Parece até brincadeira. A Administração de Bauru foi mais uma vez invadida por índios Terena e Guarani da região liderados por um índio que, na verdade, vem de Santa Catarina, onde deixou um rastro de confusões.
O administrador não tem mais palavras e parece que até já pediu demissão.
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Índios invadem administração da Funai em Bauru
DA AGÊNCIA FOLHA
Índios de quatro etnias invadiram a administração regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Bauru (343 km de São Paulo) às 10h de anteontem. Até a conclusão desta edição, eles continuavam no local.
A principal reivindicação das lideranças guaranis, terenas, crenaques e caingangues é a saída do administrador Newton Machado Bueno -querem um indígena no cargo. Na semana passada, Bueno entregou ao presidente do órgão, Márcio Meira, uma carta oferecendo sua demissão, segundo a assessoria da Funai em Brasília. (JOÃO CARLOS MAGALHÃES)
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Mato Grosso quer resolver a questão indígena!!
Outra notícia ruim. Sentindo a fragilidade da direção da Funai, os políticos de Mato Grosso resolveram tomar partido e partir para o ataque. Formaram comissão para pressionar o governo federal.
O que será que eles querem, a quem representam?
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Comissão da AL vai à Brasília defender causa indígena
A Assembléia Legislativa instituiu uma comissão especial para discutir assuntos inerentes a comunidade indígena de Mato Grosso. Já iniciaram os estudos, além da Casa de leis, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Fundação Nacional do Índio (Funai); ministérios publico Estadual e Federal; Governo do Estado e outras entidades serão convidadas. O objetivo é encontrar o real perfil com recendo populacional, peculiaridades e interesses para o futuro.
Barreiras que impedem investimentos, desenvolvimento e assistência; levantamento das necessidades e meios de os poderes interagirem para que inversões de valores e/ou injustiças não sejam cometidas aos primeiros habitantes do Brasil são algumas atribuições propostas da pauta.
Nesta relação de interesses e busca de soluções, a Comissão intermediará junto ao governo Federal, medidas viáveis às peculiaridades dos indígenas mato-grossenses, visto as posições dos órgãos de apoio como a Fundação Nacional do Índio (Funai); Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); Organizações Não Governamentais (Ong’s); antropólogos e Conselho Indigenista Missionário (Cinde), por exemplo.
Na primeira reunião, ocorrida na terça-feira (19.06), ficou definido que cada membro ou equipe das entidades farão projetos e programas de desenvolvimento, para que sejam condensados e encaminhados ao governo Federal. Momento oportuno, a Comissão da AL fará as pontuações diretamente ao chefe da Nação, presidente Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva.
O próximo encontro da comissão está previsto para aproximadamente quinze dias. Participou da reunião o ex-deputado José Lacerda, da CST da AL; além de Rômulo Vandoni, superintendente da Coordenadoria Indígena do Estado e Lares Almeida, gerente; Carlos Rubens, do Senai; Salim Abdala, Valdecir Rodrigues, assessores da AL e Benedito Silva, da Coam de Nova Bandeirantes.
O que será que eles querem, a quem representam?
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Comissão da AL vai à Brasília defender causa indígena
A Assembléia Legislativa instituiu uma comissão especial para discutir assuntos inerentes a comunidade indígena de Mato Grosso. Já iniciaram os estudos, além da Casa de leis, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Fundação Nacional do Índio (Funai); ministérios publico Estadual e Federal; Governo do Estado e outras entidades serão convidadas. O objetivo é encontrar o real perfil com recendo populacional, peculiaridades e interesses para o futuro.
Barreiras que impedem investimentos, desenvolvimento e assistência; levantamento das necessidades e meios de os poderes interagirem para que inversões de valores e/ou injustiças não sejam cometidas aos primeiros habitantes do Brasil são algumas atribuições propostas da pauta.
Nesta relação de interesses e busca de soluções, a Comissão intermediará junto ao governo Federal, medidas viáveis às peculiaridades dos indígenas mato-grossenses, visto as posições dos órgãos de apoio como a Fundação Nacional do Índio (Funai); Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); Organizações Não Governamentais (Ong’s); antropólogos e Conselho Indigenista Missionário (Cinde), por exemplo.
Na primeira reunião, ocorrida na terça-feira (19.06), ficou definido que cada membro ou equipe das entidades farão projetos e programas de desenvolvimento, para que sejam condensados e encaminhados ao governo Federal. Momento oportuno, a Comissão da AL fará as pontuações diretamente ao chefe da Nação, presidente Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva.
O próximo encontro da comissão está previsto para aproximadamente quinze dias. Participou da reunião o ex-deputado José Lacerda, da CST da AL; além de Rômulo Vandoni, superintendente da Coordenadoria Indígena do Estado e Lares Almeida, gerente; Carlos Rubens, do Senai; Salim Abdala, Valdecir Rodrigues, assessores da AL e Benedito Silva, da Coam de Nova Bandeirantes.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Presidente da Funai encerra visita sem medidas concretas
Bem, essa matéria fala por si só.
As conseqüências virão mais adiante.
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Presidente da Funai encerra visita sem medidas concretas
Antonio Viegas, Dourados
Uma visita rápida às aldeias Panambizinho e Jaguapiru, na manhã de ontem, encerrou a agenda do presidente da Funai, Márcio Meira, à região da Grande Dourados. Evitando muito contato com a imprensa, já que praticamente não anunciou nenhuma solução para os problemas que ocorrem entre indígenas, Meira só teve um contato mais aberto com os índios durante o "aty guassu" (grande reunião), realizado na Aldeia Lima Campo, município de Ponta Porã. O presidente só reafirmou que qualquer providência somente será tomada de forma planejada, já que não é a favor dos paliativos.
Em Dourados, o grande problema atualmente é a violência nas aldeias e os indígenas esperavam que a visita do presidente da Funai pudesse trazer alguma ação concreta para resolver a falta de segurança na reserva. Foram nove assassinatos desde o início do ano entre os índios, a maioria com muita crueldade e isso tem obrigado as famílias a se trancarem em suas casas. Comentou-se sobre a volta da "Operação Sucuri", mas os próprios índios entendem que da forma como ela vinha acontecendo, não traria nenhum resultado positivo.
Márcio Meira, questionado sobre esse policiamento, disse que "isso é um paliativo", mas não apresentou uma ação que pudesse se transformar na solução do problema da violência. Ele apenas disse que é necessário fazer parcerias para resolver não só essa, como várias outras situações. Mesmo assim, existem especulações sobre o retorno dessa "operação", que na verdade, funcionava anteriormente com apenas um funcionário da Funai percorrendo várias aldeias da região, praticamente sem atuação.
A reserva indígena de Dourados, com 12 mil habitantes, maior que cerca de 50 por cento dos municípios de Mato Grosso do Sul, enfrenta problemas gravíssimos como o tráfico e o uso de drogas, a aids, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, a consequência disso tudo, que é a violência. Assunção Cáceres, cacique na Aldeia Bororo disse ontem que a comunidade indígena está indignada e decepcionada com as autoridades. "A esperança que a gente tinha com a visita do presidente da Funai foi por água abaixo", lamentou o cacique.
As conseqüências virão mais adiante.
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Presidente da Funai encerra visita sem medidas concretas
Antonio Viegas, Dourados
Uma visita rápida às aldeias Panambizinho e Jaguapiru, na manhã de ontem, encerrou a agenda do presidente da Funai, Márcio Meira, à região da Grande Dourados. Evitando muito contato com a imprensa, já que praticamente não anunciou nenhuma solução para os problemas que ocorrem entre indígenas, Meira só teve um contato mais aberto com os índios durante o "aty guassu" (grande reunião), realizado na Aldeia Lima Campo, município de Ponta Porã. O presidente só reafirmou que qualquer providência somente será tomada de forma planejada, já que não é a favor dos paliativos.
Em Dourados, o grande problema atualmente é a violência nas aldeias e os indígenas esperavam que a visita do presidente da Funai pudesse trazer alguma ação concreta para resolver a falta de segurança na reserva. Foram nove assassinatos desde o início do ano entre os índios, a maioria com muita crueldade e isso tem obrigado as famílias a se trancarem em suas casas. Comentou-se sobre a volta da "Operação Sucuri", mas os próprios índios entendem que da forma como ela vinha acontecendo, não traria nenhum resultado positivo.
Márcio Meira, questionado sobre esse policiamento, disse que "isso é um paliativo", mas não apresentou uma ação que pudesse se transformar na solução do problema da violência. Ele apenas disse que é necessário fazer parcerias para resolver não só essa, como várias outras situações. Mesmo assim, existem especulações sobre o retorno dessa "operação", que na verdade, funcionava anteriormente com apenas um funcionário da Funai percorrendo várias aldeias da região, praticamente sem atuação.
A reserva indígena de Dourados, com 12 mil habitantes, maior que cerca de 50 por cento dos municípios de Mato Grosso do Sul, enfrenta problemas gravíssimos como o tráfico e o uso de drogas, a aids, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, a consequência disso tudo, que é a violência. Assunção Cáceres, cacique na Aldeia Bororo disse ontem que a comunidade indígena está indignada e decepcionada com as autoridades. "A esperança que a gente tinha com a visita do presidente da Funai foi por água abaixo", lamentou o cacique.
Polícia Federal protege presidente da Funai em MS
Em recente viagem a Mato Grosso do Sul, o presidente da Funai, além de vir acompanhado de seguranças da Funai, requisitou a presença da Polícia Federal para acompanhá-lo devido a descontentamento dos índios com algumas de suas atitudes em relação a questões locais.
Uma delas foi a nomeação do novo administrador de Campo Grande, com contestação de uma minoria insatisfeita devido a uma eleição em que alguns caciques não compareceram.
Outra foi a extinção da Administração de Amabai, que resultou na invasão da sede, em Amambai, e a posterior promessa de reinstalação dessa Administração. Resta saber se essa parte será cumprida.
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Direção regional da Funai não será discutida em reunião
Humberto Marques e Gylson Ferreira
Minamar Junior
O descontentamento de alguns índios do Mato Grosso do Sul com a escolha do administrador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio), Claudionor do Carmo Miranda, não está na pauta da reunião do presidente da entidade, Márcio Meira, com caciques do Estado.
De acordo com o presidente do Conselho Indígena Tribal, cacique Vinícius Jorge, da aldeia Córrego do Meio (Sidrolândia), o assunto já está superado: "Esse assunto já foi descartado e não vamos mais abordar isso. O presidente da Funai já avisou que não vai retroceder em sua decisão", afirmou.
O encontro de Márcio Meira com lideranças indígenas está acontecendo neste momento, na sede da Funai em Campo Grande. Uma equipe da Polícia Federal está no local para prevenir qualquer problema que possa surgir. Alguns agentes da PF chegaram a entrar na sala de reuniões, mas Meira pediu aos policiais que se retirassem do recinto, pois entendeu desnecessária a presença da força armada dentro do local.
Uma delas foi a nomeação do novo administrador de Campo Grande, com contestação de uma minoria insatisfeita devido a uma eleição em que alguns caciques não compareceram.
Outra foi a extinção da Administração de Amabai, que resultou na invasão da sede, em Amambai, e a posterior promessa de reinstalação dessa Administração. Resta saber se essa parte será cumprida.
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Direção regional da Funai não será discutida em reunião
Humberto Marques e Gylson Ferreira
Minamar Junior
O descontentamento de alguns índios do Mato Grosso do Sul com a escolha do administrador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio), Claudionor do Carmo Miranda, não está na pauta da reunião do presidente da entidade, Márcio Meira, com caciques do Estado.
De acordo com o presidente do Conselho Indígena Tribal, cacique Vinícius Jorge, da aldeia Córrego do Meio (Sidrolândia), o assunto já está superado: "Esse assunto já foi descartado e não vamos mais abordar isso. O presidente da Funai já avisou que não vai retroceder em sua decisão", afirmou.
O encontro de Márcio Meira com lideranças indígenas está acontecendo neste momento, na sede da Funai em Campo Grande. Uma equipe da Polícia Federal está no local para prevenir qualquer problema que possa surgir. Alguns agentes da PF chegaram a entrar na sala de reuniões, mas Meira pediu aos policiais que se retirassem do recinto, pois entendeu desnecessária a presença da força armada dentro do local.
Operação Araribóia continua firme
Dando continuidade à Operação Araribóia, que está acontecendo na terra indígena com este nome, dos índios Guajajara, leiam a matéria abaixo, da Agência Brasil.
Aliás, é a Agência Brasil a única que vem acompanhando essa operação muito importante para toda a região. Estamos torcendo para que continue e dê certo.
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Agentes da Operação Araribóia queimam mais uma plantação de maconha e cacique será processado
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A presença de quase 200 agentes de fiscalização e policiamento em Arame, no Maranhão, no extremo leste da terra indígena Araribóia, já surte efeitos. Ontem (15) foram apreendidos e queimados por agentes da Polícia Federal 1.800 pés de maconha encontrados nas proximidades da Aldeia Criuli, onde vivem índios da etnia Guajajara.
Era um plantio novo, que não estava em fase de colheita, e o cacique Manoel Paranan não foi preso, mas será indiciado, informou o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Imperatriz (MA), José Leite Piancó. A coordenação da operação havia prometido que os índios flagrados em irregularidades seriam tratados no rigor da lei.
Em ações anteriores da força-tarefa, outros 5 mil pés de maconha foram queimados. Em quase todas as aldeias dos índios Guajajara há alguns pés mas, na maioria delas, suficientes apenas para consumo próprio.
A Operação Araribóia também combate exploração ilegal de madeira e os incêndios criminosos na terra indígena. Ontem (15), foram apreendidos mais dois caminhões carregados de toras e um trator. Dez serrarias já estão lacradas nas cidades de Arame e Amarante.
Na região de Arame estão o maior número de aldeias e as áreas mais devastadas. Há indícios, ainda, da presença de traficantes e foragidos da Justiça. Nesta semana, 60 homens da Força Nacional de Segurança desembarcaram no acampamento montado pelo Exército no município, sem data para sair.
A Operação Araribóia pode ser prorrogada por tempo indeterminado e, segundo os coordenadores, é certo que não se encerrará antes de meados de dezembro.
Aliás, é a Agência Brasil a única que vem acompanhando essa operação muito importante para toda a região. Estamos torcendo para que continue e dê certo.
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Agentes da Operação Araribóia queimam mais uma plantação de maconha e cacique será processado
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A presença de quase 200 agentes de fiscalização e policiamento em Arame, no Maranhão, no extremo leste da terra indígena Araribóia, já surte efeitos. Ontem (15) foram apreendidos e queimados por agentes da Polícia Federal 1.800 pés de maconha encontrados nas proximidades da Aldeia Criuli, onde vivem índios da etnia Guajajara.
Era um plantio novo, que não estava em fase de colheita, e o cacique Manoel Paranan não foi preso, mas será indiciado, informou o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Imperatriz (MA), José Leite Piancó. A coordenação da operação havia prometido que os índios flagrados em irregularidades seriam tratados no rigor da lei.
Em ações anteriores da força-tarefa, outros 5 mil pés de maconha foram queimados. Em quase todas as aldeias dos índios Guajajara há alguns pés mas, na maioria delas, suficientes apenas para consumo próprio.
A Operação Araribóia também combate exploração ilegal de madeira e os incêndios criminosos na terra indígena. Ontem (15), foram apreendidos mais dois caminhões carregados de toras e um trator. Dez serrarias já estão lacradas nas cidades de Arame e Amarante.
Na região de Arame estão o maior número de aldeias e as áreas mais devastadas. Há indícios, ainda, da presença de traficantes e foragidos da Justiça. Nesta semana, 60 homens da Força Nacional de Segurança desembarcaram no acampamento montado pelo Exército no município, sem data para sair.
A Operação Araribóia pode ser prorrogada por tempo indeterminado e, segundo os coordenadores, é certo que não se encerrará antes de meados de dezembro.
Arrozeiros de Roraima querem ludibriar coordenador de sua retirada da T.I. Raposa Serra do Sol
Epa, perigo à vista em Roraima.
Os arrozeiros e um deputado federal estão querendo enrolar o coordenador da retirada deles da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Alegam que estão sendo mal tratados e que o governo não abriu terras para substituir as que eles vão perder por deixarem a terra indígena.
Vejam seus argumentos mais capciosos possíveis.
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RAPOSA SERRA DO SOL - Arrozeiros tentam evitar ação de força
Carvílio Pires
Em clima de tensão, os principais rizicultores do Estado, acompanhados do deputado federal Márcio Junqueira (DEM), tiveram uma reunião ontem pela manhã com o coordenador do Comitê Gestor da Presidência em Roraima, José Nagib. Sabendo das medidas adotadas pela Funai para retirá-los das fazendas, tentam evitar uma medida de força até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida o mérito das ações por eles ajuizadas.
Demonstrando irritação, o presidente da Associação dos Arrozeiros, Paulo César Quartiero, dizia que enquanto o Governo Federal diz querer diálogo, adotava medidas para retirá-los das fazendas. “Está claro que as promessas constantes do decreto de homologação eram apenas para nos enrolar. Não falaram no reassentamento em área equivalente às que ocupamos e nem as áreas nos foram apresentadas. Aí o diálogo justo cai por terra e estamos na iminência de afronta contra os nossos direitos se é que temos algum”, disse.
Conforme ele, nesse estágio parece que a discussão judicial em torno da propriedade virou artigo supérfluo diante do possível golpe de força. “No meu entender, parece que o Governo Federal já negociou a área com o estrangeiro e agora tem que desocupá-la para entregar aos novos donos. O que se vê na região é gente do PPTAL, ingleses, italianos, norte-americanos”.
De acordo com Quartiero, a intenção dos produtores é de resistência. “É claro que defendemos o nosso patrimônio, a nossa vida de trabalho. Mas temos consciência que estamos desempenhando um papel de também lutar pelo Estado de Roraima. Podemos ter mil defeitos, mas somos brasileiros patriotas”, destacou.
“Sem cumprir o decreto que prevê a indenização em dinheiro pelo valor real e nos realocar em área equivalente, querem que saiamos de nossas propriedades com uma indenização irrisória. O Governo Federal não cumpriu o decreto porque não existe área, não existe realocação e a indenização não é real. Nós estamos esperando que o governo cumpra o decreto”, declarou Itikawa.
POLÍTICA – Na avaliação do deputado Márcio Junqueira, a reunião foi proveitosa porque os produtores vão apresentar uma proposta para resolver a questão. A proposta é a possibilidade de uma consulta pública, como feita em relação às hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.
“O doutor Nagib concordou em iniciarmos a construção da proposta. O que me preocupa é o dia seguinte, o confronto. Por isso acredito que demos um passo para o entendimento sobre a questão dos produtores”, afirmou.
O parlamentar acredita que a boa vontade demonstrada pelo coordenador do Comitê em busca de uma solução de consenso é igual a do ministro Mares Guia e do presidente Lula. “O que nos trouxe aqui foram as declarações do presidente Lula de que não pode mais sacrificar o Estado mais pobre da Federação. Essa não é ação de um parlamentar, mas a vontade de toda a bancada, da classe política, do segmento empresarial e da sociedade. Acredito que o José Nagib pode contribuir para avançarmos nesse entendimento”. (C.P)
Os arrozeiros e um deputado federal estão querendo enrolar o coordenador da retirada deles da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Alegam que estão sendo mal tratados e que o governo não abriu terras para substituir as que eles vão perder por deixarem a terra indígena.
Vejam seus argumentos mais capciosos possíveis.
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RAPOSA SERRA DO SOL - Arrozeiros tentam evitar ação de força
Carvílio Pires
Em clima de tensão, os principais rizicultores do Estado, acompanhados do deputado federal Márcio Junqueira (DEM), tiveram uma reunião ontem pela manhã com o coordenador do Comitê Gestor da Presidência em Roraima, José Nagib. Sabendo das medidas adotadas pela Funai para retirá-los das fazendas, tentam evitar uma medida de força até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida o mérito das ações por eles ajuizadas.
Demonstrando irritação, o presidente da Associação dos Arrozeiros, Paulo César Quartiero, dizia que enquanto o Governo Federal diz querer diálogo, adotava medidas para retirá-los das fazendas. “Está claro que as promessas constantes do decreto de homologação eram apenas para nos enrolar. Não falaram no reassentamento em área equivalente às que ocupamos e nem as áreas nos foram apresentadas. Aí o diálogo justo cai por terra e estamos na iminência de afronta contra os nossos direitos se é que temos algum”, disse.
Conforme ele, nesse estágio parece que a discussão judicial em torno da propriedade virou artigo supérfluo diante do possível golpe de força. “No meu entender, parece que o Governo Federal já negociou a área com o estrangeiro e agora tem que desocupá-la para entregar aos novos donos. O que se vê na região é gente do PPTAL, ingleses, italianos, norte-americanos”.
De acordo com Quartiero, a intenção dos produtores é de resistência. “É claro que defendemos o nosso patrimônio, a nossa vida de trabalho. Mas temos consciência que estamos desempenhando um papel de também lutar pelo Estado de Roraima. Podemos ter mil defeitos, mas somos brasileiros patriotas”, destacou.
“Sem cumprir o decreto que prevê a indenização em dinheiro pelo valor real e nos realocar em área equivalente, querem que saiamos de nossas propriedades com uma indenização irrisória. O Governo Federal não cumpriu o decreto porque não existe área, não existe realocação e a indenização não é real. Nós estamos esperando que o governo cumpra o decreto”, declarou Itikawa.
POLÍTICA – Na avaliação do deputado Márcio Junqueira, a reunião foi proveitosa porque os produtores vão apresentar uma proposta para resolver a questão. A proposta é a possibilidade de uma consulta pública, como feita em relação às hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.
“O doutor Nagib concordou em iniciarmos a construção da proposta. O que me preocupa é o dia seguinte, o confronto. Por isso acredito que demos um passo para o entendimento sobre a questão dos produtores”, afirmou.
O parlamentar acredita que a boa vontade demonstrada pelo coordenador do Comitê em busca de uma solução de consenso é igual a do ministro Mares Guia e do presidente Lula. “O que nos trouxe aqui foram as declarações do presidente Lula de que não pode mais sacrificar o Estado mais pobre da Federação. Essa não é ação de um parlamentar, mas a vontade de toda a bancada, da classe política, do segmento empresarial e da sociedade. Acredito que o José Nagib pode contribuir para avançarmos nesse entendimento”. (C.P)
Festa do Mel, dos índios Guajajara
Os jornais do Maranhão só costumam fazer matérias negativas sobre os índios que lá vivem. Desta vez, o Jornal Pequeno traz uma matéria sobre o mais emocionante dos rituais guajajara, a Festa do Mel.
Vale a pena conferir essa pequena matéria pelo teor dado pelo jornal, inclusive com detalhes de proibição de uso de bebidas alcoólicas.
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Ritual sob sol a pino deixa índios em êxtase
Por volta das 15h de quarta-feira, com o sol a pino, atendendo ao chamados do cacique Vicente Guajajara, devidamente pintado com tintas de urucum e jenipapo, os índios se juntaram na entrada da aldeia, de onde, com ramos de árvores, começaram a se movimentar freneticamente de um lado para outro, como um verdadeiro enxame.
Essa parte do ritual, que levantou uma imensa nuvem de poeira, durou cerca de 20 minutos. Em seguida, os índios entraram na casa, onde por mais de um mês o mel da festa foi armazenado.
“Essa festa tem um significado muito grande para o nosso povo; é um momento mágico, resume o índio e servidor da Funai, Antônio Guajajara. Com cerca de 65 anos de idade, ele disse que havia anos não participava desse ritual.
No interior da “casa do mel”, com pouco espaço para se movimentar, devido à grande quantidade de participantes, os mais velhos da tribo (liderados pelo cacique Vicente Hamu) começaram a dançar em círculo, a entoar as “cantigas” da festa e a beber o mel, misturado com água. Alguns, embalados pela cantoria, uma espécie de mantra, entravam em êxtase. “É o espírito dono da festa chegando”, disse o índio Antônio Guajajara.
Além de beber o mel, os participantes tinham a cabeça molhada com a mesma mistura, seguros pelas orelhas e pelos cabelos, numa espécie de batismo. Em seguida, eram “benzidos” com um ramo de árvore e seguiam com a dança e os cânticos.
“Já disse que aqui não pode entrar bebida alcoólica”, gritou o cacique Vicente Guajajara, ao perceber que um jovem índio dançava com uma garrafa de cachaça. Por um instante, a cerimônia foi interrompida até que “o profanador” daquele espaço fosse retirado do local.
“É emocionante e estou muito feliz”, disse a professora Sônia Guajajara, 33 (formada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão), que nunca havia participado da “Festa do Mel”. “É mais do que importante se resgatar a cultura do nosso povo”, completou.
Imagem e meio ambiente – Não é somente com o resgate das antigas tradições que os líderes guajajaras estão preocupados. Entre eles há um sentimento muito forte pela preservação do meio ambiente e contra a imagem negativa que setores da sociedade ainda têm das comunidades indígenas.
“É muito bom que vocês estejam aqui para documentar esse momento, para mostrar à sociedade maranhense algo positivo do nosso povo. O que costuma ser divulgado, geralmente, é notícia ruim, coisa má. E, como você vê, temos muita coisa bonita para mostrar”, disse o cacique Tomás Guajajara, da Aldeia Tarumã, participante da “Festa do Mel”.
O ritual da festa foi precedido de uma festa profana, animada por pelo menos sete pequenas bandas. Uma delas, o “Som das Tribos”, formada por índios e mestiços guajajaras, é especializada em forró.
A lenda da 'Festa do Mel'
Há muitas lendas sobre a origem da “Festa do Mel”. A história varia muito, mas a essência é a mesma: o sobrenatural, o encantado, como os índios costumam falar.
Uma das versões é que a dança e as cantigas entoadas na festa foram ensinadas por uma onça encantada a um cacique chamado Aruwê.
Conta-se que Aruwê foi parar numa aldeia onde moravam onças que catavam mel na floresta. Lá, o índio se casou. Um dia, depois de muito tempo, Aruwê sentiu saudades de casa e decidiu voltar para sua aldeia, sendo recebido com festa por seu povo.
Quando quis retornar para a aldeia das onças, não conseguiu encontrar mais o caminho. Por isso, ele passou a ensinar a seus irmãos o que aprendeu no período em que viveu na aldeia encantada.
Os guajajaras são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil, sendo que a história deles tem cerca de 380 anos. Estão distribuídos em 11 áreas, todas no Maranhão. Grande parte das aldeias está na Reserva Araribóia, que vem sendo submetida a intensa devastação. Essa etnia integra, ao lado dos Guajá e Kaapor, o grupo Tupi dos índios maranhenses. No outro grupo, Timbira, estão os krikatis, gaviões e kanelas.
Vale a pena conferir essa pequena matéria pelo teor dado pelo jornal, inclusive com detalhes de proibição de uso de bebidas alcoólicas.
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Ritual sob sol a pino deixa índios em êxtase
Por volta das 15h de quarta-feira, com o sol a pino, atendendo ao chamados do cacique Vicente Guajajara, devidamente pintado com tintas de urucum e jenipapo, os índios se juntaram na entrada da aldeia, de onde, com ramos de árvores, começaram a se movimentar freneticamente de um lado para outro, como um verdadeiro enxame.
Essa parte do ritual, que levantou uma imensa nuvem de poeira, durou cerca de 20 minutos. Em seguida, os índios entraram na casa, onde por mais de um mês o mel da festa foi armazenado.
“Essa festa tem um significado muito grande para o nosso povo; é um momento mágico, resume o índio e servidor da Funai, Antônio Guajajara. Com cerca de 65 anos de idade, ele disse que havia anos não participava desse ritual.
No interior da “casa do mel”, com pouco espaço para se movimentar, devido à grande quantidade de participantes, os mais velhos da tribo (liderados pelo cacique Vicente Hamu) começaram a dançar em círculo, a entoar as “cantigas” da festa e a beber o mel, misturado com água. Alguns, embalados pela cantoria, uma espécie de mantra, entravam em êxtase. “É o espírito dono da festa chegando”, disse o índio Antônio Guajajara.
Além de beber o mel, os participantes tinham a cabeça molhada com a mesma mistura, seguros pelas orelhas e pelos cabelos, numa espécie de batismo. Em seguida, eram “benzidos” com um ramo de árvore e seguiam com a dança e os cânticos.
“Já disse que aqui não pode entrar bebida alcoólica”, gritou o cacique Vicente Guajajara, ao perceber que um jovem índio dançava com uma garrafa de cachaça. Por um instante, a cerimônia foi interrompida até que “o profanador” daquele espaço fosse retirado do local.
“É emocionante e estou muito feliz”, disse a professora Sônia Guajajara, 33 (formada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão), que nunca havia participado da “Festa do Mel”. “É mais do que importante se resgatar a cultura do nosso povo”, completou.
Imagem e meio ambiente – Não é somente com o resgate das antigas tradições que os líderes guajajaras estão preocupados. Entre eles há um sentimento muito forte pela preservação do meio ambiente e contra a imagem negativa que setores da sociedade ainda têm das comunidades indígenas.
“É muito bom que vocês estejam aqui para documentar esse momento, para mostrar à sociedade maranhense algo positivo do nosso povo. O que costuma ser divulgado, geralmente, é notícia ruim, coisa má. E, como você vê, temos muita coisa bonita para mostrar”, disse o cacique Tomás Guajajara, da Aldeia Tarumã, participante da “Festa do Mel”.
O ritual da festa foi precedido de uma festa profana, animada por pelo menos sete pequenas bandas. Uma delas, o “Som das Tribos”, formada por índios e mestiços guajajaras, é especializada em forró.
A lenda da 'Festa do Mel'
Há muitas lendas sobre a origem da “Festa do Mel”. A história varia muito, mas a essência é a mesma: o sobrenatural, o encantado, como os índios costumam falar.
Uma das versões é que a dança e as cantigas entoadas na festa foram ensinadas por uma onça encantada a um cacique chamado Aruwê.
Conta-se que Aruwê foi parar numa aldeia onde moravam onças que catavam mel na floresta. Lá, o índio se casou. Um dia, depois de muito tempo, Aruwê sentiu saudades de casa e decidiu voltar para sua aldeia, sendo recebido com festa por seu povo.
Quando quis retornar para a aldeia das onças, não conseguiu encontrar mais o caminho. Por isso, ele passou a ensinar a seus irmãos o que aprendeu no período em que viveu na aldeia encantada.
Os guajajaras são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil, sendo que a história deles tem cerca de 380 anos. Estão distribuídos em 11 áreas, todas no Maranhão. Grande parte das aldeias está na Reserva Araribóia, que vem sendo submetida a intensa devastação. Essa etnia integra, ao lado dos Guajá e Kaapor, o grupo Tupi dos índios maranhenses. No outro grupo, Timbira, estão os krikatis, gaviões e kanelas.
Índios não querem saída da administração de Bauru
Os índios Terena e Kaingang da região de Bauru, onde está uma administração da Funai, vêm reclamando que não são ouvidos na mudança da sede administração, de Bauru para Santos, que a atual gestão da Funai quer fazer. Chegaram a prender o atual administrador por alguns horas para planejar o modo de serem ouvidos pela Funai em Brasília.
É evidente que os índios do interior de São Paulo não querem perder a administração. Algumas lideranças vêm fazendo muito barulho contra isso e contra quem quer que a Funai coloque como administrador. Vai ser difícil resolver essa parada sem contestações cada vez mais altas.
Confiram as duas matérias vindas de jornais de Bauru e Avaí.________________________________________________________________
Reestruturação da Funai é realizada à revelia de índios, alegam caciques
Luciana La Fortezza
A reestruturação pela qual passa a Fundação Nacional do Índio (Funai) em todo País, que prevê inclusive a transferência da regional do órgão federal de Bauru para Santos, ocorre à revelia das aldeias situadas em Avaí. A queixa partiu dos próprios caciques que, reunidos, agendaram para amanhã um encontro com o atual administrador da regional em Bauru, Cristino Aparecido Cabreira Machado.
“Nós temos o direito de participar. Queremos saber o que vai acontecer. Muitos funcionários da Funai são índios”, explica o cacique a tribo Teregua, Anildo Lulu. Ontem, ele tentou protocolar no órgão o convite para a reunião, mas em virtude do ponto facultativo não havia ninguém no local.
De acordo com Lulu, as aldeias querem aproveitar a oportunidade para demonstrar interesse nas mudanças, que também teriam sido provocadas pela pressão feita pelo grupo de caciques. Em maio deste ano, eles fizeram um levante contra o administrador anterior, Newton Machado Bueno.
Ao acompanhar a reestruturação, os caciques esperam proteger suas tribos e resolver questões, como por exemplo, as relacionadas a recursos financeiros - o montante liberado para a compra de óleo diesel, além de conserto e manutenção de máquinas agrícolas seria insuficiente, dizem os caciques.
Qualquer queixa registrada em Avaí, a partir do início do próximo ano, quando a regional da Funai estará sediada em Santos, deverá ser encaminhada para um escritório local destinado às articulações junto às lideranças indígenas.
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Administrador da Funai fica 6 horas em poder dos índios
Pressão das aldeias em Avaí leva interino a entregar o cargo para troca
Índios da aldeia Tereguá em Avaí mantiveram sob seu poder, ontem, durante seis horas, o administrador interino da Funai de Bauru (Fundação Nacional dos Índios), Cristino Aparecido Cabreira Machado, 44 anos. Apesar de Cristino dizer que se tratava de uma reunião pacífica, o portão foi mantido fechado sob vigilância de alguns índios.
Durante as negociações Cristino tentava organizar comissão de líderes das aldeias para formular uma estratégia para chamar a atenção dos dirigentes em Brasília. “Não consigo falar com a presidência e nem com ninguém da administração”, explicava o interino depois de telefonar insistentemente para seus superiores.
As discussões foram encerradas apenas quando ele conseguiu um contato com a sede no Distrito Federal e colocou o seu cargo à disposição com o acordo de entrega de um documento, para o diretor de assistência da Funai, em Brasília, Aloysio Antônio Castelo Guapindaia, solicitando a nomeação do funcionário de carreira da sede regional, que é de confiança dos índios, Emílio Barbosa Neto, para substituí-lo até o dia 25.
Depois desta data, os líderes das 36 aldeias dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que integram a Funai de Bauru, acreditam que vão eleger um índio para assumir a posição de administrador. “Queremos firmar parcerias. Para isso precisamos de alguém lá dentro [da Funai] que entenda as nossas dificuldades”, argumenta o cacique da Tereguá, Anildo Lulu, 36 anos.
Anildo diz que existe uma incompatibilidade ideológica entre a comunidade indígena e os administradores da Funai. “Eles conhecem a história dos índios, nós vivemos ela. Ninguém melhor do que a gente para saber de nossas necessidades”, justifica o cacique sobre a nomeação de um índio para a administração da Funai regional, que em meados de fevereiro de 2008 ganha nova sede em Santos (SP).
É evidente que os índios do interior de São Paulo não querem perder a administração. Algumas lideranças vêm fazendo muito barulho contra isso e contra quem quer que a Funai coloque como administrador. Vai ser difícil resolver essa parada sem contestações cada vez mais altas.
Confiram as duas matérias vindas de jornais de Bauru e Avaí.________________________________________________________________
Reestruturação da Funai é realizada à revelia de índios, alegam caciques
Luciana La Fortezza
A reestruturação pela qual passa a Fundação Nacional do Índio (Funai) em todo País, que prevê inclusive a transferência da regional do órgão federal de Bauru para Santos, ocorre à revelia das aldeias situadas em Avaí. A queixa partiu dos próprios caciques que, reunidos, agendaram para amanhã um encontro com o atual administrador da regional em Bauru, Cristino Aparecido Cabreira Machado.
“Nós temos o direito de participar. Queremos saber o que vai acontecer. Muitos funcionários da Funai são índios”, explica o cacique a tribo Teregua, Anildo Lulu. Ontem, ele tentou protocolar no órgão o convite para a reunião, mas em virtude do ponto facultativo não havia ninguém no local.
De acordo com Lulu, as aldeias querem aproveitar a oportunidade para demonstrar interesse nas mudanças, que também teriam sido provocadas pela pressão feita pelo grupo de caciques. Em maio deste ano, eles fizeram um levante contra o administrador anterior, Newton Machado Bueno.
Ao acompanhar a reestruturação, os caciques esperam proteger suas tribos e resolver questões, como por exemplo, as relacionadas a recursos financeiros - o montante liberado para a compra de óleo diesel, além de conserto e manutenção de máquinas agrícolas seria insuficiente, dizem os caciques.
Qualquer queixa registrada em Avaí, a partir do início do próximo ano, quando a regional da Funai estará sediada em Santos, deverá ser encaminhada para um escritório local destinado às articulações junto às lideranças indígenas.
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Administrador da Funai fica 6 horas em poder dos índios
Pressão das aldeias em Avaí leva interino a entregar o cargo para troca
Índios da aldeia Tereguá em Avaí mantiveram sob seu poder, ontem, durante seis horas, o administrador interino da Funai de Bauru (Fundação Nacional dos Índios), Cristino Aparecido Cabreira Machado, 44 anos. Apesar de Cristino dizer que se tratava de uma reunião pacífica, o portão foi mantido fechado sob vigilância de alguns índios.
Durante as negociações Cristino tentava organizar comissão de líderes das aldeias para formular uma estratégia para chamar a atenção dos dirigentes em Brasília. “Não consigo falar com a presidência e nem com ninguém da administração”, explicava o interino depois de telefonar insistentemente para seus superiores.
As discussões foram encerradas apenas quando ele conseguiu um contato com a sede no Distrito Federal e colocou o seu cargo à disposição com o acordo de entrega de um documento, para o diretor de assistência da Funai, em Brasília, Aloysio Antônio Castelo Guapindaia, solicitando a nomeação do funcionário de carreira da sede regional, que é de confiança dos índios, Emílio Barbosa Neto, para substituí-lo até o dia 25.
Depois desta data, os líderes das 36 aldeias dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que integram a Funai de Bauru, acreditam que vão eleger um índio para assumir a posição de administrador. “Queremos firmar parcerias. Para isso precisamos de alguém lá dentro [da Funai] que entenda as nossas dificuldades”, argumenta o cacique da Tereguá, Anildo Lulu, 36 anos.
Anildo diz que existe uma incompatibilidade ideológica entre a comunidade indígena e os administradores da Funai. “Eles conhecem a história dos índios, nós vivemos ela. Ninguém melhor do que a gente para saber de nossas necessidades”, justifica o cacique sobre a nomeação de um índio para a administração da Funai regional, que em meados de fevereiro de 2008 ganha nova sede em Santos (SP).
Floresta amazônica leva 70 anos para se recuperar. Alguém duvida?
Esta é uma notícia, vinda do jornal Folha de São Paulo, que muitos indigenistas e antropólogos que viveram em aldeias indígenas duvidam.
Por que será que leva tanto tempo para a floresta se recuperar depois de um desmate primário? Segundo os índios, em dez, quinze anos a capoeira formada, certamente não igual à floresta primária, já se recompôs em boa parte.
Será que são precisos 70 anos para a recuperação, mesmo assim parcial? Será que o pesquisador não esqueceu de levar outras variantes em consideração?
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AMAZÔNIA
Floresta desmatada leva 70 anos para recuperar nutriente
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Um estudo que analisou como as áreas desmatadas da Amazônia se recuperam ao longo do tempo traz hoje uma notícia boa e uma ruim. Ao analisar florestas que voltaram a crescer depois de terem sido derrubadas, cientistas descobriram que, ao longo do tempo, elas recuperam seu nível de nitrogênio, um nutriente fundamental para o solo. O processo, porém, leva décadas.
"Nos temos a boa notícia de que a floresta se regenera e ainda recupera seu ciclo de nitrogênio; a má notícia é que isso leva pelo menos 70 anos", diz Luiz Martinelli, pesquisador da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP) e autor principal do trabalho.
Em estudo na edição de hoje da revista "Nature" (www.nature.com) , Martinelli e colegas detalham como esse processo ocorre.
No início, a floresta em regeneração dá lugar sobretudo a árvores que conservam nitrogênio (emitem poucos gases com esse elemento) e não sofrem muita queda de folhas. Só após algum tempo, quando a mata secundária ("capoeira") restabelece seu nível de nitrogênio, espécies que dependem desse elemento em abundância retornam ao ambiente.
Mas isso não quer dizer que a biodiversidade se recupere. Após esse período de cerca de 70 anos, a floresta retoma só entre 70% e 80% de sua biomassa original e, ainda assim, com uma vegetação bem menos diversa.
"Mas agora, sabendo melhor como o sistema funciona, podemos estudar intervenções", diz Martinelli. Entre medidas que podem acelerar a regeneração de mata secundária está, por exemplo, o plantio de leguminosas, que ajuda a floresta a reter nitrogênio. Adubo com fósforo, em outra frente, poderia suprir a falta mais crônica desse outro nutriente.
Por que será que leva tanto tempo para a floresta se recuperar depois de um desmate primário? Segundo os índios, em dez, quinze anos a capoeira formada, certamente não igual à floresta primária, já se recompôs em boa parte.
Será que são precisos 70 anos para a recuperação, mesmo assim parcial? Será que o pesquisador não esqueceu de levar outras variantes em consideração?
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AMAZÔNIA
Floresta desmatada leva 70 anos para recuperar nutriente
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Um estudo que analisou como as áreas desmatadas da Amazônia se recuperam ao longo do tempo traz hoje uma notícia boa e uma ruim. Ao analisar florestas que voltaram a crescer depois de terem sido derrubadas, cientistas descobriram que, ao longo do tempo, elas recuperam seu nível de nitrogênio, um nutriente fundamental para o solo. O processo, porém, leva décadas.
"Nos temos a boa notícia de que a floresta se regenera e ainda recupera seu ciclo de nitrogênio; a má notícia é que isso leva pelo menos 70 anos", diz Luiz Martinelli, pesquisador da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP) e autor principal do trabalho.
Em estudo na edição de hoje da revista "Nature" (www.nature.com) , Martinelli e colegas detalham como esse processo ocorre.
No início, a floresta em regeneração dá lugar sobretudo a árvores que conservam nitrogênio (emitem poucos gases com esse elemento) e não sofrem muita queda de folhas. Só após algum tempo, quando a mata secundária ("capoeira") restabelece seu nível de nitrogênio, espécies que dependem desse elemento em abundância retornam ao ambiente.
Mas isso não quer dizer que a biodiversidade se recupere. Após esse período de cerca de 70 anos, a floresta retoma só entre 70% e 80% de sua biomassa original e, ainda assim, com uma vegetação bem menos diversa.
"Mas agora, sabendo melhor como o sistema funciona, podemos estudar intervenções", diz Martinelli. Entre medidas que podem acelerar a regeneração de mata secundária está, por exemplo, o plantio de leguminosas, que ajuda a floresta a reter nitrogênio. Adubo com fósforo, em outra frente, poderia suprir a falta mais crônica desse outro nutriente.
Usina de açúcar mantinha trabalhadores Guarani em condições de escravos
Matéria da Folha de São Paulo analisa as condições degradantes em que trabalhavam mais de 800 índios Guarani numa usina de açúcar e álcool, no sul do Mato Grosso do Sul.
A usina contestou a reportagem, mas foi multada e interditada. Parte dos índios já retornou a suas aldeias.
Grande parte dos índios Guarani do Mato Grosso do Sul trabalha nessas usinas. As condições são ruins e pesadas, mas há uma campanha grande por parte da Justiça do Trabalho para melhorarem essas condições e os salários. A investigação ora reportada é fruto dessa intenção.
Os Guarani, quando saem ao trabalho, se ausentam por períodos longos e deixam suas famílias em dificuldades. É preciso que a Funai encontre um modo de amenizar essas dificuldades. É preciso que as condições de vida dos Guarani melhorem.
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Grupo flagra índios em situação degradante
Em usina de álcool em MS, fiscais do ministério do Trabalho encontram 820 pessoas em condição análoga à escravidão
Empresa afirma que fará "as correções"; usineiro foi um dos responsáveis por um manifesto, em 2006, pela reeleição do presidente Lula
JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA
Uma usina de álcool em Brasilândia (372 km de Campo Grande), em Mato Grosso do Sul, foi flagrada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel mantendo 820 índios em situação degradante de trabalho.
A usina é uma unidade da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool/Agrisul, que faz parte do grupo J.Pessoa, do usineiro João Pessoa de Queiroz Bisneto. Ele foi um dos responsáveis, em 2006, por um manifesto de empresários pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após operação do grupo composto por Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal, no dia 13, a usina foi interditada. O caso foi divulgado ontem.
"Já vi muitas fotos de presídios que tinham condições melhores do que as encontradas lá", disse o procurador do Trabalho e vice-coordenador nacional de combate ao trabalho escravo, Jonas Ratier Moreno. Ele esteve no local e classificou a situação dos trabalhadores de "extremamente degradante".
Entre as irregularidades foi constatado que os alojamentos ocupados pelos índios, das etnias guarani, caiuá e terena, estavam superlotados, sem armários ou locais para guardar roupas e objetos de uso pessoal. Nos alojamentos -onde índios estavam sendo alocados desde o início da safra (março/abril)- foram encontrados lixo espalhado pelo chão, restos de comida e esgoto a céu aberto.
A fiscalização apontou atraso no pagamento de salários e ausência de recolhimento do FGTS. Na área industrial, foi identificado excesso de vazamento nas tubulações, alto nível de ruído e presença de bagaços de cana ao ar livre, o que pode causar doenças respiratórias. Em um ônibus usado para o transporte dos índios, sacos de carvão forravam as poltronas, que não tinham encosto. Além disso, não havia cintos de segurança, lanternas estavam quebradas e a porta amarrada com tiras de câmara de ar.
A partir da próxima semana deve ser iniciado o pagamento das indenizações dos trabalhadores e a empresa será autuada, diz o Ministério do Trabalho.
Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), parte dos índios retornou a suas aldeias.
Outro lado
A Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool/Agrisul informou não ter sido comunicada sobre a interdição, mas disse que interromperá as atividades para fazer as correções. Segundo a empresa, "estão sendo tomadas medidas de correção, inclusive nos alojamentos", e a operação da usina deve ser retomada nesta semana.
A usina contestou a reportagem, mas foi multada e interditada. Parte dos índios já retornou a suas aldeias.
Grande parte dos índios Guarani do Mato Grosso do Sul trabalha nessas usinas. As condições são ruins e pesadas, mas há uma campanha grande por parte da Justiça do Trabalho para melhorarem essas condições e os salários. A investigação ora reportada é fruto dessa intenção.
Os Guarani, quando saem ao trabalho, se ausentam por períodos longos e deixam suas famílias em dificuldades. É preciso que a Funai encontre um modo de amenizar essas dificuldades. É preciso que as condições de vida dos Guarani melhorem.
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Grupo flagra índios em situação degradante
Em usina de álcool em MS, fiscais do ministério do Trabalho encontram 820 pessoas em condição análoga à escravidão
Empresa afirma que fará "as correções"; usineiro foi um dos responsáveis por um manifesto, em 2006, pela reeleição do presidente Lula
JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA
Uma usina de álcool em Brasilândia (372 km de Campo Grande), em Mato Grosso do Sul, foi flagrada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel mantendo 820 índios em situação degradante de trabalho.
A usina é uma unidade da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool/Agrisul, que faz parte do grupo J.Pessoa, do usineiro João Pessoa de Queiroz Bisneto. Ele foi um dos responsáveis, em 2006, por um manifesto de empresários pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após operação do grupo composto por Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal, no dia 13, a usina foi interditada. O caso foi divulgado ontem.
"Já vi muitas fotos de presídios que tinham condições melhores do que as encontradas lá", disse o procurador do Trabalho e vice-coordenador nacional de combate ao trabalho escravo, Jonas Ratier Moreno. Ele esteve no local e classificou a situação dos trabalhadores de "extremamente degradante".
Entre as irregularidades foi constatado que os alojamentos ocupados pelos índios, das etnias guarani, caiuá e terena, estavam superlotados, sem armários ou locais para guardar roupas e objetos de uso pessoal. Nos alojamentos -onde índios estavam sendo alocados desde o início da safra (março/abril)- foram encontrados lixo espalhado pelo chão, restos de comida e esgoto a céu aberto.
A fiscalização apontou atraso no pagamento de salários e ausência de recolhimento do FGTS. Na área industrial, foi identificado excesso de vazamento nas tubulações, alto nível de ruído e presença de bagaços de cana ao ar livre, o que pode causar doenças respiratórias. Em um ônibus usado para o transporte dos índios, sacos de carvão forravam as poltronas, que não tinham encosto. Além disso, não havia cintos de segurança, lanternas estavam quebradas e a porta amarrada com tiras de câmara de ar.
A partir da próxima semana deve ser iniciado o pagamento das indenizações dos trabalhadores e a empresa será autuada, diz o Ministério do Trabalho.
Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), parte dos índios retornou a suas aldeias.
Outro lado
A Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool/Agrisul informou não ter sido comunicada sobre a interdição, mas disse que interromperá as atividades para fazer as correções. Segundo a empresa, "estão sendo tomadas medidas de correção, inclusive nos alojamentos", e a operação da usina deve ser retomada nesta semana.
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