estava “entalado” por várias gerações ressona como um grande grito de resistência: “Eu sou índio!”.
A desconstrução do mito e o reconhecimento étnico-cultural ficam evidentes em jovens como João Neto, 14 anos, da etnia Tapeba, da cidade de Caucaia. O jovem cresceu sabendo ser índio. À sombra do cajueiro da aldeia, pôs seu cocá, vestiu-se de natureza (as peças são feitas de pena e palha), pintou o rosto, os braços, deixou os olhos brilharem e, com outras dezenas, assumiu seu posto na dança toré, ao som de tambô, macará, mas, principalmente, das vozes uníssonas: “Ô, desenrole essa corrente/ Ô, deixe o índio trabalhar...”.
Melquíades Júnior
Colaborador
SAIBA MAIS
Concentrações
A Coordenação dos Povos Indígenas do Ceará (Copice) têm registradas 12 concentrações de etnias indígenas no Ceará: Tapeba (Caucaia), Tremembé (Acaraú, Itarema e Itapipoca), Pitaguary (Maracanaú e Pacatuba), Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), Kanindé (Canindé e Aratuba), Potiguara (Tamboril, Crateús, Monsenhor Tabosa e Novo Oriente), Tabajara (Monsenhor Tabosa, Crateús, Tamboril, Poranga e Quiteranópolis), Kalabaça (Crateús e Poranga), Kariri (Crateús), Anacé (São Gonçalo do Amarante e Caucaia), Gavião (Monsenhor Tabosa) e Tubiba-Tapuia (Monsenhor Tabosa). O número pode ser maior, na medida em que ocorrem os processos de auto-reconhecimento dos povos indígenas.
Migração
A capitania do Siará-Grande abrigou mais de 20 etnias, sendo considerada por muitos como um refúgio para onde migraram diversos povos, que vieram das capitanias vizinhas de Rio-Grande, Paraíba, Pernambuco, e ocuparam parte desta terra, que já era habitada por outros povos. O Siará-Grande só começou a ser invadido pelos europeus efetivamente no início do século XVII.
Fonte: Coordenação dos Povos Indígenas do Ceará (Copice)
CADASTRO
22 mil índios é o número de cadastro realizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) no Estado do Ceará no ano de 2008
Mais informações:
XIV Assembléia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará, Coordenação das Organizações dos Povos Indígenas do Ceará, (85) 3481.7009
LIDERANÇAS NA ALDEIA
Assembléia torna-se fórum de discussão dos povos
Poranga. Quando começou, em 1994, também neste município, a Assembléia dos Povos Indígenas não tinha metade da representação de hoje. Hoje são 12 etnias do Ceará, em diferentes estágios de identificação. Algumas só reconhecidas (por parte dos próprios índios), outras já também demarcadas e, assim, já admitidas e reconhecidas pelos órgãos públicos, privados (com sérias exceções) e pelas comunidades de não-índios. O evento é de reafirmação da identidade, assegurada enquanto se reivindicam os direitos para todos os povos.
“Não é só uma assembléia, é um fórum de discussão”, afirma Dourado Tapeba, vice-coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme). “A gente precisa saber quem realmente está nessa luta”, completa. “Tem liderança que se diz liderança, mas será que está fazendo o seu papel?”, reclama Ceiça Pitaguary, de Maracanaú. Ainda cobrou a participação de todos na produção e consumo de produtos agroecológicos, pela “natureza limpa”. Ceiça representa os povos indígenas do Ceará na sede da Apoinme em Olinda (PE). Acontecendo desde segunda-feira passada até o próximo sábado, a XIV Assembléia Estadual dos Povos Indígenas do Ceará inicia, pelas manhãs, com ritos, celebrações e a dança toré, da qual participam todas as etnias, pedindo benção ao Deus-pai Tupã, para “iluminar” as discussões. “O lema é nossa terra, nossa vida”. Num dia fala-se da terra, noutro da saúde, seguido da educação, e outras discussões que surgem a partir das primeiras pautas, terminando com a elaboração de propostas para 2009, mas não sem antes reclamar ou agradecer pelo que foi reivindicado para 2008.
O principal gargalo da saúde, verificada nas aldeias, é o saneamento
Na educação, por exemplo, haviam proposto o concurso público para professores indígenas, sugestão já acolhida pela Funai e pela Secretaria de Educação do Estado.
“A questão agora é outra, que é saber a forma como esse processo de magistério está se dando, se os índios estão sendo ouvidos”, afirmou Rosa, da Coordenação dos Povos Indígenas do Estado do Ceará (Copice) e da Associação das Mulheres Indígenas do Ceará (Amice). As mulheres têm um papel forte de liderança dentro da organização dos movimentos e na elaboração de políticas públicas de educação.
O principal gargalo da saúde é o saneamento. E logo no primeiro dia da encontro, a falta d’ água na comunidade fez homens deslocarem-se quilômetros para conseguir água potável para abastecimento de mais de 250 pessoas. A bomba hidráulica instalada foi promessa da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para antes de começar o evento. A instalação foi resolvida de última hora por agentes da Funai, que apóia o evento. Apesar de convidada a participar, até ontem não havia nenhum representante da Funasa nas discussões.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Os Tapeba do Ceará querem resolver seu problema
A demarcação da Terra Indígena Caucaia, do povo Tapeba, perto de Fortaleza, é uma das questões mais disputadas na atualidade. Essa disputa tem mais de 30 anos e tem sido um desgaste constante para os Tapeba e para a Funai.
A demarcação dessa terra começou muito tarde, visto que os Tapeba só entraram no cenário indigenista brasileiro há pouco mais de trinta anos. Seu reconhecimento se deu ainda na década de 1980, mas só a partir deste século é que os estudos saíram do papel e das reuniões entre antropólogos e índios. Esta terra está localizada no meio de uma situação urbana bastante complicada, com muita gente não indígena vivendo lado a lado com famílias indígenas.
A reconstrução feita pelo antropólogo contratado pela Funai deu uma forma de meia-lua muito recortada. Como presidente da Funai decidimos encarar as dificuldades e lançamos a portaria de delimitação, mas os contrários entraram na Justiça. Especialmente uma família que está subindo na vida como políticos.
A notícia aberta, do jornal O Povo, de Fortaleza, conta um pouco dessa situação. Um grupo de Tapeba quer vir a Brasília para pôr pressão na Funai, no Ministério Público. Não tem outro jeito. Quando a questão cai na Justiça, só com muita pressão.
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Tapebas exigem demarcação de terras em Caucaia
O Povo, Fortalieza
Demarcação seria de 4.878 hectares. Uma comissão quer ir a Brasília já na semana que vem
A luta do povo indígena Tapeba em prol da demarcação de terras em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, motivou, ontem, uma manifestação na Capital. Cerca de 100 indígenas foram à Justiça Federal, no Centro, e à Assembléia Legislativa. A etnia protesta contra a prefeita licenciada de Caucaia, Inês Arruda, e seu marido, o ex-prefeito Zé Gerardo - ambos do PMDB. Os tapebas acusam o casal de se opor à demarcação por conta de interesses pessoais e de usarem o Município para promover uma batalha judicial que arrasta a questão, atualmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Conforme o Antônio Ricardo Costa, o Dourado Tapeba, uma portaria da FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO (FUNAI), em 1997, demarcou as terras. O Município, então administrado por Zé Gerardo, obteve mandado de segurança impedindo a demarcação. Em 2002, um grupo de trabalho foi criado para refazer o estudo. "Deu tudo certo. Mas a Inês (Arruda) virou prefeita em 2005 e conseguiu um mandado de segurança ano passado", protesta Dourado. Em maio, ele diz, a ministra Eliana Calmon, do STJ, deu parecer favorável à Prefeitura de Caucaia, mas o ministro Teori Albino pediu vistas processuais. E é esta a esperança da etnia.
"Só o Zé Gerardo e a mulher dele são contra. O Domingos Pontes, que foi prefeito depois do Zé Gerardo e antes da Inês, nunca veio atrás de terra da gente", completa. Dourado acusa a família Arruda de ser parte interessada nas terras. "Eles querem 500 hectares. Ficam usando a Prefeitura para tirar o que é nosso", reitera o presidente da Associação das Comunidades Tapebas, Ricardo Weibe Costa, 25, o Weibe Tapeba. A demarcação, ele adianta, é referente a 4.787 hectares. São 17 aldeias e 6.008 índios - 1.440 famílias.
Os índios foram barrados na Assembléia. Lá, pediriam apoio político a um grupo que vai a Brasília discutir a questão no Ministério Público Federal (MPF). Permaneceram uma hora do lado de fora. A deputada Rachel Marques (PT), porém, conseguiu uma reunião entre uma comissão e o presidente da Casa, Domingos Filho (PMDB). Ficou acertado que Rachel deve requerer uma audiência pública para discutir o assunto e, em seguida, será avaliado como a Casa pode dar apoiar o movimento. A etnia reclamou do tratamento dispensado pela segurança da Casa. Segundo Dourado, o grupo foi chamado de "bando de maconheiros". O presidente da Casa disse que não toleraria este tipo de atitude na Assembléia e exigiu a apuração do caso.
O POVO tentou falar com a procuradora-geral de Caucaia, Ana Paola Lopes de Melo. Às 14 horas, o órgão informou que ela não voltaria ontem. Foi tentado contato por celular, mas estava desligado. O deputado federal Zé Gerardo encontrava-se viajando de Brasília para o Ceará, segundo seu gabinete. Já Inês Arruda não foi localizada.
A demarcação dessa terra começou muito tarde, visto que os Tapeba só entraram no cenário indigenista brasileiro há pouco mais de trinta anos. Seu reconhecimento se deu ainda na década de 1980, mas só a partir deste século é que os estudos saíram do papel e das reuniões entre antropólogos e índios. Esta terra está localizada no meio de uma situação urbana bastante complicada, com muita gente não indígena vivendo lado a lado com famílias indígenas.
A reconstrução feita pelo antropólogo contratado pela Funai deu uma forma de meia-lua muito recortada. Como presidente da Funai decidimos encarar as dificuldades e lançamos a portaria de delimitação, mas os contrários entraram na Justiça. Especialmente uma família que está subindo na vida como políticos.
A notícia aberta, do jornal O Povo, de Fortaleza, conta um pouco dessa situação. Um grupo de Tapeba quer vir a Brasília para pôr pressão na Funai, no Ministério Público. Não tem outro jeito. Quando a questão cai na Justiça, só com muita pressão.
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Tapebas exigem demarcação de terras em Caucaia
O Povo, Fortalieza
Demarcação seria de 4.878 hectares. Uma comissão quer ir a Brasília já na semana que vem
A luta do povo indígena Tapeba em prol da demarcação de terras em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, motivou, ontem, uma manifestação na Capital. Cerca de 100 indígenas foram à Justiça Federal, no Centro, e à Assembléia Legislativa. A etnia protesta contra a prefeita licenciada de Caucaia, Inês Arruda, e seu marido, o ex-prefeito Zé Gerardo - ambos do PMDB. Os tapebas acusam o casal de se opor à demarcação por conta de interesses pessoais e de usarem o Município para promover uma batalha judicial que arrasta a questão, atualmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Conforme o Antônio Ricardo Costa, o Dourado Tapeba, uma portaria da FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO (FUNAI), em 1997, demarcou as terras. O Município, então administrado por Zé Gerardo, obteve mandado de segurança impedindo a demarcação. Em 2002, um grupo de trabalho foi criado para refazer o estudo. "Deu tudo certo. Mas a Inês (Arruda) virou prefeita em 2005 e conseguiu um mandado de segurança ano passado", protesta Dourado. Em maio, ele diz, a ministra Eliana Calmon, do STJ, deu parecer favorável à Prefeitura de Caucaia, mas o ministro Teori Albino pediu vistas processuais. E é esta a esperança da etnia.
"Só o Zé Gerardo e a mulher dele são contra. O Domingos Pontes, que foi prefeito depois do Zé Gerardo e antes da Inês, nunca veio atrás de terra da gente", completa. Dourado acusa a família Arruda de ser parte interessada nas terras. "Eles querem 500 hectares. Ficam usando a Prefeitura para tirar o que é nosso", reitera o presidente da Associação das Comunidades Tapebas, Ricardo Weibe Costa, 25, o Weibe Tapeba. A demarcação, ele adianta, é referente a 4.787 hectares. São 17 aldeias e 6.008 índios - 1.440 famílias.
Os índios foram barrados na Assembléia. Lá, pediriam apoio político a um grupo que vai a Brasília discutir a questão no Ministério Público Federal (MPF). Permaneceram uma hora do lado de fora. A deputada Rachel Marques (PT), porém, conseguiu uma reunião entre uma comissão e o presidente da Casa, Domingos Filho (PMDB). Ficou acertado que Rachel deve requerer uma audiência pública para discutir o assunto e, em seguida, será avaliado como a Casa pode dar apoiar o movimento. A etnia reclamou do tratamento dispensado pela segurança da Casa. Segundo Dourado, o grupo foi chamado de "bando de maconheiros". O presidente da Casa disse que não toleraria este tipo de atitude na Assembléia e exigiu a apuração do caso.
O POVO tentou falar com a procuradora-geral de Caucaia, Ana Paola Lopes de Melo. Às 14 horas, o órgão informou que ela não voltaria ontem. Foi tentado contato por celular, mas estava desligado. O deputado federal Zé Gerardo encontrava-se viajando de Brasília para o Ceará, segundo seu gabinete. Já Inês Arruda não foi localizada.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Professora Tapeba é entrevistada
Matéría comemorativa do Dia do Professor focaliza numa professora Tapeba, da cidade de Caucaia, perto de Fortaleza, no Ceará. Vale a pena conferir pela paixão e dedicação da professora e pelos dados do povo Tapeba.
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Lucinthya Gomes
da Redação de O Povo, CE
Aos 23 anos, a professora Leidiane Tapeba quer fortalecer a tradição indígena
Ela tinha apenas 16 anos quando recebeu a missão. A índia Leidiane Tapeba ainda cursava o 1º ano do ensino médio quando começou a lecionar na comunidade Lagoa dos Tapebas II, em Caucaia. Numa sala de aula improvisada, a jovem se viu diante de uma turma de jovens e adultos. A insegurança inicial foi amenizada pela própria comunidade. Ela percebeu que ali todos eram amigos e se sentiu fortalecida. Enquanto ela aprendia a ensinar, explicava que nunca é tarde para aprender. Hoje, com 23 anos e ensino médio completo, Leidiane continua ensinando que, apenas através dos estudos, será possível transmitir a tradição indígena para as próximas gerações.
A fala é mansa, mas segura. A jovem professora concluiu o ensino médio numa escola convencional de Capuã, distrito de Caucaia, pois não havia educação indígena na própria comunidade. "Eu ia andando por 25 minutos até a escola. Nunca imaginei desistir, por causa do meu pai. Ele fugiu de casa para realizar o sonho de estudar e prometeu ao meu avô que ia continuar a tradição (indígena)", conta Leidiane, que tomou para si o mesmo sonho do pai.
O convite para dar aulas veio da professora Rita de Cássia, a Sinhá, pioneira na educação indígena na comunidade. Para ela, Sinhá é referência de amor e dedicação pelos alunos. "Poucos tinham a 8ª série. Como eu estava no ensino médio era uma dos que tinham mais estudo", recorda. O trabalho começou voluntariamente, mas, dois anos após, Leidiane passou a ser remunerada pelo Governo do Estado.
Improviso
A história da educação na comunidade e de Leidiane é marcada por dificuldades estruturais e força de vontade. "A gente passou muito tempo pedindo para o Estado capacitação em magistério indígena, até que nós mesmos elaboramos com o apoio da Funai (Fundação Nacional do Índio)", lembra. As aulas já foram realizadas sob árvores, salas improvisadas e galpões. Hoje, a escola está sendo construída com recursos do Estado. A previsão é de que as obras sejam concluídas em duas semanas.
Outra conquista é o número de crianças freqüentando a escola. "Praticamente todas elas estão em sala de aula", vibra. Simpática, Leidiane ensina todas as disciplinas da educação indígena, método adotado para fortalecer a identidade e cultura da comunidade. Entre os alunos dela, estão crianças e adultos. Hoje, há cerca de 300 na escola, que oferece além das disciplinas convencionais, aulas de plantas medicinais, lendas e histórias da comunidade, religiões e cultura indígenas. "Eu me sinto responsável pelo futuro da minha comunidade, que são os meus alunos. O estudo é o único jeito de melhorar a vida na comunidade", argumenta.
Em sala de aula, ela usa cocar, colar de sementes, entre outros adereços indígenas. O contato dos alunos com a natureza é constante. "Por que trabalhar uma aula de biodiversidade e vegetação no quadro, se a gente pode trabalhar na própria natureza?", questiona. Para ela, a sala de aula é troca de experiência e os alunos mais velhos são os "livros vivos" da comunidade, que auxiliam nas aulas de lendas e cultura.
E-mais
Para Leidiane, sonho é cursar a faculdade, que ainda não fez porque não existe nível superior indígena. Até hoje, a comunidade só conta com ensino fundamental. "Estamos elaborando um projeto para encaminhar para a UFC (Universidade Federal do Ceará). A gente não pode dar aula de ensino médio porque não temos nível superior. Mais um motivo para implantar uma faculdade indígena".
A estrutura da Escola dos Tapebas foi desenhada pela própria comunidade. O prédio contorna a Roda do Toré, que simboliza um escudo indígena. No local, são realizados os rituais sagrados, que fortalecem o espírito, a mente e deixam o corpo mais leve, explica Leidiane.
Entre as necessidades da escola, Leidiane aponta a falta de livros didáticos feitos pela própria comunidade.
SOBRE OS TAPEBAS
A palavra tapeba significa "pedra chata".
Segundo a professora Leidiane Costa, a área ocupada pelo povo tapeba em Caucaia chegava a 30 mil hectares. Hoje, a área não chega a 5 mil. "Nós temos áreas de mangue, de plantio, lagoas, rios.
Com o passar do tempo, nossas crianças não vão ter onde construir casas", lamenta.
Em Caucaia, existem ao todo 17 comunidades tapebas, dez escolas indígenas e duas creches. "Quase todas as comunidades têm escolas", afirma Leidiane.
De acordo com ela, os mais velhos contam histórias de quando tentaram freqüentar as escolas convencionais. "Muitas pessoas deixaram de estudar por causa do preconceito. Quando a Escola dos Tapebas surgiu, eles voltaram a estudar, recuperando o tempo perdido", diz.
Como a comunidade é de baixa renda, estudar numa escola convencional apresenta obstáculos. Geralmente, o alunos precisam usar calça jeans ou percorrer longos percursos a pé. "Se a chinela de um aluno quebrar, ele não vai faltar aula aqui", comenta a líder comunitária, Raimunda Cruz do Nascimento.
Os tapebas resultam da miscigenação de quatro povos: potiguaras, cariris, tremembés e jucás. "Não dá pra ter certeza da nossa língua indígena".
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Lucinthya Gomes
da Redação de O Povo, CE
Aos 23 anos, a professora Leidiane Tapeba quer fortalecer a tradição indígena
Ela tinha apenas 16 anos quando recebeu a missão. A índia Leidiane Tapeba ainda cursava o 1º ano do ensino médio quando começou a lecionar na comunidade Lagoa dos Tapebas II, em Caucaia. Numa sala de aula improvisada, a jovem se viu diante de uma turma de jovens e adultos. A insegurança inicial foi amenizada pela própria comunidade. Ela percebeu que ali todos eram amigos e se sentiu fortalecida. Enquanto ela aprendia a ensinar, explicava que nunca é tarde para aprender. Hoje, com 23 anos e ensino médio completo, Leidiane continua ensinando que, apenas através dos estudos, será possível transmitir a tradição indígena para as próximas gerações.
A fala é mansa, mas segura. A jovem professora concluiu o ensino médio numa escola convencional de Capuã, distrito de Caucaia, pois não havia educação indígena na própria comunidade. "Eu ia andando por 25 minutos até a escola. Nunca imaginei desistir, por causa do meu pai. Ele fugiu de casa para realizar o sonho de estudar e prometeu ao meu avô que ia continuar a tradição (indígena)", conta Leidiane, que tomou para si o mesmo sonho do pai.
O convite para dar aulas veio da professora Rita de Cássia, a Sinhá, pioneira na educação indígena na comunidade. Para ela, Sinhá é referência de amor e dedicação pelos alunos. "Poucos tinham a 8ª série. Como eu estava no ensino médio era uma dos que tinham mais estudo", recorda. O trabalho começou voluntariamente, mas, dois anos após, Leidiane passou a ser remunerada pelo Governo do Estado.
Improviso
A história da educação na comunidade e de Leidiane é marcada por dificuldades estruturais e força de vontade. "A gente passou muito tempo pedindo para o Estado capacitação em magistério indígena, até que nós mesmos elaboramos com o apoio da Funai (Fundação Nacional do Índio)", lembra. As aulas já foram realizadas sob árvores, salas improvisadas e galpões. Hoje, a escola está sendo construída com recursos do Estado. A previsão é de que as obras sejam concluídas em duas semanas.
Outra conquista é o número de crianças freqüentando a escola. "Praticamente todas elas estão em sala de aula", vibra. Simpática, Leidiane ensina todas as disciplinas da educação indígena, método adotado para fortalecer a identidade e cultura da comunidade. Entre os alunos dela, estão crianças e adultos. Hoje, há cerca de 300 na escola, que oferece além das disciplinas convencionais, aulas de plantas medicinais, lendas e histórias da comunidade, religiões e cultura indígenas. "Eu me sinto responsável pelo futuro da minha comunidade, que são os meus alunos. O estudo é o único jeito de melhorar a vida na comunidade", argumenta.
Em sala de aula, ela usa cocar, colar de sementes, entre outros adereços indígenas. O contato dos alunos com a natureza é constante. "Por que trabalhar uma aula de biodiversidade e vegetação no quadro, se a gente pode trabalhar na própria natureza?", questiona. Para ela, a sala de aula é troca de experiência e os alunos mais velhos são os "livros vivos" da comunidade, que auxiliam nas aulas de lendas e cultura.
E-mais
Para Leidiane, sonho é cursar a faculdade, que ainda não fez porque não existe nível superior indígena. Até hoje, a comunidade só conta com ensino fundamental. "Estamos elaborando um projeto para encaminhar para a UFC (Universidade Federal do Ceará). A gente não pode dar aula de ensino médio porque não temos nível superior. Mais um motivo para implantar uma faculdade indígena".
A estrutura da Escola dos Tapebas foi desenhada pela própria comunidade. O prédio contorna a Roda do Toré, que simboliza um escudo indígena. No local, são realizados os rituais sagrados, que fortalecem o espírito, a mente e deixam o corpo mais leve, explica Leidiane.
Entre as necessidades da escola, Leidiane aponta a falta de livros didáticos feitos pela própria comunidade.
SOBRE OS TAPEBAS
A palavra tapeba significa "pedra chata".
Segundo a professora Leidiane Costa, a área ocupada pelo povo tapeba em Caucaia chegava a 30 mil hectares. Hoje, a área não chega a 5 mil. "Nós temos áreas de mangue, de plantio, lagoas, rios.
Com o passar do tempo, nossas crianças não vão ter onde construir casas", lamenta.
Em Caucaia, existem ao todo 17 comunidades tapebas, dez escolas indígenas e duas creches. "Quase todas as comunidades têm escolas", afirma Leidiane.
De acordo com ela, os mais velhos contam histórias de quando tentaram freqüentar as escolas convencionais. "Muitas pessoas deixaram de estudar por causa do preconceito. Quando a Escola dos Tapebas surgiu, eles voltaram a estudar, recuperando o tempo perdido", diz.
Como a comunidade é de baixa renda, estudar numa escola convencional apresenta obstáculos. Geralmente, o alunos precisam usar calça jeans ou percorrer longos percursos a pé. "Se a chinela de um aluno quebrar, ele não vai faltar aula aqui", comenta a líder comunitária, Raimunda Cruz do Nascimento.
Os tapebas resultam da miscigenação de quatro povos: potiguaras, cariris, tremembés e jucás. "Não dá pra ter certeza da nossa língua indígena".
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