Neste vídeo, feito em 1953, vemos os índios Kayapó Metuktire, antes chamados de Txukarramãe (na língua juruna, "povo sem arco"), nos primeiros tempos do contato. Orlando Villas-Boas comenta as cenas e fala de um episódio em que quase foram mortos.
Vale a pena ver e refletir sobre esses tempos. Este é o povo do Raoni e Megaron, mas não vemos ainda o grande Raoni entre aqueles com batoque no lábio.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Megaron Txukarramãe sob ameaça
Para um líder indígena experimentado como Megaron Txukarramãe, ser ameaçado por fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e gente dessas laias nunca foi motivo de maiores preocupações. Sua postura de enfrentamento aos inimigos dos índios sempre teve um ar de ousadia e coragem fria, própria de guerreiro e líder.
Pois não é por isso que Megaron corre perigo. O perigo vem da própria FUNAI, dos acólitos da administração passada que lançaram um processo administrativo disciplinar contra Megaron e, ao ser condenado, o exoneraram do cargo de chefe da administração regional de Colíder. Os Kayapó protestaram, seu tio Raoni levantou sua voz e exigiu que o presidente da FUNAI e a presidente Dilma anulassem a exoneração. Raoni foi chamado e veio conversar com o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho. Isso em dezembro do ano passado.
Enrolaram Raoni e Megaron, e sua exoneração permaneceu. Os Kayapó engoliram a desfeita e daí por diante pouco têm procurado a FUNAI para assisti-los em suas necessidades básicas de assistência. Ao contrário, estão sendo ajudados por associações outras, para vergonha do órgão indigenista.
Mas o que está por vir é terrível, pior do que tudo. O processo contra Megaron foi levado adiante e está sendo envolucrado para provocar a demissão de Megaron de sua função de indigenista, de funcionário público da FUNAI, que é há mais de 30 anos, por justa causa ou até a bem do serviço público!
Os amigos indigenistas de Megaron estão tentando de todos os modos parar esse descalabro institucional. Escreveram uma carta à presidente da FUNAI alertando-a do que está acontecendo e pedindo uma audiência para que o caso seja revisto.
A demissão do serviço público de Megaron constituiria uma tragédia do indigenismo brasileiro. Ou melhor, do tipo de indigenismo que vem sendo praticado nos últimos sete anos. É uma desfeita ao homem Megaron e uma desonra a um índio que representa um dos esteios da dignidade indígena brasileira. É uma desonra para a FUNAI e para todos os servidores do órgão, que são colegas de Megaron e sabem o quanto ele lutou e se sacrificou para manter a presença do Estado, da FUNAI, junto aos Kayapó.
Se esse processo não for anulado imediatamente, a conspurcação do nome da FUNAI será total. Representará sua incapacidade de dar aos índios o direito e a oportunidade de gerir seu destino, dentro da institucionalidade do estado brasileiro.
Pois não é por isso que Megaron corre perigo. O perigo vem da própria FUNAI, dos acólitos da administração passada que lançaram um processo administrativo disciplinar contra Megaron e, ao ser condenado, o exoneraram do cargo de chefe da administração regional de Colíder. Os Kayapó protestaram, seu tio Raoni levantou sua voz e exigiu que o presidente da FUNAI e a presidente Dilma anulassem a exoneração. Raoni foi chamado e veio conversar com o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho. Isso em dezembro do ano passado.
Enrolaram Raoni e Megaron, e sua exoneração permaneceu. Os Kayapó engoliram a desfeita e daí por diante pouco têm procurado a FUNAI para assisti-los em suas necessidades básicas de assistência. Ao contrário, estão sendo ajudados por associações outras, para vergonha do órgão indigenista.
Mas o que está por vir é terrível, pior do que tudo. O processo contra Megaron foi levado adiante e está sendo envolucrado para provocar a demissão de Megaron de sua função de indigenista, de funcionário público da FUNAI, que é há mais de 30 anos, por justa causa ou até a bem do serviço público!
Os amigos indigenistas de Megaron estão tentando de todos os modos parar esse descalabro institucional. Escreveram uma carta à presidente da FUNAI alertando-a do que está acontecendo e pedindo uma audiência para que o caso seja revisto.
A demissão do serviço público de Megaron constituiria uma tragédia do indigenismo brasileiro. Ou melhor, do tipo de indigenismo que vem sendo praticado nos últimos sete anos. É uma desfeita ao homem Megaron e uma desonra a um índio que representa um dos esteios da dignidade indígena brasileira. É uma desonra para a FUNAI e para todos os servidores do órgão, que são colegas de Megaron e sabem o quanto ele lutou e se sacrificou para manter a presença do Estado, da FUNAI, junto aos Kayapó.
Se esse processo não for anulado imediatamente, a conspurcação do nome da FUNAI será total. Representará sua incapacidade de dar aos índios o direito e a oportunidade de gerir seu destino, dentro da institucionalidade do estado brasileiro.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Índios Kayapó pedem saída do atual presidente da FUNAI
Os Kayapó não estão lutando só pelo cancelamento da UHE Belo Monte. Querem sim que não acontece Belo Monte e ainda lutam por isso.
Mas também os Kayapó sabem que o quê está por trás disso tudo é um mal estar terrível na FUNAI, com a qual nunca antes na história do indigenismo sofreram uma relação tão ruim e perversa.
Os Kayapó lançam um manifesto para todas as lideranças indígenas brasileiras e convocam também as ONGs indígenas para pedir a saída do atual presidente da FUNAI.
É uma carta séria, pensada com ponderação, amadurecida sobretudo depois que os Kayapó, liderados por Raoni e Megaron, estiveram em Brasília e viram o que está acontecendo no meio indigenista.
Algo está se mexendo no reino do indigenismo -- e não é um terremoto qualquer.
__________________________________
Mas também os Kayapó sabem que o quê está por trás disso tudo é um mal estar terrível na FUNAI, com a qual nunca antes na história do indigenismo sofreram uma relação tão ruim e perversa.
Os Kayapó lançam um manifesto para todas as lideranças indígenas brasileiras e convocam também as ONGs indígenas para pedir a saída do atual presidente da FUNAI.
É uma carta séria, pensada com ponderação, amadurecida sobretudo depois que os Kayapó, liderados por Raoni e Megaron, estiveram em Brasília e viram o que está acontecendo no meio indigenista.
Algo está se mexendo no reino do indigenismo -- e não é um terremoto qualquer.
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Belo Monte: Técnicos do IBAMA dão parecer contrário ao início das obras
Eu já me considerava voto vencido, perdedor, inútil sofredor, prestes a me conformar com o leite derramado, querendo já uma saída digna para os povos indígenas.
Pois que, Belo Monte ia sair, de qualquer jeito, por determinação do governo, seja sob protestos dos índios, dos ribeirinhos, dos habitantes de Altamira, do CIMI e das ONGs, com quem, nesse aspecto, me coloco de acordo.
Eis que dois técnicos do IBAMA acabaram de dar um parecer contrário ao início das obras em função de um parecer do MPF, do Pará, alertando para o fato da empresa NESA, encarregada da obra, não ter preenchido as condições mínimas para ao menos abrir o canteiro de obras. Ao que parece, a NESA não tem clareza sobre o número de pessoas que serão atraídas para essa obra, nem tem cenários claros sobre as suas possíveis consequências. Para os técnicos do IBAMA foi o suficiente para emitir parecer contrário.
A Funai foi, infelizmente, o primeiro órgão a dar o aval à construção da Usina Belo Monte, quando os índios ainda não tinham conhecimento claro do tamanho da obra e de suas consequências, e à revelia dos questionamentos dos próprios técnicos da Funai, que queriam mais tempo para prover melhores esclarecimento para os índios. E se os índios dissessem não, o que aconteceria?
Agora a Funai está com a brocha na mão, com licença dada, enquanto o IBAMA lhe tirou a escada. Que fazer?
Não sei se esse parecer dos técnicos será um impedimento grave para a construção de Belo Monte. Provavelmente a direção do órgão vai passar por cima, ou mandar refazer o parecer por outros técnicos. Já os Kayapó do rio Xingu, especialmente os liderados por Raoni Txukarramãe, continuam firmes contra essa hidrelétrica. Nem tanto pela inundação que se projeta na atualidade, mas por desconfiarem que, uma vez construída Belo Monte, outras hidrelétricas serão construídas mas a montante no rio, impactando mais duramente outros povos indígenas e a si mesmos.
Os índios querem uma palavra com a presidente Dilma Rousseff sobre essa questão e sobre o futuro da Funai. Megaron Txukarramãe declarou recentemente que desconfia que a atual direção da Funai, movida por não sabe que interesses, quer se retirar da responsabilidade tutelar sobre os povos indígenas. Tutela, para os Kayapó, como para muitos outros povos, não significa a rendição desses povos ao Estado, mas a garantia jurídica sobre o senso da responsabilidade maior sobre os povos indígenas que cabe ao Estado, desde a época de Rondon, no que se refere à observação e aplicação de leis e medidas para com os direitos constitucionais indígenas.
Enfim, o governo Rousseff, que está para começar, já vem com pontos controversos a serem resolvidos.
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Ibama pode retardar obra de Belo Monte
Segundo os documentos obtidos pela Folha, de 5 e 20 de outubro, o consórcio Nesa (Norte Energia S.A.) não cumpriu as precondições impostas pelo Ibama para a instalação do canteiro da usina. Além disso, os empreendedores teriam subestimado o número de migrantes que seriam atraídos para a região de Altamira (PA) para a obra.
Pois que, Belo Monte ia sair, de qualquer jeito, por determinação do governo, seja sob protestos dos índios, dos ribeirinhos, dos habitantes de Altamira, do CIMI e das ONGs, com quem, nesse aspecto, me coloco de acordo.
Eis que dois técnicos do IBAMA acabaram de dar um parecer contrário ao início das obras em função de um parecer do MPF, do Pará, alertando para o fato da empresa NESA, encarregada da obra, não ter preenchido as condições mínimas para ao menos abrir o canteiro de obras. Ao que parece, a NESA não tem clareza sobre o número de pessoas que serão atraídas para essa obra, nem tem cenários claros sobre as suas possíveis consequências. Para os técnicos do IBAMA foi o suficiente para emitir parecer contrário.
A Funai foi, infelizmente, o primeiro órgão a dar o aval à construção da Usina Belo Monte, quando os índios ainda não tinham conhecimento claro do tamanho da obra e de suas consequências, e à revelia dos questionamentos dos próprios técnicos da Funai, que queriam mais tempo para prover melhores esclarecimento para os índios. E se os índios dissessem não, o que aconteceria?
Agora a Funai está com a brocha na mão, com licença dada, enquanto o IBAMA lhe tirou a escada. Que fazer?
Não sei se esse parecer dos técnicos será um impedimento grave para a construção de Belo Monte. Provavelmente a direção do órgão vai passar por cima, ou mandar refazer o parecer por outros técnicos. Já os Kayapó do rio Xingu, especialmente os liderados por Raoni Txukarramãe, continuam firmes contra essa hidrelétrica. Nem tanto pela inundação que se projeta na atualidade, mas por desconfiarem que, uma vez construída Belo Monte, outras hidrelétricas serão construídas mas a montante no rio, impactando mais duramente outros povos indígenas e a si mesmos.
Os índios querem uma palavra com a presidente Dilma Rousseff sobre essa questão e sobre o futuro da Funai. Megaron Txukarramãe declarou recentemente que desconfia que a atual direção da Funai, movida por não sabe que interesses, quer se retirar da responsabilidade tutelar sobre os povos indígenas. Tutela, para os Kayapó, como para muitos outros povos, não significa a rendição desses povos ao Estado, mas a garantia jurídica sobre o senso da responsabilidade maior sobre os povos indígenas que cabe ao Estado, desde a época de Rondon, no que se refere à observação e aplicação de leis e medidas para com os direitos constitucionais indígenas.
Enfim, o governo Rousseff, que está para começar, já vem com pontos controversos a serem resolvidos.
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Ibama pode retardar obra de Belo Monte
Órgão faz dois pareceres contrários ao início da construção, em razão do não cumprimento de condicionantes
Consórcio queria iniciar obras neste ano; MPF afirma que acionará governo na Justiça se licença for concedida
CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA
No que depender dos técnicos do Ibama, a usina de Belo Monte não terá seu canteiro de obras iniciado neste ano, como queriam seus construtores. A equipe encarregada de analisar o pedido de licença para as chamadas instalações iniciais da hidrelétrica no Xingu deu dois pareceres contrários às obras.
Consórcio queria iniciar obras neste ano; MPF afirma que acionará governo na Justiça se licença for concedida
CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA
No que depender dos técnicos do Ibama, a usina de Belo Monte não terá seu canteiro de obras iniciado neste ano, como queriam seus construtores. A equipe encarregada de analisar o pedido de licença para as chamadas instalações iniciais da hidrelétrica no Xingu deu dois pareceres contrários às obras.
Segundo os documentos obtidos pela Folha, de 5 e 20 de outubro, o consórcio Nesa (Norte Energia S.A.) não cumpriu as precondições impostas pelo Ibama para a instalação do canteiro da usina. Além disso, os empreendedores teriam subestimado o número de migrantes que seriam atraídos para a região de Altamira (PA) para a obra.
"Restam condicionantes e ações antecipatórias (...) cujo não atendimento compromete o início da implantação das instalações iniciais", diz o parecer de 20 de outubro.
"Não é recomendada a emissão de licença para as instalações iniciais."
Principal obra do PAC, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo. Estima-se que vá custar de R$ 19 bilhões a R$ 30 bilhões e gerar em média 4.400 MW. A usina obteve em abril licença prévia do Ibama, atestando que a obra era viável desde que os empreendedores cumprissem 40 precondições -da instalação de saneamento em Altamira até a proteção de tartarugas que desovam no rio Xingu. Em setembro, a Nesa pediu ao Ibama uma licença de instalação parcial, para o canteiro de obras.
CHUVAS
O consórcio fez isso para ganhar tempo: iniciando os canteiros neste ano, poderia começar as obras da usina após a estação de chuvas, que começa em dezembro.
CHUVAS
O consórcio fez isso para ganhar tempo: iniciando os canteiros neste ano, poderia começar as obras da usina após a estação de chuvas, que começa em dezembro.
O Ministério Público Federal no Pará diz que acionará o governo na Justiça caso o Ibama dê a licença de instalação para o canteiro. Seria a décima ação contra Belo Monte em dez anos.
"Licença fracionada não existe na lei brasileira", diz o procurador Felício Pontes Júnior. "O canteiro é a obra."
Na quarta passada, o MPF enviou ao presidente do Ibama, Abelardo Bayma, recomendação para que não emita licença enquanto não forem cumpridas as condicionantes da licença prévia.
Na quarta passada, o MPF enviou ao presidente do Ibama, Abelardo Bayma, recomendação para que não emita licença enquanto não forem cumpridas as condicionantes da licença prévia.
Os técnicos do Ibama, no primeiro parecer, dizem que não é nem possível avaliar se a licença de instalação pode ou não ser fracionada, já que o consórcio não detalhou os potenciais impactos dessa fase do empreendimento.
Das 23 condicionantes cujo atendimento seria necessário para iniciar a instalação, uma havia sido atendida em 5 de outubro. Três estavam "em atendimento" ou "parcialmente atendidas". O consórcio enviou novos documentos para análise. No segundo parecer, mais oito condicionantes aparecem como "em atendimento" ou "parcialmente atendidas". Mas, segundo os analistas, questões fundamentais seguem sem resposta. A principal é o tamanho da população a ser atraída ao canteiro. O contingente adicional tende a causar pressão sobre a frágil infraestrutura urbana local e sobre as florestas. O consórcio estimou no pedido de licença para o canteiro que seriam atraídas 2,39 pessoas por emprego gerado no primeiro ano. O EIA-Rima da usina, porém, estima 3,86. Além disso, nenhuma ação de ampliação da infraestrutura foi iniciada.
O Ibama ainda não se manifestou oficialmente sobre a licença do canteiro de obras. Bayma afirmou, via assessoria, que só falaria após a conclusão da análise técnica. O presidente da Nesa, Carlos Nascimento, não respondeu a pedidos de entrevista.
sábado, 22 de maio de 2010
Raoni e Megaron anunciam fim da paralisação da balsa e ida a Altamira e Brasília
Aldeia Piaraçu, 22 de Maio de 2010.
Nós do movimento
da paralisação da balsa de travessia do Rio Xingu-MT queremos informar para
todos que, com a chegada do cacique Raoni Metuktire, encerramos o nosso
movimento da paralisação da balsa.
Mais uma vez o Governo Federal não nos respeitou indígenas, não veio falar com nós.
Assim como ele não respeitou a própria constituição Federal Brasileiro de 1988,
a convenção 169 OIT e Declaração da ONU sobre o direito indígena.
Agora nós
vamos para a reunião de Altamira onde irá reunir com os indígenas que vão ser
atingidos por barragem Belo Monte.
Para Brasília vamos unir com os indígenas de todo Brasil
para discutirmos sobre a nossa situação com o Governo Federal.
Parece que não
tem órgão oficial do Governo para proteger nós indígena.
Queremos pedir aqui um
respeito, nós queríamos que o Governo Federal, Estadual e Municipal
respeitar nós indígenas. É o que temos para informar à todos que trafegam
pela balsa aqui no Rio Xingu.
Megaron Txukarramãe
terça-feira, 18 de maio de 2010
Kayapó do Sul do Pará lançam forte manifesto contra autoridades indigenistas e presidente LULA
Já não bastavam o protesto e a disposição dos Kayapó do Mato Grosso, liderados por Raoni e Megaron, contra a atual política indigenista brasileira. Agora os Kayapó do sul do Pará, oriundos da mitológica aldeia-mãe Gorotire, vem de lançar um manifesto em que exigem providências fortes das autoridades brasileiras para desviar a atual política indigenista praticada pela atual direção da Funai para um rumo certo.
Os Kayapó querem nada menos que a revogação do decreto de reestruturação da Funai e a exoneração da atual direção da Funai. Temem a entrada de Ongs para substituir a Funai e a política sem consulta que o órgão usou para dar a anuência à construção da Usina Belo Monte.
O Manifesto Kayapó é duríssimo. Chama o presidente Lula de traidor, o atual presidente da Funai de covarde e mentiroso.
O sentimento de indignação é grande. Os Kayapó não têm papas na língua. Não querem saber de lero-lero. Apoiam a presença dos índios que fizeram o Acampamento Indígena Revolucionário. Só falta dizer que vão se juntar a eles. Aí a coisa vai ficar perigosa para o governo.
Espero que o Sr. Ministro da Justiça tome tento e pé da situação e não permita que a situação desmorone para algo mais perigoso do que já está.
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Os Kayapó querem nada menos que a revogação do decreto de reestruturação da Funai e a exoneração da atual direção da Funai. Temem a entrada de Ongs para substituir a Funai e a política sem consulta que o órgão usou para dar a anuência à construção da Usina Belo Monte.
O Manifesto Kayapó é duríssimo. Chama o presidente Lula de traidor, o atual presidente da Funai de covarde e mentiroso.
O sentimento de indignação é grande. Os Kayapó não têm papas na língua. Não querem saber de lero-lero. Apoiam a presença dos índios que fizeram o Acampamento Indígena Revolucionário. Só falta dizer que vão se juntar a eles. Aí a coisa vai ficar perigosa para o governo.
Espero que o Sr. Ministro da Justiça tome tento e pé da situação e não permita que a situação desmorone para algo mais perigoso do que já está.
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Ao Presidente da República do Brasil – Luís Inácio Lula da Silva;
Ao Senhor Ministro da Justiça - Luiz Paulo Barreto;
Aos Senadores do Brasil - especialmente a bancada Paraense no Senado;
Aos Deputados do Brasil – especialmente a bancada Paraense na Câmara;
A Sexta Câmara – Senhora Deborah Duprat;
Ao Presidente da Funai – Márcio Augusto Freitas de Meira
A Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI
A COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
Nós Caciques e demais lideranças Kayapó que residimos no Sul do Estado do Pará, perplexos e inconformados com a reestruturação da nossa casa FUNAI, estamos nos manifestando no sentido de repudiar o Decreto 7.056 de 28 de dezembro de 2009.
O Decreto 7.056, que foi assinado pelo presidente Lula, demonstra toda a covardia e a trapaça que esse traidor (Lula) fez para com os índios de todo o Brasil. O Lula é o pior presidente que já apareceu para os índios nesse país, nós Kayapó do Sul do Pará sabemos muito bem que esse decreto 7.056 de 28 de dezembro de 2009 foi feito para passar empreendimentos em Terras Indígenas e, além disso, trazer garimpeiros, mineradores, madeireiros, prostituição e doenças nas nossas amadas Terras Indígenas.
Aqui na nossa região todo mundo já sabe que a extinção da nossa AER da FUNAI serviu não só para Belo Monte passar, mas também para que as ONGs venham aqui abrir escritórios e mentir para nós indígenas dessa região. De qualquer forma estamos resistindo contra as ONGs mentirosas e covardes.
Nos causa revolta que o márcio meira seja apenas um leva e traz do Lula, ele é antropólogo e faz isso com os índios. Ele é covarde, mentiroso e ao mesmo tempo perigoso porque ele age nos bastidores para intimidar os índios e os servidores indigenistas da FUNAI que realmente estão comprometidos com os nossos parentes.
Enquanto isso, queremos nos solidarizar com os nosso parentes do acampamento de Brasília, que estão muitas vezes passando dificuldades para lutar pelos nossos direitos, esses sim são grandes guerreiros! Queremos dar os parabéns para eles, pois o pensamento deles é igual ao nosso aqui.
Ao contrário do que os nossos parentes do acampamento de Brasília estão fazendo, não poderíamos deixar de expressar nossa decepção com os índios da CNPI ( Comissão Nacional de Política Indigenista) . Esses parentes nos matam de vergonha e vão ficar na história como índios traidores que se venderam por pequenas funções na FUNAI e por pequenas esmolas dadas pelo Márcio Meira.
Não pode passar em branco também a covardia e prática servil a qual a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira está submetida; essa organização indígena faz muito tempo tem puxado o saco do Márcio Meira, à atual direção dessa organização é irresponsável e frequentemente se auto intitula representante dos índios da Amazônia, isso é uma grande mentira, para nós aqui a COIAB não representa ninguém, o que ela tem é um somente um discurso vazio, ineficiente. Prova da incompetência da COIAB é agora ficar pedindo 1 real para as comunidades indígenas para sanar as dívidas trabalhistas que eles mesmos (COIAB) fizeram, essas dívidas são frutos da incapacidade dessa atual direção e da anterior de fazer um trabalho sério, o que a COIAB têm é somente um discurso boboca para alegrar o James Cameron!
Agora fica uma pergunta.
Em algum momento algum parente viu a COIAB pedindo a exoneração imediata do Márcio Meira?
Algum parente viu a COIAB pedindo a revogação do Decreto 7.056 de 28 de dezembro de 2009?
A resposta é não, pois eles estão ao lado de Márcio Meira.
Encerramos nosso documento confirmando nosso apoio e nos solidarizando com todos os documentos de revolta e de imediata exoneração do Márcio Meira e pela revogação do Decreto 7.056 de 28 de dezembro de 2009 assinado pelos parentes Megaron Txucarramãe, pelos Parentes Aritana e Pirakuman do Alto Xingu, pelos Parentes da Associação Paresi, pelos Parentes Xavante de Mato Grosso, pelos Parentes Kaingáng da Região Sul do Brasil.
Ao traidor Lula se ele quiser recuperar nossa confiança que revogue o Decreto 7.056 de 28 de dezembro de 2009, que exonere o Márcio Meira e toda a equipe dele e que consulte às comunidades indígenas antes de fazer Belo Monte conforme diz a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
É o que sinceramente pensamos!
Assinam lideranças indígenas Kaiapó do Sul do Pará.
Ire-ô Kaiapó Cacique e Guerreiro!
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Índios Xinguanos convocam os demais para mudar presidência da Funai
From: pira_y@hotmail.com
To: pmetuktire@hotmail.com
Subject: PRESIDÊNCIA DA FUNAI URGENTE!!!!!
Date: Mon, 10 May 2010 13:28:57 -0300
SENHORES PARENTES INDÍGENA BRASILEIRO
Informo a todos que nós lideranças indígenas do xingu, estamos preocupados com Fundação Nacional do Inndio-FUNAI. Pois estamos sentindo que ninguem está se agindo para a busca de reorganização da sede da FUNAI. Não podemos continuar trabalhando com atual presidente! Esse homem está nos prejudicando, se a gente não fizer nada para afastar ele, e vai acabar prejudicando mais ainda! Temos que salvar a nossa casa de Brasilia e buscar novo presidente para levantar a casa.
Precisamos preparar documentos de nomeção para presidência da FUNAI, agora chegou a hora da nossa decisão para indicação de índio na presidência! Essa proposta deve-se apresentar no encontro do evento que está previsto em cuiabá nos dias; 27 a 30 de maio de 2010. Comissão Fepoimt pode trazer lideranças indigenas para discutir e encaminhar para ministério da justiça. Só vamos ganhar a luta, quando todos estiverem juntos e unidos! Assim podemos juntar a nossa força. Pensem, e decidam-se!!!
Abraço.
Comunidades do Alto Xingu- líderança Pirakuman
To: pmetuktire@hotmail.com
Subject: PRESIDÊNCIA DA FUNAI URGENTE!!!!!
Date: Mon, 10 May 2010 13:28:57 -0300
SENHORES PARENTES INDÍGENA BRASILEIRO
Informo a todos que nós lideranças indígenas do xingu, estamos preocupados com Fundação Nacional do Inndio-FUNAI. Pois estamos sentindo que ninguem está se agindo para a busca de reorganização da sede da FUNAI. Não podemos continuar trabalhando com atual presidente! Esse homem está nos prejudicando, se a gente não fizer nada para afastar ele, e vai acabar prejudicando mais ainda! Temos que salvar a nossa casa de Brasilia e buscar novo presidente para levantar a casa.
Precisamos preparar documentos de nomeção para presidência da FUNAI, agora chegou a hora da nossa decisão para indicação de índio na presidência! Essa proposta deve-se apresentar no encontro do evento que está previsto em cuiabá nos dias; 27 a 30 de maio de 2010. Comissão Fepoimt pode trazer lideranças indigenas para discutir e encaminhar para ministério da justiça. Só vamos ganhar a luta, quando todos estiverem juntos e unidos! Assim podemos juntar a nossa força. Pensem, e decidam-se!!!
Abraço.
Comunidades do Alto Xingu- líderança Pirakuman
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Índios Kayapó chamam a COIAB à responsabilidade
O líder indígena Kayapó, Megaron Txukarramãe, à frente do movimento de paralisação da Balsa que faz o transbordo de caminhões no rio Xingu, convoca a COIAB para se posicionar claramente sobre o movimento que os Kayapó vêm fazendo no Xingu e outros líderes indígenas estão fazendo em Brasília.
Parece que os Kayapó ouviram dizer que a direção da COIAB tem feito corpo mole em relação a essa intensa movimentação indígena, e agora são chamados à decisão.
Nas duas postagens que se seguem, Megaron convoca Aritana a ser mais duro com o presidente Lula, e Raoni, pelo que diz um jornal francês, ameaça de ataques aqueles que se posicionarem para a construção da Usina Belo Monte.
Mais uma vez conclamo o governo Lula, através da Casa Civil e do Ministério da Justiça, a intervir nessa questão e enviando emissários de valor e de peso político para negociar com os índios. Caso contrário, a situação pode chegar a uma situação alarmante e sem retorno tranquilo.
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Parece que os Kayapó ouviram dizer que a direção da COIAB tem feito corpo mole em relação a essa intensa movimentação indígena, e agora são chamados à decisão.
Nas duas postagens que se seguem, Megaron convoca Aritana a ser mais duro com o presidente Lula, e Raoni, pelo que diz um jornal francês, ameaça de ataques aqueles que se posicionarem para a construção da Usina Belo Monte.
Mais uma vez conclamo o governo Lula, através da Casa Civil e do Ministério da Justiça, a intervir nessa questão e enviando emissários de valor e de peso político para negociar com os índios. Caso contrário, a situação pode chegar a uma situação alarmante e sem retorno tranquilo.
Do: Movimento de paralização da Balsa
(travessia do Rio Xingu)
Ao: Coordenação das Organizações Indígenas da
Amazônia Brasileira (COIAB)
COMUNICADO
Nós do movimento de paralização
da Balsa travessia do Rio Xingu, BR-080-Mt, que iniciamos este movimento as
18-horas do dia 22 de Abril de 2010, queremos saber se vocês
da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, tem conhecimento deste movimento
que estamos realizando aqui na Aldeia Piaraçu.
Não queremos informações de manifesto
por parte dai da COIAB se vocês
estão contra ou a favor do nosso movimento.
Este movimento que estamos
realizando é contra a construção da barragem de Belo Monte que Luiz Inácio Lula
da Silva quer fazer de qualquer jeito.
Se Lula construir esta Barragem, vai
inundar grande parte das terras indígenas, prejudicando assim Indios e Brancos.
Aqui na travessia da Balsa na
Aldeia Piaraçu, o movimento de paralização da Balsa vai continuar por tempo
indeterminado, até que os orgãos do Governo Federal venham aqui pra falar conosco, para tratarmos da não construção de Belo
Monte.
Nós deste movimento queremos
saber, se vocês tem conhecimento e se estão participando:
Do movimento de Brasilia que quer
a saída do atual presidente da Funai (Márcio Meira) e é contra a reestruturação
da Fundação Nacional do Indio.
Pois em todos os sentidos o
governo de Luiz Inácio Lula da
Silva quer nos prejudicar, esta reestruturação da Funai é somente para
dificultar as coisas para os Indígenas.
A construção de Barragens é para a destruição da
natureza e do meio ambiente. O governo de Lula tem projetos
para construir várias barragens em diversos rios importantes, que também somos
contra;
Neste governo não temos demarcação
de terras indigenas e a
reestruturação que Lula quer fazer autoriza:
A Força Nacional atirar
com armas de fogo contra os
Indígenas;
Permite a exploração e estração de Minerios em terras Indígenas;
Permite que madereiros e
garimpeiros permaneçam em terras
Indigenas;
Luiz Inácio Lula da Silva juntamente
com Marcio Meira tem demonstrado
que não gostam dos indigenas, não gostam da Natureza, são contra o meio ambiente.
Nós líderes Indigenas não podemos
aceitar que uma pessoa como Luiz Inácio Lula da Silva, que tem atitude de Demônio, possa
fazer atos de Monstro contra a
Natureza, os Indios e o Meio Ambiente.
Assim pedimos o vosso contato
para nos informar sobre o que solicitamos.
Líder Indígena: Megaron
Txucarramae
Megaron Txukarramãe escreve carta pública a Aritana Yawalapiti
O líder Megaron Txukarramãe, do povo Kayapó, sub-grupo Metuktire, escreveu uma carta ao grande líder Aritana Yawalapiti e o conclama a ser duro com o presidente Lula, que, para eles, tem sido um verdadeiro inimigo público número 1.
A situação do médio rio Xingu está se complicando cada vez mais. O governo Lula não pode empurrar esse protesto com a barriga. Há que ter magnanimidade e ir conversar com os Kayapó diretamente. Não tem outro jeito.
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A situação do médio rio Xingu está se complicando cada vez mais. O governo Lula não pode empurrar esse protesto com a barriga. Há que ter magnanimidade e ir conversar com os Kayapó diretamente. Não tem outro jeito.
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Carta para o Cacique Aritana
Nós aqui do movimento de paralização da Balsa (travessia do
rio Xingu), chegou até nosso conhecimento a sua mensagem que você juntamente
com seu irmão mandou para o Luiz Inácio Lula da Silva, a qual você fala que este homem não está tratando nós
indios como irmão, como amigo e nem como parente.
Pois é, Aritana...Luiz Inacio Lula da Silva tem se demonstrado que é o nosso inimigo número um dos índios, do
meio ambiente e dos rios. Ele quer modificar o Rio Xingu.
No seu governo
fica bem claro que ele é inimigo da natureza e é contra a preservação do meio ambiente.
Com a construção da barregem de Belo Monte que ele quer fazer,
o nosso rio Xingu nunca mais vai ser este belo rio que o nosso pai criador
construiu para nós indio e nos deu.
Estamos indignados, pois, muito de nossos parentes votaram
nele elegendo novamente, pensando que ele iria governar com democracia,
considerando o indio e preservando a natureza, Nossos parentes pensavam que ele ia considerar nós indios com
gente, mas isso não esta acontecendo com os povos indigenas no governo de Lula. Veja como está a Funai de
Brasilia que não resolve nada ...
só atende para dizer não aos
indios.
Nós entendemos que ele quer é nossa destruição, quando
ele fala que vai construir belo monte
de
qualquer jeito, isso
fica bem claro.
É melhor ele acabar com a FUNAI e com nós indios.
Assim ele pode acabar com a Amazônia, rios, floresta e fazer
tudo que ele pretende fazer com o Brasil. Ele acabando com nós aí nós não
vamos estar vivos para ver esta grande
destruição. Então ele pode fazer o que quizer. Por que nós não aceitamos a
barragem de Belo Monte; não aceitamos dinheiro, não aceitamos o zoneamento do
estado de Mato Grosso, este
governo quer acabar com a
nossa riqueza como os
peixes, as caças e os rios.
Para nós Lula é um demônio, um verdadeiro monstro.
Nós lideranças Indigenas deste movimento queremos lhe
solicitar pra você, Aritana, como um grande líder, pra não se referir ao
governo lula como:
-Nós estamos muito tristes.
Não ...não, não estamos tristes, estamos revoltados com
este governo, estamos revoltados com Luiz Inacio lula da
Silva.
-Solicitamos de Vossa Senhoria Senhor presidente.
Não...não, não adianta tratar o nosso inimigo com carinho:
cadê a consideração que Lula tem pelos Índios?
Queremos ver nossos líderes ter mais força em suas palavras
para este governo que é contra nós.
Assim pedimos o apoio de nossos parentes para nós nos unirmos
junto a este movimento:
Lideranças:kaiabi,Kalapalo,yawalapiti,Meinako,Auweti,Kamaiura,Waura,Matipu,Txicão,Juruna,Yudja,Suiá,Nafukauá,Kuikoro,Trumai,
(ass)
Líder
Indígena Megaron Txucarramae
Jornal francês diz que cacique Raoni ameaça "brancos" de morte.
Os jornais também se aplicam no exagero sensacionalista para chamar a atenção. Um jornal francês fez uma matéria em que diz que o cacique Raoni, do povo Kayapó-Metuktire, ameaça os brancos que construírem a Usina Belo Monte com a morte.
A coisa está difícil e em clima de confrontação iminente na região do médio rio Xingu, especialmente com a interrupção do transbordo de caminhões por balsa na altura da cidade de São José do Xingu.
Veja as postagens acima, com cartas assinadas pelo líder Metuktire Megaron Txukarramãe e dirigidas ao público e também ao líder do alto Xingu, Aritana Yawalapiti.
Não queremos que esse clima estoure em algo catastrófico. Faz mister que a Casa Civil, o Ministério da Justiça e o presidente Lula intervenham no assunto. A Funai está de mãos atadas pelas cordas que a atual direção teceu.
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O cacique Raoni ameça "matar os brancos" que construírem Belo Monte
A coisa está difícil e em clima de confrontação iminente na região do médio rio Xingu, especialmente com a interrupção do transbordo de caminhões por balsa na altura da cidade de São José do Xingu.
Veja as postagens acima, com cartas assinadas pelo líder Metuktire Megaron Txukarramãe e dirigidas ao público e também ao líder do alto Xingu, Aritana Yawalapiti.
Não queremos que esse clima estoure em algo catastrófico. Faz mister que a Casa Civil, o Ministério da Justiça e o presidente Lula intervenham no assunto. A Funai está de mãos atadas pelas cordas que a atual direção teceu.
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O cacique Raoni ameça "matar os brancos" que construírem Belo Monte
Numa entrevista exibida na noite deste domingo na TV francesa TF1, o cacique Raoni, chefe dos Caiapó, ameaçou "matar os brancos" que construírem a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Raoni, que ganhou o mundo com o cantor Sting defendendo a preservação da Amazônia, falou rodeado de crianças da tribo, adiantando porém que poupará os "as crianças dos brancos". A equipe francesa, que enfrentou sete horas de avião e canoa para encontrar a celebridade internacional, "de idade indefinida", ouviu dela que "já é hora de recuperar o que é nosso" e que "pedi a meus guerreiros que se preparem para a guerra e também avisei às tribos do Alto Xingu". A reportagem relata a fama de violência dos Caiapó, que estão na floresta "há centenas de anos e que evoluíram do arco e flexa à internet". Diante das câmeras ele "implorou" a Jacques Chirac (ex-presidente da França) e a Nicolas Sarkozy (o atual), para que impeçam o presidente Lula de construir a barragem no rio Xingu". A TF1 explicou que se trata de um afluente do Amazonas, numa região de 500 km2 de florestas, que seriam inundados, desalojando "à força" 20 mil pessoas.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Megaron, grande líder Kayapó, anuncia razões para protesto contra Belo Monte, Lula e direção da Funai
Comunicado
Nós lideranças e guerreiros estamos aqui em nosso
movimento e vamos continuar com a paralisação da balsa pela travessia do rio
xingu. Enquanto Luiz Inacio Lula da Silva insistir de construir a barragem de
Belo Monte nós vamos continuar aqui.
Nós ficamos com raiva de ouvir Lula falar
que vai construir Belo Monte de qualquer jeito, nem que seja pela força!!!
Agora Nos indios e o povo que
votamos em Lula estamos sabendo quem essa pessoa.
Nós não somos bandidos, nós
não somos traficantes para sermos tratados assim, o que nós queremos é a não
construção da barragem de Belo Monte.
Aqui nós não temos armas para enfrentar a
força, se Lula fizer isso ele quer acabar com nós como vem demonstrando, mas o
mundo inteiro vai poder saber que nós podemos morrer, mais lutando pelo nosso
direito.
Estamos diante de um Governo que cada dia que passa se demonstram
contra nós indios.
Lula tem demonstrado ser inmingo número um dos indios e Marcio Meira o atual
Presidente da Funai tem demostrado a ser segunda pessoa no Brasil contra os
indios, pois, a Funai não tem tratado
mais assuntos indigenas, não demarcação de terra indigena mais, não tem
fiscalização de terra indigena
mais, não tem aviventação em terra indigena.
Os nossos líderes indigenas são empedido de entrarem dentro do
predio da funai em Brasilia pela força nacional.
O que esta acontecendo com nós
indios é um fato de grande abandono, pois, nós indios que somos os primeiros
habitantes deste pais estamos sendo esquecidos pelo Governo de Lula que quer a nossa destruição, é esta a conclusão que
chegamos.
Lider indigena Megaron Txukarramãe
Aldeia Piaraçu, 26 de abril de 2010
Carta para empressa
Lula discursa que governo tem que fazer mais pelos índios
Lula tem sido um grande presidente para muitos brasileiros, convenhamos. Mas, para os povos indígenas seu mandato tem sido mais de movimentações erráticas do que de uma linha política clara.
Quando fui presidente da Funai, tentei dar essa linha política clara. Primeiro, foi de convencer os índios a confiar naquilo que a Funai poderia fazer por eles. Segundo, que eles teriam de buscar seu fortalecimento em suas próprias forças, tradições e potenciais. Inclusive econômicos. Terceiro, que viessem a ser considerados como participantes do desenvolvimento cultural, político, econômico e social do Brasil.
Não foi fácil, com tanta gente remando contra. Especialmente as Ongs e o CIMI, que se apresentavam como se tivessem a verdadeira solução para a questão indígena brasileira. Discursavam que a Funai era paternalista e tutelar. Agora os índios estão sentindo na pele quem é tutelista e quem tenta controlá-los, e quem os atropela sem consultá-los.
Na minha gestão, que inclui 40 meses do primeiro mandato e três meses do segundo mandato do Presidente Lula, foram homologadas 67 terras indígenas, demarcadas in situ 31, além de eu ter assinado portarias de delimitação de 51 novas terras. Inclusive Raposa Serra do Sol, é bom lembrar, que foi homologada graças à capacidade e a sagacidade de nossa gestão na Funai, do ministro Márcio Thomas Bastos e seus auxiliares, em 15 de abril de 2005. Inclusive depois de enfrentar a ira do Congresso, de deputados de todos os partidos e de entrar num processo de convencimento do Presidente Lula, que levou meses, ele sabe muito bem.
Agora, nesses últimos três anos, o que temos é a homologação de 14 terras indígenas e um impasse horrendo na demarcação das restantes terras indígenas. Demarcar terras indígenas agora só depois de passar por 19 condicionantes do STF e ter o horizonte de 5 de outubro de 1988 como marco temporal de presença indígena. Não é mole não. A gestão atual da Funai abusou da retórica para dizer que iria demarcar 600.000 a 1.000.000 de hectares em Mato Grosso do Sul para o povo Guarani, e na verdade não demarcou nem um centímetro quadrado. Ao contrário, chamou para si e concentrou sobre os povos indígenas a ira, o ódio e o poder dos fazendeiros, que estavam ainda tontos com o quê a Funai vinha tentando fazer até então.
Eis que o Presidente Lula surge agora dizendo que o governo ainda tem muito a fazer pelos povos indígenas. Realmente, a dívida da Nação brasileira para com os povos indígenas é imensa, quase impagável. Porém o que ele fez nos últimos meses foi a produção de um desastre ímpar na estruturação da Funai e no ânimo dos povos indígenas de muitas partes do Brasil. No centésimo aniversário da criação da política indigenista oficial, rondoniana, o Presidente Lula termina fazendo o papel que as Ongs sempre quiseram: reduzir a Funai a um órgão sem ação, sem alma, sem força política. Deixou um rastro de dificuldades imensas as quais terão que ser revertidas no próximo governo, seja de Dilma Rousseff, seja de José Serra, seja de Marina Silva. Se ainda for possível!
Acrescente-se a isso o fato da atual direção da Funai ter dado, em novembro 2009, a anuência para o licenciamento de Belo Monte sem ao menos dizer aos índios por quê e como iria fazer isso e pelos motivos que achava importante. Simplesmente enviou um ofício ao IBAMA declarando não ter nada a opor ao licenciamento, com condicionamentos mínimos.
Os índios estão revoltados com essa atitude anti-indígena, contrária ao espírito indigenista rondoniano e à Convenção 169, que é lei no Brasil desde 19 de abril de 2004. Por causa disso muitos povos indígenas se rebelaram, cada um ao seu modo, com ou sem a ajuda das Ongs ambientalistas. Os Kayapó fecharam a barca que faz a travessia do rio Xingu na altura da BR-040. Muitos índios de Altamira estão à beira de um ataque de nervos com a extinção da AER Altamira e com a ausência da Funai para explicar-lhes o que está para acontecer.
Os índios Kayapó do Mato Grosso, os Xikrin, do Pará (que também são primos dos Kayapó) declararam que querem um benadjore, um chefe de peso, de poder, para vir até eles e explicar-lhes a razão da Usina Belo Monte e em que eles não serão prejudicados, e sim, participantes do progresso nacional.
Eu sugiro que o Presidente Lula cumpra esse papel. Belo Monte é algo extraordinário na história do indigenismo brasileiro e precisa de explicações cabais, conclusivas, firmes e definitivas de um grande benadjore. Que o chefe da Nação se disponha a fazer isso. Esta não é uma proposta insana, é uma proposta de coração. Eu mesmo desde já me ponho à disposição para ajudar nessa tarefa.
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Agência Globo
Quando fui presidente da Funai, tentei dar essa linha política clara. Primeiro, foi de convencer os índios a confiar naquilo que a Funai poderia fazer por eles. Segundo, que eles teriam de buscar seu fortalecimento em suas próprias forças, tradições e potenciais. Inclusive econômicos. Terceiro, que viessem a ser considerados como participantes do desenvolvimento cultural, político, econômico e social do Brasil.
Não foi fácil, com tanta gente remando contra. Especialmente as Ongs e o CIMI, que se apresentavam como se tivessem a verdadeira solução para a questão indígena brasileira. Discursavam que a Funai era paternalista e tutelar. Agora os índios estão sentindo na pele quem é tutelista e quem tenta controlá-los, e quem os atropela sem consultá-los.
Na minha gestão, que inclui 40 meses do primeiro mandato e três meses do segundo mandato do Presidente Lula, foram homologadas 67 terras indígenas, demarcadas in situ 31, além de eu ter assinado portarias de delimitação de 51 novas terras. Inclusive Raposa Serra do Sol, é bom lembrar, que foi homologada graças à capacidade e a sagacidade de nossa gestão na Funai, do ministro Márcio Thomas Bastos e seus auxiliares, em 15 de abril de 2005. Inclusive depois de enfrentar a ira do Congresso, de deputados de todos os partidos e de entrar num processo de convencimento do Presidente Lula, que levou meses, ele sabe muito bem.
Agora, nesses últimos três anos, o que temos é a homologação de 14 terras indígenas e um impasse horrendo na demarcação das restantes terras indígenas. Demarcar terras indígenas agora só depois de passar por 19 condicionantes do STF e ter o horizonte de 5 de outubro de 1988 como marco temporal de presença indígena. Não é mole não. A gestão atual da Funai abusou da retórica para dizer que iria demarcar 600.000 a 1.000.000 de hectares em Mato Grosso do Sul para o povo Guarani, e na verdade não demarcou nem um centímetro quadrado. Ao contrário, chamou para si e concentrou sobre os povos indígenas a ira, o ódio e o poder dos fazendeiros, que estavam ainda tontos com o quê a Funai vinha tentando fazer até então.
Eis que o Presidente Lula surge agora dizendo que o governo ainda tem muito a fazer pelos povos indígenas. Realmente, a dívida da Nação brasileira para com os povos indígenas é imensa, quase impagável. Porém o que ele fez nos últimos meses foi a produção de um desastre ímpar na estruturação da Funai e no ânimo dos povos indígenas de muitas partes do Brasil. No centésimo aniversário da criação da política indigenista oficial, rondoniana, o Presidente Lula termina fazendo o papel que as Ongs sempre quiseram: reduzir a Funai a um órgão sem ação, sem alma, sem força política. Deixou um rastro de dificuldades imensas as quais terão que ser revertidas no próximo governo, seja de Dilma Rousseff, seja de José Serra, seja de Marina Silva. Se ainda for possível!
Acrescente-se a isso o fato da atual direção da Funai ter dado, em novembro 2009, a anuência para o licenciamento de Belo Monte sem ao menos dizer aos índios por quê e como iria fazer isso e pelos motivos que achava importante. Simplesmente enviou um ofício ao IBAMA declarando não ter nada a opor ao licenciamento, com condicionamentos mínimos.
Os índios estão revoltados com essa atitude anti-indígena, contrária ao espírito indigenista rondoniano e à Convenção 169, que é lei no Brasil desde 19 de abril de 2004. Por causa disso muitos povos indígenas se rebelaram, cada um ao seu modo, com ou sem a ajuda das Ongs ambientalistas. Os Kayapó fecharam a barca que faz a travessia do rio Xingu na altura da BR-040. Muitos índios de Altamira estão à beira de um ataque de nervos com a extinção da AER Altamira e com a ausência da Funai para explicar-lhes o que está para acontecer.
Os índios Kayapó do Mato Grosso, os Xikrin, do Pará (que também são primos dos Kayapó) declararam que querem um benadjore, um chefe de peso, de poder, para vir até eles e explicar-lhes a razão da Usina Belo Monte e em que eles não serão prejudicados, e sim, participantes do progresso nacional.
Eu sugiro que o Presidente Lula cumpra esse papel. Belo Monte é algo extraordinário na história do indigenismo brasileiro e precisa de explicações cabais, conclusivas, firmes e definitivas de um grande benadjore. Que o chefe da Nação se disponha a fazer isso. Esta não é uma proposta insana, é uma proposta de coração. Eu mesmo desde já me ponho à disposição para ajudar nessa tarefa.
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No rádio, Lula diz que governo precisa garantir mais aos povos indígenas
Agência Globo
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que a demarcação definitiva da reserva indígena Raposa Serra do Sol, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi "uma coisa extraordinária" e que o governo precisa fazer mais pelos povos indígenas. Na semana passada, Lula visitou a reserva e fez um retrospecto da polêmica que marcou por anos a luta entre indígenas e arrozeiros da região pela posse da terra.
- Nós temos trabalhado muito para tentar normalizar, regularizar e dar cidadania aos povos indígenas no Brasil - disse Lula em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente".
Segundo ele, desde 2003, 81 terras indígenas foram homologadas, totalizando 663 em todo o país - 12,5% do território nacional.
Para o presidente, a demarcação de Raposa Serra do Sol representa um passo definitivo para reconhecer os índios como cidadãos brasileiros, donos de sua cultura e livres para exercitá-la como quiserem.
- Cabe agora ao governo garantir mais. Nós temos que garantir possibilidade de produção de qualidade, de educação de qualidade, de saúde de qualidade.
Mesmo depois da remoção dos arrozeiros da reserva, a paz não reina em Raposa Serra do Sol. Os cerca de 19 mil índios que vivem na terra de 1,7 milhões de hectares estão divididos em pelo menos duas facções.
sábado, 24 de abril de 2010
Índios Kayapó avisam, prometem, ameaçam e cumprem
Se existem índios decididos e valentes nesse país são os Kayapó. Todo mundo reconhece essas qualidades nos Kayapó, não desmerecendo os demais. Aliás, entre os demais estão aqueles acampados em frente ao Ministério da Justiça protestando contra o decreto de reestruturação da Funai e a atual direção do órgão. Há três meses!
Há algumas semanas os Kayapó vinham avisando e prometendo, se não ameaçando, que, se o leilão da Usina Belo Monte fosse realizado, eles paralizariam os serviços de barca da BR-040 que atravessa o rio Xingu na altura de São José do Xingu (antes São José do Bang-Bang) e que liga o oeste do Mato Grosso à parte leste e a Goiás.
Não existe nada particularmente estratégico com essa rodovia. Mas ela é essencial para o escoamento da produção agrícola e bovina das fazendas localizadas no oeste de Mato Grosso, vindas das cidades de Alta Floresta, Colíder, Sinop, Guarantã do Norte e outras. Por isso é que, três dias de barcas paralizadas, o prejuízo dos frigoríficos é crescente.
Os Kayapó querem que uma autoridade de peso venha conversar com eles. Pensam no ex-ministro Edson Lobão, que saiu para se candidatar a senador pelo Maranhão, e que é responsável pela frase que mais perturbou os Kayapó nos últimos meses: de que eles, ou alguém estranho, representaria um espírito maligno contra Belo Monte. Os Kayapó assumiram essa acusação, já que nenhuma Ong ambientalista o fez, ignorou o opróbio, nem o Ministério Público, que se fez de mouco.
Os Kayapó são os últimos resistentes ao projeto Belo Monte. Os mais leais aos seus ideais e sua visão de mundo. Querem uma explicação maior. Não confiam mais no Presidente Lula, muito menos no atual presidente da Funai. Aliás, deste eles querem distância e sua saída do órgão. Há uns meses ele havia sussurrado para Raoni que não iria aprovar, como presidente da Funai, o licenciamento de Belo Monte, mas foi o primeiro a fazê-lo, o que permitiu o licenciamento final dado pelo Ibama. Daí a mágoa e a raiva dos Kayapó. As Ongs que o apoiam também enfiaram a viola no saco e não falam nada.
Os Kayapó também foram abandonados pelas Ongs ambientalistas que tanta corda lhes deram anteriormente para protestar contra Belo Monte. Agora essas Ongs estão concentradas na ilusão judicialista, achando que pelas medidas cautelares, embargos, etc., vão fazer a roda política voltar atrás. Eles sabem que isso não vai acontecer e apenas deixam que os outros se iludam com isso.
E o CIMI, o bispo Krautler, o que farão agora? Irão ao encontro e ao apoio dos Kayapó?
E os indigenistas, os antropólogos, os amigos dos Kayapó, que estão fazendo para ajudá-los nessa hora? Querem o seu sacrifício, ou acham que podem entabular um novo diálogo que os insira no processo de desenvolvimento da Amazônia.
Eu proponho um novo diálogo, uma nova visão da questão indígena e o desenvolvimento da Amazônia. Esse Blog se abre para sugestões de boa fé e de criatividade.
Há algumas semanas os Kayapó vinham avisando e prometendo, se não ameaçando, que, se o leilão da Usina Belo Monte fosse realizado, eles paralizariam os serviços de barca da BR-040 que atravessa o rio Xingu na altura de São José do Xingu (antes São José do Bang-Bang) e que liga o oeste do Mato Grosso à parte leste e a Goiás.
Não existe nada particularmente estratégico com essa rodovia. Mas ela é essencial para o escoamento da produção agrícola e bovina das fazendas localizadas no oeste de Mato Grosso, vindas das cidades de Alta Floresta, Colíder, Sinop, Guarantã do Norte e outras. Por isso é que, três dias de barcas paralizadas, o prejuízo dos frigoríficos é crescente.
Os Kayapó querem que uma autoridade de peso venha conversar com eles. Pensam no ex-ministro Edson Lobão, que saiu para se candidatar a senador pelo Maranhão, e que é responsável pela frase que mais perturbou os Kayapó nos últimos meses: de que eles, ou alguém estranho, representaria um espírito maligno contra Belo Monte. Os Kayapó assumiram essa acusação, já que nenhuma Ong ambientalista o fez, ignorou o opróbio, nem o Ministério Público, que se fez de mouco.
Os Kayapó são os últimos resistentes ao projeto Belo Monte. Os mais leais aos seus ideais e sua visão de mundo. Querem uma explicação maior. Não confiam mais no Presidente Lula, muito menos no atual presidente da Funai. Aliás, deste eles querem distância e sua saída do órgão. Há uns meses ele havia sussurrado para Raoni que não iria aprovar, como presidente da Funai, o licenciamento de Belo Monte, mas foi o primeiro a fazê-lo, o que permitiu o licenciamento final dado pelo Ibama. Daí a mágoa e a raiva dos Kayapó. As Ongs que o apoiam também enfiaram a viola no saco e não falam nada.
Os Kayapó também foram abandonados pelas Ongs ambientalistas que tanta corda lhes deram anteriormente para protestar contra Belo Monte. Agora essas Ongs estão concentradas na ilusão judicialista, achando que pelas medidas cautelares, embargos, etc., vão fazer a roda política voltar atrás. Eles sabem que isso não vai acontecer e apenas deixam que os outros se iludam com isso.
E o CIMI, o bispo Krautler, o que farão agora? Irão ao encontro e ao apoio dos Kayapó?
E os indigenistas, os antropólogos, os amigos dos Kayapó, que estão fazendo para ajudá-los nessa hora? Querem o seu sacrifício, ou acham que podem entabular um novo diálogo que os insira no processo de desenvolvimento da Amazônia.
Eu proponho um novo diálogo, uma nova visão da questão indígena e o desenvolvimento da Amazônia. Esse Blog se abre para sugestões de boa fé e de criatividade.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Índios Kayapó de Mato Grosso avisam gentilmente que fecharão balsa no rio Xingu
Os índios Kayapó quando querem fazer alguma coisa têm a gentileza de avisar a quem de direito.
Leiam esse documento assinado por algumas lideranças kayapó do Mato Grosso, município de Colíder, dirigido ao coordenador substituto da Funai. Nele pedem que avisem ao frigorífico tal que saiba que a balsa que atravessa o rio Xingu vai parar. Portanto, que não tragam seus caminhões porque a carne vai estragar.
Leiam esse documento assinado por algumas lideranças kayapó do Mato Grosso, município de Colíder, dirigido ao coordenador substituto da Funai. Nele pedem que avisem ao frigorífico tal que saiba que a balsa que atravessa o rio Xingu vai parar. Portanto, que não tragam seus caminhões porque a carne vai estragar.
Índios Kayapó de Mato Grosso não aceitam Belo Monte
Em protesto, índios do Xingu vão parar serviço de balsa
FÁTIMA LESSA Agencia Estado
CUIABÁ - Indignados com o leilão da usina de Belo Monte, lideranças indígenas do Xingu, em Mato Grosso, decidiram paralisar, a partir desta quinta-feira, a travessia da balsa no Rio Xingu, operada pelos índios. A travessia liga São José do Xingu a outros municípios de Mato Grosso e também do Pará. Por dia, cerca de 60 caminhões, 30 veículos de passeio e ônibus usam os serviços da embarcação.
A ação é o primeiro de muitos protestos programados pelos povos do Xingu no Estado contra a construção do empreendimento. "Se quiser construir Belo Monte deve mandar matar todos os índios", disse o cacique kaiapó Megaron Txcurramãe.
Segundo o cacique, as lideranças reunidas na aldeia Piaraçu, na terra indígena Capoto-Jarina, discutem a questão da usina como "mais uma traição" do governo brasileiro (Lula) e do presidente da Fundação Nacional do índio (Funai), Marcio Meira, contra os povos indígenas. "Se não querem respeitar nós (sic), nós não vamos respeitar a eles", disse.
O cacique kaiapó disse que, além da "preocupação com os prejuízos que devem acontecer ''caso'' a usina seja realmente construída", os índios também já estão receosos com a viabilização do projeto de construção do complexo de hidrelétricas previsto no Rio Xingu. "Se eles conseguiram passar Belo Monte, agora vai ser mais fácil implantar outros projetos no rio", disse. "Se o governo quer acabar com índios, então ele deve mandar o Exército matar os índios e tomar as terras, porque os índios vão resistir", afirmou Megaron.
Esta é a segunda vez que os kaiapós decidem parar os serviços de travessia da balsa no Rio Xingu em protesto contra a construção da usina de Belo Monte, em Altamira do Pará. A primeira aconteceu em 2009. A manifestação reuniu, durante seis dias, lideranças das 15 etnias que moram no Parque do Xingu, e cerca de 300 pessoas. O movimento foi liderado pelo cacique Raoni Metuktire que também estará presente na manifestação que começa nesta quinta-feira
quarta-feira, 24 de março de 2010
Parece que os índios não vão deixar barato o leilão de Belo Monte
Tudo indica que os índios Kayapó não vão deixar barato o leilão da Usina Belo Monte, programado pelo governo para o dia 20 de abril.
Os índios Kayapó vão fazer uma grande assembleia na aldeia Pyaraçu, na beira do rio Xingu, entre os dias 5 e 9 de abril para tocar os tambores de protesto contra Belo Monte. Estão convidando diversas pessoas aliadas aos seus sentimentos para ajudar-lhes nessa empreitada de protestos.
E não será só contra Belo Monte. Os Kayapó estão particularmente chateados e nervosos com o descaso da Funai, que os deixou sem alternativa para encontrar um ponto de equilíbrio em relação a esse empreendimento. Sentem-se enganados. A licença que a Funai concedeu ao empreendimento foi dada sem que lhes fosse comunicada. Nem ao menos houve reunião e audiência nas aldeias kayapó para lhes explicar o que significa esse projeto.
Não só pela Usina de Belo Monte em si, mas pelas consequências futuras. Ninguém acredita que Belo Monte será a única usina hidrelétrica a ser feita no rio Xingu. Os engenheiros sabem que durante mais de seis meses essa hidrelétrica irá produzir menos de 2.000 MW, do potencial de 11.000 MW que ela tem com a calha do rio cheia.
Portanto, há planos de, no futuro, construir novas hidrelétricas a montante de Altamira para garantir um fluxo de água suficiente para rodar as 22 turbinas de 500 MW a velocidade máxima. Uma delas chama-se Babaquara, e irá inundar partes das terras dos índios Assurini, Kayapó-Kararaô e Arara.
Eis o problema mais significativo desse empreendimento. E os Kayapó suspeitam disso, sem que ninguém lhes diga com todas as palavras. Eles sentem que algo de podre está no ar.
Se o presidente Lula e o Congresso Nacional garantissem que Belo Monte seria a primeira e única hidrelétrica do Xingu, teria jogo numa negociação decente com os Kayapó e com os demais índios do Xingu.
Mas o governo Lula deixou essa questão solta no ar. A Eletrobrás dá uma de joão sem braço, gloriosa por ver o projeto a caminho.
Os índios têm muita razão para se sentirem traídos. Nesse sentido, apoio a decisão dos Kayapó e dos povos indígenas do Xingu.
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Com a aproximação do leilão que decidirá qual o consórcio de empresas executará a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, lideranças representando mais de 15 etnias que vivem na Bacia do Rio Xingu se mobilizam e prometem realizar no dia 5 de abril mais um protesto contra a construção da hidrelétrica, na Aldeia Piaraçu, reserva Capoto-Jarina, localizada num trecho do Mato Grosso que, segundo os manifestantes, poderá ser prejudicado pela obra. "Precisamos nos organizar e ficar unidos nessa hora", disse o líder indígena Betdjore Metuktire.
Os índios Kayapó vão fazer uma grande assembleia na aldeia Pyaraçu, na beira do rio Xingu, entre os dias 5 e 9 de abril para tocar os tambores de protesto contra Belo Monte. Estão convidando diversas pessoas aliadas aos seus sentimentos para ajudar-lhes nessa empreitada de protestos.
E não será só contra Belo Monte. Os Kayapó estão particularmente chateados e nervosos com o descaso da Funai, que os deixou sem alternativa para encontrar um ponto de equilíbrio em relação a esse empreendimento. Sentem-se enganados. A licença que a Funai concedeu ao empreendimento foi dada sem que lhes fosse comunicada. Nem ao menos houve reunião e audiência nas aldeias kayapó para lhes explicar o que significa esse projeto.
Não só pela Usina de Belo Monte em si, mas pelas consequências futuras. Ninguém acredita que Belo Monte será a única usina hidrelétrica a ser feita no rio Xingu. Os engenheiros sabem que durante mais de seis meses essa hidrelétrica irá produzir menos de 2.000 MW, do potencial de 11.000 MW que ela tem com a calha do rio cheia.
Portanto, há planos de, no futuro, construir novas hidrelétricas a montante de Altamira para garantir um fluxo de água suficiente para rodar as 22 turbinas de 500 MW a velocidade máxima. Uma delas chama-se Babaquara, e irá inundar partes das terras dos índios Assurini, Kayapó-Kararaô e Arara.
Eis o problema mais significativo desse empreendimento. E os Kayapó suspeitam disso, sem que ninguém lhes diga com todas as palavras. Eles sentem que algo de podre está no ar.
Se o presidente Lula e o Congresso Nacional garantissem que Belo Monte seria a primeira e única hidrelétrica do Xingu, teria jogo numa negociação decente com os Kayapó e com os demais índios do Xingu.
Mas o governo Lula deixou essa questão solta no ar. A Eletrobrás dá uma de joão sem braço, gloriosa por ver o projeto a caminho.
Os índios têm muita razão para se sentirem traídos. Nesse sentido, apoio a decisão dos Kayapó e dos povos indígenas do Xingu.
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Lideranças indígenas prometem manifestações antes do leilão
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Com a aproximação do leilão que decidirá qual o consórcio de empresas executará a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, lideranças representando mais de 15 etnias que vivem na Bacia do Rio Xingu se mobilizam e prometem realizar no dia 5 de abril mais um protesto contra a construção da hidrelétrica, na Aldeia Piaraçu, reserva Capoto-Jarina, localizada num trecho do Mato Grosso que, segundo os manifestantes, poderá ser prejudicado pela obra. "Precisamos nos organizar e ficar unidos nessa hora", disse o líder indígena Betdjore Metuktire.
Em novembro de 2009, cerca de 250 lideranças indígenas protestaram, durante cinco dias, contra a hidrelétrica na mesma aldeia e interromperam a travessia da balsa do rio. Prevista para ser erguida no município de Altamira, no Pará, a Usina é considerado o maior empreendimento energético previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, em uma área de 160 mil km2. Além de Altamira, a usina ocupará parte da área de outros quatro municípios: Anapu, Brasil Novo, Senador Porfirio e Vitória do Xingu.
Desde 2001, o Ministério Público Federal do Pará questiona na Justiça o empreendimento. O órgão move oito processos contrários à instalação da usina. Os principais argumentos seriam o desrespeito aos povos indígenas, os impactos ambientais e a questão financeira que envolve a Belo Monte. A concessão de Belo Monte será por 30 anos. Após a construção, a Belo Monte será a terceira maior usina do Mundo com 11 mil MW de potencia e um investimento que deve chegar a R$ 30 bilhões. O início das obras está previsto para 2015. A hidrelétrica deve estar concluída em 2019.
O governo federal marcou para o dia 20 de abril o leilão. A concessão foi aprovada em fevereiro pelo Ibama, com 40 exigências impostas pelo órgão, que deverão ser cumpridas pela empresa vencedora do leilão. Isto liberou o início das obras. O chefe da seção de licenciamento do Ibama, Pedro Bignelli, acredita que a licença prévia "contemplou todas as partes envolvidas
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Beth Begonha entrevista Megaron sobre Belo Monte e reestruturação da Funai
Numa entrevista clara e informativa a jornalista Beth Begonha, da Rádio Nacional, entrevista Megaron-ti Metuktire, um dos grandes líderes indígenas brasileiros e também administrador da AER Colíder.
Acesse a entrevista nos endereços abaixo:
http://bethbegonha.podOmatic.com/entry/2010-02-13T12_26_02-08_00
http://bethbegonha.podomatic.com/player/web/2010-02-13T12_26_02-08_00
Acesse a entrevista nos endereços abaixo:
http://bethbegonha.podOmatic.com/entry/2010-02-13T12_26_02-08_00
http://bethbegonha.podomatic.com/player/web/2010-02-13T12_26_02-08_00
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Índios Kayapó rompem com ISA e prometem manifestação contra Belo Monte
Em carta dirigida ao ISA os índios Kayapó do Mato Grosso, AER Colíder, desapontados com o comprimisso daquela Ong neoliberal com a Usina Belo Monte, onde já fizeram escritório na cidade de Altamira, rompem com um possível acordo que estava-lhes sendo sugerido pelo ISA no sentido de favorecer direitos sobre suas terras para negociação de "Crédito de Carbono".
Ao mesmo tempo, cientes do que está acontecendo em Altamira, especialmente em relação à extinção da AER Altamira, quando os índios que vivem naquela região ficarão à mercê de 96.000 peões que para lá virão, os Kayapó prometem ajudar manifestando-se contra o decreto da reestruturação da Funai.
PÓS-ESCRITO
Sábado, 13:00
A carta dos Kayapó foi respondida pelo ISA através de um dos seus coordenadores, aí abaixo.
Nela o ISA tenta reverter a opinião dos Kayapó sobre seu comportamento, atribuindo a "fofocas" a visão que os Kayapó têm do ISA e consequentemente seu rompimento.
Em relação à usina Belo Monte, o ISA declara que sempre foi contrário e que ajudou aos Kayapó em diversos momentos e manifestações, e que criou um escritório em Altamira para apoiar o movimento contrário. A coincidência desse escritório com a extinção da Administração REgional de Altamira não passou despercebida dos Kayapó. O fato dos Kayapó nunca terem tido aproximação com o ISA até agora é conhecido por todos os indigenistas.
A carta do ISA foi considerada pelas lideranças Kayapó como "punutire", isto é, "muito ruim".
A intenção maior do ISA era levar os Kayapó para uma reunião em Cuiabá no final de março onde o ISA e outras Ongs, como o Conservation International (na carta do ISA mencionada como CI) e a Environmental Defense Fund, pretendem comprometer os índios que compõem o Parque Indígena do Xingu e as terras Kayapó e Panará -- cerca de 14 milhões de hectares numa área só -- ou o tamanho do estado do Paraná -- em acordos de "Crédito de Carbono". Há pelo menos um ano e meio o ISA vem tentando persuadir diversos povos xinguanos a entrar nessa jogada. De acordo com a carta do ISA eles seriam só "facilitadores" desses acordos, não mencionando quanto receberiam por seus serviços. Essas Ongs querem servir de "facilitadores" ou, em inglês, "brokers" (mais forte e mais como intermediário ou agente) para colocar os índios e as terras indígenas no mercado de troca de carbono.
É preciso esclarecer que tudo isso vem sendo feito com extrema discrição, se não segredo. O governo brasileiro nem é informado sobre essas intenções, embora a atual direção da Funai esteja comprometida com isso até formalmente por convênio. O meio institucional para estabelecer acordo com terra indígena é uma espécie de programa de troca ou mercado de troca, criado por ongs ambientalistas, conhecido pela sigla REDD, programa este que não foi aceito nem acatado pelo governo federal, muito menos discutido pelo Congresso Nacional, pelo qual uma determinada área protegida, em especial indígena (embora terra indígena seja considerada terra da União), receberia dinheiro ou fundos de empresas que emitem dióxido de carbono na atmosfera e recompensariam essas emissões pagando quem não emite, ou quem ajuda a absorver essas novas emissões. Quer dizer, a poluição continua mundo afora, mas os poluidores pagariam por isso. As Ongs acham isso o filé mignon do novo ambientalismo mundial e querem que os índios se comprometam com essa farsa!!
A carta do ISA recende a ressentimento e a arrogância. Os dois últimos parágrafos exalam soberba e desrespeito ao povo Kayapó.
Eis a carta na íntegra.
Esclarecimento final: lideranças Kayapó autorizaram nosso Blog a publicar ambas as cartas.
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São
Paulo, 05 de fevereiro de 2010,
Ao povo
Mebengokre,
Prezados,
Acusamos recebimento de correspondência em nome dos
Mebengokre, assinada por algumas de suas lideranças, informando cancelamento da
participação dos Mebengokre na reunião sobre créditos de carbono prevista para
final de março, justificando esta decisão por terem ouvido falar que o
ISA está defendendo a Usina de Belo Monte.
Só podemos lamentar que um decisão tão importante como esta
esteja sendo tomada em cima de fofoca e não está considerando a história de
luta real do ISA junto com os povos indígenas e com outras populações que se
sentem ameaçadas por esta obra. Sempre apoiamos as manifestações de vocês em
relação a Belo Monte, em 1989 em Altamira, em 2008 novamente em Altamira, em
2009 no Piaraçu e Brasília e mais recentemente na articulação de Raoni com
Sting, que resultou na ampla divulgação na mídia da indignação
de vocês com o fato da FUNAI ter aprovado a obra sem fazer uma consulta aos
índios, desrespeitando a legislação.
Temos feito muitas outras coisas junto com o Movimento Xingu
Vivo para Sempre, que reúne várias organizações e movimentos da região do
Xingu. Buscamos de todos os meios interferir no processo de licenciamento e nas
consultas públicas de maneira assegurar a manifestação e respostas as
preocupação das populações afetadas pela obra, subsidiamos o Ministério Público
em diversas ações judiciais que questionaram o licenciamento da obra e estamos
nos preparando para entrar com uma ação em fóruns internacionais contra o
governo brasileiro por desrespeitar tratado internacional (convenção 169) que
obriga a realização de consultas prévias e informadas à populações indígenas
quando afetadas por obras públicas.
Nós estamos lá em Altamira com um pequeno escritório e uma
pequena equipe acompanhando e participando das discussões e manifestações, no
dia a dia da luta. Lembrem-se que os
principais impactos dessa obra irão ocorrer na região no entorno da
cidade de Altamira. Nesse exato momento os povos indígenas da região de
Altamira estão se manifestando contra o licenciamento de Belo Monte. Só podemos
acreditar que a fofoca que vocês escutaram de que o ISA está apoiando Belo
Monte, além de muito maldosa, quer
confundir, criar confusão e enfraquecer a luta. Não existe qualquer documento ou manifestação de
pessoas do ISA apoiando a
construção de Belo Monte. Portanto, essa acusação é uma grande mentira e quem
acha que não, que prove.
A reunião sobre crédito de carbono prevista para final de
março, tem como objetivo discutir
a viabilidade, a oportunidade para elaboração de um projeto conjunto de gestão
territorial entre os parentes do PIX, Panará e os Mebengokre, visando o mercado de carbono. O ISA tem
atuado junto com a CI como facilitador deste processo de discussão. A decisão
desta iniciativa e se vai existir
ou não um projeto é de voces e não do ISA ou da CI. Portanto, achamos que vocês não deveriam cruzar dois
assuntos diferentes ( carbono e Belo Monte), eles podem andar juntos. Ou seja,
nada impede os Mebengokre de continuarem o processo de discussão sobre créditos
de carbono, até mesmo sem o ISA, se assim desejarem, e ao mesmo tempo
continuarem a luta em relação a Belo Monte.
Esperamos que as lideranças Mebengokre reflitam melhor e não se deixem levar por fofocas
sem fundamento. Estamos à disposição para qualquer outro esclarecimento.
Atenciosamente,
André Villas-Bôas – Coordenador do programa Xingu do ISA
sábado, 16 de janeiro de 2010
Índios Kayapó exigem explicações da Funai sobre reestruturação
Eis a carta publicada no site Amazonia.org.br e redigida pelo Insituto Kabu, que agrega as aldeias Kayapó Baú, Pykyny e Kubenkokre. Ao que parece, essa carta foi redigida por alguém que participou das reuniões que os Kayapó tiveram em Brasília algum tempo atrás discutindo esses assuntos. Parece até que as reuniões foram gravadas, dado o conteúdo preciso das falas aí publicadas.
Os Kayapó querem explicações sobre quem fez essa reestruturação, apresenta reivindicações próprias e questiona a validade da reestruturação, reconhecendo claramente o que está acontecendo em termos de perdas de valores no indigenismo praticado pela Funai. Questiona em especial as atitudes do novo indigenismo que a atual direção da Funai quer implantar e duvida da competência dos contratados pela direção do órgão.
Vale a reflexão de todos.
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Os Kayapó querem explicações sobre quem fez essa reestruturação, apresenta reivindicações próprias e questiona a validade da reestruturação, reconhecendo claramente o que está acontecendo em termos de perdas de valores no indigenismo praticado pela Funai. Questiona em especial as atitudes do novo indigenismo que a atual direção da Funai quer implantar e duvida da competência dos contratados pela direção do órgão.
Vale a reflexão de todos.
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Novo Progresso, 13 de janeiro de 2010.
Ao Ilmo Senhor
Márcio Meira - Presidente da Funai
Brasília – DF
Fax: (61) 3313 3856 / 3313 3857
C/c: Exmo. Senhor Ministro da Justiça Tarso Genro.
Fax: (61) 3321.5172
Senhor Presidente,
Foi com grande surpresa que nós Mebengokré (Kayapó) representados pelo Instituto Kabu ficamos sabendo pela imprensa da reestruturação da FUNAI. Principalmente porque na semana do dia 19 de outubro de 2009 nós representantes das aldeias Baú, Pykany, Kubenkokre e presidente do Instituto
Kabu estivemos reunidos no seu gabinete com o presidente em exercício, Aloysio Guapindaia. Nessa ocasião cobramos uma posição sobre nossa reivindicação de dois anos para a criação do núcleo de apoio de Novo Progresso e a nomeação de seu chefe. O Sr. Aloysio explicou que o núcleo já tinha sido autorizado e que a nomeação do servidor da FUNAI indicado pelas lideranças iria sair em uma semana. Saímos felizes dessa reunião acreditando que nossa antiga reivindicação tinha sido aceita e que a situação de atendimento para nós iria melhorar.
Acontece que nada do que foi dito nessa reunião foi cumprido até hoje, mentiram para nós, e agora aparece essa reestruturação afastando ainda mais a FUNAI de nós. Tomamos conhecimento que em 18 de novembro de 2009 o senhor fez uma reunião em Brasília com nossos parentes de Tucumã da Associação Floresta Protegida e afirmou que a reestruturação não estava sendo feita escondida e
que os postos indígenas não acabariam. O Senhor disse e assinou na ata da reunião o seguinte (documento completo em anexo):
“Sei que vocês ouviram na própria Funai que estamos fazendo isso escondido. Quem disse isso é mentiroso. Eu não estou aqui para mentir para índio. Estou aqui para conversar e falar a verdade. Falar o que pode e como pode e o que não pode. Tem funcionário na Funai que mente para vocês e prefere que a FUNAI trabalhe errado, e isso não pode acontecer. Temos que trabalhar com as leis e
situações de hoje. A reestruturação é para isso. Para atualizar a FUNAI. Todos os coordenadores participam. É a mesma coisa que na aldeia. As lideranças se reúnem para discutir. Depois cada liderança se reúne com seus grupos. Assim é na FUNAI. A reunião é feita com os coordenadores e eles são responsáveis para discutir isso com os seus técnicos. Quem fala que estamos fazendo a reestruturação as escondidas, são aqueles que não querem a mudança com medo de perder o cargo. A Funai tem que ter funcionários que lutem trabalhem muito pelos índios, não funcionários que não querem trabalhar ou que trabalhem errado. Eu sempre disse que iria fazer a reestruturação e ela não está sendo feita escondida. Reestruturação já começou. Por exemplo, quando eu criei um posto na aldeia Moikarako, isso já é reestruturação. O problema é que quando dizemos que vamos fechar a administração de Bauru, ai eles brigam. Mas Bauru não foi fechada, ela foi transformada em um
núcleo do tamanho certo para atender o numero de índios que tem lá e não precisavam de uma administração. Não é o numero de administrações e núcleos que resolve o problema e sim a qualidade deles."
Amauri Kayapó disse que foram avisados que vai fechar os postos nas aldeias.
Presidente: os postos indígenas foram criados na época do Rondon. “Posto” no português é uma palavra que tem significa controle, fiscalização, vigiar, reprimir. Rondon era militar e por isso criou os postos. Agora nós queremos que o “posto” mude de nome. Isso porque a FUNAI não quer vigiar vocês, quer ajudar a fazer projetos e coisas assim. O nome vai mudar, assim como a função do chefe de posto. Ele tem que ajudar os índios a fazer os projetos e outras coisas que os índios precisam.”
-- Em primeiro lugar queremos dizer para o senhor que realmente tem funcionário da FUNAI que não trabalha direito na defesa dos direitos indígenas, como os que participaram da elaboração dessa nova estrutura. Tem também um monte de gente na FUNAI que o senhor trouxe e que também não trabalham direito para os índios.
-- Mas tem funcionário da Funai que trabalha direito sim e se não fossem eles, a pouca assistência que temos não iria chegar nunca até nós.
-- QUEREMOS SABER O SEGUINTE:
1. Onde está o chefe de posto na nova estrutura? Quem vai ficar na aldeia? Vai ficar
todo mundo numa cidade bem longe da aldeia?
2. O Decreto é claro: Art. 5o Ficam extintas todas as Administrações Executivas
Regionais e Postos Indígenas de que tratam os Decretos nos 4.645, de 25 de
março de 2003, e 5.833, de 6 de julho de 2006, e criadas as unidades regionais na
forma estabelecida nos Anexos I e II
-- Como o senhor está falando agora que não foram extintas as administrações e postos indígenas?
-- Já que o senhor disse que nada estava sendo feito escondido e que era responsabilidade dos coordenadores discutirem a proposta de reestruturação com os funcionários da FUNAI, solicitamos então que nos informe os nomes dos funcionários que participaram da elaboração da reestruturação.
-- Precisamos saber quem são essas pessoas e o que elas conhecem da realidade indígena. Já sabemos que elas não conhecem a nossa realidade. Se conhecessem pelo menos a localização de nossas Terras Indígenas e das aldeias, a situação de transporte (estradas, rios, custos, etc.) e nossas divisões políticas, eles não tinha feito as regionais onde fizeram. Agora, se a idéia é manter os índios bem longe da FUNAI, aí a localização delas é muito boa.
4. Tem uma “regional Tapajós”. Onde fica isso? O Rio tapajós é bem grande.
5. Qual regional a FUNAI pensou que vai atender aos Kayapó de Novo Progresso e como a FUNAI pretende garantir que a gente tenha condições de chegar lá quando precisarmos?
6. Onde está o nosso Núcleo de Apoio de Novo Progresso que seu Diretor disse estar aprovado no ano passado e a nomeação do Chefe do Núcleo?
-- Então estamos esperando URGENTE que o senhor nos envie o nome de todos funcionários (do quadro e não) que participaram da elaboração da Reestrutura para a saber quem foram as pessoas elaboraram a reestrutura da FUNAI.
-- Nós vamos para Brasília e vamos marcar uma reunião direta com o Ministro da Justiça, antes dele editar o regimento interno nas unidades regionais como definido no artigo 6º para provar para ele que do jeito que está sendo proposto não vai funcionar e vai piorar o atendimento a nós índios, que já é precário.
-- O nosso tel/fax para enviar a resposta é: (093) 3528.2152 e e-mail:
institutokabu@hotmail.com
-- Esse é momento do senhor mostrar que não é mentiroso e nos enviar uma resposta por escrito para nossas perguntas o mais rápido possível.
-- Para finalizar, queremos dizer que não vamos mais ser enganados por conversas das pessoas de sua equipe como estão fazendo com a gente no caso do PBA da BR-163.
-- Não vamos mais deixar a FUNAI nos roubar e nos enganar.
Assinam:
Direção do Instituto KABU
Lideranças e comunidade indígena das aldeias Baú, Pukany e Kubenkokre
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