Ontem estive em Brasília e de passagem fui à Funai, à tarde. Fiquei muito feliz de ver velhos amigos, minha querida amiga Fátima, o indefectível Lopes, o generoso e discreto Raimundo, e diversos companheiros indigenistas, os quais visitei passando por seus gabinetes nos compridos e sombrios corredores da sede do órgão. Digo sombrios porque antes havia alguma luz, a presença de índios, de grupos de índios demandando alguma coisa, em geral problemas de demarcação de terras ou assistência econômica, ou simplesmente aparecendo no órgão para fiscalizá-lo, por assim dizer. A presença indígena é importante em especial quando os velhos índios se dispõem a conversar, contar suas vidas e ensinar aos indigenistas, jovens e velhos, as coisas da vida do índio, seus dilemas étnicos e seus problemas urbanos. Desta vez, não vi nenhum índio, nenhum pequeno grupo a visitar a capital, a não ser dois ou três funcionários do órgão, todos de cara triste.
Fui à Funai em caráter profissional. Estive na Coordenação Geral de Proteção ao Patrimônio e Meio Ambiente, cuja sigla era CGPIMA, que ainda permanece nas portas, mas não sei se preserva essa denominação. Ao que parece, o antigo CGPIMA, que os críticos dizem ser a entidade para facilitar o PAC, na verdade tem uma atitude bastante dura, e, ao mesmo tempo, ambígua a respeito do seu papel. Não vi nenhum dos membros antigos dessa área tão essencial à Funai e aos índios. Hoje parece que está comandado por ambientalistas e indigenistas jejunos e cheios de furor burocrático, com concepções simplistas e rígidas sobre o que constitui impacto, impondo pesadas restrições aos empreendimentos, por um lado, e vendo suas restrições descartadas por pressão de interesses políticos, em instâncias superiores, por outro. Vide o processo de licenciamento de Belo Monte.
Fui para tratar de um assunto simples, sobre o qual a Funai corriqueiramente resolve, mas que no caso se tornou complicado: o licenciamento de uma linha de transmissão de energia elétrica que vai de Oriximiná para Manaus, cidade que desde sempre padece por problemas de energia, suprida por uma velha e poluente usina de óleo diesel. Uma empresa de estudos ambientais, a Biodinâmica, que vem prestando serviço nessa área há 20 anos, sendo conhecida da Funai e do IBAMA, contratou um grupo de antropólogos e biólogos, ao qual fui incluído, para cumprir os termos de referência emitidos pela Funai há um ano em relação à construção dessa LT. A Funai foi convocada pelo IBAMA porque esta LT passa a 10,8 km da ponta norte da Terra Indígena Rio Urubu, a qual foi homologada na minha gestão de presidente da Funai. Conheço essa área, li os estudos feitos sobre ela, o seu povo, os Mura, os seus problemas e tudo mais. É uma bela terra indígena que se conecta à cidade de Itacoatiara via terrestre e ao rio Amazonas descendo o rio Urubu. Uma terra que tem problemas de invasores, pescadores e turistas, os quais a Funai tem sido incapaz de combater, não nessa administração, mas na minha, inclusive, por falta de pessoal, equipamento, recursos e muito mais. A LT, naquela altura, segue ao lado paralelo da rodovia AM-10, estrada construída há muitos anos, cujos impactos sobre a região e a terra indígena já foram absorvidos, já fizeram seus estragos, e hoje exerce impactos de naturezas diversas, por sua própria dinâmica. Os índios sabem disso e convivem com isso. Não há como considerar que a LT venha a engatilhar novos efeitos de impacto sobre essa terra indígena e sobre o povo que lá vive. Por exemplo, ela não vai agregar pessoal, como uma hidrelétrica ou uma fazenda ou uma mina. Tampouco vai incitar invasões, como madeireiros ou garimpeiros. Uma LT é símbolo de impacto, sem dúvida, pois provém de uma hidrelétrica e vai fornecer energia a alguém, mas, em si, não produz impactos dignos de nota aos povos indígenas ou a uma terra indígena, a não ser que atravesse uma terra indígena ou esteja muito próxima de uma região em que os povos indígenas presentes estejam em condições de isolamento. Ou mesmo quando representam algo novo, desconhecido, que abre caminhos, que atrai povoamento, como quando foi implantada a Linha Telegráfica entre Cuiabá e Porto Velho, pela Expedição Rondon. Hoje em dia, seria ilógico comparar as duas situações.
Por outro lado, impactos sociais e econômicos, alguns até positivos, estão sendo exercidos por outros vetores econômicos os quais nem a Funai nem o Estado têm controle. Por exemplo, o Programa Bolsa Família produz impacto sobre os povos indígenas, com fatores positivos e negativos. Idem para educação, aposentadoria, programas de saúde, etc. Turismo regulamentado ou não tem impacto na terra indígena, mesmo que seja fora delas, bem como invasões de lavradores, e agora a presença de gado criado pelos próprios índios. Não há como não levar esses casos em consideração, com pesos próprios. Cada uma por si só produz impactos de ordem social, econômica e política, e ainda cultural, e em conjunto provocam impactos sinérgicos, que exponenciam-se mutuamente, e induzem o processo de inclusão social dos índios, antes chamado de integração social dos índios à sociedade brasileiro mais ampla. Processo aliás criticado por causa da palavra integração, mas não pela palavra inclusão, conforme os atuais ideólogos da antropologia dogmática brasileira.
Enfim, por todos esses equívocos conceituais e analíticos, o parecer desse analista foi no sentido de que essa LT produzirá impactos "sinérgicos e cumulativos", sem nenhuma explicação analítica sobre como isso ocorreria, mas simplesmente se fiando no valor da expressão "sinérgicos e cumulativos". Aliás, essa expressão verbal parece ter se tornado a nova fórmula mágica dos analistas ambientalistas, tanto na Funai quanto no IBAMA, que não conseguem analisar e prospectivar exatamente o que poderá acontecer com a presença de um determinado vetor econômico. O modo como falam sobre esses impactos "sinérgicos e cumulativos" produzem, em quem fala, uma sensação de religiosidade, como se fosse uma reza, uma fórmula encantatória, uma aura santificada, que pretende exercer uma força de convencimento de verdade absoluta. Os acólitos comungam juntos, mas para quem não é acólito, a evidência mistificadora torna-se patente.
Sinto muito que esse tipo de atitude esteja dominando a Funai, um órgão cujos problemas se acumulam cada vez mais e cada vez mais precisa de inteligência criativa e solidária aos índios, precisa da presença de índios, não de burocratismo. O que essa atitude vai produzir, ao final, é algo parecido com o que aconteceu com a questão de demarcação de terras indígenas. Isto é, uma reação negativa em cadeia da parte dos empreendimentos cujos efeitos ou impactos são de pouca monta, em comparação com outros empreendimentos. Vão terminar levando seus reclamos a instâncias administrativas superiores, que terminarão por judicializar essa questão. Ou passar o trator por cima, com licença da dura expressão. Quando isso acontecer, que não venham chorar lágrimas de crocodilo. Seja o governo que virá por aí, é preciso que a Funai tenha clareza sobre seu papel e não meta os pés pelas mãos, levando a questão indígena a ser vista como um trambolho indesejável.
Um fato é certo: nivelar Belo Monte a uma simples LT que está a 10,8 km de uma terra indígena, cujo povo, os Mura, convive com a sociedade regional desde o século XVII, é simplificar por demais a questão indígena. É nivelá-la por baixo. O modo como tal atitude aparece aos empreendedores de boa fé, tenham eles razão ou não, é no sentido de que está-se criando dificuldades para prover facilidades. Péssimo.
De todo modo, tenho esperança de que isso não continuará ad aeternum. Tenho esperanças de que os velhos indigenistas serão capazes de ensinar aos jovens que estão entrando no órgão a respeitar o órgão e sua capacidade de ação, a incorporar novas inteligências indígenas. A Funai terá que se transformar, sem dúvida, mas não pelo caminho que está acontecendo. Há que prevalecer uma atitude de responsabilidade para com a questão indígena brasileira. Talvez só com a presença efetiva de lideranças indígenas é que a Funai poderá virar um órgão efetivo. Mesmo que produza mais dificuldades internas, é melhor do que ser um órgão burocrático que atende tão-somente a formalismos que servem mais para aplacar consciências tíbias do que produzir efeitos positivos para os índios.
Entre a cruz e a espada, entre o formalismo enrijecido e a facilitação política, nenhum dos dois. O caminho da Funai deve continuar a ser o respeito aos índios e sua participação na vida brasileira.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Álvaro Tukano faz duras críticas ao atual presidente da Funai
Um dos grandes e mais respeitados líderes indígenas do Brasil, Álvaro Tukano, que, junto com Marcos Terena e Mário Juruna, estabeleceram as bases do movimento indígena no Brasil, nos idos de 1979, escreveu email para deputados do PT, do qual é membro há muitos anos, no qual tece sérias críticas à atual gestão da Funai.
Álvaro Tukano exige que o presidente Lula tome providências antes que a situação política fique mais embaraçosa para ele, sobretudo nessas eleições.
____________________________________
Foram 47.651.434 votos para companheira Dilma Rousseff.
Sou ÍNDIO TUKANO, PETISTA, eleitor de BSB, Setorial dos Movimentos Populares do PT Nacional. Fomos traídos por Pres da FUNAI que, é, também, Pres Comissão Nacional de Política Indigenista - CNPI. Ele impôs reestruturação da Funai, sem consentimento das lideranças tradicionais. Ele nunca compareceu no Congresso Nacional quando foi convocado para dar explicações sobre os crimes que acontecem no MS e no resto país. Ele só trouxe "amigos" oportunistas, entre "ASPAS", sonhadores, amigos dos amigos para Brindar os Cargos de Confiança.... São todos de BELÉM, o que nunca foi aceito pelos petistas índios e simpatizantes.
Esse presidente da Funai, sem dúvida, defende a presença da FORÇA NACIONAL que continua até hoje na porta da FUNAI. Eu e outros fomos barrados para entrar na Funai, só éramos contrários à reestruturação e ideológicos puros para defender os interesses reais de nossos povos.
Enquanto isso, infelizmente, toda a fronteira do Brasil continua VAZIA, SEM FORÇA NACIONAL para combater as ARMAS PESADas dos TRAFICANES DE DROGAS.
Os Chefes de Postos Indígenas NAS ÁREAS, apesar de receber os salários em dia.
O Presidente da Funai, sem dúvida, corrompe os membros da CNPI que fizeram a roda de discussão fechada nos Hotèis de 5 Estrelas, Diárias e outras mordomias para defender os interesses pessoais do Presidente da FUNAI que, juntamente, com o Coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB ( anterior ) venderam os direitos coletivos das Nações Insdígenas.
Violaram os Direitos Nacionais e Internacionais das Nações Indígenas, mandaram construir a Usima Hidrelétrica da Belo Monte para grandes empresas privadas de sempre para matar ÍNDIOS e Florestas. Os índios do Mato Grosso não têm terra, água e vida. Os índios estão morrendo! Os índios do Xingú vão morrer em nome do DESENVOLMIMENTO PREDATÓRIO em todos os sentidos.
Ecologistas, índios e brancos, todos defensores da vida não acreditam na FUNAI e nos políticos que apóiam o atual pres Funai.
Por que o Pres LULA não atendeu as reivindicações das nações indígenas que defendem a vida das florestas e dos rios?
Em São Gabriel da Cachoeira, AM, os índios presentes no Hotel de Trânsito do Exército não pediram para salvar apenas algumas línguas indígenas - 20 - que custavam mais de 2.5 milhões de reais para os pesquisadores ligados ao atual pres Funai.
Hoje, os Pontos de Culturas Indígens - 75 no Brasil, não podem ser tratados com propriedades privadas do Sr. Levinho, Diretor do Nacional do Índio do Rio Janeiro, que vê os índios com objetos de pesquisa.
Digo isso com muita diganidade, que não somos gorilas, pernilongos, os bichinhos de estimação...
Nesse governo os direitos indígenas foram roubados. Até o Dr Paulo Panakararú, hoje, dirigindo a Ouvidoria, infelizmente, não está fazendo nada para defender os indios do MS e outros que são perseguidos pela Polícia Federal. Agora, ele gosta de viajar na ONU. Ninguém sabem o que ele diz por la...
Para atual pres Funai só valem os índios que são meramente informantes para os pesquisadores. Assim, NÃO DÁ!
Por causa da reestruturação autoritária por parte do atual pres Funai, sim, houve o derramento de sangue entre índios na porta da Funai, em janeiro do corrente. Mais de 700 índios fizeram protesto contra a reestruração forçada da Funai.
Essa incoerência indígenista por parte do Márcio Meira, sim, só trouxe desgaste política para o Partido dos Trabalhadores que, nas eleições passadas, 95% dos eleitores indígenas votaram no LULA. Se atual Governo fosse capar de salvar a ecologia deveria trocar o atual pres Funai que só deu desgaste político no movimento indígena.
A Associação Brasileira de Antropologia, sim, deveria rever a ÉTICA PROFISSIONAL à Questão Indígena. Quem está está no Governo LULA é Márcio que fica enganando todo tempo.
Quem está errado é o Ministério da Justiça que mandou derrubar dois árvores que davam sombra aos índios descontentes com a reestruturação. Em plena Esplanada dos Ministérios os índios enfrentaram mais de mil soldados montados em cavalos, carros, Polícia Civil e Militar, a PF. O Dr. Paulo Pankararú não defenderu absolutamente os parentes que deitavam no chão e que passavam todo tipo de humilhação, discriminação, fome e violência.
Então, meus caros companheiros, a DILMA e nós temos que ver tudo isso. Fora Márcio Meira!
Álvaro Tukano.
Álvaro Tukano exige que o presidente Lula tome providências antes que a situação política fique mais embaraçosa para ele, sobretudo nessas eleições.
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Foram 47.651.434 votos para companheira Dilma Rousseff.
Sou ÍNDIO TUKANO, PETISTA, eleitor de BSB, Setorial dos Movimentos Populares do PT Nacional. Fomos traídos por Pres da FUNAI que, é, também, Pres Comissão Nacional de Política Indigenista - CNPI. Ele impôs reestruturação da Funai, sem consentimento das lideranças tradicionais. Ele nunca compareceu no Congresso Nacional quando foi convocado para dar explicações sobre os crimes que acontecem no MS e no resto país. Ele só trouxe "amigos" oportunistas, entre "ASPAS", sonhadores, amigos dos amigos para Brindar os Cargos de Confiança.... São todos de BELÉM, o que nunca foi aceito pelos petistas índios e simpatizantes.
Esse presidente da Funai, sem dúvida, defende a presença da FORÇA NACIONAL que continua até hoje na porta da FUNAI. Eu e outros fomos barrados para entrar na Funai, só éramos contrários à reestruturação e ideológicos puros para defender os interesses reais de nossos povos.
Enquanto isso, infelizmente, toda a fronteira do Brasil continua VAZIA, SEM FORÇA NACIONAL para combater as ARMAS PESADas dos TRAFICANES DE DROGAS.
Os Chefes de Postos Indígenas NAS ÁREAS, apesar de receber os salários em dia.
O Presidente da Funai, sem dúvida, corrompe os membros da CNPI que fizeram a roda de discussão fechada nos Hotèis de 5 Estrelas, Diárias e outras mordomias para defender os interesses pessoais do Presidente da FUNAI que, juntamente, com o Coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB ( anterior ) venderam os direitos coletivos das Nações Insdígenas.
Violaram os Direitos Nacionais e Internacionais das Nações Indígenas, mandaram construir a Usima Hidrelétrica da Belo Monte para grandes empresas privadas de sempre para matar ÍNDIOS e Florestas. Os índios do Mato Grosso não têm terra, água e vida. Os índios estão morrendo! Os índios do Xingú vão morrer em nome do DESENVOLMIMENTO PREDATÓRIO em todos os sentidos.
Ecologistas, índios e brancos, todos defensores da vida não acreditam na FUNAI e nos políticos que apóiam o atual pres Funai.
Por que o Pres LULA não atendeu as reivindicações das nações indígenas que defendem a vida das florestas e dos rios?
Em São Gabriel da Cachoeira, AM, os índios presentes no Hotel de Trânsito do Exército não pediram para salvar apenas algumas línguas indígenas - 20 - que custavam mais de 2.5 milhões de reais para os pesquisadores ligados ao atual pres Funai.
Hoje, os Pontos de Culturas Indígens - 75 no Brasil, não podem ser tratados com propriedades privadas do Sr. Levinho, Diretor do Nacional do Índio do Rio Janeiro, que vê os índios com objetos de pesquisa.
Digo isso com muita diganidade, que não somos gorilas, pernilongos, os bichinhos de estimação...
Nesse governo os direitos indígenas foram roubados. Até o Dr Paulo Panakararú, hoje, dirigindo a Ouvidoria, infelizmente, não está fazendo nada para defender os indios do MS e outros que são perseguidos pela Polícia Federal. Agora, ele gosta de viajar na ONU. Ninguém sabem o que ele diz por la...
Para atual pres Funai só valem os índios que são meramente informantes para os pesquisadores. Assim, NÃO DÁ!
Por causa da reestruturação autoritária por parte do atual pres Funai, sim, houve o derramento de sangue entre índios na porta da Funai, em janeiro do corrente. Mais de 700 índios fizeram protesto contra a reestruração forçada da Funai.
Essa incoerência indígenista por parte do Márcio Meira, sim, só trouxe desgaste política para o Partido dos Trabalhadores que, nas eleições passadas, 95% dos eleitores indígenas votaram no LULA. Se atual Governo fosse capar de salvar a ecologia deveria trocar o atual pres Funai que só deu desgaste político no movimento indígena.
A Associação Brasileira de Antropologia, sim, deveria rever a ÉTICA PROFISSIONAL à Questão Indígena. Quem está está no Governo LULA é Márcio que fica enganando todo tempo.
Quem está errado é o Ministério da Justiça que mandou derrubar dois árvores que davam sombra aos índios descontentes com a reestruturação. Em plena Esplanada dos Ministérios os índios enfrentaram mais de mil soldados montados em cavalos, carros, Polícia Civil e Militar, a PF. O Dr. Paulo Pankararú não defenderu absolutamente os parentes que deitavam no chão e que passavam todo tipo de humilhação, discriminação, fome e violência.
Então, meus caros companheiros, a DILMA e nós temos que ver tudo isso. Fora Márcio Meira!
Álvaro Tukano.
2º Turno pode abrir novas discussões sobre questão indígena
O resultado das eleições nacionais do 1º Turno, com Dilma Rousseff em primeiro lugar, José Serra em segundo e Marina Silva em terceiro, nos leva ao 2º Turno, cuja eleição se dará no dia 31 de outubro.
Serão quatro semanas de debates entre os candidatos Dilma e Serra, com os apoios dos governadores, senadores e deputados já eleitos, e na luta também para a eleição dos governadores que estão em disputa em vários estados, como Alagoas, Paraíba, Piauí, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia e Goiás.
É chegada a hora de fazer com que estes candidatos explicitem sua visão da questão indígena, sua plataforma sobre o que intencionam fazer. É preciso que os índios cheguem perto deles e exijam que eles falem sobre esse assunto.
O certo é que, pelo resultado obtido na última Enquete sobre os candidatos a presidente, os participantes desse Blog demonstraram que preferiam Marina Silva aos demais candidatos. Isto quer dizer que Serra e Dilma têm que mostrar a que vieram em relação à questão indígena para merecer os votos daqueles que estavam favoráveis a Marina Silva.
Nesse sentido, lançamos a Enquete: Qual candidato merece o votos dos índios e dos indigenistas?. Consideramos aqui que todos que participam desse Blog são ou índios ou de algum modo indigenistas.
Por sua vez, aproveitem para votar na enquete seguinte, que trata da questão sobre que atitude os índios deveriam ter em relação aos empreendimentos perto de suas terras indígenas.
Serão quatro semanas de debates entre os candidatos Dilma e Serra, com os apoios dos governadores, senadores e deputados já eleitos, e na luta também para a eleição dos governadores que estão em disputa em vários estados, como Alagoas, Paraíba, Piauí, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia e Goiás.
É chegada a hora de fazer com que estes candidatos explicitem sua visão da questão indígena, sua plataforma sobre o que intencionam fazer. É preciso que os índios cheguem perto deles e exijam que eles falem sobre esse assunto.
O certo é que, pelo resultado obtido na última Enquete sobre os candidatos a presidente, os participantes desse Blog demonstraram que preferiam Marina Silva aos demais candidatos. Isto quer dizer que Serra e Dilma têm que mostrar a que vieram em relação à questão indígena para merecer os votos daqueles que estavam favoráveis a Marina Silva.
Nesse sentido, lançamos a Enquete: Qual candidato merece o votos dos índios e dos indigenistas?. Consideramos aqui que todos que participam desse Blog são ou índios ou de algum modo indigenistas.
Por sua vez, aproveitem para votar na enquete seguinte, que trata da questão sobre que atitude os índios deveriam ter em relação aos empreendimentos perto de suas terras indígenas.
domingo, 3 de outubro de 2010
Vai dar 2º Turno na eleição da questão indígena
Ao contrário das pesquisas de opinião, neste Blog os participantes decidiram claramente que deve haver 2º Turno para definir qual presidente seria melhor para os povos indígenas.
As porcentagens de votação são parecidas com as dadas nas pesquisas, mas a ordem dos candidatos é que é diferente. Vejam:
Quem merece o voto dos índios em 3 de outubro?
Marina Silva -------------- 45%
José Serra ----------------- 27%
Dilma Rousseff----------- 20%
Plínio Sampaio----------- 6%
Tendo 2º turno abriremos nova Enquente.
Aproveitem e votem na Enquete ao lado que trata de saber a opinião dos participantes deste Blog sobre qual a atitude que os índios deveriam ter diante dos empreendimentos que estão chegando perto de suas terras.
As porcentagens de votação são parecidas com as dadas nas pesquisas, mas a ordem dos candidatos é que é diferente. Vejam:
Quem merece o voto dos índios em 3 de outubro?
Marina Silva -------------- 45%
José Serra ----------------- 27%
Dilma Rousseff----------- 20%
Plínio Sampaio----------- 6%
Tendo 2º turno abriremos nova Enquente.
Aproveitem e votem na Enquete ao lado que trata de saber a opinião dos participantes deste Blog sobre qual a atitude que os índios deveriam ter diante dos empreendimentos que estão chegando perto de suas terras.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Duas enquetes em votação
Aí estão ao lado duas enquetes:
A primeira enquete pergunta sobre quem seria o melhor presidente para os povos indígenas. É uma enquete que termina no sábado à noite e pretende dar uma ideia sobre quem os participantes deste Blog estão pensando em votar, tendo em conta o que cada um poderia fazer pelos povos indígenas. Como todos podem imaginar, há pontos positivos e pontos negativos em cada opção.
A Dilma Rousseff, por exemplo, pode significar a continuação do que está aí, porém com alguma mudança, talvez mais seriedade com a Funai, ou, ao menos, mais respeito aos povos indígenas. Ou pode passar o trator com mais força ainda sobre os licenciamentos do PAC.
José Serra pode significar uma mudança radical na Funai, não sei se para pior ou melhor. Se seguir a tradição de FHC, vai terceirizá-la ainda mais, talvez até estadualizar a questão indígena mais ainda.
Marina Silva tem um histórico de relacionamento próximo com povos indígenas, acompanhou de perto a minha gestão e ajudou em muitos aspectos. Mas, vem acompanhada das ONGs paulistas e do comportamento gerencial que seu pessoal desenvolveu no MMA. Não disse um piu quanto à reestruturação da Funai, por exemplo, mesmo sabendo do que estava acontecendo.
Plínio Sampaio está mais para vovô bom-moço, não há o que prever o que ele faria.
Enfim, estas são minhas opiniões em poucas palavras. As opções são difíceis. Escolha seu candidato pelo que você achar melhor, e faça seus comentários à vontade.
A segunda enquete é mais persistente e de certa forma até mais importante, e vai ficar mais tempo no Blog. Ela faz uma pergunta contundente, a qual raramente se pergunta, e da qual quase todos querem fugir: o que os índios deveriam fazer diante dos empreendimentos que estão vindo para a Amazônia e para perto de suas terras, em muitos casos afetando-os diretamente, em outros indiretamente?
As opções de resposta são simples e decisivas. Sua opinião é muito importante para balizar a visão deste Blog.
Aproveitem e votem com consciência!
A primeira enquete pergunta sobre quem seria o melhor presidente para os povos indígenas. É uma enquete que termina no sábado à noite e pretende dar uma ideia sobre quem os participantes deste Blog estão pensando em votar, tendo em conta o que cada um poderia fazer pelos povos indígenas. Como todos podem imaginar, há pontos positivos e pontos negativos em cada opção.
A Dilma Rousseff, por exemplo, pode significar a continuação do que está aí, porém com alguma mudança, talvez mais seriedade com a Funai, ou, ao menos, mais respeito aos povos indígenas. Ou pode passar o trator com mais força ainda sobre os licenciamentos do PAC.
José Serra pode significar uma mudança radical na Funai, não sei se para pior ou melhor. Se seguir a tradição de FHC, vai terceirizá-la ainda mais, talvez até estadualizar a questão indígena mais ainda.
Marina Silva tem um histórico de relacionamento próximo com povos indígenas, acompanhou de perto a minha gestão e ajudou em muitos aspectos. Mas, vem acompanhada das ONGs paulistas e do comportamento gerencial que seu pessoal desenvolveu no MMA. Não disse um piu quanto à reestruturação da Funai, por exemplo, mesmo sabendo do que estava acontecendo.
Plínio Sampaio está mais para vovô bom-moço, não há o que prever o que ele faria.
Enfim, estas são minhas opiniões em poucas palavras. As opções são difíceis. Escolha seu candidato pelo que você achar melhor, e faça seus comentários à vontade.
A segunda enquete é mais persistente e de certa forma até mais importante, e vai ficar mais tempo no Blog. Ela faz uma pergunta contundente, a qual raramente se pergunta, e da qual quase todos querem fugir: o que os índios deveriam fazer diante dos empreendimentos que estão vindo para a Amazônia e para perto de suas terras, em muitos casos afetando-os diretamente, em outros indiretamente?
As opções de resposta são simples e decisivas. Sua opinião é muito importante para balizar a visão deste Blog.
Aproveitem e votem com consciência!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
40 famílias Pankararu tiveram suas casas incendiadas em São Paulo
Este Blog e todos seus participantes gostariam de transmitir aos Pankararu que vivem em São Paulo sua solidariedade pelo sofrimento que estão passando ao sofrerem o incêndio que destruiu suas residências em São Paulo.
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INDÍGENAS NO INCÊNDIO DA FAVELA REAL PARQUE: Cerca de 40 famílias indígenas foram atingidas
Por racismoambiental, 25/09/2010 14:26
Vanessa Ramos*
De um lado, a favela do Real Parque com muitas habitações precárias. De outro, a Ponte Estaiada e condomínios de luxo. Um dos lados exige condições dignas de moradia e sobrevivência, enquanto outro prefere a preservação daquilo que tem sido um cartão-postal dentro da cidade de São Paulo incitando, inclusive, o mercado imobiliário.
Mas apenas um lado sofre nesse momento. Um incêndio atingiu a favela do Real Parque, na zona sul de São Paulo, na manhã da sexta-feira (24/09). No local que era conhecido pelos moradores como alojamento da Rocinha, viviam cerca de 300 famílias, em um número aproximado de 1.200 pessoas, conforme informações da subprefeitura do Butantã.
Foi grande o desespero das pessoas no local e o fogo se alastrou rapidamente nos barracos construídos em madeira e em alvenaria. A maioria dos que viviam no alojamento estavam trabalhando no momento e, ao receberem a informação, correram para socorrer pessoas da família e algum objeto que pudessem resgatar. Não se conhece a causa do incêndio, mas, de acordo com informações, não há mortos no local.
Poder Público
A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), a Defesa Civil Municipal, o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e a Subprefeitura do Butantã estiveram reunidos no local com moradores e lideranças do Real Parque. Conforme moradores locais, estas representações do poder público explicaram que em um primeiro momento iriam cadastrar as famílias que perderam as moradias.
Num segundo momento, distribuiriam um kit básico com cobertores, alimentos, colchões e outros itens básicos. Além disso, afirmaram não poder fazer nada imediato para abrigar as famílias. Apenas a partir dos dias 28 e 29 de setembro falariam com as famílias, ofereceriam uma bolsa aluguel no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), provisoriamente por doze meses. Segundo consta, dar-se-á início a construção de conjuntos habitacionais, mas, não foram apresentas datas previstas.
Na reunião, foi alegado por membro da comunidade que as pessoas não poderiam dormir na chuva. Mesmo assim, a partir das 19h00, representantes do poder público fecharam o Projeto Comunitário Casulo, obrigando as famílias desabrigadas a buscarem apoio e abrigo de outras casas na favela. Muitos moradores ofereceram suas casas para famílias que estavam até mesmo com crianças de colo. No final da noite, informou-se que o poder público entregou colchões, cobertores e alimentos para as famílias.
Famílias Indígenas
Famílias Indígenas
Das cerca de 300 famílias atingidas, aproximadamente 40 famílias são indígenas Pankararu, sendo uma média de 180 indígenas desabrigados. O povo Pankararu é originário do estado de Pernambuco e começou a migrar para São Paulo já na década de 1950, lutando há anos, na metrópole paulista, por melhores condições de sobrevivência e permanente reconhecimento de sua identidade.
Maria Lídia da Silva, Pankararu, agente de saúde e vice-presidente da Associação SOS Pankararu conta que a situação a deixou desesperada vendo o estado caótico que estavam as famílias tentando recuperar o que fosse possível. No momento, viu muitos alunos de uma escola próxima incontrolavelmente, pressionando e saindo do portão escolar em busca de suas famílias. “Espero que nunca mais em minha vida eu veja uma situação como essa de meus parentes sofrendo tanto”, relata.
Para Maria das Dores, Pankararu e presidente da Associação SOS Pankararu, “o governo do Estado não toma providências cabíveis às minorias comunitárias. Não existe diálogo claro que garanta o entendimento da comunidade”. Para ela, a comunidade não acredita nas propostas públicas, pois, não se apresentam garantias no que é dito. “Não apresentam melhorias nas condições de moradia e habitação”. A líder indígena aponta que a comunidade Pankararu, há mais de 20 anos vem solicitando uma área territorial própria que os prive dessas condições humilhantes e desumanas.
Apelo
A liderança Ubirajara Ângelo de Souza, indígena Pankararu, diz que as pessoas já viviam precariamente sem rede de esgoto, com falta de saneamento básico. “Isso tudo por falta de moradia e porque muitos governantes não ligam para o ser humano, especialmente para nós que somos indígenas”.
Ele afirma que as situações se repetem. Isso é visto tanto no Real Parque, zona sul, como na zona leste de São Paulo onde há muitas famílias Pankararu vivendo em áreas de risco e buscando apoio e moradia através do poder público, para o atendimento específico a indígenas que vivem em áreas urbanas. “Nós não vendemos terra nenhuma a ninguém. Hoje nós pedimos um pedaço de terra e somos tratados de maneira indigna. Onde estivermos, seja em qual território brasileiro for, somos índios. A quem temos que pedir terra, se somos donos dessas terras que foram invadidas?”, reflete indignado.
Mesmo na situação de miséria e de descaso público, esse povo indígena vem fortemente garantindo os seus usos e costumes tradicionais, “independente das más condições de vida que possuem nessa cidade, dentro dessa favela”, aponta Dores.
Para muitas famílias, é desmoralizante observarem a contradição luxuosa, do outro lado da favela, na região onde vivem. Se no fim da década de 50, migravam de sua aldeia por causa da seca e de conflitos com invasores, hoje lutam na cidade contra a especulação imobiliária, por respeito aos povos indígenas que vivem em áreas urbanas, por condições dignas de sobrevivência na metrópole e por uma atuação rápida e séria do poder público.
* do Conselho Indigenista Missionário, na Grande São Paulo.
25 de setembro de 2010.
AS FAMÍLIAS NESSE MOMENTO PEDEM APOIO E DOAÇÕES
É PRECISO MUITA SOLIDARIEDADE
CONTATOS DO REAL PARQUE
Dora (liderança indígena Pankararu) – Tel.: 8156-7367
Paula (Favela Atitude) – Tel.: 9838-5904
Cris (Favela Atitude) – Tel.: 7503-4948
Paula (Favela Atitude) – Tel.: 9838-5904
Cris (Favela Atitude) – Tel.: 7503-4948
O ET do indigenismo brasileiro e seu servilismo basal
Nos anos em que fui presidente da Funai, o então deputado federal pelo Rio de Janeiro, Lindbergh Farias, despontou, em busca de uma bandeira para aparecer no panorama político, com uma autêntico porta-voz dos fazendeiros que tinham invadido a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao se apresentar contra a homologação daquela terra indígena.
O ínclito deputado dizia que demarcar terras indígenas nas fronteiras enfraqueceria o Brasil diante dos seus vizinhos, e propunha uma lei que excluísse a demarcação de terras indígenas numa faixa de 10 km da fronteira.
Diante do inusitado da proposta e da sua inconstitucionalidade, chamei o deputado de "o ET do indigenismo brasileiro". E, em uma das várias reuniões convocadas pelo presidente Lula para discutir a viabilidade da homologação da T.I. Raposa Serra do Sol, o deputado se queixou amargamente ao presidente Lula, na frente de todos os presentes, que eu o havia chamado de ET do indigenismo. É claro que Lula deu uma gaitada que contaminou a reunião e disse para o Lindbergh ficar na dele.
Pois bem, Lula assinou o decreto de homologação de Raposa Serra do Sol no dia 15 de abril de 2005.
Lindbergh é hoje candidato a senador pelo Rio de Janeiro e vai se eleger, de acordo com as pesquisas, graças ao apoio dado pelo presidente Lula. Veja aqui uma de suas propagandas mais emocionais, a qual está sendo veiculada pela mídia eletrônica como o máximo do servilismo político. Ele é ET até no servilismo político!
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O ínclito deputado dizia que demarcar terras indígenas nas fronteiras enfraqueceria o Brasil diante dos seus vizinhos, e propunha uma lei que excluísse a demarcação de terras indígenas numa faixa de 10 km da fronteira.
Diante do inusitado da proposta e da sua inconstitucionalidade, chamei o deputado de "o ET do indigenismo brasileiro". E, em uma das várias reuniões convocadas pelo presidente Lula para discutir a viabilidade da homologação da T.I. Raposa Serra do Sol, o deputado se queixou amargamente ao presidente Lula, na frente de todos os presentes, que eu o havia chamado de ET do indigenismo. É claro que Lula deu uma gaitada que contaminou a reunião e disse para o Lindbergh ficar na dele.
Pois bem, Lula assinou o decreto de homologação de Raposa Serra do Sol no dia 15 de abril de 2005.
Lindbergh é hoje candidato a senador pelo Rio de Janeiro e vai se eleger, de acordo com as pesquisas, graças ao apoio dado pelo presidente Lula. Veja aqui uma de suas propagandas mais emocionais, a qual está sendo veiculada pela mídia eletrônica como o máximo do servilismo político. Ele é ET até no servilismo político!
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Drops indigenistas -- 17
1. É pur se muove -- E ainda assim se move -- Esta é a frase que Galileu Galilei pronunciou, sussurando entre-dentes, após ser condenado pela Igreja Católica e se retratar de sua visão de que a Terra se move ao redor do sol, e não o contrário. Esta frase tem permanecido como símbolo da persistência da verdade, independente dos poderes que tentam suprimi-la.
Do mesmo modo, os índios podem muito bem estar sentindo a mesmíssima coisa ao participar dos seminários de explicação apresentados pela atual direção da Funai sobre o famigerado Decreto 7056/09, seminários que tentam persuadi-los de que o desmonte da Funai é uma excelente medida para todos. Sabem eles que o que está acontecendo é uma brincadeira de mau gosto, que é um dia acabará, e as coisas poderão tomar o rumo certo.
As fotos que a Funai tem postado em seu site mostram os olhares vazios dos participantes, próprios de quem vê tudo com indisfarçada indiferença e ceticismo. Mirem o rosto do cacique Nailton Muniz, na matéria sobre o sul da Bahia! Já o indefectível Akyaboro sempre é citado justificando o decreto ao falar que a Conferência Nacional dos Povos Indígenas havia pedido a reestruturação da Funai e que portanto o que está sendo feito tinha que ser feito, é o esperado, o que todos querem. Nem ele acredita nisso!
2. Semana passada os índios Potiguara, da Baía da Traição, PB, retiveram contra suas vontades, na Aldeia São Francisco, sete funcionários da Funai que lá estavam para dar um curso sobre gestão territorial. Mais um curso para movimentar os técnicos da Funai e liberá-los de Brasília. Os líderes potiguara disseram que só os liberaria se o presidente da Funai viesse falar com eles e se comprometesse a recriar sua administração regional. Nada disso aconteceu. Logo em seguida, arrefeceram a demanda e aceitaram uma vaga promessa de que uma unidade gestora iria ser instalada para eles. E aceitaram passivamente a ser assistidos pela Administração Regional de Maceió, mais longe do que a de Fortaleza, porque os índios do Ceará protestaram contra a suposta aleivosia de serem considerados mal assistidos.
Meio fraco para tanta determinação inicial. Que houve, pessoal?
3. Os novos concursados da Funai estão sendo nomeados para as administrações onde foram lotados. Têm até o dia 5 de outubro para serem empossados. Alguns deles foram meus alunos. Desejo a todos boa sorte, e espero que façam força para não deixar a peteca cair.
Do último concurso que aconteceu em 2005, 60 jovens universitários foram nomeados, mas, devido ao baixo salário, muitos deles fizeram concurso para outros órgãos públicos e saíram. Restam uns 25 dos originais que se tornaram indigenistas por seus méritos e não deixaram a peteca cair.
4. Notícias de Altamira informam que está começando a chegar pessoas de todos os tipos para os trabalhos de construção da Usina Belo Monte. Muita gente da cidade está preocupada, a carestia toma conta dos produtos alimentícios, o medo do dilúvio de águas e gentes campeia.
Enquanto isso, a Funai extinguiu a gloriosa administração regional de Altamira, em cujas hostes trabalhavam pessoas como Afonsinho, Benigno Marques e Caetano, por simples despeito de pessoas da atual direção do órgão. Lembrem-se que Afonsinho fez o contato com os dois grupos Arara do rio Iriri. Do primeiro grupo, por extravagância de um sertanista da época, morreram vários por conta de uma epidemia de gripe contraída quando 30 Arara foram levados para serem exibidos em Altamira; do segundo grupo, cuidado por Afonsinho, ninguém morreu. Só isso já seria motivo de glória indigenista.
Em Altamira agora existe uma Frente Etno-ambiental supostamente para cuidar dos índios isolados e de recém-contato. Sem qualquer experiência diante do dilúvio iminente. Os índios estão ficando revoltados com o pouco caso que recebem do seu dirigente atual.
A avalanche e o dilúvio que cairão sobre Altamira estão sendo subestimados pela atual direção da Funai. Só muita ranzinzice e irresponsabilidade para deixar a situação como está e fingir que a reestruturação lá implantada é uma beleza.
4. A questão da saúde não está equacionada. Quando será? A nova secretaria de saúde indígena, que promete fazer o que a Funasa não fez, de ser mais decente para com os índios, ainda não foi implementada.
Os índios Kaingang de Chapecó se revoltaram esses dias por conta do atendimento precário à sua saúde, e protestaram fechando duas rodovias no oeste catarinense. Precisou dois dias para serem persuadidos a abri-las, com promessas de remédios e viaturas a serem acertadas em reunião em Florianópolis.
5. É curioso que nas duas enquetes recentes feitas por esse Blog, perguntando sobre quem poderia ser melhor presidente do Brasil para com os índios, Dilma Rousseff, a candidata da situação, ainda com condições de ganhar no primeiro turno, ficou atrás dos dois oposicionistas principais. Por que será?
6. A Funai renovou três portarias de estudos para demarcação de terras indígenas no Mato Grosso do Sul, aparentemente com os mesmos antropólogos. Quisera que não deitassem falação por aí, exibindo-se e criando anti-corpos anti-indígenas, como fizeram há três anos.
7. Parece que este ano nenhuma terra será demarcada. Que paralisia! Até o CIMI anda fazendo reclamações! Inclusive daquelas cujas portarias foram revogadas. Que papel feio, gente !
8. O segundo mandato do presidente Lula vai passar como o mais anti-indígena dos últimos anos. Ao menos o mais ineficiente de todos. O mais embrulhador aos índios de todos.
Em termos de demarcação de terras, uma vergonha. Não mais que 20 terras indígenas foram homologadas, aliás, todas elas que já haviam sido demarcadas em administrações anteriores.
O pior conjunto de normas e ordens já produzido por um tribunal superior, o próprio STF, que redefiniu os termos de demarcação de terras indígenas.
O esquartejamento da Funai, com prejuízo não só para o órgão, mas para os índios e para a tradição indigenista rondoniana, de cunho federal, que tem sido responsável não só pela assistência, mas também pelo respeito, pouco que seja, mas real, que as populações vizinhas dedicam aos índios.
E as maiores traições já perpetradas, desde os tempos dos militares, aos índios. Promessas nunca cumpridas, reuniões sem sentido. Não só foram licenciados inúmeros empreendimentos sem a devida consulta aos índios, como não se conseguiu indenizações e recompensações à altura dos impactos. Vide Belo Monte.
9. Aliás, considerando que esses empreendimentos já estão sendo efetivados, sem volta, seja com a Dilma, seja com o Serra ou a Marina, apesar de todos os protestos que já aconteceram, é preciso que os índios sejam recompensados devidamente, que virem participantes dos empreendimentos.
Digo com convicção e faço disso minha proposta: que os índios se tornem, por direito, participantes do desenvolvimento que se fizer ao rededor de suas terras indígenas, não só com vistas a protegê-los, assisti-los e indenizá-los, mas também para que eles participem efetivamente dos benefícios e lucros!
Caso contrário, eles agora estarão à mercê de pequenos projetos, enganações criadas por empresas e por gente que não pensa o futuro. O paroxismo dos protestos não faz mal a ONGs que vivem disso e têm seus próprios recursos obtidos de fora do país. Mas os índios são os habitantes que vão sofrer, mesmo com protestos, porque a avalanche chegou. Quem, em sã consciência, acha que Belo Monte não irá acontecer? Ou Santo Antonio e Jirau retroceder? Ou Estreito e Marabá não serem licenciadas? Ou as hidrelétricas do rio Teles Pires não serem leiloadas este ano ou no máximo em 2011?
Haja visto o que está acontecendo com os Xavante das terras indígenas de São Marcos e Sangradouro em relação a duas hidrelétricas que Furnas pretende fazer no rio das Mortes. O que será dos Xavante dessas regiões com tanto rebuliço e tanta enrolação por parte das pessoas que estão fazendo os estudos? Que clareza têm os Xavante sobre esses dois empreendimentos? Quem os auxiliará a recusá-los, ou deles participar?
Em outras palavras, a problemática da questão indígena brasileira não é para amadores, emergentes e adventícios do indigenismo.
O presente já está comprometido com as medidas neo-liberais, anti-Funai e anti-rondonianas que vêm sendo aplicadas. E o futuro, com a Funai despedaçada, com os índios sem um órgão com dignidade para estar ao seu lado, com tudo que vem por aí, quem haverá de ajudar os índios nessa travessia?
Do mesmo modo, os índios podem muito bem estar sentindo a mesmíssima coisa ao participar dos seminários de explicação apresentados pela atual direção da Funai sobre o famigerado Decreto 7056/09, seminários que tentam persuadi-los de que o desmonte da Funai é uma excelente medida para todos. Sabem eles que o que está acontecendo é uma brincadeira de mau gosto, que é um dia acabará, e as coisas poderão tomar o rumo certo.
As fotos que a Funai tem postado em seu site mostram os olhares vazios dos participantes, próprios de quem vê tudo com indisfarçada indiferença e ceticismo. Mirem o rosto do cacique Nailton Muniz, na matéria sobre o sul da Bahia! Já o indefectível Akyaboro sempre é citado justificando o decreto ao falar que a Conferência Nacional dos Povos Indígenas havia pedido a reestruturação da Funai e que portanto o que está sendo feito tinha que ser feito, é o esperado, o que todos querem. Nem ele acredita nisso!
2. Semana passada os índios Potiguara, da Baía da Traição, PB, retiveram contra suas vontades, na Aldeia São Francisco, sete funcionários da Funai que lá estavam para dar um curso sobre gestão territorial. Mais um curso para movimentar os técnicos da Funai e liberá-los de Brasília. Os líderes potiguara disseram que só os liberaria se o presidente da Funai viesse falar com eles e se comprometesse a recriar sua administração regional. Nada disso aconteceu. Logo em seguida, arrefeceram a demanda e aceitaram uma vaga promessa de que uma unidade gestora iria ser instalada para eles. E aceitaram passivamente a ser assistidos pela Administração Regional de Maceió, mais longe do que a de Fortaleza, porque os índios do Ceará protestaram contra a suposta aleivosia de serem considerados mal assistidos.
Meio fraco para tanta determinação inicial. Que houve, pessoal?
3. Os novos concursados da Funai estão sendo nomeados para as administrações onde foram lotados. Têm até o dia 5 de outubro para serem empossados. Alguns deles foram meus alunos. Desejo a todos boa sorte, e espero que façam força para não deixar a peteca cair.
Do último concurso que aconteceu em 2005, 60 jovens universitários foram nomeados, mas, devido ao baixo salário, muitos deles fizeram concurso para outros órgãos públicos e saíram. Restam uns 25 dos originais que se tornaram indigenistas por seus méritos e não deixaram a peteca cair.
4. Notícias de Altamira informam que está começando a chegar pessoas de todos os tipos para os trabalhos de construção da Usina Belo Monte. Muita gente da cidade está preocupada, a carestia toma conta dos produtos alimentícios, o medo do dilúvio de águas e gentes campeia.
Enquanto isso, a Funai extinguiu a gloriosa administração regional de Altamira, em cujas hostes trabalhavam pessoas como Afonsinho, Benigno Marques e Caetano, por simples despeito de pessoas da atual direção do órgão. Lembrem-se que Afonsinho fez o contato com os dois grupos Arara do rio Iriri. Do primeiro grupo, por extravagância de um sertanista da época, morreram vários por conta de uma epidemia de gripe contraída quando 30 Arara foram levados para serem exibidos em Altamira; do segundo grupo, cuidado por Afonsinho, ninguém morreu. Só isso já seria motivo de glória indigenista.
Em Altamira agora existe uma Frente Etno-ambiental supostamente para cuidar dos índios isolados e de recém-contato. Sem qualquer experiência diante do dilúvio iminente. Os índios estão ficando revoltados com o pouco caso que recebem do seu dirigente atual.
A avalanche e o dilúvio que cairão sobre Altamira estão sendo subestimados pela atual direção da Funai. Só muita ranzinzice e irresponsabilidade para deixar a situação como está e fingir que a reestruturação lá implantada é uma beleza.
4. A questão da saúde não está equacionada. Quando será? A nova secretaria de saúde indígena, que promete fazer o que a Funasa não fez, de ser mais decente para com os índios, ainda não foi implementada.
Os índios Kaingang de Chapecó se revoltaram esses dias por conta do atendimento precário à sua saúde, e protestaram fechando duas rodovias no oeste catarinense. Precisou dois dias para serem persuadidos a abri-las, com promessas de remédios e viaturas a serem acertadas em reunião em Florianópolis.
5. É curioso que nas duas enquetes recentes feitas por esse Blog, perguntando sobre quem poderia ser melhor presidente do Brasil para com os índios, Dilma Rousseff, a candidata da situação, ainda com condições de ganhar no primeiro turno, ficou atrás dos dois oposicionistas principais. Por que será?
6. A Funai renovou três portarias de estudos para demarcação de terras indígenas no Mato Grosso do Sul, aparentemente com os mesmos antropólogos. Quisera que não deitassem falação por aí, exibindo-se e criando anti-corpos anti-indígenas, como fizeram há três anos.
7. Parece que este ano nenhuma terra será demarcada. Que paralisia! Até o CIMI anda fazendo reclamações! Inclusive daquelas cujas portarias foram revogadas. Que papel feio, gente !
8. O segundo mandato do presidente Lula vai passar como o mais anti-indígena dos últimos anos. Ao menos o mais ineficiente de todos. O mais embrulhador aos índios de todos.
Em termos de demarcação de terras, uma vergonha. Não mais que 20 terras indígenas foram homologadas, aliás, todas elas que já haviam sido demarcadas em administrações anteriores.
O pior conjunto de normas e ordens já produzido por um tribunal superior, o próprio STF, que redefiniu os termos de demarcação de terras indígenas.
O esquartejamento da Funai, com prejuízo não só para o órgão, mas para os índios e para a tradição indigenista rondoniana, de cunho federal, que tem sido responsável não só pela assistência, mas também pelo respeito, pouco que seja, mas real, que as populações vizinhas dedicam aos índios.
E as maiores traições já perpetradas, desde os tempos dos militares, aos índios. Promessas nunca cumpridas, reuniões sem sentido. Não só foram licenciados inúmeros empreendimentos sem a devida consulta aos índios, como não se conseguiu indenizações e recompensações à altura dos impactos. Vide Belo Monte.
9. Aliás, considerando que esses empreendimentos já estão sendo efetivados, sem volta, seja com a Dilma, seja com o Serra ou a Marina, apesar de todos os protestos que já aconteceram, é preciso que os índios sejam recompensados devidamente, que virem participantes dos empreendimentos.
Digo com convicção e faço disso minha proposta: que os índios se tornem, por direito, participantes do desenvolvimento que se fizer ao rededor de suas terras indígenas, não só com vistas a protegê-los, assisti-los e indenizá-los, mas também para que eles participem efetivamente dos benefícios e lucros!
Caso contrário, eles agora estarão à mercê de pequenos projetos, enganações criadas por empresas e por gente que não pensa o futuro. O paroxismo dos protestos não faz mal a ONGs que vivem disso e têm seus próprios recursos obtidos de fora do país. Mas os índios são os habitantes que vão sofrer, mesmo com protestos, porque a avalanche chegou. Quem, em sã consciência, acha que Belo Monte não irá acontecer? Ou Santo Antonio e Jirau retroceder? Ou Estreito e Marabá não serem licenciadas? Ou as hidrelétricas do rio Teles Pires não serem leiloadas este ano ou no máximo em 2011?
Haja visto o que está acontecendo com os Xavante das terras indígenas de São Marcos e Sangradouro em relação a duas hidrelétricas que Furnas pretende fazer no rio das Mortes. O que será dos Xavante dessas regiões com tanto rebuliço e tanta enrolação por parte das pessoas que estão fazendo os estudos? Que clareza têm os Xavante sobre esses dois empreendimentos? Quem os auxiliará a recusá-los, ou deles participar?
Em outras palavras, a problemática da questão indígena brasileira não é para amadores, emergentes e adventícios do indigenismo.
O presente já está comprometido com as medidas neo-liberais, anti-Funai e anti-rondonianas que vêm sendo aplicadas. E o futuro, com a Funai despedaçada, com os índios sem um órgão com dignidade para estar ao seu lado, com tudo que vem por aí, quem haverá de ajudar os índios nessa travessia?
Resultado de Enquete: Em qual candidato você votaria por suas propagandas
No curso espaço de três dias, 43 participantes votaram em candidatos a presidente da República de acordo com as propagandas apresentadas abaixo. Eis o resultado:
Dilma -- 9 votos
Serra -- 20 votos
Marina -- 14 votos.
A disputa está estranha!
Dilma -- 9 votos
Serra -- 20 votos
Marina -- 14 votos.
A disputa está estranha!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Uma pausa para a política eleitoral: escolha o melhor video para votar
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