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quarta-feira, 7 de julho de 2010

CIMI denuncia 60 assassinatos de índios em 2009

Mais uma vez o CIMI vem a público para lançar seu relatório anual de assassinatos e suicídios entre povos indígenas. Os dados são aterradores, coletados em notícias de jornais e por intermédio dos missionários e são veiculados do modo mais excruciante possível. A maioria dos casos graves vem do Mato Grosso do Sul e envolve os índios Guarani. Mas há chamadas para os conflitos no sul da Bahia, com os Tupinambá, e em outras partes do Brasil.

Nenhuma informação é dada sobre o protesto dos índios contra a reestruturação da FUNAI, a presença da Força Nacional na porta do órgão indigenista, a licença intempestiva dada pela atual direção da FUNAI sobre Belo Monte.

O sentido do relatório e da sua publicidade, de acordo com seus autores, é para que a situação de desgraça dos povos indígenas não se torne trivial.

O interessante é que mesmo esmiuçando esses dados e chamando o estado e a sociedade brasileiros de "racistas", o CIMI e seus colaboradores continuam aferrados a suas posições de peso nos órgãos que cuidam da questão indígena, tais como a Funai, a CNPI e o Gabinete Civil do governo Lula. E não vêem contradições nisso.

O CIMI reduz toda a problemática indígena brasileira à questão da terra, como se os povos indígenas que já têm suas terras demarcadas não tivessem graves problemas! Como se o órgão que assiste oficialmente aos índios, junto com a miríade de outros órgãos federais, estaduais e municipais, bem como as ONGs e as missões religiosas não tivessem sua dose de culpa nessa questão.

A questão indígena brasileira é maior do que todas essas análises simplistas. Fugir dela é jogar uma cortina de fumaça para que fique fácil de permanecer no erros que se exacerbam a cada dia.

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Sessenta indígenas foram assassinados em conflitos fundiários no ano passado


Gilberto Costa, repórter da Agência Brasil


Brasília – O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulga na próxima sexta-feira (9), na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas com dados de 2009. No ano passado, 60 índios foram assassinados, houve 16 tentativas de homicídio e 19 casos de suicídio, segundo o documento.
De acordo com o vice-presidente do Cimi, Roberto Antônio Liebgott, a “violência sistemática” contra os índios é causada pela disputa de terras e pelo que chamou de “omissão do Poder Público”. Em sua opinião, o Estado poderia ter resolvido o problemas se concluísse as demarcações das terras indígenas. Segundo o Cimi, há 24 terras indígenas já identificadas por grupos de trabalhos e mais 64 com portarias declaratórias do Ministério da Justiça em processo de demarcação, que antecede o decreto presidencial de homologação.
Liebgott disse à Agência Brasil que a maioria dos casos de assassinato dos índios ocorre em aldeias que se instalam entre as cercas das fazendas e a beira das estradas; como ocorre, por exemplo, com os Guarani Kaiowa e Guarani Ñandeva, em Dourados (MS), conforme constatado no local pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) em visita feita março em deste ano.
O relatório do Cimi informa que em Mato Grosso do Sul foram assassinados 33 indígenas, 54% dos casos. A antropóloga Lúcia Helena Rangel, que coordenou a pesquisa para a elaboração do relatório, questiona porque naquela região há problemas fundiários: “Quem falou que não cabe todo mundo lá?”, indagou. O estado também concentra os casos de suicídio indígena apontados no relatório
Mato Grosso do Sul é a segunda unidade da Federação com maior população indígena e é grande produtor de cana-de-açúcar, soja, milho e mandioca. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE (fevereiro de 2010), informa que a produção de cana no estado cresceu mais de 22% entre a safra de 2009 e 2010.
Além do MS, o relatório destaca a situação conflitiva entre fazendeiros e indígenas Tupinambá, no sul da Bahia. O Cimi afirma que em junho do ano passado a Polícia Federal agrediu e torturou cinco indígenas presos em uma operação de desintrusão nas dunas dos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema.
Lúcia Helena acredita que episódios como esses demonstram que a sociedade brasileira e o Estado são “racistas” e que o preconceito contra os índios é “uma situação histórica que não se alterou. A dificuldade de aceitarmos os direitos dos indígenas e de outros segmentos da população é da nossa formação social”, analisou. Para ela, o relatório do Cimi mostra mais um “instante” de um processo conflitivo existente há anos. “O Cimi faz o relatório desde 1993, mas poderia fazer desde 1500 [descobrimento do Brasil] que encontraria esse quadro.
Na opinião da antropóloga, o preconceito da sociedade em relação aos índios explica a demora na demarcação de terras e a falta de proteção aos indígenas e mostra porque esses direitos não são respeitados, embora estejam previstos. “A lei não faz a cabeça de ninguém. A sociedade brasileira produziu uma ideologia anti-indígena”, destacou. “Formamos uma sociedade que constituiu sobre outra. Por isso consideramos as manifestações culturais dos índios como menores”, acrescentou.
O relatório do Cimi é elaborado com base nas notícias publicadas em jornal e na internet, especialmente em meios locais, e contabiliza apenas os registros confirmados pela equipe de pesquisadores.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A tragédia guarani prossegue

Relato conciso de uma tragédia que não acaba

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Dois índios são encontrados enforcados no sul de MS



Dois índios guarani-kaiowá foram encontrados enforcados nos últimos dias em aldeias de Caarapó e Juti, na região sul de Mato Grosso do Sul. Os dois casos são investigados pela Polícia Civil como suicídio. Na aldeia Tey Kuê, em Caarapó, Irineu de Souza, 26, foi encontrado morto na segunda-feira, um dia após desaparecer de sua casa.

A sogra de Irineu, Constância Vilhalba, disse que ele teve uma discussão no domingo e falou para a esposa que iria se matar. Irineu correu para uma mata nos arredores da aldeia e no dia seguinte foi encontrado pendurado em uma árvore.

Ontem à noite, na aldeia Taquara, em Juti, a adolescente indígena Sandra Vilhalba, 14, foi encontrada enforcada em uma árvore perto da casa da irmã. Sandra morava na aldeia Tey Kuê, em Caarapó, e passeava na casa da irmã, que mora na aldeia de Juti. De acordo com a rádio Grade FM, a adolescente teria contado à irmã que perdeu a vontade de viver após o fim de um namoro com um jovem da aldeia de Caarapó.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Governador do MS pede a Dilma Roussef que suspenda portarias da Funai

A ministra Dilma Roussef, tida como a factotum de Lula, está recebendo pressão política de todos os lados em relação ao reconhecimento de terras indígenas. Não se sabe exatamente o que ela pensa de tudo isso. Sabe-se apenas que ela quer negociar acordos políticos para sua campanha a presidência. A conversa durou três horas.

Recentemente foi o governador André Puccinelli, do Mato Grosso do Sul, que chegou perto dela com diversas demandas. Uma delas foi para que a Funai suspendesse as portarias de estudo para reconhecimento de terras indígenas para os índios Guarani daquele estado. Essas portarias vêm provocando as maiores celeumas já vistas na questão indígena brasileira dos últimos 30 anos.

Que disse a ministra Roussef? Não se sabe. Não deve ter dito que vai fazer o que o governador quer que ela faça. O que sabemos é que os estudos de campo estão paralisados, mas os GTs estão constituídos e seus membros parecem em atividade.

Recentemente um grupo de índios Guarani que tinha adentrado uma fazenda no município de Rio Brilhante, vindo da T.I. Panambi, foi forçado por ordem judicial a sair dessa fazenda, onde, inclusive, já vivia há um ano e meio, com casas construídas e tudo. Suas casas foram queimadas por gente dos fazendeiros para deixar claro que não querem a volta dos índios. Em outra matéria dos jornais de Mato Grosso do Sul, um dos donos da tal fazenda pede ao Ministério Público que providencie as ordens para que seja exumado e retirado o cadáver de uma criança Guarani que havia morrido e enterrado na fazenda durante o tempo em que esse grupo de Guarani esteve lá.

A situação está crítica no Mato Grosso do Sul. O ódio anti-indígena está acirradíssimo. Alguém está contente com isso?


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André pediu para ministra retirar portarias da Funai
Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009 17:44Reportar erro | Comentários(0)
Paulo Fernandes
Fernando Dias
Governador André Puccinelli não conseguiu convencer Dilma sobre portarias da Funai
Durante a reunião com a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) na última terça-feira, o governador André Puccinelli pediu a retirada das portarias da Funai (Fundação Nacional dos Índios) sobre os estudos antropológicos que visam a demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul.

“Pedi para não negociarmos com a faca no pescoço”, justificou o governador, que não conseguiu convencer a ministra sobre este assunto. Puccinelli conversou com o Campo Grande News na tarde de hoje, na Unei Dom Bosco, onde entregou um ambulatório.

Puccinelli também discutiu com Dilma sobre o zoneamento ecológico-econômico do governo federal que proíbe o plantio de cana-de-açúcar e da instalação de usinas em toda a Bacia do Alto Paraguai.

O governador acredita que a proposta é radical, já que o governo do Estado tem um estudo que garante não ter problemas na plantação de cana-de-açúcar em alguns pontos. Puccinelli não conseguiu convencer Dilma também sobre este aspecto.

Puccinelli ficou com a ministra por três horas, incluindo almoço e reunião, mas garante que não conversou com ela sobre as sucessões presidencial e do governo do Estado. PMDB e PT são aliados em plano nacional.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Doze índios AWÁ, da Colômbia, são assassinados

Mais uma vez é sobre os índios Awá, do sul da Colômbia, fronteira com o Equador, que recai a mais pesada violência. com o assassinato bárbaro de 12 pessoas, entre elas, quatro crianças. A violência vem ou da parte das FARCs ou da parte do Exército colombiano.

Desde o ano retrasado estamos lendo sobre mortes de índios Awá. Em determinado momento, pôs-se em dúvida se houvera mortes de verdade. Agora não restam sombras de dúvidas. Os cadáveres estão aí, pertencem a uma só família e portanto parece ter sido assassinato premeditado. A Colômbia está estarrecida com o acontecido. A ONU foi convocada para ver de perto a situação e pressionar por providências mais duras. Já o governo de Uribe também aproveita para culpar grupos guerrilheiros pelas mortes.

O povo Awá soma cerca de 11.000 pessoas e vive na região do Tumaco, no estado (departamento) de Nariño, na muito longe da fronteira com o Equador.

Na matéria abaixo, o líder indígena Luis Evelis Andrade, presidente de uma das maiores organizações indígenas da Colômbia, levanta sérias suspeitas sobre a atuação do Exército colombiano.

Conheci Luis Evelis em diversas reuniões internacionais sobre povos indígenas. Acho que ele está falando sério.

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Suspeitas de massacre de indígenas na Colômbia recaem sobre militares

BOGOTÁ, Colômbia — Líderes indígenas manifestaram nesta quinta-feira suspeitas relacionadas à participação de membros dos Exército no assassinato de 12 indígenas, 4 deles crianças, ocorrido na véspera, indicaram à AFP.

"Para nós, é muito suspeito que o massacre tenha sido cometido na casa e contra a família da senhora Tulia García, esposa de Gonzalo Rodríguez, indígena assassinado no dia 23 de maio por membros do Exército. Ela era testemunha da Procuradoria nesse crime", ressaltou Luis Evelis Andrade.

Andrade, presidente da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), lembrou que, desde que se tornou testemunha da Procuradoria contra os militares, García vinha recebendo diversas ameaças de morte.

"Não podemos dizer que foram eles (militares), mas nos parece muito suspeito e nos leva a pensar que há alguma ligação entre esse massacre e a pretensão de abafar qualquer denúncia", disse Andrade em declarações à AFP.

Homens encapuzados atacaram na quarta-feira uma reserva da etnia Awá, no sul da Colômbia, na fronteira com o Equador, em uma área que já foi cenário de dezenas de crimes atribuídos a uma guerra pelas rotas do narcotráfico.

O ataque foi cometido por "homens encapuzados que vestiam roupas militares" na reserva de Gran Rosario, departamento de Nariño, disse Andrade.

Cerca de 11.000 Awá ocupam uma faixa que inclui várias reservas entre o sul da Colômbia e o norte do Equador, que é usada por narcotraficantes para o transporte de drogas para o Oceano Pacífico, segundo registros policiais.

Segundo a ONU, a maior parte dos 64 assassinatos de indígenas ocorridos este ano seria responsabilidade da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Os Awá denunciaram que são alvo de uma campanha de extermínio por sua decisão de se manterem neutros no conflito colombiano.

O governo do presidente Alvaro Uribe havia "repudiado e condenado" o assassinato e ofereceu recompensa de até 100 milhões de pesos (cerca de 50.000 dólares) "a quem fornecer informação que leve à captura dos autores materiais e intelectuais desse massacre".

domingo, 5 de abril de 2009

Encontrados corpos de índios colombianos massacrados pelas FARC

Não está fácil para os índios colombianos. A presença maciça, e agora desordenada, sem rumo, das FARC vem provocando muitos transtornos nos povos indígenas em cujas terras as FARC têm base ou realizam ações de guerrilha.

Recentemente, isto é, no ano passado, um pelotão das FARC invadiu uma aldeia e sequestrou diversos índios da etnia Awa, quase na fronteira com o Equador. Depois, alguns Awa saíram à procura de seus patrícios e foram massacrados.

Sabia-se da notícia, mas não se tinha certeza. Agora, parece que acharam os corpos de diversos Awa e o massacre ficou confirmado.

Eis como relata a notícia a Agência Ansa_

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ENCONTRADOS CORPOS DE INDÍGENAS DE MASSACRE ATRIBUÍDO ÀS FARC

Bogotá, ANSA

Um grupo de indígenas da etnia Awa recuperou oito corpos de membros de sua comunidade, assassinados em duas ações atribuídas ao grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Os indígenas haviam saído há uma semana em busca de 17 pessoas, que haviam sido levadas pelas Farc em fevereiro passado, em Tortugaña, no departamento (estado) de Nariño, na fronteira com o Equador.

Segundo a Organização Nacional Indígena (Onic), foram encontrados os corpos de tres irmãos, assassinados pelas Farc em setembro de 2008. Os outros cinco faziam parte dos 17 desaparecidos de fevereiro, duas das vítimas eram mulheres e estavam grávidas.

"Condenamos o modo como atuaram as Farc ao degolar, torturar e assassinar nossos irmãos Awa, entre eles duas mulheres grávidas de sete e oito meses de gestação. Assassinar crianças que ainda não nasceram para justificar uma revolução é um ato infame e repudiável a partir de qualquer ponto de vista", disse a Onic em um comunicado.

Por outro lado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) denunciou a situação de outra comunidade indígena, localizada ao noroeste do país. De acordo com o comitê, devido a confrontos entre grupos armados e o Exército colombiano, pelo menos 600 indígenas da comunidade Emberá foram obrigados a deixar suas terras.

Os Emberá, que estão instalados nas proximidades do rio Baudó, no departamento (estado) de Choco, iniciaram a desocupação forçada da região em 25 de março, e "há várias semanas enfrentam fortes consequências humanitárias devido ao conflito armado", disse o comitê, explicando que o grupo é composto majoritariamente por mulheres e crianças.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Índios ocupam terra e são repelidos a bala por jagunços


Os índios de Raposa Serra do Sol, liderados pelo grande cacique Jacir José Souza Makuxi, resolveram agir. Como, aliás, haviam prometido há alguns dias.

Partiram para a região onde está a fazenda do arrozeiro-mor, Paulo César Quartiero, e começaram a construir algumas casas para abrigar famílias. Querem ocupar a área com a formação de uma aldeia. Aí os seguranças do arrozeiros souberam e vieram em cima tomar satisfação. Os índios resistiram às ordens de evacuar e começou um tiroteiro brabo. Dez índios saíram feridos, três em condições de perigo de morte, tanto que foram retirados da área por avião até Boa Vista. Felizmente passam bem. Os jagunços dizem que foram recebidos à flechadas, mas nenhum saiu ferido. Muito desigual a coisa...

Há dois anos os mesmos índios haviam construído uma aldeia ao sul da terra reivindicada por Quartiero. Pela pressão que sofreram, terminaram abandonando essa aldeia. Agora querem reconstrui-la como tática para a ocupação da área na saída do arrozeiro.

Segundo matéria do jornal Folha de São Paulo, que traz a notícia com mais detalhes do que os demais jornais, o ministro Tarso Genro, que estava ontem em Manaus, vai hoje a Boa Vista comandar a operação de sossega-leão, já que não pode dar conclusão à Operação Upatakon, de retirada dos arrozeiros, por conta da decisão provisória do ministro Ayres Britto.

O embroglio quase deu morte. Este é a primeira conseqüência perigosa da decisão do ministro Britto. Agora ele tem que apressar sua decisão. O Brasil não pode ficar esperando ver um desastre acontecer sem decisão judicial. O pior é que ontem o ministro Marco Aurélio Mello disse que achava que deveria haver novas pesquisas na região para definir o que era e o que não era indígena. Isto é, a coisa pode se manter indecisa por muito tempo e, como sabemos nós os antropólogos, os tempos de indecisão, de liminaridade, são os tempos em que tudo pode acontecer...

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Nove índios são feridos em conflito em reserva de RR
Confronto foi contra seguranças de fazenda de arrozeiro na Raposa/Serra do Sol

Três indígenas em estado mais grave foram levados para Boa Vista; os dois lados têm versões distintas para o início da briga em Roraima

ANDREZZA TRAJANO
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA, EM PACARAIMA (RR)

JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA

Oito índios foram feridos a tiros por seguranças de uma fazenda do arrozeiro e prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM), no interior da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Além deles, outro indígena ficou ferido com coronhadas de revólver.

Segundo o delegado da Polícia Federal Everaldo Eguchi, o conflito ocorreu na região do Surumu, em Pacaraima, após a chegada de cerca de cem índios ligados ao CIR (Conselho Indígena de Roraima) à fazenda Depósito, de Quartiero. Pela manhã, o delegado recebeu a informação sobre a movimentação dos índios. Foi informado também que "pistoleiros" contratados pelo arrozeiro estariam chegando à área. Decidiu, então, enviar uma equipe ao local. Com a chegada dos índios pela manhã, o arrozeiro mandou que funcionários da fazenda os expulsassem.

Segundo Quartiero, eles foram recebidos a flechadas pelos indígenas e reagiram com tiros e bombas. Já o CIR disse que os homens chegaram atirando, munidos, entre outras armas, de espingardas calibre 12 e de bombas de fabricação caseira.

O delegado da PF informou que, dos 9 índios feridos, seis -5 deles com ferimentos provocados por tiros- foram socorridos em um carro da Funai e levados ao hospital de Pacaraima. Outros três índios que receberam tiros, em estado mais grave, foram de avião para Boa Vista. Um deles teria levado um tiro no rosto. Segundo o CIR, eram dez os feridos.

Ontem, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse em Manaus que vai se deslocar hoje para Roraima para acompanhar os desdobramentos do conflito. "Orientamos que a PF aja com a mesma cautela que agiu quando ocorreu a resistência paramilitar dos fazendeiros. São resistências inaceitáveis."

"Entrevero"

"Eles [os seguranças] foram lá exigir a retirada [dos índios]. Era uma ordem. Foram recebidos a flechadas. Deu um entrevero e aí teve como resultado vários feridos. A ordem que dei [aos seguranças] é defender as fazendas. Eles atiraram porque foram flechados. Do meu pessoal [os seguranças] não sei se tem feridos", disse Quartiero.

Jacir José de Souza, da coordenação do CIR (Conselho Indígena de Roraima), disse que funcionários de Quartiero chegaram atirando bombas e disparando tiros contra o grupo. "Os índios resolveram agora partir para ocupar sua terra. E vamos ocupar.
A terra é nossa. Desde a homologação [feita em 2005], a terra é nossa. Os jagunços chegaram, todos armados, atirando bombas e disparando contra o grupo." Para Souza, os não-índios que continuam na reserva "têm de ser punidos".

Até o início da noite não houve prisões relacionadas ao caso. Os funcionários de Quartiero fugiram. Quatro índios que estavam na fazenda foram ouvidos pela PF. Um inquérito foi instaurado. Segundo o delegado da PF, o conflito no interior da fazenda do arrozeiro foi registrado por uma filmadora que estava com um dos indígenas.

Para a PF há risco de novos confrontos na região com a chegada de mais índios à fazenda. No local do conflito, indígenas armados com foices diziam que ficariam no local até a saída de Quartiero da terra indígena.

No final da tarde, cerca de 20 homens, entre agentes federais e soldados da Força Nacional de Segurança, reforçavam o policiamento. Mais índios chegaram à fazenda em caminhões.

Em abril de 2005, o presidente Lula assinou o decreto homologando a reserva. Em abril deste ano, a PF chegou à região para a operação de retirada dos arrozeiros, quando teve início uma série de protestos. Roraima pediu e, em caráter liminar, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a ação. O Supremo julgará o mérito da ação neste semestre.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

CIMI divulga estatísticas de assassinatos de indígenas brasileiros

O CIMI, todo ano, cumpre um dever que se auto-impôs de mostrar as estatísticas de assassinatos de índios pelo Brasil afora. Não sei exatamente qual o propósito desse dever macabro, já que não é delegacia de polícia, nem secretaria de segurança pública. E para que o fosse, teria de divulgar os assassinatos de não índios por índios, que ocorrem pelo Brasil afora. Nunca, por sua vez, o CIMI se regozijou com os ganhos obtidos ao longo dos anos. Estatística do bem, para eles, não vale.

Enfim, é pesaroso comentar essa notícia, mas está nos jornais do país.

Nos anos que fui presidente da Funai, as primeiras apresentações dessas estatísticas não distinguiam se o assassinato fora de fora para dentro, isto é, cometido por não-índios contra índios, ou se era de índio contra índio, ou se era por acidentes fatais. Lembro-me que o coordenador-geral de defesa dos direitos indígenas da Funai, o indígena Vilmar Guarany, que é advogado (e está fazendo um mestrado em direito ambiental na Universidade Federal do Paraná), pesquisou as razões de cada um dos 33 assassinatos divulgados em 2004 e viu que 30 deles haviam sido cometidos ou entre os índios, por motivos os mais diversos, ou teriam ocorrido por acidentes, tais como atropelamentos de automóveis. Nos anos seguintes, o CIMI procurou ser mais fiel às circunstâncias e começou a fazer alguma distinção.

Eis que surge esse ano esse novo relatório, o qual vem sendo pré-divulgado há um mês. Grosso modo, a violência aumentou entre os índios em 64%, passando de 56 casos em 2006 para 92 em 2007. No Mato Grosso do Sul, onde se concentram mais da metade dos assassinatos, o aumentou foi de quase 100%, de 27 para 53 casos de assassinatos.

Por que esse aumento brutal?

A resposta da pesquisadora do CIMI é de que os índios carecem de terras, especialmente os Guarani de Mato Grosso do Sul. Mas isto não responde ao fato do aumento ter sido tão brutal no número de assassinatos, já que a quantidade de terras não encolheu, ao contrário, o ano passado os índios daquela região obtiveram um pequeno aumento de terras.

Por outro lado, o Governo vem fazendo enormes investimentos na região, através da Funasa e da própria Funai, inclusive com mudanças de administração e de administradores. Por que esses investimentos não deram certo? E os tantos conselheiros contratados a bom preço para ajudarem a nova administração de Dourados, por que não melhoraram essas estatísticas? Isto é algo tão misterioso quanto o fato de eles não saberem porque o índice de suicídios entre os Guarani é tão elevado.

Eu não sei quem tem prazer em apresentar estatísticas de assassinatos entre índios. Mas que estatísticas positivas poderiam ter sido apresentadas para o ano passado? Só desmatelos e inépcia da parte da Funasa e da Funai. Os frutos estão sendo colhidos agora.

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Relatório do Cimi aponta aumento no número de índios assassinados no país

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O número de índios assassinados cresceu 64% de 2006 para 2007, passando de 56 para 92 casos registrados em uma população total de 734 mil indígenas no país. A maior parte dos casos, ocorreu em Mato Grosso do Sul, onde 80 índios foram mortos nesse período: 27 em 2006 e 53 em 2007, indicando um aumento de 99% nos crimes de um ano para outro.

As informações fazem parte do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2006/2007, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica que acompanha a questão indígena há 36 anos e desde 1998 publica o relatório bianual. O relatório foi apresentado hoje (10) na 46ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, no município de Indaiatuba, São Paulo.

O documento, que aborda também questões de invasão de terras, trabalho escravo e falta de assistência nas áreas da saúde e educação indígenas, aponta a questão fundiária como o principal fator responsável pelo aumento na violência entre e contra os índios.

Segundo a organizadora do relatório, Lúcia Rangel, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o aumento de assassinatos é resultado da crescente tensão no cotidiano das comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

Ela disse que, por falta de terras, os índios vivem em acampamentos à beira das estradas ou “confinadas” em reservas, como a de Dourados, no sul do estado, onde 12 mil índios da etnia Guarani-Kaiowá vivem em cerca de 3,4 mil hectares. De acordo com o relatório, a maior parte dos assassinatos que tiveram autoria identificada foi cometida por índios.

“É uma população que não tem onde plantar, não tem como reproduzir seus meios básicos de vida, e daí decorre uma série de problemas, como desnutrição e mortalidade infantil, suicídio de jovens e conflitos internos, com assassinatos de índios por índios, e também de indígenas por seguranças de fazendeiros que não querem abrir mão de uma parte das suas terras.”

Conforme o levantamento do Cimi, um índio da reserva de Dourados dispõe de um espaço 20 vezes menor do que o de uma cabeça de gado no estado: para o gado, há em média 7 hectares de terra, enquanto na reserva de Dourados há cerca de 0,3 hectare por pessoa (o equivalente a um espaço de 30 metros quadrados ou faixa de uma sala de três por dez metros).

Lúcia Rangel lembrou que a reserva foi criada para reunir índios da etnia Guarani-Kaiwoá que estavam dispersos em Mato Grosso do Sul antes da ocupação do estado com a criação de gado e o plantio em larga escala de algodão, milho e soja e, mais recentemente, de cana-de-açúcar destinada ao biodiesel. Em Mato Grosso do Sul, além de Dourados, quatro áreas foram destinadas à etnia que, segundo o Cimi, reúne cerca de 40 mil índios no estado. As cinco áreas totalizam 40 mil hectares. Porém, os índios reivindicam da Funai a demarcação de mais 100 terras que no passado teriam sido ocupadas por eles, e a disputa pela posse de tais áreas vem gerando conflitos externos.

Uma das reivindicações da etnia é reaver suas antigas aldeias em Mato Grosso do Sul, disse a pesquisadora. “O estado deu prioridade a um projeto de desenvolvimento baseado no agronegócio, com plantações em larga escala e criação do gado em detrimento da demarcação da terra indígena, e o índios ficaram sem as terras.”.

O relatório também destaca o impacto negativo para os índios do trabalho em usinas e fazendas de cana-de-açúcar, por falta de outras alternativas de subsistência. Houve quatro assassinatos em alojamento de usinas e dois casos de trabalho escravo comprovados pelo Ministério do Trabalho no ano passado – um em março, envolvendo 150 índios, e outro, em novembro, com mais de 1.100 indígenas encontrados em situações de trabalhodegradante.

Também foram relacionados casos de violência contra índios, com assassinatos, exploração ilegal e invasão de terras indígenas, em 2006 e 2007, nos estados do Maranhão, Pernambuco e Espírito Santo.

No Maranhão, segundo estado com maior número de assassinatos, foram registrados 10 mortes de índios Guajajara no período em episódios relacionados à invasão de aldeias por madeireiros e ao contato com a estrada de ferro da empresa Vale do Rio Doce, que corta a terra indígena.

No Espírito Santo, foi destacada a disputa por terras entre os índios Tupinikim e Guarani e a empresa Aracruz Celulose, com uma série de conflitos violentos que só cessaram no ano passado com a demarcação definitiva das terras indígenas. O relatório atribui o aumento da violência contra os povos indígenas à omissão e lentidão do governo federal em demarcar as terras.

Procurada pela Agência Brasil desde terça-feira (8), a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou, por meio da assessoria de imprensa, que o presidente do órgão, Mário Meira, não tinha agenda disponível para comentar os resultados do relatório, disponibilizados com antecedência para órgãos de imprensa.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Advogado indígena quer reconstituição da morte de Ramão Machado

O advogado indígena Wilson Mattos está determinado a levar o caso da morte de Ramão Machado por policiais da cidade de Naviraí a se tornar um caso de excesso de rigor da lei.

De fato, os dados que temos sobre essa morte nos levam a crer que os policiais tinham alternativas para prender Ramão Machado, apesar da resistência que ele impôs. Ao invés, deram tiros, que o mataram e feriram mais três indígenas.

Wilson Mattos está nessa luta só. Nenhuma Ong, nem o CIMI (que tanta questão faz de alardear assassinatos e mortes de índios Guarani do Mato Grosso do Sul) veio ao seu socorro. Ele está certo no que está fazendo e merece a solidariedade e o apoio dos indigenistas e antropólogos brasileiros.

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CASO RAMÃO MACHADO


PM está com medo de represália indígena

Advogado da família da vítima pede que o soldado Timóteo seja apresentado à sociedade e afastado de suas obrigações
6.Mar.2008 | NAVIRAÍ - A Polícia Militar de Naviraí está em uma situação delicada no caso Ramão Machado. Que a cada dia fica mais tensa no município. Tanto é que policiais militares que estariam de plantão no dia e que estão sendo ouvidos, não escondem que estão com medo. Segundo o Portal MS, eles estão temendo uma represália por parte dos indígenas que se encontram na cidade acompanhando passo a passo os fatos desde a madrugada de domingo, dia 2, quando o líder indígena foi morto por dois tiros disparados pelo policial Timóteo dos Santos, que é apontado por testemunhas como o autor da morte de Ramão.

A soldado da PM de Naviraí, Ivânia, disse por telefone à reportagem do Portal MS, que os policiais temem por suas vidas e seus familiares. "Eles têm famílias, tem filhos. Eles estão com medo", disse o soldado.

E o jogo de empurra-empurra, ao que tudo indica, só irá terminar após o laudo técnico. O major José Maidana, que responde pelo Comando do 12º Batalhão de Naviraí, através de nota oficial, ressaltou "que havia quatro policiais na guarnição e que foram efetuados outros disparos, que podem ter atingido Ramão. As armas utilizadas durante a ocorrência estão sendo periciadas para levantamento exato dos fatos, não sendo possível, até então, afirmar com certeza, a verdadeira autoria dos disparos que causaram a morte do indígena," destaca a nota.

Outros três indígenas foram baleados na ação da PM: Alexandre Ferreira, 19 anos, Ronildo Gonçalves, 21 anos e um adolescente de 16 anos. Apenas Ronildo permanece internado na Santa Casa de Naviraí.

Defesa

O presidente do Comitê de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Mato Grosso do Sul, Wilson Matos, disse que tecnicamente os fatos da morte do líder indígena Ramão Machado estão evidenciando que houve uma execução e não um ato em legítima defesa do policial militar Timóteo dos Santos.

Wilson achou estranho o fato de haver 11 policiais (sendo sete em serviço – com arma e mais quatro como testemunhas) e eles não terem conseguido conter um senhor de 62 anos, desarmado.

O advogado perguntou – "Será que não daria para conter o Ramão apenas com uma algema, já que ele era um agressor, ou que na pior das hipóteses, com um tiro contra uma perna?".

Wilson acredita que houve excesso policial e afirmou que está pedindo uma reconstituição dos fatos. "Os policiais são preparados para defender a sociedade, não para matar os membros dela. E da PM, uma instituição centenária, de nome e relevantes serviços prestados para a população, e o que se pode esperar dela é que entregue este policial (se referindo a Timóteo dos Santos) para a Justiça, além de afastá-lo definitivamente de suas funções", disse ao site Sul News.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Policial mata líder indígena em Mato Grosso do Sul

O clima de violência e tensão entre índios e policiais no Mato Grosso do Sul segue a toda.

Desta vez o resultado foi a morte de Ramão Machado, conhecido líder Terena na Terra Indígena Dourados. Segundo as informações dos jornais Campo Grande News e Midiamax, ele estava numa festa em Naviraí e entrou numa confusão com os policiais ao tentar libertar alguém que estava sendo levado à prisão pela Polícia Militar. Saiu da confusão mas foi seguido por policiais que lhe deram voz de prisão. Aí a confusão foi maior e resultou em tiros. Três outros índios foram baleados.

Veja notícia abaixo e também no mídiamax

Ramão Machado era um dos líderes mais expressivos da Terra Indígena Dourados. Tinha fama de controlador de muitas das atividades da região. Não era bem quisto pelas Ongs e pelo CIMI. O advogado indígena Wilson Matos acompanhou a liberação do corpo e expressou sua revolta pela morte de seu parente, acusando os policiais de violência e discriminação.

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PM diz que conflito começou após agressão de índios

Nadyenka Castro

Em nota oficial divulgada à imprensa, a PM (Polícia Militar) de Naviraí, cidade que fica a 352 quilômetros de Campo Grande, disse que o conflito que resultou na morte do líder indígena Ramão Machado da Silva, 62, começou após agressões de índios.

Os policiais faziam patrulhamento nas proximidades de uma danceteria, quando detiveram Edson Ramos Velasques, 38 anos, que segundo a PM, estava fazendo desordem nas proximidades de uma danceteria.

Edson foi colocado no camburão e então várias pessoas interviram para que ele fosse solto, inclusive agredindo o policial responsável. Um outro policial tentou intermediar a situação e foi agredido por Ramão, que ainda tentou tomar a arma do militar.

Foi dada voz de prisão a ele, que desobedeceu, causando um tumulto ainda maior no local e em seguida fugiu. Ele acabou sendo localizado na Rua Júlio Soares e agrediu novamente o policial.

Conforme a nota, com a ajuda de colegas e familiares, Ramão conseguiu pegar o cacetete do policial e arrasta-lo para dentro de um veículo, onde foi agredido. Os índios teriam ainda tentado pegar a arma.

O policial então atirou, mas Ramão continuou. A nota diz ainda que o policial conseguiu sair do carro e o indígena passou a agredir outro militar. Foi quando levou outro tiro e acabou sendo encaminhado pelo Corpo de Bombeiros para o hospital municipal, onde morreu horas depois. Ramão era liderança indígena em Dourados.

Na confusão, outros três índios ficaram feridos a tiros: Alexandre ferreira, 19 anos, Ronildo Gonçalves, 21 anos e um adolescente de 16 anos.

Segundo a nota, um dos policiais agredidos está com ferimentos pelo corpo, cabeça, olho direito e boca. A PM vai abrir inquérito administrativo para apurar o caso.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quinze índios são assassinados, reconhece governo do Equador

O Equador é o segundo país da América Latina com a maior população indígena proporcional e talvez o mais bem organizado movimento indígena. Já derrubaram dois governos nos últimos 6 anos e agora estão apoiando o presidente Correa, que pretende seguir uma carreira parecida com a de Hugo Chavez.

O movimento indígena é mais forte no altiplano, onde vivem comunidades distintas, mas descendentes do período incaico. Na chamada "selva" vivem povos parecidos com os brasileiros, como os Ashuara, que também são bem estruturados politicamente. Há, ainda, alguns povos indígenas que vivem autonomamente. Um deles é o povo Waorani.

A notícia abaixo, um pouco confusa em relação aos números, diz que o governo equatoriano reconhece a matança de 15 indígenas do povo Waorani, provavelmente por madeireiros que queriam entrar em seu território, que é um parque nacional.

A notícia é dramática. Acontece que nesse parque existe também a presença de petróleo e alguns empresas, inclusive a Petrobrás, tem planos de explorar esse petróleo.

Há uma campanha bastante disseminada na mídia equatoriana e internacional sobre a defese do povo Waorani. É importante que o governo equatoriano tome as providências para punir os assassinos exemplarmente. Se não, a coisa vai estourar.

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EQUADOR RECONHECE MATANÇA DE ÍNDIOS POR MADEIREIRAS

QUITO, 18 FEV (ANSA)

O ministro coordenador de Segurança Interna e Externa do Equador, Gustavo Larrea, reconheceu hoje que índios em isolamento voluntário na selva da Amazônia sofreram uma "matança", na qual faleceram 15 pessoas, de acordo com versões de dirigentes indígenas.

O presidente da etnia Waorani, Enqueri Ehuenguime, manifestou que cerca de 15 índios foram assassinados por fazerem oposição à derrubada ilegal de cedro e outras madeiras finas dentro de seu território, na região do Parque Nacional Yasuní.

"Efetivamente houve a matança", disse o ministro Larrea à imprensa na casa presidencial.

Larrea discrepou sobre a quantidade de vítimas, pois mencionou que "a informação precisa é que se trata de cinco pessoas (assassinadas)".

O ministro acrescentou: "não conseguimos até o momento recuperar os cinco cadáveres. Esperamos que as ações de busca que começaram há quatro dias dêem resultados e possamos ter hoje ou amanhã o resgate dos corpos".

Organizações indígenas denunciaram na semana passada que ao menos cinco membros dos povos tagaeri e taromenane, ambos da nacionalidade Waorani e que estão em isolamento voluntário, morreram após ataques de madeireiros colombianos.

O ataque ocorreu entre 4 e 6 de fevereiro dentro da zona protegida do Parque Yasuní, na província de Orellana.

O governo integrou uma missão especial com delegados de vários ministérios, o Exército e a Polícia para investigar os fatos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Rikbatsa quer vingar morte de parente

Atentem para essa notícia vinda do Diário de Cuiabá, que já tinha saído em jornal menor da cidade de Juara, Mato Grosso.

Ao que parece, um índio Kaiabi, que vive na Terra Indígena Rio dos Peixes, matou um índio Rikbatsa durante o Carnaval.

Os Rikbatsa são índios muito orgulhosos de suas tradições, muito valentes. Um povo de fala Jê incrustrado num mundo de povos que falam tupi e aruak.

Um grupo de quarenta a cinquenta Rikbatsa foram até a cadeia pública de Juara para exigir a entrega do suposto índio Kaiabi assassino de um dos seus parentes. A intenção era fazer justiça conforme a tradição rikbatsa.

Naturalmente que o delegado de Juara, com muita diplomacia e com certo receio, não entregou o Kaiabi e alegou que ele não estava mais na cadeia. Sua justificativa foi de que os Rikbatsa iriam levar o Kaiabi para sua aldeia, matá-lo e depois comê-lo num ritual antropofágico. Aí já é por conta do delegado para dar colorido à sua atitude. Entretanto, os Rikbatsa adquriram fama na região por praticar a antropofagia ritual com seus inimigos. Mas, há anos não pratica esse ritual.

A Funai tem que estar presente nessa ocasião e ajudar a resolver o problema. Essa matéria se encontra em Notícias Online, logo ao lado.
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Delegacia é invadida por índios

ROSANI TRINDADE
Da Reportagem/Sinop

A delegacia de Polícia Civil de Juara (a 709 quilômetros de Cuiabá), foi invadida, na quarta-feira, por aproximadamente 50 índios rikbaktsa que pretendiam resgatar e linchar um índio kayabi preso no local há uma semana, acusado de homicídio.

O grupo chegou à delegacia por volta de 23h e tomou conta de pontos estratégicos, deixando policiais que estavam de plantão vulneráveis ao ataque, pois os índios estavam armados para guerra com flechas, cacetetes e até foices.

A intenção dos indígenas da etnia rikbaktsa (canoeiros), de Juína, era se vingar do preso Gildo do Carmo kutap Kayabi, 18 anos, acusado de matar a pauladas o índio rikbaktsa Valdiney Jurue-yi Mani, 25 anos, durante o Carnaval.

De acordo com o delegado Joáz Gonçalvez, o grupo queria fazer justiça com as próprias mãos, de acordo com as leis da etnia. “Eles queriam levar o assassino, matar e comer a carne do inimigo, é a conhecida prática do canibalismo”, explicou Joáz.

As negociações se mantiveram até 2h da madrugada. “Eles somente se acalmaram quando pedi que formassem uma comissão de quatro índios para que verificassem que o acusado não estava mais na delegacia, pois o preso tinha sido transferido para outro município. Mesmo assim prometeram voltar em 30 dias, pois querem eles mesmos fazer justiça. Tivemos que amenizar a situação com muita calma, provando que não havia nenhum índio preso e também para não haver confronto entre a polícia e os integrantes da aldeia”, relatou.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Triplicam mortes de indígenas em 2007

Os dados confrontados entre a Funasa e o CIMI mostram que a situação de assassinatos entre índios brasileiros piorou muito esse ano passado. Três vezes mais do que em 2006. É de espantar tantas mortes, tantas brigas internas entre os próprios índios.

Podemos perguntar, por que?

A gestão nova da Funai deu uma resposta envergonhada. "Estamos cuidando disso e já fizemos uma comissão interministerial que está a postos".

Não será porque prometeram tanto e não cumpriram nada? Abriram perspectivas e as fecharam em seguida?

Onde está a indignação do CIMI com o fato de que nenhuma terra indígena no Mato Grosso do Sul foi demarcada ou delimitada?

Onde está a indignação do CIMI com o fato de que nenhuma terra indígena foi demarcada em Santa Catarina, ao contrário, todos os processos estão paralisados?

Cadê a Anistia Internacional fazendo acusações ao Brasil? Por que o silêncio obsequioso? Não será porque o CIMI está tão envolvido com a gestão atual da Funai que não a quer criticar?

Enquanto isso, as Ongs que dominam a Funai estão correndo para realizar as coisas que lhes interessam. Por exemplo, a DAF, cuja diretora é da Ong CTI e seus principais auxiliares são do ISA e do CTI, publicou a criação de diversos grupos de trabalho, usando funcionários do CTI, para estudar o aumento das terras dos índios Apinajé, Krahô e Gaviões. De onde surgiram demandas de aumento de terras numa região que está colonizada há mais de 150 anos, e que já houve imenso esforço por parte dos índios e da Funai, em décadas passadas, para demarcar as terras que eles controlam?

Nessa maré alta de insensatez, tudo pode se esperar das conseqüências. Inclusive dessa Ong que vive de criar ilusões nos índios para depois tirar o corpo fora na hora do vamos ver. Aliás, já tirou, alguns anos atrás, quando tentou ampliar a terra dos Apinajé e seus funcionários foram escorraçados pelos moradores da região.

Quem pode se esquecer da mobilização de índios e indigenistas para demarcar a Terra Indígena Apinajé, em 1985-86, e como os Apinajé aceitaram os limites dessa demarcação! Reabrir essa questão nessa altura da vida nacional é uma temeridade gratuita.

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Assassinato de índios cresce 214% em 2007 em Mato Grosso do Sul

RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Campo Grande


O número de assassinatos de índios em Mato Grosso do Sul cresceu 214% em 2007 em relação ao ano anterior, aponta balanço da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) divulgado ontem. Foram 44 mortes por esse motivo, ante 14 em 2006.

Também houve aumento de 5% nos casos de suicídios de indígenas no Estado --foram 42, contra 40 no ano anterior.

Ao menos um terço (14) dos homicídios e todos os suicídios ocorreram em áreas das etnias guarani e caiuá, no sul do Estado. São 40 mil índios apenas nessa região, distribuídos por 30 mil hectares --o total de indígenas no Estado é de 64 mil.

A maior parte dos assassinatos --a Funasa não precisou o número, mas citou percentual superior a 90%-- ocorreu dentro das próprias aldeias, e foi motivada por brigas entre os próprios índios.

Os indígenas do sul de Mato Grosso do Sul vivenciam problemas como envolvimento com álcool e drogas e falta de emprego, em meio a conflitos fundiários internos e externos.

Para o coordenador regional da Funasa Flávio Britto Neto, o principal fator responsável pelas mortes de índios é a falta de perspectiva de vida, principalmente entre os jovens. "No caso de Dourados, há o agravante da proximidade com a zona urbana." A região de Dourados abriga 13 mil índios em área de 3.500 hectares.

Para Britto Neto, o número de suicídios de índios da etnia guarani é o problema mais grave. Desde 2001, segundo a Funasa, foram mais de 300, a maioria de jovens de 15 a 19 anos. "Não há paralelo algum no país e talvez no mundo de algo dessa magnitude", disse ele, que citou a contratação de quatro psicólogos como um primeiro passo para enfrentar o problema.

Dados do Cimi

Nesta semana, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) divulgou levantamento nacional sobre mortes de indígenas. Dos 76 casos apurados pela instituição, 48 ocorreram em Mato Grosso do Sul --para a Funasa, a diferença de quatro casos em relação ao seu levantamento pode ter relação com a metodologia empregada para computar casos registrados em áreas de fronteira.

Para o coordenador do regional do Cimi Egon Heck, os números denotam insuficiência de ações do governo federal em relação ao problemas fundiários vividos pelos guaranis e caiuás. "2007 foi o ano em que nada foi feito. Em vez de demarcação de terras, o que se viu foi o incentivo a usinas de álcool. Some-se a isso o agravamento das tensões internas e o resultado é esse círculo vicioso de violência."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Funasa contrata empresa para fazer urnas funerarias para os Guarani

A matéria abaixo foi enviada por um leitor atento às firulas da Funasa. Os ínclitos conselheiros dessa Agência de Saúde estão tão preocupados com a morte dos índios que querem que seus defuntos sejam enterrados em urnas especiais. Não nos reles caixões de madeira da população em geral. Uma empresa foi contratada por R$ 350.000,00 para providenciar essas urnas.

Que tipo de urnas serão essas? Só um antropólogo para determinar como os Guarani enterravam seus mortes no passado! Contratemos um antropólogo para isso? Quem? Quem pode ser? Atenção Sr. Mascateiro-mor dos índios Guarani, mais uma tarefa bem remunerada para o senhor!

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A Funasa publicou hoje um interessante edital para fornecimento de urnas mortuárias para índios. Veja abaixo.

A relação indígena com os mortos encerra um conjunto de complexos rituais funerais, onde crenças, mitos etc., dão diferentes sentidos às suas vidas.

A partir do ritual funeral, são reveladas relações ambientais (o uso de recursos da fauna e flora para confecção de peças de artesanato para rituais funerais); de espaço (onde o morto será enterrado – no solo da própria casa indígena, nos rios, queimados etc), de tempo (as reclusões de parentes); de relações sociais (restrições de relações, obrigações de trocas/doação de bens); religioso/filosófico (a construção de mitos) etc. etc.

Diante desta complexidade de praticas culturais, como se encaixa a mudança imposta/aceita com o uso de caixões, ou urnas mortuárias?. Onde os índios estão sendo sepultados? Como? Ainda praticam algum ritual?. Quais. Com que alteração na sua cosmovisão? etc.. etc.. Seria um interessante tema para ser tratado como ensaio antropológico.


FUNASA_CORE MATO GROSSO DO SUL - EXTRATO DE CONTRATO Nº 41/2007, Nº Processo: 25185007521200782. Contratante: FUNASA - Contratado: UEMURA & CIA LTDA -Objeto: Contratação de empresa para serviços de fornecimento de urnas mortuárias infantil e adulta com documentação e liberação do corpo com cobertura de translado de 50 km ida/volta nos municípios de Dourados/MS e Região II para atender o DSEI conforme Termo de Referência. Valor Total: R$350.000,00. Data de Assinatura: 20/12/2007.(p.89)

35 índios Guarani assassinados em Mato Grosso do Sul em 2007

Dados da Funasa mostram que no ano 2007, 35 índios Guarani foram assassinados em Mato Grosso do Sul. Em 2006 esse número foi de 14. A maioria dos assassinatos são provocados por bebedeiras e os perpetradores são os próprios patrícios.

Estes não são dados do CIMI, exagerados e sem análise correta. São dados da Funasa, sem maiores considerações sobre as mortes, apenas culpando a falta de terras e o aumento das crises internas entre os índios.

Os índios têm uma versão mais ampliada. Consideram que a falta de terras é uma questão grave e importante. Mas, acham que a administração atual da Funai negligenciou na assistência, estabeleceu prioridades erradas, desmereceu o trabalho feito anteriormente, arrasou com a AER de Amambai, tirou as pessoas que estavam ajudando os Guarani. E os conflitos internos cresceram. Até a Operação Sucuri, que vinha segurando os problemas minimamente, foi desativada, para ser reativada quando os problemas aumentaram.

Fico imaginando o que estão pensando o CIMI, as Ongs e um ou outro antropólogo que vive da questão guarani, e que estão controlando a Funai na atualidade? Será que têm coragem de reconhecer seus equívocos e seu oportunismo, ao menos em nome dos índios que morreram nesse ano?

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Em 2007, 35 índios foram assassinados

Ademir Almeida / Diário MS


Protesto em Antônio João pelo assassinato de líder guarani em 2007

Os assassinatos dos índios guarani kaiowa Cleison Vasques, de 29 anos, Celestino Franco, de 62, inauguram em 2008 uma estatística que não dá sinais de redução: a das mortes violentas nas aldeias de Mato Grosso do Sul.

De acordo com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o número de assassinatos nas áreas indígenas triplicou em 2007. Em 2006, houve 14 homicídios em aldeias. Entre janeiro e outubro do ano passado, foram registradas 35. Mortes ocorridas nos meses de novembro e dezembro ainda não estão no levantamento.

“Estamos enfrentando uma tendência de aumento dos homicídios que está relacionada fundamentalmente com a falta de terra das reservas, os índios estão confinados em áreas muito pequenas e desse confinamento derivam problemas como alcoolismo e consumo de drogas, que estão diretamente ligados a muitas mortes”, acredita o médico Zelik Trajber, coordenador técnico do Distrito Sanitário Indígena da Funasa em MS.

Uma das situações mais críticas está na reserva indígena de Dourados, no sul do Estado. Lá 12 mil índios vivem espremidos em 3,5 mil hectares. “Não tem mais nada do modo de vida tradicional, não há matas, não há rios, não há espaço, é um ambiente que ajuda no crescimento da violência”, diz o médico.

Para o presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza, Paulo Ângelo de Souza, a disputa fundiária alimenta a espiral da violência. “Em áreas como Nhanderu Marangatu (município de Antônio João), os crimes estão ligados ao conflito fundiário”, diz.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Antropóloga tece considerações sobre suicídio indígena

A Funasa convocou um seminário sobre saúde mental indígena na semana passada. Hoje, a Agênci Brasil publica uma entrevista com uma antropóloga que estudou o suicídio dos índios Tikuna, no alto Solimões, e, parece, dos índios Guarani, do Mato Grosso do Sul.

Sua conclusão é bastante antropológica. Respeitem as culturas indígenas. Pelo menos ela sai da outra explicação básica que era a falta de terras. Assim, humaniza os índios, embora não apresente soluções visíveis.

Porém, convenhamos, não há problema mais difícil para a antropologia do que o suicídio indígena. Assim, vamos torcer para que mais antropólogos e psicólogos e indígenas participem do esforço em descobrir soluções para esse problema tão intenso e trágico.

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Para antropóloga, suicídio indígena só pode ser combatido com respeito às culturas locais

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

O Poder Público precisa adotar políticas de saúde indígena mais adequadas às culturas diferenciadas de cada comunidade para combater o suicídio entre os índios. A avaliação é da antropóloga Regina Erthal, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), durante a 1ª Conferência Internacional de Saúde Mental e Indígena, que vai até quinta-feira (25) em Brasília.

“O suicídio entre os índios deve ser visto de maneira mais cuidadosa. Hoje temos equipes da Funasa com grande rotatividade de pessoal e sem formação necessária para enfrentar a complexidade do problema”, avaliou Erthal. Durante o seminário, ela apresentou um levantamento sobre o suicídio nas aldeias do Alto Rio Solimões, no Amazonas, que comprovou que o problema atinge principalmente os jovens.

Segundo a antropóloga, 103 índios da comunidade Tikuna, no Alto Rio Solimões, suicidaram-se entre 2000 e 2005. Desse total, 54 (mais de 50%) tinham entre 15 e 19 anos. Na região, próxima à fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia, vivem cerca de 28 mil índios em 143 aldeias espalhadas por 214 mil quilômetros quadrados. As principais terras indígenas foram demarcadas a partir de 1993.

De acordo com Erthal, os suicídios na região devem-se a conflitos familiares e às diferenças políticas na comunidade. Fatores econômicos e a escassez de recursos naturais também contribuem para intensificar problema. “O quadro é agravado ainda pela depredação da floresta e pelas disputas de terras”, disse Erthal. Para ela, a fiscalização mais rigorosa contra a exploração ilegal de madeira e de minérios também representa um meio de reduzir os índices.

O coordenador do programa de saúde mental da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Carlos Coloma, admitiu que a burocracia governamental dificulta algumas ações necessárias. Ele, no entanto, garantiu haver disposição para enfrentar a questão. “Estamos agindo para identificar as causas e adotar soluções amplas, pois é preciso evitar o risco do problema do suicídio se tornar incontrolável em outras etnias”, afirmou Coloma.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Guajajara atacados dentro de sua aldeia

Notícia trágica para os Guajajara. Na aldeia Lagoa Comprida, que fica na Terra Indígena Araribóia, um bando encapuzado, provavelmente de pessoas ligadas á retirada de madeira da área, invadiu a aldeia para resgatar um caminhão de madeira que os índios Guajajara haviam prendido. No tiroteiro um índio idoso morreu, e ficaram feridos dois índios e dois invasores.

É bang-bang da pior espécie. A Funai de São Luís comunicou à Polícia Federal de Imperatriz e os índios pedem proteção e prisão dos invasores. Isto não pode ficar impune.

Na entrevista da administradora-substituta de São Luís ela relembra que, no ano passado, os índios da mesma terra indígena quase chegaram às vias de fato com os moradores da cidade de Arame, por terem fechado o trânsito na BR que liga a cidade a Grajaú.

O grande problema da região é a retirada de madeira, que conta com a facilitação de algumas chamadas lideranças indígenas, que, na verdade, são uns mamelucos traidores de seu povo, enquanto que a maioria não quer isto, mas pouco pode fazer contra seus patrícios mamelucos. Esse problema já tem 20 anos. Aliás, quase todos os problemas dos Guajajara, depois que suas terras foram demarcadas, começaram depois de 1986. Até 1985 a Funai tinha um controle da proteção das terras, mas depois alguns índios passaram a vender madeira e os madeireiros não querem sair mais. Quando era presidente da Funai fizemos várias expedições com o Ibama e a Polícia Federal para retirar os madeireiros, mas quase sempre eles sabiam das operações e saiam antes do flagrante. E mesmo quando eram pegos, seus caminhões eram liberados por juízes locais, e aí voltavam às atividades.

Os Guajajara tradicionais, que vivem nessa linda terra de florestas das franjas da Amazônia, querem estar tranquilos. Mas sofrem muito. Que fazer?

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O Estado do Maranhão

Cerca de 17 pessoas encapuzadas invadiram a aldeia Lagoa Comprida em Amarante

Imperatriz - Um índio morto e dois feridos, além de dois invasores atingidos por bala, foi o saldo de um confronto entre índios e um bando encapuzado que invadiu o Posto Indígena (PIN) Lagoa Comprida, da etnia Guajajara, em Amarante do Maranhão.

De acordo com a administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Imperatriz,o bando encapuzado formado por aproximadamente 17 pessoas invadiu a comunidade guajajara nas primeiras horas da manhã de segunda-feira última.

Os invasores já entraram na área atirando, o que provocou a reação imediata dos indígenas, ocasião em que o índio Tomé Guajajara, de 70 anos, foi morto. A sua mulher, Madalena Guajajara, e o índio Toninho Guajajara e dois dos invasores ficaram feridos.

A administradora em exercício da Funai, Raimunda Passos de Almeida, informou desconhecer os motivos que teriam levado à invasão do posto, mas admitiu que há indícios de que o caso teria sido motivado pela apreensão de um caminhão carregado de madeiras ilegais pelos indígenas.

POLÍCIA

Essa mesma suspeita foi levantada pelo líder indígena Antonio Guajajara, representante do posto invadido. Ele disse que há um mês os guajajaras haviam retido na reserva um caminhão pertencente a um madeireiro chamado Geraldo e que durante um incêndio na área parte desse carro foi queimado.

"Nossas suspeitas é que os invasores eram os madeireiros, mas não podemos afirmar com certeza porque todos eles estavam encapuzados. Tudo isso deixa a gente todo o tempo tenso, preocupado, já que, infelizmente, as coisas acontecem e a Justiça não chega junto todo o tempo", desabafou a liderança que teme por mais índios feridos ou mortos.

Raimunda de Almeida disse que a invasão ao posto indígena não é o primeiro caso de confronto com "branco". Ela lembrou que moradores de Arame entraram em confronto com indígenas após o fechamento de uma estrada este ano.

"É o primeiro caso de confronto entre brancos e índios envolvendo os Guajajaras no posto de Lagoa Comprida, mas já teve um lá em Arame este ano. Infelizmente, sempre ocorrem fatos assim, mas nós estamos cobrando providências da polícia", frisou a administradora da Funai, mostrando a cópia de um ofício enviado por ela ao Departamento de Polícia Federal, em Imperatriz, narrando o fato da retenção do caminhão ocorrido há cerca de um mês.

Antonio Guajajara disse ontem que, no dia do confronto, apenas um delegado e um agente da Polícia Federal estavam de plantão na Delegacia da instituição em Imperatriz e que foi enviado reforço de São Luís para apurar o caso.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Notícias do assassinato do Xakriabá

Mais informações sobre o assassinato brutal e sem sentido do índio Xakriabá, no norte de Minas Gerais. O jornal O Estado de Minas traz uma reportagem com entrevistas dos parentes do assassinado que refletem o estado de pobreza e o drama em que vivem os Xakriabá da região.

Vale a pena ler a matéria.

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Aldeias clamam por justiça

Morte de xacriabá, agredido a socos e pontapés por três jovens, revolta moradores de reserva, que protestam contra preconceito

Revolta e clamor por justiça são os sentimentos que tomaram conta da comunidade indígena xacriabá, em São João das Missões, com o assassinato do índio Avelino Nunes Macedo, de 35 anos, cujo corpo foi sepultado, no fim da tarde de segunda-feira, dentro da reserva. Ele foi espancado até a morte por três jovens, na madrugada de domingo, na localidade de Virgínio, no município de Miravânia, nos limites da área demarcada.

Avelino era considerado um inocente

"Eu só quero justiça, a fim de que um crime desse não se repita nunca mais", disse, com a voz embargada, Abdias Pereira Lopes, de 44 anos, primo de Avelino e morador da reserva, que vive um clima de consternação. A área é o maior território indígena de Minas Gerais, com 53 mil hectares e 23 aldeias, onde vivem 7,8 mil pessoas, cerca de 70% da população de São João das Missões.

Para o cacique Domingos Nunes de Oliveira, chefe da tribo, a morte do xacriabá foi mais um ato de violência que resultou da discriminação que muitas pessoas ainda têm em relação aos índios, o que precisa acabar. Segundo o cacique, depois do crime, com medo da violência, os índios estão evitando sair da área demarcada, fugindo do contato com o homem branco.

Avelino foi morto na madrugada de domingo, pouco depois de sair de uma festa, promovida por estudantes, na quadra esportiva da escola municipal do distrito de Virgínio. O jovem Edson Gonçalves Costa, de 18 anos, e os menores V. S., de 16, e G. P., de 16, tentaram tirar sua roupa no meio da rua. Ele resistiu, foi agredido a socos e pontapés até a morte. Ainda na manhã de domingo, os suspeitos foram detidos pela Polícia Militar e levados para a delegacia de Manga, onde confessaram o crime. O caso alcançou repercussão em todo país. A polícia revelou ontem que, antes da agressão, os jovens teriam posto fogo numa barraca na quadra de uma escola municipal de Virgínio, durante a festa.
Edson Gonçalves (D) e os menores disseram que queriam assustar o índio

Entre as 23 aldeias da área xacriabá, a Riacho do Buriti, onde morada Avelino, é uma das mais isoladas e de acesso difícil, situada a 62 quilômetros de São João das Missões. Os visitantes só conseguem chegar à aldeia de jipe, depois de superar bancos de areia, que se multiplicam ao longo do caminho, em meio à seca.

O índio Avelino Macedo, que ficou viúvo havia um ano e dois meses, morava na casa do seu primo, Abdias Pereira Lopes, líder comunitário das aldeias Riacho do Buriti e Pedrinhas.

Ao falar sobre o crime, Abdias não resistiu e foi às lágrimas. "O Avelino não sabia ler nem escrever. Era um índio inocente mesmo, não sei porque fizeram tanta covardia com ele", afirmou, anunciando o desejo de que a Justiça Federal agilize o processo para a punição dos acusados envolvidos. Ele disse acreditar que os rapazes tenham se inspirado nos jovens que puseram fogo no índio Galdino de Jesus, em Brasília, em 19 de abril de 1997.

A mulher de Abdias, Melinda Pinheiro da Silva Lopes, de 32, também lamentou o ato de violência. "Ele era uma pessoa que nunca fez mal a ninguém", disse Melinda, que, assim como o marido, era também parente do índio assassinado. "A gente nunca esperava uma coisa dessa. Eu não sei nem o que dizer", lamentou Carmosina Nunes da Silva, de 32 anos, irmã de Avelino. Ela contou que também ficou sabendo pouca coisa sobre o crime. "Só ouvi que, primeiro, os rapazes puseram fogo numa barraca e depois mataram o meu irmão". explicou.

Medo de homem branco

Devido à discriminação e à violência, os índios estão evitando o contato com o homem branco e por isso não querem mais sair de dentro da área demarcada. A informação é do cacique Domingos Nunes de Oliveira, chefe da comunidade indígena xacriabá. Segundo ele, o assassinato do índio Avelino Macedo, integrante da sua tribo, é conseqüência de discriminação e preconceito.

Carmosina Nunes da Silva ficou responsável pelo filho do irmão assassinado

O cacique lembra que a morte de Avelino foi muito parecida com o caso do índio Galdino, que morreu queimado em Brasília. "A gente sofre muita perseguição por parte dos não-índios", afirmou o cacique, cobrando providências das autoridades para a punição dos envolvidos. Abdias Pereira Lopes, primo de Avelino, reclama que a perseguição começou na época em que o Brasil foi descoberto:

"Quando o Pedro Álvares Cabral chegou aqui, as terras eram dos índios. Aí, eles as invadiram e as tomaram".
Outros integrantes da aldeia xacriabá protestaram contra a morte do companheiro. "O Avelino era uma pessoa pura, que nunca mexeu com ninguém. Se existisse justiça para valer no Brasil, os jovens não iriam matar um índio sem motivo", disse José Fiúza da Silva, de 64 anos, morador da tribo.
Para o cacique Domingos Nunes, foi um ato de violência e discriminação

ÓRFÃO

Marcados pela pobreza, os xacriabá sobrevivem quase exclusivamente do programa Bolsa-Família. Eles plantam lavouras, mas, todo ano, convivem com as secas que castigam o Norte de Minas.

Entre a comunidade indígena, Avelino Macedo parece que foi condenado ao sofrimento. Ele era integrante de uma família de 11 irmãos. Há 16 anos, perdeu a mãe, Robertina, que morreu quando daria à luz ao 12º filho. Cinco anos depois, perdeu o pai, Francisco. Em meados de 2006, Avelino teve outra perda: a sua companheira, conhecida apenas por Sininha, com quem ele teve o filho João Marcos, de 5 anos. A mulher morreu de doença de Chagas. Depois, o índio passou a trabalhar para outros moradores da reserva.
Uma das partes mais dramáticas do assassinato do índio tem como personagem o seu único filho. Desde que Avelino ficou viúvo, o menino foi morar com a tia Carmosina, casada com Salvi Evaristo da Silva, que tem cinco filhos e alega dificuldades para sobreviver, pois recebe apenas R$ 95 do Bolsa-Família. Ela relata que João Marcos tem um problema de má formação congênita e até hoje não conseguiu desenvolver a fala. A mulher disse que tentou levar o sobrinho ao médico, mas não consegue consulta no posto da reserva.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Brutal assassinato de jovem Xakriabá

Todos os jornais trazem hoje reportagens sobre o assassinato brutal de um jovem Xakriabá, do norte de Minas Gerais, por três ou mais jovens.

O assassinato teve características de linchamento, com socos e pauladas. O motivo parece ter sido o mais fútil possível: um esbarrão numa festa e uma vontade de fazer gozação do índio. As ilações que se fazem é que é parte do anti-indigenismo regional, com tensão na região e que tem a ver com disputa por terras.

A terra dos Xakriabá foi demarcada há mais de 10 anos e tem 54.000 hectares. A Funai ainda está pagando moradores pobres que sairam de lá e que não receberam. Porém, segundo o CIMI, os Xakriabá querem mais terras. Dai a desavença.

Todos os jornais relebram o caso do Galdino Pataxó, morto por queimaduras provocadas por jovens de Brasília, em 1997, enquanto dormia no ponto de ônibus perto da Funai

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Jovens são acusados de espancar índio até a morte em MG

Vítima, da etnia xacriabá, teve roupa retirada e levou socos e pontapés de três rapazes; dois deles têm menos de 18 anos
Segundo a polícia, suspeitos disseram em depoimento que, na saída de uma festa, o índio esbarrou em um dos garotos, o que os irritou

THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA

Um índio da etnia xacriabá foi espancado até a morte na madrugada de anteontem, em Miravânia (714 km de Belo Horizonte), em Minas Gerais.

Três jovens dois deles menores são acusados do crime. O maior de idade foi preso; os menores, apreendidos. Eles confessaram o crime, segundo a polícia, mas disseram tê lo feito sem intenção.

O crime ocorreu por volta das 3h30. Avelino Nunes Macedo, 37, voltava para sua aldeia após participar de uma festa na cidade, no distrito de Virgínio.

Uma escola municipal havia montado uma quermesse para arrecadar fundos para a formatura dos alunos da oitava série do ensino fundamental. Os três garotos de 18, 16 e 15 anos haviam saído do local, depois de causar um incêndio em uma das barracas.

Segundo a polícia, eles disseram em depoimento que, no trajeto, o índio esbarrou em um deles sem querer, o que os irritou. Eles decidiram deixá lo nu.

"O ato demonstra que houve preconceito étnico. Fizeram isso porque ele era índio. Queriam despi lo", disse o delegado Airton Alves de Almeida.

Quando retiravam as calças de Macedo à força, ele reagiu. Os três começaram, então, a dar socos e pontapés no índio, de acordo com a polícia.
Um dos jovens deu uma rasteira em Macedo, que caiu de cabeça no chão e permaneceu imóvel. Os três continuaram, diz a polícia, a agredir o índio.

Um vizinho ouviu o barulho e acendeu uma luz de sua casa. Assustados, os rapazes fugiram. Às 7h, o mesmo vizinho acordou e, ao sair para a rua, viu o índio no chão com as calças arriadas, morto. Ele chamou a Polícia Militar. Testemunhas ajudaram a polícia a identificar os suspeitos.

Edson Gonçalves Costa, 18, foi preso e indiciado sob suspeita de homicídio qualificado (motivo fútil). Ele não tem advogado. Os outros dois garotos, um de 15 (de São Paulo) e outro de 16, também estão na Cadeia Pública do município de Manga, vizinho de Miravânia. Eles podem ser internados provisoriamente por 45 dias.

Segundo o delegado, os três têm ensino fundamental incompleto. Os dois menores não estudam nem trabalham. Costa é funcionário de um supermercado. "Eles são de classe média tendo em vista a região, pobre. São de famílias conceituadas."

Há cerca de 8.000 xacriabás em Minas a maioria em São João das Missões. O coordenador regional do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) Wilson Santana afirma que Macedo era uma das lideranças de uma área não demarcada, invadida em maio e reivindicada pelos xacriabás. "Não é um caso isolado. É fruto de um processo que levou a uma imagem deturpada do índio na região. O clima de tensão ainda existe e é a preocupação agora."

Pataxó Galdino

O assassinato ocorre dez anos após o mais emblemático caso de agressão a um índio no país. Em abril de 1997, quatro rapazes de classe média de Brasília (DF) atearam fogo ao índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, que morreu queimado. Em novembro de 2001, um júri popular condenou os quatro rapazes a 14 anos de prisão.

Suspeitos dizem que só queriam fazer brincadeira

DA AGÊNCIA FOLHA

Os três jovens afirmaram, em depoimento à polícia, que não tinham intenção de matar o índio, mas sim de fazer uma brincadeira.

Segundo a Polícia Civil, os garotos confessaram o assassinato, mas disseram que esse não era o objetivo deles. Disseram que tudo começou quando o índio encostou em um deles após a quermesse.

Segundo os garotos, foi um "tranco" não intencional, que não feriu ninguém.

Mesmo assim, os três resolveram fazer uma "brincadeira" com o índio e decidiram tirar a roupa dele. Quando ele reagiu, houve um acesso de raiva, segundo eles, o que provocou as agressões.

Os jovens disseram ainda que saíram da festa bêbados e que, por isso, não tinham plena consciência do ato. O delegado Airton Alves de Almeida negou a embriaguez.

Os três suspeitos, de acordo com a polícia, afirmaram ainda que fugiram porque ficaram assustados.

Nenhum deles havia constituído advogado ontem. Nenhum familiar acompanhou os depoimentos. (TR)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Infanticídio é discutido no Congresso Nacional

Eis um assunto difícil e que exige coragem para se pensar. O infanticídio entre os povos indígenas.

É necessário abrir essa discussão a partir dos índios e da Funai. Essa discussão no Congresso vai provocar muita celeuma para a questão indígena brasileria.

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Infanticídio nas aldeias: antropólogos criticam Estado
A cultura indígena no Acre e em várias regiões do país é dramatizada pela prática do infanticídio. O caso foi tema de debates divergentes, na Câmara dos Deputados, semana passada, durante audiência pública provocada por requerimento do deputado Henrique Afonso (PT/AC).

Antropólogos convidados para o encontro criticaram a atuação de ONG´s que retiram crianças deficientes das aldeias para levá-las para as cidades. O deputado acreano revelou que há centenas de casos de crianças indígenas sacrificadas ou enterradas vivas por terem nascidas com alguma deficiência.

Entre as causas que mais provocam infanticídio nas aldeias, segundo o deputado, estão: desequilíbrio entre os gêneros sexuais, escassez de alimentos, violência sexual, adultério, nascimento de gêmeos, relações incestuosas, nascimento de filhos de mães solteiras ou viúvas, depressão pós-parto e nascimento de crianças em posição investida (com os pés antes da cabeça). Afonso é autor de um projeto de lei que visa combater as práticas culturais nocivas no país. “Isto não é imposição, nem queremos criminalizar as mulheres indígenas que praticam infanticídio. Mas não podemos fazer de conta que isso não está acontecendo”, disse o deputado.

A antropóloga Rita Segato disse que o foco da discussão não é o direito à vida, nem a moral, nem a ética, mas o papel do Estado. Para ela, a existência de ONG´s ocupadas no assunto demonstra a incapacidade do Estado de defender a vida. “Quem deve ser criminalizado é o poder público, por ser omisso, infrator e assassino”, criticou Rita Segato. A deputada Perpétua Almeida defendeu a inviolabilidade da cultura dos índios e a preservação dos direitos e culturas das tribos, conquistadas ao longo das décadas.

Para o presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas, “a questão não deve ser reduzida ao julgamento moral das práticas e tradições indígenas”. A presidente do Fórum dos Direitos Humanos Indígenas, Valéria Payê, citou exemplo de tribos no Pará que decidiram abolir a prática do infanticídio. “Os povos indígenas não podem ser submetidos aos padrões morais e culturais dos brancos”, disse.

Outros especialistas citaram a desnutrição como uma forma ainda mais grave de infanticídio. “Quando uma família decide eliminar um de seus membros, é feito um ritual, que tem um significado, e o assunto é encerrado. Mas quando a criança é retirada da aldeia a dor não tem fim, e estas famílias ficam impedidas qual foi o desfecho”, ressaltou Jacimar de Almeida Gouveia, representante das mulheres indígenas no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

Mais um bebê Guarani morre de desnutrição

Os jornais repercutem mais uma morte por desnutrição de um bebê indígena da etnia Guarani-Kaiowá. Culpa da Funasa? Drama e tragédia desse povo diante das circunstãncias em que vive?

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Mais uma criança indígena morre de desnutrição em MS

HUDSON CORRÊA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE

Um bebê indígena, de um mês e 11 dias, morreu de desnutrição grave anteontem no hospital da Missão Evangélica Caiuá em Dourados (MS), informou o médico legista do IML (Instituto Médico Legal Raul Grigoletti).

Ao menos oito crianças indígenas das etnias guarani e caiuá morreram devido à desnutrição neste ano, segundo levantamento da Folha. No ano passado, foram 14 mortes; em 2005, 27.

Em julho deste ano, durante visita a Campo Grande, o presidente Lula afirmou que montou "um pelotão de choque com companheiros de vários ministérios" e resolveu o problema da morte de crianças por desnutrição.

Lideranças indígenas afirmam que crianças passam fome devido ao atraso na entrega de cestas de alimentos do governo federal, distribuídas pela Funasa. Procuradas pela Folha, a direção nacional da Funasa e a coordenação em Mato Grosso do Sul não se manifestaram. A Funasa é responsável pela saúde indígena nas aldeias.

O bebê Elvis Charles Lopes foi levado a Dourados para tratamento médico pela mãe, uma adolescente de 14 anos, da aldeia de Porto Lindo, em Japorã (MS), na fronteira com o Paraguai. A criança estava internada desde o início do mês.
 
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