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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Censo 2010 contabiliza apenas 185.712.713 brasileiros

Caiu como uma surpresa essa contagem do Censo 2010. O próprio IBGE esperava mais de 191 milhões de brasileiros!

Nesse último decênio a população cresceu cerca de 9,4%, o que significa menos de 0,9% ao ano!

Algumas grandes cidades, como Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador mal cresceram. Porto Alegre cresceu somente 3.400 habitantes.

Que é que está acontecendo? Não se pode desconfiar desse Censo 2010, e poucas pessoas alegam que não foram entrevistadas. Alguma coisa aconteceu que estamos mal reproduzindo a nossa população. Esperava-se que a população brasileira começasse a declinar depois de 2030, quando atingisse cerca de 210 milhões de habitantes, porém, pelo visto, vai começar a declinar mais cedo...

E a população indígena, como ficou? Durante anos o IBGE e as Ongs alegavam que a população indígena brasileira chegava a 770.000 pessoas. Já os dados que tínhamos na Funai e na Funasa, chegavam a pouco mais de 500.000 por volta de 2007, quando sai da presidência do órgão.

Este ano o Censo 2010 acrescentou à pergunta sobre identidade étnica outra pergunta a respeito do povo ou etnia a qual pertenceria o auto-declarado. Acho que a nossa população indígena deve estar por volta de 550.000 auto-declarados indígenas que podem estabelecer um vínculo comunitário direto com um povo indígena existente, e que são atendidos de algum modo pelo estado brasileiro. Porém, um número ainda não determinado de brasileiros se auto-declaram indígenas por uma espécie de homenagem ao seu passado mas não sabem dizer de onde vieram e a qual povo pertence! No Censo de 2000 cerca de 300.000 a 400.000 assim se declararam e o IBGE nunca foi capaz de definir que índios seriam esses. Por exemplo, que haveria 60.000 indígenas em São Paulo e 30.000 na cidade do Rio de Janeiro. Acho que esses números não se repetirão.

Vamos aguardar os próximos dados do IBGE, com detalhamentos

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quantas línguas indígenas são faladas no Brasil?

Até ontem, eu achava que eram cerca de 170 a 180 as línguas indígenas ainda faladas no Brasil.

Matéria veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo, de hoje, apresenta o lingüista do Museu Goeldi, Denny Moore, dizendo que são só 150 línguas.

É importante que tenhamos esses dados corretos. É importante que saibamos quantos são os povos indígenas atuais (e tirar as ambigüidades sobre, por exemplo, se os Yanomami são um só povo ou quatro povos diferentes, falando quatro línguas diferentes) e qual sua verdadeira população.

O presidente da República sancionou como lei um projeto votado no Congresso Nacional que determina o ensino da história dos povos indígenas no currículo educacional brasileiro no nível médio.

Quem está se habilitando a escrever livros sobre história indígena brasileira? Serão escritos do ponto de vista da Igreja Católica, da teoria marxista da colonização, da visão gilbertofreyreana, do viés darcyribeirano, da visão onguista do mundo?

Os índios estão se preparando para escrever suas histórias?

Quanto à população indígena, é preciso que o IBGE -- já que a Associação Brasileira de Antropologia não se pronuncia, e a Funai espera a definição dos antropólogos -- defina quem são os índios e quantos há no Brasil. Será que uma pessoa que se declara índio, porque supõe ter tido uma avó ou bisavó (é sempre do lado feminino, nunca é um avô ou bisavô), pode ser considerado índio não só do ponto de vista de estatísticas, mas do reconhecimento do Estado? Poderá essa pessoa pedir reconhecimento para fins de cota em universidades?

Imagine a Funai reconhecendo como índio a pessoa que diz que teve uma bisavó indígena. Do ponto de vista genético, de acordo com as pesquisas do geneticista mineiro Sérgio Pena, são cerca de 30% da população brasileira, ou 56 milhões de pessoas!

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Com levantamento inédito de diversidade lingüística, Iphan pretende preservar patrimônio imaterial

Eduardo Kattah, Estado de São Paulo

Mapear centenas de línguas faladas no Brasil, à exceção do português, e retirá-las de uma espécie de "clandestinidade simbólica" é o objetivo de um inventário que começará a ser feito ainda este ano no País. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, em Belo Horizonte no último dia 15, a realização do levantamento, com base nas conclusões de um grupo de trabalho que se reuniu durante um ano e oito meses para discutir o assunto. O inventário deverá contemplar línguas indígenas, afro-brasileiras e de imigrantes, além das variedades do próprio português. Para iniciar o trabalho, o Iphan dispõe de um orçamento, em 2008, de R$ 450 mil.

"Embora sejamos vistos pelo exterior e por nós próprios como um país de uma língua só, na realidade não é isso que ocorre", destaca Márcia Sant'Anna, diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan.

"O interessante é que dentro dessa nossa unidade lingüística - que existe em torno do português - temos ainda um patrimônio importante até em termos mundiais." Parte desse patrimônio, porém, está sob ameaça de desaparecimento, pela falta de registro e de formas de transmissão. Não raro, observa Márcia, algumas línguas indígenas acabam restritas a grupos de poucas dezenas de pessoas. A estimativa é que existam cerca de 180 línguas indígenas que ainda são faladas no Brasil. "Em torno de 60 dessas línguas estão em risco de extinção", afirma a diretora do Iphan.

O lingüista Denny Moore, do Museu Paraense Emílio Goeldi - instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia -, porém, fez um levantamento mais recente e acredita que o número de línguas indígenas faladas no País não passa de 150. Do total, cerca de 25% estão ameaçados de desaparecimento "em curto prazo", afirma o pesquisador americano, radicado em Belém (PA) há mais de duas décadas. "Faltam informações sobre o número exato de línguas, de falantes dessas línguas", diz.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Censo Indígena em andamento

Aos poucos vão saindo matérias sobre o censo que o IBGE está fazendo nos municípios com menos de 200.000 habitantes, o que inclui quase todos os povos indígenas brasileiros.

Esta matéria vem do jornal Folha de Boa Vista e trata das dificuldades dos pesquisadores chegarem nas aldeias. Vão ter que ir de avião.

Devo dizer que tentei muito, como presidente da Funai, que este censo fosse feito junto com a Funai, inclusive contendo as questões que são importantes para este órgão realizar suas ações. Mas, o IBGE não topou, por pura birra.

Espero que este censo demonstre que o IBGE estava errado quanto ao número de índios no Brasil. No seu Censo de 2000 ele diz que há 770 mil pessoas que se auto-declaram indígenas. (Nesta matéria consta o número 735.000, que está errado.) Só na cidade do Rio de Janeiro seriam 30.000. Em São Paulo, 60.000. Muitas Ongs repetem esses dados para dizer que a Funai só reconhece índios de aldeias. Também errado.

Na minha estimativa o Censo Indígena, se for feito corretamente, deve chegar a pouco mais de 500.000. Quem viver, verá.

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Censo: IBGE vai alugar aviões para visitar aldeias indígenas

O IBGE dá seqüência, a partir desta semana a uma série de visitas de recenseadores a comunidades indígenas que vivem em áreas pertencentes a municípios com mais de 170 mil habitantes.

O trabalho faz parte dos Censos 2007 em Roraima e para visitar algumas aldeias o IBGE alugou aviões para alcançar os municípios mais remotos, alguns deles junto à fronteira do Brasil com a Guiana.

Serão visitadas etnias como Waimiri Atroari, na divisa dos estado de Roraima e Amazonas, que serão recenseados pela primeira vez. As aldeias têm 1.200 integrantes e só recentemente contatada pela Funai.

À época do último Censo Demográfico, no ano 2000, viviam no Brasil cerca de 735 mil índios, que representam cerca de 0,4% da população brasileira. Segundo a Funai, eles estavam distribuídos em 225 diferentes etnias.
 
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